Santa Catarina – O escritor Antonino Veiga apresentou, em Santa Catarina, a sua primeira obra literária, A Jornada do Menino Rumibe, narrativa sobre educação, valores, migração e percurso de vida.
Com cerca de 183 páginas, a obra acompanha Rumibe desde a
infância até à idade adulta, num percurso marcado pela escola, migração,
formação e sucesso profissional, sem se afastar dos princípios e valores
transmitidos pela família e pela comunidade.
Segundo o autor, o livro, dividido em cinco capítulos e
três partes interligadas, é uma “memória narrativa” que tem como pano de fundo
Cabo Verde no período pós-independência, abordando fenómenos como a migração, o
acesso à escola e a importância da entreajuda na educação das crianças.
Antonino Veiga explicou que a narrativa procura
igualmente mostrar como os valores aprendidos na infância podem acompanhar uma
pessoa ao longo de toda a vida, influenciando as suas escolhas e relações.
A segunda parte da obra centra-se no percurso
profissional de Rumibe, enquanto a terceira aborda questões relacionadas com
relacionamentos saudáveis, mantendo como fio condutor os princípios e valores
adquiridos desde a infância.
Apesar da dimensão narrativa, o autor sublinhou que a
obra apresenta também uma componente científica, tendo sido construída com
recurso a cerca de duas dezenas de obras de autores e especialistas
internacionais, incluindo brasileiros, sobretudo nas áreas da sociologia e da
psicologia.
“Rumibe pode representar qualquer um de nós”, explicou
Antonino Veiga, esclarecendo que, embora seja uma personagem fictícia, o seu
percurso permite ao leitor reconhecer experiências e desafios comuns.
O autor considera ainda que se trata de uma obra de
leitura acessível e destinada a todos os públicos, acompanhando a transformação
da personagem de menino em jovem e, posteriormente, em adulto, num percurso que
o leva de Cabo Verde ao estrangeiro e, mais tarde, de regresso ao país.
Na apresentação da obra, o historiador Henrique Varela
destacou a jornada de Rumibe como uma oportunidade para refletir sobre a
infância, a adolescência e a idade adulta, considerando que o percurso
apresentado pode constituir uma referência para as novas gerações.
Para Henrique Varela, a obra transmite, entre outras,
três importantes lições: a pobreza pode impor limites, mas não determina
necessariamente o destino; o sucesso exige disciplina, oportunidades e
trabalho; e os valores transmitidos pelos pais continuam a desempenhar um papel
fundamental na formação dos filhos.
O apresentador recordou, neste sentido, a realidade de
gerações anteriores, cujos pais tiveram pouco acesso à escolaridade, mas que,
segundo afirmou, possuíam uma “grande sabedoria” e souberam transmitir
princípios que contribuíram para a formação de profissionais de diferentes
áreas.
Já Francisco Tavares considerou que a obra proporciona ao
leitor uma viagem pelo percurso de vida de Rumibe, destacando a simplicidade da
linguagem e o carácter cativante da narrativa.
“Para viajar longe, não há melhor navio do que um livro”,
afirmou Francisco Tavares, considerando que a obra permite acompanhar as
diferentes fases da vida da personagem e retirar ensinamentos aplicáveis às
gerações actuais.
A apresentação pública de A Jornada do Menino Rumibe
foi promovida pelo autor, em parceria com a Câmara Municipal de Santa Catarina,
e marca a estreia de Antonino Veiga no panorama literário nacional. In “Inforpress”
– Cabo Verde
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