Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 16 de julho de 2023

Moçambique - Xiquitsi volta a apresentar ópera “Orfeu nos infernos” em Agosto

A ópera “Orfeu nos Infernos” volta, cinco anos depois, a ser apresentada em Moçambique. Mas, desta vez, em celebração do décimo aniversário do projecto Xiquitsi. A emblemática obra é o principal atractivo dos concertos programados para a 2ª série da 10ª Temporada de Música Clássica – Xiquitsi 2023.


Para a ópera “Orfeu nos Infernos”, entram em cena quase todos os participantes da estreia, em 2019, em Moçambique, incluindo a recém-licenciada do curso de canto na Escola Superior de Música de Lisboa, Márcia Massicame, que vai interpretar o papel da Opinião Pública. Deuscio Vembane, vai estrear-se com a interpretação de Orfeu.

A abertura da 2ª série será feita com o concerto Fado-Jazz, “ALMO”, no dia 21 de Julho, às 19h00, no Montebelo Indy Maputo Congress Hotel. O concerto é realizado em colaboração com o Camões – Centro Cultural Português em Maputo, que vai levar ao palco três talentosos músicos. Nomeadamente, o pianista e compositor Júlio Resende, que se estreia em Moçambique e que se vai unir ao talento interpretativo dos cantores Paulo Lapa (tenor) e Tiago Matos (barítono). Ambos os artistas já estiveram nas edições anteriores do Xiquitsi.

No dia 30 de Julho, às 15h, no Montebelo Indy Maputo Congress Hotel, está em cartaz a “Tarde para Pais e Filhos”, um concerto a ser dirigido pelo coordenador pedagógico do Xiquitsi e Maestro Estêvão Chissano.

Por fim, nos dias 3 e 4 de Agosto, no Teatro Scala, às 19h00, será a apresentação da tão esperada ópera “Orfeu nos Infernos”, uma sátira ao mito de Orfeu, com música de Jacques Offenbach (1819-1880), na qual surge o tema que tornou o compositor e esta ópera dignos de notoriedade internacional: o Can-Can.

Durante a Temporada 2023, de celebração dos 10 anos do Xiquitsi, uma das propostas do projecto é proporcionar melhores momentos que marcaram a década, para relembrar e mostrar a evolução do Xiquitsi ao longo deste período. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 10 de março de 2023

Moçambique - “É preciso quebrar o tabu de que África não tem ópera”, diz Paulina Chiziane


Com vista a quebrar este tabu, a escritora apresenta, hoje, dia 10 de Março, o concerto “Msaho”, uma ópera africana desenhada por si há seis anos, com o objectivo de mostrar as valências culturais moçambicanas.

Inspirada no seu livro de poesia, intitulado “O Canto dos Escravizados”, Paulina Chiziane desenhou uma ópera à maneira moçambicana há seis anos.

Segundo conta, ao expor a ideia teve pouco apoio, mas não desistiu, caso para dizer que nem só de livros viverá Paulina.

Com o espectáculo, pretende-se juntar várias manifestações artístico-culturais, como teatro, poesia e canto, para apresentar a história de opressão e libertação do povo africano ao mesmo tempo que se quebram alguns tabus.

“Há várias coisas, uma das quais é quebrar esse tabu de pensar que África não tem ópera. [Quero] quebrar esse tabu de dizer que os moçambicanos não têm ópera. Ópera é uma manifestação cultural, assim sendo, todos os povos têm ópera”, argumentou a escritora.

Ao aderir ao espectáculo, segundo Paulina Chiziane, o público terá uma experiência equilibrada entre o entretenimento e reflexão sobre “a sua interioridade”.

O evento terá lugar no Centro Cultural Universitário, em Maputo, hoje, sexta-feira 10. Regina Ernesto – Moçambique in “O País”

 

sábado, 15 de dezembro de 2018

Moçambique - Autores da primeira ópera de Mozart adaptada apelam à dramaturgia nacional



Professores e estudantes que adaptaram pela primeira vez uma ópera de Mozart em Moçambique defenderam ontem à Lusa a criação de uma “dramaturgia moçambicana”, considerando que o país possui “talento e histórias” suficientes para produções artísticas.

“O nosso objetivo é criar uma dramaturgia moçambicana”, disse Victor Gonçalves, docente da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e diretor-geral da Ópera “Mwango e Mwango”, que ontem estreou em Maputo.

Com a primeira apresentação, que juntou centenas de pessoas no Centro Cultural da UEM, os organizadores esperam mudar a consciência da sociedade sobre a importância da arte, contando histórias baseadas na realidade do país.

“Queremos criar uma dramaturgia com base em temas e histórias de Moçambique. Esta apresentação é uma forma de ensaiar esta perspetiva”, afirmou Victor Gonçalves.

A ópera é o resultado de uma adaptação de “Bastien und Bastienne”, uma das primeiras obras de Mozart, baseada numa peça de Jean Jaques Rousseau, e que foi apresentada pela primeira vez em 1768.

O enredo original narra as aventuras de Bastienne, uma jovem camponesa que perde o seu amado para uma nobre dama. A jovem procura um feiticeiro para recuperar o seu amado.

Na versão adaptada, a história acontece na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, e conta também a experiência de uma rapariga que recorre a um curandeiro para recuperar o seu amado.

Para o reitor da UEM, Orlando Quilambo, a iniciativa vai contribuir para uma mudança de consciência sobre a importância da arte e da cultura em Moçambique, principalmente entre a camada jovem.

“A cultura é o instrumento orientador da sociedade. Não há desenvolvimento sem cultura”, frisou à Lusa o reitor da UEM.

“Sentimo-nos orgulhosos: os nossos estudantes e professores conseguiram aqui ter uma tradição europeia misturada a uma tradição moçambicana”, concluiu.

O nome “Mwango e Mwango” é proveniente da língua maconde, falada numa parte do norte de Moçambique, e em português significa “meu e minha”.

A ópera, apresentada no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane, foi interpretada em cena por três cantores, sete músicos e dois atores, sob olhar atento de várias personalidades, entre as quais diplomatas e antigos quadros do Governo moçambicano. In “Por Somos” – Macau com “Lusa”