Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 12 de abril de 2026

Luxemburgo - Arquivos Nacionais do Luxemburgo estão a ser modernizados com tecnologia portuguesa

Os Arquivos Nacionais do Luxemburgo contam agora com uma nova plataforma digital desenvolvida pela portuguesa Keep Solutions, uma tecnológica com origem na Universidade do Minho


O novo portal vê modernizado o acesso ao património documental do grão-ducado, permitindo a consulta online de 311 fundos e coleções que totalizam cerca de 30 mil documentos digitalizados, de acordo com nota enviada pela empresa ao Bom Dia.

O novo sistema, assegura a tecnológica, substitui a antiga ferramenta de pesquisa, designada “Query”, e utiliza o “software” Archeevo, uma solução criada em Braga.

A plataforma foi concebida para servir investigadores e público em geral, facilitando a localização de registos paroquiais e civis para fins de genealogia, contratos notariais, mapas, fotografias e espólios audiovisuais.

Entre os documentos disponíveis encontram-se também registos históricos relativos aos períodos de ocupação durante as Guerras Mundiais.

Este projeto, que teve início em 2022, reforça o percurso de internacionalização da Keep Solutions na área da gestão e preservação de património digital. Fundada em 2008 por docentes e antigos alunos da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, a empresa tem expandido a sua atividade para diversas instituições europeias, colaborando com os arquivos nacionais da Estónia e da Dinamarca, com a Polícia da Suécia e com a Comissão Europeia.

Em Portugal, a tecnológica foi responsável pelo desenvolvimento de plataformas estruturantes, como o Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) e o Portal Português de Arquivos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 18 de março de 2026

Internacional - Projeto Europeu REENFORCE impulsiona Agricultura Sustentável e Inovação em Coimbra

O setor agrícola europeu enfrenta o desafio crítico de conciliar a eficiência produtiva com a preservação da biodiversidade e a redução do impacto ambiental. Para responder a esta urgência, Portugal integra o consórcio internacional do projeto REENFORCE, uma iniciativa apoiada pelo programa Horizon Europe da União Europeia.


O projeto REENFORCE foca-se no desenvolvimento de soluções de baixo risco e base biológica para a proteção de culturas, utilizando técnicas de pulverização inteligentes e tecnologia de precisão para minimizar o uso de fitofarmacêuticos convencionais. Coordenado pela Agricultural University of Athens, o consórcio reúne instituições de referência da Grécia, Portugal e Bélgica.

A Clover Strategy, empresa sediada na Incubadora do Instituto Pedro Nunes (IPN), assume um papel central nesta parceria. Sendo a única empresa em Portugal com o reconhecimento de Boas Práticas de Laboratório para estudos de toxicidade ambiental em organismos terrestres e aquáticos, a Clover Strategy reforçará a sua capacidade científica através deste projeto.

Até 2029, a empresa participará num ambicioso programa de intercâmbio, prevendo o envio de colaboradores para missões na Bélgica e Grécia, e o acolhimento de especialistas nas suas instalações em Coimbra.

O REENFORCE assenta num modelo de destacamentos temporários entre os parceiros, visando: troca de conhecimento: promover a colaboração direta entre universidades e empresas; formação especializada: capacitação em gestão de I&D e competências científicas; e empregabilidade: reforçar a carreira dos investigadores e a ligação entre a academia e a indústria.

"O projeto REENFORCE é apoiado pelo programa Horizon Europe da União Europeia, no âmbito da ação HORIZON-WIDERA-2024-TALENTS-03". Esta iniciativa reforça a transição da Europa para uma bioeconomia resiliente e competitiva, posicionando Coimbra e o ecossistema do IPN na vanguarda da inovação tecnológica aplicada à sustentabilidade.

Sobre a Clover Strategy: Sediada na Incubadora do Instituto Pedro Nunes (IPN), a Clover Strategy é especialista em serviços de ecotoxicologia e avaliação de risco ambiental, detendo certificações únicas no mercado nacional para estudos de toxicidade em diversos organismos. Instituto Pedro Nunes - Portugal


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Macau - Três estátuas das Ruínas de São Paulo restauradas “com êxito”

O Instituto Cultural anunciou a reabertura do Museu de Arte, da Cripta e da exposição de realidade virtual, depois de ter sido concluída “com êxito” a segunda fase dos trabalhos de restauro das estátuas da fachada das Ruínas de São Paulo. O arranque e a conclusão da terceira e última fase estão agendados para este ano


O Centro de Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau concluiu “com êxito” a segunda fase dos trabalhos de restauro e manutenção, que envolveu três estátuas, incluindo duas de bronze e uma de Jesus Cristo, no segundo e quarto nível das Ruínas de São Paulo, respectivamente. A nota de imprensa do Instituto Cultural refere que o Museu de Arte Sacra, a Cripta e a exposição de realidade virtual localizados atrás da fachada já reabriram ao público.

Recorde-se que, no último ano, o Centro de Preservação iniciou os trabalhos de restauro e manutenção das sete estátuas de bronze na fachada das Ruínas, sob as operações de uma equipa composta por especialistas em conservação de metais, internacionais e do Museu do Palácio, entre outros profissionais de instituições de ensino superior.

A primeira fase, relativa à estátua da Virgem Maria e outras duas de bronze do segundo nível, foi concluída no ano passado. O IC prevê que a terceira fase, respeitante aos trabalhos de restauro da estátua da Pomba no nível superior, seja concluída ainda este ano.

No mês passado, King Hong Ip, professora de investigação da Universidade de Macau, vincou que a intervenção na estátua da pomba necessita de uma avaliação sobre a segurança pública efectuada por engenheiros estruturais, por se encontrar num estado “relativamente mau” e num local alto. Referiu também que esta fase “exige uma investigação profunda por parte de peritos em metais metálicos sobre a compatibilidade entre os materiais originais e os de restauro, no sentido de evitar danos secundários”.

A propósito do simpósio, a presidente do IC, Leong Wai Man, sublinhou então que “ao salvaguardar este património emblemático, testemunha secular do diálogo entre o Oriente e o Ocidente, o Centro pretende promover a partilha de técnicas de restauro entre a tradição e a modernidade, conferindo um novo significado contemporâneo à transmissão das civilizações”.

Em relação ao restauro das Ruínas, o IC explica que “no plano, foram devidamente considerados factores como a época dos tufões, a segurança no local de trabalho, os períodos de pico turístico e os principais eventos”.

Anteriormente, o organismo clarificou que o longo período de exposição ao sol e à chuva e o envelhecimento natural tornaram necessários a manutenção e restauro adequados das estátuas de bronze e das suas bases de pedra. Nesse sentido, assegurou que iria proceder às obras seguindo de forma rigorosa os requisitos internacionais de preservação e restauro do património cultural e monumentos e tendo por base os princípios de autenticidade, integridade, intervenção mínima e reversibilidade. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Angola – Cidade de Huambo vai contar com uma Avenida da Cultura

A cidade do Huambo contará, a partir de amanhã, 8 de Janeiro, com uma Avenida da Cultura, um espaço que vai contribuir para a promoção, preservação e valorização da identidade cultural da província.


A informação consta de uma publicação na página do Governo Provincial.

Segundo as informações, o acto de descerramento da placa que atribui a nova designação marca a institucionalização de um troço com cerca de 900 metros, compreendido entre o Largo Doutor António Agostinho Neto e o cruzamento junto ao Centro Cultural do Huambo, nas imediações da antiga Casa Azul.

De acordo com o director do Gabinete Provincial da Cultura e Turismo, Jeremias Piedade, a Avenida Norton de Matos manterá a sua denominação no segmento que vai da antiga Casa Azul até à entrada das imediações da Floresta do Sacala, enquanto o troço que liga dois importantes marcos históricos passará a chamar-se Avenida da Cultura.

A iniciativa visa unir espaços de elevado simbolismo histórico e cultural, nomeadamente o Largo Doutor António Agostinho Neto, classificado como Património Histórico e Cultural Nacional, e o Centro Cultural do Huambo, o primeiro e até ao momento único equipamento do género no país.

O projecto prevê a transformação da avenida num espaço cultural dinâmico, com gravuras nas calçadas, grafites temáticos, feiras culturais e outros elementos representativos da cultura ovimbundu, promovendo a identidade e a diversidade cultural da região.

Segundo Jeremias Piedade, numa primeira fase será feita a institucionalização da via, no âmbito das celebrações do Dia da Cultura Nacional e posteriormente a implementação de intervenções artísticas e culturais que tornarão o espaço mais vivo e atrativo.

Com a criação da Avenida da Cultura, o Huambo reforça o seu compromisso com a valorização do património cultural, passando a contar com um espaço urbano dedicado à expressão da história, da arte e das tradições locais.

De realçar que, ainda no âmbito das celebrações do Dia da Cultura Nacional, que este ano decorre sob o lema “Cultura Nacional – Identidade, União e Crescimento Sustentável”, será realizada uma conferência sobre a cultura e os desafios da modernidade. In “O País” - Angola


sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Cabo Verde - “A requalificação urbana e ambiental da Cidade Velha irá garantir melhor qualidade de vida à população”, afirma ministro da Cultura

O Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga esteve de visita esta quarta-feira, 17, às obras de reabilitação do Complexo da Misericórdia, sito na Cidade Velha, acompanhado do Cardeal Dom Arlindo Furtado


As intervenções enquadram-se no projecto de requalificação urbana e ambiental da Cidade Velha – Património Mundial, e é uma iniciativa que contempla, entre outras acções, a requalificação urbanística do bairro, a melhoria do percurso pedonal que liga os dois principais monumentos religiosos, a instalação de sinalização e interpretação patrimonial, iluminação estética e paisagística, bem como a criação de infraestruturas de lazer para a comunidade, incluindo um parque infantil.

Augusto Veiga disse que estão a decorrer as intervenções de requalificação da componente urbana da Cidade Velha, com o objectivo central de melhorar a qualidade de vida da população local.

O governante sublinhou que a comunidade está directamente envolvida e integrada nas acções em curso.

“A requalificação irá melhorar significativamente a circulação na Cidade Velha, criando melhores condições de mobilidade e potenciando benefícios para o desenvolvimento do turismo”, destaca.

Por sua vez, o Cardeal Dom Arlindo Furtado mostrou-se satisfeito com o progresso das obras.

“Fiquei muito bem impressionado com o que vi. A Cidade Velha encerra ainda muito por descobrir. É fundamental preservar aquilo que os nossos antepassados construíram, mas também pensar no que podemos acrescentar para gerar valor para o futuro e para as novas gerações”, afirmou.

As intervenções em curso na Cidade Velha contam com financiamento do Governo de Cabo Verde, através do Banco Mundial, no âmbito do Projecto Turismo Resiliente e Desenvolvimento da Economia Azul, e do Fundo do Turismo.

No total, está previsto um investimento global superior a 300 mil contos, distribuído por oito projectos destinados à valorização e preservação do sítio histórico. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Guiné Equatorial – Presidente da República participa numa conferência da CPLP sobre a crise política na Guiné-Bissau

Os chefes de Estado e de Governo dos países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa analisaram a situação política na Guiné-Bissau após o golpe de Estado de 26 de novembro e reiteraram a sua rejeição ao colapso da ordem constitucional


Os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) realizaram uma teleconferência na terça-feira, 16 de dezembro, para abordar a crise política e institucional na Guiné-Bissau, que teve origem após o golpe de Estado de 26 de novembro.

A reunião contou com a presença dos chefes de Estado e de governo de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, países membros da organização.

O Presidente da República da Guiné Equatorial, Obiang Nguema Mbasogo, concordou com os seus homólogos sobre a necessidade de preservar o firme compromisso com os valores fundamentais da paz, da democracia e do Estado de Direito, bem como o respeito pelos direitos humanos e pelos estatutos da CPLP, assinados por todos os Estados-membros.

Durante a conferência, os chefes de Estado expressaram a sua profunda preocupação com a evolução da situação política na Guiné-Bissau e condenaram veementemente a interrupção do processo eleitoral, considerando esse facto uma grave violação dos princípios democráticos e da vontade soberana do povo guineense.

Tal como a CEDEAO, a CPLP exigiu o restabelecimento da ordem constitucional e a reconstrução nacional como condições essenciais para garantir a paz, a estabilidade e o desenvolvimento no país. Exigiu também a libertação imediata e incondicional de todos os detidos no contexto da atual crise política.

Os Chefes de Estado acolheram com satisfação o comunicado final da 17.ª Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP, realizada em 5 de dezembro em Luanda, e tomaram nota da decisão de enviar uma missão de alto nível à Guiné-Bissau num futuro próximo.

Durante a cúpula extraordinária, também foi feita referência ao comunicado do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, adotado na sua 1315.ª sessão, que encarrega a Comissão da União Africana, em coordenação com a CEDEAO, a CPLP e parceiros internacionais, de prestar apoio à Guiné-Bissau para garantir um rápido retorno à ordem constitucional.

Por fim, a reunião de chefes de Estado ratificou as resoluções do Conselho de Ministros de 5 de dezembro, que estipulam a suspensão da Guiné-Bissau de todas as atividades da CPLP até ao restabelecimento da ordem constitucional, bem como a obrigação de transferir a presidência da organização para outro Estado-membro. Nesse contexto, Timor-Leste foi designado para assumir a presidência provisória da CPLP. Catalina Nchama – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


domingo, 19 de outubro de 2025

Guiné Equatorial - UNESCO realiza inventário piloto de danças tradicionais em Malabo

Uma comissão nacional do Fundo de Património de Emergência desta entidade está de visita à Ilha de Bioko para identificar e preservar as expressões culturais da Guiné Equatorial


Uma comissão nacional do Fundo de Emergência para o Património da UNESCO iniciou trabalho de campo esta semana em Malabo para inventariar as expressões culturais de dança tradicional na Ilha de Bioko. A atividade dá continuidade a uma digressão anterior pela Região Continental e faz parte de um projeto para salvaguardar o património cultural do país.

O principal objetivo destas visitas, lideradas por Santiago Bivini Mangue, Secretário-Geral da UNESCO na Guiné Equatorial, é identificar os diferentes grupos de dança tradicionais, entender o seu significado e documentar as suas práticas, com o objetivo de preservar o património material e imaterial da nação.

A comissão é composta por Marina Calvo, formadora da UNESCO, Santiago Bivini e técnicos do Ministério da Informação, Imprensa e Cultura. Eles visitaram grupos de dança nos seus espaços de ensaio e apresentação para aprender diretamente com os artistas e avaliar as suas necessidades. Este trabalho permitirá a formulação de políticas de apoio à dança tradicional que garantam a sua continuidade e disseminação entre as novas gerações.

Durante o dia na cidade de Malabo, os membros da comissão visitaram o Centro Cultural da Guiné Equatorial e assistiram a ensaios de grupos como o Ballet Ceiba, o grupo Ebola Biche, da etnia Bubi — que significa "filhos da nação" — e o grupo Dadjhi Dance, da etnia Anobonesa. Estas atividades fazem parte de um inventário piloto que servirá de modelo para futuras ações de salvaguarda cultural em todo o país.

O projeto também procura promover a cultura local, gerar conhecimento sobre manifestações tradicionais e fortalecer a participação da comunidade na preservação do seu próprio património. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


sábado, 4 de outubro de 2025

São Tomé e Príncipe - Conceição Lima lança Alerta Cultural e propõe Programa Nacional

A Embaixadora da Cultura de São Tomé e Príncipe, Conceição Lima, manifestou profunda preocupação com o estado atual da cultura nacional, alertando para o risco iminente de extinção de diversas manifestações culturais e línguas autóctones, como o forro, o lunguié e o angolar, cuja ameaça representa uma perda animicamente existencial.

Amplamente reconhecida como São Lima, a jornalista, poetisa e docente universitária defende que a consciência sobre a urgência de valorizar e preservar o património cultural deve ser transversal a toda a sociedade santomense.

Sublinha, ainda, a necessidade de rever o papel da cultura como fator imprescindível da afirmação identitária de um povo e como motor de desenvolvimento.

Nesse sentido, propõe a implementação urgente de um programa nacional dedicado à transmissão dos valores culturais às novas gerações, com especial enfoque no sistema de ensino.

Na qualidade de Embaixadora da Cultura, Conceição Lima reafirma a sua total disponibilidade para servir a causa cultural, reconhecendo, contudo, que essa entrega não substitui o papel estruturante do Estado na promoção, preservação e valorização das expressões identitárias do povo santomense. José Bouças – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


sábado, 26 de abril de 2025

Estados Unidos da América - Luso-americanos alertam para risco de esquecimento do 25 de Abril

Cinquenta e um anos depois da revolução do 25 de Abril, luso-americanos que viveram a ditadura e emigraram para os Estados Unidos alertaram para a necessidade de preservar a memória e não deixar que as novas gerações se iludam

“Há uma tentativa de mitificar o salazarismo”, afirmou o professor Diniz Borges, num evento organizado pelo Instituto Português Além-Fronteiras, a que preside, na Universidade Estadual da Califórnia em Fresno.

“Tenho as memórias de uma terra pobre e triste”, contou, falando da sua origem numa pequena freguesia dos Açores, de onde saiu aos 10 anos.

No evento, intitulado “Revolução dos Cravos: Perspetivas de Portugueses na América”, o professor reformado José Luís da Silva considerou que há hoje uma “tentativa de limpar a imagem” de Salazar por certas franjas da sociedade.

“O tempo é perigoso, faz esquecer muita coisa e dourar o passado. Temos de evitar o saudosismo do antigo”, salientou. O vice-presidente da Luso-American Education Foundation lembrou que o regime usava o medo e o analfabetismo para controlar a população, e que em grande parte do país – incluindo a sua freguesia, Relva – não havia água canalizada nem eletricidade.

“Havia a Casa do Povo, a escola até à quarta classe e era isso”, apontou. “Era o regime do medo e do atraso com alguns avanços brandos, tudo muito pacato. Enquanto a Europa avançava, nós estávamos a marcar passo na Europa e no mundo”.

Também Anísio Correia, luso-americano que viveu a revolução em Portugal, apontou para o perigo da falta de memória e do ensino do que foi o regime ditatorial e como ele acabou.

“Tenho muito receio que as pessoas se esqueçam e comecem a idealizar um tempo horrível, antes da Revolução. E comecem a acreditar no que lhes dizem charlatães”, afirmou, realçando que há vozes que estão a crescer em influência e vendem uma visão do regime que não corresponde ao que realmente se passava.

Correia lembra que, nas primeiras eleições democráticas e livres em Portugal, a 25 de abril de 1975, foi atingido o recorde de participação de 91,7%, algo que é “impensável” hoje em qualquer democracia.

“Os problemas que agora surgem em Portugal são muito mais universais, são problemas e desafios à democracia que temos de ter em conta”, disse o consultor. “Espero que nós, como sobreviventes de uma época em que a democracia não existia, possamos dar o exemplo a quem não conheceu esse tempo”.

Ilídio Pereira, banqueiro que emigrou para os Estados Unidos em 1978, considerou que uma das maiores conquistas de Abril foi a eliminação da PIDE. “Ao ser extinta esta polícia de informação, tirou poder a quem a implantou e deu liberdade a quem a detestava”, apontou.

O movimento sindical que deu direitos aos trabalhadores e a liberdade de educação foram outros avanços importantes para o luso-americano, que se mostrou crítico da forma branda como a data tem sido assinalada na diáspora e até no país.

“Fico triste que haja autarquias em Portugal que não celebraram nada”, disse, referindo-se ao cancelamento de cerimónias devido à morte do Papa Francisco.

Pereira também notou que muitas associações portuguesas nos Estados Unidos preparam celebrações focadas na gastronomia, mas sem grandes referências ao 25 de Abril, algo que Diniz Borges confirmou.

“A falta de celebração do 25 de Abril pelo corpo diplomático português é assustadora”, afirmou o professor, reivindicando também maior atenção ao ensino de português na diáspora.

“Se Portugal tivesse investido no direito aos filhos dos imigrantes de aprenderem português, 50 anos mais tarde não tínhamos o problema que temos hoje”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 9 de março de 2025

Brasil - Preservando a cultura portuguesa: um legado de memórias e oportunidades para o setor privado

Em seu artigo, Luiz Filho explora como o setor privado pode desempenhar um papel crucial na manutenção e promoção da rica cultura portuguesa no Brasil, gerando valor tanto para as empresas quanto para a comunidade luso-brasileira



A ligação entre Brasil e Portugal vai muito além dos livros de história. É uma herança viva, presente no dia a dia de milhares de brasileiros, expressa na música, na gastronomia, nas festas populares e, principalmente, nas memórias e tradições das comunidades portuguesas espalhadas pelo país. Preservar essa cultura é mais do que um ato de saudosismo; é um investimento no futuro, um reconhecimento da contribuição dos imigrantes portugueses e de seus descendentes para a formação da identidade brasileira. E nesse cenário, o setor privado tem um papel fundamental a desempenhar.

Não se trata apenas de filantropia. Investir na cultura portuguesa é uma oportunidade estratégica para empresas que buscam se conectar com um público engajado, fortalecer sua marca e construir uma imagem positiva. Centros culturais, como a Casa de Portugal ou o Clube Português em São Paulo, ou o Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, são exemplos de instituições que preservam e difundem a cultura portuguesa, mas que precisam de apoio para ampliar seu alcance e impacto.

Os centros culturais, guardiões da memória luso-brasileira, são um terreno fértil para o investimento privado, indo além do apoio a eventos. Eles podem ser centros de pesquisa viva, onde a história da imigração é resgatada e celebrada. Imagine exposições interativas que combinem tecnologia e acervos históricos – cartas, fotografias, objetos – narrando a saga dos imigrantes. Empresas podem patrocinar espaços literários, com bibliotecas digitais, clubes de leitura e oficinas, que celebrem a riqueza e a diversidade da literatura em língua portuguesa, com um olhar especial para as conexões entre Brasil e Portugal, promovendo o diálogo entre autores e leitores dos dois países. Ou investir em estúdios para músicos de fado e outras expressões, fomentando a produção artística.

Sei que, para alguns, isso pode soar como um sonho distante, mas resgatar e valorizar nossa cultura, nossa história, é um investimento no presente e no futuro. Apoiar esses centros, com foco no legado e na produção artística, fortalece a identidade luso-brasileira e gera um impacto duradouro.

E por falar em memória, permitam-me uma breve lembrança pessoal. Como tantos de vocês, também carrego em mim a herança de Portugal. Meus avós vieram de Celorico da Beira, na região da Beira Alta, e, como muitos imigrantes, trouxeram consigo a alma da nossa cultura, ensinando aos filhos e netos o amor pela música, pela culinária e pela língua portuguesa. Essa história, que se repete em tantas famílias luso-brasileiras, é um patrimônio que nos une e que merece ser preservado. Ao apoiar projetos que registram e divulgam essas memórias, as empresas ajudam a manter viva a chama da nossa identidade, fortalecendo os laços que unem a comunidade portuguesa no Brasil.

A colaboração entre o setor privado, o governo e as comunidades portuguesas é a chave para criar um ecossistema vibrante de preservação e promoção da nossa cultura. Para além das tradicionais bolsas de estudo para intercâmbio – que são sempre bem-vindas –, as empresas podem ir muito além. Que tal, por exemplo, patrocinar um concurso que premie jovens luso-descendentes que apresentem projetos inovadores para a preservação da cultura portuguesa, seja através da arte, da tecnologia, da gastronomia ou de outras áreas? Ou, quem sabe, criar um aplicativo que use realidade aumentada para transportar os usuários para dentro de um azulejo português, revelando seus segredos e histórias?

O convite está feito. Empresas que desejam se conectar com um público apaixonado por suas raízes, construir uma imagem de responsabilidade social e contribuir para a preservação de um legado cultural valioso, têm na cultura portuguesa um campo fértil de oportunidades. Entre em contato com um centro cultural português, participe de um evento da comunidade, converse com descendentes de portugueses. Descubra como sua empresa pode fazer parte dessa história e ajudar a construir um futuro onde a cultura portuguesa continue a brilhar no Brasil. Luiz Filho – Brasil in “Mundo Lusíada”

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Luiz Filho - Publicitário, especialista em Negócios e Marketing, com 25 anos de experiência em definição de estratégias e métodos de comercialização para mercados B2B e B2C, análise de produtos, serviços e ações 360º. Atualmente, atua como Consultor On Demand, desenvolvendo ações inovadoras e estabelecendo parcerias comerciais, pela Wixi Marketing.


sábado, 11 de janeiro de 2025

Macaenses dispostos a ser pontes para trocas entre a China e os Países de Língua Portuguesa

Em Macau, uma terra onde o Oriente se encontra com o Ocidente, os macaenses, como um grupo único, carregam uma profunda herança histórica e cultural. Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, cujas raízes familiares remontam a meados do século XVIII em Macau, testemunhou as grandes mudanças da região desde o seu retorno à pátria.



“Nos últimos 25 anos, o sucesso do desenvolvimento socioeconómico tem sido notável. A nossa vida mudou também. Agora podemos ver a modernização em todos os aspectos da administração e infraestruturas. Com o apoio do Governo, a cultura da nossa comunidade macaense também foi preservada”, lembrou Miguel de Senna Fernandes.

“Preservar a nossa singularidade é preservar a singularidade de Macau”

Miguel de Senna Fernandes tem se dedicado à preservação da língua e cultura macaenses. Em 1993, foi um dos fundadores do grupo de teatro em Patuá Dóci Papiáçam di Macau. Desde então, Miguel de Senna Fernandes tem criado anualmente uma nova peça baseada no desenvolvimento social de Macau, apresentando-se em Patuá. Hoje, as suas peças são muito aguardadas no Festival de Artes de Macau.

Além de dramaturgo, Miguel de Senna Fernandes aventurou-se recentemente na escrita de romances portugueses e espera traduzir as suas obras para inglês e chinês no futuro e construir uma nova ponte para trocas culturais sino-portuguesas através da literatura.

Com o apoio do Governo de Macau, a Associação dos Macaenses organiza frequentemente festividades, apresentações teatrais e outras actividades culturais, fortalecendo a solidariedade comunitária e mostrando a riqueza multicultural de Macau ao mundo.

Miguel de Senna Fernandes acredita que preservar a cultura macaense não é apenas crucial para a comunidade, mas também tem um impacto profundo no desenvolvimento geral de Macau.

De acordo com Senna Fernandes, a cultura e a identidade não apenas os distinguem de outras comunidades, mas também moldam a paisagem cultural única de Macau como um lugar de fusão multicultural, facilitando as trocas entre Macau e outras regiões do mundo. “Esta é uma vantagem importante que Macau tem na competição com outras cidades na Grande Área da Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

A cultura pode facilitar as interacções entre a China e os países de língua portuguesa

“A cultura desempenha um papel vital na condução do desenvolvimento económico”, destacou Miguel de Senna Fernandes. A Associação dos Macaenses está ansiosa para desempenhar um papel chave no processo em que Macau se torna uma plataforma de intercâmbio China-PLP. “Não podemos esquecer que há várias maneiras de gerar iniciativas económicas em Macau. A cultura é vendável e pode iniciar e desencadear muitas coisas. É por isso que desenvolvemos a indústria do turismo de Macau, que também depende da cultura. A cultura é algo que podemos usar para atingir objetivos económicos.”

Olhando para o futuro desenvolvimento de Macau, Miguel de Senna Fernandes está confiante. “O povo de Macau não tem medo de desafios. Espero que Macau passe por mais 25 anos da forma mais tranquila possível. Grandes conquistas virão”.

Ao mesmo tempo, Senna Fernandes também espera que a geração mais jovem de macaenses assuma a missão da preservação cultural e participe da nova causa de desenvolvimento de Macau.

“Esperamos que eles continuem a transmitir e promover a nossa cultura”, disse. “Eles devem usar sua imaginação, aproveitar as oportunidades de seu tempo e ter um senso de comunidade, percebendo que são macaenses. Quando eles podem se orgulhar de ser assim, não preciso me preocupar com nada.” Chen Jinxia, Mo Wenying – China in “Ponto Final” com “Guangdong Today”


sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Brasil - Arquivo Nacional e Universidade do Estado do Rio de Janeiro firmam acordos para difusão de documentos históricos

O Arquivo Nacional (AN) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) assinaram dois Acordos de Cooperação Técnica (ACT) voltados ao processamento técnico e à ampliação do acesso a importantes documentos históricos custodiados em diferentes instituições arquivísticas localizadas no Rio de Janeiro.



O acordo visa a organização, descrição, indexação e difusão de fundos documentais, referentes a história comum entre Brasil e Portugal no período colonial (século XVI a 1821 – império ultramarino português), e após a Independência, especificamente nos séculos XIX e XX, de modo a garantir o reconhecimento de documentos associados às agendas por direito à memória e às histórias dos povos indígenas, africanos e seus descendentes.

Os documentos a serem trabalhados no âmbito desse ACT estão sob os cuidados das seguintes instituições públicas e privadas que compõem a seção brasileira da Comissão Luso-Brasileira para Salvaguarda e Divulgação do Patrimônio Documental (COLUSO): Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, Arquivo Histórico do Exército, Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, Fundação Biblioteca Nacional, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o próprio Arquivo Nacional.

O ACT nº 8/2024 também tem como objetivo a realização de atividades de processamento técnico, o que inclui identificação, organização, descrição, preservação, alimentação de base de dados de acervos arquivísticos. Nesse caso, exclusivamente, de documentos sob a custódia do Arquivo Nacional na unidade do Rio de Janeiro. Por escolha e sob a orientação de equipes da Diretoria de Processamento Técnico, Preservação e Acesso ao Acervo (DPT), estagiários trabalharão nos próximos meses com o Fundo 5ª Circunscrição de Registro Civil de Pessoas Naturais do Rio de Janeiro; o Fundo 6ª Vara Criminal do Rio de Janeiro; o Fundo Divisão de Polícia Marítima, Aérea e de Fronteiras; o Fundo Instituto de Cultura Iorubá; e o Fundo Sindicato dos Músicos do Estado do Rio de Janeiro.

A assinatura desses dois instrumentos de cooperação é resultado da atuação conjunta entre a Direção-Geral do Arquivo Nacional, a Coordenação-Geral de Articulação de Projetos e Internacionalização (CGAPI), a DPT, a Consultoria Jurídica e a Assessoria Internacional do MGI, o Ministério dos Povos Indígenas (MGI), o Ministério da Igualdade Racial (MIR) e a Reitoria da UERJ entre 2023 e 2024.

Importância da parceria

A parceria entre o Arquivo Nacional e a UERJ é uma das ações em curso para a preservação e a divulgação do patrimônio documental brasileiro. A cooperação técnica entre as duas instituições visa aprimorar o acesso à informação e fortalecer a pesquisa histórica, contribuindo para o conhecimento da história e cultura do Brasil.

Assinados por Ana Flávia Magalhães Pinto, Diretora-Geral do Arquivo Nacional, e Bruno Rêgo Deusdará Rodrigues, Reitor em Exercício da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ambos os contratos têm vigência de 12 meses a partir da data de assinatura, com possibilidade de prorrogação por meio de aditivo.

Segundo o governo, o Arquivo Nacional reafirma assim seu compromisso com a preservação da memória nacional e a promoção do acesso à informação, e se orgulha de contar com a parceria da UERJ neste esforço. In “Mundo Lusíada” - Brasil


segunda-feira, 22 de julho de 2024

Portugal - Projeto da Universidade de Coimbra capacita jovens gerações para serem agentes de mudança na preservação ambiental e do oceano

O projeto BlueWave, coordenado por Ana Marta Gonçalves, investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) realizou, ao longo dos últimos três anos, várias atividades relacionadas com a preservação ambiental e do oceano, com o intuito de que as jovens gerações se tornem agentes de mudança.


De acordo com a investigadora, também ligada ao Centro de Ecologia Funcional (CFE), «os principais objetivos foram envolver os jovens nas questões relacionadas com o oceano, sensibilizando-os para a importância da sua preservação e promovendo mudanças de comportamento em relação à exploração dos recursos marinhos, e capacitar os professores com materiais didáticos, contribuindo para um ensino de qualidade».

No decorrer deste projeto, Ana Marta Gonçalves visitou sete escolas de Portugal Continental e Ilhas, levando até aos jovens do ensino secundário várias atividades que lhes permitiram adquirir conhecimentos sobre o oceano, desenvolver competências de literacia marinha e também participar ativamente na proteção do meio ambiente.

«Para além das sessões em sala de aula, desenvolvemos várias atividades interativas com os diferentes materiais didáticos criados no âmbito deste projeto. Houve também lugar para limpezas de praia que deram origem a exposições para as comunidades escolar e local. Os três anos de projeto culminaram com a idealização e apresentação de projetos de empreendedorismo azul a aplicar na área de residência de cada grupo de alunos», revela.

O projeto BlueWave veio incentivar os jovens a agir de forma consciente em relação ao oceano e a desenvolver soluções inovadoras para os desafios que este enfrenta, contribuindo, desta forma, para a sensibilização da comunidade escolar e para a promoção de uma maior consciencialização sobre a importância da proteção dos ambientes marinhos.

«Foi uma experiência muito enriquecedora para todos os envolvidos. Os alunos puderam aprender de forma prática e aplicada, e mostraram bastante interesse e compromisso com as questões ambientais e dos oceanos. Os professores também se envolveram de forma ativa e dinâmica, adquirindo novas competências e conhecimentos para transmitir aos alunos», garante a investigadora do CFE.

Segundo a investigadora, a formação online para os professores foi fundamental para a sua capacitação e transmissão de ferramentas didáticas, garantindo a qualidade do ensino. Este projeto evidenciou que «é possível envolver os jovens em questões importantes como o lixo marinho, biodiversidade marinha e alterações climáticas, e que eles têm vontade de participar e contribuir para um futuro mais sustentável», considera.

«Espera-se que o BlueWave tenha deixado uma semente de consciência e responsabilidade ambiental nestas jovens gerações e que possam levar esses valores para a vida adulta, tornando-se cidadãos ativos e comprometidos com a preservação do planeta», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 14 de junho de 2024

Cabo Verde - Associação Projecto Vitó assinala Dia Mundial das Tartarugas Marinhas na ilha do Fogo

São Filipe – A Associação Projecto Vitó assinala hoje o Dia Mundial das Tartarugas Marinhas com um conjunto de acções de sensibilização das pessoas sobre a necessidade de conservar as tartarugas marinhas e seus habitats.


A Associação, que trabalha na preservação das tartarugas marinhas na ilha do Fogo e na Reserva Natural Integral dos Ilhéus do Rombo, vai comemorar o Dia Mundial das Tartarugas com um evento que contará com a participação de alunos de diversas escolas e as crianças dos jardins de infância, proporcionando actividades educativas e recreativas para crianças e adultos.

O evento decorre nas instalações do auditório Padre Pio Gottin e, de entre as actividades, constam apresentação de músicas, vídeos, poesias e peça teatral relacionado com as tartarugas e exposição.

A Associação Projecto Vitó, através de uma nota de imprensa, reforça que o objectivo desta organização não-governamental, ligado à área do ambiente, é sensibilizar e educar a comunidade sobre a importância da conservação das tartarugas marinhas e seus habitats.

Recorde-se que a associação realizou, esta semana, uma acção de capacitação dos monitores das praias de nidificação das tartarugas marinhas da ilha do Fogo e da Reserva Natural Integral dos Ilhéus do Rombo para a monitorização das praias durante a campanha de desova de tartarugas que decorre de Junho a Outubro.

Anteriormente realizou campanhas de limpeza de todas as praias de nidificação das tartarugas a nível da ilha do Fogo. In “Inforpress” – Cabo Verde


sexta-feira, 3 de maio de 2024

Macau - Pedida maior preservação da língua portuguesa

Amélia António lamenta que a Língua Portuguesa não seja tão preservada como deveria. A presidente da Casa de Portugal considera que há alguma contradição quando se sabe que “há cada vez mais gente a aprender Português” e depois esse crescimento “não tenha acontecido ao nível de vários sectores em Macau”. Também ao Jornal Tribuna de Macau, Acácio de Brito, director da Escola Portuguesa, diz que o idioma de Camões é “um dos valores culturais e políticos mais relevantes do nosso tempo”


A propósito da celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se assinala no domingo, 5 de Maio, Amélia António falou ao Jornal Tribuna de Macau sobre a importância da língua e as dificuldades que a mesma enfrenta “ao nível das coisas públicas no território”.

Questionada se a Língua Portuguesa tem sido bem preservada, a presidente da Casa de Portugal foi peremptória ao afirmar que “não tanto como deveria ser”, considerando que “continuam a registar-se muitas dificuldades em vários sectores de Macau”.

“Sabemos que nunca houve tanta gente a aprender Português no território como actualmente, mas depois, nas coisas públicas, naquilo que a própria lei nos dá o direito de nos dirigirmos e sermos correspondidos, em muitos casos isso não acontece”. Por isso, “há essa contradição, que não está explicada, como aliás outras que temos em Macau”, nota Amélia António.

A dirigente da associação de matriz lusa reforça a sua opinião mencionando que “nos últimos anos, com o número de pessoas a aprender a nossa língua, muitos falam Português, mas depois, na prática, é como se esse crescimento não tivesse acontecido”. Ou seja, complementa, “é como se fosse o contrário, como se tivesse diminuído o número de pessoas a aprender Português, quando na realidade não é isso”.

Críticas à parte, sustenta que “faz todo o sentido celebrar este dia, porque o Português é uma língua falada em todos os continentes”. Por isso, prossegue, “é muito importante, cada vez mais, a sua valorização”. Os países que falam a língua são, “alguns deles, países grandes, com muita gente, daí que o Português tem de conquistar de facto o seu lugar, nomeadamente nas instituições internacionais”.

Amélia António reforça essa importância asseverando que “tudo o que seja valorizar a língua, mostrar a relevância dela, mostrar a dimensão mundial é fundamental para que cada vez mais seja reconhecida como uma língua de grande valor”.

Por sua vez, no âmbito da celebração do Dia Mundial, o director da Escola Portuguesa de Macau (EPM) salienta que a Língua Portuguesa é “um dos valores culturais e políticos mais relevantes do nosso tempo”. “Sendo uma língua oficial de inúmeros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, envolvendo no seu conjunto cerca de 300 milhões a 400 milhões de pessoas, é um idioma global que se projecta em todos os continentes e é, aliás, a língua mais falada no hemisfério sul”, referiu a este jornal.

Acácio de Brito considera que o Português provoca proximidade. “Essa proximidade no tempo é, julgo eu, juntar pedras, e encontrámo-la no espírito da lusofonia enquanto espaço de partilha linguística e cultural”.

Adianta que “o enfoque nessa dimensão cultural deve ser de algum modo o ‘leitmotiv’ (fio condutor) até para aquilo que nós somos numa escola portuguesa na China, uma escola que naturalmente procura que o ensino do Português, como língua materna, como língua de herança, ou como língua estrangeira, exija aproximações que elas mesmas são diferenciadas”.

Acácio de Brito acentua que “o que nós entendemos nesta celebração também, é que a Escola Portuguesa de Macau deve constituir-se num espaço privilegiado de formação dos jovens e complementarmente deve afirmar-se como âncora de aprofundamento da língua e da cultura portuguesa e chinesa”.

Destacando este processo de aproximação de culturas, que é a relevância da existência de uma escola portuguesa no Oriente, o responsável da EPM conclui que “é por isso que o alinhamento cultural é fundamental”, porque “vai permitir-nos fazer negócio e tantas outras coisas”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


domingo, 25 de fevereiro de 2024

Timor-Leste assinala Dia Internacional da Língua Materna

Díli – O Dia Internacional da Língua Materna é celebrado anualmente a 21 de fevereiro, este ano sob o tema Educação multilingue como pilar da aprendizagem intergeracional. A efeméride visa chamar a atenção para a necessidade de se traçarem políticas de educação multilingue e inclusiva, por forma a garantir a preservação das línguas maternas.

Estima-se que existam mais de 30 idiomas em Timor-Leste, sendo que metade destes corre o risco de desaparecer. Segundo os Censos da População de 2010, há várias línguas em risco de extinção, como, por exemplo, o Makua, que conta apenas com 56 falantes, o Atauran, com 147 falantes, o Adabe, com 181 falantes, o Nanaek, com 297 falantes e o Isni, com 703 falantes.

Para o Coordenador da Divisão da Cultura da Comissão Nacional para a UNESCO de Timor-Leste (CNTLU), Augusto Salsinha, as línguas maternas fazem parte da identidade de um país, por isso, devem ser preservadas.

“A maioria dos jovens do suco de Ulmera, em Liquiçá, fala tokodede, mambas e tétum. Apenas oito famílias, cujos membros têm mais de 50 anos, falam manetlan, isto faz com que esta língua se vá extinguir a curto prazo”, informou o dirigente à Tatoli, no Bairro Pité, em Díli.

Augusto Salsinha referiu que, numa tentativa de se preservar as línguas maternas, desde 2020, a CNTLU produziu livros bilingues, em tétum e nas línguas mambae, bunaq, bekais, makalero, naweti, dadua e manetlan, acrescentando que ainda, este ano, a comissão lançará livros escritos em Lolein, Lacalei e Isni.

O responsável explicou ainda que para a elaboração de livros nas mais variadas línguas, a equipa da CNTLU recolhe informação através de entrevistascom os chamados lian nain (donos da palavra), nas quais são contadas lendas, orações e costumes tradicionais. Após isso, a informação recolhida é compilada e, grande parte dela, é traduzida para tétum.

“Não podemos traduzir tudo para tétum, porque há frases muito específicas, como orações em receções e eventos culturais, que não podem ser traduzidas para que não percam a força espiritual de acordo com as crenças locais”, explicou Augusto Salsinha.

Segundo o dirigente, a comissão recebe anualmente cerca de 25 mil dólares americanos da UNESCO e 10 mil da Secretaria de Estado da Arte e Cultura (SEAC).

Para a Diretora do Instituto Nacional de Linguística, Rosa Tilman, a efeméride permite que as comunidades poliglotas reflitam sobre a preservação das suas línguas maternas. Na opinião da dirigente o lançamento de livros naquelas línguas assume especial importância, uma vez que estes “são uma herança para as futuras gerações e uma referência para aqueles que queiram aprender as línguas”.

Questionada sobre o desenvolvimento e a preservação das línguas maternas em Timor-Leste, Rosa Tilman disse que, relativamente ao tétum, esta se está a desenvolver bastante nas zonas rurais, pois as comunidades mantêm tradições orais na vida quotidiana.

Já o Diretor Interino da Direção Nacional do Património Cultural da SEAC, Claudino Cabral, referiu que “na base das várias línguas maternas no país esteve a influência de falantes da melanésia e da austronésia.

Claudino Cabral referiu que, este ano, a SEAC disponibilizou cerca de 29 mil dólares americanos para atividades de preservação do património cultural na língua Fatuluku no município de Lautém. Afonso do Rosário – Timor-Leste in “Tatoli”  


terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Brasil - Preservação de bens culturais é importante para a construção da história de uma sociedade

Os bens culturais fazem parte da história de um povo, cultura e sociedade. Sua preservação, de acordo com Lúcio Gomes Machado, serve também para entendê-la para além dos livros escritos


Em novembro, um ostensório foi furtado da Igreja São Francisco de Paula, no centro do Rio de Janeiro. O objeto, uma peça sacra do século 18, é usado para expor a hóstia sobre o altar durante cerimônias religiosas. Esse não foi o único caso registrado de roubo de bens culturais no Brasil, que ocupa o 26° na lista de países com o maior número de bens patrimoniais extraviados.

Estima-se que o crime de roubo de bens culturais possa ser equiparado, financeiramente, ao comércio ilegal de armas e drogas. Em 2023, o Brasil passou a integrar o Comitê Subsidiário da Convenção de 1970 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), órgão responsável por fiscalizar bens culturais.

Bens materiais e imateriais

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), um bem cultural, de acordo com as convenções internacionais, pode ser entendido como um bem que deve ser protegido, em virtude do seu valor e sua representatividade para determinada sociedade.

Para Lúcio Gomes Machado, professor do Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, no senso comum, “bem” é um item herdado com valor pecuniário; porém, qualquer item – seja ele material ou imaterial – que tenha um valor simbólico ou valor cultural pode ser considerado um bem patrimonial. 

“Vamos dizer que você tenha uma bola de futebol que foi utilizada no campo de futebol que serviu para marcar o milésimo gol do Pelé. A bola em si tem um valor. Mas ela, assentando essa simbologia de um marco histórico de futebol, ela passa a ser um bem cultural”, explica o professor. Normalmente, a nomeação “bem cultural” é atribuída, por exemplo, a itens artísticos de grande valor, como obras expostas em museus, edifícios – que tenham um projeto arquitetônico especial ou que representam um momento importante da história – e igrejas, por exemplo.

Já os bens imateriais, como o próprio nome indica, não necessariamente existem fisicamente. São coisas, das mais variadas naturezas, que possuem um valor cultural atrelado. Aqui, estão contempladas práticas religiosas, práticas de uma comunidade, jogos, técnicas de construção e até pessoas. Quando os bens culturais materiais são protegidos por algum órgão governamental, eles estão registrados no “livro do tombo”.

Já os bens imateriais não podem ser tombados, mas são registrados. Entretanto, de acordo com o professor, são itens mais complexos de serem preservados, porque dependem da comunidade em que o bem está inserido.

De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul (Iphae), a expressão tombamento tem origem na estrutura responsável por abrigar o Arquivo Público do Reino. A Península Ibérica, antes de ser tomada pelos cristãos, abrigava os mouros, povo islâmico originado do norte da África. No século 8, foi retomada pela cristandade, e o Castelo dos Mouros, símbolo de poder do povo norte-africano, tornou-se o Castelo de São Jorge, nova residência da realeza. 

Posteriormente, em uma das torres do Castelo, o Arquivo Público do Reino foi instalado e passou a ser chamado de Torre do Tombo. A palavra tombo, em português, significa, de acordo com a Infopédia, “arquivo de um conjunto documental (manuscritos, livros, fotografias, impressões digitais, etc.)”. A partir desse significado, a expressão tombamento foi criada, para abarcar todo patrimônio que será inscrito no Livro do Tombo, e que será preservado e protegido por lei.


Conservação de bens culturais: uma prática histórica

O primeiro país a estabelecer uma proteção institucional do patrimônio foi a França, no início do século 19. Inicialmente, o objetivo do Estado era coletar e preservar os monumentos religiosos e aristocráticos que a Revolução Francesa tinha destruído. A partir disso, um museu com peças recolhidas de toda a França foi montado.

Para Machado, a construção do patrimônio é realizada para estruturar a história de um País e registrar a “versão oficial” desses acontecimentos. No Brasil, o primeiro órgão de preservação do patrimônio, o Iphan, foi criado em 1937, durante a Era Vargas. A ideia de Getúlio Vargas, presidente do Brasil na época, era construir um país com uma história significativa.

A linha inicial do Iphan era proteger os monumentos que correspondiam aos grandes ciclos econômicos e históricos do Brasil – aqueles que faziam referência à cana-de-açúcar e ouro no Nordeste, às Minas Gerais, o ciclo bandeirista em São Paulo e o ciclo de missões no Rio Grande do Sul.

Esse modelo de preservação de monumentos excepcionais, segundo o professor, aconteceu de maneira semelhante em todo o mundo. “Mas, ao longo do século 20, essa prática teve uma diminuição e passou-se a fazer também a preservação das coisas que representavam a vida da população e a economia como um todo”, aponta.

Os bens culturais fazem parte da história de um povo, cultura e sociedade. Sua preservação, de acordo com Machado, serve também para entendê-la para além dos livros escritos.

Extravio de bens culturais

O roubo de bens culturais não é uma prática exclusiva da atualidade. De acordo com o professor, durante os impérios coloniais, era frequente que empreendedores e cientistas organizassem excursões para realizar escavações arqueológicas. O fruto da coleta era dividido entre os dois e uma parte era comercializada, enquanto outra ia para acervos de museu.

Algumas coleções arqueológicas de Berlim, na Alemanha, e a seção de Egito do Museu do Louvre, na França, foram formadas a partir dessas expedições, segundo Machado. Os mármores de Elgin, que hoje em dia estão no Museu Britânico, faziam parte do Parthenon da Acrópole. Atualmente, entretanto, um novo tópico está em discussão: o regresso dessas obras aos seus locais de origem.

No artigo 216 da Constituição Federal de 1988, todo patrimônio arqueológico é parte constituinte do patrimônio cultural brasileiro, então cabe ao poder público proteger e promovê-lo. De acordo com Machado, no Código Penal, há uma duplicidade de punição para itens tombados que são extraviados: pelo furto do item, que possui um valor pecuniário, e pelo fato de ele ser um bem tombado.

No incidente de 8 de janeiro de 2023, por exemplo, indivíduos envolvidos na depredação da Praça dos Três Poderes estão recebendo uma pena por dois capítulos do Código Penal: um pelo dano ao patrimônio público e outro por dano ao patrimônio protegido. “Toda Brasília faz parte de um tombamento único, especialmente os monumentos de fundamento – uma forma usual de tratar as arquiteturas tombadas que fazem parte da Praça dos Três Poderes e a Esplanada do Ministério”, pontua. Beatriz Pecinato – Brasil in “Jornal da Universidade de São Paulo” com supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira