O livro retrata o amor por uma mulher que é personificado ao afecto por um país, concretamente Angola. Publicada no ano passado, sob a chancela da Editora Imprensa Nacional, junta a sensibilidade com o pensamento, ao falar do amor pelo país, sem deixar de referenciar os aspectos negativos da pátria.
O escritor apresenta uma visão poética crítica e
demonstra que a pátria amada ainda não é como se espera, por enfrentar muitas
dificuldades, mas, ainda assim, não deixa de sonhar e manifesta, em cada
parágrafo do texto, a esperança de um país melhor para se viver.
A obra apresenta um conjunto de imagens de memórias
próximas, que contemplam a representação de Angola. Todas as ilustrações
concorrem para a caracterização de uma nação que se transforma na casa dos
sonhos do poeta. Segundo Antónia Paulo, Assessora de Comunicação e Imagem da Fundação Arte e Cultura, o escritor foi
seleccionado pelo seu percurso enquanto figura ligada à política, mas sobretudo
pela sua produção literária, que considera significativa para a consolidação da
poesia em Angola.
“A instituição pretende preservar e divulgar o legado de
escritores angolanos, pois existe uma base de dados de autores que a Fundação
pretende homenagear ao longo das próximas edições”, destacou a organizadora. O
recital, a ser protagonizado pelos alunos do clube de poesia da Fundação, que
vão ser acompanhados por dez poetas convidados, vai apresentar poemas de Nelson
BonaVena, bem como textos originais da sua autoria, num exercício de
valorização do talento emergente e de diálogo entre a antiga e a nova geração.
Música ao vivo
Antónia disse ainda que o evento não vai resumir-se
apenas à declamação de poemas. Trata-se de um momento artístico plural que
inclui música ao vivo, de formas a criar um ambiente intimista e sensível, com
a finalidade de aproximar o público dos autores e das obras.
“Para esta primeira edição do ano, os momentos musicais
vão estar a cargo dos cantores Jato Lopes e Dane Moreira, artistas já habituais
no palco da instituição, reconhecidos pela capacidade de enriquecer as sessões
com interpretação vocal e instrumental”, lembrou.
Quanto ao que o público pode esperar desta edição, a
responsável afirmou que a expectativa é elevada e que o evento foi pensado para
atrair leitores, admiradores de literatura e interessados em conhecer o
trabalho do artista e não só.
A organizadora disse igualmente que a instituição procura
criar condições para que o público seja exposto a obras contemporâneas, de
forma a fortalecer o vínculo entre a sociedade e a produção artística angolana.
“A Fundação tem procurado desempenhar um papel activo na construção de pontes
entre a cultura e o tecido social, através de iniciativas que também abrangem a
responsabilidade social”, ressaltou.
Sobre o autor
Nelson Bonavena é
poeta, contista, ensaísta e crítico literário revelado à literatura angolana no
suplemento cultural Vida & Cultura do Jornal de Angola, nos
primórdios dos anos 1980.
Integrante do Movimento Cultural Kiximbula, foi mentor e
coordenador da revista Archote — Chama Jovem da Literatura Angolana
(1986-1987), que juntou escritores de todos os géneros, como António Azzevas,
Rui Augusto, José Luís Mendonça, D’Oriana, Domingos de Nascimento, Lisa Castel,
Emmanuel Sobrinho, Dudu Peres, Ngamilanhi, Teodoro Sikuete e João Faria.
Membro da União dos Escritores Angolanos (UEA) desde
1986, publicou Ulcerado de Míngua Luz (1987), Os Limites da Luz
(2003), Literatura Angolana do Séc. XIX: Pedro Félix Machado (2012) e Cordeiro
da Matta: O Poeta do Rio Kwanza (2012). Consta de várias colectâneas de
poesia e de ensaios e tem colaboração em revistas em Angola, Brasil, Portugal,
Itália, Senegal, França e Estados Unidos da América. In “O País”
- Angola
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