Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra conquista financiamento europeu para revolucionar reabilitação física com tecnologia inovadora

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) foi distinguida com uma bolsa Proof of Concept (PoC) do Conselho Europeu de Investigação (ERC), no valor de 150 mil euros. Destinado a apoiar a transformação de resultados de investigação de excelência em soluções com potencial de aplicação prática e impacto no mercado, este financiamento permitirá desenvolver o projeto KineSense, que visa criar tecnologias vestíveis (wearables) inovadoras, capazes de monitorizar, de forma contínua e objetiva, a atividade muscular e os movimentos articulares ao longo dos processos de reabilitação.

Liderado por Mahmoud Tavakoli, investigador do Instituto de Sistemas e Robótica da FCTUC, o projeto pretende transformar estas tecnologias em ferramentas clinicamente validadas e facilmente integráveis na prática de reabilitação, incluindo o uso de análise de dados avançada para apoiar a interpretação dos resultados e a tomada de decisão terapêutica.

O KineSense combina dois sistemas complementares: adesivos ultrafinos aplicados diretamente sobre a pele para monitorização da atividade muscular e uma plataforma baseada em têxteis inteligentes para acompanhar os movimentos articulares de forma confortável e não invasiva, tanto em contexto clínico como nas atividades quotidianas dos utilizadores.

Doenças neurológicas e musculoesqueléticas, como o acidente vascular cerebral, a doença de Parkinson, a osteoartrose ou as lesões desportivas, afetam milhões de pessoas em todo o mundo e estão entre as principais causas de incapacidade. Embora a reabilitação desempenhe um papel fundamental na recuperação dos doentes, a avaliação da sua evolução contínua depende ainda, muitas vezes, da observação clínica e do relato subjetivo dos pacientes.

Através da recolha contínua de dados sobre a função muscular e a qualidade do movimento, o KineSense pretende fornecer a médicos, fisioterapeutas e pacientes informação objetiva que permita acompanhar a recuperação de forma mais precisa e personalizada.

Para além da saúde, estas tecnologias poderão encontrar aplicações em áreas como o desporto e a monitorização do desempenho humano, contribuindo para a prevenção de lesões, a otimização do treino e o acompanhamento da recuperação de atletas profissionais e amadores.

“Este projeto representa um passo importante na transformação de descobertas científicas fundamentais em tecnologias capazes de beneficiar diretamente a sociedade. A nossa visão é tornar a análise quantitativa do movimento tão acessível como a medição da frequência cardíaca é hoje”, afirma Mahmoud Tavakoli.

O KineSense assenta num sólido portefólio de propriedade intelectual desenvolvido na FCTUC ao longo da última década, incluindo várias famílias de patentes internacionais. As atividades de valorização e transferência de tecnologia serão apoiadas pela UC Business, o gabinete de transferência de tecnologia da Universidade de Coimbra, contribuindo para acelerar a chegada destas soluções ao mercado.

O projeto será desenvolvido na FCTUC em colaboração com parceiros internacionais, entre os quais o University Medical Center Groningen, nos Países Baixos, reforçando o posicionamento da instituição como uma referência europeia nas áreas da saúde digital, tecnologias vestíveis e sistemas avançados de reabilitação. Universidade de Coimbra - Portugal


UCCLA estará presente no MIMO Festival em Guimarães

A cidade de Guimarães recebe, até 5 de julho, o MIMO Festival, um dos mais relevantes festivais internacionais dedicados à música e à cultura, que faz da música uma ponte entre culturas, territórios e gerações. O Secretário-Geral da UCCLA, Luís Álvaro Campos Ferreira, marcará presença no Fórum de Ideias, que terá lugar no próximo dia 4 de julho, às 12 horas.


Subordinado ao tema “Representantes institucionais e agentes culturais do universo lusófono - A Música move o mundo lusófono”, o Fórum de Ideias terá início às 11 horas e reunirá representantes institucionais, agentes culturais e personalidades de diferentes geografias do espaço lusófono para refletirem sobre o papel da música enquanto instrumento de aproximação entre povos, culturas e territórios. O Fórum de Ideias decorrerá no Centro Internacional de Artes José de Guimarães.

A edição de 2026 do MIMO organiza-se em dois momentos complementares: o MIMO Festival de Cinema, dedicado exclusivamente a filmes sobre música, e o MIMO Festival, que integra uma programação internacional de concertos, fóruns de ideias, workshops e outras experiências culturais. Ao longo dos dias, Guimarães transforma-se num palco aberto à criação artística, ao diálogo intercultural e ao encontro entre públicos de diferentes gerações.

Nesta edição, o festival ocupa alguns dos mais emblemáticos espaços da cidade, nomeadamente o centro histórico classificado como Património Mundial da UNESCO e a Colina Sagrada, integrando locais como o Campo de São Mamede e o Paço dos Duques de Bragança. Igrejas, praças, largos e equipamentos culturais acolherão concertos, cinema, debates, oficinas, roteiros culturais e atividades dirigidas a públicos de todas as idades.

A entrada em todas as atividades é gratuita.

Programação

Sobre o MIMO Festival

Criado no Brasil há mais de duas décadas, o MIMO Festival afirma-se como um dos principais festivais internacionais de música e cultura, promovendo o encontro entre diferentes linguagens artísticas, culturas e públicos.

Em 2026, o festival celebra 10 anos de edições em Portugal, inaugurando um novo capítulo em Guimarães. Ao longo da sua história, realizou mais de 65 edições em 14 cidades, reuniu um público superior a dois milhões de pessoas e contou com a participação de mais de quatro mil músicos, mantendo como princípio essencial o acesso gratuito à cultura.

Ao longo da sua trajetória, o festival percorreu cidades brasileiras como Olinda, Recife, Paraty, Ouro Preto, Tiradentes, Rio de Janeiro e São Paulo, e iniciou a sua presença internacional em 2016, em Amarante (Portugal), estabelecendo uma relação sólida e contínua com o território português. Ao completar uma década em Portugal, o MIMO amplia sua atuação e reafirma o seu compromisso com a circulação cultural entre Brasil e Europa.

Como refere Lu Araújo, idealizadora e diretora do festival: “Realizar um festival gratuito com essa dimensão nos dias de hoje é um ato de resistência e compromisso com a cultura. Acreditamos na arte como ferramenta de transformação social - e é isso que nos move.” UCCLA

Mimo Festival 2026

 




Brasil - Lungaretti, o náufrago da utopia

Celso Lungaretti, eterno combatente contra o capitalismo e contra as ditaduras, desde seus anos de secundarista, prepara a publicação do segundo volume do seu livro Náufrago da Utopia. No momento, Celso está hospitalizado, se recuperando de uma queda na qual quebrou uma perna.

Celso sabe que sua primeira luta contra a ditadura militar de 1964-85, que lhe deixou sequelas no corpo, precisou se ampliar com a atual transformação do capitalismo num monstro maior, naquilo que o escritor e político suíço Jean Ziegler, outro combatente recentemente falecido, qualificou de “canibalismo oligárquico”: a acumulação excessiva da riqueza por alguns bilionários paralela a novas regulações trabalhistas que penalizam ainda mais os pobres.

A incansável luta de Celso Lungaretti, iniciada com sua participação na luta armada, continua ainda ativa num blogspot, Náufrago da Utopia, com textos renovados semanalmente. Embora o blog tenha ultrapassado a marca dos 5 milhões de acessos, desde sua criação em 2008, Lungaretti não se lançou com a mesma força nos novos meios de comunicação como instagram ou nas redes sociais do Youtube e Facebook.

Enquanto aguardo o lançamento do Náufrago da Utopia 2: Memória e Legado, cujo objetivo é o de deixar um legado histórico sobre a geração que enfrentou a ditadura militar nos anos 60 e 70, minha intenção é a de lembrar a participação política de Lungaretti, um dos últimos combatentes daquela época ainda vivos.  Ele colaborava com o Observatório da Imprensa, quando Carlos Brickmann trabalhava com Alberto Dines.

No seu primeiro texto, no Observatório da Imprensa, Lungaretti criticava duramente a revista Veja, por um texto relacionado com o movimento MR-8, sob o título Um perigo chamado Veja.

Logo depois, outro texto criticava a colega Mônica Bergamo por ter noticiado. na Folha, o lançamento do livro de Carlos Brilhante Ustra, sem explicar se tratar do torturador do Doi-Codi, cuja ficha criminosa já havia sido publicada, na própria Folha pelo colunista Elio Gaspari, seguindo-se o protesto do colega jornalista Alípio Freire à Folha, não publicado. E o texto de Lungaretti ao ombudsman da Folha, também não publicado.

Destaque também para um texto em memória do jornalista Paulo Francis, "o mais influente jornalista brasileiro do século passado", para quem "tudo que há para se aprender de jornalismo, aprende-se em 15 dias numa redação".

Seu último texto no OI lembra o sofrimento das famílias vítimas da repressão da ditadura, das famílias de seus companheiros mortos pela repressão. Depois de citar Eunice Paiva e Zuzu Angel, conta momentos emocionantes com a família do jovem Eremias Delizoicov, jovem de 18 anos assassinado pela repressão militar. E ainda a família de Massafumi Yoshinaga, que se suicidou depois de libertado pelo DOPS.

Foi também importante a luta de Celso Lungaretti em defesa do italiano Cesare Battisti, junto com Carlos Lungarzo e Eduardo Suplicy, luta da qual participei na Europa com a escritora Fred Vargas. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Macau - Inaugurada exposição da “Policromia Lusófona”

A Galeria do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) inaugurou a Exposição de Artesanato dos Países de Língua Portuguesa “Policromia Lusófona”, um dos destaques do programa da 18.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. Distribuídas em quatro secções, as peças artesanais estarão em exibição até ao dia 5 de Julho, segundo uma nota de imprensa.


Na secção “Entre o Cruzamento da Urdidura e Trama”, são apresentados utensílios do quotidiano confecionados em fibras naturais e que reflectem “os modos de vida e as tradições estéticas” das várias regiões representadas. Em “Texturas do Som”, o público pode encontrar instrumentos musicais tradicionais complementados por projecções de performances que ilustram “como a música transcende línguas e fronteiras”.

Na zona “Histórias das Esculturas”, as peças em madeira e cerâmica representam “crenças religiosas, mitos populares e cenas do quotidiano”. Na secção “Beleza do Quotidiano”, cada peça de uso diário, como loiça de mesa e adornos, “reflecte a sabedoria dos artesãos dos Países de Língua Portuguesa e as técnicas transmitidas de geração em geração”, num retrato da “rica diversidade cultural” e das “tradições do mundo lusófono”.

As peças foram sendo oferecidas pelas delegações dos países lusófonos ao Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa ao longo das mais de duas décadas desde que foi criado. Os interessados poderão visitar a exposição gratuitamente, todos os dias até ao próximo domingo, entre as 09h00 e as 21h00.

Hoje é também o segundo e último dia dos Espectáculos de Dança e Música da Semana Cultural em Macau, que têm lugar entre as 18h00 e as 21h00 no Largo do Senado. Os espectáculos em Qinghai acontecerão a 4 e 5 de Julho, enquanto Pequim acolherá as actuações dos artistas representantes dos países lusófonos nos dias 9 e 10 do próximo mês.

Na semana passada, Ji Xianzheng justificou a escolha de Qinghai pelo facto de, no ano passado, ter sido assinado um acordo de cooperação entre o governo da província chinesa e a RAEM. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Venezuela - 4 em 10 deslocados por terremotos estão nas ruas ou espaços públicos

Fome, disseminação de doenças e falta de abrigo adequado são algumas das ameaças após os tremores do último dia 24. Os serviços de saúde e necrotérios estão em estado de colapso, a ONU intensifica apoio às vítimas e serviços de resgate


As operações de busca e resgate continuaram na Venezuela nesta terça-feira, enquanto milhares de sobreviventes do terremoto tentam encontrar abrigo após terem perdido as suas casas.

Na segunda-feira, as autoridades venezuelanas confirmaram 1719 mortes, pelo menos 5034 feridos e 15.866 pessoas afetadas ou deslocadas pelos tremores consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter.

Comida em falta

Seis dias após os sismos, "a escassez de alimentos é generalizada" em La Guaira, o estado mais afetado, segundo a agência da ONU para refugiados, Acnur.

A porta-voz da entidade, Carlotta Wolf, afirmou nesta terça-feira que “os serviços básicos entraram em colapso e a conectividade foi amplamente interrompida”.

Ela ressaltou que as tensões dentro das comunidades estão a aumentar devido à dificuldade de acesso à assistência.

Abrigos abaixo do padrão

Uma avaliação rápida das necessidades realizada pelo Acnur nos estados de La Guaira, Distrito Capital, Miranda, Aragua e Carabobo mostrou que metade dos entrevistados estava abrigada com vizinhos ou parentes após o desastre.

Além disso, quase quatro em cada 10 estão a viver nas ruas e espaços públicos, e outros em igrejas, escolas ou instalações improvisadas.

Carlotta Wolf alertou que “esses abrigos improvisados ​​não atendem aos padrões mínimos de proteção”, em termos de privacidade, espaços seguros e níveis básicos de higiene e conforto.

A porta-voz do Acnur também expressou preocupação com a presença de crianças desacompanhadas e separadas das famílias.

Caos no sistema de saúde

Já o porta-voz da Organização Mundial da Saúde, OMS, Christian Lindmeier, disse que “os serviços de saúde estão sob extrema pressão neste momento”.

Segundo ele, o aumento nos casos de trauma ultrapassa a capacidade das instalações de saúde.

No sábado, a OMS analisou dados de 21 unidades de saúde em Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón, concluindo que três estão "em estado crítico", seis apresentam danos estruturais ou estão parcialmente funcionais e as restantes "permanecem operacionais sob grande pressão".

Lindmeier alertou para a “prestação de serviços caótica” e fluxos de pacientes, marcados por superlotação, crescentes atrasos cirúrgicos, falha nas medidas de biossegurança e equipa severamente estressada.

O porta-voz da OMS também destacou "lacunas críticas" na prestação de cuidados de saúde, incluindo o colapso dos serviços forenses e de necrotérios, bem como o registo inadequado de vítimas e de pessoas desaparecidas.

Doenças podem espalhar-se

A OMS afirma ainda que há um risco de surtos de doenças preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria, coqueluche, além de febre amarela e outras doenças transmitidas por vetores e pela água, incluindo dengue, chikungunya, zika, oropouche e malária.

Lindmeier explicou que muitos dos deslocados estão sob alto risco, devido à baixa cobertura vacinal antes do terremoto e ao acesso limitado às vacinas atualmente.

Ele adicionou que vários profissionais de saúde em La Guaira continuam desaparecidos, incluindo os responsáveis ​​por cuidados maternos na região, o que criou uma lacuna crítica na assistência obstétrica.

A resposta da ONU em números

  • Libertou US$ 15 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências
  • Estabeleceu três centros de atendimento em La Guaira para famílias que perderam as suas casas
  • O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, está a coordenar a mobilização de 27 países e mais de 40 equipas de busca e salvamento
  • O Programa Mundial de Alimentos, WFP, tem mais de 3 mil toneladas de alimentos em stock no país, quantidade suficiente para alimentar cerca de 10 mil famílias por dois meses.
  • A Unicef mobilizou pessoal e suprimentos adicionais para atender cerca de 650 mil pessoas, incluindo 234 mil crianças. Para viabilizar uma resposta imediata, alocou US$ 1,5 milhão dos seus recursos internos e US$ 1 milhão do Fundo Temático Humanitário Global
  • A Organização Internacional para as Migrações, OIM, está se preparando para distribuir os seus suprimentos nas áreas de maior necessidade
  • A Organização Mundial da Saúde, OMS, por meio da Organização Pan-Americana da saúde, Opas, já avaliou as condições de sete unidades de saúde, determinando necessidades de medicamentos, oxigénio, combustível e outros consumíveis essenciais. Além disso, está a mobilizar equipas médicas especializadas. ONU News – Nações Unidas


Angola - Aposta em iniciativa para transformar setor agrícola

AgriConnect Angola visa impulsionar produtividade, segurança alimentar, emprego e crescimento nas zonas rurais angolanas, o apoio foca-se nos corredores do Lobito e de Malanje


O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, IFAD, lançou, em parceria com as autoridades angolanas e o Grupo Banco Mundial, a iniciativa AgriConnect Angola, um plano inovador que visa a transformação dos sistemas agroalimentares do país africano.

A iniciativa vem reforçar os ecossistemas agrícolas, ao fortalecer as organizações de agricultores, melhorar as ligações aos mercados, expandir o acesso ao financiamento e às soluções digitais e promover uma maior participação do setor privado nas redes dos sistemas alimentares.

Desenvolvimento rural inclusivo

Em Angola, o AgriConnect irá apoiar o desenvolvimento agrícola nos Corredores do Lobito e de Malanje. Ao incentivar as parcerias entre instituições e o setor privado, o programa procura libertar o potencial agrícola do país e acelerar o desenvolvimento rural inclusivo.

Para o diretor do IFAD em Angola, Custódio Mucavele, a iniciativa representa uma oportunidade única de transformação dos meios de subsistência rurais, ao permitir o acesso a mercados, financiamento e infraestruturas produtivas por parte dos pequenos agricultores.

O responsável acrescenta ainda que o programa procura “garantir que as mulheres, os homens e os jovens de zonas rurais possam participar e beneficiar de uma economia agrícola mais produtiva, resiliente e inclusiva”.

Parceria para o desenvolvimento rural

Enquanto parceiro de longa data do desenvolvimento rural de Angola, o IFAD conta com décadas de experiência no apoio aos pequenos agricultores, no reforço das cadeias de valor e na melhoria do acesso aos mercados e aos serviços financeiros.

A agência prevê que estes investimentos aumentem a produtividade, reforcem a segurança alimentar, criem oportunidades de emprego e estimulem o crescimento económico nas zonas rurais.

Lançada em outubro de 2025, a iniciativa AgriConnect é concebida para ajudar 300 milhões de pequenos agricultores em todo o mundo a passar de uma produção de subsistência para uma produção excedentária. ONU News – Nações Unidas


Obra recupera a história da Justiça em Santos

Desembargador reúne textos seus e de colaboradores que resgatam a trajetória do sistema judiciário desde o Brasil Colônia

                                                                                              

                                                            I

Organizado pelo desembargador federal aposentado Vladimir Passos de Freitas, o livro A Justiça em Santos, do Brasil Colônia ao Século XXI (Santos-SP, Instituto Memória Editora, 2026) reúne textos preparados por juízes, promotores, defensores públicos, advogados e outros intelectuais para traçar a evolução do sistema judiciário e a atuação de personagens célebres na cidade litorânea. Além de organizar a obra, Vladimir Passos de Freitas assina os textos “A Justiça em Santos, da Colônia à Proclamação da República” e “A Justiça em Santos, da Proclamação da República (1889) à Era Vargas (1930)”.

No artigo que abre a obra, o desembargador faz uma análise das regras portuguesas adaptadas à realidade brasileira desde 1500 até a proclamação da República, começando por lembrar que os vereadores eram verdadeiros administradores, pois cuidavam das ruas, pontes e outros locais públicos. Na verdade, cada vila tinha o seu Conselho, do qual faziam parte não só vereadores, como um juiz ordinário e um procurador, que, como diz o autor, não era um representante legal da Câmara como hoje, mas uma espécie de tesoureiro e executor de decisões administrativas. “Eles nada recebiam, porém exercer tais funções dava prestígio social”, observa. Na verdade, esses cargos ficavam restritos àquelas pessoas que eram consideradas “homens bons”, ou seja, que faziam parte da elite local.

Antes, porém, ainda no século XVI, o capitão-mor era quem decidia tudo. Mais tarde, já ao tempo das Ordenações, o juiz ordinário era a pessoa mais importante na área da Justiça e decidia os conflitos da população, inclusive os crimes. Depois, foram criados mais cargos, como os de juiz da Fazenda Pública do Reino, juiz de órfãos, juiz de vintena, juiz de alfândega, juiz de paz e outros de menor importância como os almotacés, que fiscalizavam o cumprimento de medidas administrativas.

Ainda no século XVI, foram criados os cargos de ouvidor e juiz de fora. À época, havia ainda o juiz pedâneo que, à falta de instalações adequadas, julgava os casos em pé, debaixo de uma árvore. Já no século XIX, aparecem os juízes municipais, aos quais competia substituir o juiz de Direito. No artigo, o desembargador relaciona e faz um breve histórico de vários juízes municipais e juízes de Direito que atuaram em Santos àquela época.

No artigo seguinte, o magistrado continua a análise da Justiça em Santos, no período que vai da proclamação da República, em 1889, à era Vargas (1930), lembrando que, com o fim da monarquia, foi criada uma Justiça Federal nos moldes do sistema norte-americano, em 1890. Em outro texto, no capítulo VI, traça ainda um perfil do advogado, jurista e filósofo Sérgio Sérvulo da Cunha (1935-2021), apontado como um dos personagens célebres que atuaram em Santos, autor de várias obras, entre elas O que é voto distrital (1991), A OAB e o impeachment (1992), Ética (2012), Antropologia Cristã (2016) e Abaixo a censura (2017).

Ainda no primeiro capítulo, há um terceiro artigo, de autoria da servidora aposentada da Diretoria de Administração Geral do Fórum da Comarca de Santos, Denise Gonçalves Pampolini, bacharel em História, que estuda o período que vai de 1930 a 1988, época em que a Justiça sofreu as consequências de regimes ditatoriais – Estado Novo (1937-1945) e ditadura militar (1964-1985), abordando os principais fatos que ocorreram na Comarca de Santos, inclusive a ocupação gradativa, a partir de fevereiro de 1959, do prédio em que foi instalado o Palácio da Justiça, na praça José Bonifácio.

 

                                                            II

De se destacar é o texto “O Ministério Público Federal em Santos”, de autoria do procurador da República Antonio José Donizetti Molina Daloia, que mostra a atuação da Procuradoria da República no Município (PRM/Santos), cuja atribuição abrange significativa parcela das matérias de competência da Justiça Federal previstas na Constituição Federal de 1988. Como observa o procurador na conclusão do texto, é notável “que o aumento das atividades do complexo portuário, do polo industrial e da urbanização de áreas de relevância ambiental sempre apontam para uma tendência de novos conflitos, com desdobramentos tanto na tutela de interesses difusos e coletivos, como na esfera penal, que configuram desafios para a região”.

A atuação do Ministério Público Estadual em Santos também é destacada em artigo de autoria dos promotores de Justiça Carlos Alberto Carmello Junior e Roberto Luiz Ferreira de Almeida Junior (aposentado), que ressaltam a sua importância na construção de “soluções inovadoras para delicados problemas existentes há anos”, tais como “a viabilização e preservação de bens culturais existentes no porto e a construção de um importante equipamento de lazer e turismo na cidade, o Parque Valongo”. Como exemplo, os autores lembram que a PRM, por meio de termo assinado com a Autoridade Portuária, impediu a demolição de armazéns históricos, além de estabelecer diretrizes para a sua revitalização.

Na área de saúde pública, a atuação da PRM também tem sido igualmente essencial, cobrando melhorias no atendimento hospitalar e acesso igualitário aos serviços de saúde, além de velar para que entidades que desenvolvem atividades voltadas para as pessoas idosas ajam sempre de acordo com a lei, bem como combater práticas abusivas, muitas vezes inseridas em planos de saúde, entre outras atividades.

Por outro lado, a atuação da Defensoria Pública do Estado em Santos é tema de artigo em que os defensores públicos Lisa Mortensen e Rafael Braga Vinhas destacam as duas décadas de seu funcionamento, lembrando que, além da atuação judicial, a instituição tem diversas outras de igual importância, como a participação em conselhos, inclusive no recém-criado Comitê Municipal de Combate à Violência Doméstica, bem como em várias iniciativas como mutirões. Como observam os autores, atualmente o órgão dispõe de 13 defensores públicos na unidade de Santos, com atendimentos na área criminal, cível, fazenda pública, família, execução penal e infância e juventude, embora o seu o quadro de defensores ainda permaneça “aquém da necessidade”.

  

                                                   III

A obra reúne mais 19 textos, alguns dos quais que reverenciam personagens célebres que atuaram na Justiça em Santos, como José Xavier Carvalho Mendonça (1861-1930), Vicente de Carvalho (1866-1924), Laudo Ferreira de Camargo (1882-1963), Ariosto Guimarães (1897-1994), Derosse José de Oliveira (1907-1993), Ruy de Mello Miller (1934-1988) e Gildo dos Santos (1936-2025). No total, a obra conta com a participação de 28 colaboradores, entre os quais estão os juízes federais Alexandre Berzosa Saliba e Roberto Lemos dos Santos Filho. Saliba assina um perfil sobre Laudo Ferreira de Camargo, enquanto Lemos é autor de artigo sobre a Justiça Federal em Santos.

Já o desembargador Frederico dos Santos Messias, ao fazer um levantamento da Justiça Estadual na comarca de Santos de 1988 a 2025, destaca a modernização do Poder Judiciário no município, com a incorporação, nos últimos anos, de tecnologias digitais e a reformulação de sua estrutura administrativa, que têm contribuído para “a construção de um sistema de justiça mais acessível, transparente e eficaz”.

Há ainda um capítulo final reservado a demais temas de interesse, como “A atuação das mulheres no sistema de Justiça de Santos”, de autoria da advogada Maria Isabel de Figueiredo; “Luiz Gama e sua relação com Santos”, do magistrado Márcio Krammer de Lima; e “O folclore forense santista”, do advogado Michel Elias Zamari.

 

                                                              IV



Vladimir Passos de Freitas (1945), jurista e magistrado, é desembargador aposentado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e professor do programa de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Graduou-se em Direito pela Faculdade Católica de Santos em 1968, obteve o título de mestre em Direito Público pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1991 e concluiu o doutoramento em Direito do Estado em 1999, também pela UFPR. É pós-doutor em Direito Ambiental e Sustentabilidade pela Universidade de São Paulo (USP) e em História Judiciária pela Universidade de Lisboa.

Foi secretário nacional de Justiça junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.  Em 1967, foi aprovado em concurso para delegado da Polícia Federal. Ingressou no Ministério Público do Paraná em julho de 1970 e no de São Paulo em dezembro daquele ano. Foi promotor de Justiça até março de 1980 quando, aprovado em concurso público nacional, assumiu como juiz federal da 4ª Região, em Porto Alegre.

Em 31 de agosto de 1991, foi promovido a desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), do qual foi presidente entre 2003 e 2005. Foi presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), de 1994 a 1996, vice-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e presidente do Instituto Brasileiro de Administração do Sistema Judiciário (Ibrajus) e da International Association for Court Administration (IACA) de 2016 a 2018, entidade criada em outubro de 2004, em Lijubljana, na Eslovênia, com sede em Arlington, nos Estados Unidos, para promover estudos de aprimoramento de tribunais.

Foi coordenador de capacitação de juízes em Direito Ambiental do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e da União Internacional para Conservação da Natureza. Em 2010, integrou a equipe da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça. No TRF, foi diretor da revista do órgão, corregedor-geral da Justiça Federal (1999-2001) e presidente (2003-2005). Em 2004, foi admitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao grau de comendador especial da Ordem do Mérito Militar. Aposentou-se do Tribunal em 3 de maio de 2006.

Possui 38 livros publicados como autor, co-autor e coordenador. É autor de História da Faculdade de Direito de Santos (2022), em co-autoria com seu irmão Gilberto Passos de Freitas. Entre março de 2020 e maio de 2021, foi secretário nacional de Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública, durante a gestão do ministro Sergio Moro. É presidente da Academia de Letras Jurídicas do Paraná desde 2021, segundo vice-presidente do Observatório da Cultura Paranaense e diretor da Associação Paranaense de Juízes Federais. Fez palestras em todos os Estados brasileiros e em 19 países. Foi campeão mundial de masters em natação em Singapura (2025). Adelto Gonçalves - Brasil

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A Justiça em Santos, do Brasil Colônia ao século XXI, de Vladimir Passos de Freitas (organizador), com apresentação de Fábio Prieto de Sousa, desembargador e secretário da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, e prefácio de Luiz Antônio Figueiredo Gonçalves, desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e professor. Santos-SP, Instituto Memória Editora & Projetos Culturais/Centro de Estudos da Contemporaneidade, 424 páginas, R$ 250,00, 2026. Site da editora: www.institutomemoria.com.br E-mail: vladimir.freitas@terra.com.br

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Adelto Gonçalves (1951), jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; LetraSelvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), lançado na Inglaterra e nos Estados Unidos. E-mail: marilizadelto@uol.com.br