Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Quénia - Mal misterioso mata elefantes no Quénia e intriga especialistas

Deitado no chão, o elefante Gengis Khan luta em vão para se levantar, mas só consegue girar repetidamente sobre si mesmo. A cena desperta o temor de que ele se torne o 20.º paquiderme da região queniana de Amboseli a sucumbir a um mal misterioso.


Ao seu redor, veterinários injectam glicose, um paliativo diante da falta de respostas sobre o que está a matar este jovem macho de 11 anos, com os olhos avermelhados e dificuldade para respirar.

As manadas de elefantes tornaram famosa esta região de savana no sul do Quénia, dominada pelo majestoso Kilimanjaro, a maior montanha da África, do outro lado da fronteira com a Tanzânia.

Desde o fim de Junho, pelo menos 19 elefantes, sobretudo fêmeas ou jovens, morreram após apresentar os mesmos sintomas, em particular uma paralisia parcial que os impedia de ficar em pé.

“Eles caminham, respiram com dificuldade e ficam agitados”, descreve Patrick Papatiti, chefe de operações das terras comunitárias de Olgulului, onde fica a reserva de Kitenden B. Quando “já não conseguem caminhar” ou ficar em pé, “eles deitam-se”, e alguns “lutam por um, dois ou três dias, até morrer”, acrescenta.

No fim de Julho, o Serviço de Vida Selvagem do Quénia (KWS) informou ter detectado altas concentrações de cianeto nos cadáveres, o que aponta para um possível envenenamento por pesticidas após o consumo de frutas de propriedades agrícolas próximas.

No entanto, vários especialistas consultados pela AFP descartam a hipótese dos pesticidas.

“É uma doença”, afirmou Papatiti, embora admita ainda não saber qual. “Por que razão, aqueles que deveriam estar a esforçar-se para resolver o problema ignoram essa pista?”, questionou.

“Aqui não se usa cianeto em nenhum lugar”, afirmou. Papatiti, uma das poucas vozes locais que rejeitam publicamente as conclusões preliminares do KWS, realça que não foi encontrado nenhum outro animal morto.

Ele destaca, em particular, a ausência de animais necrófagos mortos, que geralmente também sucumbem quando consomem carcaças de animais abatidos com flechas envenenadas por caçadores ilegais.

“Se nenhum outro animal que se alimenta de carniça morreu, então não é um produto químico”, afirmou à AFP Joel Nyika, responsável pelo ecossistema de Amboseli no condado de Kajiado.

Nyika também rejeita a hipótese, igualmente levantada pelo KWS, de que o cianeto possa ter vindo de uma planta forrageira, já que o gado das comunidades locais também teria morrido. Ele acredita “numa doença que afecta apenas os elefantes”.

Até agora, o KWS descartou que se trate de uma doença contagiosa e recomendou que os turistas continuem a visitar normalmente a região.

Na reserva de Kimana, nas proximidades, jornalistas da AFP observaram na passada quarta-feira seis carcaças de elefantes, algumas mais recentes do que outras. Os guardas disseram que os animais apresentaram os mesmos sintomas, incluindo uma paralisia parcial que os impedia de permanecer em pé.

Algumas mortes haviam ocorrido poucos dias antes. A carcaça de um filhote de elefante de dois meses, cercada por moscas, estava parcialmente devorada por hienas. Sobre a carcaça de uma elefanta que morreu pouco antes do fim da gestação, alimentavam-se quase 10 abutres.

Procurada pela AFP, a presidente da fundação Wildlife Direct, Paula Kahumbu, destacou a “falta de provas” que sustentem a hipótese dos pesticidas e ressaltou que poucos elefantes machos adultos morreram, embora sejam eles os que mais invadem plantações.

Papatiti também rejeita a hipótese de envenenamento deliberado e considera que a prioridade é “saber o que está a matar os nossos elefantes”, em vez de “perder tempo a procurar culpados”.

O assunto é particularmente delicado num país que transformou a sua fauna selvagem numa marca internacional e numa importante fonte de receitas turísticas.

Procuradas pela AFP, várias organizações de protecção ambiental recusaram-se a comentar o assunto, limitando-se a pedir uma investigação, e os guardas da reserva de Kimana afirmaram não ter autorização para se pronunciar.

Papatiti teme que o número de elefantes mortos esteja subestimado e que o mal também afecte animais na vizinha Tanzânia.

“Quantos elefantes vão morrer antes que possamos deter isso?”, questionou, perguntando se uma possível doença poderia ser transmitida ao gado e até mesmo aos seres humanos das comunidades locais. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “AFP”


Sem comentários:

Enviar um comentário