A Agência diz que 15 mil crianças estão em risco de morte, 100 mil vão precisar de tratamento, mas há apenas capacidade para apoiar 20% dos casos. As províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa são as mais afetadas pela desnutrição
O Fundo das Nações Unidas para
Infância, Unicef, em Moçambique afirma que se não for garantido o novo
financiamento, 15 mil crianças no país, poderão ficar sem tratamento para a
desnutrição grave e a vida dessas crianças estará em risco.
A região norte é a mais afetada. São as províncias de
Niassa, Nampula e Cabo Delgado devido ao conflito. O somatório dos casos das
três províncias contribui para 40% de todas as ocorrências de desnutrição em
Moçambique.
Apoio adicional urgente
Os suprimentos nutricionais escasseiam devido a cortes no
financiamento. Sem apoio adicional urgente a vida das crianças estará em risco,
segundo explica a gestora de nutrição do Unicef em Moçambique, Fanceni Baldé.
“Precisamos de pelo menos US$ 5 milhões até março deste
ano para permitir-nos comprar 20 mil caixas de suplementos nutricionais que
salvam vidas. Eles poderão ser distribuídos para 120 unidades de saúde em
Moçambique. Com esse valor poderemos também apoiar as unidades sanitárias a
realizar brigadas móveis, levar serviços de imunização, tratamento da
desnutrição, atendimento a grávidas, tratamento de doenças diarreicas e
malária, a nível de comunidades que mais necessitam.”
Dados do inquérito demográfico de saúde, IDS 2022,
indicam que o atraso de crescimento é o problema de nutrição mais
significativo, afetando mais de 2 milhões de crianças moçambicanas anualmente.
Estima-se que 100 mil crianças com menos de cinco anos
necessitam de tratamento para a desnutrição aguda grave. Em 2025, as províncias
de Niassa, Nampula e Cabo Delgado registaram 47 mil casos de desnutrição nos
últimos 12 meses.
Zonas prioritárias
A especialista em Nutrição da Unicef Moçambique destaca
as zonas prioritárias face ao plano de contingência.
“Nós temos 15 mil crianças em risco de morte, mas sabemos
que pelo menos 100 mil vão precisar de tratamento. O plano de contingência é a
repriorização dos nossos recursos, estão muito escassos. Nós só temos
capacidade neste momento para apoiar 20% dos casos que precisam de tratamento.
Vamos priorizar as zonas mais afetadas. Em Cabo Delgado sete distritos, Nampula
seriam quatro e Niassa apenas três. Mas sabemos que outras partes de cada uma
destas províncias vão precisar desse apoio.”
Baldé afirma que investir no combate à desnutrição
contribui para não deixar ninguém para trás, assim como, garante que Moçambique
alcance as metas do desenvolvimento sustentável, ODS.
“Estimativas do Banco Mundial indicam que cada dólar que
Moçambique investe no combate na desnutrição vai gerar pelo menos US$ 23 de
retorno ao investimento. E é por isso que nos achamos que combater a
desnutrição, prevenir mortes infantis evitáveis devido a desnutrição é uma das
principais estratégias que podem garantir que Moçambique alcance as metas do
desenvolvimento sustentável.”
Pobreza, insegurança alimentar e choques climáticos
Moçambique enfrenta um dos mais graves casos de
desnutrição na África Subsaariana. A
pobreza, a insegurança alimentar, os choques climáticos, o acesso limitado aos
serviços de saúde e saneamento são algumas das causas consideradas profundas.
Para Fanceni Baldé, a desnutrição contribui também para o
aumento da mortalidade infantil no país.
“A desnutrição contribui com um terço de todas as mortes
em Moçambique. Quer dizer uma criança com malária, por exemplo, se tiver
desnutrição tem muito mais risco de morrer por causa dessa condição que está em
baixo.
No ano passado morreram cerca de 300 crianças nas
unidades de saúde por desnutrição, mas estimamos que este número não seja a
realidade, tendo em conta que muitas das crianças que morrem por causas
evitáveis como é o caso da malária, o sarampo ou até da cólera. O que lhe está
a causar esse aumento da mortalidade é mesmo a desnutrição, a falta de
alimentos.”
A Unicef trabalha em parceria com governo e outras
entidades para fortalecer a resiliência de crianças e jovens diante dos
desafios climáticos e hídricos.
A acão envolve a proteção das crianças por meio da melhoria de serviços essenciais, do desenvolvimento de habilidades para adaptação e a garantia de que elas sejam priorizadas na alocação de recursos financeiros e materiais relacionados a iniciativas climáticas. Ouri Pota – Moçambique ONU News
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