Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 27 de junho de 2026

Angola - Cátedra UNESCO desafia ensino superior a produzir mais ciência

A funcionar desde o dia 8 de junho, a iniciativa surge como um instrumento para reforçar a investigação, modernizar o acesso ao conhecimento e aproximar o ensino superior angolano dos padrões internacionais. O sucesso dependerá agora da adesão efectiva das instituições académicas


Instalada na Universidade Óscar Ribas (UÓR). Trata-se de um instrumento de cooperação internacional destinado a fortalecer a investigação científica, melhorar a circulação do conhecimento e aumentar a qualidade do ensino superior no País.

A adesão de Angola ao programa UNITWIN/UNESCO, que suporta a criação destas cátedras, começou ainda em 2019, quando o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), em parceria com instituições académicas nacionais e organismos internacionais, iniciou um diagnóstico sobre o estado da ciência aberta no País. O trabalho culminou com a aprovação da proposta angolana em 2021.

Desde então, o projecto passou por várias fases de consolidação institucional. Entre 2022 e 2024 foram desenvolvidos os instrumentos estruturantes da iniciativa, incluindo a Política Nacional de Ciência Aberta, o Repositório Nacional de Acesso Aberto (RaNAA) e os mecanismos de integração das bibliotecas virtuais universitárias.

O objectivo é criar uma infraestrutura nacional que permita armazenar, partilhar e disseminar gratuitamente artigos científicos, teses, estudos e outros conteúdos produzidos pelas instituições de ensino superior e centros de investigação do País.

A lógica seguida pela UNESCO mostra que antes de internacionalizar a produção científica, é necessário organizar e fortalecer o ecossistema nacional de conhecimento. Por isso, a prioridade inicial passa pela criação de uma rede nacional de ensino e investigação capaz de interligar universidades, centros de pesquisa, revistas científicas e bibliotecas digitais. Só depois estarão reunidas as condições para uma participação plena nas grandes redes internacionais de investigação e nos repositórios científicos globais.

Uma das questões que tem gerado alguma confusão pública é a associação da Cátedra UNESCO ao projecto da futura Universidade Virtual de Angola (UVA). Embora ambos utilizem ferramentas digitais, trata-se de iniciativas completamente distintas.

A Universidade Virtual de Angola é um projecto de ensino à distância que pretende disponibilizar cursos superiores através de plataformas online e que continua dependente de enquadramento legal próprio e de financiamento para a sua implementação. Já a Cátedra UNESCO de Ciência Aberta não é uma universidade nem atribui graus académicos. A sua função consiste em promover investigação, formação especializada, cooperação científica, produção de conhecimento e articulação entre instituições nacionais e internacionais.

Na prática, funcionará como uma plataforma de excelência dedicada à organização de seminários, conferências, programas de capacitação, cursos de curta duração, produção de estudos e apoio à formulação de políticas públicas baseadas em evidência científica... Adriano Kayunduma – Angola in “Expansão”


sábado, 28 de junho de 2025

Angola - Repositório científico não funciona por falta de domínio na internet

Instituições de ensino superior, académicos e investigadores estão limitados em utilizar o Repositório Angolano de Acesso Aberto (RANAA) por falta de um domínio na internet. A responsabilidade de criar o domínio é do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI)



Passado um ano desde que o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESTA) lançou o Repositório Angolano de Acesso Aberto (RANAA) para armazenar de forma permanente, organizar, divulgar e disseminar a produção científica produzida no País, este ainda não está a funcionar por falta de um domínio. Um domínio na internet é apenas um nome que identifica e localiza um site ou endereço na rede, entretanto como este não existe, os investigadores e instituições estão impedidos de publicarem ou pesquisarem qualquer artigo dentro do repositório.

"Depois do lançamento formal, o ministério tinha que actualizar o que permitiria todas as instituições povoar, ou seja, lançar formalmente os artigos. Mas este está atrasado, por falta mesmo deste domínio", explica uma fonte que esteve presente no período de criação do repositório.

O também académico sublinhou ainda que as instituições estão com os artigos para serem publicados, mas não o conseguem por não existir qualquer domínio. "Há interesse por parte das instituições e investigadores.

Também estamos a trabalhar para que existam mais conferências, mais workshops, para alertar a comunidade académica sobre a necessidade de colocar a produção científica no repositório, já que vai ser um meio credível para que se fale da ciência com base no que consta no repositório nacional com acesso aberto.

Além dessa perspectiva, estamos a trabalhar com a UNESCO, no sentido de se criar uma cátedra de ciência aberta a nível do País, que também vai impulsionar bastante essa questão". Por outro lado, António Pedro, investigador e professor universitário lamentou o facto de o repositório não estar a funcionar depois de um ano do seu lançamento, numa altura em que todas as expectativas estavam em alta.

"Não se percebe como é que o ministério faz o lançamento e pronto! Sem se preocupar com a sua funcionalidade. Só foi feito para o "inglês ver" e não com o verdadeiro interesse de termos um repositório, porque a falta de domínio não devia se constituir um problema, pois há inúmeros engenheiros informáticos que podem resolver essa questão", lamenta.

Recorde-se que o repositório foi financiado pela Expatries Frange. Na prática, o objectivo do repositório é garantir o acesso gratuito ao conteúdo, integral ou parcial, da produção intelectual desenvolvida pelas Instituições de ensino superior, docentes, investigadores e estudantes em Angola e na diáspora.

Numa altura em que o plágio tem sido uma das grandes preocupações da comunidade académica, "este repositório vai prevenir o plágio em trabalhos académicos e científicos, vai integrar investigadores angolanos e as suas respectivas pesquisas numa base de dados de acesso aberto, reduzir a ambiguidade na citação de investigadores/autores angolanos e, sobretudo, vai preservar a memória intelectual do País".

Quanto ao tipo de documentos que poderão ser arquivados contam-se os artigos científicos, relatórios técnicos, revistas científicas digitais e impressas, livros científicos e académicos, teses e dissertações de mestrado, códigos de software, fichas de dados bibliográficos, imagens, arquivos de áudio, arquivos de vídeos, material didáctico, entre outros conteúdos.

De acordo com as directrizes de funcionamento do RANAA, o processo de arquivamento ocorre na medida em que o próprio autor do artigo, dissertação, tese, entre outros, faz a submissão no RANAA e este arquivamento só será possível quando o trabalho estiver concluído e defendido (no caso de trabalhos de conclusão), ou publicado (no caso de artigos e livros). Alexandre Lourenço – Angola in “Expansão”