Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 1 de agosto de 2026

Macau - Curso de Verão “abriu portas ao mundo” na aprendizagem da cultura lusófona

O Departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau encerrou o 40.º Curso de Verão de Língua Portuguesa. Para os coordenadores, a iniciativa voltou a ser um sucesso, tendo contado com a participação de cerca de quatro centenas de inscrições. A professora Tânia Ferreira, envolvida pela primeira vez na organização, disse ao Jornal Tribuna de Macau ter ficado surpreendida por “ainda haver esta chama” de interesse pela aprendizagem da cultura e da língua portuguesa


A tendência cada vez maior pelo interesse na aprendizagem da cultura e da língua portuguesa ficou comprovada pela “dedicação inspiradora”, dos alunos participantes na 40.ª edição do Curso de Verão de Língua Portuguesa da Universidade de Macau (UM).

A expressão é de Tânia Ferreira, coordenadora da iniciativa juntamente com Lu Chunhui, que ao Jornal Tribuna de Macau fez o balanço da formação que decorreu durante três semanas e que contou com cerca de 400 inscrições.

“O balanço é bastante positivo”, salienta a professora do Departamento de Português da Faculdade de Letras da UM, para quem a oferta formativa foi “muito rica”, uma vez que “eles tiveram oportunidade de aprender um pouco sobre danças folclóricas e participar noutros workshops dedicados à língua portuguesa, à cultura dos países lusófonos, à literatura, à história e à tradução”.

Além disso, referiu que, “uma vez que também temos colegas que são especialistas na área do ensino da língua portuguesa e na certificação da aprendizagem do português”, foi oferecido um workshop dedicado ao funcionamento dos exames de proficiência da língua lusa, onde não faltou o patuá e a sua importância em Macau.

Para o sucesso de mais um Curso de Verão da UM, a coordenadora destaca a boa parceria feita com Lu Chunhui. “Ele fala chinês e coordenou bem uma equipa que integrou também alunos que nos ajudaram em toda a área da organização”, indica, sublinhando que o “interesse foi tanto que as inscrições esgotaram horas depois de terem sido lançadas”.

Tânia Ferreira está no Departamento desde Janeiro deste ano, tendo sido contratada para leccionar na área da linguística e coordenação de iniciativas como este Curso de Verão de Língua Portuguesa. Foi, por isso, a sua primeira experiência à frente da iniciativa.

Tendo trabalhado na China, em Pequim, há 12 anos, a docente constatou “com muita alegria” esta “entrega dos alunos”, porque também não conhecia este grande interesse pela língua portuguesa, pelo seu potencial, sobretudo económico, para trabalhar nos países de língua portuguesa (PLP), em especial em África e no Brasil.

Os participantes na formação eram todos de etnia chinesa, incluindo alguns que vivem fora do Continente e Macau, e não só provenientes de universidades, mas igualmente de outras áreas. Demonstraram “uma grande vontade de apreender”, o que achei incrível, e com uma dedicação inspiradora”, enfatizou, concluindo ter ficado surpreendida pelo interesse que existe em aprender a língua portuguesa.

“Não tinha essa noção e, de facto, pude depois confirmar que nos últimos anos tem sido essa a tendência”. Por isso, diz, “estou muito satisfeita por ainda haver esta chama”.

Na cerimónia de encerramento, os dois coordenadores do Curso de Verão da UM destacaram a variedade de actividades incluídas na formação, com temas que abrangeram, para além da dança, a interpretação de grandes autores como Camões e Fernando Pessoa, a evolução cultural e literária do Brasil, a prática de tradução poética, visitas guiadas à história e cultura de Macau, orientações de preparação para os exames CAPLE e a partilha de experiências por uma intérprete profissional, entre outros.

A concepção do curso, apoiado pela Fundação Macau, teve em conta a diversidade temática e geográfica, “articulando-se em diferentes níveis de acesso para que os formandos de todas as etapas pudessem obter resultados frutuosos”, segundo se pode ler num comunicado da UM.

Na sessão final, que incluiu a entrega de diplomas aos participantes, representantes dos alunos de diferentes níveis partilharam as suas vivências académicas e pessoais na universidade.

Lin Xi, da Universidade de Comunicação da China, salientou que o curso lhe permitiu consolidar os conhecimentos de gramática portuguesa e alargar o seu contexto cultural, esperando “aplicar o que aprendeu para promover o intercâmbio sino-estrangeiro e contar melhor a história da China”.

Feng Maomao, da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, referiu que o curso lhe proporcionou a vivência da cultura e literatura dos PLP, como a cultura popular do Brasil e o folclore de Portugal, o que representou para si a abertura de “uma nova porta para o mundo”.

Por seu turno, Li Qianyu, aluna do nível avançado, aprofundou a sua compreensão sobre a história e literatura de Macau, afirmando que UM é “uma plataforma de excelência para o intercâmbio intercultural”.

Já Huang Wai Kuan, prestes a ingressar na Faculdade de Direito da UM, explicou que o Direito de Macau exige o domínio tanto do chinês como do português, conseguindo assimilar gradualmente os conhecimentos básicos de português em três semanas.

Durante a cerimónia, os formandos apresentaram diversas actuações, evidenciando não só o que assimilaram durante o curso, mas também a sua paixão pela cultura dos PLP. Como já é tradição no Curso de Verão, alunos de diferentes níveis subiram ao palco para actuar em conjunto na dança folclórica portuguesa, sob a orientação da docente Mirandolina, “num ambiente bastante animado”, realça o comunicado da UM.

Além disso, a sessão final contou ainda com a declamação do poema “Orelhas” e a interpretação das canções “Não Precisa”, de Paula Fernandes, e “Flor de Lis”, famosa canção brasileira escrita e gravada pelo cantor e compositor Djavan. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


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