As três universidades de Macau, instaladas na Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, vão adoptar um programa de mobilidade académica, permitindo aos alunos frequentarem disciplinas em outras instituições com a devida creditação. O regime vai ser implementado já no próximo ano lectivo
A partir do próximo ano lectivo de
2026/2027, os alunos que estudam na Cidade (Universitária) de Educação
Internacional de Macau e Hengqin vão poder frequentar disciplinas em regime de
mobilidade académica entre as instituições.
As três instituições de ensino superior públicas,
nomeadamente a Universidade de Macau (UM), a Universidade Politécnica de Macau
(UPM) e a Universidade de Turismo de Macau (UTM), já estão neste mês a
estabelecer-se no espaço. Os alunos matriculados numa instituição de ensino
superior podem frequentar temporariamente disciplinas noutra universidade
parceira, mantendo o vínculo e garantindo a obtenção dos créditos no curso de
origem.
As instituições vão ainda, a partir do ano lectivo
2027/2028, lançar cursos de microcredenciação abertos à escolha
interuniversitária, enquanto as disciplinas interuniversitárias serão também
creditadas, revelou O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura.
Com o novo modelo de cooperação, o Governo espera
alcançar a partilha de recursos curriculares para formar mais “quadros
qualificados pluridisciplinares”. “As instituições podem tirar partido dos seus
recursos de excelência para formar talentos, promovendo assim uma colaboração
profunda entre as três instituições”, salientou O Lam, na conferência de
imprensa de terça-feira sobre o 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento
Socioeconómico de Macau.
A construção da Cidade Universitária é dividida em três
fases, estando o campus da primeira fase já em pleno funcionamento. De acordo
com o Executivo, mais de 1450 estudantes de pós-graduação, incluindo mestrandos
e doutorandos de três universidades públicas, vão começar o estudo neste campus
no próximo ano lectivo, sendo que a grande maioria já se instalou no espaço.
Segundo prevê o planeamento do Governo, a Cidade
Universitária, com início da primeira fase da actividade lectiva em Agosto
deste ano, deve operar em regime experimental o novo campus da UM na Ilha da
Montanha em 2028, concluindo totalmente a sua construção e entrando em
funcionamento até 2029. O plano quinquenal estabelece ainda que o projecto
deverá concluir a construção dos campus da UPM e da UTM em 2030.
O Governo sublinha que o projecto adopta os princípios de
“disposição unificada, concepção coordenada, abertura e partilha”, quer na
gestão do campus e nas operações logísticas dos alojamentos, quer no trabalho
pedagógico.
Além disso, as autoridades querem alargar os recursos do
ensino superior de Macau e apoiar mais instituições de ensino superior públicas
e privadas de Macau que reúnam condições para alargar o seu ensino a Hengqin.
O Lam considera que o projecto da Cidade Universitária é
um eixo para o Governo impulsionar o desenvolvimento integrado da educação,
tecnologia e talentos. As instituições de ensino superior, segundo a
secretária, serão incentivadas a estruturar redes de cooperação entre a
produção, o ensino e a investigação, de forma a apoiar a reserva de quadros
qualificados de Macau.
A primeira fase do projecto da Cidade Universitária
localiza-se na Praça Dezhi, em Hengqin, ocupando uma área de construção de
cerca de 65 mil metros quadrados.
As informações adiantadas pelos Serviços de Educação e de
Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) no início deste mês apontam que as obras
principais foram já concluídas e entregues, encontrando-se prontas as
instalações que incluem edifícios lectivos e administrativos, edifícios de
dormitórios, cantinas, auditórios e salas para experiências de investigação
científica, entre outras.
As três instituições de ensino superior públicas vão
lançar, no primeiro ano de funcionamento neste espaço, cursos de pós-graduação
em áreas como Inteligência Artificial, Microelectrónica, Big Data e Internet
das Coisas, e Gestão de Indústrias Culturais e Criativas, para “acompanhar as
necessidades de desenvolvimento do País e da região”.
As universidades asseguram ainda que vão continuar a
promover a realização conjunta de cursos e aprofundar a cooperação na
investigação científica com instituições de ensino superior internacionais e do
interior da China. Catarina Chan – Macau in “Ponto
Final”
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