Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Lusofonia - Falhas no acompanhamento da crise política na Guiné-Bissau e com Domingos Simões Pereira

Analistas declararam à Lusa, no âmbito dos 30 anos da CPLP, que a organização falhou no acompanhamento da crise na Guiné-Bissau, especialmente com o seu ex-secretário-executivo, e consideraram a suspensão do país um acto simbólico.

O analista político guineense Rui Landim criticou a actuação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que, a seu ver, desde os primórdios, nunca teve uma actuação eficaz no seu país.

“A CPLP foi criada em 1996, em 1998 a Guiné-Bissau mergulhou numa guerra civil e logo aí não houve intervenção”, reflectiu.

Agora, o país encontra-se, pela primeira vez na sua História, suspenso da CPLP, assim como de outras organizações, devido ao golpe de Estado militar de 26 de Novembro de 2025, na véspera da divulgação dos resultados eleitorais de 23 de Novembro.

Nesse seguimento, o activista guineense questionou: “Qual é a consequência dessa suspensão? A Guiné-Bissau vive há cerca de 12 anos uma crise [política] e nada de CPLP”.

Além disso, prosseguiu, Domingos Simões Pereira, líder do histórico PAIGC, que foi secretário-executivo da CPLP entre 2008 e 2012, está detido e a organização lusófona, aparentemente, nada fez sobre isso.

O professor moçambicano Elísio Macamo corrobora essa opinião. Domingos Simões Pereira, líder da oposição guineense e ex-secretário-executivo da CPLP, está detido há meses “sem nenhuma acusação” e “não se vê nada da parte da CPLP em relação a isso”, criticou. “É nesses momentos que se pode perguntar, com certa legitimidade, para que é que uma organização dessas existe”, frisou o docente.

O especialista brasileiro em História das Relações Internacionais Adriano de Freixo questionou o efeito prático do envio de uma missão de ofício ao país. “Mandar uma missão de ofício seria muito mais para chegar lá e verificar que, de facto, a situação se deteriorou desde o golpe de Estado, que a oposição está calada, que há violações de direitos humanos, que há repressão a manifestações contrárias ao Governo militar. [Essa missão] iria lá, confirmaria isso, a Guiné-Bissau continuaria suspensa, e aí, qual a consequência prática disso?”, reflectiu.

“O que significou para a Guiné-Bissau a suspensão da CPLP? Nada. É uma coisa mais simbólica do que outra coisa. Não tem efeito prático, da mesma maneira que uma missão no país não teria nenhum efeito prático porque não há mecanismos dentro da CPLP que permitam exercer controlo sobre os Estados-membros para que cumpram os princípios fundadores”, acrescentou.

Para o presidente da Universidade Lusíada de São Tomé e Príncipe, Liberato Moniz, tem havido uma indiferença internacional enorme perante o que se passa na Guiné-Bissau. “Nós vemos, na televisão portuguesa e brasileira, guerras que estão a milhares de quilómetros, mas o que está mesmo aqui ao lado ninguém fala”, lamentou o ex-pré-candidato presidencial, que considerou que a missão de ofício à Guiné-Bissau “faz todo o sentido”, mas exige “objectivos concretos” para ajudar a mudar a situação do país.

Divergindo sobre o estatuto do país na comunidade, o politólogo angolano Almeida Henriques defendeu que a Guiné-Bissau “não reúne condições para pertencer à organização”. O analista argumentou que a falta de verticalidade institucional, a profunda instabilidade política interna e a necessidade de respeitarem os valores democráticos impedem o país de responder aos anseios mínimos exigidos pela CPLP.

Por outro prisma, o analista português Fernando Jorge Cardoso explicou que “o que se passa na Guiné-Bissau tem raízes regionais que ultrapassam a CPLP”. “O que aconteceu, como sabemos, foi uma encenação de golpe. Ele [Sissoco Embaló] ia perder as eleições e, portanto, fez-se de conta que houve um golpe de Estado. Mas sabe-se que ele tem apoio da Nigéria e nenhum país da CPLP vai confrontar Lagos”, explicou.

“Qual é o país da CPLP que se vai meter com a Nigéria? Portugal? Nem pensar. O Brasil? Nem pense”, acrescentou o especialista em estudos africanos.

O professor na Universidade Autónoma de Lisboa sustentou que a não interferência da CPLP na Guiné-Bissau se explica porque “aqueles que mandam na CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, sediada em Abuja, na Nigéria] não deixam”. “As organizações regionais africanas têm primazia territorial e a CPLP não tem capacidade política nem militar para agir de forma independente neste contexto”, contextualizou.

Para o sociólogo cabo-verdiano Redy Lima, comparar a CPLP à CEDEAO é injusto, pois “a CEDEAO tem muito mais peso, tem muito mais presença”. De acordo com o analista, a “Guiné-Bissau é um grande exemplo do peso político inexistente da CPLP”.

Por outro lado, e referindo-se directamente a Portugal, “o passado colonial acaba sempre por envergonhar um pouco a acção da CPLP”, pois facilmente é usado esse argumento contra a ex-metrópole, como o próprio Sissoco Embaló chegou a fazer, recordou.

Sobre o anúncio de 23 de Junho relativo à possibilidade da saída da Guiné-Bissau da CPLP, após as eleições previstas para Dezembro, Fernando Jorge Cardoso declarou que uma ruptura ou saída formal do país é improvável, uma vez que o actual regime depende do financiamento de Portugal e da União Europeia, assim como de doadores internacionais, defendido pela diplomacia portuguesa.

A CPLP, que assinala 30 anos a 17 de Julho, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, que detém a presidência rotativa temporária da organização desde a suspensão de Bissau. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”

 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Guiné-Bissau - CEDEAO anuncia referendo à nova Constituição do país

A nova Constituição da Guiné-Bissau, recentemente aprovada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), irá ser submetida a referendo popular, disse em Bissau, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Serra Leoa, Timothy Kabba, citando as autoridades guineenses

A nova Constituição da Guiné-Bissau, recentemente aprovada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), irá ser submetida a referendo popular, disse em Bissau, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Serra Leoa, Timothy Kabba, citando as autoridades guineenses.


O responsável serra-leonês liderou uma missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que incluiu também o ministro dos Negócios Estrangeiros do Senegal e o ministro da Defesa do mesmo país.

A delegação foi recebida pelas autoridades de transição da Guiné-Bissau, nomeadamente pelo Presidente, general Horta Inta-a, de quem receberam a informação de que as eleições legislativas e presidenciais estão marcadas para 06 de dezembro próximo e que a Constituição foi revista, disse Timothy Kabba.

Em declarações aos jornalistas, à saída da audiência com o presidente da transição guineense, divulgadas pela imprensa local, Timothy Kabba disse que foram informados por Horta Inta-a que a versão da Constituição aprovada pelo CNT, órgão que substituiu o parlamento desde o golpe de Estado de 26 de novembro, vai ser submetida a referendo, embora não tenha indicado em que data.

A nova Constituição guineense, revista em janeiro passado, na prática, reforça os poderes do Presidente da República, que passa a deter a maioria dos poderes do Estado, nomeadamente na nomeação e orientação da ação do primeiro-ministro.

O porta-voz do Conselho Nacional de Transição, Fernando Vaz, explicou, em declarações aos jornalistas, que a nova Constituição manteve o sistema semi-presidencialista, mas reforçou os poderes do Presidente da República, a quem o Governo “terá de responder” bem como à Assembleia Nacional (parlamento).

Além do anúncio da realização do referendo sobre a nova Constituição, a missão da CEDEAO foi informada igualmente por Horta Inta-a de que a Lei Eleitoral do país foi revista.

O chefe da diplomacia da Serra Leoa afirmou que a delegação ficou satisfeita com as informações recebidas.

A missão política da CEDEAO esteve em Bissau dois dias após a partida de uma outra delegação de chefes do Estado-Maior das Forças Armadas de cinco países da mesma organização, que mantiveram encontros de trabalho com as autoridades de transição.

A Guiné-Bissau está suspensa da CEDEAO, da União Africana e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na sequência do golpe de Estado ocorrido em novembro de 2025, em vésperas da publicação dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais, então realizadas.

Os militares, sob o comando do general Horta Inta-a, anunciaram terem tomado o poder para “evitar um banho de sangue no país” em decorrência de disputas pelos resultados eleitorais. Na altura suspenderam o processo eleitoral e destituíram o então Presidente, Umaro Sissoco Embalo.

Horta Inta-a assumiu a presidência do país, Ilídio Vieira Té foi nomeado primeiro-ministro e um Conselho Nacional de Transição foi criado para fazer as funções do parlamento. InExecutive Digest” - Portugal


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Guiné-Bissau - Líderes da oposição recusam integrar Governo dias depois de serem libertados

Domingos Simões Pereira, líder do histórico PAIGC, e Fernando da Costa Dias, chefe do PRS, que concorreu às eleições gerais de Novembro e afirma ter sido o vencedor, travado pelos militares à última da hora, antes da votação terminar, recusam "sujar o nome" com este convite dos militares golpistas.


Um e outro estavam sob detenção, por algum tempo domiciliário, havendo dúvidas sobre os seus paradeiros por longos períodos, mas com Domingos Simões Pereira em prisão militar e Fernando Dias a sair da embaixada da Nigéria em Bissau.

Embora a sua libertação reponha alguma normalidade no país, o facto de ser uma junta militar a governar, através de um Executivo nomeado pelos generais golpistas, atira a Guiné-Bissau para mais uma longa e imprevisível experiência ditatorial.

Que se espera que termine em dezembro deste ano, depois de o Presidente de transição, o general Horta Inta ter marcado eleições para 06 de dezembro, sem que até agora, depois do golpe de novembro se tenha percebido as razões para a usurpação do poder.

A não ser que uma vitória de Fernando Dias, apoiado pelo PAIGC depois de a justiça ter impedido Domingos Simões Pereira (ambos na foto a assinar o acordo entre PAIGC e PRS) de se candidatar, sem uma explicação plausível, não fosse tragável pelos militares, claramente ao lado do anterior presidente Umaro Sissoco Embaló, entretanto exilado no Senegal, apesar de ser voz corrente em Bissau que é ele que da capital senegalesa comanda os destinos da Guiné.

Tanto a CEDEAO, a organização sub-regional da África Ocidental, como o vizinho Senegal, o país com maior ascendente sobre Bissau desde sempre, mantém uma forte pressão sobre a junta militar para forçar a normalidade constitucional.

O episódio da libertação

Entretanto, a confirmar a relevância da posição de Dacar em Bissau, segundo uma notícia da Lusa, que viu a sua delegação em Bissau fechada em agosto do ano passado, Domingos Simões Pereira foi conduzido da Segunda Esquadra de Bissau para a sua residência no bairro de Luanda, nos arredores da capital guineense, pelo ministro da Defesa do Senegal, general Birame Diop.

O Presidente do Senegal faz parte de um grupo de chefes de Estado encarregados pela Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) para acompanhar e encontrar soluções para a crise política pós-eleitoral na Guiné-Bissau.

O ministro da Defesa do Senegal que se encontrava em Bissau na passada sexta-feira, acompanhou pessoalmente a saída de Domingos Simões Pereira da prisão da Segunda Esquadra para a sua residência onde, segundo uma fonte do governo de transição, vai permanecer vigiado por militares.

As mesmas fontes informaram à Lusa que a polícia e os militares não estão a permitir o acesso de pessoas à rua que vai dar à residência privada de Domingos Simões Pereira.

"Apenas estão na residência as pessoas que já lá se encontravam antes", precisou um familiar que disse ter tentado "por várias formas" visitar o tio.

Numa transmissão em direto numa rede social, um familiar que se encontrava na residência, mostrou o momento em que Domingos Simões Pereira dava entrada no imóvel, acompanhado do ministro senegalês.

Uma pequena multidão de pessoas, vizinhas da sua residência, saudaram com "viva DSP" (Domingos Simões Pereira) o momento em que desceu da viatura para entrar em casa.

Em declarações para os presentes na sala de Domingos Simões Pereira, o ministro da Defesa do Senegal saudou a "boa vontade do Presidente de transição, general Horta Inta-a" e apelou aos guineenses para "abrir uma nova página" do diálogo.

O governante senegalês disse que os guineenses devem preparar-se para as eleições legislativas e presidenciais, marcadas pelos militares, para 06 de dezembro próximo.

O general Birame Diop afirmou que estava a sair da residência de Simões Pereira para tratar da saída de Fernando Dias da Costa das instalações da embaixada da Nigéria para a sua casa.

Fernando da Costa, entretanto também libertado, que reclama ter sido o vencedor das eleições presidenciais de 23 de novembro, encontrava-se exilado na embaixada da Nigéria na sequência do golpe de Estado.

A 26 de novembro de 2025, os militares tomaram o poder, depuseram o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, e o processo eleitoral foi interrompido sem a divulgação dos resultados oficiais.

Vários opositores políticos do regime de Sissoco Embaló foram detidos, entre eles o principal líder da oposição, Domingos Simões Pereira.

Domingos Simões Pereira e o histórico partido PAIGC foram afastados das eleições gerais, presidenciais e legislativas, de 23 de novembro por decisão judicial e apoiaram Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira volta.

Nos dois meses no poder, os militares alteraram a Constituição da Guiné-Bissau, atribuindo mais poderes ao Presidente da República, e marcaram novas eleições gerais para 06 de dezembro.

Nesta sexta-feira, um grupo de dirigentes e militantes do PAIGC defendeu que o líder, Domingos Simões Pereira, não pode dirigir o partido em prisão domiciliária, e pediu uma direcção de transição até ao congresso que deverá ocorrer em novembro para escolher novo líder. In “Novo Jornal” - Angola


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Guiné-Bissau - Libertados três dos quatro políticos presos no golpe

Três políticos detidos no golpe militar de 26 de novembro de 2025 na Guiné-Bissau foram hoje libertados, mas o principal líder da oposição, Domingos Simões Pereira, continua detido, avançou o advogado à agência Lusa


O advogado Vailton Barbosa, que representa Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e o dirigente do mesmo partido, Marciano Indi, confirmou que foram libertados três dos quatro políticos detidos.

Em concreto, foram libertados os dirigentes do PAIGC Octávio Gomes e Marciano Indi e o dirigente do Partido de Renovação Social (PRS) Roberto Mbesba.

O principal líder da oposição, Domingos Simões Pereira, continua detido, segundo o advogado, que esclareceu ainda não ter sido notificado ou avisado pelas autoridades guineenses da libertação dos detidos ou de qualquer outra diligência.

Vailton Barbosa disse também que não conseguiu contactar na cadeia os políticos que representa, nomeadamente Domingos Simões Pereira.

“Não deixam ver o Domingos Simões Pereira, já lá fui duas vezes e não há possibilidade, dizem-me que vá à Amura, onde se encontra o quartel-general das Forças Armadas”, afirmou contactado a partir de Lisboa, pela agência Lusa.

O advogado está convencido de que os três políticos “foram obrigados” a sair da cadeia, já que terão recusado uma tentativa anterior da sua libertação, em solidariedade para com Domingos Simões Pereira, que continua detido.

O jurista associa a libertação dos políticos à anunciada visita oficial à Guiné-Bissau, no sábado, do Presidente em exercício da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Julius Maada Bio, que é Presidente da Serra Leoa.

A visita foi divulgada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) da Guiné-Bissau, num comunicado publicado na página oficial que adianta ainda que estará também em Bissau o Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye. In “Balai Cabo Verde” – Cabo Verde com “Lusa”


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Guiné-Bissau - Impedida marcha nacional para exigir restauração da ordem constitucional

Estava convocada para quarta-feira passada uma marcha a nível nacional para exigir a restauração da ordem constitucional na Guiné-Bissau. No entanto, o protesto, que se pretendia pacífico, foi impedido pelas forças de segurança, segundo afirmou à DW Vigário Luís Balanta, porta-voz do movimento cívico “Pô de Terra”, um dos organizadores da iniciativa.


Apesar disso, Balanta, que falou à DW a partir de local incerto, garante que vão continuar a protestar contra o golpe de Estado de 26 de Novembro.

“Percebemos que no dia 31 seria muito difícil. As forças de segurança estavam preparadas e posicionadas para nos impedir, então antecipámos para o dia 30. Em todos os cantos da cidade havia homens das forças de segurança. Em cada cruzamento das principais artérias de Bissau estavam dois agentes bem armados e fardados. Com isso, percebemos que seria complicado, porque depois da manifestação do dia 30, junto à nossa base central, enviaram homens durante a noite e permaneceram lá até ontem. Não conseguimos realizar a nossa reunião. Tentámos ir para outro local, mas fomos perseguidos até à zona do aeroporto de Bissau. Fomos também para Safim, mas a perseguição continuou. No entanto, conseguimos escapar e regressámos às ruas no momento da celebração da passagem de ano, fazendo uma pequena passeata, mas havia pouca gente nas ruas. Algo nunca visto na Guiné-Bissau, porque normalmente, nesta altura, há muita gente a celebrar. Este ano, só havia crianças, porque houve um reforço da presença das forças de defesa, que revistavam pessoas com mochilas, sacos ou qualquer objecto”, explicou.

À DW, o activista adiantou que “as pessoas têm medo, porque o regime que temos aqui é muito perigoso: persegue, espanca e até vasculha residências. Então, as pessoas estão com medo. Não é porque o povo não perceba. O povo está connosco. Na semana passada, apelámos às pessoas para vestir roupas pretas e publicar nas redes sociais, e vimos milhares a seguir o apelo. Mas ainda têm medo de ir à marcha”.

De qualquer modo promete que vão continuar. “Neste momento, a situação da educação não está boa. Estamos a convocar toda a classe estudantil, líderes das associações de estudantes de diferentes escolas e universidades para se juntarem a nós, porque temos de ser estratégicos. Temos de ampliar a consciencialização e sensibilização para libertar o povo e fazê-lo ganhar consciência. Só assim teremos resultados. Posso confirmar que, brevemente, em menos de duas a três semanas, vamos realizar outra marcha, mas esta terá uma dimensão diferente. Não será apenas coordenada pelo Movimento “Pô de Terra” e pelo Pacto Social, mas também incluirá movimentos estudantis. Estamos com espírito de coragem e bravura, independentemente da adesão, e vamos continuar a trabalhar, porque quanto mais passarmos a mensagem e dermos a cara, mais as pessoas vão sentir confiança para se juntar à luta. É isso que está a acontecer”, concluiu.

ONU insta junta a libertar detidos

As Nações Unidas instaram a junta militar na Guiné-Bissau, instaurada há um mês após um golpe de Estado, a acabar com as detenções arbitrárias e formas de intimidação, bem como a libertar todos os detidos.

“A libertação, na terça-feira, de seis figuras da oposição detidas na Guiné-Bissau é um passo encorajador. É preciso fazer mais”, declarou, em comunicado, o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Thameen al-Kheetan.

As autoridades devem pôr fim a todas as detenções arbitrárias e a todas as formas de intimidação, incluindo ataques físicos a defensores dos direitos humanos e restrições à liberdade de expressão, associação e reunião pacífica, acrescentou.

“O nosso gabinete teve acesso a quatro indivíduos detidos na semana passada, o que constitui um passo importante. No entanto, as famílias de vários outros detidos continuam sem informações sobre o seu destino, paradeiro ou acusações contra eles. Tal pode constituir um desaparecimento forçado”, alertou o porta-voz.

Por fim, apelou à junta militar que garanta a libertação imediata e incondicional de todas as pessoas detidas pelo exercício dos seus direitos humanos.

Opositor Simões Pereira continua detido por decisão judicial diz governo

O ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de transição da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, informou a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) que o opositor Domingos Simões Pereira continua detido por questões judiciais em curso.

A informação consta de uma carta dirigida ao presidente da comissão da CEDEAO, Omar Alieu Toray, consultada pela Lusa nas redes sociais. No documento, João Bernardo Vieira informa Touray que as autoridades competentes procederam à libertação de três cidadãos guineenses detidos, mas que estes se terão recusado a sair da prisão sem o presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira.

A carta não identifica os detidos em causa, mas outros relatos de guineenses nas redes sociais indicaram que se trata dos deputados Marciano Indi e Octávio Lopes, ambos do PAIGC, e do advogado Roberto Mbesba, dirigente do Partido da Renovação Social (PRS).

De acordo com a carta do chefe da diplomacia do governo de transição guineense, os três teriam afirmado que só sairão da prisão “caso o cidadão Domingos Simões Pereira seja igualmente libertado”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “DW” e “Lusa”


sábado, 3 de janeiro de 2026

Guiné-Bissau – Domingos Simões Pereira continua detido por decisão judicial

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de transição da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, informou hoje a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) que Domingos Simões Pereira continua detido por questões judiciais em curso


A informação consta de uma carta dirigida ao presidente da comissão da CEDEAO, Omar Alieu Toray, consultada pela Lusa nas redes sociais.

No documento, João Bernardo Vieira informa Touray que as autoridades competentes procederam à libertação de três cidadãos guineenses detidos, mas que estes se terão recusado a sair da prisão sem o presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira.

A carta não identifica os detidos em causa, mas outros relatos de guineenses nas redes sociais indicaram que se trata dos deputados Marciano Indi e Octávio Lopes, ambos do PAIGC, e do advogado Roberto Mbesba, dirigente do Partido da Renovação Social (PRS).

De acordo com a carta do chefe da diplomacia do governo de transição guineense, os três teriam afirmado que só sairão da prisão “caso o cidadão Domingos Simões Pereira seja igualmente libertado”.

“Cumpre-nos esclarecer que, segundo os órgãos judiciais, o cidadão Domingos Simões Pereira encontra-se sujeito a questões de foro judicial em curso, razão pela qual se encontra ainda detido”, refere.

João Bernardo Vieira indica, por outro lado, que o governo de transição reafirma total disponibilidade para “continuar a cooperar com a CEDEAO, garantindo transparência, legalidade e pleno respeito pelo Estado de Direito” na Guiné-Bissau.

Entre outras recomendações, uma cimeira de líderes da CEDEAO, ocorrida na Nigéria, no dia 14 de dezembro último, instou as autoridades de transição instituídas com o golpe militar de 26 de novembro na Guiné-Bissau à libertação de todos os dirigentes políticos.

A família de Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC e presidente eleito do parlamento guineense dissolvido no final de 2023, tem repetido aos órgãos de comunicação social que ainda não conseguiu visitar o político, nem o seu advogado ou organizações dos Direitos Humanos.

No passado dia 23 de dezembro, o Alto Comando Militar ordenou a libertação de seis dos detidos, nomeadamente elementos do corpo de segurança e motoristas dos políticos.

Um autodenominado “alto comando militar” tomou o poder a 26 de novembro último, três dias depois das eleições gerais (presidenciais e legislativas) e um dia antes da data anunciada para a divulgação dos resultados na Guiné-Bissau.

O Presidente Umaro Sissoco Embaló foi destituído e encontra-se fora do país, enquanto o candidato da oposição Fernando Dias, que reclama vitória nas eleições, se encontra refugiado na Embaixada da Nigéria em Bissau. In “Balai Cabo Verde” – Cabo Verde com “Inforpress” e “Lusa”


quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Guiné Equatorial – Presidente da República participa numa conferência da CPLP sobre a crise política na Guiné-Bissau

Os chefes de Estado e de Governo dos países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa analisaram a situação política na Guiné-Bissau após o golpe de Estado de 26 de novembro e reiteraram a sua rejeição ao colapso da ordem constitucional


Os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) realizaram uma teleconferência na terça-feira, 16 de dezembro, para abordar a crise política e institucional na Guiné-Bissau, que teve origem após o golpe de Estado de 26 de novembro.

A reunião contou com a presença dos chefes de Estado e de governo de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, países membros da organização.

O Presidente da República da Guiné Equatorial, Obiang Nguema Mbasogo, concordou com os seus homólogos sobre a necessidade de preservar o firme compromisso com os valores fundamentais da paz, da democracia e do Estado de Direito, bem como o respeito pelos direitos humanos e pelos estatutos da CPLP, assinados por todos os Estados-membros.

Durante a conferência, os chefes de Estado expressaram a sua profunda preocupação com a evolução da situação política na Guiné-Bissau e condenaram veementemente a interrupção do processo eleitoral, considerando esse facto uma grave violação dos princípios democráticos e da vontade soberana do povo guineense.

Tal como a CEDEAO, a CPLP exigiu o restabelecimento da ordem constitucional e a reconstrução nacional como condições essenciais para garantir a paz, a estabilidade e o desenvolvimento no país. Exigiu também a libertação imediata e incondicional de todos os detidos no contexto da atual crise política.

Os Chefes de Estado acolheram com satisfação o comunicado final da 17.ª Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP, realizada em 5 de dezembro em Luanda, e tomaram nota da decisão de enviar uma missão de alto nível à Guiné-Bissau num futuro próximo.

Durante a cúpula extraordinária, também foi feita referência ao comunicado do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, adotado na sua 1315.ª sessão, que encarrega a Comissão da União Africana, em coordenação com a CEDEAO, a CPLP e parceiros internacionais, de prestar apoio à Guiné-Bissau para garantir um rápido retorno à ordem constitucional.

Por fim, a reunião de chefes de Estado ratificou as resoluções do Conselho de Ministros de 5 de dezembro, que estipulam a suspensão da Guiné-Bissau de todas as atividades da CPLP até ao restabelecimento da ordem constitucional, bem como a obrigação de transferir a presidência da organização para outro Estado-membro. Nesse contexto, Timor-Leste foi designado para assumir a presidência provisória da CPLP. Catalina Nchama – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


Guiné-Bissau - CEDEAO autoriza uso de força para proteger líderes políticos

O presidente da Comissão da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) disse que a força de manutenção da paz destacada na Guiné-Bissau está “autorizada a garantir a protecção de todos os líderes políticos e instituições nacionais”. Omar Alieu Touray falava no final da Cimeira de chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, que se reuniu em Abuja, capital da Nigéria, e da qual saiu a ameaça de imposição de “sanções específicas” a qualquer pessoa que tente impedir o regresso a um regime civil na Guiné-Bissau, na sequência do golpe de Estado do dia 26 de Novembro.


“As autoridades irão impor sanções específicas a indivíduos ou grupos de pessoas que entrem no processo de transição”, declarou aos jornalistas no final da reunião.

A oposição e figuras internacionais têm afirmado que o golpe de Estado foi uma encenação orquestrada pelo Presidente deposto, Sissoco Embaló, por alegadamente ter sido derrotado nas urnas, impedindo assim a divulgação de resultados e mandando prender de forma arbitrária diversas figuras que apoiavam o candidato que reclama vitória, Fernando Dias. Entre os detidos está Domingos Simões Pereira, presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), enquanto Fernando Dias está refugiado na embaixada da Nigéria, em Bissau.

A 68.ª cimeira ordinária dos chefes de Estado do bloco regional foi dominada pelo golpe de Estado na Guiné-Bissau e por outro golpe frustrado no Benim ocorrido há uma semana. No caso do Benim, a Nigéria enviou caças e tropas, juntamente com soldados da Costa do Marfim, para apoiar o Governo civil, tendo a CEDEAO indicado que outros soldados chegarão em breve do Gana e da Serra Leoa.

Após o golpe na Guiné-Bissau, a CEDEAO suspendeu o país de todos os seus órgãos de decisão “até que a ordem constitucional plena e efectiva seja restabelecida”, decisão também tomada pela União Africana (UA), sendo que os chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) irão analisar, numa cimeira ainda sem data anunciada, a recomendação do Conselho de Ministros para a suspensão da Guiné-Bissau e a sua substituição na presidência rotativa da organização.

A CEDEAO é composta por 12 países após a saída, em Janeiro passado, de Burkina Faso, Níger e Mali, países governados por juntas militares que chegaram ao poder com golpes de Estado nos últimos anos e criaram a Aliança dos Estados do Sahel. Além da Guiné-Bissau, agora suspensa, Cabo Verde é o outro país lusófono que integra a organização, estando representado nesta cimeira pelo Presidente, José Maria Neves.

José Maria Neves tem defendido a reposição da normalidade constitucional na Guiné-Bissau, o respeito pelos resultados eleitorais, a libertação dos detidos e a assunção do poder por quem foi democraticamente eleito, reiterando o princípio da tolerância zero face a golpes de Estado, segundo uma nota da Presidência cabo-verdiana emitida na véspera do encontro. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


terça-feira, 4 de março de 2025

Guiné-Bissau – Presidente da República afirma que Missão da CEDEAO "não voltará nunca mais" ao país

O presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, confirmou esta segunda-feira que mandou embora a Missão da CEDEAO e afirmou que esta "não voltará nunca mais ao país".



Uma delegação de alto nível da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental esteve em Bissau de 21 a 28 de fevereiro a ouvir partidos políticos e organizações da sociedade para mediar o diálogo e propor uma saída para a crise.

A delegação deu conta num comunicado que, na madrugada de 01 de março, deixou Bissau sob ameaças de expulsão do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló.

"Eu é que corri (com a missão da CEDEAO) daqui. Sim fui eu", disse aos jornalistas à chegada ao aeroporto Osvaldo Vieira, em Bissau, depois de uma viagem de uma semana, que o levou à Rússia, Azerbaijão, Hungria e França.

O chefe de Estado guineense entende que a delegação extravasou a missão para que estava incumbida.

O roteiro inicial da missão foi alvo de críticas da oposição por não incluir nas auscultações contestatários do regime, como a coligação API Cabas Garandi ou a comissão permanente da Assembleia Nacional Popular eleita e substituída depois da dissolução do parlamento em dezembro de 2023.

A missão acabou por chamar todas as partes e o Presidente diz que não voltará à Guiné-Bissau "nunca mais".

"Não voltarão cá nunca mais", afirmou, acrescentando que não aceita que a missão chegue ao país e "comece a inventar".

"Este país tem regras. Não é uma república das bananas", continuou afiançando "não vão ouvir nada", numa referência a eventuais sanções por parte da CEDEAO.

A missão teve como propósito ouvir os intervenientes locais para mediar uma solução para a crise em torno das eleições presidenciais e legislativas.

A Assembleia foi dissolvida há mais de um ano e o Presidente completou cinco anos de mandato a 27 de fevereiro, mas entende que este só termina em setembro, data da decisão judicial sobre os resultados eleitorais das presidenciais de 2019.

A Missão da CEDEAO já estava em Bissau e o chefe de Estado anunciou que vai marcar eleições gerais para 30 de novembro, o que reiterou hoje para dizer que não será a missão a impor uma solução.

Sissoco Embaló vincou que as decisões da CEDEAO são tomadas ao nível dos chefes de Estado e que a missão não tem poder de decisão, nem pode "tomar decisão contra Umaro Sissoco Embaló".

"Eu falo com Putin, Macron, estamos à procura de soluções para os problemas do mundo", disse.

Sissoco Embaló disse ainda que "nem Trump (Presidente dos Estados Unidos da América) o pode obrigar a fazer um Governo de unidade nacional, que tem sido pedido pela oposição até à realização de eleições.

O chefe de Estado guineense virou-se depois para o primeiro-ministro do Governo de iniciativa presidencial, Rui Duarte Barros, que se encontrava ao lado dele, para lhe dizer que se prepare para organizar as eleições dia 30 (de novembro).

Sissoco Embaló adiantou que esta semana vai convocar todos os partidos políticos e que vai fazer o decreto para convocar as eleições gerais para 30 de novembro.

Embaló referiu-se ainda aos que o passaram a tratar por ex-presidente depois de 27 de fevereiro, escusando-se a fazer comentários à coligação PAI-Terra Ranka, liderada pelo adversário Domingos Simões Pereira, que foi deposta do Governo com a dissolução da Assembleia.

"Não vou dizer isso em relação à PAI -Terra Ranka porque esses sempre falham na estratégia, mas a API (Cabas Garandi) não podia entrar nisso porque são pessoas do meu campo", declarou.

A API reúne a ala do MADEM-G15, partido fundado por Sissoco Embaló, desavinda com o Presidente.

O chefe de Estado acabou por referir-se a Domingos Simões Pereira, também presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), afirmando que "sempre fez teatro".

"Sequestrou o parlamento durante quatro anos, assaltou a sede do Governo um mês, sequestrou o Supremo, sem que nada acontecesse. Eu não faço isso. Perdeu as eleições (presidenciais) e chamaram-me Presidente autoproclamado até se cansarem. Vão-me chamar mais isso (ex-Presidente)", afirmou.

O Presidente guineense disse ainda que "há muita gente que nem vai às eleições, uns porque roubaram o dinheiro do Estado e vão pagar esse dinheiro, outros não pagaram impostos e vão ter de pagar". In “Novo Jornal” – Angola com “Lusa”


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

África - CEDEAO cede e acaba com sanções ao Mali, ao Níger e à Guiné-Conacri mas deixa de fora o Burquina Faso por pressão da França

A organização sub-regional da África Ocidental, a CEDEAO; está a derrubar as sanções e castigos que aplicou a quatro países, um por um, depois de neles terem ocorrido golpes militares, entre 2020 e 2023, mas há um que não está na lista por pressão da França

O Mali, o Níger e a Guiné-Conacri começam a ver aliviadas as sanções e punições aplicadas pela Comunidade Económica de Estados da África Ocidental, depois de os novos regimes que governam estes países terem consolidado as bases do seu poder.

Mas o mesmo não está a suceder ao Burquina Faso, apesar de em nada se distinguir dos outros, mantendo mesmo uma aliança ad hoc de defesa comum com o Níger e o Mali, no que diz respeito ao respeito pela democracia e o Estado de Direito, muito duvidosos em todos eles, mas com um pormenor que sobressai em relação aos demais.

Em Ouagadougou, a junta militar que assumiu o poder em Setembro de 2022, afastando o Presidente Paul-Henri Damiba, um aliado muito próximo de Paris, sob liderança do capitão Ibrahim Traoré, iniciou um agressivo processo de afastamento diplomático da França, a antiga potência colonial.

Depois de o Governo francês recusar as ordens de Ouagadougou de retirar as suas tropas estacionadas no país há décadas, foi dada ordem de expulsão ao embaixador e cortadas as relações com Paris.

Com uma forte pressão da França sobre a CEDEAO, esta organização sub-regional ameaçou mesmo com uma intervenção militar, tal como o fez com o Níger, o que levou o chefe da junta militar e Presidente interino, Ibrahim Traoré, a desafiar tanto Paris como a comunidade regional.

Este levantamento de sanções que exclui o Burquina Faso, como expõem alguns analistas africanos, é resultado da estratégia francesa de pressão sobre a sua antiga colónia, uma das mais relevantes estrategicamente no seio da "FranceAfrique", uma entidade mais mental que prática no Sahel e

que está em desmoronamento, como está a influência de Paris nesta vasta geografia assolada por problemas sérios, como é o caso do mais recente, no Senegal.

Os mesmos analistas enquadram ainda estas decisões no confronto da CEDEAO com a possibilidade dos três países do Sahel, Burquina, Mali e Níger, como anunciaram que vão fazer, abandonarem a organização no contexto da sua clara aproximação à esfera de influência da Rússia.

Em comunicado, a CEDEAO anunciou que iria "levantar as sanções financeiras e económicas direccionadas à República da Guiné" e "levantar as restrições ao recrutamento de cidadãos à República do Mali para postos no seio das instituições da CEDEAO".

A CEDEAO, como lembra a Lusa, tinha convocado, no sábado, uma cimeira extraordinária para discutir "a política, a paz e a segurança na República do Níger", bem como "os recentes desenvolvimentos na região".

O levantamento de sanções contra a Guiné-Conacri e o Mali não tinha sido precisado na alocução final do presidente da Comissão da CEDEAO, Omar Alieu Touray, no final de sábado.

Na Guiné-Conacri, o bloco de países da África Ocidental tinha interditado as transacções financeiras com as suas instituições, um ano após a chegada ao poder do coronel Mamadi Doumbouya, que retirou da governação o Presidente Alpha Conde, em setembro de 2021.

Na segunda-feira, recorda ainda a Lusa, o chefe da junta militar anunciou por decreto a dissolução do Governo em funções desde julho de 2022.

No Mali, que conheceu dois golpes de Estado em 2020 e 2021, o bloco regional tinha imposto sanções económicas e financeiras que levantou em julho de 2022, quando a junta no poder anunciou um calendário de transição.

A CEDEAO "decidiu levantar com efeito imediato" as sanções mais pesadas impostas ao Níger desde a tomada do poder, em Niamey, de um regime militar que destituiu o Presidente eleito Mohamed Bazoum em julho, tinha anunciado Omar Alieu Touray no sábado.

As fronteiras e o espaço aéreo nigerino serão reabertos, as transacções financeiras entre os países da CEDEAO e o Níger novamente autorizadas, e os bens do Estado nigerino descongelados "por razões humanitárias", declarou o representante.

Os dirigentes militares de Niamey estão também novamente autorizados a viajar, mas mantêm-se "as sanções individuais e políticas", segundo Omar Alieu Touray.

Estas decisões marcam um passo da CEDEAO em direção à retoma do diálogo com os três regimes militares, enquanto o Níger, o Mali e o Burkina Faso - que se distanciaram de França e se aproximaram da Rússia - anunciaram em janeiro a sua intenção de abandonar a CEDEAO.

Os três países formaram uma Aliança de Estados do Sahel (AES), criada em setembro de 2023. In “Novo Jornal” – Angola com “Lusa”


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

África – Aliança dos Estados do Sahel rumam à criação de uma moeda comum

O Presidente da Transição no Níger falou no domingo à noite sobre a possível criação de uma moeda comum com Burkina Faso e Mali.


“A moeda é um passo à frente desta colonização”, declarou o general nigerino Abdourahamane Tiani na televisão nacional nigerina, referindo-se ao franco CFA e à França, a antiga potência colonial.

Níger, Mali e Burkina Faso – três antigas colónias francesas agora governadas por regimes militares – agrupados na Aliança dos Estados do Sahel (AES), “temos especialistas (financeiros) e no momento certo, decidiremos”, continuou ele. “A moeda é um sinal de soberania”, continuou o General Tiani, e os Estados da AES estão “empenhados num processo de recuperação da nossa soberania total”. Ele garante que “já não se trata de os nossos Estados serem a fonte de financiamento da França”.

O líder nigerino não deu detalhes sobre a possível circulação de uma moeda futura. Este poderia, no âmbito da AES, substituir o franco CFA, actualmente comum aos oito países membros da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA), incluindo o Níger, o Burkina Faso e o Mali.

Em Janeiro, os países da AES deixaram a CEDEAO com efeitos imediatos. Saliou Cissé – Casamansa in “Journal du Pays”


quarta-feira, 13 de julho de 2022

Cabo Verde - Recebe embarcações para reforçar resposta a aplicação da lei do mar nos países costeiros da CEDEAO

Cidade da Praia – Cabo Verde vai receber, através da implementação do programa SWAIMS, duas embarcações de alta velocidade para reforçar respostas a aplicação da lei e gestão do Estado de Direito no mar nos 12 países costeiros da CEDEAO.

A informação foi avançada hoje pelos parceiros do programa no acto da assinatura do memorando de entendimento entre a Direção Nacional da Defesa do Ministério da Defesa Nacional e a Camões-Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., para a implementação do programa “Support to West Africa Integrated Maritime Strategy (SWAIMS)”.

Na ocasião, o director Nacional da Defesa, o tenente-coronel Domingos Correia, congratulou-se com o acto que, segundo disse, celebra o nascimento de duas “gémeas embarcações” com equipamentos forense e semirrígidas, bem como a formação de formadores e o apoio à formação das guarnições, no âmbito de uma estratégia para a segurança marítima integrada na CEDEAO.

“Será uma segurança marítima integrada a nível regional podendo proporcionar respostas operacionais rápidas e eficazes para o cumprimento da lei e do direito do mar no combate às ameaças específicas que tende a desestabilizar a região, nomeadamente, no espaço do Golfo da Guiné”, disse.

Neste sentido, afirmou que o acto representa o início da implementação de uma visão integrada mais ampla da segurança marítima regional a que Cabo Verde e outros Estados parceiros estão empenhados em incrementar para garantir a segurança do espaço e dos recursos marítimos de todos os países da região.

O representante do Instituto Camões, João Ribeiro Almeida, por seu lado, manifestou a satisfação do Instituto em contribuir para melhorar a segurança marítima no Golfo de Guiné, agradecendo, por outro lado, a CEDEAO e ao Governo de Cabo Verde por fazerem parte deste programa.

“O SWAIMS é um excelente exemplo de parceria e cooperação entre Europa e África que visa responder a necessidade de reforço da paz nos países costeiros da CEDEAO com condições mínimas indispensáveis para imposição da lei do Mar em tempo útil e de por forma a atingir eficazmente incidentes ilícitos marítimos”, ressaltou.

Na sua comunicação, manifestou ainda o compromisso dos parceiros para o reforço da capacidade marítima em Cabo Verde e da sub-região, com o reforço da cooperação entre a UE e os Estados da CEDEAO para partilha de informações com base na criminalidade marítima.

A embaixadora da União Europeia em Cabo Verde, Carla Grijó, focou a sua mensagem no apoio e reforço da resposta operacional e no Estado de Direito nas águas de subjurisdição dos 12 países da CEDEAO.

“A SWAIMS teve o seu início em 2020, com uma duração de 45 meses, num orçamento total de 12 milhões de euros, e visa responder às necessidades das forças navais dos países costeiros de CEDEAO para intervier no mar em tempo útil e eficazmente”, acrescentou.

Neste processo, revelou a determinação e confirmação “ao mais alto nível” de Cabo Verde em operacionalizar a curto prazo um centro multinacional de cooperação marítima, na Cidade da Praia, centro acordado na reunião de grupo de amigos do Golfo da Guiné em 2018.

Por sua vez, a representante da CEDEAO, Kely Lopes, avançou que o memorando engloba respostas para a operacionalização da estratégia marítima da comunidade adaptada em 2014, no âmbito de um processo que visa a proteção marítima.

“Isso mostra a consciência da CEDEAO quanto aos perigos que os oceanos têm sido alvo nas últimas décadas”, indicou, salientando que a visão da estratégia marítima integrada foi elaborada no sentido de contribuir para a construção de um domínio marítimo próspero, seguro, passivo e orientado para um desenvolvimento ambiental sustentável.

Para Kelly Lopes, esta visão tão importante para os Estados membros costeiros da CEDEAO torna-se fundamental para Cabo Verde, único estado insular desta organização.

O SWAIMS é uma das componentes operacional de apoio à Segurança Marítima Integrada da África Ocidental que visa operacionalizar a Estratégia de Segurança Marítima, fortalecer a capacidade operacional e de respostas rápidas, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), no combate às ameaças na região do Golfo da Guiné. In “Inforpress” – Cabo Verde

 

domingo, 3 de julho de 2022

Guiné-Bissau - Assume, pela primeira vez, a presidência da CEDEAO

Bissau – A Guiné-Bissau assumiu, pela primeira vez, a presidência rotativa da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), informou, em comunicado divulgado à imprensa, a Presidência guineense.

“A Guiné-Bissau acaba de fazer história. Pela primeira vez, pela mão de Sua Excelência o Presidente da República, general Umaro Sissoco Embaló, o nosso país conquista a presidência em exercício da CEDEAO”, pode ler-se no comunicado.

A decisão foi tomada durante a cimeira de chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, que decorreu hoje em Acra, no Gana.

“A Guiné-Bissau consegue assim um feito inédito, graças à indiscutível magistratura de influência do Presidente da República. Desde a criação da CEDEAO em 1975, jamais um país lusófono presidiu esta organização”, salienta o comunicado.

Além da Guiné-Bissau também Cabo Verde integra a CEDEAO.

“O Presidente Umaro Sissoco Embaló terá agora em mãos os dossiês sobre a crise política na sub-região, sobretudo no Mali, Burkina Faso e Guiné-Conacri, mas também desafios da segurança, caso da vaga de terrorismos. Terá ainda por tarefa concluir a implementação das reformas em todas instituições da CEDEAO”, acrescenta o comunicado. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

 

quarta-feira, 30 de março de 2022

A CPLP quer descartar a Guiné-Bissau?

Amílcar Cabral deve estar a dar voltas na tumba, perante a indiferença dos líderes dos povos e países tidos, historicamente, como irmãos da Guiné-Bissau. Naquele país, está em curso um processo de institucionalização do caos, estimulado pelo próprio presidente da República, cujo desfecho será a transformação do país num estado falhado e, inevitavelmente, a sua entrada na órbita da francofonia, via Senegal. É em momentos assim que se confirma que a tão cantada (por alguns) "lusofonia" não passa de uma mistificação.

Um grupo de quatro partidos políticos guineenses acaba de emitir uma nota de repúdio à violenta tentativa do chefe de estado, Sissoco Embaló, de impedir a realização do congresso do PAIGC, que já devia ter ocorrido no mês que agora termina e que é visto como o arranque dos preparativos desse partido para as próximas eleições legislativas e presidenciais (2024). No fim da semana passada, forças policiais atacaram a sede do PAIGC, onde se realizava o seu comité central, para tomar decisões acerca do congresso da organização. O insólito ataque aconteceu na sequência de uma onda de sequestros, agressões e assédio de militantes e deputados do PAIGC, assim como de membros da sociedade civil, em todo o país.

Todas os dados apontam para a responsabilidade pessoal do presidente guineense nesse estado de coisas. A Guiné-Bissau é um estado semi-parlamentar ou semi-presidencial (como quisermos), mais próximo do modelo francês do que do português, mas o chefe de Estado não esconde a sua pretensão de ir além dos poderes que o modelo lhe permite. Sissoco parece particularmente nervoso com o crescimento da popularidade do PAIGC e do seu líder, Domingos Simões Pereira.

No passado dia 1 de fevereiro, o presidente não hesitou em recorrer a uma "inventona", forjando um golpe de estado que não consegue ser cabalmente explicado até agora (golpe de estado sem a participação de unidades militares é um mistério insondável), para resgatar a sua popularidade e, sobretudo, justificar as medidas repressivas que logo a seguir tomaria. Logo sete dias depois, a Rádio Capital, uma emissora independente localizada na capital do país, Bissau, foi atacada por homens armados, que destruíram os equipamentos da estação e agrediram vários funcionários e jornalistas. Seguiu-se uma manobra pantomínica, envolvendo o poder judicial, para impedir a realização do congresso do PAIGC, que deve reconfirmar Domingos Simões Pereira como seu líder.

O presidente guineense conta, na sua estratégia de marginalizar o PAIGC, com o apoio de Nuno Nabiam, que foi primeiro-ministro na sequência das eleições legislativas de 2019. As referidas eleições foram ganhas pelo PAIGC, mas sem maioria absoluta, permitindo a Nabiam, impulsionado por Sissoco, fazer uma espécie de "geringonça", tendo comprado os votos de três deputados eleitos pelo partido vencedor, o que, juntando os votos de mais outros partidos, lhe permitiu fazer maioria. Entretanto, atualmente, o presidente e o primeiro-ministro parecem estar de costas voltadas, por causa de uma história mal contada envolvendo um avião, drogas e outras "ninharias". Os observadores consideram, no entanto, que, perante o crescimento do PAIGC e do respetivo líder, Sissoco e Nabiam acabarão por entender-se novamente.

Enquanto isso, a CEDEAO resolveu enviar um contingente militar para a Guiné-Bissau, por pressão do Senegal. Tal força será composta por tropas senegalesas e nigerianas, o que leva os quatro partidos que se opõem ao presidente (PAIGC, UM, PCD e PSD) a considerar que isso visa "garantir as condições para que Umaro Sissoco Emabaló materialize a sua agenda autocrática e realize os compromissos assumidos no acordo de exploração do petróleo assinado com o Senegal".

E a CPLP? João Melo – Angola in Diário de Notícias


Aníbal João da Silva Melo - Poeta e jornalista angolano, nasceu a 5 de setembro de 1955 em Luanda, Angola.

Feitos os primeiros níveis de ensino no seu país, estudou Direito na Universidade de Coimbra e, em Luanda, na Universidade Agostinho Neto. Contudo, não concluindo este curso, licenciou-se em Comunicação Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde tirou o mestrado em Comunicação e Cultura.

Regressado a Luanda, já como jornalista profissional, ingressou na Rádio Nacional de Angola (RNA) e assumiu a direção de diversos meios de Comunicação Social estatais, nomeadamente a "Agência Angola - Press Angop", o Jornal de Angola e o semanário privado Correio da Semana.

Homem ligado à atividade literária e artística, foi membro fundador da União de Escritores Angolanos. Nesta condição, foi secretário-geral entre 1992 e 1996 e Presidente da Comissão Diretiva entre 1996 e 1999.

Como outros escritores angolanos, nomeadamente Jofre Rocha, Jorge Macedo, Garcia Bires e Adriano Botelho de Vasconcelos, investiu na autenticidade afro-angolana, através do empenhamento ideológico-político.

Começando por se centrar nos temas tradicionais do imaginário africano, cantando depois o amor e os ideais da revolução, o autor João de Melo vai constituir-se como o primeiro poeta africano de Língua Portuguesa a "experimentar a poesia pictórico-visual", conforme textos dos seus livros O Caçador de Nuvens, de 1993 e Limites e Redundâncias. Caracterizada pela mistura de um realismo, aliás fortemente irónico e desvastador, com algumas "formações" surrealistas e experimentalistas, a sua poiesis, simultaneamente eco da voz de um sujeito militante e do coração de um sujeito lírico, surge então híbrida, tornando-se um marco das novas gerações literárias. Manifestando uma grande preocupação formal e linguística, os seus textos estabelecem uma relação fundamental entre a "ética e a estética".

Na verdade, o autor, assim como muitos outros das décadas de 80 e 90, assume uma postura de denúncia da corrupção e das contradições do poder, através de um sujeito de enunciação que, desiludido e desencantado com os seus referentes revolucionários, abandona o empenhado "canto social coletivo". Começando a percecionar a "crise das utopias" que vai enformar uma série de interrogações, estes jovens poetas são veículos de muitas angústias existenciais e geracionais.

Profundamente angolana, a poesia de João de Melo intertextualiza com a de outros poetas do mundo, nomeadamente Álvaro de Campos, Drummond de Andrade e Paulo Leminski.

Muito diversificada, a sua temática assenta nuclearmente no Mar e na Mulher, dois topus que se cruzam enquanto configuradores do erotismo: "Navego à vontade no teu dongo/aliso-lhe como se fosse uma mulher/?"

O tema da mulher e a sua relação com o mar aparece em João de Melo associado à figura mítica de "Kianda" (sereia), enquanto símbolo da busca da angolanidade: " /ah amada o azul terrível do mar/está todo nos teus olhos negros/eu oiço o grito da Kianda/e ximbico sem parar sem parar."

Um dos grandes nomes representativos da "res" poética, em Angola, é autor dos seguintes títulos de poesia: Definição (1985); Fabulema (1986); Poemas Angolanos (1989); Tanto Amor (1989); Canção do Nosso Tempo (1991); O Caçador de Nuvens (1993); Limites e Redundâncias,1991 (1997); Jornalismo e Política. Estudo (1991); Imitação de Sartre e Simone de Beauvoir.Contos (1998). É diretor da revista África 21 in “Porto Editora” – João de Melo (Angola) na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-03-30 18:12:27]. Disponível em https://www.infopedia.pt/$joao-de-melo-(angola)