A cidade de Macau é composta por diversas formas de expressão linguística, que vão muito além das línguas oficiais chinesa e portuguesa. Numa sessão marcada para esta quinta-feira, às 18h30, no Instituto Internacional de Macau (IIM), a dupla constituída por Marta Stanisława Sala e Cheong Kin Man convida o público a partilhar as suas experiências sobre a “translingualidade quotidiana” da região. As intervenções dos participantes, limitadas a um minuto, serão depois integradas numa obra audiovisual sobre a diversidade linguística local
O Instituto Internacional de Macau
(IIM) vai acolher esta quinta-feira, pelas 18h30, um encontro artístico
integrado na série “As Espantosas e Curiosas Viagens”, da dupla artística
composta por Marta Stanisława Sala e Cheong Kin Man.
A sessão tem o nome de “Midissage”, em referência ao
termo franco-alemão que descreve um evento especial realizado a meio de uma
exposição de arte. Neste caso, a iniciativa decorre a meio da residência da
dupla em Macau e Hong Kong, que decorre até 15 de Agosto e que já passou pela
Fundação Rui Cunha (FRC) no final de Julho.
O público é agora convidado a tornar-se parte integrante
do projecto, organizado em sucessivas rondas de perguntas nas quais cada
participante pode intervir durante um máximo de um minuto. Num comunicado do
IIM, explica-se que “o formato procura reunir experiências relacionadas com as
línguas utilizadas na vida familiar, profissional e urbana de Macau”, que vão
para lá do chinês e do português. O encontro vai decorrer maioritariamente em
inglês, estando também aberto a intervenções em qualquer outro idioma –
incluindo, por exemplo, o tagalo.
As intervenções do público serão posteriormente incluídas
numa obra audiovisual sobre “a translingualidade quotidiana” de Macau, “fazendo
da própria participação pública parte do processo artístico e documental”.
Citada no comunicado do IIM, a dupla explica que esta acção “procura abordar
Macau não apenas como lugar de coexistência entre idiomas, mas como espaço onde
diferentes formas de falar, escutar e traduzir participam diariamente na
construção de presenças”.
No mesmo local, serão exibidos trabalhos têxteis
concebidos pela dupla, nunca antes apresentados na Ásia, e uma selecção de
entrevistas feitas pelo antropólogo visual Cheong Kin Man, entre 2008 e 2009,
junto de comunidades da diáspora de Macau. Com curadoria de Sara Neves, a
mostra resulta de uma residência artística que se prolongará até 15 de Agosto,
dedicada às ligações humanas e culturais “entre Macau e o mundo, à
translingualidade, às memórias diaspóricas e ao património afectivo”. Depois
desta data, a exposição “continuará a evoluir diariamente e será gradualmente
desfeita, em lugar de encerrar de forma convencional”, segundo adianta o IIM.
A residência em Macau e Hong Kong insere-se num projecto
mais amplo de investigação doutoral de Cheong Kin Man em Antropologia,
desenvolvido na Universidade Nova de Lisboa e no ISCTE – Instituto
Universitário de Lisboa, com bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Depois desta etapa, o projecto segue para o Brasil até ao final de Setembro e
para Portugal entre Outubro e o início de Dezembro. No final do ano, haverá uma
residência artística integrada na Bienal de São Tomé e Príncipe, concluindo assim
o percurso por quatro continentes.
O programa conta com o apoio do Goethe-Institut Hongkong
(Instituto Alemão de Hong Kong), o apoio institucional do Consulado-geral de
Portugal em Macau e Hong Kong e o patrocínio honorário do Consulado-Geral da
Polónia em Hong Kong. In “Ponto Final” - Macau
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