Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Cabo Verde - PAICV consternado com a morte de Corsino Tolentino


Cidade da Praia – O PAICV, partido onde militou Corsino Tolentino, reagiu hoje à morte deste com “muita consternação”, recordando que foi um “militante exemplar” e que deixou imenso legado político e cultural ao País.

Em comunicado assinado pelo presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), este apresenta a sua solidariedade aos familiares e amigos, os “sentimentos de profundo pesar” pela morte daquele que foi combatente da liberdade da Pátria, que ainda jovem aderiu à causa da luta de libertação nacional.

Segundo o documento chegado à Inforpress, André Corsino Tolentino (Ribeira Grande – 30.05.1946 – Cidade da Praia 21.12.2021) desempenhou várias e complexas missões com elevado espírito patriótico de entrega à missão do engrandecimento da pátria que o viu nascer.

“André Corsino Tolentino era natural da ilha de Santo Antão, mas tornou-se um cidadão por inteiro de todas as ilhas para se tornar também um cidadão do mundo tendo em conta a sua mente aberta e a sua disponibilidade para aprender sempre”, lê-se no comunicado.

Mesmo depois de estar a assumir cargos de elevada responsabilidade não abandonou os estudos e a investigação, tendo-se graduado com o título de Doutor pela Universidade de Lisboa.

No período pós-independência, desempenhou elevadas funções político-partidárias, foi distinto diplomata sendo embaixador jubilado.

Tido como um homem culto, sagaz e de fino trato, Corsino Tolentino desempenhou as funções de ministro da Educação, secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e embaixador de Cabo Verde em vários países, nomeadamente em Portugal.

Foi ainda consultor do Banco Mundial e promotor da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), do Instituto da África Ocidental (IAO) e colaborador assíduo da imprensa, tendo-se revelado ainda como escritor, para além de vários cargos de relevo de que se destacam o de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, professor universitário, sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.

O PAICV recorda do homem que deu um “valioso contributo” ao processo de mudança política em 1991, como um dos integrantes do grupo dos negociadores, indicados pelo partido, para o processo de mudança política para o multipartidarismo, numa transição considerada por todos como bem-sucedida.

Deixou várias produções literárias, sendo a sua última obra trazida ao público nos dias 26 de Novembro e 16 do corrente, na Praia e Mindelo respectivamente, intitulada, “A vitória é hoje. A minha relação com a Paralisia Supranuclear Progressiva’’. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Grumo

 
Nas décadas sessenta e setenta do século XX havia muitos jovens que se iniciavam no mercado de trabalho, uns, a grande maioria, por um imperativo de ajudar as famílias que tinham dificuldades económicas, outros, um simples castigo por falta de aproveitamento escolar.

Não era fácil para a juventude arranjar emprego, pois as entidades patronais não queriam investir em pessoas, que passados uns anos, teriam de cumprir o serviço militar obrigatório, que por ou muitas vezes ultrapassava os quatro anos.

Apenas algumas empresas de topo, aceitavam estes jovens com 15, 16 e 17 anos, que ainda não tinham completado o 2º ciclo do liceu e portanto, não tinham qualificações para grandes desempenhos. Na Administração Pública entravam já com 18 e 19 anos, por vezes 20, que com um contrato precário, lá conseguiam arranjar o almejado emprego na capital, longe das terras de origem na província.

O emprego que obtinham nas empresas, devido a não terem qualificações apropriadas, era a de prestarem pequenos serviços, como se fossem “moços de recados” enquanto não alcançavam os estudos necessários, para conseguirem uma carreira profissional.

A esse tipo de emprego, o termo técnico aplicado pelas empresas da altura para classificar estes jovens profissionais era de “Grumo”. Hoje, passados muitos anos, quando se pretende fazer história, seja ela através de memórias, livros históricos, ou apenas um curriculum profissional, há quem altere os nomes às coisas e agora a um simples grumo, chamam de consultor ou assessor. Baía da Lusofonia