Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 4 de abril de 2019

Moçambique – Conferência Internacional "Crescendo Azul 2019"

O Governo de Moçambique apresentou, na passada quarta-feira, dia 03 de Abril, a 1a Conferência Internacional “Crescendo Azul”, que realizar-se-á nos dias 23 e 24 de Maio, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, capital de Moçambique



A importância dos Mares e Oceanos para a humanidade como fonte de vida, produtor de oxigénio, suporte dos ecossistemas, regulador do clima, produtor de alimentos, fonte de emprego e como reserva de água, tem vindo a ser reconhecida a nível global, com destaque para a Organização das Nações Unidas, através da Agenda 2030 que define os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), particularmente o ODS14 sobre a conservação e utilização sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável".

Aliás, estes instrumentos, no seu conjunto, além de aumentarem o nível de compreensão de outros quadros legais internacionais pertinentes, como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), lançam bases para uma cooperação estruturada entre as nações, na vertente marítima, que conduzam à proclamação dos Mares e Oceanos como factores de desenvolvimento sustentado e de segurança dos países, e, por outro, à promoção de uma colaboração permanente, em torno de uma abordagem intersectorial e interagências, para uma efectiva gestão integrada da área costeira e marinha, sobretudo, nos países menos desenvolvidos.

A natureza transfronteiriça dos Mares e Oceanos faz com que os crescentes desafios ligados às ameaças globais como as alterações climáticas, crescimento demográfico, degradação do ambiente marinho, perda da biodiversidade e o elevado risco de poluição e à proliferação do lixo plástico, aliadas às questões relacionadas com a segurança marítima, requeiram abordagens harmonizadas e concertada entre as várias Nações que compartilham este recurso, ou que indirectamente a ele estejam ligadas.

A região do Oceano Índico Ocidental, particularmente o Canal de Moçambique, é rica em biodiversidade e ecossistemas marinhos costeiros, desde os recifes de corais que se estende desde a costa do Quénia, até a zona do Norte de Moçambique: florestas de mangal que se pontificam no Delta do Zambeze, dunas costeiras ricas em recursos minerais, ervas marinham que albergam uma população única de golfinhos remanescente na região e uma grande diversidade de recursos pesqueiros que são fonte de renda e subsistência para a população costeira. Para além destes recursos, a região é igualmente rica em hidrocarbonetos, particularmente na Bacia de Rovuma.

A Intensa utilização dos recursos pesqueiros existentes na região; a intensa utilização desta região como rota de transporte marítimo, assim como o advento da exploração de hidrocarbonetos requerem uma abordagem consertada, integrada e harmonizada. Esta acção é particularmente relevante no canal de Moçambique onde ainda persiste a pesca ilegal devido existir uma falta de capacidade dos países para fiscalizar as suas águas territoriais que é exacerbado pela limitada capacidade institucional para enformar o desenvolvimento duma Economia Azul sustentável. Estes factos, e não só, que procuram uma forte colaboração e coordenação a nível nacional, regional e internacional, e dada a sua localização geoestratégica, impõem a Moçambique a necessidade de assumir proactivamente a responsabilidade de promover o desenvolvimento duma Economia Azul sustentável, à luz dos comandos emanados dos seus instrumentos de política e legais, alinhados com os de cariz regional, continental e internacional.

Moçambique pretende juntar-se ao movimento global de chamamento para acção lançado pelas Nações Unidas e por vários organismos responsáveis pela sustentabilidade dos Oceanos no quadro da implementação do ODS14, estabelecendo uma plataforma de diálogo permanente, a realizar-se em séries, bienalmente, denominada de Conferência “Crescendo Azul”. As abordagens da Conferência, inseridas nas áreas temáticas (Governação e sustentabilidade do oceano; Oceano e inovação; Rotas do oceano; Energia do oceano), focalizar-se-ão no país e na Região Ocidental do Oceano Índico (zona de inserção geográfica de Moçambique), com o objectivo de promover a concertação, o alinhamento e a partilha do conhecimento, necessários a um efectivo cumprimento dos compromissos assumidos, no quadro da implementação do ODS14.

A edição da primeira conferência é realizada no reconhecimento de que o conhecimento, assente na investigação científica e tecnológica, é a chave basilar para o desenvolvimento da Economia Azul. Considerando o contexto nacional e regional, caracterizado por limitado conhecimento científico e desenvolvimento tecnológico, urge a necessidade de se direcionar recursos de investimento, tanto na formação como no reforço ou criação de capacidade técnica e institucional, para permitir que a ciência e tecnologia encorpem o desenvolvimento de uma Economia Azul sustentável.

A Economia Azul é considerada a nova fronteira da renascença a nível global, que tem levado a que um número crescente de países esteja empenhado em formular Políticas e Estratégias que integram a Economia Azul como base de transformação socioeconómica por meio de iniciativas e estratégias integrantes e harmonizadas, bem como de acção conjunta entre países para desenvolver o potencial latente que os Mares e Oceanos oferecem à humanidade.

Destaque vai para a Estratégia Marítima Integrada Africana 2050 da União Africana (objectivos da UA 2050) e o Manual de Política de Economia Azul para África, que para além de aumentar o nível de compreensão de outros quadros internacionais pertinentes, como a Convenção das Nações Unidas sobre o direito do mar (UNCLOS), lançam as bases para uma cooperação estruturada da vertente marítima visando proclamar os Oceanos como factores de desenvolvimento sustentado e da segurança marítima dos países, promovendo a colaboração em torno de uma abordagem intersectorial e interagências para uma efectiva gestão integrada da área costeira e marinha em África.

Assim, o desafio permanente que emerge da necessidade de se traduzir a agenda global, continental e regional em directivas e acções concretas e transformacionais a nível do país, individualmente e no contexto de blocos de países, para um efectivo desenvolvimento azul sustentável, constitui o móbil da organização e realização da série de conferências.

Com a Conferência em alusão pretende-se que os participantes se debrucem sobre quatro áreas temáticas, nomeadamente:

GOVERNAÇÃO E SUSTENTABILIDADE DO OCEANO
- Plataformas Regionais / Internacionais
- Poluição
- Biodiversidade / Conservação
- Mudanças Climáticas/Segurança Alimentar
- Segurança Marítima

OCEANO E INOVAÇÃO
- Ciência
- Tecnologia
- Inovação

ROTAS DO OCEANO
- Transporte / Navegação
- Portos
- Comércio Marítimo
- Turismo

ENERGIA DO OCEANO
- Energias Renováveis
- Petróleo
- Gás
-Comércio

Para a primeira Conferência a ter lugar nos dias 23 e 24 Maio de 2019, está definido o seguinte lema:

Crescendo Azul: Exploração Sustentável e Compartilhada do Oceano


A Conferência “Crescendo Azul” com foco na região Ocidental do Oceano Índico pretende juntar cerca de 500 participantes entre entidades nacionais, regionais e internacionais, com interesses e competências múltiplas em ramos de Economia Azul e governação do mar, integrando dirigentes a mais alto nível, decisores, implementadores, empresas de ramo, doadores, instituições financeiras, instituições de ensino & pesquisa, Sociedade Civil e ONG, com actividades ligadas ao mar, zonas costeiras, oceanos e seus ecossistemas. InMinistério do Mar, Águas Interiores e Pescas” - Moçambique

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Lusofonia - Palestra do Centro de Comunicação dos Oceanos




No âmbito do ciclo de Palestras do Centro de Comunicação dos Oceanos, vai decorrer no dia 14 de fevereiro, às 18 horas, a palestra subordinada ao tema "Tecnologia, investigação e a ameaça CO2 nos Oceanos", nas instalações da UCCLA e Casa da América Latina. Esta iniciativa contará com as intervenções de personalidades ligadas à ciência e à biodiversidade.

Oradores:
- Vanda Brotas - Professora Catedrática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa;
Rita Patrício – Investigadora e colaborada da equipa MARE;
- Ana Faria - Licenciada em Biologia Marinha e Pescas pela Universidade do Algarve e Doutorada em Ecologia Marinha pela Universidade do Algarve.



No dia 28 de fevereiro, às 18 horas, haverá uma 2.ª palestra, nas mesmas instalações, cujo tema em análise será “Tecnologia a serviço do conhecimento dos Oceanos”

Oradores:
- Jorge Freire e José Bettencourt, investigador do CHAM - Centro de Humanidades e membro do projeto ProCASC da Câmara Municipal de Cascais.
Tema: A descoberta da Nau da Índia - Bugio
- Marco Alves - PhD, Coordenador da Área de Modelação Numérica e um dos investigadores da equipa multidisciplinar da WavEC, empresa especializada em soluções na área das energias renováveis marinhas, aquacultura offshore e engenharia dos oceanos.
Tema: A energia das ondas do mar


O Centro de Comunicação dos Oceanos (CCOceanos) - idealizado e organizado pela jornalista náutica Brasileira/Portuguesa Nysse Arruda - é uma iniciativa que visa divulgar e partilhar informação atualizada sobre a variadíssima temática sobre os Oceanos, interligando todos os países de Língua Portuguesa, tornando Portugal num polo de informação acerca dos Oceanos.

A partir de ciclos trimestrais de palestras LiveStream e presenciais, proferidas por personalidades nacionais e internacionais, sediadas em locais emblemáticos de Lisboa e outras cidades do país.

As primeiras palestras CCOceanos 2019 terão lugar em Lisboa no auditório da UCCLA e da Casa da América Latina, nos dias 14 e 28 de fevereiro, das 18 às 19h30, e contam com o apoio da Fundação Vodafone.

Os vídeos das 10 palestras CCOceanos 2018 - que reuniram 37 oradores das mais diversas áreas do saber - estão disponíveis no canal YouTube - CCOceanos Palestras.

Nysse Arruda:

Nysse Arruda é jornalista especializada em náutica há mais de 20 anos em Portugal, tendo sido colaboradora dos jornais Público, Diário de Notícias e Expresso e de diversas outras publicações brasileiras e portuguesas. Foi agraciada com o Prémio Femina 2016 pela Divulgação da Cultura de Matriz Portuguesa.

Autora e CEO do primeiro website sobre desporto à vela em Português – www.nyssearrudasailing.com – entre 2010 e 2013. É também autora de diversos livros sobre o tema publicados no Brasil e em Portugal: Whitbread Race 1989-90; Mar à vista, A Portugal Telecom e a Vela; ISAF Sailing World Championships Cascais 2007; America's Cup World Series-Cascais 2010; Volvo Ocean Race 2011-2012; Viagem Impossível… Mirpuri Foundation; além de uma obra dedicada à capital portuguesa - A Beleza de Lisboa-Eléctrico 28, uma viagem na História, publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em 2010.

Foi repórter especial na Expedição Antárctica Brasileira, a bordo do navio polar Barão de Teffé, da Marinha Brasileira, e na Grand Regatta Columbus 1992, a bordo do Tall Ship polaco Dar Mlodziezy.
  

Morada:
Avenida da Índia, n.º 110 (entre a Cordoaria Nacional e o Museu Nacional dos Coches), em Lisboa
Autocarros: 714, 727 e 751 - Altinho, e 728 e 729 - Belém
Comboio: Estação de Belém
Elétrico: 15E - Altinho
Coordenadas GPS: 38°41’46.9″N 9°11’52.4″W

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Internacional - Há “oásis” de coral que ainda resistem à destruição generalizada

Uma equipa internacional de investigadores identificou pequenos "oásis" nos oceanos onde os corais estão a crescer, quando todos os outros estão a desaparecer, o que pode ajudar a preservar um dos ecossistemas mais ameaçados do mundo



A descoberta foi divulgada na publicação científica "Journal of Applied Ecology", com os responsáveis a esperarem que os dados encorajem outros estudos sobre como é que essas pequenas comunidades estão a desenvolver-se, ao contrário de muitas outras, e que se façam esforços para identificar mais locais onde tal esteja a acontecer.

A equipa, que inclui James Guest, da Universidade de Newcastle, do Reino Unido, desenvolveu uma estrutura que pode identificar pequenas comunidades de corais que estão a florescer, contra todas as probabilidades.

Os investigadores focaram-se em quatro locais no oceano Pacífico e nas Caraíbas, constatando que "a gravidade da degradação dos corais não é uniforme" e que há locais onde eles se desenvolvem, apesar dos "piores efeitos das alterações climáticas", explicou James Guest, principal autor do estudo.

Foram identificados 38 "oásis" que estão a resistir a fatores como o branqueamento (processo que leva à morte do coral e se deve ao aumento da temperatura da água), "pragas" de estrelas do mar (que se alimentam dos pólipos de coral) ou os furacões. Uns resistem aos desafios ambientais e outros recuperam apesar de sofrer danos.

James Guest admite que como causas dessa sobrevivência possa estar a localização privilegiada, como águas mais profundas longe de tempestades, ou simplesmente características biológicas ou ecológicas que os tornam mais resistentes.

Peter Edmunds, da Universidade do Estado da Califórnia em Northridge, Estados Unidos, disse ter ficado impressionado com a capacidade de os corais de Moorea, na polinésia francesa, se recuperarem. Entre 2005 e 2010 foram quase reduzidos a zero por estrelas do mar - da espécie 'Acanthaster planci' e conhecidas pelo nome comum de 'coroa de espinhos' devido ao seu aspeto - e oito anos depois tinham-se renovado, em alguns lugares em 80%, contou.

A investigação foi feita por doze instituições de três países.

Diversos estudos têm vindo a alertar para a morte em grande escala de recifes de coral em todo o mundo, devido às alterações climáticas e à destruição de zonas costeiras pela atividade humana. In “Notícias ao Minuto” - Portugal com “Lusa”

sábado, 14 de outubro de 2017

Internacional - A aquacultura face às alterações climáticas

Investigadores das Universidades de Oregon e Princeton, nos Estados Unidos, estudaram a possibilidade dos oceanos suportarem a aquacultura, mesmo em situações de alteração climática



Um estudo recente de investigadores dos Estados Unidos concluiu que o alto mar (os oceanos, em geral) pode ser a opção mais viável para a expansão da aquacultura, fundamentando a tese na avaliação de três espécies – o salmão, a cobia (pelágicos solitários que se reúnem para a desova anual) e a dourada –, perante cenários de alterações climáticas, refere o Maritime Executive.

As operações terrestres, em baías e em estuários têm um potencial de expansão limitado devido à falta de disponibilidade de água ou espaço. As operações de aquacultura no oceano aberto, apesar do nome, situam-se geralmente suficientemente próximas para permitirem a comercialização e a redução de custos, ao mesmo tempo que dispõem de água limpa e espaço.

“A aquacultura no oceano aberto é ainda uma indústria recente e não regulamentada que, por isso, não é necessariamente ambientalmente correcta; contudo a aquacultura também é o sector da alimentação com o mais rápido crescimento a nível global”, refere James Watson, um cientista ambiental da Universidade de Oregon e co-autor do estudo.

Neste estudo, os investigadores estudaram o salmão, que cresce mais depressa nas águas polares, a dourada, mais encontrada nas águas temperadas e subtropicais, e a cobia, mais encontrada em águas sub-tropicais e tropicais. Em aquacultura de mar alto, estas espécies sobreviveriam através de técnicas de adaptação – incluindo reprodução seleccionada.

“Descobrimos que as três espécies se afastariam dos trópicos, que muitos dizem irá aquecer mais do que outras regiões”, referiu Dane Klinger, ex-pesquisador da Universidade de Princeton e principal autor do estudo. “A produção de salmão do Atlântico, por exemplo, poderia expandir-se para as latitudes mais altas, e embora possa ter dificuldades, as técnicas de adaptação podem compensar essas dificuldades; além disso, na maioria das áreas onde estas espécies são actualmente cultivadas, vão, provavelmente, aumentar as taxas de crescimento, à medida que as temperaturas aumentam”. No entanto, a aquacultura no oceano aberto não é desprovida de risco, reconhecem os pesquisadores. A recente fuga do salmão do Atlântico cultivado no Puget Sound de Washington alarmou os gestores das pescas, pois as espécies e populações introduzidas podem introduzir doenças nas espécies nativas.

Fonte primária de proteínas em todo o mundo, a aquacultura já representa mais de metade de todo o pescado para consumo humano, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, no acrónimo em inglês). Além disso, importa perceber que no final do século as temperaturas da água do mar podem vir a aumentar entre 2º e 4 ºC, de acordo com as previsões do Painel Inter-governamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC). Razão pela qual muitos investigadores perguntam quais seriam as consequências para peixes e mariscos com alto valor comercial.

Também em Tavira se estuda esta questão, através das ostras. Os biólogos marinhos querem perceber como é que o aumento dos níveis de temperatura, salinidade e acidez na água podem afectar a fisiologia das ostras. Um projecto de investigação europeu que pretende perceber como é que as alterações climáticas vão influenciar os peixes e mariscos de toda a Europa e como é que a indústria se pode adaptar, segundo refere a Euronews. In “Jornal da Economia do Mar” - Portugal