A promoção de estudos sino-portugueses está na base de um
programa de investigação em Humanidades Digitais lançado em conjunto pela
Universidade Politécnica de Macau e pela Universidade de Coimbra. O novo acordo
visa desenvolver ainda mais o papel de Macau como ponte de intercâmbio
académico entre a China e os Países de Língua Portuguesa
A Universidade Politécnica de Macau
(UPM) e a Universidade de Coimbra (UC) lançaram em conjunto um programa de
investigação em Humanidades Digitais, focado nas tecnologias da linguagem e dos
textos e nas aplicações digitais. O novo acordo de intercâmbio entre os dois
estabelecimentos de ensino superior tem por objectivo desenvolver ainda mais o
papel de Macau como ponte de intercâmbio académico entre a China e os Países de
Língua Portuguesa (PLP) e aprofundar a cooperação internacional na investigação
científica interdisciplinar.
“Com base na sólida parceria estratégica, as duas
universidades expandem ainda mais as novas áreas de colaboração no ensino
superior e constroem um ecossistema multilingue de humanidades digitais”,
segundo se pode ler num comunicado da UPM.
O Programa Conjunto de Investigação em Humanidades
Digitais reunirá as “vantagens das duas universidades” para desenvolver
inovações de investigação multidimensionais, centrando-se na promoção de
estudos de humanidades sino-portugueses.
A iniciativa inclui a digitalização dos arquivos
históricos, a investigação e o desenvolvimento em modelos de linguagem
portuguesa de grande escala e inteligência artificial, a revitalização digital
do património cultural, bem como a comunicação digital contemporânea.
A mesma nota refere que o programa tem em Macau o elo
principal, “transcendendo as restrições geográficas e caracterizando-se pela
abertura, partilha e desenvolvimento sustentável, de modo a injectar um ímpeto
inovador nos intercâmbios académicos e culturais entre a China e os PLP”.
O recém-lançado programa assume “uma missão
significativa”, disse na cerimónia de lançamento o reitor da UPM. Marcus Im
salientou que o acordo “promove a inovação de dados nas ciências humanas e
sociais, através da construção de uma base de dados de textos
interlinguísticos”. Além disso, por meio de exposições digitais e experiências
interactivas, “estimula a divulgação e a partilha de recursos multiculturais”,
sublinhou.
O reitor da UPM destacou ainda no seu discurso que as
duas universidades têm cooperado há mais de 30 anos e que o nível de
colaboração tem aprofundado desde o intercâmbio de quadros qualificados até à
construção de laboratórios conjuntos nos domínios da cidade inteligente e de ‘big
health’. Numa perspectiva de futuro, acrescentou que as duas partes já
assinaram o acordo para estabelecer uma base de cooperação no domínio do ensino
superior na “Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e
Hengqin”, “a fim de construir um campus internacional orientado para a
comunidade mundial”.
Por sua vez, Nuno Mendonça, vice-reitor da UPM, realçou
que as humanidades são “uma área central do pensamento crítico e da criação de
sentido” e, com a inteligência artificial a alterar “profundamente o modo de
investigação e de ensino”, a ascensão das humanidades digitais “não é apenas um
desafio técnico, mas também um diálogo profundo que envolve ética e cultura”.
O comunicado da UPM frisa que “com os séculos de
experiência nos estudos da cultura chinesa, a UC serve de ponte académica entre
o Oriente e o Ocidente, com o objectivo de integrar as tecnologias
linguísticas, as indústrias criativas e a investigação em património cultural
através deste Programa”. No futuro, prossegue, “as duas universidades
cooperarão para criar laboratórios académicos que serão pioneiros na inovação
tecnológica no Campus em Hengqin, um espaço que simboliza a fusão entre
tradição e inovação”.
A delegação da UC integrou os
directores da Biblioteca Geral e do Departamento de Engenharia Informática,
respectivamente António Mendes e Manuel Portela; o professor Hugo Oliveira; o
coordenador do Curso de Doutoramento em Antropologia e Professor do Departamento
de Ciências da Vida, Gonçalo Santos; e o coordenador de Projectos Globais,
Ricardo Dias. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal
Tribuna de Macau”
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