Cidade da Praia – A Rede de Cinema e Audiovisual PALOP + TL retomou o processo de mapeamento dos profissionais e empresas que actuam no sector nos países de língua portuguesa, anunciou a realizadora e cineasta Samira Vera-Cruz.
A informação foi avançada durante um encontro com
profissionais e empresas do sector audiovisual, realizado com o objectivo de
retomar e actualizar o mapeamento dos profissionais e empresas do sector em
Cabo Verde, contribuindo para a actualização do directório online da
rede.
Segundo Samira Vera-Cruz, o processo de mapeamento teve
início em 2019, mas acabou por ser interrompido devido à pandemia da covid-19,
a outros compromissos profissionais e às dificuldades de acesso a
financiamento.
O trabalho foi agora retomado na sequência do
financiamento obtido pela rede através do Camões – Instituto da Cooperação e da
Língua.
A responsável explicou que o mapeamento será desenvolvido
em duas fases. A primeira consiste na actualização dos dados já recolhidos pela
rede, através do contacto com os profissionais anteriormente identificados.
A segunda passa pelo preenchimento de um novo formulário,
com o apoio de estagiários que irão trabalhar em cada um dos países abrangidos.
Samira Vera-Cruz explicou que o trabalho está a decorrer
em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique, enquanto a rede já iniciou
contactos para estender posteriormente o processo à Guiné-Bissau e a
Timor-Leste.
Relativamente a Angola, a mesma fonte disse existirem
maiores desafios, mas manifestou a expectativa de que o mapeamento possa
avançar futuramente.
“É muito simples: o mesmo dinheiro que dá muito resultado
em Cabo Verde não é suficiente em Angola, porque as nossas realidades
económicas são diferentes”, frisou.
Questionada sobre o actual estado do audiovisual em Cabo
Verde, Samira Vera-Cruz considerou que o sector está em crescimento, depois de
ter passado por um longo período de sobrevivência.
A realizadora destacou o reconhecimento internacional que
o cinema cabo-verdiano tem vindo a conquistar, apontando, entre outros
exemplos, o prémio conquistado por Yuri Ceuninck no Festival Pan-Africano de
Cinema e Televisão de Ouagadougou (FESPACO), na categoria de melhor
documentário, e o trabalho de Denise Fernandes, entre outros nomes.
“Cabo Verde tem-se feito conhecer num panorama
internacional pelo cinema”, afirmou, reconhecendo, contudo, que permanecem
desafios no sector.
Para a realizadora, o cinema cabo-verdiano está
actualmente “para lá da sobrevivência”, resultado do trabalho desenvolvido por
vários profissionais e também do surgimento de novos talentos.
“Todos os dias vou conhecendo gente nova que quer fazer
cinema, que procura, que tem histórias”, salientou.
É precisamente neste contexto que Samira Vera-Cruz
considera fundamental o mapeamento dos profissionais e empresas do sector.
A iniciativa deverá permitir saber quem está a trabalhar
em cada área e em cada país, facilitando o contacto, a colaboração e a
realização de projectos conjuntos no espaço PALOP + TL.
Depois do mapeamento, Samira Vera-Cruz garantiu que a
rede pretende avançar com novas acções de formação.
A primeira está prevista para Agosto, em Moçambique,
durante o Festival Kugoma, através de um laboratório de cinema que será
posteriormente replicado em Cabo Verde, em Outubro, em parceria com o Kafuka.
O laboratório será especialmente dedicado à elaboração de
planos de financiamento e estratégias de distribuição.
Outra das ambições anunciadas pela rede é a sua
transformação numa agência capaz de apoiar a distribuição dos filmes produzidos
na região.
Além das questões relacionadas com o financiamento,
consideradas pela realizadora como um dos desafios do sector, apontou também a
falta de formação específica em cinema e audiovisual, bem como as dificuldades
de acesso a equipamentos.
Segundo Samira Vera-Cruz, em Cabo Verde existe ainda
falta de preparação para concorrer a fundos e outras oportunidades de
financiamento.
“Quando não concorremos, o não é garantido. Quando
concorremos, talvez dê”, afirmou. In “Inforpress” – Cabo Verde
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