Cidade da Praia – O Museu da Educação quer consolidar o seu papel como motor de intervenção comunitária e científica através do lançamento de projectos itinerantes nas escolas, de uma linha editorial própria e de iniciativas de valorização docente.
Esta ambição foi manifestada à Inforpress pela fundadora
do Museu da Educação, Clara Marques, instalado desde 2009 no histórico edifício
da Escola Grande, na cidade da Praia.
A instituição, que mantém parcerias estratégicas com a
Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) e o Instituto do Património Cultural (IPC),
reafirma assim a sua missão de ir além da mera conservação da memória
pedagógica e aproximar a história do ensino de toda a sociedade.
Neste sentido, longe de se limitar à contemplação do
passado, a instituição reforçou a sua dinamização com a expansão do projecto
“Museu em Andamento”, levando amostras do seu acervo às escolas secundárias de
todo o país.
A vertente pedagógica inclui ainda a edição de manuais
didácticos sobre tradição oral e ambiente, bem como a promoção da excelência
docente através do Prémio Lecciona.
Segundo Clara Marques, estas iniciativas visam
descentralizar o acesso à cultura e democratizar o conhecimento
histórico-educativo.
“O Museu da Educação está a afirmar-se como um polo
activo de transformação social e pedagógica no país, alargando o seu raio de
acção através de uma forte componente itinerante e de iniciativas de
valorização cívica e docente”, assinalou esta responsável.
A consolidação do espaço como polo de conhecimento é
impulsionada por protocolos de cooperação celebrados com a Uni-CV e o IPC.
A fundadora do Museu de Cabo Verde explicou que as
parcerias com a Uni-CV e o IPC garantem o acolhimento regular de
investigadores, estudantes universitários e turmas de diversos níveis de
ensino, transformando o museu num “laboratório vivo” da história da
aprendizagem no país.
Clara Marques realçou que uma das principais apostas de
descentralização é o projecto itinerante “Museu em Andamento”, que leva
amostras do acervo e peças históricas directamente às escolas secundárias,
aproximando as jovens gerações da evolução do sistema de ensino e do património
educativo cabo-verdiano.
Para dar resposta às lacunas no material escolar, o Museu
da Educação desenvolveu também uma linha editorial própria, cujo catálogo já
inclui obras como o cancioneiro infantil “Vamos Cantar”, a compilação de
tradição oral “Contos e Cantigas de Roda”, além de livros didácticos focados em
temáticas contemporâneas urgentes, como as alterações climáticas e a
resiliência ambiental.
No plano do reconhecimento cívico e da valorização da
classe docente, a instituição destaca-se pela organização do Prémio Lecciona,
galardão nacional que vai já na sua quarta edição e distingue práticas
pedagógicas de excelência no país.
Paralelamente, a dinâmica cultural do museu ganha vida no
espaço “Estorão do Poeta”, mantendo uma programação regular de encontros e
debates.
Em articulação directa com associações estudantis e a
Federação dos Estudantes de Cabo Verde, Clara Marques indicou que a instituição
está a trabalhar na proposta para a futura institucionalização do Dia Nacional
do Estudante.
A ambição da instituição, finalizou Marques, passa por
afirmar o espaço não apenas como um repositório das memórias da escola antiga,
mas como um polo activo de desenvolvimento para o futuro da educação e da
comunidade em Cabo Verde. In “Inforpress” – Cabo Verde
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