Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 18 de julho de 2024

Macau - Instituto para os Assuntos Municipais promete reparar estrofes de “Os Lusíadas” no Jardim de Camões

O Instituto para os Assuntos Municipais revelou ao Jornal Tribuna de Macau que irá realizar “trabalhos de manutenção” nas estrofes de “Os Lusíadas” que constam da parte detrás do pedestal onde assenta o busto de Camões, naquele que é um dos mais antigos jardins do território. O organismo liderado por José Tavares não indicou, contudo, mais detalhes, nomeadamente calendarização e procedimentos


A terceira estrofe de “Os Lusíadas” que consta na parte detrás do pedestal onde assenta o busto de Luís Vaz de Camões, no Jardim de Camões, está praticamente ilegível. Confrontado com a situação, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) disse ao Jornal Tribuna de Macau que “já tinha verificado que as inscrições estão a desaparecer e está a acompanhar a situação”. Mais ainda, o organismo liderado por José Tavares acrescentou que “serão realizados trabalhos de manutenção”.

Às perguntas que se seguiram – “quando serão iniciados os trabalhos de manutenção?” e “quais os procedimentos a seguir, uma vez que as estrofes estão escritas em português?” -, o IAM disse que, por enquanto, “não há mais detalhes a acrescentar”.

De notar que os dois primeiros excertos que constam do pedestal em pedra na Gruta de Camões ainda se conseguem ler. Dizem respeito à estrofe 95 do Canto VI e à estância 42 do Canto VIII.

A estrofe que já está praticamente incompreensível é a número 81 do Canto VI: “E ainda, Ninfas minhas, não bastava/ Que tamanhas misérias me cercassem,/ Senão que aqueles que eu cantando andava/ Tal prémio de meus versos me tornassem:/ A troco dos descansos que esperava,/ Das capelas de louro que me honrassem,/ Trabalhos nunca usados me inventaram,/ Com que em tão duro estado me deitaram”.

Num artigo de opinião publicado neste jornal, o investigador António Aresta alertou recentemente para esta questão, dizendo que a estância precisa de ser reescrita. “Luís de Camões merece este desvelo, 500 anos depois”, defendia. O IAM referiu agora ao JTM que vai avançar com esse trabalho, mas não se sabe ainda quando terá início.

O Jardim de Luís de Camões, um dos mais antigos de Macau, foi criado em meados do século XVIII. Na Gruta, constituída por três grandes rochedos facetados, encontra-se então o busto de Camões, da autoria do escultor Manuel Maria Bordalo Pinheiro.

Diz-se que, em meados do século XVI, Camões (1524-1580), viveu em Macau durante dois anos, onde terá terminado, na Gruta que tem hoje o seu nome, a obra “Os Lusíadas”. “Com o patrocínio de 600 francos de um rico comerciante português de Macau, Lourenço Marques, genro de Manuel Pereira, a gruta foi renovada em 1849, sendo aí colocado um busto do poeta. Foi também erigido um pavilhão sobre a gruta, o qual já não existe. O último restauro da gruta data de 1866 e o busto do poeta foi refundido em bronze”, pode ler-se na página do património cultural de Macau.

Este ano, recorde-se, celebram-se os 500 anos do nascimento de Camões. Em Macau, o Instituto Cultural realizou, durante o mês de Junho, uma série de actividades, incluindo um concerto, palestras e visitas guiadas. A Associação dos Jovens Macaenses levou também a cabo uma palestra intitulada “500 anos da língua de Camões e a evolução de Portugal em Macau”. Anteriormente, a Rede Camões na Ásia & África organizou o Congresso Internacional do Meio Milénio de Camões, iniciativa que incluiu uma série de comunicações de várias partes do mundo.

Consulado em Cantão inaugurou Sala Camões

O Consulado-Geral de Portugal em Cantão criou uma Sala Camões nas suas instalações, em mais uma homenagem inserida nas comemorações dos 500 anos do nascimento do poeta. O novo espaço foi inaugurado recentemente por ocasião de uma visita a Cantão do Embaixador de Portugal na China, Paulo Jorge Nascimento. A cerimónia contou ainda com a presença da Cônsul-Geral Ana Menezes Cordeiro, que concluiu, entretanto, a missão de três anos no posto diplomático, sendo substituída por Tomás van Asch de Azevedo. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Macau - Instituto para os Assuntos Municipais sem plano para reparar azulejos no Parque Municipal Dr. Sun Yat Sen

Um muro de vedação no Parque Municipal Dr. Sun Yat Sen que integra uma parte composta por azulejos portugueses vai ser recuado. Os azulejos estão deteriorados, mas o Instituto para os Assuntos Municipais afasta um plano para os reparar nesta fase, notando que a obra de recuo não vai abrangê-los. Ainda assim, promete acompanhar a questão de forma “oportuna”. Para o IC, apesar de se tratar de um bem imóvel classificado, o seu valor cultural consiste no ambiente verde enquanto parque e não será afectado pelo recuo do muro


O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) adjudicou por mais de 6,88 milhões de patacas as obras de alargamento de passeio e recuo do muro de vedação do Parque Municipal Dr. Sun Yat Sen. No local, o muro de vedação integra uma parte composta por vários azulejos portugueses que se encontram deteriorados. Contudo, o IAM afirmou que na fase actual não tem planos para reparar a parte com azulejos. Isto porque a empreitada de recuo do muro para criar condições para a ampliação dos espaços para passeio de peões não envolve os respectivos azulejos, segundo avançou o Jornal Cheng Pou.

O Instituto Cultural (IC) foi também confrontado pelo mesmo jornal sobre quem deve ser responsável pela reparação dessa parte do muro. Em resposta, o IC indicou que a obra do IAM inclui a preservação, reparação e manutenção do muro com azulejos portugueses. Apesar de tudo, o IAM afirmou que vai acompanhar de forma “oportuna” a questão, conforme o ambiente do local e a situação.

O Parque Municipal Dr. Sun Yat Sen foi incluído na lista de bens imóveis classificados. Neste ponto, o IC foi questionado sobre tratamentos diferenciados, já que na Casa do Mandarim, também um imóvel classificado, o IC exige que não possa ser demolido o muro exterior.

Notando que o parque foi classificado na categoria de “sítios”, o IC defendeu que, “tendo em conta que o valor cultural do Parque Municipal Dr. Sun Yat Sen se reflecte principalmente nas suas características e no design do ambiente verde com base na sua finalidade de parque, a respectiva obra de recuo do muro de vedação e melhoramento do passeio não vai causar impactos negativos no valor cultural do parque. Por isso, o IC não tem opiniões opostas relativamente a essa empreitada”.

Além disso, o IC acrescentou que vai dar constantemente opiniões, dentro do âmbito de protecção do património cultural, sobre este plano ou obra, consoante os valores e as características dos bens imóveis classificados em diferentes categorias.

Segundo o IAM, a referida obra visa ajudar a dividir o fluxo de pessoas no posto fronteiriço de Qingmao, melhorando o ambiente pedonal nas imediações da fronteira. Além de alargar o passeio através do recuo do muro, vai ser acrescentada uma área verde e serão plantadas novas árvores para tapar o sol. O passeio ampliado vai permitir também as passagens sem barreiras. Rima Cui – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Macau – Multas por falta de cidadania no cumprimento do regulamento dos espaços públicos

Nos primeiros cinco meses do ano, o Instituto para os Assuntos Municipais arrecadou um montante total de cerca de 4,9 milhões de patacas em multas por violações ao regulamento dos espaços públicos. O valor diz respeito a 8311 casos, incluindo mais de 1500 referentes a anos anteriores. Sensibilização, mais acção por parte do Governo e multas mais elevadas é o que pedem os especialistas



Entre Janeiro e Maio de 2020, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) recebeu cerca de 4,9 milhões de patacas em multas pagas por pessoas que infringiram as disposições do “Regulamento Geral dos Espaços Públicos”. O montante envolve 8311 casos, dos quais 6805 derivam de acusações deduzidas nos primeiros cinco meses deste ano. As restantes dizem respeito a acusações feitas ao longo de 2019, por exemplo, ou durante o ano anterior, explicou o organismo ao Jornal Tribuna de Macau.

No total, 8591 notificações foram enviadas até 8 de Junho no âmbito do regulamento que “estabelece a disciplina genérica das condutas a observar na utilização e fruição dos espaços públicos”. Janeiro foi o mês em que se registaram mais avisos (2544) – é o que mostram as mais recentes estatísticas publicadas no sítio do organismo.

Quando se analisam os dados, é perceptível que no primeiro mês do ano se verificaram 1400 autuações por “abandono de quaisquer resíduos sólidos”, representando 55% do total de infracções deste tipo. Por outro lado, a maioria das infracções cometidas insere-se na categoria do “abandono de quaisquer resíduos sólidos” (4315), seguindo-se a “colocação ou abandono de quaisquer materiais ou objectos” (1919).

Na categoria “outros” – que inclui, por exemplo, “actividade de pesca ilegal, acto ilegal de colher ou danificar plantas, enxugar objectos em área do espaço público, escolher resíduos contidos nos contentores de lixo” – foram feitas 1467 notificações pelo IAM. Há ainda casos relacionados com “cuspidura ou lançamento de muco nasal” (712), “dejectos de animais de estimação” (130) e “queda de pingos de águas provenientes de aparelho de ar condicionado” (48).

O regulamento, que está em vigor desde 2004, e o “Catálogo das Infracções” têm estabelecidos os montantes de multas consoante a sua classificação como infracções comuns (300 ou 600 patacas), graves (de 700 a 2500 patacas ou de 700 a 5000) e muito graves (entre 2000 e 5000 patacas ou de 2000 a 10 000).

A activista Annie Lao diz que há duas questões-chave no que respeita a este fenómeno: as multas aplicadas a quem comete este tipo de infracções e a efectiva aplicação do regulamento por parte do Governo. “As pessoas continuam a cuspir e a deixar dejectos de animais e lixos nas ruas. Acho que a maior parte não é multada”, defendeu em declarações ao Jornal Tribuna de Macau.

“Se eu estacionar o meu carro numa zona ilegal em Macau, as hipóteses de ser multada são muito mais elevadas do que se eu cuspir na rua”, afirmou.

Annie Lao considera que as autoridades “não dão muita atenção” às violações do espaço público, o que faz com que “continuemos a ver muitas pessoas” a ter este tipo de comportamento. “Acho que o Governo se deve focar mais, não só em termos ambientais, mas de higiene nas ruas, porque estas situações podem criar sérios problemas de saúde pública”, considerou, defendendo também que “se as multas forem mais elevadas” será um factor de “pressão” para as pessoas.

Chan Pou Sam, vogal do Conselho Consultivo do IAM, considera que a situação de deposição de objectos nas ruas melhorou, principalmente na Zona Central “onde a densidade populacional é grande o Governo costuma realizar mais acções de inspecção”.

“Porém, na Zona Norte, sobretudo nas Portas do Cerco, o problema é muito grave. Há duas razões: primeiro, naquela zona moram muitas pessoas. Depois, as pessoas entendem que como é relativamente longe do centro os inspectores mais dificilmente lá chegam. Sentem-se mais seguros em aproveitar os espaços dessa zona para depositar resíduos de grande dimensão”, explicou. As autoridades “também fazem inspecções, só que a frequência não é suficiente”, acrescentou.

Por outro lado, entende que a multa de 600 patacas é “totalmente insuficiente”. “Acho que se deve duplicar, superando 1000 patacas, porque para pagar às empresas pelos serviços do tratamento dos móveis velhos de grande dimensão o custo pode ser maior do que 600. Assim, muitos preferem ser multados porque pagar só 600 patacas e colocar os móveis velhos num sítio qualquer é mais conveniente”, disse.

Chan Pou Sam contou ainda que durante a pandemia, recebeu queixas de muitos moradores sobre móveis deixados nas ruas na zona do Fai Chi Kei e do Mercado Vermelho. A diminuição do número de caixotes do lixo no território, defende, é também um factor que contribui para que as pessoas deitem resíduos para as ruas. Por outro lado, considera que o Governo deve reforçar a divulgação de informação sobre os dias e locais onde o IAM vai recolher estes objectos.

Educar desde a infância

Já Nick Lei, também vogal do Conselho Consultivo do IAM, relembra que até 7 de Agosto o IAM vai estar a recolher móveis obsoletos de grande dimensão – porém admite que o número destas acções é baixo. “As pessoas não querem esperar”, observou.

Defende que aumentar o valor da multa é uma das orientações para contrariar o cenário, mas mais importante que isso é reforçar a educação. “Olhamos para o Japão e Taiwan, regiões onde a protecção do ambiente é considerada bem feita, e a consciência da população sobre o civismo e a protecção ambiental começa a ser fomentada desde a infância. Esta solução provoca muito menos custo do que ‘educar’ adultos com métodos fortes. É preciso promover colaborações interdepartamentais para reforçar a sensibilização”, explicou Nick Lei.

Sublinhando que é difícil preparar inspectores que vigiem as ruas 24 sob 24 horas, aponta que os cidadãos e a Companhia de Sistemas de Resíduos “têm também responsabilidade de manter o bom ambiente higiénico dos espaços públicos”. Por outro lado, defende que “o Governo deve analisar dados como a percentagem de turistas, residentes e trabalhadores não-residentes que cometem estas infracções e locais concretos onde foram praticadas com mais frequência, para fazer mais sensibilização e aplicar sanções de forma mais científica”.

Nick Lei exemplifica: “Nas Zonas Norte e dos Três Candeeiros muitos TNR depois de comerem, depositam as caixas e ‘tapau’ nos espaços públicos. Mas se calhar podem não ter o hábito de ver as notícias, pelo que o Governo pode colaborar com as agências de emprego e associações para fortalecer a divulgação de informação”.

Sugere ainda que sejam instalados caixotes do lixo automáticos porque muita gente “tem medo de sujar as mãos e dos maus cheiros”. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”