Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 18 de março de 2026

Internacional - Projeto Europeu REENFORCE impulsiona Agricultura Sustentável e Inovação em Coimbra

O setor agrícola europeu enfrenta o desafio crítico de conciliar a eficiência produtiva com a preservação da biodiversidade e a redução do impacto ambiental. Para responder a esta urgência, Portugal integra o consórcio internacional do projeto REENFORCE, uma iniciativa apoiada pelo programa Horizon Europe da União Europeia.


O projeto REENFORCE foca-se no desenvolvimento de soluções de baixo risco e base biológica para a proteção de culturas, utilizando técnicas de pulverização inteligentes e tecnologia de precisão para minimizar o uso de fitofarmacêuticos convencionais. Coordenado pela Agricultural University of Athens, o consórcio reúne instituições de referência da Grécia, Portugal e Bélgica.

A Clover Strategy, empresa sediada na Incubadora do Instituto Pedro Nunes (IPN), assume um papel central nesta parceria. Sendo a única empresa em Portugal com o reconhecimento de Boas Práticas de Laboratório para estudos de toxicidade ambiental em organismos terrestres e aquáticos, a Clover Strategy reforçará a sua capacidade científica através deste projeto.

Até 2029, a empresa participará num ambicioso programa de intercâmbio, prevendo o envio de colaboradores para missões na Bélgica e Grécia, e o acolhimento de especialistas nas suas instalações em Coimbra.

O REENFORCE assenta num modelo de destacamentos temporários entre os parceiros, visando: troca de conhecimento: promover a colaboração direta entre universidades e empresas; formação especializada: capacitação em gestão de I&D e competências científicas; e empregabilidade: reforçar a carreira dos investigadores e a ligação entre a academia e a indústria.

"O projeto REENFORCE é apoiado pelo programa Horizon Europe da União Europeia, no âmbito da ação HORIZON-WIDERA-2024-TALENTS-03". Esta iniciativa reforça a transição da Europa para uma bioeconomia resiliente e competitiva, posicionando Coimbra e o ecossistema do IPN na vanguarda da inovação tecnológica aplicada à sustentabilidade.

Sobre a Clover Strategy: Sediada na Incubadora do Instituto Pedro Nunes (IPN), a Clover Strategy é especialista em serviços de ecotoxicologia e avaliação de risco ambiental, detendo certificações únicas no mercado nacional para estudos de toxicidade em diversos organismos. Instituto Pedro Nunes - Portugal


quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Libéria – Aumento da produção de cacau fomenta a desflorestação em massa

A produção de cacau está a alimentar o desmatamento ilegal na Libéria, revela nova investigação


A produção de cacau causa um grande impacto ambiental. Agricultores frequentemente desmatam florestas tropicais para plantar novas árvores, causando danos ambientais significativos.

Uma nova investigação da Associação de Iniciativas para o Desenvolvimento Comunitário e Conservação Florestal (IDEF), uma organização sem fins lucrativos da Costa do Marfim, demonstra a grande escala desse desmatamento na Libéria.

O relatório pede que a União Europeia, a maior importadora mundial de cacau, tome medidas.

Por que os produtores estão a voltar-se para a Libéria?

A Costa do Marfim é a maior exportadora mundial de grãos de cacau. Mas décadas de dependência da indústria prejudicaram o meio ambiente. O desmatamento em massa e os fertilizantes químicos enfraqueceram o solo, levando os produtores a procurar outros produtos.

O desmatamento é ilegal pela lei liberiana, mas isso não impediu os produtores de tentarem estabelecer novas plantações de cacau no local. O relatório também mostra que, desde 2020, mais de 38.000 pessoas foram registadas na região de Grand Gedeh, que faz fronteira com a Costa do Marfim.

De acordo com a Global Forest Watch, em 2024, o país perdeu 162.000 hectares de floresta natural.

'A escala do desmatamento é colossal'

O relatório do IDEF constatou níveis "maciços" de desmatamento na Libéria devido à produção de cacau. Somente na região de Grand Gedeh, quase 500.000 hectares de floresta primária foram desmatados e convertidos em plantações de cacau desde 2020.

“A escala do desmatamento é colossal”, afirma o Diretor Executivo do IDEF, Bakary Traoré, num comunicado à imprensa. “Nas localidades que visitámos, todas as famílias haviam cedido áreas florestais que variavam de 50 a 300 hectares, em comparação com 8 ou 10 hectares no nosso relatório anterior, do ano passado.”

O relatório não demonstrou apenas danos ambientais. Os investigadores destacaram a tendência crescente de tráfico de pessoas, exploração e trabalho infantil. Muitos jovens são recrutados para trabalhar na produção de cacau e no desmatamento.

O papel da Europa na indústria

A União Europeia é o maior importador mundial de cacau e um dos principais produtores de chocolate acabado.

Em 2023, a UE criou um novo regulamento de desmatamento (EUDR) para conter o desmatamento. O regulamento proíbe a comercialização europeia de produtos que contribuem para o desmatamento, como café, cacau, borracha, óleo de palma, soja, carne bovina e madeira.

Se efetivamente promulgada, a medida poderia ajudar a conter o desmatamento relacionado ao cacau na região, já que o cacau produzido por meio do desmatamento não seria exportado. No entanto, esse processo foi adiado novamente para dezembro de 2026, o que os autores do relatório consideram "extremamente preocupante".

“Embora a Europa pudesse desempenhar um papel fundamental na salvação dessas florestas e no auxílio a essas comunidades graças às suas regulamentações sobre o desmatamento, ela não está a conseguir fazê-lo devido à sua constante procrastinação”, diz Traoré.

“Enquanto a Europa hesita e continua adiando a implementação da sua lei, não haverá mais florestas na Libéria e será tarde demais.” Euronews.green


segunda-feira, 24 de março de 2025

Portugal - Universidade de Coimbra desenvolve sistema de IA que visa a monitorização das pegadas ambientais na agricultura

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a desenvolver um sistema baseado em inteligência artificial (IA) e machine learning (ML) que visa a monitorização das pegadas ambientais na agricultura.


 

O projeto “Pegada 4.0”, liderado pela Universidade de Évora e financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), foca-se em cinco indicadores essenciais: dióxido de carbono, recursos hídricos, poluição difusa, paisagem e biodiversidade. O objetivo é medir e reduzir o impacto ambiental das práticas agrícolas, promovendo uma produção mais sustentável.

Catarina Silva, professora do Departamento de Engenharia Informática (DEI) e investigadora do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC), explica que o foco principal da FCTUC é a pegada da biodiversidade, incentivando a sua preservação e crescimento nas parcelas agrícolas definidas no projeto. «Trabalhamos na monitorização da biodiversidade, recolhendo e processando informação sobre espécies existentes e a sua evolução ao longo do tempo», conta a líder do projeto na UC.

A metodologia utilizada inclui a recolha de dados multimodais, abrangendo medições de temperatura e humidade, imagens de insetos e plantas, registos sonoros de aves, entre outros. O objetivo é integrar e analisar estas informações, permitindo a identificação automática das espécies e a deteção de novas ao longo do tempo, através de modelos de IA dinâmicos.

O projeto conta com a participação de 20 parceiros agricultores e diversas herdades, que colaboram ativamente na monitorização ambiental. A empresa Agroinsider, ligada à Universidade de Évora, está também envolvida na iniciativa. 

Dinis Costa, estudante do DEI envolvido nesta investigação, destaca a importância da “SmartAg”, uma aplicação desenvolvida no âmbito deste projeto, que permite aos agricultores submeter imagens e sons em tempo real para análise científica. «A app é usada para registar evidências das espécies, indicando qual a espécie, coordenadas e hora do registo», explica.

Bernardete Ribeiro, docente do DEI e investigadora do CISUC, sublinha que este projeto representa um avanço significativo na agricultura de precisão, apostando em modelos de IA e machine learning dinâmicos para uma maior eficiência. «Pretendemos implementar estes modelos em hardware de baixo custo, tornando o processo mais eficaz, desde a conceção até à implementação no terreno», afirma.

A pegada da monitorização também inclui a instalação de armadilhas de insetos que recolhem imagens para identificação de espécies. Segundo o aluno do DEI, a “SmartAg” permite que os agricultores registem as espécies avistadas. Essas imagens serão classificadas automaticamente através de modelos inteligentes. «Numa fase inicial, os agricultores apenas têm de validar se a classificação da IA está correta, ajudando a melhorar continuamente os modelos», esclarece. 

Este projeto analisa ainda o impacto das alterações da paisagem na biodiversidade, demonstrando como a gestão sustentável pode beneficiar o ecossistema agrícola. Com modelos de IA já em teste no terreno, a equipa da FCTUC está a trabalhar para consolidar estas tecnologias na prática agrícola.

«Com esta abordagem inovadora, espera-se que a agricultura portuguesa se torne mais eficiente e amiga do ambiente, estabelecendo um novo padrão para a gestão agrícola sustentável», conclui a equipa. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 27 de maio de 2024

Portugal - Universidade de Coimbra avalia impacto ambiental do ciclo de vida de diferentes tecnologias de motores elétricos

Um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a avaliar o impacto ambiental do ciclo de vida de diferentes tecnologias de motores elétricos.

Até ao momento, os resultados obtidos mostram que os motores síncronos de relutância (SynRM) com eficiência IE5 (maior nível de eficiência normatizado) apresentam uma maior eficiência operacional, mas têm maiores impactos ambientais na fabricação.

«Esta questão deve-se fundamentalmente a duas possibilidades: a primeira, é a utilização de mais materiais para a redução de perdas, e a segunda, é pela utilização dos materiais específicos, como os ímanes permanentes de Neodímeo-Ferro-Boro. Para a extração e processamento de neodímio os impactos são elevados, tanto na terra como na água», revela Danilo de Souza, aluno de doutoramento do Institute of Energy and Environment (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), Brasil, de Erasmus no Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da FCTUC.

De acordo com o estudante internacional, «os motores síncronos de ímanes permanentes (PMSMs) apesar de serem os mais eficientes, têm um impacto ambiental mais significativo, especialmente no fabrico e eliminação, devido à extração de metais de terras raras e aos desafios da reciclagem».

Um dos principais objetivos do projeto passou por avaliar os impactos ambientais do ciclo de vida de diferentes tecnologias de motores elétricos, comparando motores de gaiola de esquilo de indução (SCIM), que representam aproximadamente 95% dos motores utilizados na indústria, com eficiência IE3 (nível mínimo de eficiência permitido), motores SynRM e PMSM, com eficiência IE5. 

Desta forma, explica o investigador, «tentámos compreender os impactos ambientais destas tecnologias, desde a extração de matérias-primas, passando pela produção, pela etapa mais impactante, que é eficiência energética do uso, até à fase de fim de vida, sendo considerado o descarte ou os cenários de reciclagem. Tipicamente, analisa-se apenas a etapa de uso, acabando por se negligenciar as demais. Portanto, esta investigação acaba por contribuir para que esta questão seja ultrapassada», acredita.

Além disso, este projeto destaca ainda a necessidade de considerar os impactos ambientais na seleção de tecnologias para sistemas de acionamento de carga, reforçando a eficiência e a sustentabilidade ambiental como critérios relevantes em todas as etapas da vida dos motores elétricos.

«Isto é crucial para promover a adoção de produtos energeticamente eficientes e sustentáveis no mercado europeu, alinhando-se com as metas de eficiência energética e a redução de emissões de gases de efeito estufa», conclui.

Esta investigação contou com a participação ativa da FCTUC, tendo sido orientada por Aníbal Traça de Almeida (ISR), e apoiada pelos investigadores João Fong (ISR) e Carlos Hernandez, do Centro para a Ecologia Industrial (CIE-FCTUC). Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Portugal - Tinta condutora amiga do ambiente promete revolucionar a produção de circuitos eletrónicos flexíveis

Uma investigação levada a cabo por Manuel Reis Carneiro, aluno de doutoramento do Programa Carnegie Mellon Portugal (CMU Portugal) na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e na Carnegie Mellon University (CMU), desenvolveu uma tinta condutora à base de água para a produção de circuitos eletrónicos flexíveis que permite evitar a utilização de solventes orgânicos, poluentes e nocivos para o ambiente. A técnica, acaba de ser publicada na revista científica Advanced Science.


Por ser produzida com água, esta tinta é mais sustentável, ecológica e reduz de forma significativa o impacto ambiental das soluções já existentes. Adesivos eletrónicos para monitorizar a saúde ou garantir a qualidade de produtos alimentares são algumas das utilizações possíveis.

Manuel Reis Carneiro, aluno de doutoramento do Programa CMU Portugal e investigador no Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Universidade de Coimbra, integra uma equipa liderada por Mahmoud Tavakoli, que tem já uma vasta experiência no desenvolvimento de circuitos eletrónicos flexíveis. A produção destes circuitos, de forma fácil, rápida e económica tem sido um dos principais desafios da equipa de Coimbra, que dá agora um novo passo nessa direção ao desenvolver uma tinta que é sustentável e amiga do ambiente.

«A utilização de uma tinta à base de água para a impressão e produção dos circuitos eletrónicos flexíveis traz inúmeras vantagens. Por um lado, reduz radicalmente a pegada ecológica da produção porque não utiliza materiais poluentes. Por outro, torna muito mais fácil a reciclagem e posterior reutilização dos circuitos, que anteriormente consistia num procedimento complexo. Neste caso basta colocar o circuito em álcool, os componentes e as partículas metálicas separam-se e estão aptos para serem reutilizados», explica Manuel Reis Carneiro.

Outra grande mais valia é que esta tinta, ao contrário das anteriores, não tem de ser refrigerada, pode ser mantida à temperatura ambiente durante cerca de um mês, o que facilita a sua preservação, reduz a pegada ecológica e os custos de manutenção.

Atualmente, estes circuitos flexíveis têm diversas aplicações, sobretudo na área da saúde como sensores de biomonitorização e adesivos capazes de registar dados de saúde de doentes, nomeadamente atividade muscular, respiração, temperatura corporal, batimentos cardíacos, atividade cerebral, ou até emoções. A maioria dos dispositivos médicos utilizados em contexto hospitalar, nomeadamente eléctrodos para eletrofisiologia, são de uso único e desperdiçados após uma utilização. Assim, a introdução desta nova tinta, que permite uma reciclagem fácil e económica, tem um impacto relevante na reutilização dos adesivos de monitorização, reduzindo significativamente o lixo eletrónico também conhecido por e-waste, gerado pelas soluções de uso único.

A indústria alimentar é outro dos setores que pode beneficiar com esta descoberta ao integrá-la na próxima geração de embalagens inteligentes. A equipa testou a aplicação desta nova tinta em adesivos que podem ser impressos em plástico e aplicados em embalagens de produtos alimentares perecíveis, para monitorizar a sua temperatura e garantir a sua qualidade. Desta forma é possível garantir a adequada preservação, registar qualquer problema que ocorra durante o armazenamento e informar o consumidor.


«Para já, os adesivos criados contam um sensor de temperatura que mede a temperatura (TºC) da embalagem e que avisa o utilizador quando existe risco de contaminação. Esta solução tem um custo de produção baixo, pelo que no futuro será viável incluir estes adesivos nas embalagens de bens perecíveis para controlar a sua qualidade. Neste momento, é possível monitorizar a temperatura da embalagem e exposição a condições desfavoráveis, mas contamos conseguir no futuro controlar outros fatores como a pressão, humidade, posição, ou localização», revela.

A equipa do ISR da FCTUC tem feito progressos significativos na área de produção de circuitos eletrónicos flexíveis, de forma a viabilizar a produção destas soluções em termos de custos e em larga escala. Já é possível, por exemplo, produzir estes circuitos com recurso apenas a uma impressora 3D tradicional e foi apresentada, no ano passado, uma alternativa para a integração de microchips, em estado sólido, em materiais flexíveis e circuitos à base de polímeros elásticos.

A produção de tintas condutoras à base de água e a redução do impacto ambiental de resíduos eletrónicos é mais um passo nos objetivos da equipa. «À medida que o mundo se torna cada vez mais dependente de dispositivos eletrónicos, é crucial reconhecer e enfrentar os desafios ambientais apresentados pelos novos resíduos criados. Assim, pretendemos desenvolver sistemas eletrónicos inovadores baseados em eletrónica flexível, com diversas funcionalidades avançadas e aplicações tanto na medicina como na indústria, mas tendo sempre em conta a sustentabilidade, eficiência de recursos e um impacto ambiental mínimo», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal