Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

República Democrática do Congo - Expansão do vírus ébola ameaça atravessar fronteiras

Três meses após o alerta de emergência internacional, a epidemia da variante bundibugyo acelera e cruza fronteiras congolesas rumo a novos países, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde relata uma velocidade sem precedentes


O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, discursou durante a 2.ª reunião do Comité de Emergência, realçando o registo de quase 5 mil pessoas infectadas por ébola e mais de 2,3 mil mortos em seis províncias e 55 zonas de saúde na República Democrática do Congo.

Uma das prioridades das autoridades neste surto é conter a escalada das infecções a nível internacional e mitigar a ameaça iminente de colapso sanitário nas fronteiras. Teme-se, sobretudo, que o risco transfronteiriço provoque um alastramento de casos na vizinha República Centro-Africana.

Expansão geográfica do surto

O país enfrenta forte insegurança devido ao deslocamento populacional e ao intenso movimento comercial e de mineração ao longo de estradas e rios. O perigo de o vírus atravessar as fronteiras centro-africanas é uma preocupação constante.

A expansão geográfica do surto para as províncias do norte da RD Congo, como Tshopo e Haut-Uélé, também é motivo de temor pois a crise de saúde irá sobrepor-se a graves desafios humanitários já existentes.

A introdução da variante bundibugyo num cenário de extrema fragilidade poderia desencadear uma catástrofe regional.

No Uganda, a contaminação resultou em 20 casos e duas mortes. Embora o governo ugandense tenha sido elogiado pela resposta decisiva que travou à transmissão local rápida, o nível de alerta permanece máximo.

Controlar a epidemia congolesa

A situação na França contraria a percepção de que o surto estaria restrito ao continente africano. No mês passado, um viajante infectado transportou o vírus para o país europeu, o que reforça que as fronteiras “podem atrasar a resposta, mas não impedem a circulação de um vírus”.

A OMS realçou a transmissão oculta nas comunidades e as complexas dificuldades de controlar a epidemia em território congolês.

O vírus teve um forte avanço inicial, forçando as equipas médicas a atuarem de forma reativa para conter os estragos.

O padrão de casos fatais é o que mais assusta as autoridades: pessoas estão a morrer em casa, nas suas próprias comunidades, à margem dos centros de tratamento e fora das listas de contatos conhecidos.

Ensaios clínicos em humanos

Cada um dos óbitos registados representa uma cadeia de transmissão oculta. Segundo o chefe da OMS, enquanto cada elo dessa cadeia não for rastreado e interrompido, a epidemia continuará o seu avanço arrasador.

Sob a liderança do Governo da RD Congo, em parceria com a agência da ONU e o Centro de Controlo de Doenças da África, todas as frentes de resposta estão sendo ampliadas.

Pela primeira vez, duas vacinas foram desenvolvidas especificamente contra o vírus bundibugyo e avançaram para ensaios clínicos em humanos.

Os esforços incluem uma terceira vacina que demonstrou proteção cruzada em testes com animais e avançou diretamente para um ensaio de Fase 3. Além disso, o ensaio de tratamentos terapêuticos apoiado pela OMS já cadastrou os seus primeiros 100 pacientes.

Financiamento sustentado e reforço da segurança

Para agilizar o progresso, a agência da ONU fez um apelo urgente pelo compartilhamento rápido de dados, financiamento sustentado e reforço da segurança e coordenação transfronteiriça com a República Centro-Africana e o Uganda.

Por fim, o diretor-geral fez um apelo para que o mundo não se esqueça de que o ébola é apenas uma das muitas provações enfrentadas pela população da RD Congo e dos países vizinhos.

Mortalidade materna, malária, cólera, doenças diarreicas e pneumonia continuam a ceifar vidas. É essencial que a grande mobilização contra o atual surto não interrompa o acesso rotineiro a outros serviços essenciais de saúde. ONU News – Nações Unidas


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