Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Angola - Fragata de Morais defende aproximação dos escritores às escolas e aos bairros periféricos

O escritor, poeta e dramaturgo, Fragata de Morais realçou a importância de levar a literatura às comunidades rurais e ao ambiente escolar para inspirar os leitores, de maneira a desenvolver também o intelecto dos jovens


Fragata de Morais abordou o assunto ao jornal O País, no âmbito da sua participação no programa “12 Escritores na Biblioteca Comunitária”, em Viana, a decorrer este Sábado, 24. O escritor destacou a necessidade de haver um contacto directo entre autores e jovens, de modo a cultivar neles o gosto pela leitura, bem como combater o “embrutecimento” provocado pelo uso excessivo das tecnologias.

“A leitura é fundamental para o crescimento espiritual e cultural do indivíduo”, disse. Ao recordar a sua trajectória, Fragata de Morais contou que iniciou com bandas desenhadas, por exemplo, o “Tio Patinhas”, numa época em que não havia televisão ou internet, distinguindo a sua experiência com a realidade actual.

Segundo o escritor, a facilidade de acesso às informações rápidas via “Professor Google” pode, paradoxalmente, dificultar o desenvolvimento do interesse constante pela leitura. Fragata de Morais diz que iniciativas parecidas à “12 Escritores na Biblioteca Comunitária” deveriam ser replicadas nas instituições de ensino. Augusto Nunes – Angola in “O País”


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Angola - Obras bilingues do escritor Fragata de Morais serão lançadas na União dos Escritores Angola

O escritor angolano, Fragata de Morais, prepara-se para lançar, na sede da União dos Escritores Angola (UEA), em Luanda, duas obras literárias, bilingues: Kikongo e Umbundu, com a chancela da Mayamba editora


Trata-se dos volumes, Um Canto ao Meu Congo (Nkunga kwa Nsi’Ami Kongo) em Kikongo, traduzido pelo Académico Manuel Alegria da Igreja Kimbanguista e A Senhora Sunflower e Outros Contos, em Umbundu pela Deputada, Miraldina Jamba. O primeiro livro, Um Canto ao meu Congo é um percurso ficcional sobre os diversos ciclos da História do Kongo que vão desde a fundação à cristianização, decadência e busca do renascimento cultural.

O livro transporta os leitores à mística do espaço sócio-cultural Kongo, no qual o autor absorveu muito da sua cultura e história Akongo, sem, no entanto, dela desviar-se. Já a segunda obra, A Senhora Sunflower e Outros Contos, explora a cultura do povo Khoisan. A vida e obra de um casal de pastores evangélicos, de nacionalidade inglesa, com o sobrenome Sunflower, idos para um determinado ponto de Angola para exercerem a sua profissão, de levarem a fé de Deus a estes povos.

Apesar das traduções estarem prontas e impressas, o lançamento oficial encontra-se em espera. A decisão estratégica visa realizar um lançamento conjunto com outra obra do autor, um livro ilustrado sobre a História de Angola, que conta com o patrocínio da Sonangol e está em fase de finalização.

Sem avançar a data para o lançamento, Fragata de Morais detalhou o processo de tradução do volume A Senhora Sunflower e Outros Contos para línguas nacionais (Kikongo e Umbundo), justificando o adiamento estratégico do lançamento para coincidir com uma nova obra histórica.

O objectivo principal destas publicações, segundo o escritor, é o desenvolvimento e a divulgação das línguas regionais, uma prática que, no seu entender, deveria ser adoptada por mais escritores de diversas origens provinciais (como Cokwe, o Oshikwanyama por aí fora), para valorizar a identidade angolana. “Apelo os escritores de outras províncias do país a publiquem nas suas línguas nativas para preservar a “angolanidade”, adiantou.

Reflexão sobre hábitos de leitura

O autor expressou a sua preocupação com a actual geração de jovens, observando uma perda significativa do gosto pela leitura em favor do uso excessivo de telemóveis e pesquisas rápidas no Google.

O escriba contrastou este cenário com a sua própria formação literária, que evoluiu da leitura de Banda Desenhada (Tio Patinhas) para clássicos de autores como Jorge Amado e Graciliano Ramos, lamentando que a falta de leitura profunda e o desuso de dicionários estejam a comprometer a formação cultural da juventude.

“A juventude hoje lê pouco, fica debruçada sobre o telemóvel… Eu ganhei o gosto pela leitura lendo o Tio Patinhas. Hoje não têm dicionário, fica complicado”, disse Fragata. Ainda no que às acções em torno da literatura diz respeito, o escriba disse ter apresentado à Editora Mayamba futuros projectos editoriais e uma reflexão crítica sobre o declínio dos hábitos de leitura no seio da juventude angolana.

Confirmou ter entregado também à referida editora um novo manuscrito focado na presença judaica em Angola ao longo dos séculos. “Recordo-vos que as obras traduzidas estão finalizadas e aguardam apenas a conclusão do livro histórico patrocinado pela Sonangol para um lançamento simultâneo”, assegurou Fragata, acrescentando que se mantém produtivo com novos temas históricos, não obstante reconhecer os desafios comerciais impostos pelo actual cenário de baixos índices de leitura. Augusto Nunes – Angola in “O País”


sexta-feira, 25 de julho de 2025

Angola - Escritor Fragata de Morais doa colecção valiosa ao Arquivo Nacional de Angola

O Arquivo Nacional de Angola (ANA) recebeu, na quarta-feira, a doação de uma colecção de selos, livros e documentos raros oferecida pelo escritor, investigador e diplomata Fragata de Morais


De acordo com uma nota do Ministério da Cultura, consultada pelo JA Online, a colecção inclui exemplares únicos e de elevado valor histórico que irão enriquecer significativamente o acervo do ANA, na promoção e acesso à informação, à pesquisa científica e à valorização do património documental do país.

A cerimónia oficial de entrega decorreu nas instalações do Arquivo Nacional de Angola, na presença de distintas personalidades do mosaico académico, cultural e governamental, assim como do director-geral adjunto do referido espaço, Heliodoro Abambres, bem como da directora adjunta para a área administrativa e financeira, Domingas Rodrigues.

Segundo Fragata de Morais, o gesto representa um compromisso com a preservação da memória histórica nacional.

Nesta fase inicial, foi entregue 10% do acervo, enquanto os 90% restantes serão formalmente entregues, após serem devidamente inventariados pelos técnicos da instituição.

Já Heliodoro Abambres enalteceu o papel de Fragata de Morais na preservação da identidade cultural angolana e apelou a outros coleccionadores para que sigam este exemplo, sendo o ANA o guardião legítimo do espólio da cultura nacional. In “Jornal de Angola” - Angola


quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Angola - Fragata de Morais lança livro de contos

“A Senhora Sunflower e outros contos” é o título da nova obra literária do escritor Fragata de Morais, cujo lançamento acontece, amanhã, 05 de Dezembro, às 16h00, na sede da União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda



Em declarações ao Jornal de Angola, Fragata de Morais disse que a obra chega ao mercado com a chancela da Mayamba Editora, com uma tiragem inicial de mil exemplares. O autor avançou que o livro “A Senhora Sunflower e outros contos” apenas terá uma sessão de vendas e assinatura de autógrafos na província de Luanda, devido ao elevado custo que acarreta a deslocação às outras províncias do país.

O escritor deu ainda a conhecer que o livro vai ser publicado no Brasil, no próximo ano, numa versão português-umbundu, cuja tradução está a ser feita pela Doutora Miraldina Jamba. O contrato, revelou, já foi celebrado entre o escritor a editora brasileira que vai publicar a obra literária.

Para o escritor José Luís Mendonça, que vai fazer a apresentação do livro, “A Senhora Sunflower e outros contos” pode, à segunda leitura, revelar-se um acto único de uma peça de teatro, em 12 cenas fantásticas, não tanto por o autor ter começado a sua lide literária pelo teatro e nutrir até hoje uma certa fidelidade às artes cénicas, mas porque as 12 estórias do livro se amarram umas nas outras.

Com essa obra, explicou, Fragata de Morais traz à reflexão o grande problema da imposição da cosmovisão cristã ocidental, através das missões e os seus missionários, como o casal Sunflower.

Na óptica do autor do “Reino das Casuarinas”, a primeira estória que dá título à antologia e a última, “O ovo da avestruz”, são duas estórias onde está um lençol mitológico que demarca um mundo a cair cada vez mais no limbo do chamado património cultural imaterial, coisa de livro e de museu.

De acordo com o também jornalista, Fragata de Morais recuperou esse património para a literatura, um outro campo também em perigo, pelo efeito do fenómeno da desleitura que enferma a sociedade humana do século XXI.

A desleitura, salientou, é um problema muito pertinente, quando se vê muitos jovens ignorantes sobre a História dos reinos destruídos à força dos canhões pelo colonialismo, mas autênticos sábios da História de um pequeno povo do Médio Oriente, os judeus, um caso para reflectir.

Perfil do autor

Fragata de Morais, de nome próprio Manuel Augusto Fragata de Morais, nasceu no Uíge a 16 de Novembro de 1941. Pelo seu contributo à literatura nacional, com um rico percurso na arte de escrever, foi homenageado na passada sexta-feira, na IV edição do programa “O Escritor e a sua Época”. Mário Cohen – Angola in “Jornal de Angola”