Dos Ventos da Lona
A chuva
vai tornar a cair
sobre a minha aldeia
as bandeiras do milho
voltarão a flutuar ao
vento.
Teremos verde nos olhos
os lábios molhados de
leite
e o mugido dos animais.
Nesse dia
vou sair para a praça
da igreja
e cantar
um hino aos deuses.
Reunidos em família
a aldeia será
iluminada
pelos sorrisos dos seus
filhos
de regresso dos tempos
das tendas de lona.
Por agora,
deixa os sinos do teu
corpo
tocarem todos,
deixa a vaga de vento
te levar para as portas do
céu.
Poisa levemente os pés
na lã dos caminhos e vai
segura pela minha mão
que voltarás ao amanhecer
com as águas das montanhas
entre o coaxar das rãs
saindo do teu peito.
Os dias serão maduros de
azul,
cânticos de amor e pão.
Haverá mel nos lábios
e em todas as esquinas
estarei à espera de ti!
Nelson Bonavena – Angola
In Os Limites da Luz, (2003, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda)
na coleção Escritores
dos Países de Língua Portuguesa.
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Poeta,
contista, ensaísta e crítico literário revelado à literatura angolana no
suplemento cultural Vida & Cultura do Jornal de Angola, nos
primórdios dos anos 1980, Nelson Pestana “Bonavena” com o
pseudónimo de Eduardo Bonavena, nasceu a 26 de Fevereiro de 1955, no
bairro suburbano do Cazenga, em Luanda. É licenciado em Direito pela
Universidade Agostinho Neto e doutorado em Ciências Políticas pela Universidade
de Montpellier (França).
A
trabalhar em Portugal, colabora num projecto do Instituto Superior de Ciências
do Trabalho e Emprego (ISCTE), com o propósito de publicar um livro sobre os
cinco Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Colabora, ainda,
com o Centro de Estudos da Teoria do Estado em França.
Tem
artigos científicos e textos críticos publicados em diversos países (Angola,
Moçambique, Portugal, Brasil, Senegal, França, Itália e EUA).
Além
da participação poética e ensaística na imprensa, Nelson Pestana “Bonavena”
escreveu Ulcerado de Míngua Luz (1987), a coletânea marcou a estreia
literária do autor e inclui poemas de forte tom crítico e experimental, reflexo
de uma voz emergente na poesia angolana dos anos 1980; Os Limites da Luz (2003), segunda coletânea de poesia publicada pela Imprensa Nacional – Casa da
Moeda na coleção Escritores dos Países de Língua Portuguesa. Esta obra mostra
uma voz poética mais lírica e introspectiva que a obra de estreia; Literatura
Angolana do Séc. XIX: Pedro Félix Machado (2012) e Cordeiro da Matta: O
Poeta do Rio Kwanza (2012).
Poemas
de Bonavena também aparecem em antologias poéticas angolanas/lusófonas, como
parte da coletânea Apoesia Angolana, onde constam títulos como “Escolhas
íntimas”. Apresenta-se em compilações literárias, como a Breve Antologia do
conto Angolano: Balada dos homens que sonham (edição Clube do Autor, 2012),
ainda que mais frequentemente em contexto de poesia ou prosa curta dentro de
antologias coletivas. Baía da Lusofonia
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