Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Obra recupera a história da Justiça em Santos

Desembargador reúne textos seus e de colaboradores que resgatam a trajetória do sistema judiciário desde o Brasil Colônia

                                                                                              

                                                            I

Organizado pelo desembargador federal aposentado Vladimir Passos de Freitas, o livro A Justiça em Santos, do Brasil Colônia ao Século XXI (Santos-SP, Instituto Memória Editora, 2026) reúne textos preparados por juízes, promotores, defensores públicos, advogados e outros intelectuais para traçar a evolução do sistema judiciário e a atuação de personagens célebres na cidade litorânea. Além de organizar a obra, Vladimir Passos de Freitas assina os textos “A Justiça em Santos, da Colônia à Proclamação da República” e “A Justiça em Santos, da Proclamação da República (1889) à Era Vargas (1930)”.

No artigo que abre a obra, o desembargador faz uma análise das regras portuguesas adaptadas à realidade brasileira desde 1500 até a proclamação da República, começando por lembrar que os vereadores eram verdadeiros administradores, pois cuidavam das ruas, pontes e outros locais públicos. Na verdade, cada vila tinha o seu Conselho, do qual faziam parte não só vereadores, como um juiz ordinário e um procurador, que, como diz o autor, não era um representante legal da Câmara como hoje, mas uma espécie de tesoureiro e executor de decisões administrativas. “Eles nada recebiam, porém exercer tais funções dava prestígio social”, observa. Na verdade, esses cargos ficavam restritos àquelas pessoas que eram consideradas “homens bons”, ou seja, que faziam parte da elite local.

Antes, porém, ainda no século XVI, o capitão-mor era quem decidia tudo. Mais tarde, já ao tempo das Ordenações, o juiz ordinário era a pessoa mais importante na área da Justiça e decidia os conflitos da população, inclusive os crimes. Depois, foram criados mais cargos, como os de juiz da Fazenda Pública do Reino, juiz de órfãos, juiz de vintena, juiz de alfândega, juiz de paz e outros de menor importância como os almotacés, que fiscalizavam o cumprimento de medidas administrativas.

Ainda no século XVI, foram criados os cargos de ouvidor e juiz de fora. À época, havia ainda o juiz pedâneo que, à falta de instalações adequadas, julgava os casos em pé, debaixo de uma árvore. Já no século XIX, aparecem os juízes municipais, aos quais competia substituir o juiz de Direito. No artigo, o desembargador relaciona e faz um breve histórico de vários juízes municipais e juízes de Direito que atuaram em Santos àquela época.

No artigo seguinte, o magistrado continua a análise da Justiça em Santos, no período que vai da proclamação da República, em 1889, à era Vargas (1930), lembrando que, com o fim da monarquia, foi criada uma Justiça Federal nos moldes do sistema norte-americano, em 1890. Em outro texto, no capítulo VI, traça ainda um perfil do advogado, jurista e filósofo Sérgio Sérvulo da Cunha (1935-2021), apontado como um dos personagens célebres que atuaram em Santos, autor de várias obras, entre elas O que é voto distrital (1991), A OAB e o impeachment (1992), Ética (2012), Antropologia Cristã (2016) e Abaixo a censura (2017).

Ainda no primeiro capítulo, há um terceiro artigo, de autoria da servidora aposentada da Diretoria de Administração Geral do Fórum da Comarca de Santos, Denise Gonçalves Pampolini, bacharel em História, que estuda o período que vai de 1930 a 1988, época em que a Justiça sofreu as consequências de regimes ditatoriais – Estado Novo (1937-1945) e ditadura militar (1964-1985), abordando os principais fatos que ocorreram na Comarca de Santos, inclusive a ocupação gradativa, a partir de fevereiro de 1959, do prédio em que foi instalado o Palácio da Justiça, na praça José Bonifácio.

 

                                                            II

De se destacar é o texto “O Ministério Público Federal em Santos”, de autoria do procurador da República Antonio José Donizetti Molina Daloia, que mostra a atuação da Procuradoria da República no Município (PRM/Santos), cuja atribuição abrange significativa parcela das matérias de competência da Justiça Federal previstas na Constituição Federal de 1988. Como observa o procurador na conclusão do texto, é notável “que o aumento das atividades do complexo portuário, do polo industrial e da urbanização de áreas de relevância ambiental sempre apontam para uma tendência de novos conflitos, com desdobramentos tanto na tutela de interesses difusos e coletivos, como na esfera penal, que configuram desafios para a região”.

A atuação do Ministério Público Estadual em Santos também é destacada em artigo de autoria dos promotores de Justiça Carlos Alberto Carmello Junior e Roberto Luiz Ferreira de Almeida Junior (aposentado), que ressaltam a sua importância na construção de “soluções inovadoras para delicados problemas existentes há anos”, tais como “a viabilização e preservação de bens culturais existentes no porto e a construção de um importante equipamento de lazer e turismo na cidade, o Parque Valongo”. Como exemplo, os autores lembram que a PRM, por meio de termo assinado com a Autoridade Portuária, impediu a demolição de armazéns históricos, além de estabelecer diretrizes para a sua revitalização.

Na área de saúde pública, a atuação da PRM também tem sido igualmente essencial, cobrando melhorias no atendimento hospitalar e acesso igualitário aos serviços de saúde, além de velar para que entidades que desenvolvem atividades voltadas para as pessoas idosas ajam sempre de acordo com a lei, bem como combater práticas abusivas, muitas vezes inseridas em planos de saúde, entre outras atividades.

Por outro lado, a atuação da Defensoria Pública do Estado em Santos é tema de artigo em que os defensores públicos Lisa Mortensen e Rafael Braga Vinhas destacam as duas décadas de seu funcionamento, lembrando que, além da atuação judicial, a instituição tem diversas outras de igual importância, como a participação em conselhos, inclusive no recém-criado Comitê Municipal de Combate à Violência Doméstica, bem como em várias iniciativas como mutirões. Como observam os autores, atualmente o órgão dispõe de 13 defensores públicos na unidade de Santos, com atendimentos na área criminal, cível, fazenda pública, família, execução penal e infância e juventude, embora o seu o quadro de defensores ainda permaneça “aquém da necessidade”.

  

                                                   III

A obra reúne mais 19 textos, alguns dos quais que reverenciam personagens célebres que atuaram na Justiça em Santos, como José Xavier Carvalho Mendonça (1861-1930), Vicente de Carvalho (1866-1924), Laudo Ferreira de Camargo (1882-1963), Ariosto Guimarães (1897-1994), Derosse José de Oliveira (1907-1993), Ruy de Mello Miller (1934-1988) e Gildo dos Santos (1936-2025). No total, a obra conta com a participação de 28 colaboradores, entre os quais estão os juízes federais Alexandre Berzosa Saliba e Roberto Lemos dos Santos Filho. Saliba assina um perfil sobre Laudo Ferreira de Camargo, enquanto Lemos é autor de artigo sobre a Justiça Federal em Santos.

Já o desembargador Frederico dos Santos Messias, ao fazer um levantamento da Justiça Estadual na comarca de Santos de 1988 a 2025, destaca a modernização do Poder Judiciário no município, com a incorporação, nos últimos anos, de tecnologias digitais e a reformulação de sua estrutura administrativa, que têm contribuído para “a construção de um sistema de justiça mais acessível, transparente e eficaz”.

Há ainda um capítulo final reservado a demais temas de interesse, como “A atuação das mulheres no sistema de Justiça de Santos”, de autoria da advogada Maria Isabel de Figueiredo; “Luiz Gama e sua relação com Santos”, do magistrado Márcio Krammer de Lima; e “O folclore forense santista”, do advogado Michel Elias Zamari.

 

                                                              IV



Vladimir Passos de Freitas (1945), jurista e magistrado, é desembargador aposentado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e professor do programa de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Graduou-se em Direito pela Faculdade Católica de Santos em 1968, obteve o título de mestre em Direito Público pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1991 e concluiu o doutoramento em Direito do Estado em 1999, também pela UFPR. É pós-doutor em Direito Ambiental e Sustentabilidade pela Universidade de São Paulo (USP) e em História Judiciária pela Universidade de Lisboa.

Foi secretário nacional de Justiça junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.  Em 1967, foi aprovado em concurso para delegado da Polícia Federal. Ingressou no Ministério Público do Paraná em julho de 1970 e no de São Paulo em dezembro daquele ano. Foi promotor de Justiça até março de 1980 quando, aprovado em concurso público nacional, assumiu como juiz federal da 4ª Região, em Porto Alegre.

Em 31 de agosto de 1991, foi promovido a desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), do qual foi presidente entre 2003 e 2005. Foi presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), de 1994 a 1996, vice-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e presidente do Instituto Brasileiro de Administração do Sistema Judiciário (Ibrajus) e da International Association for Court Administration (IACA) de 2016 a 2018, entidade criada em outubro de 2004, em Lijubljana, na Eslovênia, com sede em Arlington, nos Estados Unidos, para promover estudos de aprimoramento de tribunais.

Foi coordenador de capacitação de juízes em Direito Ambiental do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e da União Internacional para Conservação da Natureza. Em 2010, integrou a equipe da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça. No TRF, foi diretor da revista do órgão, corregedor-geral da Justiça Federal (1999-2001) e presidente (2003-2005). Em 2004, foi admitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao grau de comendador especial da Ordem do Mérito Militar. Aposentou-se do Tribunal em 3 de maio de 2006.

Possui 38 livros publicados como autor, co-autor e coordenador. É autor de História da Faculdade de Direito de Santos (2022), em co-autoria com seu irmão Gilberto Passos de Freitas. Entre março de 2020 e maio de 2021, foi secretário nacional de Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública, durante a gestão do ministro Sergio Moro. É presidente da Academia de Letras Jurídicas do Paraná desde 2021, segundo vice-presidente do Observatório da Cultura Paranaense e diretor da Associação Paranaense de Juízes Federais. Fez palestras em todos os Estados brasileiros e em 19 países. Foi campeão mundial de masters em natação em Singapura (2025). Adelto Gonçalves - Brasil

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A Justiça em Santos, do Brasil Colônia ao século XXI, de Vladimir Passos de Freitas (organizador), com apresentação de Fábio Prieto de Sousa, desembargador e secretário da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, e prefácio de Luiz Antônio Figueiredo Gonçalves, desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e professor. Santos-SP, Instituto Memória Editora & Projetos Culturais/Centro de Estudos da Contemporaneidade, 424 páginas, R$ 250,00, 2026. Site da editora: www.institutomemoria.com.br E-mail: vladimir.freitas@terra.com.br

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Adelto Gonçalves (1951), jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; LetraSelvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), lançado na Inglaterra e nos Estados Unidos. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

 


segunda-feira, 26 de maio de 2025

Poemas de amor ao Campo Grande

Obra conjunta dos poetas Ademir Demarchi e Paulo de Toledo homenageia tradicional bairro de Santos

 


                                                                                               

                                                          I

Um poemário que evoca o tradicional bairro do Campo Grande, em Santos, no Litoral do Estado de São Paulo, é o que o leitor vai encontrar em Poetas bairristas (São Paulo, Editora Primata, 2024), de Ademir Demarchi e Paulo de Toledo, obra premiada pelo 10º Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes, promovido pela Prefeitura de Santos, por intermédio de sua Secretaria de Cultura – Programa de Apoio Cultural Facult 2022. Os poemas partem do fato de os poetas serem vizinhos de duas quadras no Campo Grande, assunto explorado com fina ironia e indisfarçável amor ao singelo bairro.

Em seus poemas, os autores descrevem, ao seu modo, moradores, comerciantes, igrejas, negócios, bares e acontecimentos relativos ao lugar, apresentando-os de maneira peculiar e interessante. Para quem não o conhece, é preciso lembrar que o Campo Grande é um antigo bairro residencial, que fica entre o centro histórico de Santos e a praia do Gonzaga. Não tem lá muitos atrativos e é mais conhecido por ser vizinho à Vila Belmiro, bairro que, desde 12 de outubro de 1916, abriga o estádio Urbano Caldeira, sede do Santos Futebol Clube, que projetou para o mundo a figura de Edson Arantes do Nascimento (1940-2022), reconhecido como o “rei do futebol” e o “atleta do século”.

É o que lembra Paulo de Toledo no fugaz poema “Vila Belmiro”: 

        no campo / grande não tem / nem a vila. E ainda no poema “Pelé também foi nosso”: sempre deu drible de corpo / no campo / lá da vila belmiro / mas, quando bateu / as chuteiras, o corpo, / em carro / aberto, e aqui ninguém esqueceu, / também fez seu desfile / pelo nosso campo / grande. 

Como se lê no texto de apresentação do livro pela editora, os autores tiveram o desafio de explorar em detalhes a alma do lugar para encontrar temas poéticos, o que resultou numa obra na qual o leitor vai descobrir a singularidade do bairro de forma divertida e coisas que talvez nem os moradores tenham algum dia atinado para o fato de que existiam, como se comprova neste poema de Ademir Demarchi, que leva por título “Divisas”: 

        a divisa do bairro é o canal e a linha da máquina / o canal parece que todo mundo atina / da máquina ninguém lembra nem na esquina / a não ser o barbeiro do bairro já velho na quina / quando um moleque aparece e diz meu mestre aê / corta rente marca linha com a máquina para todo mundo vê / lembra, a rffsa foi vendida e sumiu como giz / naquela linha agora somente passa o vlt / parece que estamos na suíça, por um triz / ainda que no ar haja cheiro de linguiça, vê / o churrasqueiro de calçada pilota a brasa aê / queima carne, tosta linguiça e se espreguiça ehhh.

 

                                                         II

Os autores também aproveitam a circunstância de serem poetas e vizinhos para brincar com a linguagem, lembrando o fato de que “vivem na sombra”, “assombrados por não ter leitores”, sujeitos à condição de “viver sem eiras nem beiras” e sendo mais próximos nas prateleiras de livros do que na vida real. É o que diz em parte o poeta Paulo de Toledo no breve poema “O que diria o bairro”: 

        pior do que ser / assombrado / por dois poetas / desses que vivem na sombra / é não ter / leitor pra tanto assombro.

E Ademir Demarchi acrescenta no poema “Bairro desgraçado”

        não bastassem dois poetas vivos / mais magros que vira-latas / agora esse sabiá-laranjeira / do canto enroscado / sem eira nem beira / alternando cos bem-te-vis / de gritos enervados / que o campo pode ser grande / mas seu canto é que é gigante.

De fato, os autores saem de si para encontrar o outro nos moradores do bairro, fazendo versos irônicos como estes do poema “Academia de culturismo”, de Ademir Demarchi: 

        no campo grande não tem academia de letras / mas tem umas cinco de musculação / pra quem não lê não oxidar o cérebro / e poder endurecer o coração. Ou ainda no telegráfico poema “Palestra”, de Paulo de Toledo: nas academias / há muita palestra / defronte aos espelhos.

Irônicos ao extremo, os poetas tripudiam até de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), citando o seu poema sobre “Política literária”, em que os poetas municipal, estadual e federal disputam poder. Sem poder para disputar, definem-se nessa condição autointitulada de “bairristas”. E aproveitam para ironizar os autores santistas contemporâneos, inclusive este resenhista e pelo menos dois que já se foram para a eternidade, como se pode observar no poema “Ao contrário das más línguas”, de Ademir Demarchi:

ao contrário das más línguas / os escritores santistas são pedestres / o paulo não é de toledo / o manoel herzog não vive num macuco / o adelto gonçalves nunca foi da madrugada / o flávio viegas não mora embaixo de uma amoreira / o edson amâncio não é louco ainda que obcecado / o marcelo ariel não nasceu em cubatão / o demarchi não é santista / a pagu foi embora mas voltou / o plínio marcos levou com ele a cidade.

A ironia vai mais além quando o poeta começa a perscrutar historietas sobre aqueles construtores que, um dia, movimentaram o bairro com seus arroubos empreendedores e financistas, cujos nomes são omitidos, mas que todos os santistas, com certeza, sabem identificá-los, como se vê neste poema intitulado “Piadas de português”, de Ademir Demarchi:

          o hipermercado dizia que era extra / mas faliu e parece que não presta / já foi de um português que vendeu para um francês / e a outro português espertalhão faltou esperteza pois morreu / construiu um mundo e um fundo em toda a cidade / e depois um centro de tristes convenções e fealdades / que logo pereceu, também muito certo não deu / quando viu que virou breu, esqueceu do túmulo, sifudeu / a mercedes que ganhou não foi autorizada como esquife / e ele virou cinzas bem perto no crematório do argentino, meu / e bem longe do espanhol, solito que nem a ilha de tenerife.

 

                                                         III

Ademir Demarchi (1960), nascido em Maringá, no Paraná, mas estabelecido em Santos desde 1993, foi editor das revistas de poesia Babel – Revista de Poesia, Tradução e Crítica, de 2000 a 2017, e Babel Poética, de 2011 a 2013. Atualmente, é coeditor da revista digital Poetrishy, mantida pela University of Bristol, da Inglaterra.  É graduado em Letras na área de Francês pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). É doutor em Letras na mesma área pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da Universidade de São Paulo (USP).

Começou sua trajetória poética em 1979, com Ironia e poesia, ainda à época da geração do mimeógrafo. Depois, em 1985, publicaria Maria, a cidade sem rosto, também impressa por mimeógrafo pelo Diretório Central dos Estudantes da UEM, obra que seria reescrita e incluída em Pirão de sereia (Santos, Realejo Livros, 2012), que reúne sua obra poética de 30 anos. Ganhou o Prêmio Desmadres de Escrita em Portunhol (Argentina), em 2023, com a narrativa El gran circo mundial del tráfico de Barbis.

Seu ultimo livro foi A tênue película que nos separa deste mundo (João Pessoa Ideia Editora, 2024), que obteve o primeiro lugar no Concurso Nacional de Literatura da União Brasileira de Escritores (UBE), seção da Paraíba, em 2023. Publicou também Os mortos na sala de jantar (Santos, Realejo Livros, 2007); Passeios na floresta (Porto Alegre, Éblis, 2007; Lima, Amotape Libros, 2013); Do sereno que enche o Ganges (São Paulo, Dulcineia Catadora, 2007; Lima, Centro Peruano de Estudios Culturales, 2012);  Ossos de sereia (Assunção, Paraguai, YiYi Jambo, 2010; Santos, Sereia (Ca(n)tadora, 2012; Lima, Viringo Cartonero, 2014); O amor é lindo (São Paulo, Editora Patuá, 2016); Siri na lata (Santos (Realejo Livros, 2015); Gambiarra: uma pinguela para o futuro do pretérito (Bragança Paulista, Urutau, 2018); Espantalhos, ensaios (Florianópolis, Editora Nave, 2017); Contrapoéticas, ensaios, resenhas, prefácios e depoimentos (Florianópolis, Editora Nave, 201); In fuck we trust, poemas (Bragança Paulista, Editora Urutau, 2020); Cemitério da FilosofiaPreceitos da dúvida, poemas (Curitiba, Kotter Editorial, 2020), Louvores gozosos: iluminações profanas com performance de destruição de dispositivos ideológicos, poemas (Ponta Grossa-PR, Olaria Cartonera, 2020) e Antologia impessoal, poemas (Florianópolis, Editora Nave, 2022), entre outros.



Paulo de Toledo (1970) é natural de Santos, onde reside. É mestre e doutor em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP. É autor de Torrão e outros poemas, A rubrica do inventor e 51 medicamentos, poemas. Publicou também E.E. Cummings (Galileu Edições, 2023), tradução de poemas do poeta norte-americano; Paul Valéryo Cemitério Marinho (Galileu Edições, 2024), tradução de poema do poeta francês, em parceria com Leo Gonçalves; e Murilo Mendes à italiana (Galileu Edições, 2024), tradução de poemas do poeta brasileiro, em parceria com Denise Durante.

Participou dos livros Musa fugidia, Vaievem e LulaLivre*Lula-Livro. Publicou poemas, traduções, contos e ensaios em publicações como Revista Babel, Poetrishy, Meteöro, Cult, Revista Ciência & CulturaSBPC, Coyote, Artéria, Revista Opiniães, Musa Rara, InComunidade, Correio das Artes e Suplemento Cultural de Santa Catarina. Adelto Gonçalves - Brasil

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Poetas bairristas, de Ademir Demarchi e Paulo de Toledo.  São Paulo, Editora Primata, 84 páginas, R$ 30,00, 2024. E-mail para contato: editoraprimata@gmail.com

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), lançado na Inglaterra e Estados Unidos. E-mail: marilizadelto@uol.com.br


terça-feira, 11 de julho de 2023

Portugal - Festival literário viaja da Lousã para o Brasil

Um encontro de escritores portugueses e brasileiros, ao abrigo de uma parceria entre os festivais Palavras de Fogo e Tarrafa Literária, decorre na sexta-feira, na cidade de Santos, no Brasil


O evento cultural, denominado ‘Tarrafa Literária recebe Palavras de Fogo’ integra dois painéis, sob os temas ‘A literatura como expressão máxima de dois povos irmãos’ e ‘Escrever e editar. Dois caminhos para o mesmo fim’.

Está prevista a participação dos brasileiros José Santos, Vanessa Ratton, Manuel Herzog e Selma Maria e dos portugueses Casimiro Simões, Zezé Pina e Carlos Seabra.

Em nota de imprensa, a cooperativa Arte-Via, da Lousã, distrito de Coimbra, organizadora do Festival Literário Internacional do Interior (FLII) – Palavras de Fogo, que leva seis edições realizadas, a última das quais em junho, explicou que esta “é a primeira extensão do FLII ao Brasil”.

O encontro, adiantou, “resulta da colaboração da Prefeitura de Santos, no estado de São Paulo, com a Realejo Livros, que organiza na cidade portuária o Festival Tarrafa Literária, um dos mais importantes do Brasil, e o FLII, com sede na Lousã”.

Para além dos dois debates, que têm como moderadores, respetivamente, o livreiro José Luiz Tahan, produtor do Tarrafa Literária, e a escritora Ana Filomena Amaral, presidente da Arte-Via e coordenadora e fundadora do FLII, o programa luso-brasileiro inclui as cerimónias de abertura e de encerramento, sessões de autógrafos, venda de livros e exibição de vídeos sobre o Tarrafa Literária e o Palavras de Fogo, terminando com uma visita à Realejo Livros.

A iniciativa começa às 14h00 locais (18h00 em Portugal), no auditório do Museu Pelé, na cidade do litoral do estado de São Paulo.

Os municípios de Santos e Lousã formalizaram a sua geminação em 2019. Em 2024, autores brasileiros deslocam-se aos distritos de Coimbra e Leiria como convidados do festival português. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Para marcar os 40 anos da geração do mimeógrafo

Coletânea reconstitui os primeiros passos da criação do grupo Picaré e traz depoimentos e poemas dos participantes


                                                                    I

Para assinalar a passagem da quarta década da aparição de um movimento literário e artístico que marcou época não apenas no Litoral paulista mas em boa parte do Estado e até do País, o poeta Raul Christiano organizou a Coletânea Picaré – 40 anos de Poesia & Artes (Santos, Realejo Livros, 2022), que, além de uma longa introdução que contextualiza o surgimento daquele grupo, traz depoimentos e peças poéticas de 38 dos 57 ativistas que fizeram parte daquela multiação literária.

Ativista cultural, Christiano foi, em 1979, ao lado de Rafael Marques Ferreira, à época recém-ingressados na Faculdade de Comunicação (Facos) da Universidade Católica de Santos (UniSantos), um dos fundadores do grupo Picaré, que encerrou suas atividades em 1983, e um dos participantes ativos das chamadas gerações do mimeógrafo e da poesia marginal nos anos 1970 e 1980.

Como observa Christiano na introdução, o movimento Picaré tentou romper com o academicismo, sem deixar de manter uma política de boa vizinhança com escritores e entidades literárias já estabelecidas. Não se pode esquecer que, à época, o Brasil vivia sob os rigores de uma ditadura militar (1964-1985), marcada pela repressão às liberdades democráticas, com censura, perseguição política, torturas e mortes, inclusive com a presença disfarçada de agentes dos órgãos repressores nas salas de aulas da Facos. Mas, ao mesmo tempo, aquela seria uma época de muita curtição e desbunde, especialmente em São Paulo, a partir da ação de jovens que fizeram das pichações e grafites o espaço para as suas manifestações artísticas e políticas.

De início, o movimento Picaré deveria ter sido um núcleo santista do muito ativo grupo Poetasia, de São Paulo, mas logo o agrupamento entendeu que deveria ter autonomia e assumiu aquele título que está diretamente ligado às praias do Litoral paulista. Ou seja, na linguagem dos caiçaras, picaré é a rede de arrasto que trazia muito peixe para as areias, atividade hoje proibida, pois considerada um meio predatório de se pescar.

Foram dez os jovens que partiram para a criação do grupo, com idades que variavam de 19 a 26 anos, a maioria oriunda da Academia Santista Juvenil de Letras, criada em 1977 e de curta existência, por iniciativa do próprio Raul Christiano: Beto Massoni, Douglas Martins, Dudu Morato, Fausto José, Inês Bari, Nilsângela Maestre, Rafael Marques Ferreira, Sérgio Gonçalves Pinto, Sidney Sanctus e Raul Christiano.

 

                                                                   II

Esses jovens sacudiram o marasmo cultural de Santos que se constatava àquela época: lançaram manifestos, organizaram passeatas, rodaram livros artesanais e picharam muros na calada da noite. Rigidamente antiacadêmico e a favor da vanguarda e de uma arte humanística, o grupo Picaré condenava a elitização cultural e a estagnação de alguns membros da tradicional Academia Santista de Letras daquele período, que, por exemplo, utilizavam a arte para se projetar socialmente e organizavam homenagens póstumas aos grandes poetas santistas em cerimônias restritas.

Christiano e Rafael escreveram juntos, em uma mesa de bar, nas imediações da Facos, o primeiro manifesto do grupo, intitulado “Neo-Vanguardismo”, seguido de um segundo manifesto, “Picarismo”, em que defendiam uma ação artística "direta, clara, sem o formalismo que impõe normas para a criação", ambos reproduzidos nesta edição da Coletânea Picaré.

Nesse pano de fundo, Christiano redigiu o “Manifesto da Despertação” que definia as primeiras linhas para a organização do grupo e cujo final preconizava o seguinte:

“(...) Vamos abandonar os imprevistos que barram a oportunidade, dar forças às criações, diminuir (em parte) o saudosismo: acabar com o falso academicismo e recolocar, aqui também, a bandeira da poesia num ponto culminante, acima do seu abandonado mastro. – 18 de julho de 1979”.

Com a distribuição de boletins poéticos em faculdades e portas de teatro, bares e cinemas, outros jovens autores, com idades entre 19 e 26 anos, aderiram ao grupo, entre eles: Valdir Alvarenga, José Cândido, Luiz Antônio Canuto, Edilza de Souza,  Denize Gomes Gonsalves, Alex Sakai, Sérgio Gonçalves Pinto, Fausto José, Vieira Vivo, Orleyd Faya, Osvaldo da Costa, Lídia Maria de Melo, José Luiz Machado (Zellus), Renato V Rovai e outros, inclusive o paraibano Luis Avelima, poeta, tradutor e jornalista que vive em São Paulo há mais de 40 anos.

Como lembra Christiano, desse grupo derivou-se a Revista Mirante, editada pelo poeta Valdir Alvarenga e que se encontra há mais de 40 anos em circulação e talvez seja a mais antiga do Brasil. E, em 2018, foi lançado o filme “Pescadores de palavras”, dirigido pela cineasta Madeleine Alves, que resgata a história literária de Santos das últimas quatro décadas, em que o grupo Picaré e a chamada geração do mimeógrafo são homenageados.

 

                                                                  III

Raul Christiano de Oliveira Sanchez (1958), nascido em Apucarana, no Estado do Paraná, é jornalista, escritor, poeta, especialista em políticas públicas, professor universitário e ativista político e cultural. Descendente de espanhóis, italianos e portugueses, é o filho mais velho de quatro irmãos. Residiu em Apucarana até 1961, transferindo-se para Brotas, onde permaneceu até 1969, passando um curto período em Barra Bonita. Em abril de 1971, mudou-se para Santos, onde vive até hoje.

Formado jornalista profissional em 1982, trabalhou em vários órgãos de imprensa na cidade litorânea paulista, como o jornal A Tribuna, Rádio Clube de Santos, Rádio Cacique de Santos e TV Mar. Presidiu a Delegacia Regional do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo na Baixada Santista (1994/1995).

Ocupou cargos nas áreas de cultura, meio-ambiente e educação, sendo um dos responsáveis, dentro do Ministério da Educação no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), pela implantação do Programa Bolsa Escola Federal (atual Bolsa Família) na gestão do ministro Paulo Renato Souza (1945-2011).

Membro da Academia Santista de Letras, ocupando a cadeira cujo patrono é o poeta José Martins Fontes (1883-1937), e do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, foi secretário municipal da Cultura, ocupou o cargo de diretor do Programa de Oficinas Culturais da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e acumulou a gestão das secretarias de Educação e Cultura na Prefeitura de Cubatão, de janeiro a setembro de 2017. Raul é viúvo e tem quatro filhos e dois netos.

É autor de Vitória (poesias, 1980), Enxoval para bebe(r) (poesias, 1981), Produção Independente na Literatura (ensaios, 1983), Sensação de Amor Feito (poesias, 1984), Alguma Poesia (poesias, 2001), De Volta ao Começo – raízes de um PSDB militante que nasceu na oposição" (história, 2003), e Poesia em tudo/AmorAosTuítes (poesias, 2016), entre outros. Adelto Gonçalves - Brasil

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Coletânea Picaré – 40 anos de Poesia & Artes, de Raul Christiano (organizador). Santos-SP: Realejo Livros & Edições, 326 páginas, R$ 79,90, 2022. E-mail: marechal@realejolivros.com.br Site: www.realejolivros.com.br

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP),  é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003; São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015) e Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, LetraSelvagem, 2015), e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br




terça-feira, 22 de novembro de 2022

Brasil - Com texto sobre a relação da cidade de Santos com Portugal, escritor santista participa da FLIP


O jornalista, fotógrafo e escritor santista Ronaldo Andrade participa da 20ª FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), no estado do Rio de Janeiro, que acontece entre os dias 23 e 27 de novembro, com o texto ‘Santos, cidade de alma portuguesa’, que aborda a relação do município com Portugal.

Pela primeira vez no evento, Andrade terá o texto publicado em duas obras: ‘Coletânea da Academia Contemporânea de Letras’, com sessão de autógrafos no dia 26, às 10h, e na Antologia ‘Alma em palavras – Volume II’, com sessão de autógrafos no dia 27, também às 10h.

Os dois livros são da Editora Conejo, que terá um estande no evento para os lançamentos: a Casa Conejo (Rua da Lapa, 375 / 411), no Centro Histórico de Paraty.

‘Santos, cidade de alma portuguesa’, aborda as semelhanças do município com Portugal em diversos aspectos, como na arquitetura, gastronomia, cultura e especialmente nos laços familiares, visto que recebeu grande número de imigrantes portugueses que ajudaram a construir e moldar sua identidade – Braz Cubas, por exemplo, natural da cidade do Porto, foi o fundador de Santos.

O texto também faz menção ao ‘Patriarca da Independência’, o santista José Bonifácio de Andrada e Silva, que teve importante papel para a Independência do Brasil, em 1822, e que manteve fortes laços com Portugal por meio de estudos e de cátedra na Universidade de Coimbra.

Em Portugal, onde morou por três anos e meio, Andrade participou de três edições da Feira do Livro de Lisboa, com o lançamento dos livros ‘A mulher do comboio’ (publicação independente) e ‘Eleição de síndico’ (Chiado Editora), obra posteriormente traduzida para o espanhol (Editora Letraviva) e lançada na Feira do Livro de Buenos Aires.

Na Academia Contemporânea de Letras, Andrade tem como patrono o escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura em 1998, cujo centenário de nascimento foi celebrado no último dia 16.

Portugal representado na FLIP

A 20.ª edição da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty acontece a partir desta quarta-feira, com representantes de Portugal, como a escritora Patrícia Lino e ainda Alice Neto de Sousa.

“Palavra Livre” é o título da mesa que reúne Alice Neto de Sousa (Portugal), Lázaro Ramos (Brasil) e Midria (Brasil), no dia 26 de novembro, às 20h30. Com moderação de Anabela Mota Ribeiro (Portugal), a proposta que a curadoria traz para esta mesa “responde à emergência de novas vozes, às margens dos espaços clássicos de consagração literária, e traz a sua força lírica, a um só tempo poética e política. Em diálogo com outras linguagens, a mesa contempla a performance e a memória do corpo, que se reafirmam nas artes dramáticas e na própria escrita.”

A mesa é realizada com o apoio do Camões – Centro Cultural Português em Brasília. Confira toda a programação em https://www.flip.org.br/flip-2022/programa-principal/.

Neste ano, a Flip homenageia Maria Firmina dos Reis. O legado da autora é o de uma insistente vigilância sobre os valores humanos, capaz de situar, no centro do debate contemporâneo, a educação e a imaginação, mas também a educação para a imaginação. Trata-se de visibilizar quem trabalha pela palavra e por um ambiente cultural e educacional mais acolhedor, seja nas margens ou nos centros econômicos do país, segundo organização. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Brasil - Santos abriu comemorações do bicentenário da Independência do País

No último sábado, a cidade litorânea de Santos abriu oficialmente as comemorações do bicentenário da Independência do Brasil, com a deposição de uma coroa de flores no Monumento aos Andradas, na Praça da Independência (Gonzaga).

A cerimônia contou com a presença de Dom Bertrand de Orleans e Bragança, trineto de D. Pedro II, e imperador do País caso a monarquia ainda estivesse vigente.

As festividades, agendadas para setembro, envolvem eventos, ações e obras, a cargo de uma comissão designada pela Prefeitura de Santos, formada por representantes de diversas secretarias, Instituto Histórico e Geográfico, Ordem dos Advogados do Brasil, Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos, Movimento Pró-Memória José Bonifácio e universidades.

“Temos prevista uma programação especial em Santos para homenagear o patriarca José Bonifácio, tão importante na busca da liberdade e soberania do País”, destacou a vice-prefeita Renata Bravo.

O diretor-presidente da Fundação Arquivo e Memória de Santos (Fams), Luiz Dias Guimarães e o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente, Paulo Costa, também acompanharam a cerimônia.

476 Anos

Já nesta semana, em comemoração ao aniversário de 476 anos de Santos, a Prefeitura preparou uma programação especial até sexta-feira (28), com atos comemorativos e entrega de obras em vários bairros, com destaque para a Região Central Histórica.

Nessa área, os destaques são para a entrega da nova sede da Unifesp, no antigo prédio do Banco do Brasil (Rua XV de Novembro, 195), os restauros do Outeiro de Santa Catarina e da Casa do Trem Bélico. São empreendimentos de importância para o comércio, a segurança e o turismo na região.

A quarta-feira (26), data oficial do aniversário, ficará reservada para as tradicionais celebrações civis e religiosa.

Nesta terça-feira, a programação começou com entrega da Universidade Acadêmica Centro Histórico de Santos, em parceria com a Unifesp – Rua XV de Novembro, 195, Centro. Além da abertura da exposição ‘Celso Amorim, o embaixador da paz’ – Palácio José Bonifácio (Praça Mauá s/nº, 1º andar, Centro).

No dia 26, acontece às 8h30 a deposição de flores junto ao Monumento de Braz Cubas – Praça da República (Centro). Na sequencia, uma Missa em Ação de Graças acontece na Catedral de Santos (Praça José Bonifácio s/nº, Centro). E às 10h, a Sessão solene na Câmara Municipal – Praça Tenente Mauro Batista de Miranda, 1, Vila Nova.

No dia 27, a Entrega da UME Noel Gomes Ferreira, Rua Andrade Soares, 187 (Caruara), e da Fonte do Sapo (Av. Bartolomeu de Gusmão s/nº) e Praça Ida Trilli (Av. Dino Bueno com Rua República do Equador, Ponta da Praia) fazem parte da programação.

Também a entrega da revitalização da Praça Benedito Calixto, em frente à Igreja da Pompeia, entrega do restauro do Outeiro de Santa Catarina, e entrega do restauro da Casa do Trem Bélico, estão nas comemorações de aniversário. In “Mundo Lusíada” - Brasil