Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Venezuela – Portugueses continuam a precisar de ajuda para recuperar dos sismos

A organização venezuelana Dividendo Voluntário para a Comunidade (DVC) alertou que, dois meses após o duplo sismo de 24 de agosto, persistem as dificuldades da comunidade lusa em La Guaira, que precisa de ser acompanhada


«Agradecemos e valorizamos o trabalho da comunidade portuguesa que tem estado presente, mas sobretudo por ser muito trabalhadora e, além disso, porque tem trabalhado em união com os venezuelanos. Essa comunidade precisa hoje de apoio, ajuda, mas, acima de tudo, que a acompanhemos no processo de recuperação», disse o presidente da DVC à Lusa.

Ramón Ostos, que também é diretor da KPMG na Venezuela, referiu que a comunidade em La Guaira, o estado mais afetado pelos sismos, se prepara para a reconstrução, que “tem de consistir em construir melhor” do que havia antes dos sismos.

“Esse é o desafio: o conceito de resiliência é como superar de maneira positiva uma situação tão trágica como aquela que vivemos. E, a comunidade portuguesa tem estado presente, sempre atenta à forma de como recuperar-se, mas, acima de tudo, olhando o futuro com otimismo, apesar da tragédia», disse.

Ramón Ostos vincou ainda que «o país tem de continuar em frente”, tal como a comunidade, e que graças a esta “o crescimento vai acontecer» em La Guaira, mas também em toda a zona de Carayaca e El Junquito, onde existe uma grande comunidade portuguesa, sobretudo no setor agrícola.

“Trata-se de os acompanharmos nesse processo de recuperação, mas com uma visão otimista do que vamos recuperar e de que temos de fazer um trabalho conjunto», disse.

«Que nunca nos esqueçamos das nossas comunidades. E refiro-me a todas as comunidades e a todos os venezuelanos, bem como a toda a comunidade portuguesa, espanhola e italiana que vive no estado de La Guaira. (…) Por mais que a tragédia tenha deixado de ser notícia, as situações e a tragédia continuam lá, e devemos continuar a pensar nelas e estar atentos à forma como podemos continuar a apoiar e a ajudar», disse.

«É o melhor momento para trabalhar nessa coesão social de que sempre falámos e pensámos no nosso país», frisou Ostos, salientando a importância de “um país unido».

A DVC foi criada em 1958 pelo setor empresarial, centrada em apoiar a partilha do crescimento económico com as comunidades locais.

Nas décadas de 1970 e 1980, a DVC construiu mais de 280 escolas rurais na Venezuela, e hoje mantém programas de nutrição na primeira infância e criação de meios de subsistência, além da Aliança Prateada, para pessoas com mais de 55 anos, que promove a partilha de conhecimento, adiantou Ostos.

Em La Guaira, disse, a primeira fase da atenção consistiu na criação de centros de recolha, onde receberam mais de 104 toneladas de bens, 95% dos quais foram entregues em acampamentos temporários e à Caritas Venezuela, e depois em centros de distribuição, estando a fazer um recenseamento para identificar, em colaboração com as organizações Fé e Alegria e da Associação Venezuelana para a Educação Católica (AVEC), escolas seguras e que possam abrir em setembro, para iniciar o próximo ano escolar, disse.

«O censo inicial de que dispomos aponta para mais de 24 mil crianças e o que pretendemos, com as doações que recebemos do setor empresarial, é que possam regressar às aulas o mais rapidamente possível», disse.

O duplo sismo de 24 de agosto causou danos graves em infraestruturas, feridos e vítimas mortais em sete estados da Venezuela -Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o mais afetado.

Segundo o último balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6509 pessoas faleceram e 226.696 pessoas foram assistidas nos hospitais depois dos sismos.

Entre os mortos, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.

Pelo menos 190 edifícios desabaram e as autoridades inspecionaram 60.785 habitações, das quais 11.001 foram consideradas de “alto risco” e cerca de 25.240 casas estão inabitáveis, tendo já sido removidas 600.790 toneladas de escombros. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Macau - Instituto Cultural vai lançar directrizes para o restauro de edifícios do Centro Histórico

O Instituto Cultural (IC) vai lançar directrizes para o restauro dos edifícios do Centro Histórico de Macau ainda este ano, avançou Leong Wai Man, em resposta a uma interpelação escrita em que o deputado Chan Hao Weng criticava a falta de critérios uniformizados. A presidente do IC revelou também que o organismo vai reforçar a sensibilização da população com cursos de formação profissional sobre a salvaguarda do património cultural, estando o próximo agendado já para o mês de Setembro


O Instituto Cultural (IC) vai lançar directrizes para o restauro dos edifícios do Centro Histórico de Macau ainda este ano. O objectivo é o de orientar a reabilitação de imóveis patrimoniais e incentivar a sua recuperação e salvaguarda pela sociedade, de acordo com informações avançadas por Leong Wai Man.

Em resposta a uma interpelação escrita, a presidente do IC notou ainda que a página electrónica dedicada ao Património Cultural de Macau dispõe, actualmente, de um sistema de consulta que permite aos requerentes acompanhar o processo de apreciação e aprovação por parte do organismo, de forma a garantir a sua total transparência.

A informação surge como resposta às preocupações levantadas pelo deputado Chan Hao Weng relativamente à conservação e fiscalização das obras de restauro do património arquitectónico protegido em Macau. Em concreto, o deputado lamentou a inexistência de “normas técnicas uniformizadas para o restauro” dos edifícios protegidos, assim como a falta de “regulamentação expressa para a recuperação das fachadas”. O resultado é uma “grande aleatoriedade nos critérios adoptados”, uma vez que nem os proprietários nem as entidades responsáveis pelo restauro possuem normas concretas para a execução das obras.

Chan Hao Weng denunciou também a “falta de uniformidade nos critérios relativos à identificação dos materiais, à tonalidade das fachadas exteriores, às técnicas de execução das obras e à fiscalização in loco”. Para além da “falta de coerência estética” e da “descaracterização da fisionomia original”, alterada por estas intervenções, verifica-se também um aumento significativo dos custos económicos e do tempo de expedição dos pedidos, segundo acusa o deputado. Após o restauro, diz, é também frequente o surgimento de problemas como o envelhecimento das paredes ou o reaparecimento de anomalias estruturais, dificultando uma “conservação eficaz a longo prazo”.

Na sua resposta, Leong Wai Man começa por assinalar que as obras de restauro em edifícios históricos “devem ser precedidas da elaboração de projectos de construção através de consultores com qualificações profissionais adequadas, tendo como referência os sistemas e princípios internacionalmente reconhecidos no âmbito da salvaguarda do património cultural” e baseando-se em princípios de “autenticidade”, “intervenção mínima” e respeito pelas características originais. As únicas alterações feitas devem limitar-se às partes danificadas, “a fim de evitar substituição ou renovação excessiva e assegurar a protecção eficaz do seu valor cultural”.

Além disso, como os edifícios de Macau reflectem o “carácter único” do território, conjugando elementos chineses e ocidentais provenientes de diferentes períodos históricos, o IC procede a uma “análise rigorosa” de cada caso, avaliando os diferentes materiais, técnicas e tonalidades de cores a usar em cada edifício.

“Durante as diversas fases de elaboração de projectos de obras nos edifícios patrimoniais, o IC mantém uma estreita comunicação e colaboração com os proprietários ou administradores dos edifícios, assim como discute soluções e emite pareceres técnicos direccionados para os projectos de restauro, de modo a permitir que as obras decorram sem imprevistos”, reforça Leong Wai Man.

No documento de resposta, nota-se ainda que o IC tem procurado sensibilizar a população geral através da organização de workshops, cursos certificados e formações profissionais na área do restauro, em colaboração com instituições de ensino superior, com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e com a Associação dos Engenheiros de Macau (AEM).

Entre as múltiplas iniciativas promovidas, o destaque vai para a 5.ª edição da “Formação Profissional em Restauro dos Edifícios Patrimoniais”, que será realizada no próximo mês de Setembro. Embora não divulgue a data concreta, o IC aponta também para o final deste ano a realização de um “curso de formação internacional sobre a salvaguarda do património cultural em conjunto com um organismo especializado ligado à UNESCO, com o propósito de reforçar de forma contínua a formação de quadros qualificados na área do restauro e de salvaguarda dos recursos do património cultural preciosos do território em articulação com a sociedade”. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 22 de maio de 2026

São Tomé e Príncipe - Património único em processo de recuperação

Localizado no ilhéu das Rolas, o Marco do Equador constitui um património histórico, cultural e turístico singular, assinalando o ponto exato de passagem da linha do equador em território santomense.


“O Marco oferece aos nossos visitantes uma experiência verdadeiramente única: a possibilidade simbólica de estarem simultaneamente nos dois hemisférios do planeta”, destacou Nilda da Mata, Ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável.

Atualmente, tanto o monumento como a área envolvente encontram-se em estado de degradação avançado, comprometendo a sua integridade estrutural e o seu potencial como elemento de atração turística e cultural.

Com financiamento do Banco Mundial, através do projeto WACA+, o Marco do Equador será alvo de recuperação. O projeto preliminar foi apresentado pelo consórcio Mundi Consulting.

“É uma grande responsabilidade, porque se trata da recuperação de um dos maiores monumentos históricos do país”, afirmou Beatriz Ramos, em representação do consórcio.

Para a titular da pasta do Turismo, a reabilitação do Marco do Equador representa uma oportunidade estratégica para “preservar um testemunho histórico único da nossa nação, reforçar a identidade nacional, dinamizar o turismo sustentável, promover a inclusão comunitária e contribuir diretamente para a melhoria das condições de vida das famílias da comunidade local.”

Se o calendário previsto for cumprido, as obras deverão arrancar ainda este ano. José Bouças – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Macau - Obras na Capela da Guia arrancam este ano de 2026

A partir deste ano, a Capela da Guia será alvo de obras de restauro, nomeadamente de recuperação dos murais, que ilustram motivos de inspiração religiosa e mitológica. O Instituto Cultural revelou ao Jornal Tribuna de Macau que o Centro de Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio vai constituir uma equipa de especialistas chineses e estrangeiros para delinearem o plano de restauro


A Capela de Nossa Senhora das Neves, junto ao Farol da Guia, vai ser alvo de obras de restauro e recuperação a partir deste ano, adiantou o Instituto Cultural (IC) ao Jornal Tribuna de Macau. “Para o efeito, o IC contratou instituições profissionais para realizar o estudo, inspecção e análise do edifício e dos murais”, pode ler-se na resposta do organismo.

Os trabalhos de restauro serão acompanhados pelo Centro de Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau, como aliás a presidente do IC, Leong Wai Man, já tinha avançado em Fevereiro deste ano, na mesma altura em que anunciou que as estátuas de bronze das Ruínas de São Paulo seriam recuperadas.

Construída por volta de 1622, a também conhecida como Capela da Guia foi originalmente gerida por freiras clarissas. Em 1998, no decorrer da realização de trabalhos de conservação, foram descobertas pinturas murais no seu interior.

Os frescos ilustram temas quer ocidentais quer chineses, com motivos de inspiração religiosa e mitológica “que são um exemplo perfeito da dimensão multicultural de Macau”, pode ler-se na página do Património Mundial. A Fortaleza de Nossa Senhora da Guia, a Capela de Nossa Senhora das Neves e o Farol integram o Centro Histórico de Macau.

A este jornal, o IC adiantou agora que o Centro de Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio irá constituir uma equipa de “especialistas chineses e estrangeiros” para “desenvolver um plano de restauro com base nos resultados do relatório”.

“A partir de 2026, o Centro planeia também realizar gradualmente as obras de melhoria ambiental no edifício da Capela de N.ª Sr.ª das Neves, bem como o reforço, a recuperação e a salvaguarda dos murais”, acrescentou o IC.

Apresentando uma fachada simples, com um frontão triangular assente sobre pilastras pintadas de amarelo sobre um fundo branco, a Capela da Guia conta no seu interior com a sacristia do lado esquerdo e com um pequeno coro-alto por cima da zona de entrada.

Nas Linhas de Acção Governativa para o próximo ano da tutela dos Assuntos Sociais e Cultura, já tinha sido dito que serão priorizados projectos de restauro como as estátuas de bronze e a fachada das Ruínas de São Paulo, os frescos da Capela de Nossa Senhoras das Neves da Fortaleza da Guia e os componentes estruturais do Templo de A-Má.

O Centro para a Preservação e Transmissão do Património Cultural foi criado, recorde-se, na sequência de um memorando assinado entre o Governo da RAEM e o Ministério da Cultura e Turismo, sendo o Museu do Palácio responsável pelo assessoria profissional e apoio técnico ao restauro do património cultural do território.

Situado no piso térreo do Museu de Arte, ocupa cerca de 900 metros quadrados e está equipado com laboratórios especializados, estando preparado para realizar trabalhos de preservação e restauro relacionados com os sítios do património mundial de Macau, com os bens do património imóvel e componentes do património construído. Tudo isso através de tecnologias avançadas e do “fortalecimento dos talentos locais na área da conservação do património”, segundo refere o IC na página electrónica. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Cabo Verde - “A requalificação urbana e ambiental da Cidade Velha irá garantir melhor qualidade de vida à população”, afirma ministro da Cultura

O Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga esteve de visita esta quarta-feira, 17, às obras de reabilitação do Complexo da Misericórdia, sito na Cidade Velha, acompanhado do Cardeal Dom Arlindo Furtado


As intervenções enquadram-se no projecto de requalificação urbana e ambiental da Cidade Velha – Património Mundial, e é uma iniciativa que contempla, entre outras acções, a requalificação urbanística do bairro, a melhoria do percurso pedonal que liga os dois principais monumentos religiosos, a instalação de sinalização e interpretação patrimonial, iluminação estética e paisagística, bem como a criação de infraestruturas de lazer para a comunidade, incluindo um parque infantil.

Augusto Veiga disse que estão a decorrer as intervenções de requalificação da componente urbana da Cidade Velha, com o objectivo central de melhorar a qualidade de vida da população local.

O governante sublinhou que a comunidade está directamente envolvida e integrada nas acções em curso.

“A requalificação irá melhorar significativamente a circulação na Cidade Velha, criando melhores condições de mobilidade e potenciando benefícios para o desenvolvimento do turismo”, destaca.

Por sua vez, o Cardeal Dom Arlindo Furtado mostrou-se satisfeito com o progresso das obras.

“Fiquei muito bem impressionado com o que vi. A Cidade Velha encerra ainda muito por descobrir. É fundamental preservar aquilo que os nossos antepassados construíram, mas também pensar no que podemos acrescentar para gerar valor para o futuro e para as novas gerações”, afirmou.

As intervenções em curso na Cidade Velha contam com financiamento do Governo de Cabo Verde, através do Banco Mundial, no âmbito do Projecto Turismo Resiliente e Desenvolvimento da Economia Azul, e do Fundo do Turismo.

No total, está previsto um investimento global superior a 300 mil contos, distribuído por oito projectos destinados à valorização e preservação do sítio histórico. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


quarta-feira, 30 de julho de 2025

Macau - Finalizados trabalhos de reparação da estátua de Luís Vaz de Camões

Já foram concluídos os trabalhos de renovação do busto de Camões, indicou o Instituto para os Assuntos Municipais ao Jornal Tribuna de Macau, acrescentando que o Instituto Cultural já inspeccionou o local. Recorde-se que a terceira estrofe de “Os Lusíadas” que consta na parte detrás do pedestal onde assenta o busto de Luís Vaz de Camões estava praticamente ilegível


O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) indicou que “os trabalhos de renovação da estátua [de Camões] já foram terminados”. Recorde-se de que a terceira estrofe de “Os Lusíadas” que consta na parte detrás do pedestal onde assenta o busto de Luís Vaz de Camões estava praticamente ilegível.

Confrontado com esta situação em Julho do ano passado, o IAM tinha dito ao JTM que “já tinha verificado que as inscrições estão a desaparecer” e que estava a “acompanhar” a situação, tendo acrescentado que seriam realizados trabalhos de manutenção. Agora, o organismo indicou também ao Jornal Tribuna de Macau que “já foi feita uma inspecção pelo Instituto Cultural”.

A estrofe que já estava praticamente incompreensível era a número 81 do Canto VI:

“E ainda, Ninfas minhas, não bastava/ Que tamanhas misérias me cercassem,/ Senão que aqueles que eu cantando andava/ Tal prémio de meus versos me tornassem:/ A troco dos descansos que esperava,/ Das capelas de louro que me honrassem,/ Trabalhos nunca usados me inventaram,/ Com que em tão duro estado me deitaram”.

Num artigo de opinião publicado neste jornal no ano passado, o investigador António Aresta alertou para esta questão, dizendo que a estância precisava de ser reescrita. “Luís de Camões merece este desvelo, 500 anos depois”, defendeu.

Os dois primeiros excertos que constam do pedestal em pedra na Gruta de Camões ainda se conseguiam ler. Dizem respeito à estrofe 95 do Canto VI e à estância 42 do Canto VIII.

O Jardim de Luís de Camões, um dos mais antigos de Macau, foi criado em meados do século XVIII. Na Gruta, constituída por três grandes rochedos facetados, encontra-se então o busto de Camões, da autoria do escultor Manuel Maria Bordalo Pinheiro.

Diz-se que, em meados do século XVI, Camões (1524-1580) viveu em Macau durante dois anos, onde terá terminado, na Gruta que tem hoje o seu nome, a obra “Os Lusíadas”. “Com o patrocínio de 600 francos de um rico comerciante português de Macau, Lourenço Marques, genro de Manuel Pereira, a gruta foi renovada em 1849, sendo aí colocado um busto do poeta. Foi também erigido um pavilhão sobre a gruta, o qual já não existe. O último restauro da gruta data de 1866 e o busto do poeta foi refundido em bronze”, pode ler-se na página do património cultural de Macau. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


domingo, 22 de junho de 2025

Portugal – Universidade de Aveiro lidera projeto para restaurar os recifes de ostras no país

A Universidade de Aveiro (UA) está a liderar o projeto RePor – Restauração dos Recifes de Ostras de Portugal (MAR-016.9.1-FEAMPA-00004), com o objetivo de desenvolver uma estratégia inovadora para restaurar e reforçar a resiliência dos recifes de ostras nas zonas costeiras portuguesas


Coordenado pelo investigador Daniel Cleary, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), o RePor é apoiado pelo programa Mar2030, cofinanciado pelo Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e Aquicultura (FEAMPA), no âmbito da ação de Apoio à Proteção e Restauração da Biodiversidade e dos Ecossistemas Marinhos.

O projeto obteve parecer favorável da Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), por estar alinhado com a Diretiva Quadro Estratégia Marinha e contribuir para a implementação da Estratégia Ambiental do Atlântico Nordeste da Convenção OSPAR.

Este projeto propõe uma abordagem inovadora para restaurar os recifes de ostras que têm vindo a sofrer um acentuado declínio devido à exploração excessiva e poluição, de forma a recuperar e rentabilizar os benefícios ecológicos, económicos e sociais destes ecossistemas importantes. Serão desenvolvidas e aplicadas técnicas inovadoras para aumentar a resiliência das ostras juvenis (Ostrea edulis), incluindo o pré-condicionamento a choques térmicos e de salinidade, aliado à modulação do microbioma.

O projeto baseia-se numa plataforma tecnológica recentemente criada, composta por malhas poliméricas porosas e biodegradáveis, que permitem a libertação controlada de moduladores microbianos. Esta tecnologia foi desenvolvida pela mesma equipa no âmbito dos projetos AquaHeal (MAR-02.01.01-FEAMP-0031, MAR2020) e BlueComposite (CENTRO-01-0145-FEDER-181223, Portugal 2020), e encontra-se protegida pelo pedido de patente EP23188811.6.

Após a fase de testes em condições laboratoriais, as ostras tratadas serão transplantadas para áreas da Ria de Aveiro, onde serão monitorizados indicadores como saúde, crescimento, composição microbiana e taxa de sobrevivência.

Assim, com este trabalho espera-se contribuir para o desenvolvimento de estratégias eficazes e sustentáveis no restauro de habitats marinhos degradados, com base em soluções biotecnológicas e adaptadas às crescentes pressões ambientais sobre os ecossistemas costeiros. Universidade de Aveiro - Portugal


quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Fundação Calouste Gulbenkian - Prémio Gulbenkian Património – Maria Tereza e Vasco Vilalva

Candidaturas de 01 jan a 31 mar 2025



O Prémio Gulbenkian Património – Maria Tereza e Vasco Vilalva, no valor de 50 mil euros, distingue projetos de excelência na área da conservação, recuperação, valorização ou divulgação do património português, imóvel ou móvel.

Correspondendo à vontade manifestada por Maria Tereza Burnay de Almeida Belo Eugénio de Almeida de homenagear a memória do seu marido Vasco Vilalva, mecenas a quem o país, e em particular o Alentejo, muito deve na área da recuperação e da valorização do património, a Fundação Calouste Gulbenkian criou um prémio anual com o seu nome, destinado a assinalar intervenções exemplares em bens imóveis ou móveis de valor cultural que estimulem a preservação e a recuperação do património. Atribuído pela primeira vez em 2007, após a morte da Condessa de Vilalva, em 2017, o Prémio recebeu o nome de Maria Tereza e Vasco Vilalva. Fundação Calouste Gulbenkian – Portugal


Regulamento

Mais informações aqui


domingo, 4 de agosto de 2024

Europa - Universidade de Coimbra integra projeto que pretende utilizar a robótica para dar segunda vida a sapatos usados

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) integra o projeto europeu REMAIN - Robotic REMAnufacturing of deformable INdustrial Products, que pretende dar uma segunda vida aos produtos manufaturados, principalmente os da indústria do calçado, que gera uma enorme quantidade de resíduos descartados de forma inadequada.

«Este projeto consiste no desenvolvimento de novas ferramentas que permitam detetar danos em produtos usados e de um sistema multirobô capaz de desmontá-los e prepará-los para a sua reintrodução nas cadeias de produção. Para tal, será também avaliada a refabricação dos produtos atuais, oferecendo critérios de melhoria relacionados com a conceção dos produtos e os sistemas de fabrico, que serão incluídos num Guia de Eco design», explica Hélder Araújo, docente do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) e coordenador do projeto na FCTUC.

«Trata-se de viabilizar o reparo do produto como alternativa à compra de um novo ou ao descarte de usados, de forma técnica e economicamente viável», revela o também investigador do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), acrescentando que o objetivo é também contribuir para a sustentabilidade ambiental, cumprindo assim os requisitos estabelecidos pela União Europeia nesta matéria.

O projeto REMAIN faz parte do Interreg Sudoe, o Programa de Cooperação Territorial do Espaço Sudoeste Europeu, que apoia o desenvolvimento regional através do cofinanciamento de projetos transnacionais através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

De acordo com o consórcio, «a área SUDOE é composta por muitas pequenas e médias empresas com baixo nível tecnológico que produzem diferentes produtos de uso corrente e com um ciclo de vida curto, principalmente devido ao baixo custo, dificuldades de reparação/renovação, gerando assim uma grande quantidade de desperdício. Desta forma, pretende-se introduzir a remanufactura como parte do modelo de negócio», conclui.

O projeto é liderado pelo INESCOP, centro tecnológico do calçado, e fazem parte do consórcio a Federação Espanhola das Indústrias do Calçado (FICE), a Câmara de Comércio AIDA-CCI (Portugal); as universidades de Alicante, de Clermont Auvergne INP, de Coimbra e de Saragoça, bem com as empresas Automatic Control Numerical SL e SMA-RTY (França) e Associação Social Proyecto Lázaro España. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Macau - Clube Militar iniciou obras no interior do restaurante

Até 7 de Setembro, o restaurante do Clube Militar vai estar de portas fechadas, para que se proceda a obras urgentes na estrutura do tecto. A responsabilidade do projecto é do arquitecto Bruno Soares. Vão ser utilizados materiais de tecnologia mais avançada, que permitirão uma absorção do ruído 75% superior ao que acontecia anteriormente. Manuel Geraldes, membro da direcção do clube, disse ao Jornal Tribuna de Macau que os trabalhos de renovação deveriam ter sido realizados na altura da pandemia, mas “não havia disponibilidade financeira para o fazer”


Os habituais clientes do restaurante do Clube Militar vão ter de, durante mais de um mês, procurar outros locais para degustar a renomada gastronomia, porque o espaço encerrou ontem para obras de renovação. Quem passar junto ao edifício e por entre as janelas abertas pode confirmar o início dos trabalhos com a existência de andaimes colocados no interior do espaço.

A maior intervenção centrar-se-á no local onde habitualmente há mais sócios e visitantes, ou seja, o salão onde funciona o restaurante. As obras vão incidir na substituição da estrutura do tecto.

“Na altura da covid, o ar condicionado era pouco ou nada utilizado, porque não tínhamos dinheiro para tal, só que isso poderia ter riscos e foi o que aconteceu”, começou por revelar Manuel Geraldes ao Jornal Tribuna de Macau.

O membro da direcção, responsável pela gestão do restaurante e dos bares, lembrou que essa situação foi provocando a degradação de uma parte do tecto, por causa da humidade que se foi infiltrando, daí o desabar da mesma, a 16 de Setembro do ano passado. Tudo por causa do material absorvente que foi perdendo capacidade.

“Este é o problema dos edifícios públicos que têm de estar de portas abertas e, por isso, deterioram-se com facilidade em virtude da humidade que penetra e provoca estragos”, disse o vogal da direcção, reconhecendo que, por essa razão, “estas obras são urgentes e já deveriam ter sido feitas logo a seguir à covid, mas só agora, com o Clube a passar por uma situação mais estável financeiramente, é que decidimos avançar, permitindo igualmente que o nosso pessoal possa gozar férias”.

Manuel Geraldes frisou que “não é possível fazer este tipo de renovação com o restaurante e outros espaços interiores a funcionar, por isso temos de fechar durante pouco mais de um mês”. A reabertura do espaço está agendada para 7 de Setembro.

O responsável do projecto da remodelação do tecto, que é a parte mais importante das obras que decorrerão no Clube Militar, é o arquitecto Bruno Soares. “Ele vai colocar uma nova camada no tecto e utilizar materiais de tecnologia mais avançada, provenientes da Suíça (tais como os anteriores, mas agora mais sofisticados), que permitirão uma absorção mais eficaz do ruído”, disse, acrescentando que esse sistema de redução do som possibilitará uma eficácia 75% superior ao que se verificava até aqui, “o que vai ser fantástico”.

Para além dos arranjos profundos no tecto do restaurante, há outras obras a ter em conta, como a área da cozinha, “onde é necessário efectuar alguma renovação, não só das instalações em si, como de alguns equipamentos”. O bar sofrerá também pequenas obras, como pintura e reparação de certas deficiências que a humidade tornou visíveis ao longo dos anos.

Melhoramentos já feitos nos salões do Clube

Nos últimos meses já foram realizado alguns trabalhos de manutenção, concretamente no Salão Stanley Ho, onde têm decorrido, por exemplo, os concertos das “Jornadas Musicais do Clube Militar”, além de outros eventos. Realizaram-se igualmente obras de melhoria no Salão Ho Yin, situado no piso inferior e que serve para várias funções, como jantares, convívios ou exposições.

Essa fase de renovações está concluída, assim como o exterior, que contou com uma nova pintura. “Como se pode ver do lado de fora, o edifício ficou muito bonito”, vincou.

Sobre orçamentos, Manuel Geraldes disse que as obras actuais vão ser pagas pelo clube, enquanto as restantes, já realizadas, terão a comparticipação do Instituto Cultural, uma vez que o edifício antigo está classificado como de interesse público e constitui “um documento de anteriores povos ou épocas da história de Macau”, como foi denominado aquando de um decreto-lei emanado pelo Governo do território, a 7 de Agosto de 1998, numa legislação sobre património estabelecida pelo antigo Governador, o general Rocha Vieira.

O membro dos corpos gerentes do Clube Militar, há vários anos a exercer o cargo, afirma que a instituição está “numa postura de grande estabilidade”, reconhecendo que vive muito das receitas do restaurante. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Moçambique - Reinaugurada Escola Primária de Malhampsene com 12 novas salas de aula

Mais de três mil alunos deixam de estudar ao relento, na Escola Primária de Malhampsene. Foram construídas 12 novas salas de aula e reabilitadas nove. A unidade foi inaugurada pela ministra do Género, Criança e Acção Social.


A reinauguração e a entrega da Escola Primária de Malhampsene, que se tornou básica no presente ano lectivo, foram feitas pela ministra do Género, Criança e Acção Social, Nyeleti Mondlane, depois de erguidas novas salas de aula e requalificadas as antigas.

Até ao ano passado, era a escola que mais acolhia turmas debaixo de árvores, com alunos sentados no chão, sujeitos à chuva e à poeira no Município da Matola.

São mais de três mil alunos que deixam de estudar ao relento.

“As infra-estruturas ora existentes, além do elevado estado de degradação que apresentavam, tinham a capacidade reduzida de albergar todos os alunos, por isso mais que metade estudava em salas improvisadas debaixo de árvores, facto que prejudicava o processo de ensino-aprendizagem, sobretudo em intempéries”, disse Samuel Samo Gudo, Presidente do Conselho de Administração da Mozal.

Além de salas de aula climatizadas, com novas carteiras e quadros modernos, foram também erguidos sanitários, sistema de abastecimento de água, blocos administrativos, pontos de lavagem das mãos e guarita.

A ministra do Género, Criança e Acção Social desencoraja o consumo de drogas e a violência no recinto da infra-estrutura.

“Um ambiente escolar seguro e saudável é fundamental. Assim, apelamos a todos para se engajarem na prevenção e combate ao consumo de álcool e outras drogas. O combate à violência baseada no género, às uniões prematuras e às gravidezes precoces são desafios que exigem a nossa atenção colectiva para o sucesso dos nossos filhos”, disse Nyeleti Mondlane.

A governante falou ainda da necessidade de se garantir a retenção da rapariga na escola e apelou para a preservação da infra-estrutura.

As obras da escola estão avaliadas em 117 milhões de Meticais, da empresa de alumínio Mozal. Nélia Mboane – Moçambique in “O País”


quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Fundação Calouste Gulbenkian - Prémio Gulbenkian Património – Maria Tereza e Vasco Vilalva

Candidaturas abertas até 01 mar 2024


O Prémio Gulbenkian Património – Maria Tereza e Vasco Vilalva, no valor de 50 mil euros, distingue projetos de excelência na área da conservação, recuperação, valorização ou divulgação do património português, imóvel ou móvel.

Em homenagem a Vasco Vilalva, mecenas a quem o país muito deve na área da recuperação e da valorização do património, a Fundação Calouste Gulbenkian decidiu criar um prémio anual com o seu nome, atribuído pela primeira vez em 2007, destinado a assinalar intervenções exemplares em bens móveis ou imóveis de valor cultural que estimulem a preservação e a recuperação do património. Após a morte da Condessa de Vilalva, em 2017, o Prémio recebeu o nome de Maria Tereza e Vasco Vilalva. Fundação Calouste Gulbenkian – Portugal

Regulamento




segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Portugal - Estudo conclui que serviços de dispersão de sementes na recuperação das florestas ardidas podem custar mais de 23 milhões de euros por ano

Um estudo liderado por investigadores do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia das Universidade de Coimbra (FCTUC), concluiu que os serviços de dispersão de sementes na recuperação das florestas ardidas podem custar mais de 23 milhões de euros por ano.


O artigo científico “What is the value of biotic seed dispersal in post-fire forest regeneration?”, agora publicado na revista Conservation Letters, mostra o trabalho que está a ser desenvolvido no âmbito do projeto “Life After Fire”, que surgiu na sequência dos incêndios de 2017, em Portugal, e que tem como principal objetivo estudar a importância da dispersão de sementes na recuperação das florestas após um incêndio.

«Com este estudo concluímos, além do valor económico dos serviços de dispersão de sementes, que apesar da esmagadora maioria das espécies não depender exclusivamente da dispersão de sementes por animais, para cerca de um terço dessas plantas a dispersão é uma forma de voltarem a colonizar estas zonas ardidas», revela Sérgio Timóteo, investigador do DCV e líder do projeto.

Segundo o artigo científico, a maioria das espécies possui múltiplas estratégias para enfrentarem o fogo, incluindo duas dezenas de espécies que possuem todas as estratégias, nomeadamente germinação a partir do banco de sementes após o incêndio florestal (78%), capacidade de rebrote (54%), adaptações bióticas (35%) ou abióticas (28%) de dispersão de sementes. Embora apenas oito espécies sejam exclusivamente dependentes da dispersão biótica, 166 espécies (cerca de um terço das avaliadas) possuem características que facilitam a dispersão animal. Assim, a importância relativa da dispersão biótica é estimada em 16%.

De acordo com o investigador da FCTUC, quando ocorrem incêndios florestais de grandes dimensões, como os de 2017, «é necessário fazer algum tipo de intervenções em algumas áreas, principalmente no que se refere à estabilização de solos, às vezes até evitar recolonização por espécies invasoras. Isto tudo são ações ativas, ou seja, implicam ações humanas», refere, ressalvando que os animais e própria natureza têm também um papel muito importante nessa recuperação. 

Portanto, neste estudo, «estimamos o valor económico do serviço de dispersão de sementes biótica, ou seja, por animais, no restauro pós-fogo em Portugal. Combinamos os custos orçamentados dos Relatórios de Estabilização de Emergência governamentais com análises de redes que estimam a dependência da flora portuguesa da dispersão biótica de sementes e de estratégias alternativas de regeneração pós-fogo», explica.

«A substituição dos serviços prestados pelos dispersores de sementes durante a regeneração pós-incêndio das florestas portuguesas custaria mais de 23 milhões de euros por ano, destacando a necessidade de políticas integradoras que promovam florestas resilientes», conclui.

O artigo científico, da autoria de José Benedicto Royuela, José Miguel Costa, Ruben Heleno, Joaquim Sande Silva, Helena Freitas, Pedro Brito Lopes, Sara Beatriz Mendes e Sérgio Timóteo, está disponível aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Angola - Recupera 36 peças de arte em leilão realizado em Portugal

O Estado angolano comprou, esta semana, em Lisboa, Portugal, 36 das 38 peças etnográficas nacionais de várias regiões do país colocadas em leilão pela Cabral Moncada Leilões


As peças, que faziam parte da colecção privada de artes do português Elísio Romariz dos Santos Silva, foram leiloadas esta segunda-feira pelos herdeiros do referido coleccionador privado que viveu em Angola durante vários anos.

De acordo com uma nota de imprensa da Embaixada de Angola em Portugal a que a Angop teve acesso, a recuperação das 36 peças vai enriquecer o acervo cultural angolano, salvaguardando ainda o património nacional.

O empenho da Embaixada de Angola em Portugal na recuperação do maior número de peças desta colecção, insere-se no esforço nacional para que as futuras gerações tenham contacto directo com o artesanato nacional elaborado nas décadas de 50, 60 e 70 e assim reforcem as suas raízes culturais.

Segundo a representação diplomática, uma das duas peças que não foi arrebatada por Angola devido ao elevado preço de licitação (110 mil euros) é uma máscara "Mwana Pó", que figura nos apontamentos impressos distribuídos aos licitadores como "A Escultura Tribal dos Povos Bantu".

Conforme dados oficiais, foi no Museu do Dundo que Elísio Romariz dos Santos Silva estabeleceu os contactos que lhe permitiram aprofundar o interesse pela cultura angolana, tendo participado na criação do Museu de Etnografia do Lobito.

O leilão foi promovido pela Cabral Moncada Leilões e incluiu ainda peças da Guiné-Bissau, Moçambique, Libéria, África do Sul e da República Democrática do Congo (RDC). In “Novo Jornal” – Angola com “Angop”

 


quinta-feira, 29 de junho de 2023

Brasil - Ministério Público de Minas recupera centenas de documentos históricos, em Brasília

Apurações demonstraram que um negociante de artes e antiguidades estaria na posse de diversos documentos, dentre eles, alvarás, decretos e regimentos referentes à exploração de ouro em Minas Gerais na segunda metade do século XVIII


Centenas de documentos históricos, caracterizados como bens culturais fora do comércio, de origem pública e valor permanente, que não podem ser livremente comercializados, foram recuperados na manhã desta quarta-feira, dia 28, durante a Operação Devolva-me. Os trabalhos foram coordenados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com o apoio do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e das Polícias Militares de MG e DF.

A investigação teve início a partir de informações recebidas pela Coordenadoria do Patrimônio Cultural (CPPC/MPMG), que conseguiu apurar que um negociante de artes e antiguidades de Brasília estaria na posse de diversos documentos, dentre eles, alvarás, decretos e regimentos referentes à exploração de ouro em Minas Gerais na segunda metade do século XVIII.

Segundo MPMG, as diligências realizadas no Procedimento Investigatório Criminal apontaram indícios de que alguns dos documentos poderiam ter sido ilicitamente subtraídos de arquivos e outras instituições localizadas em solo mineiro.

Na residência onde estava o material, a equipe do MPMG procedeu uma minuciosa triagem, catalogação e embalagem dos documentos antes de apreendê-los e transportá-los para a sede do MPMG. O material apreendido durante a operação será periciado e, comprovada a autenticidade e identificada a origem, serão oportunamente devolvidos aos arquivos e instituições dos quais não deveriam ter saído.

O número exato e a origem dos documentos ainda não foram oficialmente divulgados, pois as investigações estão em andamento. Em uma análise preliminar, verificou-se que diversos documentos podem ser oriundos do estado de Minas Gerais, sendo que alguns deles podem ter sido subtraídos do acervo do Arquivo Público Mineiro, sediado em Belo Horizonte.

Dentre o material apreendido também estão diversos documentos públicos referentes ao Período Pombalino (1750-1780), os quais ainda apresentam vestígios de cola e linhas de costura, indicando que podem ter sido arrancados de encadernações oficiais. Muitos desses documentos foram impressos em papel trapo, típico do período colonial, com marca d´água e com o padrão dos documentos da Oficina Régia Tipográfica.

Foram identificados alvarás, decretos, e regimentos impressos com ordens e regulamentações da coroa portuguesa e endereçados às autoridades da colônia, principalmente governadores das capitanias.

Para o promotor de Justiça Marcelo Azevedo Maffra, coordenador da CPPC, a apreensão é, certamente, uma das importantes de todos os tempos para o patrimônio arquivístico brasileiro, seja pela quantidade ou pela relevância do material apreendido. “São documentos de valor permanente e de elevado interesse social, que deveriam estar disponíveis em arquivos públicos para a livre consulta de quaisquer interessados. Pela legislação brasileira, os documentos apreendidos são de comércio proibido e não poderiam estar em poder do investigado”.

O promotor explica que o patrimônio arquivístico é formado por documentos que constituem acervo e fonte de comprovação de eventos históricos e estão sujeitos a um especial regime jurídico relativo a seu gozo e disponibilidade. A Lei nº 4.845/65A impõe um regime jurídico especial aos ofícios produzidos no país, até o fim do período monárquico, em clara demonstração da importância desses bens e necessidade de sua proteção.

Em reforço, a Lei nº 8.159/91, que dispõe sobre a política nacional de arquivos, determina que os documentos de valor permanente são inalienáveis e imprescritíveis, sujeitando os infratores à responsabilidade penal, civil e administrativa. Do ponto de vista penal, a conduta perpetrada pelo investigado pode caracterizar, em tese, os crimes de receptação qualificada e deterioração de bem cultural especialmente protegido. In “Mundo Lusíada” - Brasil




quarta-feira, 28 de junho de 2023

Portugal – Cientistas da Universidade de Coimbra estudam processo inovador para recuperação de materiais valiosos da indústria eletrónica

Um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a estudar um novo processo para a recuperação de materiais ligados à indústria dos eletrónicos. Esta investigação decorre no âmbito da Agenda Microeletrónica do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), financiada com 30 milhões de euros. 


Atualmente, o lixo eletrónico é um dos resíduos sólidos com uma elevada taxa de acumulação, chegando a quase 10 milhões de toneladas por ano na União Europeia, sendo que apenas cerca de 15 a 20% desses resíduos são reciclados. Em 2021, a produção estimada de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (EEEW) foi de 55,2 milhões de toneladas em todo o mundo.

Tendo em vista a resolução desta problemática, a equipa de investigadores da FCTUC está a desenvolver uma investigação ligada à tarefa “E-Waste Recycling to Foster a Circular and Sustainable Economy”, que pretende contribuir para a criação e definição de processos industriais relacionados com a economia circular e a reciclagem de produtos do setor da Microeletrónica.  Este projeto tem como foco principal a recuperação e tratamento de dispositivos eletrónicos, para que as matérias-primas possam ser novamente incorporadas na cadeia de valor.

«A ideia é encontrar um processo combinado, químico e biológico, para a recuperação de metais críticos e de alto valor a partir de resíduos elétricos e eletrónicos de computador», explica Paula Morais, docente da FCTUC e investigadora no Laboratório de Microbiologia do Centro de Engenharia Mecânica, Materiais e Processos (CEMMPRE).

«Para a criação deste processo, a metodologia aplicada terá por base um estudo de diagnóstico inicial para identificar e mapear o ecossistema português do setor da Microeletrónica e, posteriormente, o foco da investigação na FCTUC serão os processos microbiológicos e químicos de reciclagem de metais preciosos», revela a investigadora.

Assim, «serão desenvolvidos processos de bio-lixiviação, a partir de resíduos gerados por parceiros industriais no projeto, bem como de bioacumulação seletiva de metais após tratamento químico dos resíduos. O sistema de recuperação de metais por ser misto (químico-biológico) é extremamente inovador», assegura o grupo de Microbiologia. «Entre os materiais que se pretendem recuperar destacam-se os metais valiosos como ouro, platina e prata, e os metais críticos índio e gálio, a partir de computadores e equipamentos de telecomunicações em fim de vida», conclui.

Este projeto teve início em janeiro de 2023 e, neste momento, o consórcio, que envolve 17 entidades, encontra-se ainda a trabalhar na clarificação dos fluxos de resíduos e na caracterização dos materiais que serão utilizados para criar este novo processo, bem como a definir a estratégia integrada entre os parceiros da FCTUC para fazer esta recuperação de metais.

Para além do CEMMPRE, estão envolvidos nesta Agenda José António Paixão, do Centro de Física da Universidade de Coimbra (CFisUC), e também Licínio Ferreira, do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF). Universidade de Coimbra - Portugal



sexta-feira, 31 de março de 2023

Cabo Verde - Recuperado mais um canhão de forte secular no ilhéu da Boa Vista

A reabilitação em curso no secular Forte Duque de Bragança, construído num ilhéu para proteger a ilha cabo-verdiana da Boa Vista dos piratas, vai envolver a conservação dos sete canhões, um dos quais agora recuperado de uma colecção privada.


De acordo com informação divulgada pelo Instituto do Património Cultural (IPC) de Cabo Verde, responsável pela obra de reabilitação e musealização do Forte com mais de 200 anos, do período colonial português, o restauro dos canhões vai decorrer até 06 de Abril, através de profissionais de conservação da instituição que se encontram no ilhéu.

“De referir que um destes canhões foi restituído no quadro desta missão, já que tinha sido apropriado há vários anos por um particular”, acrescentou a mesma fonte.

O Forte, construído durante o período colonial português, em 1820, no ilhéu na baía do porto da vila de Sal Rei, tinha a função de defesa do ancoradouro contra os então frequentes ataques de piratas à ilha da Boa Vista.

A um quilómetro da ilha da Boa Vista e da cidade de Sal Rei, sobreviveram até aos dias de hoje apenas os canhões e algumas muralhas, que ainda recordam as guerras do passado e a protecção da exportação de sal, pastel, algodão, gado, cal e cerâmica na altura.

A reabilitação em curso no Forte desde 2022 vai permitir a instalação de um centro interpretativo daquela área, conforme anunciou anteriormente o ministro da Cultura.

“Quando reconstruímos lugares como estes estamos a reconstruir parte da nossa própria história”, disse o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, durante uma recente visita à Boa Vista.

“Apresenta-se também, a partir deste Forte, o berço da ecologia de uma reserva natural da marinha a todo o mundo a partir de um património que serve como alavanca para a construção para contar a história da Boa Vista. Teremos, ainda, uma espécie de centro interpretativo para contar a história do ilhéu, da infra-estrutura, e uma plataforma que se ligará ao Centro Interpretativo do Museu da Arqueologia Subaquática, com uma sala dedicada ao ilhéu”, acrescentou.

Trata-se de uma obra avaliada em 4,2 milhões de escudos cabo verdeanos (38 mil euros), co-financiada pela Direcção Nacional do Ambiente através do programa da Bio-Tur e com financiamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O Forte já foi anteriormente alvo de trabalhos de prospecção arqueológica e neste momento as obras têm como foco a consolidação dos restos arquitectónicos, em sítios onde se revelem necessários, para que possa impedir a contínua degradação, aliás visível neste momento.

Após a conclusão da reabilitação, o objectivo do Governo cabo-verdiano é integrar o monumento na rota do turismo local, sendo esta a segunda ilha mais procurada pelos visitantes do arquipélago.

Segundo o IPC, o projecto, além de permitir reabilitar um Forte histórico para o arquipélago, vai ainda gerar indirectamente uma nova fonte de rendimento para os pescadores locais, que garantem o transporte entre a ilha do Sal, onde prospera o turismo internacional e o ilhéu da Boa Vista. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau com “Lusa”


quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Fundação Calouste Gulbenkian - Prémio Gulbenkian Património – Maria Tereza e Vasco Vilalva

Edição 2023

Candidaturas 01 out – 31 jan 2023


O Prémio Gulbenkian Património – Maria Tereza e Vasco Vilalva, no valor de 50 mil euros, distingue projetos de excelência na área da conservação, recuperação, valorização ou divulgação do património português, imóvel ou móvel.

Em homenagem a Vasco Vilalva, mecenas a quem o país muito deve na área da recuperação e da valorização do património, a Fundação Calouste Gulbenkian decidiu criar um prémio anual com o seu nome, atribuído pela primeira vez em 2007, destinado a assinalar intervenções exemplares em bens móveis ou imóveis de valor cultural que estimulem a preservação e a recuperação do património. Após a morte da Condessa de Vilalva, em 2017, o Prémio recebeu o nome de Maria Tereza e Vasco Vilalva. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal

Regulamento

Para conhecer os premiados das edições anteriores aceda aqui.