O Programa Reflorestar, do governo do estado do Espírito Santo, já promoveu a restauração de 12 mil hectares e a conservação de 13 mil hectares de Mata Atlântica, com impactos positivos que se estendem até à região metropolitana de Vitória
Um programa apoiado pelo Banco Mundial
no estado do Espírito Santo já investiu, desde 2011, mais de R$ 100 milhões em
ações que procuram proteger as áreas altas das bacias hidrográficas.
O objetivo do Programa Reflorestar é melhorar a gestão
integrada das águas e reduzir os riscos de cheias, além de diminuir a
quantidade de sedimentos nos reservatórios que abastecem a região metropolitana
de Vitória.
Pagamento por serviços ambientais
O Reflorestar atendeu mais de 5 mil propriedades nos
últimos 15 anos, promovendo a restauração de 12 mil hectares e a conservação de
13 mil hectares. Atualmente, o Banco Mundial apoia esse trabalho por meio do
projeto Águas e Paisagens II.
Uma das atividades do Reflorestar é o pagamento por
serviços ambientais, PSA. Ele destina-se aos produtores rurais que recuperam e
preservam as matas nativas.
Plantar árvores ajuda a infiltrar e reter a água na
terra, evitando o carreamento de sólidos que normalmente acontece nos
mananciais hídricos quando uma área está desmatada.
Por isso, o reflorestamento faz melhorar não só a
qualidade, mas também a quantidade da água das bacias hidrográficas. Também
ajuda as estradas a sofrer menos com a erosão e a manter-se transitáveis
durante a época das chuvas.
Empregos e oportunidades
Entre as pessoas que fazem o esforço para recuperar a
Mata Atlântica, estão os produtores rurais Tânia e Henrique Gravel, de Guaçuí.
Em 1999, quando foram morar numa propriedade de 25 hectares, cercada pelas
montanhas da Serra do Caparaó, o local tinha apenas uma nascente. Hoje, são 14.
Henrique orgulha-se da produção diversificada: “Nós temos
café, nós temos banana, a gente mexe com mel, que é o carro-chefe. A gente tem
fruta, nós temos abacate, nós temos cambuci, que a gente vai atender a merenda
escolar...”
Além de preservar a natureza, a recuperação da floresta
gera empregos e prosperidade, como mostra a comunidade rural de Feliz
Lembrança, no município de Alegre. Lá, 62 famílias distribuem-se por 152
hectares.
A comunidade sofria, no começo dos anos 2000, com o êxodo
rural e a degradação das terras, que eram usadas para pastagens de gado de
corte. O grupo de jovens de uma igreja local decidiu formar uma associação para
participar de projetos de agricultura familiar. E, também, resgatar formas de
plantio usadas pelos antepassados, como o consórcio entre o café conilon e
outras espécies alimentícias, como banana, abacate e laranja.
Próximos passos
O café produzido em Feliz Lembrança agora participa em
concursos locais e tem selo de qualidade.
O produtor rural Fábio de Souza conta como foi o apoio do
Programa Reflorestar:
“Comprámos muitas mudas, fizemos cercas em volta das
nascentes... Assim, áreas que estavam cheias de voçoroca e a terra escorria
toda para o rio foram recuperadas”.
Na atual fase do Reflorestar, a ideia é aprimorar ainda
mais os investimentos em intervenções físicas que ajudam a reter a água, como
barraginhas e cochinhos. Também estão a ser implementados biodigestores.
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