Cidade da Praia – O batuque, a tabanca, o funaná, a emigração e outras referências da cultura cabo-verdiana ganham novas formas na exposição “Ocultação”, do artista plástico Paulo Rosa, numa proposta que cruza memória, identidade e arte contemporânea.
Com 17
obras, a exposição encontra-se patente na Câmara Municipal da Praia, até ao
final deste mês, e convida o público a descobrir, entre figuras, cores e
formas, diferentes leituras da identidade e da cultura cabo-verdiana.
“O
próprio título da exposição é ‘Ocultação’, como uma mistura de sibites,
qualquer coisa relacionada com forças misteriosas que actuam na mente humana”,
explicou Paulo Rosa à Inforpress.
Nascido
na cidade da Praia, em 1969, o artista construiu um percurso ligado às artes
plásticas e à formação artística, com estudos de arte em Portugal e
experiências como professor de pintura e coordenador de workshops e
cursos.
Na
exposição, recupera elementos da cultura cabo-verdiana e apresenta-os através
de uma linguagem contemporânea, com o propósito de aproximar diferentes
gerações da criação artística.
“Os
temas são bem relacionados com os tradicionais. O batuque, a tabanca, o coração
de João, a emigração”, afirmou.
Através
da pintura, Paulo Rosa revisita manifestações culturais que, em determinados
períodos, enfrentaram resistência e perderam espaço na sociedade cabo-verdiana.
Entre elas está a tabanca que, segundo o artista, chegou perto do
desaparecimento antes de recuperar a visibilidade.
O
batuque também ocupa um lugar na exposição, numa abordagem que procura
preservar a ligação às raízes culturais e, ao mesmo tempo, acompanhar novas
linguagens artísticas.
“A
arte é também a própria época”, defendeu, considerando que o artista deve
acompanhar a modernidade sem abandonar os elementos da sua realidade.
Entre
as obras apresentadas está “Cotxipó”, inspirada na música e na dança modernas
de Cabo Verde.
A
relação entre realidade e imaginação constitui outra dimensão de “Ocultação”.
As figuras humanas surgem entre diferentes camadas de cor e matéria, sem uma
representação totalmente definida, deixando ao visitante espaço para construir
a sua própria interpretação.
A
aproximação às novas gerações acompanha também o percurso de Paulo Rosa, que
durante vários anos se dedicou ao ensino da pintura em diferentes instituições
do país.
“Estou
feliz por ver novas gerações com trabalhos artísticos modernos”, afirmou o
artista, que defende a continuidade da criação e a renovação das formas de
expressão.
Com
várias exposições realizadas em Cabo Verde e na diáspora, Paulo Rosa recebeu
distinções no domínio das artes plásticas, entre as quais o primeiro prémio num
concurso nacional de pintura e um Diploma de Mérito Cultural atribuído pelo
Ministério da Cultura.
Actualmente,
é membro da Comissão de Artes Plásticas da Sociedade Cabo-verdiana de Autores
(SOCA) e mantém uma actividade artística independente.
Depois
de “Ocultação”, o artista prepara novos projectos. Entre os planos estão
possíveis exposições na Assembleia Nacional e num espaço localizado na zona da
Trópico, além de convites para apresentar os seus trabalhos em São Vicente e
Santa Maria.
Paulo
Rosa admite ainda uma deslocação ao Ceará, no Brasil, com o propósito de levar
a sua pintura a novos públicos e mostrar a dimensão universal de temas
inspirados na realidade cabo-verdiana.
“A fim
de poder mostrar aos outros povos a universalidade dos temas que também são
pintados em Cabo Verde”, explicou.
Em
“Ocultação”, Paulo Rosa parte de elementos reconhecíveis da cultura
cabo-verdiana para construir uma linguagem que não se revela por completo ao
primeiro olhar.
Entre
figuras, cores e formas, cada visitante é convidado a descobrir aquilo que a
pintura revela e o que permanece oculto. In “Inforpress”
– Cabo Verde

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