Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Internacional - Experiência XENON alcança marco histórico na deteção de neutrinos

Um resultado histórico demonstra a capacidade da experiência XENON para detetar eventos ultrarraros e reforça o potencial deste sistema na investigação de neutrinos


Foi divulgado um resultado histórico obtido pela colaboração internacional XENON, que conta, entre os seus coautores, com a equipa portuguesa do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), coordenada por José Matias Lopes.

As medições agora apresentadas permitiram atingir, pela primeira vez, energias de neutrinos tão baixas como 17 keV (quiloeletrões-volt), demonstrando uma capacidade de deteção sem precedentes neste domínio.

Os neutrinos estão entre as partículas mais abundantes do Universo e atravessam continuamente a Terra. Originados, entre outros processos, nas reações nucleares que ocorrem no Sol, milhares de milhões de neutrinos atravessam, a cada segundo, cada centímetro quadrado da superfície terrestre, incluindo os nossos corpos, praticamente sem interagir com a matéria, como luz a passar através de um vidro transparente. Contudo, em ocasiões extremamente raras, um neutrino pode interagir com a matéria e produzir um sinal passível de ser registado por um detetor.

É precisamente a capacidade de identificar sinais desta natureza que torna particularmente relevante o resultado agora alcançado pela colaboração XENON. As medições realizadas permitiram explorar, pela primeira vez, energias de neutrinos tão baixas como 17 keV, abrindo novas possibilidades para o estudo destas interações raras.

Instalada no Laboratori Nazionale del Gran Sasso (LNGS), em Itália, a cerca de 1300 metros de profundidade, a experiência XENON foi concebida para a procura de matéria escura. Ao longo das últimas décadas, tem desenvolvido e operado sistemas de deteção capazes de identificar sinais extremamente raros.

Os resultados agora divulgados, em conjunto com medições anteriores, confirmam a capacidade do sistema XENON para detetar outros eventos ultrarraros, incluindo interações de neutrinos.

Este resultado evidencia, assim, o potencial dos sistemas de deteção XENON para investigar fenómenos extremamente raros. É o resultado de mais de duas décadas de desenvolvimento tecnológico de ponta que permitiram à colaboração XENON notabilizar-se consistentemente pelos detetores com mais baixos níveis de radiação de fundo (ruído, em linguagem comum) de toda a história humana.

Ao tornar possível observar sinais cada vez mais ténues, estes instrumentos desenvolvidos para a procura de matéria escura afirmam-se, também, como ferramentas de referência no estudo de outras partículas e de fenómenos fundamentais do Universo.

Os resultados encontram-se publicados aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Portugal – A 12.ª Coimbra Space Summer School 2026 inspira-se na missão Artemis II para impulsionar a inovação e o empreendedorismo espacial

A escola de verão regressa de 2 a 4 de setembro, desafiando estudantes, investigadores e empreendedores a criarem soluções para a exploração lunar. A 12.ª edição marca também a estreia do evento na Pampilhosa da Serra.


O ecossistema de inovação ligado ao setor aerospacial prepara-se para acolher a 12.ª edição da Coimbra Space Summer School (CSSS), que decorre já entre os dias 2 e 4 de setembro de 2026. Este ano, o programa inspira-se diretamente no feito histórico da missão Artemis II — a primeira viagem tripulada a sobrevoar a Lua desde a Apollo 17 em 1972, ocorrida em abril deste ano —, utilizando esse marco como catalisador para desafiar a próxima geração de talentos a moldar o futuro da economia do espaço.

Concebida como uma plataforma intensiva de capacitação, a Coimbra Space Summer School dirige-se a estudantes do Ensino Superior, investigadores, empreendedores e entusiastas que pretendam transformar ativos e tecnologias espaciais em modelos de negócio viáveis. Ao longo de três dias, os participantes serão incentivados a analisar os avanços científicos e humanos que viabilizaram o regresso à órbita lunar e a responder aos complexos desafios que a permanência no espaço ainda coloca.

O programa de trabalho está desenhado para converter ideias em projetos concretos através do trabalho em equipas multidisciplinares. Com o apoio contínuo de mentores e o acompanhamento de especialistas nacionais e internacionais, os grupos vão desenvolver propostas em áreas críticas como a preservação da saúde humana em ambientes de radiação e gravidade extrema, a garantia de comunicações resilientes em espaço profundo, a prospeção responsável de recursos minerais na superfície lunar e a otimização logística de missões tripuladas de longa duração. A experiência culmina numa competição de ideias de negócio, onde as equipas apresentarão as suas propostas perante um júri de especialistas.

A edição de 2026 introduz uma novidade estrutural ao descentralizar as suas atividades. No dia 4 de setembro, o encerramento do evento terá lugar na Pampilhosa da Serra, permitindo aos participantes conhecer de perto o ecossistema e as infraestruturas espaciais do município, um território que tem vindo a consolidar a sua posição como polo regional estratégico e de referência no setor aerospacial.

A Coimbra Space Summer School é uma iniciativa organizada pelo Instituto Pedro Nunes (IPN), no âmbito da incubadora da Agência Espacial Europeia, o ESA BIC Centro. A organização conta com a parceria do Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra (OGAUC), do Mestrado Conjunto Erasmus Mundus em Geociências Planetárias - GeoPlaNet e do Município da Pampilhosa da Serra. Instituto Pedro Nunes - Portugal


quarta-feira, 29 de julho de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra e Active Space Technologies estabelecem parceria para reforçar a inovação e a formação no setor aeroespacial

Protocolo promove a colaboração em ensino, investigação e desenvolvimento tecnológico, aproximando a academia da indústria de alta tecnologia


A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e a Active Space Technologies assinam amanhã, dia 30 de julho, às 14h30, um protocolo de colaboração que pretende reforçar a cooperação entre a academia e a indústria, promovendo a formação avançada, a investigação aplicada e o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras para os setores aeroespacial e industrial.

A cerimónia de assinatura realiza-se na Sala do Conselho do Edifício Central do Polo II, e contará com a presença do Diretor da FCTUC, Edmundo Monteiro, e de representantes do Conselho de Administração da Active Space Technologies.

Com uma duração inicial de três anos, o protocolo estabelece um quadro de cooperação nas áreas da engenharia aeroespacial, mecânica, eletrotécnica e de computadores, informática, física, materiais, ambiente e gestão industrial, criando oportunidades de colaboração entre investigadores, docentes, estudantes e a empresa.

Entre as iniciativas previstas destacam-se a realização de estágios curriculares e de verão, dissertações de mestrado e teses de doutoramento em contexto empresarial, bem como a participação de engenheiros e especialistas da Active Space Technologies em aulas, seminários, workshops e outras atividades da FCTUC. O acordo contempla ainda o desenvolvimento conjunto de projetos de investigação e inovação, nacionais e internacionais, recorrendo às infraestruturas laboratoriais da Faculdade, assim como a prestação de serviços especializados nas áreas da caracterização de materiais, análise estrutural, simulação, prototipagem e validação de sistemas aeroespaciais.

A parceria prevê igualmente a criação de programas de formação executiva, cursos de curta duração e microcredenciais dirigidos aos colaboradores da empresa, promovendo a atualização de competências e a transferência de conhecimento entre a universidade e o setor empresarial.

Esta é a segunda parceria estratégica estabelecida pela FCTUC com empresas do setor aeroespacial no espaço de uma semana. Depois do protocolo celebrado com a Critical FlyTech, a colaboração agora firmada com a Active Space Technologies reforça a estratégia da FCTUC de estreitar a ligação à indústria, contribuindo para a consolidação da nova Licenciatura em Engenharia Aeroespacial e para a criação de mais oportunidades de estágio, investigação aplicada e empregabilidade para os seus estudantes.

A Active Space Technologies é uma empresa portuguesa especializada no desenvolvimento de soluções de engenharia para os setores do espaço, aeronáutica, defesa e indústria, colaborando com algumas das principais organizações e empresas internacionais destas áreas. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 22 de julho de 2026

Portugal - Prémio de Jornalismo Adriano Lucas 2026 com candidaturas abertas

As candidaturas para a 11.ª edição do prémio promovido pela Universidade de Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra e Diário de Coimbra estão abertas de 22 de julho a 30 de outubro


Criado em 2011 pela Câmara Municipal de Coimbra (CMC) em parceria com a Universidade de Coimbra (UC) e o grupo empresarial proprietário do Diário de Coimbra, o Prémio de Jornalismo Adriano Lucas pretende distinguir trabalhos jornalísticos inéditos, em língua portuguesa, homenageando Adriano Mário da Cunha Lucas (1925-2011), figura incontornável da comunicação social portuguesa. A iniciativa prevê a atribuição de um prémio pecuniário no valor de 3000 euros.

Na sua 11.ª edição (após um interregno entre 2019 e 2024), o Prémio pretende distinguir um trabalho jornalístico, na forma escrita, privilegiando o género reportagem, que promova, preferencialmente, temas relacionados com Coimbra e a Região das Beiras. A iniciativa procura, simultaneamente, incentivar a escrita jornalística junto de estudantes e de recém-licenciados das áreas da comunicação, jornalistas em início de carreira, profissionais da comunicação social e todos aqueles que revelem interesse pela prática do jornalismo.

As candidaturas decorrem entre 22 de julho e 30 de outubro de 2026 e devem ser submetidas digitalmente, através dos Serviços Online do Município de Coimbra, ou presencialmente, nos balcões de atendimento da Câmara Municipal, mediante o preenchimento do formulário de candidatura disponível no sítio da Internet da autarquia.

O Regulamento prevê a atribuição de um prémio pecuniário no valor de 3000 euros ao autor da obra vencedora, contribuindo cada uma das entidades com 1000 euros. O júri pode, ainda, atribuir menções honrosas, sem prémio pecuniário, não sendo admitida a atribuição de prémios ex aequo. Os trabalhos a concurso devem ser inéditos, escritos em língua portuguesa e apresentados com pseudónimo. Cada concorrente pode submeter apenas um trabalho. O júri vai ser constituído por cinco elementos, três designados pelas entidades promotoras e dois convidados por estas, sendo presidido por um representante da CMC.

A entrega do Prémio vai ter lugar em sessão solene até 31 de dezembro de 2026, preferencialmente associada a uma efeméride relacionada com a fundação do Diário de Coimbra ou com o aniversário do nascimento de Adriano Lucas (celebrado a 14 de dezembro).

Em 2025, ano em que assinalou a 10.ª edição do Prémio de Jornalismo Adriano Lucas, o prémio foi conquistado por Rafael Vieira, autor da reportagem inédita “A Água das Catacumbas de Coimbra”. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 21 de julho de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra e Critical FlyTech estabelecem parceria para reforçar formação e inovação no setor aeroespacial

Protocolo prevê colaboração no ensino, estágios e desenvolvimento de competências em Engenharia Aeroespacial


A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e a Critical FlyTech assinam, no próximo dia 22 de julho, quarta-feira, um protocolo de colaboração científica e pedagógica que pretende aproximar a formação universitária da realidade empresarial e contribuir para o desenvolvimento do setor aeroespacial em Portugal.

A cerimónia terá lugar às 10h00, na Sala do Conselho da FCTUC, no Polo II da Universidade de Coimbra, e contará com a presença do Diretor da FCTUC, Edmundo Monteiro, e por parte da Critical FlyTech, Ricardo Armas, CEO, e Gabriel Soumerou, CFO.

Com uma duração inicial de três anos, o protocolo estabelece um quadro de cooperação entre as duas instituições para promover a ligação entre a academia e a indústria, em particular nas áreas da engenharia aeroespacial e das tecnologias associadas.

Entre as principais iniciativas previstas está a participação de especialistas da Critical FlyTech em atividades letivas da nova Licenciatura em Engenharia Aeroespacial da FCTUC, através da realização de aulas, workshops e seminários, contribuindo para o enriquecimento curricular e para uma maior aproximação dos estudantes aos desafios do setor.

O protocolo contempla igualmente a criação de oportunidades de estágio para estudantes finalistas da FCTUC nas instalações da empresa, sediada no Parque Industrial de Taveiro, em Coimbra. Estes estágios poderão constituir uma porta de entrada para futuras oportunidades de emprego, de acordo com as necessidades da empresa e o perfil dos candidatos.

A Critical FlyTech é uma empresa portuguesa dedicada ao desenvolvimento de soluções tecnológicas para a Airbus, nos setores da aviação, espaço e defesa, apostando na inovação e na criação de tecnologias avançadas para aplicações de elevada exigência. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 2 de julho de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra conquista financiamento europeu para revolucionar reabilitação física com tecnologia inovadora

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) foi distinguida com uma bolsa Proof of Concept (PoC) do Conselho Europeu de Investigação (ERC), no valor de 150 mil euros. Destinado a apoiar a transformação de resultados de investigação de excelência em soluções com potencial de aplicação prática e impacto no mercado, este financiamento permitirá desenvolver o projeto KineSense, que visa criar tecnologias vestíveis (wearables) inovadoras, capazes de monitorizar, de forma contínua e objetiva, a atividade muscular e os movimentos articulares ao longo dos processos de reabilitação.

Liderado por Mahmoud Tavakoli, investigador do Instituto de Sistemas e Robótica da FCTUC, o projeto pretende transformar estas tecnologias em ferramentas clinicamente validadas e facilmente integráveis na prática de reabilitação, incluindo o uso de análise de dados avançada para apoiar a interpretação dos resultados e a tomada de decisão terapêutica.

O KineSense combina dois sistemas complementares: adesivos ultrafinos aplicados diretamente sobre a pele para monitorização da atividade muscular e uma plataforma baseada em têxteis inteligentes para acompanhar os movimentos articulares de forma confortável e não invasiva, tanto em contexto clínico como nas atividades quotidianas dos utilizadores.

Doenças neurológicas e musculoesqueléticas, como o acidente vascular cerebral, a doença de Parkinson, a osteoartrose ou as lesões desportivas, afetam milhões de pessoas em todo o mundo e estão entre as principais causas de incapacidade. Embora a reabilitação desempenhe um papel fundamental na recuperação dos doentes, a avaliação da sua evolução contínua depende ainda, muitas vezes, da observação clínica e do relato subjetivo dos pacientes.

Através da recolha contínua de dados sobre a função muscular e a qualidade do movimento, o KineSense pretende fornecer a médicos, fisioterapeutas e pacientes informação objetiva que permita acompanhar a recuperação de forma mais precisa e personalizada.

Para além da saúde, estas tecnologias poderão encontrar aplicações em áreas como o desporto e a monitorização do desempenho humano, contribuindo para a prevenção de lesões, a otimização do treino e o acompanhamento da recuperação de atletas profissionais e amadores.

“Este projeto representa um passo importante na transformação de descobertas científicas fundamentais em tecnologias capazes de beneficiar diretamente a sociedade. A nossa visão é tornar a análise quantitativa do movimento tão acessível como a medição da frequência cardíaca é hoje”, afirma Mahmoud Tavakoli.

O KineSense assenta num sólido portefólio de propriedade intelectual desenvolvido na FCTUC ao longo da última década, incluindo várias famílias de patentes internacionais. As atividades de valorização e transferência de tecnologia serão apoiadas pela UC Business, o gabinete de transferência de tecnologia da Universidade de Coimbra, contribuindo para acelerar a chegada destas soluções ao mercado.

O projeto será desenvolvido na FCTUC em colaboração com parceiros internacionais, entre os quais o University Medical Center Groningen, nos Países Baixos, reforçando o posicionamento da instituição como uma referência europeia nas áreas da saúde digital, tecnologias vestíveis e sistemas avançados de reabilitação. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Portugal - Cidadãos chamados a monitorizar uma das plantas invasoras mais problemáticas

Campanha nacional convida cidadãos a mapear inseto que combate a acácia-de-espigas. A equipa integra investigadores da Universidade de Coimbra


A plataforma INVASORAS.PT lançou a campanha de ciência-cidadã “Vamos mapear a Trichi!”, uma iniciativa que convida a população a ajudar a monitorizar a presença de um pequeno inseto australiano, chamado Trichilogaster acaciaelongifoliae, utilizado no controlo biológico da acácia-de-espigas, uma das espécies invasoras mais problemáticas dos ecossistemas costeiros portugueses.

A acácia-de-espigas encontra-se amplamente distribuída em Portugal continental, onde forma povoamentos densos, altera habitats naturais e compromete a biodiversidade. A sua elevada produção de sementes, capazes de permanecer viáveis no solo durante vários anos, contribui para a rápida expansão da espécie.

Para ajudar a controlar esta invasão, foi introduzido em Portugal, em 2015, o inseto Trichilogaster acaciaelongifoliae, conhecido pela equipa da INVASORAS.PT como “Trichi”. Este agente de controlo biológico desenvolve-se principalmente nas gemas florais da planta, originando galhas que impedem a formação de flores e, consequentemente, reduzem a produção de sementes.

Desde a sua introdução, a presença e dispersão da “Trichi” têm sido acompanhadas por investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e do Centro de Investigação de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra, que também realizaram os testes prévios à introdução.

Segundo Elizabete Marchante, investigadora da Universidade de Coimbra e membro da equipa INVASORAS.PT, “sabemos que o agente está espalhado por muitas zonas, mas precisamos de muito mais olhos no terreno para perceber onde está, onde ainda não chegou e que efeito está a ter na acácia-de-espigas. É aqui que a ciência-cidadã pode fazer toda a diferença”.

A campanha desafia qualquer pessoa a procurar galhas nos ramos da acácia-de-espigas, fotografá-las e registar a observação. Os dados recolhidos permitirão melhorar o conhecimento sobre a dispersão deste agente de controlo biológico e avaliar a sua eficácia na redução da capacidade invasora da planta. Mesmo a ausência de galhas é uma informação importante para a monitorização.

Os registos podem ser efetuados através da aplicação Epicollect5, no projeto “Registo de Trichilogaster acaciaelongifoliae”, ou, em alternativa, através da plataforma iNaturalist/BioDiversity4All.

A iniciativa dirige-se a cidadãos interessados pela natureza, voluntários ambientais, técnicos municipais, associações, escolas, estudantes, investigadores e profissionais envolvidos na gestão do território.

Com esta campanha, a INVASORAS.PT pretende reforçar a participação pública na monitorização de espécies invasoras e contribuir para uma das mais relevantes experiências de controlo biológico de plantas invasoras em curso na Europa.

Mais informações e instruções de participação aqui.

Sobre a INVASORAS.PT

A INVASORAS.PT é uma plataforma de informação e ciência-cidadã dedicada às plantas invasoras em Portugal. Disponibiliza recursos sobre identificação, impactes, gestão e mapeamento de espécies invasoras, promovendo a participação pública na sua deteção e monitorização. A plataforma integra investigadores do CFE – Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet, da Universidade de Coimbra, e do CERNAS – Research Centre for Natural Resources, Environment and Society, do Instituto Politécnico de Coimbra. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Internacional - Universidade de Coimbra coordena projeto europeu para acelerar a eliminação de gases fluorados poluentes

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) lidera um novo projeto europeu que pretende apoiar a eliminação progressiva dos gases fluorados, considerados entre os poluentes mais agressivos para o clima.

Denominado "GWPathFinder", o projeto é coordenado por Luís Pedro Viegas, investigador do Centro de Química de Coimbra do Departamento de Química da FCTUC, e conta com um financiamento de 2,9 milhões de euros do programa europeu Horizon Europe.

Os gases fluorados são amplamente utilizados em sistemas de refrigeração, ar condicionado e bombas de calor. Apesar da sua relevância para estes setores, apresentam um elevado potencial de aquecimento global, tornando-se um dos principais desafios ambientais associados à transição energética e à descarbonização.

Para responder a este desafio, o consórcio internacional liderado pela FCTUC irá desenvolver uma plataforma digital inovadora, interativa e de acesso livre, destinada a apoiar decisores políticos, indústria e comunidade científica na avaliação e seleção de alternativas mais sustentáveis.

A ferramenta funcionará como uma verdadeira “bússola” ecológica global, recorrendo a modelos científicos avançados para prever o impacto ambiental de novos gases fluorados e simular diferentes cenários de descarbonização em tempo real. O objetivo é disponibilizar informação robusta, comparável e baseada em evidência científica, permitindo acelerar a adoção de soluções de menor impacto climático.

“Este projeto pretende fornecer os dados e as metodologias necessárias para apoiar decisões informadas, contribuindo para uma transição sustentável dos setores que dependem de tecnologias de refrigeração e climatização”, refere Luís Pedro Viegas.

O "GWPathFinder" está alinhado com os objetivos da Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal, acordo internacional que estabelece a redução gradual da utilização de hidrofluorocarbonetos (HFC), um dos principais grupos de gases fluorados responsáveis pelo aquecimento global.

Mais informações sobre o projeto podem ser consultadas aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 18 de junho de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra lança Prémio Geologia@UC para apoiar estudantes da Licenciatura em Geologia

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai atribuir até 20 prémios individuais a estudantes do primeiro ano da Licenciatura em Geologia, através da criação do Prémio Geologia@UC, uma iniciativa que visa promover o acesso e a permanência no ensino superior nesta área científica estratégica.

O Prémio Geologia@UC consiste na atribuição de um apoio financeiro de valor equivalente ao montante da propina anual, podendo abranger um total de até 20 estudantes inscritos no primeiro ano da Licenciatura em Geologia da FCTUC.

Com esta iniciativa, o Departamento de Ciências da Terra da FCTUC reforça o seu compromisso com a valorização das Geociências, incentivando a formação de novos profissionais qualificados numa área fundamental para o conhecimento dos recursos naturais, a mitigação de riscos geológicos, a sustentabilidade ambiental e a transição energética.

A Licenciatura em Geologia da FCTUC proporciona uma formação sólida e multidisciplinar nas diversas áreas das Ciências da Terra, combinando ensino teórico e laboratorial de primeira linha com trabalho de campo. O curso prepara os estudantes para responder aos desafios contemporâneos relacionados com os recursos geológicos, o ambiente, os riscos naturais e o ordenamento do território, beneficiando da excelência científica da Universidade de Coimbra neste domínio.

Mais informações sobre o prémio aqui. Universidade de Coimbra – Portugal

Regulamento

 

terça-feira, 9 de junho de 2026

Internacional - Universidade de Coimbra coordena descoberta de novas orquídeas africanas com sistema de polinização raro

Duas novas espécies de orquídeas descobertas na África Central estão a ajudar cientistas a compreender melhor como plantas tropicais interagem com os seus polinizadores e a revelar um tipo de polinização raramente observado na natureza. O estudo, coordenado pelo Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra mostra, ainda, que estas espécies, agora identificadas, já se encontram ameaçadas de extinção.


As espécies, pertencentes ao género Rhipidoglossum, foram identificadas através de uma abordagem que combinou trabalho de campo, análise morfológica e dados de distribuição geográfica. Para além da descoberta, os investigadores conseguiram algo pouco comum: observar diretamente a interação com os seus polinizadores, neste caso mariposas noturnas, um comportamento raramente documentado.

Estas observações ajudam a confirmar que a forma das flores está intimamente adaptada aos insetos que as polinizam, revelando relações ecológicas altamente especializadas.

As novas espécies foram encontradas em regiões da África Central, incluindo áreas montanhosas e florestas tropicais, consideradas importantes centros de biodiversidade. No entanto, apresentam uma distribuição limitada e já foram classificadas como ameaçadas, sobretudo devido à destruição de habitat.

Para os investigadores, este trabalho demonstra que a biodiversidade tropical é não só mais rica do que se pensava, mas também mais complexa nas suas interações ecológicas. A falta de dados e a pressão sobre os ecossistemas tornam urgente continuar a estudar e proteger estas espécies antes que desapareçam.

"No grande quebra-cabeças que é a biodiversidade tropical, cada nova amostra ou registo pode representar uma peça ainda desconhecida pela ciência. Estes ecossistemas estão entre os mais ricos em biodiversidade do planeta, mas também entre os mais ameaçados e com maiores lacunas de informação. Estudos que combinem coleções biológicas, trabalho de campo e colaboração internacional são essenciais para compreender esta diversidade e apoiar estratégias de conservação antes que muitas destas espécies desapareçam", refere Arthur Macedo, doutorando do CFE.

Os investigadores registaram ainda interações entre grilos e flores de orquídeas, um fenómeno extremamente raro e pouco documentado em escala global. Esta observação representa uma descoberta inédita e sugere que estes insetos poderão desempenhar um papel ecológico mais relevante na polinização de algumas espécies tropicais do que se pensava anteriormente.

“A grande diversidade floral de Rhipidoglossum deixa adivinhar muitas interações desconhecidas. Quem sabe se os grilos não poderão ser os polinizadores principais de alguma espécie na flora da África Tropical?”, questiona João Farminhão, investigador do CFE e orientador principal. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Internacional - Arribas de São Pedro de Moel guardam o registo geológico mais completo do mundo de um período crítico do Jurássico

Investigação contou com a colaboração do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Coimbra


Um novo estudo internacional, publicado na revista Earth-Science Reviews, revela que as arribas costeiras de São Pedro de Moel (Portugal) e das Astúrias (Espanha) conservam o registo mais completo conhecido a nível mundial de um período crítico da história da Terra: a transição entre os andares Sinemuriano e o Pliensbaquiano, ocorrida há cerca de 193 milhões de anos, no Jurássico Inferior.

A investigação, liderada pela Universidade Complutense de Madrid, em colaboração com o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Coimbra (MARE-U. Coimbra), demonstra que estas regiões ibéricas são autênticos "laboratórios naturais". A análise detalhada de fósseis de amonites permitiu refinar a escala de tempo geológico com uma precisão sem precedentes.

Através da análise detalhada de fósseis de amonites, antigos moluscos cefalópodes marinhos, os investigadores conseguiram refinar a escala do tempo geológico com uma precisão sem precedentes. O estudo destaca ainda que as secções de Água de Madeiros, no concelho da Marinha Grande, e Pedra do Ouro, no concelho de Alcobaça, são referências globais pela sua continuidade estratigráfica e riqueza fóssil, superando em detalhe muitas outras regiões europeias.

Luís Vítor Duarte, coautor do estudo e investigador do MARE-U. Coimbra e do Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), explica que “este trabalho mostra a importância destas secções geológicas como referências internacionais para melhorar a forma como medimos o tempo no Jurássico Inferior. Como os fósseis estão muito bem preservados e aparecem de forma contínua, é possível comparar com grande precisão estas camadas em Portugal e noutros países da Europa, ajudando a construir uma escala do tempo geológico mais exata a nível global.”

Entre os principais resultados, o trabalho demonstra como variações significativas no nível do mar e alterações no ciclo global do carbono, identificadas através de análises geoquímicas, estiveram associadas a episódios de extinção de grupos de amonites e ao aparecimento de novas espécies mais adaptadas às mudanças ambientais. Estes mecanismos permitem compreender de forma mais clara como as crises ambientais influenciaram a evolução da vida marinha há cerca de 190 milhões de anos.

O estudo estima ainda que cada “horizonte” de amonites, unidade fundamental usada na datação destes registos geológicos, corresponde em média a cerca de 100 mil anos, possibilitando uma leitura de alta resolução do passado da Terra. Esta precisão reforça o valor científico das secções ibéricas como uma das melhores janelas globais para a reconstrução do Jurássico Inferior.

O estudo fornece ainda novos elementos para compreender as ligações paleobiogeográficas entre diferentes bacias marinhas do Jurássico Inferior, incluindo discussões relacionadas com o chamado “Corredor Hispânico”, uma antiga ligação marinha entre o Tétis e o Pacífico que poderá ter facilitado a dispersão de organismos marinhos.

Em síntese, os autores sublinham que estas secções ibéricas representam peças fundamentais para a calibração da escala do tempo geológico. Ao compreender como os ecossistemas marinhos responderam a alterações climáticas e variações do nível do mar no passado profundo da Terra, torna-se possível melhorar a previsão dos padrões de resposta da biodiversidade face às atuais mudanças globais. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 25 de maio de 2026

Internacional - Obesidade estabiliza e até diminui em vários países, aponta estudo epidemiológico global

Análise mundial desde 1980 - que conta com a participação de investigadores da Universidade de Coimbra - revela desaceleração histórica na Europa Ocidental, incluindo Portugal, mas alerta para o aumento do problema em regiões desfavorecidas


Um estudo internacional publicado na revista Nature, que conta com o contributo de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), revela que a evolução da obesidade a nível global mostra sinais de estabilização e até de possível inversão em vários países de elevado rendimento, após décadas de crescimento acelerado.

A investigação, liderada pelo NCD Risk Factor Collaboration (NCD-RisC) em parceria com a Imperial College London, analisou a evolução da obesidade em 200 países e territórios entre 1980 e 2024, com base numa das mais abrangentes bases de dados epidemiológicos alguma vez reunidas nesta área, integrando informação proveniente de milhares de estudos populacionais e de centenas de milhões de participantes.

Os resultados mostram que, após um aumento rápido e sustentado da prevalência da obesidade ao longo das últimas décadas do século XX, observa-se um abrandamento claro desse crescimento na maioria dos países de elevado rendimento. Em diversos contextos, verifica-se mesmo uma estabilização das taxas e, em alguns casos, sinais de diminuição, particularmente entre crianças e adolescentes, com reflexos posteriores nas populações adultas. Entre os países onde estas tendências são mais evidentes incluem-se alguns exemplos da Europa Ocidental, como Portugal, França e Itália.

Segundo os autores, estes padrões sugerem que a ideia de uma “epidemia global de obesidade” pode ser uma simplificação excessiva, na medida em que esconde trajetórias muito distintas entre países e regiões, influenciadas por fatores sociais, económicos e, em particular, pela disponibilidade e acessibilidade a alimentos saudáveis.

Apesar destes sinais encorajadores em alguns contextos, o estudo sublinha que a obesidade continua a aumentar de forma consistente em muitos países de baixo e médio rendimento, com especial incidência em várias regiões de África, Ásia, América Latina e em ilhas do Pacífico e das Caraíbas, evidenciando uma forte desigualdade global na evolução deste problema de saúde pública.

Para o professor Majid Ezzati, coordenador do estudo no Imperial College London, os resultados demonstram que “o aumento da obesidade não é inevitável e pode ser travado, ou mesmo invertido, através de políticas adequadas”. Ainda assim, o investigador alerta que os níveis atuais permanecem elevados e que as desigualdades entre regiões continuam a ser muito significativas.

Na mesma linha, Aristides Machado-Rodrigues, co-autor do estudo e investigador do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e docente da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC, sublinha que “analisar não apenas a prevalência, mas também a velocidade de mudança da obesidade ao longo do tempo, permite identificar com maior precisão os contextos onde são necessárias intervenções mais urgentes, nomeadamente através de políticas públicas robustas nas áreas da saúde e da alimentação, capazes de acompanhar as transições económicas, tecnológicas e nutricionais em curso”.

O trabalho contou ainda com a participação de outros docentes e investigadores da UC, nomeadamente Cristina Padez e Daniela Rodrigues, da FCTUC, Helena Nogueira, da Faculdade de Letras, e Luísa Macieira, Lélita Santos e Anabela Mota-Pinto, da Faculdade de Medicina. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Portugal - Investigadores da Universidade de Coimbra desenvolvem tecnologia para criar ecrãs flexíveis que dobram e esticam sem se partir

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu um novo condutor transparente e ultra-resiliente que promete transformar o futuro dos dispositivos wearables, dos ecrãs táteis e de tecnologias de recolha de energia.


Esta investigação propõe uma solução inovadora para um dos principais desafios da eletrónica moderna: desenvolver filmes condutores que são simultaneamente transparentes e elásticos, capazes de se esticar, dobrar e acompanhar o movimento humano sem comprometer o seu desempenho elétrico.

No centro desta descoberta está uma arquitetura nanométrica tridimensional em forma de giroide, preenchida com metal líquido. Esta estrutura geométrica avançada permite que o material suporte deformações extremas, incluindo alongamentos, torções e compressões, mantendo uma condutividade elétrica estável e eficiente.

O estudo, publicado na revista npj Flexible Electronics, do grupo Nature, resulta de uma colaboração entre o Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), o Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores e o Departamento de Física da FCTUC.

Segundo os investigadores, a nova abordagem ultrapassa as limitações dos condutores tradicionais, que tendem a partir ou degradar-se quando sujeitos a esforços mecânicos repetidos. Para além da elevada elasticidade, o novo composto combina duas características raramente conciliáveis: elevada condutividade elétrica e transparência ótica, essenciais para aplicações em tecnologias de visualização e interfaces inteligentes.

“Os ecrãs, touchscreens e células solares atuais continuam a ser fundamentalmente frágeis. O nosso objetivo é criar eletrónica macia, resiliente e sustentável, capaz de resistir a dobragens, alongamentos, impactos e até perfurações sem perder funcionalidade”, explica Mahmoud Tavak, líder do estudo e investigador do ISR.

“Os resultados incluem dispositivos eletroluminescentes capazes de esticar até 600%, enquanto o próprio condutor transparente suporta deformações até 1400%, o que significa que pode esticar até 14 vezes o seu comprimento original”, acrescenta.

Para validar o potencial da inovação, a equipa integrou o novo condutor em dispositivos optoeletrónicos e sistemas de eletroluminescência, demonstrando a sua aplicabilidade em contextos reais.

De acordo com Mahmoud Tavak, este avanço representa “um passo decisivo rumo a uma eletrónica verdadeiramente integrada no quotidiano”, aproximando a tecnologia da flexibilidade e adaptabilidade dos sistemas biológicos.

Este trabalho de investigação é financiado pelo projeto Liquid 3D do Conselho Europeu de Investigação (ERC) (Grant Agreement n.º 101045072). Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 18 de maio de 2026

Portugal - Investigação da Universidade de Coimbra revela presença generalizada de microplásticos nos rios Mondego e Vouga

Uma equipa internacional liderada pelo Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Coimbra (MARE-UCoimbra) identificou a presença generalizada de microplásticos nos rios Mondego e Vouga, dois dos principais sistemas fluviais da região Centro de Portugal.


O estudo, publicado na revista científica Journal of Hazardous Materials: Plastics, analisou microplásticos em suspensão na coluna de água destes dois rios, tendo sido detetados em todos os locais de amostragem. Os resultados confirmam que a poluição por plásticos está amplamente disseminada, mesmo em ecossistemas de água doce no interior do território.

O estudo, que resulta numa colaboração entre a Universidade de Coimbra (UC) e o Indian Institute of Science Education and Research Kolkata, identificou variações nos níveis de contaminação associadas a diferentes pressões antrópicas, incluindo atividades urbanas, turismo, agricultura e infraestruturas.

A maioria das partículas detetadas apresentava dimensões inferiores a um milímetro, sendo as fibras o tipo mais comum. Entre os polímeros mais frequentes destacam-se o polietileno e o polipropileno, amplamente utilizados em embalagens e plásticos de uso único.

Para além da quantificação da contaminação, a investigação incluiu uma avaliação do risco ecológico com base em índices internacionais de poluição e perigo. Apesar de concentrações globais moderadas, várias zonas dos rios Mondego e Vouga apresentaram níveis de risco entre baixo e potencialmente elevado, sobretudo devido à presença de partículas pequenas, mais facilmente transportadas e ingeridas por organismos aquáticos.

Segundo Seena Sahadevan, líder do estudo e investigadora do MARE e do Departamento de Ciências da Vida da UC, “este trabalho fornece informação de base importante sobre a contaminação por microplásticos em sistemas de água doce em Portugal e evidencia a necessidade de monitorização contínua e de estratégias de mitigação”.

Este estudo constitui uma das primeiras avaliações integradas de risco ecológico associadas a microplásticos em suspensão nos rios Mondego e Vouga, contribuindo com dados relevantes para a conservação de ecossistemas aquáticos e a gestão ambiental em Portugal.

A investigação contou ainda com a participação de Sarra Ben Tanfous, na qualidade de primeira autora, bem como dos investigadores Abhishek Mandal, Juliana Barros e Gopala Krishna Darbha. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 11 de maio de 2026

Portugal - Departamento de Arquitetura mantém atividade plena noutros espaços da Universidade de Coimbra

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) informa que está concluído o processo de reorganização das atividades do Departamento de Arquitetura (DARQ), na sequência dos danos provocados pela tempestade Kristin e do início da empreitada de requalificação do Colégio das Artes, que até então era sede do Departamento. Está garantido o pleno funcionamento do DARQ noutros espaços da Universidade de Coimbra (UC), com todas as condições para os estudantes que frequentam o Departamento ou nele vão ingressar no próximo ano letivo.


Em resultado do esforço conjunto de toda a comunidade académica, para assegurar a continuidade das atividades com normalidade e o mínimo de perturbação possível, foi garantida a resposta coordenada e a mobilização de recursos que garantem o funcionamento pleno do DARQ, enquanto a utilização do Colégio das Artes estiver condicionada. As suas atividades estão neste momento distribuídas por diferentes espaços do Polo I da UC, como os Colégios de Jesus, de São Bento e das Artes [ala poente] e os Departamentos de Matemática, Física e Química.

Já as atividades do curso de Design e Multimédia da FCTUC, que também estava sediado no Colégio das Artes, foram transferidas para o Departamento de Engenharia Informática, no Polo II da UC.

“Com o esforço conjunto de toda a comunidade, envolvendo a colaboração de muitas Unidades Orgânicas e Unidades de Extensão Cultural e Apoio à Formação, foi possível resolver o impacto significativo que a tempestade Kristin e as intempéries que se seguiram tiveram em vários edifícios da UC. No caso concreto do Colégio das Artes, não posso deixar de sublinhar a estreita colaboração entre a FCTUC e a Reitoria, sempre envolvendo o DARQ, e o contributo solidário das Unidades que agora acolhem as atividades relocalizadas”, afirma o Vice-Reitor para o Património, Edificado e Turismo da UC, Alfredo Dias.

O Diretor da FCTUC, Edmundo Monteiro, refere “o empenho e a resiliência de toda a comunidade DARQ e a colaboração de vários departamentos que, em articulação com o Gabinete Técnico da FCTUC e a Reitoria, tornaram possível restabelecer rapidamente as condições necessárias ao funcionamento das atividades”.

Luís Miguel Correia, Diretor do DARQ, sublinha que, “atendendo aos efeitos da depressão Kristin verificados em janeiro no Colégio das Artes, foram muitos os desafios colocados à Reitoria da UC, à Direção da FCTUC e à comunidade do DARQ”, exigindo a reorganização do Departamento e a garantia de instalações adequadas para acolher aulas teóricas, práticas e laboratoriais, bem como outras atividades académicas e científicas dos cursos de Arquitetura e de Design e Multimédia.

O Diretor reconhece que, “cerca de dois meses depois, a vida do DARQ se aproxima do seu funcionamento regular, apesar dos condicionalismos”, sublinhando a importância de “instalações que promovam a aprendizagem e o trabalho coletivo, sem dispersão”, e expressando confiança de que os esforços em curso permitirão melhorar as condições no próximo ano letivo. Enaltece ainda a “paciência e resiliência da comunidade do DARQ” ao longo deste período.

Ao mesmo tempo que foram asseguradas as condições necessárias ao normal desenvolvimento das atividades do DARQ, foi também iniciada a primeira fase das obras de requalificação do Colégio das Artes, incindindo na ala norte do edifício, com um investimento de cerca de quatro milhões de euros. “A Reitoria vai continuar a trabalhar até ao limite da sua capacidade de ação, como tem feito desde 2019, em estreita articulação com a FCTUC, para concretizar as soluções robustas e duradouras pelas quais todos ansiamos”, conclui o Vice-Reitor Alfredo Dias. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 8 de maio de 2026

Portugal - Congresso na cidade de Coimbra evoca Camilo Pessanha

Um congresso de dois dias em Coimbra dedicado a Camilo Pessanha vai assinalar os 100 anos desde a morte do professor, poeta e escritor que nasceu naquela cidade portuguesa e faleceu em Macau. Vários oradores participam no evento, entre os quais Sara Augusto e Carlos Morais José, ambos online, Celina Veiga de Oliveira e António Carlos Cortez


Durante dois dias, 11 e 12 de Maio, Coimbra receberá um congresso sobre a vida e obra de Camilo Pessanha, contando com uma plêiade de oradores, alguns dos quais de Macau. As sessões realizar-se-ão na Faculdade de Letras e na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (UC), que o poeta frequentou durante a formação académica.

Na apresentação do evento, a organização destaca o “nome maior da poesia portuguesa”, nascido em Coimbra em 7 de Setembro de 1867. O escritor viria a falecer em Macau a 1 de Março de 1926, onde exerceu relevantes funções públicas. Foi autor de um único e extraordinário livro de versos, Clepsidra, publicado pelas Edições Lusitânia, de que era proprietária a sua amiga Ana de Castro Osório, e posteriormente enriquecido por novos poemas que foram sendo descobertos.

“Apesar da distância e da data tardia da publicação da Clepsidra (1920), posterior quer ao surgimento de vários livros de Mário de Sá-Carneiro, quer à publicação da revista Orpheu, o nome do poeta simbolista era bem conhecido nos meios literários de Lisboa, onde os seus poemas circulavam manuscritos desde o início do século XX”, pode ler-se na nota da UC.

Por isso, acrescenta, “Fernando Pessoa, que o conheceu pessoalmente numa das passagens de Pessanha pelo país natal, lhe chamou Mestre, comparando-o apenas a Antero de Quental e a Cesário Verde como guias e precursores da geração modernista”.

Mário de Sá-Carneiro chegou mesmo a considerar, em 1914, respondendo a um inquérito promovido pelo jornal República, que o melhor livro de poesia dos últimos trinta anos, era um livro até então não publicado, aquele que reunisse a poesia de Camilo Pessanha, o “grande ritmista”. “É esta grande figura da literatura nacional que o Centro de Literatura Portuguesa se propõe celebrar”, sublinha a UC.

A sessão de abertura do evento acontecerá na segunda-feira, pelas 9h30, com palestras de Daniel Pires e Celina Veiga de Oliveira, versando os temas “O percurso cívico de Camilo Pessanha” e “Camilo Pessanha e as teias jurídicas a Oriente”, respectivamente. Ainda durante a manhã, em sessões que terão lugar no Colégio da Trindade, extensão da UC, Duarte Drumond Braga falará sobre “Macau, essa China e esse Portugal”, enquanto Catarina Nunes de Almeida abordará “Camilo Pessanha, mestre de poetas”, e Maria do Carmo Cardoso Mendes orientará uma conversa sob o título “Água, poeira e silêncio: visões do Oriente na poética de Clepsidra”.

Da parte da tarde, num anfiteatro da Faculdade de Letras da UC, estarão os conferencistas Orlando Nunes de Amorim, Ana Margarida Chora, Raquel Brandão do Sêrro, Osvaldo Manuel Silvestre, Gabriella Campos Mendes e Ana Marques. Pelas 18h00, será inaugurada uma exposição bibliográfica sobre Pessanha, na Biblioteca Geral da UC.

Na terça-feira, o congresso contará com o palestrante António Carlos Cortez, que em Março veio a Macau para participar no Festival Literário Rota das Letras. O professor de Literatura Portuguesa falará sobre “Camilo Pessanha e Gastão Cruz: o sentido violento da forma”. Seguir-se-á Charles Cheung, com “Reenquadrar a China de Camilo Pessanha: recepção póstuma do Prefácio ao Esboço crítico da civilização chinesa em Portugal e na China”

Sara Augusto e Carlos Morais José, ambos online, orientarão conversas na manhã do segundo dia. A primeira com a dissertação “Confluências na poesia de Camilo Pessanha em Macau”, e o segundo com “a dor que deveras sente”. Durante o dia haverá também palestras de Diego Emanuel Giménez, Felipe Fusco, Paulo Franchetti, Danglei de Castro Pereira, Carla Datia, Maria do Céu Estibeira, Gustavo Rubim, Luís Quintais e António Apolinário Lourenço.

Os seminários integram-se nas actividades comemorativas promovidas pelo Centro de Literatura Portuguesa e pelo Grupo de Arqueologia e Arte do Centro, com a colaboração da Pró-Associação 8 de Maio, a que se associam a Câmara Municipal de Coimbra, a UM e o Museu Machado de Castro. Participam também na iniciativa bibliotecas de localidades relacionadas com a vida e a obra de Pessanha (entre as quais as bibliotecas municipais de Coimbra, Tábua e Óbidos) e algumas escolas da região. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 4 de maio de 2026

Internacional - Estudo liderado pela UC deteta microplásticos e contaminantes químicos em aves marinhas subantárticas

Um estudo internacional liderado por investigadores do Centre for Functional Ecology (CFE) do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) detetou microplásticos e compostos químicos associados à produção de plásticos (aditivos) em aves marinhas que se reproduzem em regiões subantárticas, nomeadamente na Geórgia do Sul. Alguns destes compostos são reconhecidos como disruptores endócrinos.


Neste estudo, publicado na revista Journal of Hazardous Materials, foram analisados indivíduos de sete espécies de aves marinhas subantárticas, algumas das quais classificadas como vulneráveis ou em perigo de extinção. No total, foram identificadas 1275 partículas de origem antropogénica nos tratos gastrointestinais dos indivíduos analisados, correspondendo a uma média de cerca de 17 partículas por indivíduo.

“As análises revelaram que a maioria das partículas identificadas era de origem sintética (59%), em particular plástico. Foram também identificadas partículas de origem natural, como celulose e algodão, mas de origem industrial, podendo conter compostos adicionais, como corantes, que podem persistir no ambiente”, explica Joana Fragão, aluna de doutoramento em Biociências da FCTUC e do British Antarctic Survey, no Reino Unido.

O estudo analisou ainda a presença de compostos com potencial ação como disruptores endócrinos no fígado e no músculo das aves. Estes compostos, que podem interferir com o sistema hormonal, foram detetados, incluindo retardadores de chama, com concentrações mais elevadas no fígado.

“Os resultados evidenciam a presença simultânea de microplásticos e destes compostos em aves marinhas de regiões remotas, não tendo sido ainda estabelecida uma relação direta entre ambos nem avaliados os seus efeitos biológicos”, sublinha Filipa Bessa, coautora do estudo.

Ainda assim, os investigadores destacam que estes dados contribuem para uma melhor compreensão da exposição da fauna marinha a diferentes tipos de poluentes, sublinhando a importância de reforçar medidas internacionais que visem a redução da poluição marinha e a proteção da biodiversidade, incluindo a implementação de programas de monitorização de plásticos e contaminantes químicos, mesmo em ecossistemas considerados isolados. Universidade de Coimbra - Portugal