O Instituto Cultural (IC) vai lançar directrizes para o restauro dos edifícios do Centro Histórico de Macau ainda este ano, avançou Leong Wai Man, em resposta a uma interpelação escrita em que o deputado Chan Hao Weng criticava a falta de critérios uniformizados. A presidente do IC revelou também que o organismo vai reforçar a sensibilização da população com cursos de formação profissional sobre a salvaguarda do património cultural, estando o próximo agendado já para o mês de Setembro
O Instituto Cultural (IC) vai lançar
directrizes para o restauro dos edifícios do Centro Histórico de Macau ainda
este ano. O objectivo é o de orientar a reabilitação de imóveis patrimoniais e
incentivar a sua recuperação e salvaguarda pela sociedade, de acordo com
informações avançadas por Leong Wai Man.
Em resposta a uma interpelação escrita, a presidente do
IC notou ainda que a página electrónica dedicada ao Património Cultural de
Macau dispõe, actualmente, de um sistema de consulta que permite aos
requerentes acompanhar o processo de apreciação e aprovação por parte do
organismo, de forma a garantir a sua total transparência.
A informação surge como resposta às preocupações
levantadas pelo deputado Chan Hao Weng relativamente à conservação e
fiscalização das obras de restauro do património arquitectónico protegido em
Macau. Em concreto, o deputado lamentou a inexistência de “normas técnicas
uniformizadas para o restauro” dos edifícios protegidos, assim como a falta de
“regulamentação expressa para a recuperação das fachadas”. O resultado é uma
“grande aleatoriedade nos critérios adoptados”, uma vez que nem os
proprietários nem as entidades responsáveis pelo restauro possuem normas
concretas para a execução das obras.
Chan Hao Weng denunciou também a “falta de uniformidade
nos critérios relativos à identificação dos materiais, à tonalidade das
fachadas exteriores, às técnicas de execução das obras e à fiscalização in
loco”. Para além da “falta de coerência estética” e da “descaracterização da
fisionomia original”, alterada por estas intervenções, verifica-se também um
aumento significativo dos custos económicos e do tempo de expedição dos
pedidos, segundo acusa o deputado. Após o restauro, diz, é também frequente o
surgimento de problemas como o envelhecimento das paredes ou o reaparecimento
de anomalias estruturais, dificultando uma “conservação eficaz a longo prazo”.
Na sua resposta, Leong Wai Man começa por assinalar que
as obras de restauro em edifícios históricos “devem ser precedidas da
elaboração de projectos de construção através de consultores com qualificações
profissionais adequadas, tendo como referência os sistemas e princípios
internacionalmente reconhecidos no âmbito da salvaguarda do património
cultural” e baseando-se em princípios de “autenticidade”, “intervenção mínima”
e respeito pelas características originais. As únicas alterações feitas devem
limitar-se às partes danificadas, “a fim de evitar substituição ou renovação
excessiva e assegurar a protecção eficaz do seu valor cultural”.
Além disso, como os edifícios de Macau reflectem o
“carácter único” do território, conjugando elementos chineses e ocidentais
provenientes de diferentes períodos históricos, o IC procede a uma “análise
rigorosa” de cada caso, avaliando os diferentes materiais, técnicas e
tonalidades de cores a usar em cada edifício.
“Durante as diversas fases de elaboração de projectos de
obras nos edifícios patrimoniais, o IC mantém uma estreita comunicação e
colaboração com os proprietários ou administradores dos edifícios, assim como
discute soluções e emite pareceres técnicos direccionados para os projectos de
restauro, de modo a permitir que as obras decorram sem imprevistos”, reforça
Leong Wai Man.
No documento de resposta, nota-se ainda que o IC tem
procurado sensibilizar a população geral através da organização de workshops,
cursos certificados e formações profissionais na área do restauro, em
colaboração com instituições de ensino superior, com a Direcção dos Serviços
para os Assuntos Laborais (DSAL) e com a Associação dos Engenheiros de Macau
(AEM).
Entre as múltiplas iniciativas promovidas, o destaque vai
para a 5.ª edição da “Formação Profissional em Restauro dos Edifícios
Patrimoniais”, que será realizada no próximo mês de Setembro. Embora não
divulgue a data concreta, o IC aponta também para o final deste ano a
realização de um “curso de formação internacional sobre a salvaguarda do
património cultural em conjunto com um organismo especializado ligado à UNESCO,
com o propósito de reforçar de forma contínua a formação de quadros
qualificados na área do restauro e de salvaguarda dos recursos do património
cultural preciosos do território em articulação com a sociedade”. Carolina
Baltazar – Macau in “Ponto Final”
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