Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Faria e Silva Editora. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Faria e Silva Editora. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Uma obra-prima à altura de Machado de Assis

Livro de Lourenço Cazarré premiado em Portugal ganha edição brasileira

                                                                                     

                                                          I

Depois de publicar Contos pelotenses (Florianópolis, Editora Insular), Lourenço Cazarré, ainda em 2025, lançou Breve memória de Simeão Boa Morte e outros contos poéticos (Rio de Janeiro, Faria e Silva Editora), obra que já havia sido publicada em Portugal em 2024 pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, dentro da Coleção Comunidades Portuguesas, mas, desta, vez com dois contos inéditos que não constam da edição portuguesa.

A obra foi a vencedora em 2023 da 5ª edição do Prêmio Imprensa Nacional/Ferreira de Castro, que procura distinguir portugueses e lusodescendentes residentes no estrangeiro e que contou com a participação de 69 candidaturas provenientes do Brasil, Bélgica, Reino Unido, Estados Unidos, Cabo Verde, França, Irlanda, Suíça, Espanha, Canadá, Sri Lanka e Portugal.

São contos de grande mestria, que têm como tema comum a literatura e nos quais o autor usa o humor, a ironia e a imaginação com talento indiscutível. Mas o texto que se destaca, por sua engenhosidade, é aquele que dá título à obra e que encerra o volume, uma novela de 80 páginas em que um personagem do conto “O alienista” (1882), de Machado de Assis (1839-1908), revoltado contra as “mentiras” que o grande escritor brasileiro teria assacado contra sua memória, procura impiedosamente castigar e menosprezar a obra machadiana.

Como se lê ao final da novela, esse Simeão Boa Morte seria um médico psiquiátrico, que cedo se retirou da profissão e tornou-se empresário, jornalista e dramaturgo amador. Ao falecer, teria deixado inédita uma monografia com a qual pretendia demonstrar que Machado de Assis, ao escrever “O alienista”, teria se utilizado de histórias contadas por ele para um jovem poeta gaúcho, Artur Gentil Cortês, que teria servido de modelo para o chamado Bruxo do Cosme Velho criar Elisário, protagonista do conto “Um erradio”, publicado em 1894 na revista A Estação, do Rio de Janeiro, e incluído no livro Páginas recolhidas (1899). O autor diz ainda que teria descoberto a memória de Simeão Boa Morte ao final de 1989, quando pesquisava para escrever sua tese de doutoramento em Letras.

O citado autor se diz revoltado porque, segundo disse, “quase nada do que consta do referido escrito deu-se de fato”, ou seja, “quase tudo que ali está consignado ocorreu, sim, mas de modo completamente inverso”.  Eis o que o personagem diz do grande autor, fundador da Academia Brasileira de Letras: “É um profissional da fabricação de aforismos, máximas, ditirambos, rifões, ditérios e adágios. E adora citações bíblicas, mitológicas ou tiradas de livros ilegíveis, como os produzidos por alemães e russos. Opera sempre com a corrosiva e venenosa malícia dos intelectuais acanhados”. (pág. 101).

 

                                                 II   

Para o crítico literário André Seffrin, autor do texto de apresentação, “Breve memória de Simeão Boa Morte” constitui uma “impagável obra-prima e como novela burlesca atinge os cimos machadianos, uma imensa resposta, e à altura desses mesmos cimos”. Para Seffrin, “essa última história até o próprio Machado de Assis, gaiatamente, assinaria”.

Até porque, acrescentamos nós, Cazarré procura fazer, através da paródia, uma imitação burlesca do estilo machadiano, uma forma de arte que ridiculariza obras, estilos ou personagens sérios através do exagero e do deboche. Enfim, com ironia e distorção, cria um humor satírico, transformando o tom original em algo cômico, frívolo ou grotesco.

Já para Luís Filipe Castro Mendes, diplomata e ex-ministro da Cultura de Portugal (2016-2018), que fez parte da comissão que atribuiu o prêmio ao autor, esta novela constitui uma obra notável no seu jogo irônico, em que se reconhece um invulgar conhecimento da literatura, das suas glórias e dos seus alçapões. “Paradoxalmente, é uma grande e inovadora homenagem ao seu mestre, Machado de Assis”, conclui.

                   

                                                III

Outros dois contos igualmente têm como interlocutores escritores de nomeada na Literatura Brasileira. É o caso daquele que abre o volume, “Um vate de incomensurável acuidade e furor”, em que o protagonista é o romancista Graciliano Ramos (1892-1953), que, numa reunião pouco atraente de leitura de poemas, mostra-se enfadado e “aperreado”, sem disfarçar o olhar “caceteado”.

No conto seguinte, “O último trem da infância”, um velho engenheiro conta como recebeu do poeta e matemático pernambucano Joaquim Cardozo (1897-1978), que seria “vastíssimo poliglota, leitor voraz, vate certeiro e matemático da estirpe de Euclides e Newton”, uma espécie de esboço do que seria depois um dos grandes poemas brasileiros, “Visão do último trem subindo ao céu”.

Já em “Discurso da mãe do goleirinho”, conto mais extenso, de 26 páginas, uma jovem poetisa, recorrendo à técnica do cordel, reconstitui a vida do seu pai, que não chegou a conhecer, a partir das lembranças da avó, com quem fora morar em Porto Alegre, já à época de seus estudos universitários, uma senhora “viúva desde os 60 anos e que aos 70 perdera o filho querido”.

No conto “Um magnífico espetáculo de aviltante bajulação”, acompanha-se a história do sacrifício de uma cadela chamada Pirata que acabaria por comover toda uma família e, inclusive, levar um filho pequeno a testemunhar a cena do pai vertendo lágrimas, apesar deste ter sido sempre considerado pessoa de coração duro. Por fim, no conto seguinte, “A cerimônia do adeus do Yokozuna Amoyama”, um menino conta sobre o dia em que seu avô o levou à cerimônia de despedida do maior lutador de sumô de todos os tempos.

 

                                                IV   

Nascido em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Lourenço Cazarré (1954) é descendente de portugueses de Cinfães que emigraram para o Brasil ao final do século XIX. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas em 1975. Depois de um breve período como operador de telex, trabalhou um ano como repórter na sucursal de Pelotas dos jornais Correio do Povo, Folha da Manhã e Folha da Tarde, que pertenciam à empresa Caldas Júnior, de Porto Alegre. Em junho de 1976, transferiu-se para Florianópolis, onde permaneceu por seis meses como repórter da sucursal local do grupo Caldas Júnior, antes de se transferir para a redação do jornal O Estado.

Como escritor passou a ser reconhecido depois que ganhou a 1ª Bienal Nestlé, em 1982, com o romance O calidoscópio e a ampulheta (1983), em que conta as desventuras de um ditador livremente inspirado em Getúlio Vargas (1882-1954). Em 1977, transferiu-se para o Distrito Federal, onde passou a trabalhar como redator do Jornal de Brasília.

Por essa época, já escrevia contos que publicava em jornais e revistas. Em 1979, começou a escrever Agosto, Sexta-Feira, Treze, seu primeiro romance, publicado em 1981. Depois de um retorno ao Rio Grande do Sul, estabelecendo-se na praia de Laranjal, na costa oeste da Lagoa dos Patos, onde viveu dos parcos recursos acumulados com os empregos e os prêmios literários conquistados, voltou a Brasília. Dessa época, são os contos da primeira edição de Enfeitiçados todos nós (São Paulo, Melhoramentos, 1984).

Em 1983, em Brasília, passou a trabalhar em uma assessoria de imprensa na Câmara dos Deputados. Em seguida, tendo sido aprovado em concurso para professor de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, retornou para Pelotas, mantendo-se em trânsito entre o Rio Grande de Sul e Santa Catarina por alguns meses, até desistir da carreira e transferir-se definitivamente para Brasília. Em 1987, exerceu por alguns meses a função de chefe de editoração da Editora da Universidade de Brasília (UnB), até que, em 1988, aprovado por concurso público, assumiu o cargo de redator no Senado Federal, onde trabalhou até se aposentar. Atualmente, é colaborador do jornal Correio Braziliense. Hoje, vive em Brasília.

Autor profícuo, Cazarré publicou mais de 40 livros, desde romances e coletâneas de contos a novelas juvenis, entre os quais se destacam o romance A longa migração do temível tubarão (2008), as novelas Nadando contra a morte (1998), Estava nascendo o dia em que conheceriam o mar (2011) e Os filhos do deserto combatem na solidão (2016), as coletâneas de contos A arte excêntrica dos goleiros (2004) e Exercícios espirituais para insônia e incerteza (2012) e as novelas juvenis Kandimba (2019), A fabulosa morte do professor de Português (2013) e Amor e guerra em Canudos (2021).

Em 2018, com Kzar, Alexander, o louco de Pelotas (Curitiba, Editora Paraná, 2018), venceu na categoria romance o Prêmio Paraná de Literatura, promovido pela Biblioteca Pública do Paraná. O romance premiado trata da paixão alucinada de um homem pela literatura. Em parceria com Pedro Almeida Vieira, publicou em fascículos, no site Página Um, a novela policial de humor A misteriosa morte de Miguela de Alcazar. Adelto Gonçalves - Brasil

______________________

Breve memória de Simeão Boa Morte e outros contos poéticos, de Lourenço Cazarré. Rio de Janeiro, Faria e Silva Editora, 176 páginas, R$ 48,90, 2025. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 244 páginas, 18 euros, 2024. E-mails: altabooks@altabooks.com.br incm@incm.pt Sites: www.altabooks.com.br www.incm.pt

__________________________

Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp)/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-Latas da Madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Robbin Laird, editor, 2024), publicado os Estados Unidos e na Inglaterra. E-mail: marilizadelto@uol.com.br


quarta-feira, 20 de julho de 2022

Iacyr Freitas: 40 anos de percurso literário

                                                                  I

Para comemorar o 40º aniversário de sua estreia literária, o poeta Iacyr Anderson Freitas (1963) acaba de lançar Os campos calcinados (São Paulo, Faria e Silva Editora, 2022), que reúne toda a sua produção lírica escrita após o seu livro anterior, Estação das Clínicas (2016), além de poemas que até então figuravam apenas em periódicos nacionais e estrangeiros. A exemplo de obras anteriores, os poemas do novo livro trazem a cáustica ironia e o sentimento de perda que são características marcantes do seu itinerário literário.

Dividida em cinco partes bem distintas – “O cerol no ouvido”, “Menos café que cicuta”, “Perder um país”, “Este mínimo infinito: breviário” e “Limão Capeta” –, a obra traz peças que fundem o pictórico com o sonoro, expressando o sentimento do poeta em imagens que valem por si mesmas. O poema “A derradeira”, que consta da terceira parte, é um bom exemplo disso: “a manhã curvou seus sinos aos escolhidos / : tu estavas dormindo / veio silenciosa / brindar os passantes / com a última rosa / branca enorme esplendorosa / a última / a derradeira rosa / a manhã curvou seus sinos / sobre o sono dos vencidos / era domingo / adeus vida que não veio / vento que acende os aceiros / adeus amores de outrora / vela que se queimou no vime dos veleiros / : a manhã devora / a última rosa”.

A imagem que se desprende da frase “a vida que não veio”, de certo modo, repete-se em “Abaixo, no lugar de rancor, use a palavra amor”, poema que consta da primeira parte, pois traz o mesmo sentimento que evoca um poema de Manuel Bandeira (1886-1968), “Pneumotórax”, que fala de “uma vida inteira que podia ter sido e que não foi”. Segue o poema: “nada como um rancor não correspondido / no lugar da dor / o olvido / nenhum remorso / nenhum ódio ressentido / nenhuma palavra / como navalha / no ouvido / somente o vazio o vazio infinito / do que não foi / vivido”.

 

                                                                   II

Considerado pelo escritor e jornalista Luiz Ruffato um dos maiores poetas vivos da língua portuguesa e o maior nome de sua geração, Iacyr Anderson Freitas, que também já foi apontado pelo poeta e ensaísta Alexei Bueno como um dos grandes representantes de lírica brasileira, sabe como dar a seus versos um ritmo sinfônico, sem deixar de se dirigir ao intelecto de seus leitores, utilizando-se da metáfora para produzir a emoção estética.

Ou seja, como observou outro poeta de sua geração, o ficcionista, ensaísta, professor e pesquisador da cultura e da religiosidade afro-brasileiras Edimilson de Almeida Pereira, a poética iacyriana consiste em reconstruir – com pensamentos e afetos – os lugares onde a hipótese de reconstrução se desvaneceu. “Por isso, o poeta vem a ser mestre de si mesmo, hierofante de uma mitologia fragmentária e profundamente apelativa”, diz Pereira.

Sem ostensividade, o poeta sabe também ser extremamente político e radical na defesa dos princípios democráticos, ao condenar por extensão métodos totalitários que, nos últimos anos, no Brasil, têm conquistado muitos corações (e cérebros) desavisados, como se pode ver no poema em homenagem ao psicólogo austríaco e judeu Viktor Frankl (1905-1997), autor de Em busca do sentido (1946), em que este descreve a sua experiência dramática e a de sua família em quatro campos de concentração nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

No poema, são citados os nomes daqueles campos de concentração, que funcionam aqui como uma metáfora, ou seja, “uma transposição fundada na abstração e na semelhança”, para se repetir uma citação do crítico alemão Hedwig Konrad (1888-1966) que consta de Étude sur la métaphore (1958), p. 38, e reproduzida por Massaud Moisés (1928-2018) em A criação literária: poesia (2003).

É deste poema que também sai o título do livro, numa referência a campos queimados, transformados em cinzas, tal como ocorre hoje na Amazônia, por aqueles que defendem ideais autoritários, praticam o terrorismo de Estado e defendem interesses que se opõem aos anseios da coletividade. Segue o poema: “são vastos os campos para o plantio / mas eu conheci glebas estéreis / terras que se extraviaram de seus rios / terras em que uma só flor exigia o sangue e o viço / de mil novilhos / léguas e léguas de lavras / onde para cada árvore / um só homem deveria alimentar / cem cadáveres / theresienstadt / auschwitz / kaufering / türkheim / campos calcinados / onde os melhores frutos / são furtos / ou traem”. 

Outro poema em que se constata metaforicamente o registro da história recente do Brasil é “Golpe 2016” que alude ao ato parlamentar que depôs naquele ano a presidente eleita para preparar a ascensão de representantes da direita autoritária: “eu estava no hotel / em Lima / três andares acima / deram-me a notícia / : de novo a política / a serviço da sevícia / eu em Lima / três andares acima / agarrei com força o passaporte / (que fiz meu deus que fiz?) / sim    eu ainda tinha / o passaporte / : perdera apenas meu país”.


              III

Iacyr Anderson Freitas, nascido em Patrocínio do Muriaé, no Estado de Minas Gerais, é engenheiro civil e mestre em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)-MG. Fez sua estreia na poesia em 1982, com a obra Verso e palavra. Desde então, publicou mais de vinte livros, tendo afirmado sua voz no cenário do Brasil contemporâneo, já com várias premiações, inclusive no exterior. Está presente em mais de 20 antologias publicadas no Brasil e no exterior, incluindo Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Espanha, França, Itália, Malta e Portugal.  

Com Quaradouro (2007), foi semifinalista do Prêmio Portugal Telecom), e com Viavária (2010), primeiro lugar no Prêmio Literário Nacional do PEN Clube do Brasil. Além dessas, publicou mais três obras de poesia: Messe e Lázaro, ambos vencedoras do Concurso Nacional de Literatura da Cidade de Belo Horizonte, e Terra além mar, antologia publicada em Portugal.   

Publicou três livros de ensaio literário: Heidegger e a origem da arte (1993), Quatro estudos (1998) e As perdas luminosas: uma análise da poesia de Ruy Espinheira Filho (2001). E dois livros de ficção: O artista e a cidade (2000), álbum comemorativo dos 150 anos de emancipação política de Juiz de Fora, e Trinca dos traídos (2003), que obteve a menção especial no Prêmio Literário Casas de las Américas, em Cuba, sendo também incluído na lista de obras literárias de leitura obrigatória para os vestibulandos da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

De 2013, é Ar de arestas (São Paulo/Juiz de Fora, Escrituras Editora/Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), finalista do Prêmio Jabuti e semifinalista do Prêmio Portugal Telecom. Publicou ainda três livros de poemas para o público infanto-juvenil. Reside em Juiz de Fora. Adelto Gonçalves - Brasil

______________________________

Os campos calcinados de Iacyr Anderson Freitas. São Paulo: Faria e Silva Editora, 226 páginas, R$ 62,00, 2022. Site: fariaesilva.com.br E-mails: contato@fariaesilva.com.br iacyrand@yahoo.com.br iacyrand@gmail.com

______________________________________________ 

Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br