Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Portugal - Coletivo de Poesia da Universidade do Porto celebra Eugénio de Andrade

A proposta passa por ler, explorar, debater e celebrar um dos mais relevantes poetas portugueses contemporâneos. É na companhia de Eugénio de Andrade que o Coletivo de Poesia da Universidade do Porto vai abrir o novo ano. Será no dia 20 de janeiro, às 21h30, no auditório da Casa Comum (à Reitoria) da U.Porto. A entrada é livre e todos os contributos são bem-vindos.


O amor, a solidão e uma forte ligação à natureza. E o recurso a uma linguagem simples e simultaneamente profunda com a qual muito rapidamente nos identificamos. Assim é ler Eugénio de Andrade, nome maior da literatura portuguesa, que a U.Porto homenageou, ainda em vida, com o título de Doutor Honoris Causa, juntamente com a também escritora Agustina Bessa-Luís. Um gesto “retribuído” em 2022, com a cedência do acervo de Eugénio de Andrade ao Centro de Estudos da Cultura em Portugal da Universidade do Porto (CECUP).

José Fontinhas, que conhecemos como Eugénio de Andrade, nasceu a 19 de janeiro de 1923, há precisamente 103 anos, na Póvoa de Atalaia, concelho do Fundão. Publicou mais de vinte volumes de poesia, é um dos poetas mais lidos em Portugal e um dos mais traduzidos nas mais diversas línguas. Tem também obras em prosa e traduções de autores como Frederico Garcia Lorca e José Luís Borges.

Recebeu inúmeras distinções, entre as quais o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989) e Prémio Camões (2001). Em 1982 foi feito Grande-Oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico e, em 1989, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.

Falecido a 13 de junho de 2005, apenas três meses depois de se ter tornado Doutor Honoris Causa da U.Porto, encontra-se sepultado no cemitério do Prado do Repouso, no Porto, em campa desenhada pelo arquiteto e amigo Siza Vieira, e onde se inscreveram os versos Terra: se um dia lhe tocares / o corpo adormecido, /  põe folhas verdes onde pões silêncio,/  sê leve para quem o foi contigo (retirados do livro As Mãos e os Frutos).

A casa onde viveu, no número 584 da Rua do Passeio Alegre, e que funcionou como Fundação Eugénio de Andrade, é hoje um novo núcleo da Biblioteca Municipal do Porto que acolhe ciclos de conversas e leituras em torno da poesia.

Outras vozes para celebrar nos próximos meses

É sempre à terceira terça-feira de cada mês que o Coletivo se reúne para descobrir novas perspectivas, ouvir e ler através de outras vozes, tornar mais abrangente o que já conhecemos, ou simplesmente descobrir um determinado património poético e literário.

E se cabe a Eugénio de Andrade inaugurar o novo ano, já há, no entanto, outros universos, pensamentos e diferentes narrativas na agenda. O mês de fevereiro será dedicado a David Mourão Ferreira; em março, iremos ler Vasco Gato; abril será o mês de Adília Lopes; em maio, outra voz no feminino, Luiza Neto Jorge; para junho, deixamos o legado de Fernando Pessoa; e, por fim, em julho, o poeta e jornalista brasileiro Mário Quintana.

Com entrada livre, os encontros acontecem sempre na terceira terça-feira de cada mês, pelas 21h30 na Casa Comum.

Para além dos membros permanentes, o público é convidado para participar através das leituras que pretender. O encontro começa com uma breve contextualização do universo a explorar, recuperando, sempre que possível, alguns elementos que ajudem à construção de uma biografia como notícias ou entrevistas.

Os poetas eleitos têm, habitualmente, uma ligação ao mês em que são celebrados (seja pelas datas de nascimento ou morte) e correspondem ao universo da lusofonia. Universidade do Porto - Portugal


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