Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 27 de abril de 2020

Macau – 25 de Abril, Sempre!

Apesar da pandemia, o 25 de Abril foi assinalado em Macau, com o palco das comemorações “instalado” nas redes sociais. Dois vídeos sobre uma data que “não pode passar em branco” tiveram feedback “positivos”. Numa data muito emotiva, Manuel Geraldes apontou que as redes sociais ajudaram a encurtar o distanciamento social. Por outro lado, Amélia António sublinhou que a iniciativa levada a cabo pela Casa de Portugal constituiu um sucesso e serviu de aprendizagem para o futuro



As celebrações em Macau do “Dia da Liberdade” deste ano foram condicionadas pela pandemia, mas a Casa de Portugal não quis que isso fosse motivo para “saltar a data”, pelo que gravou um vídeo comemorativo. Combinando um espectáculo de marionetas, um momento musical e narrativas sobre a Revolução dos Cravos, o vídeo foi produzido pela equipa da associação e divulgado nas redes sociais.



A presidente da Casa de Portugal disse ao Jornal Tribuna de Macau que sentiu as pessoas “perceberam que o trabalho foi feito com calor humano e empenho”. “Acho que, dentro do que era possível fazer foi um esforço bem recebido e bem feito. Pelas reacções das pessoas que nos mandaram ‘feedback’ e pelo movimento que teve o Facebook acho que despertou interesse e que as pessoas gostaram”, afirmou Amélia António.

Apesar do sucesso, reconheceu ter sido difícil levar a cabo este projecto. “Foi uma experiência muito em cima da hora, porque havia outras coisas a acontecer. Nós não tivemos, até muito tarde, a certeza do que podíamos fazer e portanto quando se decidiu que tinha de ser este formato foi já com muito pouco tempo”, contou, acrescentando que “estas coisas parece que são todas muito simples, mas dão muito trabalho”.

Segundo Amélia António, entre os elogios o público destacou especialmente a atenção dada ao público infantil “que é uma coisa pouco comum”.

Por outro lado, a responsável lamentou que esta celebração não decorresse como nos anos anteriores. “É triste que tenha de ser assim, não é um 25 de Abril que nos encha a alma”, lamentou Amélia António, porém, sublinhando que “serviu de aprendizagem para próximos projectos”.

“Isto não substitui a presença física nem o encontro entre as pessoas, mas alivia essa falta”, pelo que no futuro este formato voltará a funcionar, mas como complemento.

A Casa de Portugal arranca agora com a preparação de “Junho, mês de Portugal” e retomará os trabalhos interrompidos nas futuras instalações do restaurante no Tap Seac.

Conforme noticiámos na edição de sexta-feira, a “Comissão Ad Hoc 25 de Abril”, também produziu um vídeo musical que foi partilhado nas plataformas pela Associação 25 de Abril. Em declarações ao Jornal Tribuna de Macau, Manuel Geraldes salientou que a interpretação de várias obras de Zeca Afonso por parte de José Li Silveirinha, jovem pianista de Macau, mereceu rasgados elogios.

“É um momento musical brilhante, lindíssimo. E claro que é isso que as pessoas dizem nas redes sociais”, afirmou.

A data “que não deve ser esquecida” é sempre um dia muito emotivo para Manuel Geraldes que mesmo com o confinamento social não deixou de o partilhar com “os de sempre”.

“Passei o dia em casa a ver um filme e a falar com as pessoas em Portugal. Recebi os telefonemas habituais desta altura, ainda estou cansado de ontem”, confessou, realçando que “com as redes sociais permitem-nos esta troca e partilha apesar das circunstâncias e da distância entre Macau e Portugal”. Sofia Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Macau – Casa de Portugal comemora o 25 de Abril no Facebook

A Casa de Portugal escolheu o Facebook como plataforma para celebrar o 25 de Abril, respeitando o distanciamento social que a Covid-19 exige. Para assinalar a Revolução dos Cravos, a Casa de Portugal vai partilhar, ao longo do dia, uma série de vídeos na sua página de Facebook. Poemas de José Jorge Letria e Ary dos Santos serão os destaques deste sábado, dia do 46.º aniversário da Revolução de Abril.

No dia 25, as festividades da Casa de Portugal vão começar com uma mensagem da presidente da associação, Amélia António, que será partilhada no Facebook. Depois, Sérgio Rolo passa a explicar a história do 25 de Abril às crianças, também através da rede social, contou ao Ponto Final Diana Soeiro, coordenadora Casa de Portugal. Mais tarde, Elisa Vilaça vai ler “Portugal ressuscitado”, um poema de José Carlos Ary dos Santos. Por fim, será partilhado o vídeo com música de Tomás Ramos de Deus e com arranjos de Miguel Noronha Andrade, cuja letra é o poema “O dia da Liberdade”, de José Jorge Letria.

Os vídeos, previamente gravados, começarão a ser partilhados na manhã de sábado, na página de Facebook da Casa de Portugal. Estes trabalhos serão preparados pelos colaboradores da instituição.

Segundo tinha explicado Amélia António à Rádio Macau, estas comemorações servirão para “manter o espírito do 25 de Abril”. “Não é por estarmos a viver uma situação mais difícil que esquecemos uma data tão importante e a esperança que nos trouxe, e que também tem de continuar a estar presente”.

Recorde-se que, habitualmente, a Casa de Portugal assinala a data com um jantar e um evento público. Porém, devido ao surto epidémico do novo coronavírus, este ano as comemorações acontecem na internet. In “Ponto Final” - Macau

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Macau - Casa de Portugal um mundo de preocupações mas que tende a normalizar

O plano de ter o restaurante da Casa de Portugal em Macau na “Casa de Vidro” no início do ano caiu por terra devido à epidemia do COVID-19. Amélia António diz que os trabalhos estão “numa encruzilhada”, mas ainda assim mostra-se positiva. “Acho que vamos todos ultrapassar isto”

A presidente da Casa de Portugal, Amélia António, estava bastante optimista com a abertura do restaurante no espaço que foi concedido na “Casa de Vidro” no Tap Seac, porém, a situação epidémica causada pelo COVID-19 acabou por trocar os planos. “As minhas perspectivas neste momento não são nenhumas. Havia pequenos trabalhos e arranjos que tinham de ser feitos para a parte da cozinha, já temos os desenhos mas com tudo isto não se pôde avançar com nada”, afirmou Amélia António à Tribuna de Macau.

A assinatura do contrato com o Instituto Cultural também ainda não aconteceu nem está solucionada a questão dos funcionários, que estão ainda ligados ao “Lusitanos”, algo que tem de ser alterado. “Nada do que era para resolver ficou resolvido porque isto caiu exactamente no ponto de arranque desses trabalhos”.

Amélia António diz que a situação se torna “muito gravosa”, sobretudo porque o “Lvsitanvs” já tinha sido retirado do plano anual da Casa de Portugal, uma vez que passaria a ser gerido pela empresa “CPM Artes e Ofícios Sociedade Unipessoal”.

“Como pensava que as coisas iam a começar a funcionar no princípio do ano, retirámos o “Lvsitanvs” do orçamento com a Fundação Macau porque não podia estar a colocar uma coisa que já não era da associação”, explicou. O serviço continuou a ser prestado na Casa de Portugal até que houvesse condições para ser transferido para o Tap Seac.

Neste momento, continuou Amélia António, o restaurante “não está apoiado num subsídio, mas também ainda não está a funcionar”. “Estamos aqui numa encruzilhada muito difícil, mas sou uma mulher optimista, portanto, acho que vamos todos ultrapassar isto”, observou.

Entretanto, todos os serviços da Casa de Portugal foram suspensos, na sequência da implementação das medidas de controlo e prevenção do Governo. Esta semana, indicou a presidente, serão feitos trabalhos para assegurar que, em caso de necessidade, poderão abrir portas. “Vamos começar a fazer pequenos turnos, com grupos de três a quatro pessoas para fazer um trabalho de limpeza e desinfecção em todas as instalações. Começamos pela sede e depois a escola”. “Se as coisas continuarem a normalizar, estaremos em condições de reabrir nem que seja parcialmente, mas com outra segurança”, acrescentou Amélia António.

Questionada sobre se tem recebido queixas ou pedidos de ajuda devido à situação que Macau atravessa, a presidente da Casa de Portugal diz que não tem acontecido. “Acho que as pessoas estão com muita serenidade a enfrentar este contratempo”, apontou. Ainda assim, considera que as maiores preocupações se prendem com o ensino: “As pessoas estão um bocadinho preocupadas com o ano escolar. O presidente da Escola Portuguesa de Macau está em Portugal a falar com o Ministério, porque especialmente nos anos de exame e sobretudo nos de acesso ao ensino superior, noto que as pessoas estão preocupadas como isso vai ser resolvido”.

Amélia António mostrou ainda preocupação relativamente às associações não só de ensino, mas também de apoio social, como é o caso da Caritas ou da Fu Hong. “Além das pequenas empresas, que fazem parte do tecido económico de Macau, também é preciso um olho sobre as associações que desenvolvem trabalhos sociais porque não têm fundos a que recorrer para tapar estas desgraças”, concluiu. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

domingo, 22 de dezembro de 2019

Macau - Valorização da língua e da comunidade portuguesas vai continuar afirma presidente da Casa de Portugal

Macau - A presidente da Casa de Portugal em Macau disse hoje que o investimento no português e nas relações com a comunidade portuguesa têm sido uma "preocupação sistemática" e que isso não deverá mudar com o novo Executivo da região.

Para Amélia António, isso seria "desvirtuar o valor que Macau tem" e o Presidente chinês, Xi Jinping, fez questão, na sua visita ao território por ocasião dos 20 anos da região administrativa especial, de "repetir sistematicamente as características especiais" do território que funciona como ponte sino-lusófona.

"Estão lá uns toques no discurso do Presidente a chamar a atenção que, sendo a cultura chinesa a dominante, é para manter as pontes", afirmou, em declarações à Lusa à margem de uma receção comemorativa na Torre de Macau.

Xi Jinping sublinhou várias vezes, no antigo território administrado por Portugal, o sucesso da aplicação do princípio 'um país, dois sistemas' com caraterísticas próprias de Macau.

Amélia António considera que "é um recado para Hong Kong", onde os últimos seis meses têm sido marcados por protestos antigovernamentais e contra a crescente interferência de Pequim, "mas não exclusivamente".

"É também para certos setores de Macau que só veem um país, não veem o segundo sistema, e esquecem-se que Macau é importante" pelo papel que exerce como plataforma ente a China e os países de língua portuguesa, considerou.

"Não estou particularmente preocupada" com a desvalorização do português, admitiu, apontando para o "enorme conhecimento do português e da comunidade portuguesa" entre as novas caras do executivo.

Também o secretário-geral adjunto do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), Rodrigo Brum, manifestou otimismo em relação ao reforço da cooperação sino-lusófona com o novo Governo.

Rodrigo Brum destacou que o projeto da Grande Baía, no qual "está prevista a ligação com os países de língua portuguesa", é uma oportunidade que nem Macau nem o bloco lusófono podem desperdiçar ou descurar.

O projeto de Pequim da Grande Baía pretende criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, numa região com cerca de 70 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto (PIB) que ronda os 1,2 biliões de euros, semelhante ao PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

O novo Governo de Macau, liderado por Ho Iat Seng, tomou hoje posse perante o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping.

Trata-se do quinto Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), que celebra hoje o seu 20.º aniversário, depois de em 20 de dezembro de 1999 o território ter voltado à tutela da China, após mais de 400 anos de administração portuguesa.

A transferência da administração de Macau de Lisboa para Pequim, em 1999, foi feita sob a fórmula 'um país, dois sistemas', que garante ao território um elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário.

A fórmula aplica-se também à outra região da China com esta administração especial, Hong Kong, onde os últimos seis meses têm sido marcados por protestos contra o poder político. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

sábado, 21 de dezembro de 2019

Macau - A capacidade de adaptação, 20 anos depois

Os portugueses já foram muita coisa em Macau, ou não estivéssemos a falar de quase 500 anos de história. Mas façamos ‘zoom in’ para as últimas duas décadas, altura em que a cidade regressou à pátria-mãe. Se num passado muito longínquo os marinheiros foram comerciantes vorazes, antes de 1999 prevalecia uma comunidade sobretudo de funcionários públicos. Após a passagem de administração para a China mudou (quase) tudo, e aí veio ao de cima uma característica que quase sempre se cola aos portugueses: a capacidade de adaptação. Saltaram para o lado do “Macau novo”, aquele que nasceu nos casinos, todo ele dourado e esplendoroso. Os arquitectos lusos ajudam a projectá-los, os engenheiros dão-lhes forma, e os advogados são o cimento legal para que a caixa registadora não pare de tilintar



Olharmo-nos ao espelho e mostrarmos para fora o que somos, nem sempre é um exercício fácil, e quando não falamos só de nós, mas de um grupo, o grau de dificuldade é superlativo. Mas é exactamente isso que uma advogada, um economista, uma professora, e um jornalista/historiador se propuseram a fazer em relação à comunidade portuguesa em Macau, nos últimos 20 anos. Se, no passado, se insuflou do poder real que a administração nos dava, há quem ache que hoje os portugueses “são praticamente invisíveis”. Ainda assim, continuamos a contribuir com o “nosso saber fazer” que ajuda ao progresso económico da cidade que em 2020 será a mais rica do Mundo. E damos ainda um colorido étnico que retira a Macau o rótulo “de mais uma cidade qualquer do Sul da China”. No entanto, o futuro — profetizam estes portugueses — é de uma lenta, mas inexorável diluição da sua existência no território.

Duas décadas é um período relativamente curto, quando o colocamos em perspectiva com cinco séculos de história, ainda assim, tempo suficiente para observar mudanças no papel de uma comunidade. João Guedes, jornalista, e um homem que desenvolveu um vasto conhecimento sobre a história de Macau e da China, não tem pejo em afirmar que a transformação dos portugueses depois da passagem de soberania para a China “foi radical”. “Diria, com um certo exagero, que a comunidade que havia antes de 1999 desapareceu depois disso”.

Antes dessa data, os portugueses eram um grupo que “tinha um poder político”, era “a comunidade de referência” e “quem mandava”. No período anterior à transição, segundo Guedes, os nacionais eram quase todos funcionários públicos. “O emigrante português que vinha para aqui fazer um negócio, não existia. Não havia sequer restaurantes portugueses, normalmente eram três ou quatro e não mais”, afirma, acrescentando que estes espaços de restauração só pulularam depois da transição. “A situação alterou-se do dia para a noite”, conclui.

Alteração no centro do poder

O economista Albano Martins faz um retrato cru do tom das diferenças que 20 anos ajudaram a carregar. O homem que lidera uma das associações mais relevantes de protecção dos animais, a ANIMA, diz que recuar no tempo é lembrar uma “comunidade que era muito protegida”. A transferência de soberania resultou, como é normal, numa alteração do centro de poder e de decisão que se deslocou para a comunidade chinesa que é agora a privilegiada.

“O acesso à administração de Macau já não existe. Está limitadíssimo. Só a comunidade chinesa é que o tem, e nota-se que na Função Pública as chefias portuguesas desapareceram todas”, afirma, ressalvando que no Governo de Edmund Ho — primeiro Chefe do Executivo da RAEM — a mudança não foi imediata, mas que depois se tornou inevitável.

Mas esta nova realidade não é necessariamente má ou negativa. Se olharmos para as questões económicas, os portugueses ficaram a ganhar, argumenta Albano. “A verdade é que com a transição houve a possibilidade de alguma comunidade portuguesa, do ponto de vista económico, ter melhores condições do que com a administração portuguesa, em que os dinheiros estavam contados”.

Mas se a dimensão financeira é importante, não será tudo. A questão dos direitos, das liberdades e das garantias sempre provocou algum receio. Medo infundado, para Albano Martins. “Mantemos os mesmos direitos. Nem mais, nem menos. Não acho diferença nenhuma”, defende. 

No entanto, no quotidiano há coisas que se alteraram. Amélia António lembra que, no passado, havia um serviço de censura através dos meios judiciais. Ele evidenciava-se em processos de abuso da linguagem, ou a multiplicação de casos de liberdade de imprensa. “Havia jornais com uma colecção de processos razoável a correr. Hoje isso não se verifica. Não vejo que a imprensa portuguesa faça autocensura. Nos chineses, por outro lado, há alguma censura interna”, contrapõe.

Mas e vivemos agora melhor ou pior? A professora do Departamento de Português da UMAC, Maria José Grosso, há várias décadas no território, crê que as coisas mudaram “para melhor”. Há sobretudo menos diferenças no interior da comunidade. “Havia pessoas que viviam muito bem, mas havia mais desigualdades sociais. As pessoas que ocupavam cargos da administração, andavam em carros negros com motoristas. Hoje as coisas estão mais niveladas”, considera.

Uma voz informada sobre a realidade dos portugueses em Macau é a da presidente da Casa de Portugal, Amélia António, que afirma que a diferença mais visível, aquela que entra pelos olhos adentro, é a transformação etária. Em 1999, a comunidade “de uma maneira geral era constituída por pessoas mais velhas do que actualmente”. “Há mais crianças pequenas, vem gente mais nova para o território, e têm filhos com idades pré-escolar e escolar”, identifica. Para esta advogada é uma consequência directa dos que saíram e dos que, entretanto, chegaram à RAEM, muitos deles em início de carreira profissional.

O medo da mudança

Antes de avançar, vamos dar um passo atrás para compreender o ambiente que se vivia algum tempo antes de Portugal e da China assinarem o tratado de passagem de transferência de soberania de Macau, mediado pelos 50 anos de transição regidos pelo princípio de “um país, dois sistemas”.

Quando começa a reviver o período antes da viragem de milénio, Amélia António descreve que “uma parte das pessoas que aqui estavam, tinha história antiga”. “Muitos tinham vindo para Macau numa fase mais conturbada da história da China. Mantiveram sempre um certo receio”, declara.

A esses somaram-se outros que − vindos dos territórios de língua portuguesa em África que passaram por processos de independência − tinham ficado marcados por situações de vida complicadas. No entanto, Macau era diferente e, por isso mesmo, correu tudo de outra forma. No entanto, a psicologia de um grupo tem muitas nuances. “Aqui não havia nada que pudesse causar esses receios, mas talvez o peso mental de experiências dos próprios tenha estado na origem desses receios”, remata a advogada.

João Guedes lembra que, à época, ficou com a sensação de que os medos eram mais dos que estavam em Portugal, do que daqueles que viviam em Macau. “Estávamos habituados a lidar com a China, não haveria nada parecido ao que se passou com Angola e Moçambique”, sublinha.

A advogada Amélia António crítica, no entanto, o tempo reduzido que foi dado a estas pessoas para fazerem escolhas. “Estavam a assimilar a situação e tiveram que tomar decisões, algumas delas precipitadas”, lamenta. Por isso, houve muita gente “que saiu por causa das regras de integração” na Administração Pública, eram pessoas que estavam numa idade em que “à medida que se foram reformando, regressaram ao país”. Os que voltaram, acredita, foram movidos pela insegurança e o receio, que se revelaram infundados.

Em consequência disto, Guedes recorda que muitos regressaram a Macau, anos mais tarde, “porque as condições de vida em Portugal eram difíceis, e as pessoas estavam habituadas a um determinado nível de vida aqui, e não o conseguiram manter lá”, explica.

Uma bolha difícil de furar sem a língua

Albano Martins – que esteve ligado durante vários anos a diversas entidades públicas e privadas da área financeira e económica – dá o seu exemplo para ilustrar a dificuldade de integração dentro da sociedade em Macau. “Vivemos numa bolha fechada, não tenho dúvidas”, começa por dizer. “Vivo em Macau há 38 anos e nunca me integrei em comunidade nenhuma”, argumenta. O mesmo declara que nunca foi considerado como local. “Raramente a comunidade macaense me convida para algum evento. Nós vivemos num gueto”, enfatiza. Albano acredita que este é o retrato genérico dos portugueses no território, “tirando um ou outro profissional” que, dada a sua posição na sociedade, “tem contactos para efectuar com as várias comunidades”, caso contrário “cada um faz a sua vida”.

Para o ex-funcionário da Autoridade Económica de Macau isto não é uma crítica, é apenas uma constatação. “Poucos saem de um rolo de amizades, muito pequeno, não há grandes sítios onde a comunidade possa estar globalmente”, afere.

O jornalista João Guedes corrobora da ideia de separação, e dá-lhe uma imagem em forma de mapa. “Macau é constituído por várias cidades, há a cidade chinesa, há a pequena aldeia portuguesa, a cidade filipina, há a cidade americana e australiana e a inglesa. Todas estas cidades convivem neste sítio. Não são realidades virtuais, e não se misturam”.

As diferenças culturais, que se reflectem na forma de estar são também uma componente importante neste fenómeno. Maria José Grosso garante ter muitos amigos chineses, e não faz diferença entre estes e os portugueses, mas é inegável que a maneira como interage com uns e com outros “é diferente”. “Os chineses vêm a minha casa e gostam muito de lá almoçar e jantar, mas o contrário já não é tão frequente. O amigo chinês convida para ir a um restaurante, mas eu tenho a sorte de ter um ou dois que me convida a ir a casa”, sublinha.

A professora reconhece que a sua experiência não é transversal, e que para os chineses há uma relação entre a amizade e a função. A de Maria José está bem identificada para eles. “É a de continuar a educar e a passar determinados conhecimentos, mas posso dizer que em Portugal não é muito diferente”, coloca a docente em perspectiva.

Maria José tem ao longo de algumas gerações apreciado a evolução das relações dos portugueses com os outros grupos, e descreve que não vê grandes diferenças ao longo dos tempos. “Nos documentos antes dessa data falava-se muito de diálogo entre a comunidade portuguesa e a comunidade chinesa. E eu a brincar dizia que o silêncio também é uma forma de comunicação”, garante. “Não há um racismo evidente entre comunidades. Aqui não o vejo nem da parte dos chineses, nem da dos portugueses, nem da parte de brasileiros, ou então devo ser uma mulher privilegiada”, afiança.

A língua e a dificuldade de os portugueses aprenderem o cantonês e o mandarim justifica outra parte do distanciamento com os locais. Há muitos que têm um nível rudimentar de conversação, mas que apenas chega para o dia-a-dia e pouco mais. Esta especialista diz que estas “são línguas tonais”, e se pronunciarmos mal um tom “significa logo uma coisa totalmente diferente”. Estas exigem de quem está a aprender muito trabalho, muito estudo. Talvez por isso, nenhum dos quatro entrevistados do Ponto Final fale ou escreva cantonês com fluência.

“Não falo cantonense, escrevo algumas coisas, percebo outras, foi uma opção que fiz. Em Macau, a língua dos negócios era o inglês, e essa foi aquela em que sempre apostei”. “Mas quem pretende ficar cá deve falar a língua local, não nos é feita segregação nenhuma, é assim que deve ser. Se não falarmos a língua local, estaremos sempre um pouco fora do circuito”, considera.

O facto de, durante muitos anos, o mundo dos portugueses em Macau se movimentar à volta do português também não ajudou, segundo Amélia António. “Os macaenses que dominavam as duas línguas eram um ‘pivot’ das relações da comunidade. As pessoas não tinham uma grande preocupação de aprender a língua a sério. Diziam umas coisas, era mais ou menos como a gente brinca com o francês do emigrante que chega a Portugal, que atira umas coisas que não se percebe muito bem”, graceja.

A mesma advogada diz ter a sensação de que antigamente os portugueses “estavam mais integrados”, porque viviam mais anos em Macau, e, por isso, naturalmente conheciam mais gente, estabeleciam mais relações de amizade. Já quem chegou mais recentemente, de uma maneira geral, não tem muito tempo para se integrar. “Há muita gente que vem dois ou quatro anos, uma comissão ou duas, e depois volta a casa. As pessoas vêm para aumentar o currículo, ver o Oriente, ter uma experiência nova, não vão criar grande entrosamento com quem está”, afiança.



Outra forma de analisar o nível de integração de uma comunidade estrangeira é o número de casamentos mistos. Apesar da ausência de números oficiais, a presidente da Casa de Portugal acredita que durante muito tempo eles existiram, e que “por isso é que havia uma grande comunidade macaense”.

Posteriormente, os que começaram a vir para esta região da China, estavam já enquadrados numa missão, e chegavam com a família para um par de anos no território, o que geralmente não propiciava esse tipo de relações. Mais recentemente, a advogada afirma que se volta a ver na rua mais casais mistos “porque chegou gente mais nova” que “vem solteira e livre” e, por isso, “essas situações acontecem”. “Mas não se trata de um movimento contínuo”, ressalva.

Mudar sempre e em força, mas os portugueses têm poder?

Durante anos e anos, os portugueses controlaram parte significativa da Função Pública, e instalaram-se nessas posições. Seriam poucos os que estavam fora dessa órbita.  Entretanto, nos últimos 20 anos tudo se alterou. A maioria dos que agora vêm, não é para a administração, mas para empresas privadas. “É gente que, com algumas excepções, tem formação especifica, em Direito, arquitectura, engenharia, electrónica, ou áreas artísticas”, identifica Amélia António.

Já João Guedes salienta a tradição do português na área jurídica de Macau, cidade em que “as dúvidas se esclarecem em português e a jurisprudência vai-se buscar a Portugal, porque ela não existe em Macau”. “É onde se sente mais a presença portuguesa. Os funcionários judiciais, os advogados e os juízes, muitos deles falam o português, e isso não se verifica nos outros sectores de actividade. É a grande área da presença nacional”, refere.

O crescimento da cidade para o Cotai, a ‘strip’ mais rica do Mundo, foi acompanhada pelos portugueses. Amélia António conta que quando as empresas dos casinos se instalaram, recorreram a gente que estava nos países de origem das empresas-mãe, “e não passaram cartão à existência dos portugueses”. “Mas depois perceberam que era mais fácil recrutar aqui, porque muitos de nós éramos residentes. Começaram a perceber a vantagem e a qualidade das pessoas. E hoje têm uma quota razoável em diferentes postos de trabalho”, valoriza.

E como é que esta reestruturação do posicionamento social se reflectiu no poder que a comunidade tem no território? João Guedes é peremptório: “Portugal deixou de ter qualquer poder, entregou-o à comunidade chinesa. Nós é que pensamos, creio eu, que ainda temos alguma influência em Macau, mas não temos. Temos alguns elementos da comunidade influentes, mas isso é diferente”.

Por outro lado, a presidente da Casa de Portugal crê que a capacidade de influenciar, de apresentar propostas, de certa maneira, se mantém. “Há um respeito pelo que acrescentamos a Macau. Se a comunidade portuguesa, a cultura portuguesa, não existissem, a contrabalançar com o restante, Macau era igual a Zhuhai”.

Esta diferenciação é muito valorizada quer nos documentos políticos, quer em vários discursos oficiais. Mas, muitas vezes, a sensação que fica é que estas ideias são mais retóricas do que práticas. Amélia António concorda com esta leitura da realidade, e crítica os muitos “lobbys de interesses”, que muitas vezes se sobrepõem à política do Governo, quer de Macau, quer do Governo Central. “Há quem se ponha em bicos dos pés em Macau, para se mostrar com mais amor à pátria do que os outros todos. As pessoas estão convencidas de que mostram o seu amor à pátria tentando empurrar para a frente, julgam que estão a fazer um grande serviço, e por isso temos em Macau pessoas mais papistas do que o Papa”, refere, sublinhando que neste território vive com uma população de ondas. O que quer dizer isso? “Não está com o espírito de ‘eu pertenço aqui’, como a população chinesa que é mesmo de Macau”.

Também Albano Martins não acha que o discurso que coloca Macau como plataforma entre a China e os países lusófonos tenha muita adesão à realidade, pelo menos numa dimensão que beneficie os portugueses. “Se me disser que os naturais de Macau que dominam a língua chinesa podem ser intermediários dessa plataforma, sim continuam a ser. Macau é uma plataforma quando o empresário português exporta para cá, mas não para criar mais postos de trabalho para os portugueses que estão na Europa”, descreve.

Se abanar, ainda cai?

No imaginário de qualquer português, que mal tenha ouvido falar do território, há uma imagem que se associa de imediato a Macau: a árvore das patacas. É um termo muito antigo que ficou na tradição oral. A expressão remonta a tempos ancestrais, quando os portugueses vieram para Oriente. João Guedes conta que nessa altura a prioridade número um era o comércio, e os negócios não davam lucros de 20%, mas sim de 100%, 200% ou 300%. “E ficou a árvore das patacas, que era a moeda mexicana, que corria aqui em Macau. A região tinha relações com o México, através de Manila”, justifica.

O jornalista e historiador acha que, apesar de os tempos serem outros, é natural que os portugueses continuem a chegar a Macau com essa expectativa, porque este é um local em que se vive substancialmente melhor em termos económicos. “Aqui não se pagam impostos. Só isso dá para fazer poupanças, coisas que são inimagináveis no nosso país”, valoriza.

Em Macau ganha-se bem porque há pleno emprego, e mesmo com as rendas de casas exageradamente altas “consegue-se viver bem”. “Pode-se viajar com frequência. É uma vida descansada. Não vivemos o estereótipo do emigrante que vem ganhar uma miséria. Aqui trabalha-se muito, mas ganha-se bem”, concretiza.

O economista Albano Martins não vê a questão da mesma maneira. Na realidade, observa-a de uma forma diametralmente oposta. “Neste momento, penso que é pouco interessante. O custo de vida é brutalmente elevado”, defende. A isso soma-se, na sua opinião, não haver oportunidades para os portugueses “que não tenham Bilhete de Identidade e Residência (BIR)”. “Os que não têm BIR não têm hipótese nenhuma de conseguir emprego cá”, identifica.

Albano dá o exemplo dos médicos, como uma das classes mais destacadas, e na qual se vêem poucos profissionais vindos de Portugal a chegar ao território. Na opinião deste economista, o “sonho de Macau” só funciona “para pessoas em início da vida, e que não se importam de bater com a cabeça, muitas vezes, até encontrar um emprego”.

Maria José Grosso discorda, e está convencida que Macau mantém um forte poder de sedução. A razão mais próxima são os paupérrimos salários que se praticam em Portugal. “Falo com professores, enfermeiros e ganham muito mal. Os vencimentos andam na casa dos 1000/1500 euros, são 15 mil patacas”, analisa, apontando para os rendimentos muito mais atractivos em Macau.

O português: património ou valor?

A língua é um dos activos históricos, culturais, mas também económicos, mais valiosos que os portugueses deixaram em Macau. Maria José, professora do Departamento de Português da UMAC, baliza, entre 1980 e 1999, como o grande período de ebulição da língua em Macau. Um dos factores de grande interesse, foi o ingresso à Função Pública em que “era um requisito necessário para subir na carreira”.

O IPOR surge e é criado um Departamento de Língua Portuguesa na Universidade de Macau, onde aparecem os cursos superiores. “Há toda uma efervescência em relação ao português”, relembra. À época, o tema dominante era o bilinguismo e a necessidade de o promover. Visto em retrospectiva, Maria José equipara o ambiente ao de “alguém que sente que vai partir e que quer fazer uma despedida em apoteose”.

As expectivas não saem do papel, e depois vive-se um período de limbo, quando se chega à conclusão de que em Macau seria muito difícil uma implementação massiva do português e do chinês. “Isso passaria por nós sermos também bilingues”, relembra.

Esta professora grante que não é por falta de verbas e de investimento que a língua portuguesa não tem feito mais progresoss. “São canalizados muitos esforços para a formação de professores na China, não há nenhuma parte do mundo em que se tenha feito tanto por isso”, enfatiza.

O problema é que depois não há consequências. “Não podemos dizer que A, B ou C têm culpa. É toda uma interacção”, explica, acrescentando que, formalmente, há muitas coisas a acontecer, mas os investimentos não são bem concebidos e são desfasados da realidade.

Maria José não dúvida que a língua portuguesa vai continuar e desta vez não arrisca grandes prognósticos. Em 1999, pensou que o idioma “ia ficar só ligado às ruas, ao nome das casas”, mas agora crê que “tudo tem a ver com as mudanças políticas” que se vão seguir. “Não imaginava que continuasse e desta forma, mas a própria política linguística da China mudou. Houve a preocupação com o português. Tem de haver um escoamento para a população ter emprego, e é nessa conjuntura que a própria China tem uma política pró-português”, que está muito relacionada com os negócios com os dois grandes países em termos de população da esfera da língua portuguesa, nomeadamente Brasil e Angola.

Esta professora acredita que o português é uma língua com futuro, porque é preciso comunicação para haver mais comércio. Mas ressalva que “há cartas para serem jogadas”, e “Hong Kong também terá um papel”. A docente projecta que, dentro de algumas décadas, o português vai continuar a ouvir-se e a estudar-se em Macau, mas não pela mão dos portugueses ou dos brasileiros, mas dos chineses que hoje a aprendem.

A diluir

Olhar para o futuro da comunidade portuguesa não é uma tarefa fácil, mas também não parece haver muito optimismo. O economista Albano Martins credita que a presença de Portugal far-se-á se houver “empresas portuguesas que para cá venham”, mas não acho “que as coisas se vão engrandecer”. “Haverá gradualmente, à medida que os tempos vão correndo, um regresso da comunidade a Portugal”, projecta.



Para Amélia António o quadro está, neste momento, bastante baço. “Muita coisa está a suceder, aquilo que se está a passar em Hong Kong pode ter uma influência em Macau. A cortina em relação ao futuro é muito opaca”, explica.



Ainda assim, quer crer que Macau pode ser uma bandeira importante da China, e que por razões de diferente natureza “a presença de Portugal continue a fazer a diferença”. Não é para amanhã nem depois, mas até 2049 as coisas vão-se alterar muito, segundo João Guedes. O jornalista e historiador olha para a política chinesa para a região, e aponta a Grande Baía como um projecto que foi criado para fazer desaparecer Macau e Hong Kong.

Como resultado, os pouquíssimos portugueses que cá ficarão, “cá continuarão” e “não haverá solavancos, nem empurrões”. Agora, é quase certo que, “como comunidade, desapareceremos”. “E isso é natural. Muito naturalmente, vamos caminhar para a extinção”, remata. João Malta – Macau in “Ponto Final”

joaomalta.pontofinal@gmail.com

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Macau - Casa de Portugal distinguiu bom desempenho na língua portuguesa

O bom desempenho na língua portuguesa levou a Casa de Portugal a voltar a distinguir estudantes de algumas escolas e instituições de ensino superior de Macau. Incentivo à continuidade do estudo desta língua por parte das seis estudantes premiadas, pretende também ser um estímulo ao empenho de outros



Foram distinguidas seis alunas de algumas escolas e instituições de ensino superior de Macau pelo seu desempenho no âmbito da língua portuguesa. Decorreu ontem a cerimónia da entrega dos prémios de Português da Casa de Portugal, na qual estiveram presentes quatro das alunas reconhecidas, uma acção que se espera incentivar também outros membros da comunidade estudantil. Para Amélia António, presidente da Casa de Portugal, é um estímulo, para que quem ganhou considere “que valeu a pena terem trabalhado”, e que os outros “sintam que se trabalharem também podem ser premiados”.

“Acho que é um incentivo para os restantes alunos. Quando num grupo algum aluno se destaca na língua portuguesa, aqueles que acham que é uma disciplina difícil, uma língua complicada, dizem ‘ah, mas aquele recebeu um prémio, foi capaz. Se ele foi capaz eu também sou’”, exemplificou Amélia António. A atribuição do prémio visa também comemorar o dia 5 de Outubro, data da Implantação da República Portuguesa.

A presidente da Casa de Portugal aproveitou a ocasião para incentivar os alunos a aprofundarem os seus conhecimentos, e ajudarem a tornar a língua portuguesa a ser mais “falada, conhecida e apreciada”. “É algo de que me orgulho muito, porque deu muito prazer o trabalho que foi feito para alcançar este prémio”, disse Sofia Drogas no seguimento da cerimónia. A aluna premiada, da Escola Portuguesa de Macau (EPM) revelou gostar de poesia e considerar o português “uma língua muito rica e bonita”.

Nikki Jade Michelle, da Escola Luso-Chinesa Gonzaga Gomes, declarou estar “muito contente” com o prémio, e mostrou vontade de treinar mais. Questionada sobre o que gosta mais na língua portuguesa, a jovem de 15 anos respondeu ser a cultura.

Por outro lado, Maria Clara destacou a importância em receber o prémio porque “é um prémio que me faz representar também a minha língua materna. (…) Ao mesmo tempo estou no meio dos chineses homenageando a minha própria língua”.

A estudante da Escola Luso-Chinesa Técnico Profissional, que também sabe chinês, notou que “saber falar as duas línguas oficiais do lugar acho que é uma coisa muito importante”. Há seis anos em Macau, Maria Clara explicou como atingiu o seu nível linguístico. “O Português que ensinam na minha escola é um pouco mais básico. Então são coisas que eu praticamente aprendi no Brasil. Mesmo assim acho que é um desafio para mim poder relembrar tudo o que aprendi”. Contou ainda que fala Português com os pais em casa e estuda.

Já no ensino superior, Vitória Ma declarou que receber o prémio é “uma grande honra para qualquer aluno ou aluna que está a prender língua portuguesa”, bem como um incentivo para continuar a sua aprendizagem. O maior interesse para a jovem de 22 anos prende-se com a cultura: “É muito diferente da cultura chinesa, por isso estou muito interessada nesta parte”. “Queria ser uma professora de língua portuguesa no futuro, e gostaria de dar as minhas contribuições para o desenvolvimento ou divulgação desta língua em Macau”, disse a estudante do Instituto Politécnico de Macau.

As outras duas alunas premiadas, que não marcaram presença, estudam na EPM e na Universidade de Macau.

Interesse pelo Português “tem subido muito”

É pela quantidade de Português que se houve na rua que por vezes as pessoas medem o interesse pela língua. “De facto é difícil, mas temos milhares de pessoas na rua de Macau, portanto não é muito natural ouvir falar português a qualquer hora. Agora, que o interesse pelo Português tem subido de forma notória, não tenho dúvida nenhuma”, defendeu Amélia António, que considera ser algo que “tem crescido sistematicamente”.

A presidente da Casa de Portugal deu como exemplo o volume de inscrições nas actividades de Verão da associação. No conjunto de nove semanas, houve 860 inscrições, “e a grande maioria desses miúdos que vieram frequentar não eram e língua portuguesa”, sendo o objectivo “que eles se familiarizem, que ganhem apetência e ouvido que torne mais fácil a aprendizagem”.

Para além disso, Amélia Antónia explicou que “nas mais pequenas coisas, quando interagimos com as outras comunidades, e especialmente com a local chinesa, sentimos uma maior procura”. E referiu ainda haver estabelecimentos onde se ensina português esgotados. Algo que considera fazer sentido já que “também há muito estudante em Macau que tem aspirações a fazer o seu curso fora”, destacando nesse âmbito o acesso que a EPM dá a universidades no exterior. Salomé Fernandes – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”