Coordenadores de ensino, adjuntos, leitores e professores do Ensino Português no Estrangeiro (EPE) manifestaram a sua “profunda preocupação e insatisfação perante o tratamento discriminatório e a persistente desvalorização institucional e remuneratória de que continuam a ser alvo”. Numa carta aberta enviada ao Governo e ao Instituto Camões, datada de 10 de agosto, os subscritores denunciam que, apesar de estarem sujeitos às mesmas realidades económicas nos países onde trabalham, existe uma disparidade clara em relação a outros profissionais do Ministério dos Negócios Estrangeiros
A missiva aponta que esta desigualdade
se torna particularmente evidente na questão da habitação, uma vez que os
valores propostos para os profissionais do EPE “chegam a ser cerca de 70%
inferiores ao ‘complemento de residência’ atribuído aos titulares de cargos de
chefia de chancelaria e de contabilidade nos mesmos países”.
Além disso, o documento critica a estrutura interna do
Camões, I.P., “onde se verificam situações em que funcionários administrativos
auferem remunerações consideravelmente superiores às dos leitores que coordenam
e dirigem esses mesmos centros culturais, sem qualquer remuneração adicional
pelo acréscimo de responsabilidades”.
Os profissionais destacam ainda uma “longa estagnação
salarial”, sublinhando que “os leitores não veem a sua remuneração ser
atualizada desde o final dos anos 90” e que “os docentes aguardam por esta
justa valorização desde 2009”.
Relativamente ao processo negocial com o Governo,
denunciam que os valores apresentados até ao momento “ficam muito aquém do
necessário para compensar a evolução do custo de vida e da inflação”. In “Bom dia
Europa” - Luxemburgo
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