A proposta passa por ler, explorar, debater e celebrar um dos mais relevantes poetas portugueses contemporâneos. É na companhia de Eugénio de Andrade que o Coletivo de Poesia da Universidade do Porto vai abrir o novo ano. Será no dia 20 de janeiro, às 21h30, no auditório da Casa Comum (à Reitoria) da U.Porto. A entrada é livre e todos os contributos são bem-vindos.
O amor, a solidão e uma forte ligação à natureza. E o
recurso a uma linguagem simples e simultaneamente profunda com a qual muito
rapidamente nos identificamos. Assim é ler Eugénio de Andrade, nome maior da
literatura portuguesa, que a U.Porto homenageou, ainda em vida, com o título de
Doutor Honoris Causa, juntamente com a também escritora Agustina
Bessa-Luís. Um gesto “retribuído” em 2022, com a cedência do acervo de Eugénio
de Andrade ao Centro de Estudos da Cultura em Portugal da Universidade do Porto
(CECUP).
José Fontinhas, que conhecemos como Eugénio de Andrade,
nasceu a 19 de janeiro de 1923, há precisamente 103 anos, na Póvoa de Atalaia,
concelho do Fundão. Publicou mais de vinte volumes de poesia, é um dos poetas
mais lidos em Portugal e um dos mais traduzidos nas mais diversas línguas. Tem
também obras em prosa e traduções de autores como Frederico Garcia Lorca e José
Luís Borges.
Recebeu inúmeras distinções, entre as quais o Grande
Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989) e Prémio Camões
(2001). Em 1982 foi feito Grande-Oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida
Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e
Artístico e, em 1989, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.
Falecido a 13 de junho de 2005, apenas três meses depois
de se ter tornado Doutor Honoris Causa da U.Porto, encontra-se sepultado
no cemitério do Prado do Repouso, no Porto, em campa desenhada pelo arquiteto e
amigo Siza Vieira, e onde se inscreveram os versos Terra: se um dia lhe
tocares / o corpo adormecido, / põe
folhas verdes onde pões silêncio,/ sê
leve para quem o foi contigo (retirados do livro As Mãos e os Frutos).
A casa onde viveu, no número 584 da Rua do Passeio
Alegre, e que funcionou como Fundação Eugénio de Andrade, é hoje um novo núcleo
da Biblioteca Municipal do Porto que acolhe ciclos de conversas e leituras em
torno da poesia.
Outras vozes para celebrar nos próximos meses
É sempre à terceira terça-feira de cada mês que o
Coletivo se reúne para descobrir novas perspectivas, ouvir e ler através de
outras vozes, tornar mais abrangente o que já conhecemos, ou simplesmente
descobrir um determinado património poético e literário.
E se cabe a Eugénio de Andrade inaugurar o novo ano, já
há, no entanto, outros universos, pensamentos e diferentes narrativas na
agenda. O mês de fevereiro será dedicado a David Mourão Ferreira; em março,
iremos ler Vasco Gato; abril será o mês de Adília Lopes; em maio, outra voz no
feminino, Luiza Neto Jorge; para junho, deixamos o legado de Fernando Pessoa; e,
por fim, em julho, o poeta e jornalista brasileiro Mário Quintana.
Com entrada livre, os encontros acontecem sempre na
terceira terça-feira de cada mês, pelas 21h30 na Casa Comum.
Para além dos membros permanentes, o público é convidado
para participar através das leituras que pretender. O encontro começa com uma
breve contextualização do universo a explorar, recuperando, sempre que
possível, alguns elementos que ajudem à construção de uma biografia como
notícias ou entrevistas.
Os poetas eleitos têm, habitualmente,
uma ligação ao mês em que são celebrados (seja pelas datas de nascimento ou
morte) e correspondem ao universo da lusofonia. Universidade do Porto -
Portugal
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