As negociações em torno do Sahara Ocidental permanecem num impasse, com Marrocos ainda sem conseguir apresentar o seu novo plano de autonomia para o território disputado, quase dois meses após uma reunião de alto nível realizada em Rabat. A informação é avançada pela publicação Africa Intelligence (AI), que aponta dificuldades internas e divergências diplomáticas como principais entraves ao processo.
Segundo a publicação, apesar de a Resolução 2797 do
Conselho de Segurança da ONU, aprovada a 31 de outubro de 2025, reconhecer a
proposta marroquina como base das futuras negociações, o texto sublinha a
necessidade de uma “autonomia genuína” para o território. Esta exigência
implicaria alterações constitucionais em Marrocos, um cenário sensível que
poderá desencadear reivindicações semelhantes noutras regiões do país, como o
Rif oriental.
O dossiê encontra-se atualmente sob análise do ministro
do Interior marroquino, Abdelouafi Laftit, sendo a questão da regionalização
considerada o principal obstáculo à finalização da proposta.
EUA querem liderar negociações e afastar ONU
O processo – adianta a AI - é ainda marcado por um
braço-de-ferro entre os Estados Unidos e as Nações Unidas. Washington,
principal impulsionador da Resolução 2797, pretende assumir a liderança direta
das negociações entre Marrocos e a Frente Polisário, com ou sem o envolvimento
da missão da ONU no terreno.
Esta estratégia surge num contexto de enfraquecimento da Missão
das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), afetada por
cortes orçamentais e despedimentos, e numa altura em que a resolução aprovada
em outubro evita referir explicitamente a realização de um referendo de
autodeterminação, um dos pilares históricos da missão das Nações Unidas.
O novo embaixador dos EUA em Rabat, Richard Duke Buchan,
tem defendido uma resolução rápida do conflito e admite mesmo uma saída
antecipada da MINURSO antes do prazo de 12 meses previsto pela ONU.
Mediação norte-americana enfrenta resistências
Após a eventual apresentação do plano marroquino, os EUA
pretendem avançar com negociações tripartidas envolvendo Rabat, Argélia e a
Frente Polisário, sob liderança do enviado especial para o Médio Oriente, Steve
Witkoff, e do enviado para África, Massad Boulos, com apoio de Jared Kushner.
No entanto, estas manobras diplomáticas esbarram na
posição de Marrocos, que prefere negociar diretamente com a Argélia e a Polisário,
e na recusa persistente de Argel em assumir um papel formal no conflito ou
regressar ao formato de negociações multilaterais conhecido como “mesa-redonda”.
In “Sahara Ocidental Informação” - Portugal com “Africa Intelligence”
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