A União dos Escritores Angolanos (UEA) acolhe a cerimónia de premiação da 3.ª edição do Prémio Literário GGMF, evento que integra as festividades comemorativas de mais um ano da Fundação Gianni Gaspar Martins (GGM)
O concurso, que reuniu quase quarenta
trabalhos, consagrou como vencedor a obra Ausentes, da autoria de Muzeri
Kizenza, pseudónimo de Wilson Francisco Lucas Domingos, de 25 anos, natural de
Luanda. Segundo o corpo de júri, a obra distingue-se por aliar poeticidade,
economia linguística, humor subtil, crítica social, invenção narrativa e uma
rara capacidade filosófica de interrogar a realidade angolana contemporânea.
A polifonia de vozes e a fusão entre o fantástico e o
real conferem-lhe elevada maturidade literária. Por outro lado, no âmbito das
comemorações dos 50 anos da Independência Nacional, a GGMF decidiu igualmente
atribuir um Prémio Revelação ao escritor Kenny Raphael, pela obra O Nome do
Rio.
O prémio atribuído à mesma obra, ao Kenny Raphael,
pseudónimo de Wilson Rafael Isaac Elias, de 25 anos de idade, natural do
Lubango, deve-se à sua narrativa de forte maturidade estética, enraizada num
imaginário simbólico angolano.
O rio, a figura do “louco” e a herança familiar surgem
como dispositivos metafóricos que articulam memória, identidade, dor e
transcendência. O processo de avaliação das obras decorreu em duas fases: a
triagem e verificação de conformidade, conduzida pela Comissão de Triagem
composta pelos críticos literários Agostinho Gonçalves João e Hélder Simbad e a
avaliação final, a cargo do júri constituído por Edmira Cariango Manuel,
Destino Ventura e Bel Neto.
As obras foram apreciadas com base na originalidade,
qualidade artístico literária, conformidade com o género narrativo,
legibilidade e ausência de impedimentos regulamentares. Além da obra vencedora,
integraram a lista das dez obras finalistas do Prémio Literário GGMF – Edição
2026: Como caem as Folhas no Outono, de Ndakota Vulu; Desertores
d’Alma, de José Salassa; Estórias que pintam Angola, de G.A; O
Caixão do Cão, de Henda Munha; O Nome do Rio, de Kenny Raphael; Os
Nulos, de Maria Dembue; Talamaku, de Si Charles; Uma de nós,
de Neidi Wanda; e Uma rapariga apelidada Constituição, de Yosefe
Mwetunda.
O Prémio Literário GGMF é uma iniciativa que visa
incentivar o talento literário e a produção intelectual angolana, distinguindo
obras inéditas nas categorias de Poesia e Prosa. Nesta edição, destacou-se a
categoria Prosa, destinada a escritores a partir dos 18 anos, com o objectivo
de fomentar novas vozes no panorama literário nacional. In “O País”
- Angola
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