Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Macau - Concurso fotográfico da Associação Somos reflecte sobre o passado que perdura

“O Hoje do Passado” é o tema da nova edição do concurso de fotografia da Somos – ACLP, cujo processo de candidatura decorre até 28 de Fevereiro. Os participantes deste ano são convidados a encontrar símbolos, ofícios ou elementos históricos que ainda perdurem no mapa lusófono contemporâneo, como fragmentos de tradição num mundo em permanente mudança


A Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP) lança a sétima edição do concurso fotográfico “Somos Imagens da Lusofonia”. O tema deste ano, “O Hoje do Passado”, propõe uma homenagem às “coisas antigas” do mundo lusófono que ainda hoje perduram como testemunhos vivos da identidade, cultura e forma de vida de determinadas sociedades ou espaços geográficos. As candidaturas permanecem abertas até 28 de Fevereiro.

Em comunicado, a associação sediada em Macau explica que, “nos dias que correm, com o rápido desenvolvimento socio-económico e tecnológico, o nosso foco tende a virar-se para o que é mais moderno, evoluído, para o que é novo”. A transformação urbana, apesar de inevitável, vem metamorfosear as “características distintivas” de alguns dos territórios do mundo lusófono – desde cidades e províncias até vilas e aldeias, estas últimas particularmente enraizadas em velhos costumes e práticas.

O desafio da Somos – ACLP passa por perscrutar o mundo actual e descobrir, dentro dele, os vestígios da tradição que ainda subsistem e se mantêm relevantes, apesar da passagem do tempo e da recontextualização do mundo moderno. Algumas destas representações poderão, inclusive, ser “transversais ao universo lusófono” e não circunscritas a um determinado espaço geográfico.

De acordo com a associação, trata-se de um convite para que os participantes reflictam “sobre as realidades dos seus países ou regiões” e expressem, “por meio da fotografia, o seu ponto de vista sobre o peso e o valor dos costumes, práticas e tradições antigas nas sociedades actuais do universo lusófono”. O tema escolhido para esta edição “permitirá a apresentação de trabalhos com dimensões artísticas, históricas e simbólicas, que servirão de testemunhos materiais da interacção entre o passado e o presente, evidenciando que o antigo poderá ter futuro”.

Mais do que um exercício individual, esta edição vem fomentar uma reflexão colectiva sobre “a importância do património histórico, artístico, etnográfico e imaterial de cada território geográfico da lusofonia, bem como o valor social da cultura e dos elementos históricos enquanto veículos de conexão social, reforços da identidade comunitária e portais para a evocação de tempos passados”.

Como habitual, o concurso destina-se a todos os cidadãos dos países e regiões onde a língua portuguesa é falada, incluindo residentes de Macau. As fotografias submetidas – que devem respeitar o tema e os critérios do regulamento – podem ser tiradas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Goa, Damão e Diu. Cada fotografia deve vir acompanhada de título e de uma breve legenda explicativa.

A escolha das imagens vencedoras fica ao critério de um júri de profissionais da área da fotografia, presidido por Gonçalo Lobo Pinheiro, que terá como critérios de selecção a criatividade e originalidade, a composição fotográfica, a qualidade artística, e a relevância e qualidade em relação ao tema.

Os três grandes vencedores vão receber prémios pecuniários no valor de 10.000, 7000 e 5000 patacas, respectivamente, havendo também espaço para eventuais menções honrosas. Caso o vencedor do primeiro prémio não resida em Macau, será contemplado com uma viagem e estadia no território para garantir a sua presença na cerimónia de inauguração da subsequente exposição fotográfica. Foi, aliás, o que aconteceu na edição do ano passado, subordinada ao tema “O Homem e o Divino”, que teve como grande vencedor o fotógrafo moçambicano Marcos Júnior.

Para além das fotografias vencedoras, a exposição vai ainda integrar outras imagens seleccionadas pelos jurados “pela sua relevância ou valor para o tema do concurso” e para o propósito da própria associação, assente na valorização e projecção da dimensão cultural da lusofonia. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


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