Argel – O simpósio científico organizado pelo Instituto Nacional Argelino de Estudos Estratégicos Abrangentes, em parceria com o Centro Saharaui de Estudos Estratégicos, terminou em Argel, com os participantes reafirmando que a única solução justa e duradoura para a questão do Sahara Ocidental reside em permitir que o povo saharaui exerça o seu direito inalienável à autodeterminação por meio de um referendo livre e justo, em conformidade com a legitimidade internacional.
O segundo e último dia do simpósio contou com uma
palestra do embaixador saharauí na Argélia, Khatri Addouh, intitulada
"Perspectivas para um Acordo e Solução Futuros". Na sua apresentação,
o embaixador Addouh enfatizou que o acordo firmado pelas duas partes em
conflito desde 1991 baseia-se na organização de um referendo de
autodeterminação supervisionado pela ONU. Ele descreveu esse processo como o
único caminho para alcançar uma paz justa e duradoura na região e apelou à
comunidade internacional para que fortaleça o seu apoio aos esforços das Nações
Unidas para concluir o processo de descolonização no Sahara Ocidental.
Por sua vez, o presidente do Instituto Nacional Argelino
de Estudos Estratégicos Abrangentes, Abdelaziz Medjahed, encerrou o simpósio
enfatizando que as políticas expansionistas da ocupação marroquina remontam à
década de 1940. Ele apelou à mobilização de esforços académicos, mediáticos e
políticos para permitir que o povo saharauí exerça o seu legítimo direito à
autodeterminação e à independência.
Especialistas jurídicos que participaram do simpósio
instaram a intensificação dos esforços para responsabilizar Marrocos pelos
crimes cometidos nos territórios ocupados do Sahara Ocidental, por meio da
internacionalização das violações documentadas e da apresentação de denúncias
perante órgãos judiciais internacionais e regionais. Ressaltaram também a
necessidade de adotar uma abordagem mais eficaz para combater a narrativa
promovida pela ocupação marroquina, numa tentativa de minar o direito do povo
saharauí à autodeterminação.
Nas suas recomendações finais, os participantes apelaram
para a estrita observância da legitimidade internacional e a implementação das
resoluções das Nações Unidas relativas à descolonização do Sahara Ocidental.
Reiteraram também a sua reivindicação de ampliação do mandato da Missão das
Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) para incluir a monitorização
da situação dos direitos humanos, incluindo a proteção da soberania permanente
do povo saharauí sobre os seus recursos naturais.
O simpósio recomendou ainda o fortalecimento do papel da
sociedade civil na monitorização e documentação das violações e crimes
cometidos nos territórios ocupados, o apoio às vítimas na apresentação de
queixas individuais e coletivas perante tribunais internacionais e regionais e
a defesa da nomeação de um Relator Especial da ONU sobre a situação dos
direitos humanos no Sahara Ocidental.
Em relação aos recursos naturais e à mídia, os
participantes enfatizaram a importância de expor a dimensão da exploração dos
recursos naturais saharauís por Marrocos e de combater as narrativas enganosas
que cercam o assunto. Eles também solicitaram o desenvolvimento de programas
especializados de capacitação na mídia e uma estratégia de comunicação
abrangente para apoiar a causa saharauí por meio da produção de conteúdo
digital multilíngue baseado em fontes confiáveis e ferramentas científicas
para monitorizar e analisar o discurso da mídia internacional. In “Sahara
Press Service” – Sahara Ocidental
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