Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Brasil - Banco Mundial apoia iniciativa para melhorar a gestão da água e diminuir os riscos de cheias no estado do Espírito Santo

O Programa Reflorestar, do governo do estado do Espírito Santo, já promoveu a restauração de 12 mil hectares e a conservação de 13 mil hectares de Mata Atlântica, com impactos positivos que se estendem até à região metropolitana de Vitória


Um programa apoiado pelo Banco Mundial no estado do Espírito Santo já investiu, desde 2011, mais de R$ 100 milhões em ações que procuram proteger as áreas altas das bacias hidrográficas.

O objetivo do Programa Reflorestar é melhorar a gestão integrada das águas e reduzir os riscos de cheias, além de diminuir a quantidade de sedimentos nos reservatórios que abastecem a região metropolitana de Vitória.

Pagamento por serviços ambientais

O Reflorestar atendeu mais de 5 mil propriedades nos últimos 15 anos, promovendo a restauração de 12 mil hectares e a conservação de 13 mil hectares. Atualmente, o Banco Mundial apoia esse trabalho por meio do projeto Águas e Paisagens II.

Uma das atividades do Reflorestar é o pagamento por serviços ambientais, PSA. Ele destina-se aos produtores rurais que recuperam e preservam as matas nativas.

Plantar árvores ajuda a infiltrar e reter a água na terra, evitando o carreamento de sólidos que normalmente acontece nos mananciais hídricos quando uma área está desmatada.

Por isso, o reflorestamento faz melhorar não só a qualidade, mas também a quantidade da água das bacias hidrográficas. Também ajuda as estradas a sofrer menos com a erosão e a manter-se transitáveis durante a época das chuvas.

Empregos e oportunidades

Entre as pessoas que fazem o esforço para recuperar a Mata Atlântica, estão os produtores rurais Tânia e Henrique Gravel, de Guaçuí. Em 1999, quando foram morar numa propriedade de 25 hectares, cercada pelas montanhas da Serra do Caparaó, o local tinha apenas uma nascente. Hoje, são 14.

Henrique orgulha-se da produção diversificada: “Nós temos café, nós temos banana, a gente mexe com mel, que é o carro-chefe. A gente tem fruta, nós temos abacate, nós temos cambuci, que a gente vai atender a merenda escolar...”

Além de preservar a natureza, a recuperação da floresta gera empregos e prosperidade, como mostra a comunidade rural de Feliz Lembrança, no município de Alegre. Lá, 62 famílias distribuem-se por 152 hectares.

A comunidade sofria, no começo dos anos 2000, com o êxodo rural e a degradação das terras, que eram usadas para pastagens de gado de corte. O grupo de jovens de uma igreja local decidiu formar uma associação para participar de projetos de agricultura familiar. E, também, resgatar formas de plantio usadas pelos antepassados, como o consórcio entre o café conilon e outras espécies alimentícias, como banana, abacate e laranja.

Próximos passos

O café produzido em Feliz Lembrança agora participa em concursos locais e tem selo de qualidade.

O produtor rural Fábio de Souza conta como foi o apoio do Programa Reflorestar:

“Comprámos muitas mudas, fizemos cercas em volta das nascentes... Assim, áreas que estavam cheias de voçoroca e a terra escorria toda para o rio foram recuperadas”.

Na atual fase do Reflorestar, a ideia é aprimorar ainda mais os investimentos em intervenções físicas que ajudam a reter a água, como barraginhas e cochinhos. Também estão a ser implementados biodigestores.

Tudo isso tem o objetivo de aumentar a resiliência aos efeitos climáticos de inundações e secas, além de melhorar a qualidade da água após o uso produtivo e humano. Mariana Ceratti - Banco Mundial Brasil ONU News

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Angola - Semba será elevado a património da UNESCO ainda este ano

O Semba, estilo musical e de dança, que já se tornou um cartão-postal da cultura angolana, será inscrito, ainda neste ano, na lista de Património Cultural Imaterial da UNESCO. A garantia foi dada pelo ministro da Cultura, Filipe Zau, que avançou que o processo para este fim já está em fase de conclusão


Ao falar à imprensa durante as festividades do Dia Nacional da Cultura, decorridas nos dias 7 e 8 do corrente mês, na cidade de Ndalatando, província do Cuanza-Norte, Filipe Zau assegurou que o processo do cumprimento dos requisitos exigidos pela UNESCO para a aceitação do Semba a património cultural mundial já está quase pronto e que, antes mesmo do final de 2026, será cumprido o desiderato.

“A esta altura o dossiê está completamente fechado e acreditamos que antes mesmo do término de 2026 o semba deverá ser classificado como património cultural da humanidade”, assegurou o ministro.

Filipe Zau recordou que o processo arrancou em 2023, quando o estilo foi classificado como património cultural nacional, garantindo, que no presente ano, infalivelmente, os angolanos terão a honra de orgulhar-se de um estilo que será um património cultural da humanidade.

Além do semba, o governante adiantou que o dossiê das pinturas rupestres do Tchindu-hulu também está quase concluído e muito provavelmente entre o final deste ano e o princípio do próximo este monumento cultural poderá também ser classificado como património cultural da UNESCO.

Questionado sobre a situação do Corredor do Kwanza, Filipe Zau disse que continuam a ser reunidos os requisitos necessários para a sua classificação; entretanto, sublinha que ainda faltam alguns elementos fundamentais que têm a ver com os dados arqueológicos e que levam algum tempo para serem devidamente reunidos. “O corredor do Kwanza continua na lista indicativa dos inscritos para a classificação.

Não só o Corredor do Kwanza como também o Tchitundu-hulu, do Namibe, e também o Cuito Cuanavale”, disse o ministro. Acrescentou ainda que “o que está mais avançado neste momento é o dossiê das pinturas do Tchitundu-hulu que acreditamos que até final deste mês de Janeiro daremos entrada no processo”, reforçou o governante.

Conservação das línguas nacionais como património cultural O ministro manifestou também preocupação com as questões inerentes à preservação das línguas de Angola enquanto patrimónios culturais da nação.

Filipe Zau avançou que decorre um projecto de lei a ser ainda apreciado pelo Conselho de Ministros que visa estabelecer os trâmites legais sobre a preservação das línguas banto e lhes conferir um estatuto de “línguas nacionais” como tal.

“É uma lei sobre a preservação das línguas africanas de Angola, todas elas, e sobretudo uma forma de lhes dar estatuto posteriormente e não deixar simplesmente que elas se percam”, explicou.

Sublinhou que a intenção é de, acima de tudo, arranjar, do ponto de vista cultural, uma maneira de preservar estas línguas e fazer com que elas estejam cada vez mais presentes no quotidiano dos povos a que elas pertencem sem serem discriminadas. Bernardo Pires – Angola in “O País”


terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Brasil - Estudo revela que conhecimento local melhora a sustentabilidade das pescas interligadas

Uma nova investigação, que conta com a participação de Sérgio Timóteo, investigador do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), revela o valor do conhecimento local e da organização das comunidades na criação de estratégias de proteção para a pesca de pirarucu (Arapaima gigas).


O trabalho, publicado no Journal of Applied Ecology, explica como essas estratégias podem ser aplicadas a outros sistemas socioecológicos, utilizando redes espaciais e modelação de meta-população, dentro e fora da Amazónia.

De acordo com Sérgio Timóteo, na Bacia do rio Juruá, na Amazónia Ocidental brasileira, a cogestão do pirarucu - o maior peixe de água doce do mundo - tem atraído atenção para a sua conservação, uma vez que a proteção dos lagos de meandro levada a cabo pelos habitantes locais tem favorecido a recuperação desta espécie emblemática, que estava à beira da extinção, beneficiando a biodiversidade e o bem-estar das comunidades.

«Entre as várias possibilidades, a escolha dos lagos a proteger é feita por pescadores locais experientes, que se baseiam no conhecimento ecológico acumulado ao longo de gerações sobre as dinâmicas sazonais do rio e o comportamento dos peixes. Este conhecimento local é combinado com políticas regulatórias que definem quotas anuais de pesca para os lagos em cogestão, com o objetivo de garantir a sustentabilidade do sistema e prevenir a pesca ilegal», explica o especialista.

Embora as escolhas locais e as regulamentações governamentais tenham demonstrado ser eficazes, os habitantes locais querem saber se as suas decisões são as melhores, enquanto os gestores e governos procuram formas de expandir esta iniciativa por toda a Amazónia. No entanto, experiências empíricas em larga escala são desafiantes, especialmente em áreas remotas como o coração da Amazónia.

Para apoiar esta iniciativa, os autores desenvolveram seis cenários alternativos de cogestão da pesca na região, baseados em dados populacionais de pirarucu recolhidos entre 2011 e 2022 por pescadores locais em 13 lagos protegidos e 19 lagos não protegidos. A equipa construiu uma rede espacial na qual os 31 lagos estudados se ligam entre si dependendo da sua posição geográfica, estado de proteção e ecologia do pirarucu.

Este estudo foi utilizado para desenvolver um modelo populacional que considera o número de adultos de pirarucu em cada lago ao longo do tempo, o crescimento populacional e a capacidade de carga de cada lago. Os cenários alternativos propostos envolvem mudanças nos lagos protegidos com base em fatores como ligações entre lagos, área, posição geográfica, capacidade de carga ou sem critérios específicos. Os autores também modelaram diferentes níveis de pesca ilegal nos lagos não protegidos.

«Os resultados foram surpreendentes», afirma o coautor. «Embora uma estratégia baseada na capacidade de carga ofereça resultados mais eficientes, o esquema de cogestão existente apresentou um desempenho muito próximo. Isto realça a importância e a fiabilidade do conhecimento local dos pescadores, já que os lagos geridos pelas comunidades mantiveram populações elevadas de pirarucu e são importantes refúgios contra a sobre-exploração», sublinha.

«A dinâmica de meta-população e a taxa de crescimento do pirarucu nesta área garantem que os lagos protegidos funcionem como fonte de novos indivíduos para o ecossistema fluvial, moderando o declínio populacional dentro de determinados limites, dependendo de cada cenário», realça o investigador do CFE/FCTUC.

Para além do conhecimento sobre a região do Juruá e a Amazónia, este trabalho oferece um modelo transferível na avaliação de estratégias de cogestão de pescas em diferentes cenários sociais e ecológicos. Ele fornece um guia para integrar o conhecimento local e a modelação ecológica, promovendo a sustentabilidade em ecossistemas complexos em todo o mundo.

«Estes resultados reforçam o valor do conhecimento ecológico local na definição de planos de conservação espacial na Amazónia. Ao selecionar quais os lagos que devem ser protegidos ou geridos de forma sustentável, os pescadores locais realizam uma análise multidimensional que considera vários fatores, como a ecologia dos peixes, as condições ambientais do lago e os aspetos logísticos de acesso. Este processo representa a materialização de uma tecnologia social complexa, forjada ao longo de milénios de interações entre pessoas e a natureza», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Reino Unido - Novo estudo conclui que parques solares bem administrados podem ajudar a impulsionar populações de abelhas que estão em declínio

Estudo mostra que os parques solares podem fornecer um habitat para abelhas


As abelhas são cruciais para os ecossistemas. Elas polinizam plantas e plantações selvagens, mantendo os habitats saudáveis.

Mas muitas populações na Europa estão a diminuir devido às alterações climáticas e à perda de habitat.

Um novo estudo, publicado na Global Change Biology, analisa como os parques solares podem ajudar na conservação de abelhas no Reino Unido.

Por que as abelhas estão em declínio?

As populações de abelhas estão a diminuir globalmente.

Um estudo de 2023 na Nature projetou que cerca de 38 a 76 por cento das espécies de abelhas europeias atualmente classificadas como "Menos Preocupantes" devem sofrer perdas de pelo menos 30 por cento de território ecologicamente adequado entre 2061 e 2080. 2024 também foi o pior ano para as abelhas no Reino Unido, de acordo com o Bumblebee Conservation Trust.

Há uma série de fatores em jogo: mudanças no uso da terra, agricultura intensiva, espécies invasoras e doenças infecciosas afetam os polinizadores como as abelhas.

As alterações climáticas também desempenham um papel: intensificam condições climáticas extremas que podem ameaçar os habitats das abelhas e perturbar os ciclos de vida.

O habitat oculto da energia solar

Neste estudo, que se acredita ser o primeiro a investigar o papel dos parques solares na conservação da biodiversidade no futuro, os investigadores queriam ver como as abelhas se sairiam com esses parques. Esses parques podem oferecer uma oportunidade para a criação de habitat para a vida selvagem e contribuir tanto para a energia de baixo carbono quanto para a recuperação da natureza.

Os investigadores analisaram 1042 parques solares em operação na Grã-Bretanha, criando um modelo de alta resolução para simular a alimentação e a dinâmica populacional das abelhas. Isso permitiu prever a densidade de abelhas dentro e ao redor dos parques solares do Reino Unido, além de levar em conta os efeitos de diferentes cenários futuros, como mudanças no contexto e na configuração do habitat.

“O modelo prevê como as abelhas usam essas paisagens com base em recursos de forrageamento e nidificação”, afirma a Dra. Hollie Blaydes, Investigadora Associada Sénior da Universidade de Lancaster e primeira autora do estudo. “Esse aspecto do trabalho foi particularmente inovador – é incomum que uma modelagem como essa seja feita com tantos detalhes.”

A modelagem sugere que o número de abelhas em parques solares pode mais que dobrar se elas forem orientadas visando a biodiversidade. As flores silvestres nos parques fornecem uma rica fonte de alimento, especialmente em comparação com a relva.

Um “refúgio” para abelhas

Os efeitos de "impulsionamento das abelhas" do manejo de parques solares foram em grande parte limitados aos dos próprios parques. Ao forragear ao redor das centrais solares, as mudanças na paisagem tiveram um impacto maior nas densidades de mamangavas, o que, segundo os autores, sugere que "um único parque solar isolado geralmente não neutralizou a influência de mudanças mais amplas no uso da terra esperadas em cenários futuros". 

Mas, como muitos países constroem parques solares para cumprir compromissos de energia renovável, os autores insistem que eles devem considerar a “localização estratégica” para conectar habitats de zangões.

“Os parques solares podem ser refúgios para as mamangavas hoje e no futuro e podem contribuir para a mitigação da perda de habitat – se bem geridos”, afirma Blaydes. “Mas os parques solares por si só não serão capazes de neutralizar os efeitos de todas as futuras mudanças no uso da terra sobre as mamangavas e outras espécies da biodiversidade.” Euronews.green


terça-feira, 12 de agosto de 2025

Moçambique - Mais 5 mil tipos de sementes de plantas silvestres salvas da extinção no país

Pouco mais de 5 mil sementes entre agrícolas e silvestres estão conservadas no banco de sementes do país. Assim, o Instituto de Investigação Agrária pretende garantir a continuidade de plantas ameaçadas mesmo depois de extintas na natureza.

Plantas silvestres são constantemente ameaçadas por actividades como abate frequente de árvores para uso de biocombustíveis para cozinhar alimentos e não só, bem como pelas alterações climáticas, o que põe em risco a flora moçambicana.

Pensando nisso, o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique colecta sementes de plantas em risco de desaparecer na natureza e as conserva em laboratórios como este que existem nas três regiões do país. A missão é garantir o futuro ambiental e alimentar.

Actualmente, existem mais de cinco mil sementes agrícolas e silvestres conservadas no banco de sementes do país. Assim, o Instituto de Investigação Agrária pretende garantir a continuidade de plantas ameaçadas mesmo depois de extintas na natureza, explicou a Directora do IIAM, Zélia Menete.

Tratam-se de plantas com teor medicinal, algumas até comestíveis e outras florestas que são salvas da extinção para o futuro. As sementes poderão ser usadas para reflorestação de áreas onde dada espécie tenha desaparecido.

No fim, o projecto prevê colectar e conservar pouco mais de mil tipos de sementes em todo o país, que vão servir para reflorestar garantindo a continuidade de plantas silvestres e algumas agrícolas que servem de alimento para as comunidades. Regina Ernesto – Moçambique in “O País”


quinta-feira, 10 de julho de 2025

Guiné-Bissau - Bijagós Património Mundial reforçará turismo e publicidade ao país africano

O advogado Tiago Banca e o engenheiro agrónomo Sanhá Correia, ambos naturais das ilhas Bijagós, acreditam que o turismo e a publicidade à Guiné-Bissau serão reforçados com o reconhecimento pela UNESCO do arquipélago como Património Mundial Natural. Os dois técnicos reagiram, a pedido da Lusa, ao reconhecimento que deverá ser anunciado amanhã, em Paris, e que ambos afirmam ser “marco importante” na vida dos povos das ilhas Bijagós e do próprio país.


“Com esse reconhecimento o arquipélago passa a ser um forte destino turístico mundial, devido à beleza natural das ilhas, por um lado, e, por outro lado, passa a ter mais divulgação a nível dos media, algo que trará benefícios para o nosso turismo nacional”, defendeu Tiago Banca.

Filho de pais oriundos das ilhas de Bubaque e Canhabaque, Banca só lamenta que o arquipélago ainda esteja confrontado com “tantas dificuldades”, nomeadamente falta de meios de transporte de ligação, de infra-estruturas condignas e água potável.

Tiago Banca vive e trabalha em Bissau, mas regularmente desloca-se às ilhas Bijagós para descansar ou visitar os familiares.

O engenheiro agrónomo, Sanhá João Correia é um activista pela conservação dos recursos naturais e do meio ambiente, que tenta, há largos anos, levar a mensagem da preservação em nome da Organização Não Governamental Tiniguena. Filho de pais originários das ilhas de Canhabaque e Galinhas, Sanhá Correia disse à Lusa que leva a mensagem da conservação a todas as 23 ilhas habitadas do arquipélago dos Bijagós.

Sanhá, como é conhecido, já não sabe ao certo a que ilha pertence, apenas tem consciência de que o reconhecimento da UNESCO vai ajudar a divulgar a mensagem da Tiniguena sobre a importância da conservação em todo o arquipélago. “Sendo um técnico que trabalha nas ilhas Bijagós no âmbito da conservação e desenvolvimento comunitário, essa decisão vai impactar bastante porque vai ajudar a reforçar a capacidade do nosso trabalho, vai também permitir as informações chegarem mais longe”, afirmou.

O engenheiro agrónomo acredita que o reconhecimento da UNESCO vai permitir que se conheça melhor as ilhas Bijagós a nível mundial, mas também fará com que as organizações que trabalham na conservação dos recursos da pesca, por exemplo, tenham mais apoios contra os pescadores clandestinos.

Correia aponta para os pescadores de países vizinhos da Guiné-Bissau que invadem as zonas protegidas, onde a pesca é limitada, com as suas embarcações, isto é, desrespeitando as regras de pesca nesses locais.

Sanhá Correia vive e trabalha nas ilhas, mas regularmente desloca-se a Bissau para comprar víveres e receber orientações da Tiniguena sobre como sensibilizar as populações para a conservação.

As Bijagós são consideradas um tesouro natural e cultural da Guiné-Bissau, ainda pouco conhecidas do turismo internacional. Com ‘resorts’ em algumas das 88 ilhas e ilhéus, a dinâmica turística existente é sustentada, sobretudo, por expatriados de organizações internacionais a trabalhar na Guiné-Bissau. A pesca desportiva é outro atractivo das ilhas, com maior procura de pescadores franceses e de países francófonos.

Além das praias atlânticas, são também chamativos das Bijagós a desova das tartarugas, em Novembro, ou os hipopótamos na biodiversidade dos três parques naturais das ilhas e que são o centro da candidatura a Património Mundial, concretamente Poilão, João Vieira e Orango.

A cultura do povo Bijagó, com o seu modo de vida tribal, em comunhão com a natureza, distingue também as ilhas guineenses e é valorizada na candidatura a Património Mundial.

As ilhas, consideradas um tesouro natural e cultural, fazem parte da lista de 32 sítios de todo o mundo candidatos a Património Mundial, que vão conhecer a decisão da UNESCO esta sexta-feira. A 47ª reunião do Comité do Património Mundial decorre até 16 de Julho, na sede da UNESCO em Paris.

Marinheiros das Bijagós clamam por formação

Santinho e Kaby, dois dos mais experientes marinheiros de botes que ligam a zona continental da Guiné-Bissau às Bijagós, disseram que é preciso formar marinheiros no âmbito do reconhecimento das ilhas como Património Mundial Natural. “É preciso formar marinheiros para, pelo menos, conhecerem a Carta da Navegação para que saibam quais os rios navegáveis da Guiné-Bissau”, observou Santinho, piloto há mais de 20 anos a operar botes do Instituto da Biodiversidade e Áreas Protegidas. Santinho Joaquim da Silva, vulgarmente conhecido por Santinho, e Kaby, aliás, Libânio Natália Lima Lopes, operador das embarcações da Ponta Anchaca, um dos hotéis de referência em Bubaque, antevêem que o reconhecimento pela UNESCO fará aumentar o fluxo de turistas às ilhas Bijagós. “Teremos mais responsabilidade. Precisamos de bons motores, coletes e telefones. Viajar com alguém que nunca andou no mar é complicado, sobretudo quando se apanha com o mau tempo”, observou Kaby. Além de pilotos competentes, Santinho propõe que sejam formados guias turísticos, “conhecedores da realidade das ilhas Bijagós” e desta forma evitar que sejam pessoas de países da sub-região a fazer esse serviço. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

São Tomé e Príncipe - Abriga reunião sobre reservas da biosfera da Unesco

Ao todo, são 24 reservas em seis países de língua portuguesa. O evento que conta com a presença do primeiro-ministro do país africano termina nesta sexta-feira na Ilha de Príncipe



Representantes de um grupo de países que falam a língua portuguesa estão reunidos em São Tomé e Príncipe, esta semana, para debater temas ligados aos ecossistemas da Terra.

O 3º Encontro da Rede das Reservas da Biosfera da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, ocorre no contexto da CPLP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que tem sede em Lisboa, Portugal.

Grupo inclui 196 milhões de hectares de biodiversidade

O novo primeiro-ministro são-tomense, Américo d’Oliveira dos Ramos, discursou esta terça-feira na reunião, que ocorre na Ilha de Príncipe.

Especialistas, representantes das Reservas da Biosfera e outros convidados devem refletir sobre o papel da biodiversidade em países lusófonos como Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

Segundo a Unesco, a Rede Temática do Programa Homem e Biosfera (MAB) foi aprovada em julho passado.

A Rede inclui 196 milhões de hectares que beneficiam mais de 104 milhões de pessoas que vivem nesses territórios.

Angola, Timor-Leste e Guiné-Equatorial querem entrar na Rede

Na semana passada, São Tomé e Príncipe realizou a 10ª Reunião dos Ministros do Meio Ambiente da CPLP e analisou a expansão do grupo com Angola, Timor-Leste e a Guiné-Equatorial, os demais integrantes do bloco.

Um dos temas a serem debatidos é sobre o turismo sustentável e a conservação da biodiversidade nos países do grupo.

O III Encontro da Rede das Reservas da Biosfera da Unesco na CPLP termina nesta sexta-feira. ONU News – Nações Unidas


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Portugal - Cientistas da Universidade de Coimbra desenvolvem filmes de nanocelulose para conservação e restauro de documentos históricos

Uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a desenvolver biofilmes de nanocelulose, com o objetivo de criar soluções eficazes e sustentáveis para a conservação e restauro de documentos históricos em papel.


 

Estes filmes, feitos de materiais renováveis, são semelhantes à película aderente de cozinha, mas mais resistentes, apresentando-se como uma alternativa inovadora aos métodos tradicionais, como o uso de papel japonês, amplamente utilizado nesta área. 

«Durante séculos, a tinta ferrogálica foi bastante usada em manuscritos devido à sua nitidez e permanência. No entanto, certas características químicas que possui, como acidez e o elevado teor de ferro, causam, com o tempo, degradação no papel, resultando em fissuras, perda de resistência e até formação de furos no documento, para além do desvanecimento da própria tinta resultando em perda de legibilidade», explica José Gamelas, investigador do Centro de Engenharia Química e Recursos Renováveis para a Sustentabilidade (CERES). 

De acordo com o líder do projeto “NANOCELIRONGAL - Nanocellulose films for the repair of old documents containing iron gall ink”, os filmes de nanocelulose oferecem vantagens significativas em comparação com os materiais convencionais. Entre as principais caraterísticas destacam-se a elevada resistência mecânica que possuem, garantindo uma maior durabilidade e estabilidade estrutural do papel tratado, a barreira protetora superior, que impede a entrada de oxigénio e humidade, principais causas de degradação, e a transparência, que permite uma aplicação quase impercetível do filme. Para além disso, à semelhança do papel japonês, contribui para práticas de conservação mais verdes. 

Durante a investigação, a equipa testou diferentes técnicas de aplicação, incluindo a colagem do filme ao papel com adesivos específicos.

«Aplicamos os filmes em papel de trapos (usado para simular papel antigo) escrito com tinta ferrogálica (recriada em laboratório). Posteriormente, são feitos testes de envelhecimento acelerado em condições controladas de temperatura e humidade, entre outras, para avaliar a durabilidade e eficácia dos filmes», conta Ana Marques, membro do projeto.  

«Os resultados obtidos são bastante promissores e indicam que os filmes de nanocelulose superam o papel japonês em termos de resistência mecânica e capacidade de proteção, posicionando-se como uma alternativa mais eficaz», afirmam os investigadores. 

Em março, José Gamelas irá liderar um novo projeto, financiado pela Comissão Europeia no valor de 2,2 milhões de euros, que dará continuidade à investigação que tem vindo a ser feita nesta área. «Este novo capítulo visa consolidar uma linha de investigação de ponta na criação de materiais bio baseados por abordagens sustentáveis e explorar o seu potencial na conservação de património histórico e cultural», conclui o professor da FCTUC. Universidade de Coimbra - Portugal  


quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Fundação Calouste Gulbenkian - Prémio Gulbenkian Património – Maria Tereza e Vasco Vilalva

Candidaturas de 01 jan a 31 mar 2025



O Prémio Gulbenkian Património – Maria Tereza e Vasco Vilalva, no valor de 50 mil euros, distingue projetos de excelência na área da conservação, recuperação, valorização ou divulgação do património português, imóvel ou móvel.

Correspondendo à vontade manifestada por Maria Tereza Burnay de Almeida Belo Eugénio de Almeida de homenagear a memória do seu marido Vasco Vilalva, mecenas a quem o país, e em particular o Alentejo, muito deve na área da recuperação e da valorização do património, a Fundação Calouste Gulbenkian criou um prémio anual com o seu nome, destinado a assinalar intervenções exemplares em bens imóveis ou móveis de valor cultural que estimulem a preservação e a recuperação do património. Atribuído pela primeira vez em 2007, após a morte da Condessa de Vilalva, em 2017, o Prémio recebeu o nome de Maria Tereza e Vasco Vilalva. Fundação Calouste Gulbenkian – Portugal


Regulamento

Mais informações aqui


sábado, 9 de novembro de 2024

Angola - Peças no Museu Regional do Dundo deterioradas por falta de manutenção

A proteção do acervo do Museu Regional do Dundo, por falta de produtos específicos como o formol e o álcool para o tratamento, a proteção e a devida conservação de algumas peças anatómicas, têm sido uma das principais preocupações da direção daquela instituição


Entre as peças danificadas por falta de condições técnicas para garantir a conservação, destacam-se o Cicuvu (Cinguvu), Mucupela, Mussandas e Cabaças, para além do acervo anatómico do espaço da Ciência Natural.
A situação, segundo o diretor, Samuel Minerva, é a obrigação de que se faça uma redução significativa da exposição das peças, o que está a retirar o interesse dos cidadãos nacionais e estrangeiros, sobretudo, adultos em visitar o museu.
Samuel Minerva recorda que no passado, a instituição despertou muita atenção dos habitantes da província, outros pontos do país e do mundo. Com o passar dos anos, lamentou, a flexibilidade das peças museológicas está a retirar a originalidade que sempre evidencia o acervo do Museu Regional do Dundo, que desde 1936, altura da fundação, atraiu muitos visitantes entre historiadores, investigadores e estudantes. Atualmente, o museu tem portas abertas para o público de terça a sábado, das 08h00 às 19h00.
O diretor avançou que na função do estado atual de manipulação de algumas peças, muitas delas podem competir para o diminuir depois de serem avaliadas por uma comissão técnica. “Vamos trabalhar para a selecção das peças que ainda podem ser reaproveitadas, como outras, a comissão de avaliação irá decidir o destino final que deve passar por uma cerimónia onde serão enterradas”, explicou.
Segundo Samuel Minerva, a situação é triste e inaceitável, porque o Estado precisa recuperar com urgência o acervo museológico para a manutenção da história e da cultura dos povos Lunda-Cokwe. Alertou que se o quadro não mudasse os insetos, répteis, porcos colados e outros que fossem específicos do acervo anatómico do espaço dedicado à Ciência Natural, ele deixaria de existir na instituição.
O diretor, que assumiu a função no passado mês de Outubro, revelou que, atualmente, no depósito do Museu Regional do Dundo tem muitas peças em mau estado de conservação, em que uma recuperação requer recursos financeiros elevados, situação que preocupa a direcção do museu, tendo em conta o momento económico atual do país. “A solução passa pela substituição das peças em mau estado de conservação por novas, retirando as etiquetas nas peças antigas, mas a peça antiga deve manter ao lado da nova para mostrar um original”.
O responsável sublinhou a necessidade de uma intervenção urgente para a manutenção das peças originais de modo a manter o museu no topo dos melhores do país e da África.
O diretor afirmou que a situação é do conhecimento do Ministério da Cultura e do Governo local. “Há garantias para a resolução do problema nos próximos dias para que sejam salvaguardadas as peças que ainda se encontram em bom estado e evitar a redução do acervo museológico que, nos últimos, tempos, tem sido motivo de muita preocupação da direção do museu” realçou. Samuel Minerva destacou a existência de preocupação do Estado na criação de condições para a conservação, preservação e manutenção do espólio. “Temos interagido com o Ministério da Cultura, e em Janeiro do próximo ano, vamos receber uma equipa que vai fazer o levantamento do estado das peças para uma avaliação de modo a definir quais das peças ainda podem ser recuperadas”.  
O diretor lembrou que, até ao ano de 2018, o museu contava com mais de nove mil peças museológicas, mas atualmente, o número é inferior, significativamente, em função do mau estado de conservação de muitas peças”.
Atualmente, garantido, o acervo conta entre sete a seis mil peças, números que serão confirmados pelo levantamento a ser feito pela comissão de avaliação. Samuel Minerva referiu que para a protecção e conservação do espólio museológico, é necessária a manutenção periódica das peças.
Necessidade de quadros
O diretor mostrou-se preocupado com o número reduzido de recursos humanos para responder às expectativas, uma vez que o museu em média recebe entre 50 a 70 visitantes por dia. “O museu conta apenas com seis técnicos e dois chefes de departamento, número inferior para cobrir as dez salas de exposição existentes”.
Samuel Mirneva sublinhou que, por norma, cada sala deveria ter um vigilante para o controlo do acervo, e para o pleno funcionamento do museu são necessários no mínimo 40 funcionários. Isidoro Samutula – Angola in “Jornal de Angola”  


sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Timor-Leste - ONG Konservasaun Flora & Fauna restaura manguezais para proteger país de desastres climáticos

A nação de língua portuguesa do sudeste asiático é vulnerável a inundações, deslizamentos e erosão, além de aumento do nível do mar e tsunamis, florestas de manguezais funcionam como barreira natural, mas são ameaçadas por retirada ilegal e madeira, poluição e exploração de petróleo. Com o apoio do PNUD, uma organização local desenvolveu ações de conservação


Uma das prioridades na 29.ª Cúpula do Clima, COP29, que começa na próxima semana no Azerbaijão, será um novo acordo financeiro coletivo para apoiar os países em desenvolvimento a tomar medidas de mitigação e adaptação às alterações climáticas.
Algumas das soluções são baseadas simplesmente em conservar e restaurar ecossistemas, como manguezais, corais e ervas marinhas, que funcionam como barreiras naturais para eventos climáticos extremos.
Vulnerabilidade a inundações e deslizamentos
Por ser um dos países mais vulneráveis do mundo a desastres como ciclones, terremotos, tsunamis, secas e chuvas, Timor-Leste pode beneficiar com um eventual novo acordo na COP29. Com apoio das Nações Unidas, o país tem apostado em soluções baseadas na natureza e mostrado resultados.
A nação lusófona, do sudeste da Ásia, tem uma geografia muito particular com 743 km de litoral e diversas montanhas, que chegam até 3 mil metros de altura. Relatos mitológicos contam que o país surgiu de um crocodilo e por isso a ilha tem o formato do animal, sendo as montanhas a sua coluna.
Estas características fazem com que a pequena nação asiática seja particularmente vulnerável a inundações, deslizamentos de terra e erosão do solo.
Ao mesmo tempo, o aumento do nível do mar em Timor-Leste nas últimas décadas foi de cerca de 9 mm anualmente, o que é bem superior à média global de 2,8 - 3,6 mm por ano.
Restauração de manguezais
Mas a própria natureza do país também oferece recursos de proteção contra essas ameaças, um deles é o manguezal. No entanto, desde 1940, Timor-Leste perdeu 80% da cobertura desse ecossistema.
Para reverter este quadro, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, iniciou em 2016 o Programa de Resiliência Costeira. Até 2020, quase 2 mil hectares de manguezais e zonas húmidas foram conservados e restaurados nas costas norte e sul do país.
A ONG local Konservasaun Flora & Fauna, KFF, obteve apoio do PNUD para o desenvolvimento de um centro de estudos de manguezais no município de Hera, também convertido em ponto turístico.
Além de apoiar pesquisas, a KFF faz a “gestação” de 30 a 40 mil árvores todos os anos, de 16 espécies diferentes, para garantir a reabilitação de florestas de manguezais em Hera e outras áreas de Timor-Leste.
Ameaça da poluição por lixo e resíduos do petróleo
A ONU News visitou o local e conversou com o diretor da KFF, Alito Rosa, que disse que “os manguezais podem proteger as comunidades costeiras de desastres naturais, como tsunamis, furacões, ventos fortes, e prevenir a ocorrência de erosão”.
Segundo ele, dos 13 hectares de manguezais que existem atualmente em Hera, três foram restaurados com sucesso pela KFF, com apoio do PNUD. A organização também restaurou recifes de coral danificados e preservou cerca de 15 hectares de algas marinhas.
Os maiores riscos para a existências dos manguezais são o corte e queima de árvores, extração ilegal de madeira, e poluição. O diretor da KFF explicou que “se as ondas do mar carregarem lixo e cobrirem a parte superior da semente do mangue, isso impedirá que ela seja exposta à luz solar efetivamente matando os manguezais”.


Por isso, os esforços de conservação são a principal prioridade da organização. Para reforçar essa ideia, o caminho que os visitantes fazem ao chegar ao centro de estudos é por uma passadeira feita com plástico reciclado, convertendo o principal inimigo do mangue num suporte para a sua contemplação.
O coordenador de projetos da KFF, Elídio Ximenes, adicionou que a exploração de petróleo na costa timorense também “gera resíduos que se infiltram nos manguezais”. Para ele, a falta de regulação dessas atividades representa uma “ameaça significativa para a sobrevivência dos manguezais e dos recifes de coral”.
Envolvimento da comunidade
O representante do Suco Hera, Raul Amaral Soares, afirmou que os esforços de conservação envolvem toda a comunidade, que participa de eventos de plantio e ações de educação sobre como cuidar do lixo.
A líder comunitária Nélia dos Santos Oliveira já participou dessas atividades e declarou que “os manguezais são um bom habitat para a vida marinha e não devem ser destruídos”.
Segundo ela, uma vez que a pesca é essencial para o modo de vida das comunidades costeiras, as mulheres devem envolver-se e contribuir.
Alito Rosa ressalta que esses ecossistemas são muito valiosos para Timor-Leste porque, “quando vistos através das lentes da economia azul, desempenharão um papel significativo no futuro”.
“Na nossa organização, esse espírito motiva-nos a continuar fazendo a diferença através do nosso trabalho”, concluiu ele. Felipe de Carvalho – Timor-Leste ONU News


quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Estados Unidos da América - Descoberta nova espécie de artrópode, preservada em pirite de ferro

Uma equipa de investigadores descobriu uma nova espécie de artrópode, parente das atuais aranhas ou escorpiões, que data de há 450 milhões de anos e foi perfeitamente preservado num material semelhante a ouro no Estado de Nova Iorque


Este tipo de conservação deve-se ao material em que foi encontrada, a pirite de ferro, também conhecida como 'ouro dos parvos', que estava a "preencher" ou a ocupar as diferentes partes do corpo do animal morto e preso num sedimento ao ponto de dar a sensação de que estava embalsamado em ouro.

O fóssil foi encontrado num local no Estado de Nova Iorque conhecido como 'Beecher Trilobite Bed', no qual existe uma grande representação de organismos fósseis em perfeitas condições porque a pirita de ferro manteve a forma dos seus corpos após serem enterrados no sedimento, dando origem a espetaculares fósseis dourados tridimensionais.

A descoberta foi descrita na terça-feira na revista Current Biology, onde a nova espécie é denominada 'Lomankus edgecombei', em homenagem a Greg Edgecombe, paleontólogo do Museu de História Natural de Londres considerado um dos maiores especialistas mundiais em artrópodes.

"Para além da bela e marcante cor dourada, estes fósseis estão espetacularmente preservados, parece que ao lavar a rocha em que estão ganhariam vida e fugiriam", sublinhou um dos autores, Luke Parry, investigador da Universidade Britânica de Oxford.

O novo fóssil pertence a um grupo de artrópodes denominados 'megacheirans', que se caracterizam por possuírem uma grande perna ou apêndice na parte frontal do corpo para capturar as suas presas.

Os investigadores sublinham que os 'megacheirans' como Lomankus eram muito diversos durante o Câmbrico (entre há 538 e 485 milhões de anos), mas foram extintos no período Ordovícico (entre há 485 e 443 milhões de anos).

O fóssil oferece pistas valiosas para compreender melhor como os artrópodes desenvolveram estes apêndices frontais para controlar o seu ambiente e capturar presas, até se tornarem naquilo que hoje conhecemos como antenas de insetos e crustáceos, e pinças e presas de aranhas e escorpiões.

"Hoje em dia, existem mais espécies de artrópodes do que qualquer outro grupo de animais na Terra, e parte da chave para este sucesso evolutivo é a sua cabeça e apêndices altamente adaptáveis", acrescentou Parry.

Enquanto outros megacheirans usavam o seu primeiro apêndice de grandes dimensões para capturar presas, nos Lomankus as garras típicas são muito mais pequenas.

Isto sugere que o animal utilizou o seu apêndice frontal para perceber o seu entorno, em vez de capturar presas, pelo que o seu estilo de vida teria sido muito diferente do dos seus parentes mais velhos do período Cambriano.

Na verdade, o fóssil parece não ter olhos, pelo que o apêndice frontal terá sido essencial para a procura de alimento no ambiente escuro e com baixo teor de oxigénio em que vivia. Agência Lusa



quinta-feira, 18 de julho de 2024

Macau - Instituto para os Assuntos Municipais promete reparar estrofes de “Os Lusíadas” no Jardim de Camões

O Instituto para os Assuntos Municipais revelou ao Jornal Tribuna de Macau que irá realizar “trabalhos de manutenção” nas estrofes de “Os Lusíadas” que constam da parte detrás do pedestal onde assenta o busto de Camões, naquele que é um dos mais antigos jardins do território. O organismo liderado por José Tavares não indicou, contudo, mais detalhes, nomeadamente calendarização e procedimentos


A terceira estrofe de “Os Lusíadas” que consta na parte detrás do pedestal onde assenta o busto de Luís Vaz de Camões, no Jardim de Camões, está praticamente ilegível. Confrontado com a situação, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) disse ao Jornal Tribuna de Macau que “já tinha verificado que as inscrições estão a desaparecer e está a acompanhar a situação”. Mais ainda, o organismo liderado por José Tavares acrescentou que “serão realizados trabalhos de manutenção”.

Às perguntas que se seguiram – “quando serão iniciados os trabalhos de manutenção?” e “quais os procedimentos a seguir, uma vez que as estrofes estão escritas em português?” -, o IAM disse que, por enquanto, “não há mais detalhes a acrescentar”.

De notar que os dois primeiros excertos que constam do pedestal em pedra na Gruta de Camões ainda se conseguem ler. Dizem respeito à estrofe 95 do Canto VI e à estância 42 do Canto VIII.

A estrofe que já está praticamente incompreensível é a número 81 do Canto VI: “E ainda, Ninfas minhas, não bastava/ Que tamanhas misérias me cercassem,/ Senão que aqueles que eu cantando andava/ Tal prémio de meus versos me tornassem:/ A troco dos descansos que esperava,/ Das capelas de louro que me honrassem,/ Trabalhos nunca usados me inventaram,/ Com que em tão duro estado me deitaram”.

Num artigo de opinião publicado neste jornal, o investigador António Aresta alertou recentemente para esta questão, dizendo que a estância precisa de ser reescrita. “Luís de Camões merece este desvelo, 500 anos depois”, defendia. O IAM referiu agora ao JTM que vai avançar com esse trabalho, mas não se sabe ainda quando terá início.

O Jardim de Luís de Camões, um dos mais antigos de Macau, foi criado em meados do século XVIII. Na Gruta, constituída por três grandes rochedos facetados, encontra-se então o busto de Camões, da autoria do escultor Manuel Maria Bordalo Pinheiro.

Diz-se que, em meados do século XVI, Camões (1524-1580), viveu em Macau durante dois anos, onde terá terminado, na Gruta que tem hoje o seu nome, a obra “Os Lusíadas”. “Com o patrocínio de 600 francos de um rico comerciante português de Macau, Lourenço Marques, genro de Manuel Pereira, a gruta foi renovada em 1849, sendo aí colocado um busto do poeta. Foi também erigido um pavilhão sobre a gruta, o qual já não existe. O último restauro da gruta data de 1866 e o busto do poeta foi refundido em bronze”, pode ler-se na página do património cultural de Macau.

Este ano, recorde-se, celebram-se os 500 anos do nascimento de Camões. Em Macau, o Instituto Cultural realizou, durante o mês de Junho, uma série de actividades, incluindo um concerto, palestras e visitas guiadas. A Associação dos Jovens Macaenses levou também a cabo uma palestra intitulada “500 anos da língua de Camões e a evolução de Portugal em Macau”. Anteriormente, a Rede Camões na Ásia & África organizou o Congresso Internacional do Meio Milénio de Camões, iniciativa que incluiu uma série de comunicações de várias partes do mundo.

Consulado em Cantão inaugurou Sala Camões

O Consulado-Geral de Portugal em Cantão criou uma Sala Camões nas suas instalações, em mais uma homenagem inserida nas comemorações dos 500 anos do nascimento do poeta. O novo espaço foi inaugurado recentemente por ocasião de uma visita a Cantão do Embaixador de Portugal na China, Paulo Jorge Nascimento. A cerimónia contou ainda com a presença da Cônsul-Geral Ana Menezes Cordeiro, que concluiu, entretanto, a missão de três anos no posto diplomático, sendo substituída por Tomás van Asch de Azevedo. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 14 de junho de 2024

Cabo Verde - Associação Projecto Vitó assinala Dia Mundial das Tartarugas Marinhas na ilha do Fogo

São Filipe – A Associação Projecto Vitó assinala hoje o Dia Mundial das Tartarugas Marinhas com um conjunto de acções de sensibilização das pessoas sobre a necessidade de conservar as tartarugas marinhas e seus habitats.


A Associação, que trabalha na preservação das tartarugas marinhas na ilha do Fogo e na Reserva Natural Integral dos Ilhéus do Rombo, vai comemorar o Dia Mundial das Tartarugas com um evento que contará com a participação de alunos de diversas escolas e as crianças dos jardins de infância, proporcionando actividades educativas e recreativas para crianças e adultos.

O evento decorre nas instalações do auditório Padre Pio Gottin e, de entre as actividades, constam apresentação de músicas, vídeos, poesias e peça teatral relacionado com as tartarugas e exposição.

A Associação Projecto Vitó, através de uma nota de imprensa, reforça que o objectivo desta organização não-governamental, ligado à área do ambiente, é sensibilizar e educar a comunidade sobre a importância da conservação das tartarugas marinhas e seus habitats.

Recorde-se que a associação realizou, esta semana, uma acção de capacitação dos monitores das praias de nidificação das tartarugas marinhas da ilha do Fogo e da Reserva Natural Integral dos Ilhéus do Rombo para a monitorização das praias durante a campanha de desova de tartarugas que decorre de Junho a Outubro.

Anteriormente realizou campanhas de limpeza de todas as praias de nidificação das tartarugas a nível da ilha do Fogo. In “Inforpress” – Cabo Verde


sexta-feira, 31 de maio de 2024

Timor-Leste - Vai criar um Parque Marinho em Ataúro para promover a economia azul

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, anunciou na terça-feira a criação de um Parque Marinho em Ataúro, situado em frente a Díli, para promover a economia azul no país e pediu a ajuda dos parceiros internacionais.


O anúncio foi feito durante a IV Conferência Internacional dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, que decorre em Antígua e Barbuda, numa sessão sobre revitalização da economia de forma sustentável. “A iniciativa que Timor-Leste deseja anunciar publicamente nesta conferência é que queremos acelerar o desenvolvimento económico sustentável com a criação de um Parque Marinho na ilha de Ataúro”, afirmou Xanana Gusmão, citado num comunicado do seu gabinete enviado à imprensa.

Segundo o líder do Governo, a iniciativa vai contribuir para a conservação ambiental marinha e promover uma economia azul sustentável, criando postos de trabalho para os timorenses. Mas, segundo Xanana Gusmão, para concretizar a iniciativa é preciso “realizar pesquisas científicas e estudos sobre biodiversidade, desenvolver infraestruturas para proteger os recifes tropicais e criar uma estrutura de governação para uma economia azul”. “Não podemos fazer aquilo sozinhos. Precisamos de cooperação e parcerias internacionais”, afirmou o chefe do Governo timorense, salientando que espera que o desenvolvimento da economia azul em Timor-Leste seja um modelo de desenvolvimento sustentável para outros estados insulares.

Timor-Leste é dos países do mundo com maior biodiversidade marinha. A ilha de Ataúro, situada a 25 quilómetros a norte de Díli e com cerca de 10000 habitantes, tem o maior número médio de peixes de recife e corais fossilizados e é também um local frequentemente visitado por várias espécies de baleias e golfinhos. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Portugal - Universidade de Coimbra lidera projeto estruturante para a conservação dos polinizadores

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a coordenar um projeto estruturante para a conservação e sustentabilidade dos polinizadores em todo o território nacional.


O projeto intitulado PolinizAÇÃO, coordenado por Sílvia Castro e João Loureiro, docentes e investigadores no Centro de Ecologia Funcional (CFE) do Departamento de Ciências da Vida (DCV), visa combater o declínio dos insetos polinizadores, como as abelhas, borboletas, moscas-das-flores, entre outros.

Para alcançar este objetivo, em estreita articulação com a Rede Colaborativa para a Avaliação, Conservação e Valorização dos Polinizadores e da Polinização - polli.NET, o projeto vai identificar e implementar ações concretas de conservação, ao mesmo tempo que mobiliza e consciencializa a sociedade sobre a importância vital destes agentes na biodiversidade e na produção alimentar.

«Os polinizadores desempenham um serviço vital nos ecossistemas, são cruciais para a natureza, a agricultura e o bem-estar humano. No entanto, enfrentam atualmente diversas pressões globais, desde alterações no uso do solo, que promovem a simplificação e homogeneização da paisagem, até invasões biológicas e mudanças climáticas», explica Sílvia Castro, alertando que estas pressões representam uma ameaça significativa à conservação da biodiversidade funcional dos ecossistemas e à produção agrícola sustentável.

No âmbito deste projeto será elaborado um Plano de Ação para a Conservação e Promoção dos Polinizadores e Serviços de Polinização em Portugal, orientador e pragmático, que vai fornecer uma base estratégica para as partes interessadas, estabelecendo diretrizes claras para promover práticas sustentáveis. «Este plano surge como uma resposta urgente e colaborativa para enfrentar os desafios que ameaçam os polinizadores», acredita a investigadora do DCV.

«O PolinizAÇÃO representa um compromisso sério com a conservação da nossa biodiversidade. Ao unir esforços com várias entidades, pretendemos avaliar o estado da arte sobre os polinizadores para o território nacional, criar um programa de monitorização de longa-duração, construir o plano de ação propriamente dito, e desenvolver iniciativas de disseminação e divulgação e de ciência cidadã sobre a importância dos polinizadores», elucida João Loureiro.

Este novo projeto, que terá a duração de dois anos, é financiado pelo Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente e Alterações Climáticas e envolve uma parceria de execução com a Rede polli.NET, incluindo membros destacados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), o Centre for Ecology, Evolution and Environmental Changes (cE3c), a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o Linking Landscape, Environment, Agriculture And Food (LEAF) do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, a Associação BIOPOLIS, o Azorean Biodiversity Group da Universidade dos Açores, a Sociedade Portuguesa de Entomologia e o Centro de Conservação das Borboletas de Portugal – Tagis. Universidade de Coimbra - Portugal