João Farminhão, investigador do Centro
de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da
Universidade de Coimbra (FCTUC) descobriu uma nova espécie de planta endémica
nas arribas do Gargalo do Tejo, em Almada, em frente a Lisboa.
Linaria almadensis trata-se da única espécie até agora identificada, que em
todo o mundo só ocorre nestas arribas. Embora tenha sido colhida pela primeira
vez em 1843, só agora, no âmbito de uma revisão taxonómica, foi reconhecida e
descrita na Botany Letters.
O holótipo, exemplar que serviu de referência à descrição
desta nova espécie, encontra-se guardado no Herbário da Universidade de
Coimbra, a maior coleção botânica do país.
«O material foi colhido aos pés do Cristo-Rei e em frente
ao Mosteiro dos Jerónimos, ocorrendo, exclusivamente, em paredões e terraços da
arriba arenosos, na proximidade de rochas calcárias. Esta espécie distingue-se
da Linaria supina e L. polygalifolia, com as quais tinha sido
anteriormente confundida, pelas folhas estreitamente elíptico-oblongas a
elíptico-oblanceoladas, de ápice obtuso, bem como pela coloração da corola, com
as pétalas superiores de um branco-amarelado, o palato amarelo-alaranjado e o
esporão frequentemente tingido de violeta», revela o especialista do
Laboratório Associado TERRA.
Segundo o autor, conhecem-se apenas poucas dezenas de
indivíduos, carecendo o seu habitat de medidas urgentes de conservação. «A
espécie foi avaliada com a categoria Criticamente em Perigo, que é o nível de
ameaça de extinção mais grave, segundo os critérios da União Internacional para
a Conservação da natureza», alerta João Farminhão.
Esta descoberta demonstra o nível de desconhecimento
sobre a biodiversidade portuguesa, mesmo em grupos relativamente bem
conhecidos, como são as plantas vasculares, e mesmo em lugares tão próximos dos
centros de conhecimento, como são as arribas ribeirinhas de Almada. A sua
identificação coincide com a descoberta de uma nova área de endemismo vegetal,
o que ajuda os especialistas a compreender a formação de novas espécies no
litoral ocidental da Península Ibérica, em estreita dependência com a geologia
e geomorfologia.
«É urgente controlar a expansão de
espécies invasores, como as capuchinhas (Topaeolum majus) e as canas (Arundo
donax) nas arribas do Gargalo do Tejo. A Linaria almadensis junta-se
às cerca de 90 espécies de plantas que, em todo o mundo, só existem em Portugal
Continental, cuja conservação depende de todos nós», ressalva o investigador da
FCTUC. Universidade de Coimbra - Portugal
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