Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 4 de novembro de 2025

Macau - Boa afluência confirmou “qualidade” do Festival da Lusofonia

O 28.º Festival da Lusofonia terminou este fim-de-semana, com um balanço positivo, segundo a opinião unânime de alguns responsáveis pela organização. Ao Tribuna de Macau, Amélia António afirmou que “ambos os fins-de-semana tiveram uma frequência bastante animada”, apesar de um receio inicial, enquanto Miguel de Senna Fernandes vincou que “esta edição primou pela qualidade”. António Machado, coordenador do evento, disse acreditar que existem condições para manter dois fins-de-semana de festa, no futuro


Chegou ao fim mais um Festival da Lusofonia, no último domingo, tendo responsáveis pela organização e dirigentes de associações participantes afirmado ao Tribuna de Macau que o balanço da 28.ª edição do evento foi positivo, com uma afluência semelhante à do ano passado. Por outro lado, as associações continuaram a enfrentar desafios, como a falta de recursos humanos.

Para Amélia António, presidente da Casa de Portugal, “ambos os fins-de-semana tiveram uma frequência bastante animada”. “Muita gente e um ambiente muito descontraído, muito alegre, como é típico da Lusofonia. Portanto, só posso dizer que o cômputo é extremamente positivo”. “Inicialmente, estávamos, enfim, um bocadinho receosos, porque não estávamos a ver muita afluência, mas depois começou a compor-se bem. Os sábados foram muito bons, qualquer um deles”, continuou dizendo Amélia António. Contudo, “a sexta-feira, sobretudo a primeira, foi um bocadinho mais fraca”, ressalvou.

Por sua vez, Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, afirmou que “esta edição primou pela qualidade”, destacando que “o bom tempo ajudou imenso”. “Os artistas que estiveram em palco foram excelentes”, notou.

“Tendo em conta o padrão a que fomos habituados, esteve bastante bem. Houve uma boa afluência do público, muitos turistas, oriundos do continente”, reiterou o líder associativo. “Pela conversa que tive com várias pessoas, a [impressão] foi sempre boa, dentro das expectativas e, em certos pontos, até as excedeu. Portanto, é uma festa para manter”, vincou.

Em relação à realização do festival durante dois fins-de-semana, Miguel de Senna Fernandes observou que a opinião não é consensual, entre os associados. “Para uns é muito cansativo. Acho que de uma maneira geral, isto funciona. Muitas pessoas querem associar-se ao Festival da Lusofonia, como os artesãos, por exemplo. As autoridades investem tanto para um festival desta natureza e vão buscar artistas… Tudo para um fim-de-semana, acho que é pouco”, notou.

António Machado, coordenador do festival, também se mostrou optimista de que a próxima edição se possa manter durante dois fins-de-semana, tendo partilhado da opinião de que o balanço final deste festival foi positivo. “Acho que temos todos os ingredientes necessários para mantermos os dois fins-de-semana”, argumentou, acrescentando que futuras edições não deverão fugir muito do formato actual.

“No passado, cheguei a criticar esta possibilidade”, reconheceu Miguel de Senna Fernandes, lamentando a falta de recursos humanos das associações. “Quando não temos pessoal, as coisas tornam-se muito mais complicadas”. Similarmente, Amélia António também apontou a falta de colaboradores como sendo um dos maiores desafios: “As associações mais pequenas têm muitas dificuldades em termos de pessoal. Porque tinham muita ajuda de estudantes, e vão tendo menos estudantes, portanto vão tendo menos voluntários”.

Além disso, Amélia António também apontou que outro ponto menos positivo foi que “as pessoas compraram menos do que era habitual, nomeadamente ao nível do artesanato”. “Tiraram muitas fotografias, mas compraram pouco”, apontou a número um da Casa de Portugal. “Acho que é um pouco o que se sente na cidade toda”, explicou. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

sábado, 7 de junho de 2025

Macau - Campus de Verão da Casa de Portugal contará com cerca de 200 crianças

O Campus de Verão da Casa de Portugal vai voltar a realizar-se este ano, entre Julho e Agosto. Amélia António disse ao Jornal Tribuna de Macau que as inscrições “ainda não estão finalizadas”, mas que a iniciativa deverá contar com cerca de 200 participantes. O local para a realização das actividades continua a ser o “drama” da Casa, vincou


A Casa de Portugal vai voltar a organizar o Campus de Verão, nas duas últimas semanas de Julho, e nas três primeiras semanas de Agosto. Amélia António explicou ao Jornal Tribuna de Macau que as inscrições ainda não estão finalizadas, uma vez que houve pessoas que manifestaram “vontade de se inscrever, mas não tinham as contas em dia ou faltavam documentos”, havendo ainda casos pendentes.

Sem adiantar números finais, a presidente da Casa de Portugal disse que os alunos inscritos na edição deste ano “devem aproximar-se dos 200”. As crianças, com idades compreendidas entre os quatro e os 10 anos, não serão, na sua maioria, de língua materna portuguesa, “uma situação que já vem de há vários anos”.

O Campus vai proporcionar aos participantes actividades “bastante variadas”, segundo a dirigente associativa, que incluem “actividades lúdicas, coisas de ar livre e jogos, para não ser uma actividade aborrecida”.

“Estão de férias, mas apesar de terem que ter um carácter didáctico, [as actividades] também têm de ter um carácter lúdico, para ser agradável”, assinalou. Por norma, os alunos “constroem e fazem coisas que gostam muito de mostrar aos pais” e “têm muito orgulho nos trabalhos que fazem”, afirmou a presidente da Casa de Portugal. Fazem “um bocadinho de tudo de maneira a puxar pelo gosto e pela autoconfiança dos miúdos”.

Por outro lado, Amélia António admitiu que a Casa de Portugal enfrentou algumas dificuldades, sobretudo em relação ao local para as actividades. “O espaço é sempre o nosso drama anual. Agora temos vindo a trabalhar com a Escola Portuguesa de Macau, que nos tem ajudado ao máximo, mas este ano a Escola está em obras”, o que obrigou a Casa de Portugal a coordenar a iniciativa com os trabalhos.

“Chegou a haver anos em que tínhamos tudo preparado para anunciar, só faltava o local. É um problema sistemático que a Casa de Portugal tem que é o local para realizar as actividades, nomeadamente quando são actividades que envolvem crianças”, desabafou Amélia António.

“Mesmo durante o ano, nós temos imensos pedidos dos pais para continuar a fazer determinado tipo de actividades que os pais apreciam e que os miúdos gostam e que eles pensam que é muito importante para o desenvolvimento linguístico deles”, prosseguiu. Contudo, a Casa de Portugal não realiza mais iniciativas “porque não temos onde fazer”, sublinhou Amélia António, admitindo “dificuldades enormes” para responder aos pedidos que lhes são feitos.

O Campus de Verão já se realiza há cerca de 15 anos e a iniciativa vinha crescendo, até que nos anos de pandemia tudo mudou. Em 2018, segundo dados indicados por Amélia António anteriormente a este jornal, houve 400 vagas e um ano depois foram 800. Normalmente, eram oito ou nove semanas de actividades, mas por causa da covid-19 a Casa de Portugal viu-se obrigada, em 2020, a realizar o Campus durante apenas quatro semanas, com 300 inscrições. Na edição deste ano, serão cinco semanas.

Dois workshops pedagógicos para crianças

Amanhã, decorrerão dois workshops para crianças, sendo a ideia promover o gosto pela leitura. As actividades vão realizar-se na sede da Casa de Portugal e serão conduzidas por Bárbara Maria e Carmo, educadora de infância. Entre as 10h00 e as 12h00, a sessão destina-se a crianças com cinco e seis anos, sendo que as actividades são desenvolvidas a partir do livro “Até onde nos leva uma linha?”. Já na segunda sessão, agendada para o período da tarde (15h00 às 17h30), o workshop é direcionado para crianças de três e quatro anos. A actividade para pais e filhos tem como protagonista o livro “Não é uma caixa!”. O programa “Crianças Felizes” conta ainda com apresentações no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 27 de março de 2025

Macau - Amélia António exorta MNE a “explicar” posição de Portugal em relação à China

A presidente da Casa de Portugal em Macau (CPM) defendeu, numa antecipação à visita de amanhã do ministro dos Negócios Estrangeiros português ao território, a importância de Paulo Rangel esclarecer a comunidade portuguesa sobre o posicionamento do Governo relativamente à China.



“Estamos aqui, sofremos as consequências dessas relações [entre Portugal e China], boas ou más. Tivemos relações muito próximas durante muito tempo, o que se alterou com a covid. Ainda não vi as coisas voltarem a ser como eram, e penso que era importante o senhor ministro explicar qual é a posição”, declarou à Lusa Maria Amélia António, referindo que Portugal não tem de “alinhar fielmente com tudo o que se diz na Europa e, sobretudo, nos EUA”, salientou.

Antes da pandemia, lembrou, existia “comunicação permanente” e “muito intercâmbio” entre as autoridades portuguesas e chinesas. Hoje é perceptível um “endurecimento relativamente aos portugueses” em matéria de imigração em Macau, declarou Maria Amélia António, sublinhando, porém, não poder afirmar categoricamente se a posição está relacionada com “esse afastamento” entre a China e o Ocidente.

As autoridades de Macau não aceitam desde o ano passado novos pedidos de residência no território para portugueses, para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999. A alternativa para um nacional português garantir o Bilhete de Identidade de Residente (BIR) passa por uma candidatura aos programas recentes de captação de quadros qualificados. Outra hipótese é a emissão de um ‘blue card’, autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação.

Estas limitações têm afectado a CPM na contratação de profissionais para integrarem a Escola de Arte e Ofícios. Mencionando a relação estratégica entre a China e o universo de língua portuguesa e o interesse de Pequim na língua portuguesa, a líder associativa lamentou a postura “um pouco contraditória”.

“Não podemos fazer omeletas sem ovos, nós que estamos aqui e que trabalhamos com a cultura portuguesa e com a língua portuguesa, temos muita dificuldade em ter pessoas que substituam aquelas que foram saindo. Saíram muitos portugueses de Macau, e trabalhar nestas áreas com essa falta [de pessoas com essas qualificações] é muito complicado”, rematou.

Também o presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) considerou os novos obstáculos à residência de portugueses “uma questão importante”, embora admita que a história não é garante de “estatuto especial”. “Como português, pessoa em Macau, claro que gostaria que os meus patrícios fossem bem tratados e, naturalmente, que a residência em Macau seja sempre facilitada”, ressalvou Miguel de Senna Fernandes.

O presidente da APIM notou que a dificuldade de contratação teve impacto na Escola Portuguesa (EPM), sob a tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal. Espera-se, referiu, que o Estado português “continue sempre a prestar uma atenção especial” à EPM.

Senna Fernandes, também vice-presidente da Fundação da EPM salientou, porém, uma “atitude distante” das autoridades portuguesas “em relação às coisas de Macau”. A viagem de Rangel à RAEM, acredita, vai trazer poucas mudanças. “É um pró-forma, porque, sem querer ser pessimista, não estou a ver que faça muita diferença. Mas, claro, que é sempre bom que o ministro dos Negócios Estrangeiros visite Macau. (…) Nunca fez diferença. Aliás, nunca nenhum político ou ministro em Macau tem feito alguma diferença”, referiu. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Macau - Casa de Portugal otimista quanto à língua portuguesa na Região apesar de “mau sinal”

A presidente da Casa de Portugal em Macau permanece otimista quanto ao papel da língua portuguesa, mas descreveu a ausência de tradução, hoje, do primeiro discurso do novo líder da região como "um mau sinal"



Durante uma cerimónia a celebrar o 25.º aniversário da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), o novo chefe do Executivo, Sam Hou Fai, discursou em cantonês, não tendo sido disponibilizada qualquer tradução para português.

Sam, que tomou posse esta manhã, é o primeiro dirigente que domina a língua portuguesa a liderar a RAEM, criada na sequência da transição de administração de Portugal para a China.

“Fiquei desiludida e não fui a única. É de facto um mau sinal de início, não haver tradução, no primeiro discurso do chefe do Executivo”, disse à Lusa Maria Amélia António.

Apesar de ser “profundamente lamentável”, a presidente da Casa de Portugal em Macau disse esperar “que tenha sido um acidente pontual” e que “não se repita”.

Questionado pela Lusa, o Gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau não fez qualquer comentário.

Horas antes, na tomada de posse do novo Governo local, Xi sublinhou que Macau, como “o único local do mundo que tem como línguas oficiais o português e o chinês”, tem de aproveitar “a sua singularidade” para servir de “plataforma entre a China” e os países lusófonos.

“Isto não tem discussão. Está ali dito, preto no branco e claro. E, portanto, como língua oficial [a língua portuguesa] tem de ser tratada de outra forma daquela que tem sido tratada até agora”, defendeu Maria Amélia António, antes do discurso de San Hou Fai.

A também advogada considerou que o papel da comunidade portuguesa vai depender “imenso daquilo que for capaz de fazer, da qualidade do trabalho que desenvolver”.

Cerca de 155 mil pessoas têm nacionalidade portuguesa em Macau e Hong Kong, disse à Lusa na terça-feira o cônsul-geral de Portugal nas duas regiões semiautónomas chinesas, Alexandre Leitão.

De acordo com os últimos censos realizados no território de 2021, há mais de 2200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau.

A comunidade portuguesa “tem um papel fundamental na manutenção de todas as características de Macau”, nomeadamente como uma ligação aos países lusófonos, sublinhou Maria Amélia António.

O território tem “desempenhado um papel muito importante ao longo da história” da China, como “uma janela para o exterior”, “aproveitando a sua vantagem única de ser a mistura de diferentes culturas”, disse Xi Jinping.

Mas o chefe de Estado sublinhou que Macau precisa de “uma atitude mais tolerante, mais aberta, de estabelecer mais laços de cooperação com o exterior”, para “projetar a imagem” da região no exterior e ter “o seu lugar no palco internacional”.

O líder chinês defendeu a necessidade de “renovar as leis que têm a ver com o comércio” de forma a “atrair mais recursos e investidores internacionais”. In “Plataforma” - Macau


quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Macau - O passado, presente e futuro da língua portuguesa

Língua oficial da RAEM a par com o chinês, o português, e mais concretamente a sua utilização no território, tem tido altos e baixos, sendo difícil traçar uma evolução linear. Certo é que hoje ensina-se mais língua portuguesa do que antigamente, e a ideia geral é de que, no ensino, o Governo tem desempenhado o seu papel de preservação do português. Porém, no dia-a-dia há ainda “dificuldades”, sobretudo no acesso a determinados serviços. O uso da língua deveria ser reforçado, por exemplo, em áreas como o Direito e Saúde, consideram as figuras ouvidas pelo Jornal Tribuna de Macau. Quanto ao futuro, há esperanças de que seja dada maior atenção à Língua de Camões



O ensino da língua portuguesa na RAEM “tem tido uma boa evolução” nos últimos 25 anos – desde logo pelo número de escolas que hoje ensinam o português e pelo número de alunos que vem frequentando cursos, quer sejam de ensino superior ou não. Contudo, “o efeito ainda se sente muito pouco” na vida quotidiana. Apesar disso, a ideia geral é de que o Governo tem desempenhado o seu papel de preservação do português, ainda que haja quem considere que podia ser feito mais.

Vincando que em algumas áreas, como a do ensino, “tem havido um trabalho proactivo do Governo da RAEM”, a presidente do Instituto Português do Oriente (IPOR), Patrícia Ribeiro, observa que, “no que respeita à língua portuguesa como veículo de comunicação entre pessoas e organizações, temos vindo a registar um decréscimo que pode estar relacionado com o diminuir da comunidade portuguesa e o aumento do número de cidadãos de outras nacionalidades não falantes da língua”.

Patrícia Ribeiro dá conta de que “cada vez mais escolas do ensino não superior – este ano mais quatro – incluem a língua portuguesa nos seus currículos” e, quanto à formação contínua de funcionários públicos, “registou-se uma maior diversificação das áreas específicas de aprendizagem, envolvendo outros sectores de actividade”. Além disso, “para a população em geral verificou-se um crescente dinamismo, com o Governo da RAEM a promover projectos para incentivo à população no envolvimento em actividades [culturais e lúdicas] em língua portuguesa”.

Dados oficiais cedidos pelo IPOR revelam que, no ano passado, a instituição contou com perto de 3800 formandos, contra cerca de 700 em 1999/2000. Entre 2012 e o ano passado, a média foi de cerca de 4200 alunos por ano.

“Noutras esferas, no entanto, existe um declínio do uso da língua como veículo de comunicação por parte de algumas entidades governamentais que até recentemente procuravam redigir documentação usando as duas línguas oficiais da RAEM”, nota a presidente do IPOR, acrescentando: “Pese embora nem todas as áreas de actuação mostrem o mesmo empenho na preservação da língua, no cômputo geral o Governo da RAEM tem cumprido o seu papel”.

Também a presidente da Casa de Portugal – que há mais de 15 anos premeia anualmente os melhores alunos em Português – refere que “nunca se ensinou tanto Português como actualmente”, segundo os dados que lhe vão chegando. “Depois na vida do dia-a-dia, o resultado disso acho que ainda se sente muito pouco. Quando se vai a um serviço ou quando se interage com alguma entidade, há uma grande dificuldade”, acrescenta Amélia António, dizendo ter a sensação de que as pessoas sabem um bocadinho de português, mas “têm ainda receio” de falar.

“Penso que poderia ser feito um pouco mais [por parte do Governo], porque este esforço do ensino não é suficiente. Se se fizesse um esforço um bocadinho maior por garantir o uso da língua nos serviços, se isso até fosse um factor de valorização dos trabalhadores, eventualmente viam-se mais resultados”, defende Amélia António. Na sua perspectiva, poderá haver duas razões para um “certo retraimento” de alguns funcionários em falar português: “Uma é a falta de confiança no conhecimento e, portanto, há algum receio de falar mal; outro é o receio de serem olhados de forma diferente, ou seja, em vez de serem valorizados serem olhados de forma crítica”.

Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), que detém o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, começou por dizer que “não há uma evolução linear do tratamento da língua ao longo dos anos”, acrescentando que “há muitas vertentes”.

Recordando que no princípio da RAEM havia magistrados que se “recusavam fazer traduções para Português porque o Chinês era língua oficial”, o também vice-presidente da Fundação Escola Portuguesa de Macau (FEPM) refere que “houve um primeiro momento de alguma dúvida sobre o estatuto da língua portuguesa”. “Mas, mais tarde, reafirmou-se que era língua oficial e devia ser respeitada como tal”, prosseguiu.

A evolução da língua portuguesa “teve muito a ver com o ressurgir do interesse pela aprendizagem da língua”, considera o líder associativo, acrescentando que desde o mandato do primeiro Chefe do Executivo, Edmund Ho, se tem reiterado a importância da presença portuguesa em Macau. “Na prática, isso veio fomentar também a defesa da própria língua”, disse. De uma coisa Miguel de Senna Fernandes está certo: “Hoje em dia, há mais gente que, não falando português, está a aprender a língua, do que durante a Administração portuguesa”.

“A RAEM em várias instâncias, vários momentos, vários contextos, valorizou sempre a língua portuguesa, e o ensino da língua. Acho que o Governo tem cumprido o seu papel”, defendeu Senna Fernandes.

Chegado ao território em 2022 para assumir a direcção do Departamento de Português da Universidade de Macau (UM), João Veloso considera que “para qualquer linguista, Macau é um lugar de júbilo, devido à convivência entre um número tão elevado e tão diversificado de línguas num espaço geográfico tão pequeno, mas culturalmente e socialmente tão diverso”. “A evolução do português neste território tão especial resulta da interacção da língua e dos seus falantes dentro de um xadrez linguístico e cultural muito rico em que o português é uma peça que se move em várias direcções num equilíbrio dinâmico”, descreveu.

João Veloso aponta que é “inegável” que o espaço social de circulação do português como língua de interacção quotidiana é hoje menor, “por razões óbvias”. “Mas, os cenários em que actualmente o português se entrecruza com outras línguas nas escolas, na administração pública, nos negócios, na criação cultural e artística, no turismo, na justiça, na economia, extravasando os limites mais tradicionais da comunidade macaense e da comunidade portuguesa, é uma prova de vida desta língua”, observou.

Em linha com o que disseram Patrícia Ribeiro, Amélia António e Miguel de Senna Fernandes, também o docente destaca que, “mesmo que o número de falantes nativos da língua seja hoje mais baixo do que no passado, o aumento estável do número de pessoas que estudam português num número muito grande de instituições é a melhor demonstração da importância do português em Macau”.

O Departamento que dirige oferece cinco cursos próprios em português – uma licenciatura, dois mestrados e dois doutoramentos -, assegurando ainda o ensino da língua aos alunos de Direito, além de disponibilizar duas disciplinas opcionais de língua portuguesa que podem ser frequentadas por qualquer aluno de qualquer curso. Somando todos os alunos que, por qualquer uma destas vias, acedem ao ensino da língua, só na UM contam-se cerca de 1200 alunos por ano, tendo em conta os dados de 2023. Isto sem contar com “algumas centenas” de alunos que frequentam o Curso de Verão e com os cursos intensivos destinados a diferentes públicos, por exemplo para o Corpo de Polícia de Segurança Pública, Bombeiros e pessoal especializado da Administração Pública.

“Se hoje o português continua a ter uma presença forte em Macau – e só por má vontade podemos negar uma evidência como esta -, isso deve-se em grande parte ao facto de o Governo nunca ter abdicado das suas obrigações relativamente à preservação da língua em Macau e continuar a assumir um papel de liderança objectiva na preservação da língua na RAEM”, acrescentou João Veloso.



Saúde e Direito requerem reforço do uso da língua

Miguel de Senna Fernandes, contudo, alerta que “o sentido do uso da língua é muito afectado pela diminuição da comunidade portuguesa”. “Porque uma língua não é só aprender a gramática e tudo mais, é preciso utilizá-la”, frisou. Reconhecendo que é “difícil” fazer a preservação da língua num território onde a cultura chinesa é dominante, o vice-presidente da FEPM vinca que “não chega” fazer cumprir a utilização das duas línguas oficiais em tudo o que seja oficial.

Questionado sobre quais as áreas em que seria importante reforçar o uso do português, o representante da comunidade macaense foi peremptório: Direito e Medicina.

Opinião idêntica tem Amélia António. A advogada vinca que “é muito importante” fortalecer o uso da língua nos serviços públicos, “porque há muita gente que não domina a língua chinesa e que, portanto, tem necessidade de recorrer ao português para tratar de seus assuntos”. “Nos hospitais é imprescindível, porque (…) é uma área onde as pessoas estão particularmente frágeis, onde sentem mais receio, onde têm a necessidade de saber que são entendidas e de entender o que se lhes diz. Portanto, eu acho que os hospitais é um sítio muito importante onde faz muita falta o reforço da língua”, disse.

Na mesma linha, Patrícia Ribeiro refere que há “sectores-chave” da administração onde se deveria intensificar o uso do Português, “como na saúde, nas forças de segurança, na área jurídica, nos serviços de migração ou de identificação”. Na sua visão, esse reforço pode ser “muito facilmente implementado, pois todos os anos, entre outras medidas, o Governo promove um conjunto de cursos, nomeadamente com o apoio do IPOR no âmbito de um protocolo de colaboração, para incentivar a formação contínua em Língua Portuguesa junto dos funcionários públicos”.

A dirigente do IPOR recorre aos números para ilustrar: tendo em conta os últimos seis anos, foram formados, em média, cerca de 800 profissionais por ano. “Podemos assim concluir que, considerando estes números e as várias áreas em que o ensino de língua portuguesa é ministrado, existem mais falantes do que a percepção que existe nos dá a entender”, acrescenta.

João Veloso, por sua vez, acredita que seria importante intensificar o uso da Língua de Camões em actividades culturais, nomeadamente as destinadas a um público mais jovem e mais distante do “mainstream”. O director do Departamento de Português da UM explicou depois que costuma frequentar as sessões da Cinemateca Paixão: “Tirando as sessões inseridas em ciclos dedicados à produção cinematográfica em língua portuguesa, o português tem sido, por regra, um grande ausente. Pelo menos, esta é a impressão que eu tenho: os filmes não são legendados em português, os materiais promocionais em português são escassos ou nulos, nos debates o português nunca é utilizado”, apontou.

O docente apontou também que há alguns pequenos bares, estúdios, livrarias alternativas, que têm uma agenda cultural “muito activa e muito interessante”, mas onde a presença da língua portuguesa “é muito pouco expressiva”. “Tenho a certeza absoluta de que se houvesse algumas actividades programadas que promovessem o uso do português, essas iniciativas teriam um grande sucesso e contribuiriam para alargar significativamente o espaço social da língua portuguesa em Macau”, acrescentou.

Esperança no futuro

Sempre optimista, a presidente da Casa de Portugal diz ter “alguma esperança em termos de futuro”. “Porque penso que este ensino, de uma forma tão vasta, acaba por dar algum fruto”, acrescenta. “E outra coisa que eu penso que também cria esperanças é perceber que há muitos pais que não dominam o português e que fazem um grande esforço para que os filhos, paralelamente à aprendizagem do chinês e do inglês, aprendam português”, observou Amélia António. “Há nitidamente uma preocupação nos pais mais jovens de que os filhos tenham um conhecimento linguístico mais alargado. Isso também é bom”, reiterou.

A Casa de Portugal tem vindo a premiar os melhores alunos em língua portuguesa, um prémio “simbólico”, de 3000 patacas, que normalmente é entregue a seis estudantes do ensino não superior e superior. A indicação dos alunos – um de língua materna portuguesa e outro de língua materna chinesa – é feita pela Escola Portuguesa e pelos Serviços de Educação. “É um prémio pequenino, mas é um estímulo para aqueles que se esforçam e acaba também por ser um estímulo para os outros colegas”, vincou a líder associativa, apontando que a Casa gostaria de premiar mais estudantes, mas é impossível em termos financeiros.

Na sua visão, “se o que Pequim anuncia como missão de Macau continuar a ser defendida, forçosamente terá de ser dado espaço para o fortalecimento do português, que, assim, provavelmente se poderá manter depois de 2049”. A também advogada frisou que “há muitos factores” a ter em conta e lembrou que a língua também tem uma grande ligação ao sistema jurídico. De qualquer das formas, sublinhou: “Penso que há todo o interesse [em manter o português], porque é cada vez uma das línguas mais faladas no mundo e acho que é uma mais-valia para a China ter uma área do seu país capaz de corresponder a essa realidade”.

Disso mesmo dá também conta João Veloso. “Há uma série de estatísticas prospectivas fiáveis que dão o crescimento do português a nível mundial como um cenário praticamente certo. Se ainda houver mundo daqui a 20 ou 30 anos, as previsões dizem que o português será então uma língua com uma presença muito mais forte a nível global. Tendo em atenção esse dado e a importância que a China concede à memória e aos laços construídos durante séculos, nada faz prever que o português corra sério risco de extinção em Macau”, sublinhou.

O docente não tem “qualquer dúvida” de que a língua, enquanto objecto de estudo, marca identitária cultural, memória histórica se manterá. “Mesmo que, subindo a Rua do Campo, não ouçamos falar português com a frequência de outros tempos, em cada dia que passa em Macau há milhares de alunos que têm aulas de português ou em português, há documentos a serem impressos em língua Portuguesa, e as escolas e universidades, assim como instituições como o IPOR, têm um papel fundamental nesse uso diário que é vital – que é imprescindível – para a continuação do português e da sua importância neste canto do mundo”, prosseguiu.

Patrícia Ribeiro, por seu turno, frisa que, até 19 de Dezembro de 2049, a certeza que há é a de que “a língua portuguesa continuará a ser uma das línguas oficiais”. “Depois dessa data, a esperança é que a língua portuguesa permaneça de alguma forma em Macau, mais que não seja pelo seu valor histórico”, vincou. Até lá, garantiu, o IPOR “tudo fará para manter a sua intensa e significativa actividade, procurando assim preservar a presença portuguesa na RAEM, fomentar as relações de cooperação”.

Miguel de Senna Fernandes lamenta que o português “continue a ser encarado como uma língua estrangeira”, apesar de ter “mais estatuto” que as restantes, por ser língua oficial na RAEM. Mas, olhando para o futuro, diz-se também esperançado. E até quanto a um futuro mais próximo. “Há uma esperança. E agora é mesmo esperar para ver. O que é que novo Chefe do Executivo vai fazer? A comunidade portuguesa tem muita esperança de que haja um novo tratamento da língua portuguesa levado a cabo pelo novo líder da RAEM”, apontou. Sam Hou Fai, antigo presidente do Tribunal de Última Instância, vai tomar posse dia 20 de Dezembro. É o primeiro Chefe do Executivo que não nasceu em Macau e o primeiro também que sabe português.

Quanto ao período pós-2049, Senna Fernandes disse apenas que “quando as coisas são úteis, não se destroem”. “Depende muito da utilidade que o próprio português terá. Mas estou certo que sim”, concluiu. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 5 de novembro de 2024

Macau - Associações satisfeitas com Festival da Lusofonia mas pedem horários mais flexíveis

Alargar os espectáculos musicais até pelo menos às 23h00, em todos os dias do Festival da Lusofonia, é o pedido feito pelas associações no balanço do evento. “Não faz muito sentido que desliguem o som quando alguém está a cantar”, disse Amélia António. “A lei do ruído não é justificação para não estender o tempo das actuações”, sublinha Graziela Lopes. Apesar disso, “a festa é uma alegria, uma confraternização, e Macau deveria valorizar esta forma de estar como uma bandeira e uma identificação sua”, observou a presidente da Casa de Portugal. O coordenador António Machado fala em cerca de 40 mil visitantes e afirma que os objectivos do festival foram totalmente cumpridos



Caiu o pano de mais uma festa lusófona nas Casas da Taipa, que este ano contou, pela primeira vez, com a duração de dois fins-de-semana. O ambiente foi o mesmo de sempre, com muita confraternização e alegria ao longo dos seis dias do evento, apesar de as associações terem reconhecido que a afluência foi um pouco menor do que em edições anteriores. “Talvez porque houve o feriado na segunda-feira e muitas pessoas terão saído de Macau”, disse ao Jornal Tribuna de Macau Graziela Lopes, responsável pela Associação dos Guineenses, Naturais e Amigos da Guiné-Bissau.
Quanto ao ambiente que se vive anualmente, “significa que nós também estamos a abraçar a vontade da organização de nos dar mais espaço”. “Por isso, é fundamental que isto continue para que o Festival da Lusofonia continue a fazer sentido”, disse, acrescentando que “é muito gratificante ver que há sempre tanta gente de fora a deslocar-se ao festival”.
Por seu turno, Amélia António considera ser também muito importante para os quem vêm de fora, para além dos que estão em Macau. “Eu sempre tenho realçado que o Festival da Lusofonia cria um clima de festa, alegria, entendimento, entreajuda, confraternização entre gente de diferentes credos religiosos e atitudes políticas que sabem conviver umas com as outras”, afirmou.
A responsável da Casa de Portugal considera isso um exemplo, “uma autêntica bandeira e identificação da RAEM”, numa altura em que o mundo “está cada vez mais dividido, mais sectarista”. Por isso, acrescenta, “Macau deveria valorizar mais esta forma de viver, realçar as suas características”.
Graziela Lopes está a favor da continuidade de dois fins-de-semana, ainda que seja bastante cansativo para as associações. Daí que defenda que devesse haver “mais estudantes chineses e dos países lusófonos nos respectivos stands, pagos para esse efeito, para que pudesse haver uma mais eficaz comunicação aos visitantes sobre a cultura dos respectivos países”.
Quanto a esse aspecto, Amélia António disse que deveria ser melhorado. “Face às dificuldades de arranjar voluntários para ajudar as associações, os estudantes que frequentam as várias universidades em Macau deveriam poder receber alguma compensação financeira, porque uma grande parte deles tem algumas dificuldades económicas e assim teriam uma pequena compensação pela ajuda que prestavam”, apontou.
A dirigente reforça que “é preciso mobilizá-los para que apareçam na festa, até para funcionar como uma formação, conviverem com as pessoas”. “Seria tirar proveito para mostrar a diferença de Macau e aí estes aspectos não são devidamente aproveitados”, sublinha.
As regras “deviam ser revistas de modo a permitir prestar apenas serviços pontuais, o que seria justo para eles e para as associações”, revela, considerando que os dois fins-de-semana “é uma boa ideia, mas era preciso um pouco mais de apoio para se enfrentarem estas situações, porque as associações têm sempre muitas limitações”.
De resto, os horários, principalmente dos espectáculos. “Terminar às 22h00 continua a não fazer sentido, havendo apenas a excepção ao sábado à noite”, sustenta. “Penso que não haveria problema com a questão do ruído e terminar pelo menos às 23h00 todos os dias, porque as casas das pessoas estão um pouco longe da área do festival. Às vezes terminar um espectáculo às 22h00 condiciona muito e ontem foi feriado, portanto, o tempo deveria ser alargado”, defendeu Amélia António. E depois, “há situações, com queixas das pessoas, em que o som é desligado um minuto antes da hora estabelecida, quando um show ainda está a decorrer”.
Graziela Lopes também não compreende a razão de não se poder fazer uma excepção à lei do ruído. “A justificação da lei do ruído não pode ser justificação para o que tem vindo a acontecer, uma vez que pode haver excepção à lei, como em todas as leis”.
Interrogado sobre a questão dos horários, o coordenador do Festival da Lusofonia é peremptório: “Não há qualquer hipótese de irmos contra a lei do ruído”. António Machado prefere focar-se nos aspectos que norteiam a festa.
“Foi positivo, com os objectivos a serem totalmente cumpridos, apesar de reconhecer que, no total, estava à espera de mais gente”, disse a este jornal. Mesmo assim, nota, “julgo que perto de 40.000 pessoas tenham visitado o evento nos seis dias, o que é bastante bom”. Machado reconhece que o tempo não ajudou muito no primeiro fim-de-semana, mas no segundo “já chamou mais gente”.
Quanto ao futuro, “estão reunidas as condições para continuarmos a ter dois fins-de-semana consecutivos, até porque isso possibilita que haja visitantes diferentes em cada um dos períodos”. “Estou satisfeito com o balanço do festival deste ano”, rematou. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Macau - Atribuição de Bilhete de Identidade de Residente abordada no encontro entre Casa de Portugal e Sam Hou Fai

Foi em Língua Portuguesa que Sam Hou Fai orientou a conversa que manteve com uma delegação da Casa de Portugal. De entre os temas abordados, destaque para a questão das restrições na atribuição do BIR a nacionais portugueses que venham trabalhar para Macau. Amélia António disse ao candidato a Chefe do Executivo que os novos procedimentos “criam muitas dificuldades”. De resto, na reunião de cerca de uma hora, o ex-presidente do TUI ficou a conhecer, de uma forma generalizada, as acções organizadas pela associação de matriz portuguesa. “O encontro foi extremamente positivo”, revelou a dirigente ao Jornal Tribuna de Macau


A Casa de Portugal foi mais uma associação portuguesa a ser ouvida pelo candidato a Chefe do Executivo da RAEM, no seu périplo de auscultação e diálogo com vários sectores da sociedade local, neste caso ouvindo organismos com relevância na comunidade lusa do território.

O encontro de Sam Hou Fai com uma delegação da Casa de Portugal, liderada pela sua presidente Amélia António, durou cerca de uma hora e, de entre os temas abordados, a questão das restrições na atribuição do BIR a portugueses que vêm para Macau trabalhar “mereceu a atenção por parte do candidato”, segundo referiu a responsável pela Casa de Portugal ao Jornal Tribuna de Macau.

Amélia António lembrou as dificuldades encontradas a partir do momento em que as novas orientações foram difundidas. “Levantei essa questão, salientando que a alteração tinha complicado muito a vida das pessoas, concretamente para aquelas que pretendíamos aqui trazer para a realização das nossas actividades”, referiu.

A também advogada disse a Sam Hou Fai que “saiu muita gente qualificada e que essas saídas são difíceis de substituir, uma vez que, nas condições actuais, é muito difícil as pessoas aceitarem vir”. O candidato “ouviu com atenção a nossa opinião e tomou notas”, sublinha a dirigente.

A conversa – que foi mantida em Português, por iniciativa de Sam Hou Fai, uma vez que tem algum domínio da língua de Camões, na sequência dos anos em que estudou em Coimbra – abrangeu outros temas. O candidato quis perceber quais as áreas de intervenção da Casa de Portugal, que fontes a sustentam, como sobrevive.

“Falámos das nossas actividades, das oficinas, entre outras acções, ainda que de uma forma mais generalizada, tendo sido um pouco um encontro para levantar ideias”, diz Amélia António, acrescentando ter falado das dificuldades em termos de instalações.

“Dissemos-lhe que nos encontrávamos a desenvolver as oficinas num prédio industrial e das rendas estarem sempre a subir, o que implica pedir mais apoios”. A presidente da Casa explicou a Sam Hou Fai que “esse apoio, que podia ser mais bem canalizado, acaba, numa grande parte, por ser gasto nas instalações”, observando que a possibilidade dessas instalações serem colocadas em locais da administração “daria outra estabilidade”.

Por outro lado, foi mencionada a ligação que existe com os portugueses. “Falou do sistema jurídico, da cultura, porque 500 anos de língua e cultura portuguesas não é uma coisa que seja para destruir, pelo contrário, é um valor também para a RAEM, portanto, são coisas para preservar e que o candidato fez questão de reforçar”, expressou a dirigente, para quem, “ao nível das intenções, o encontro foi extremamente positivo”. Para o futuro, “veremos”, mas “há que reconhecer que ele não tem uma varinha mágica para resolver todos os problemas e terá certamente, enquanto Chefe, condicionamentos”, sustenta Amélia António.

No balanço da conversa e falando da receptividade do candidato a sexto mandato de Chefe do Executivo, Amélia António destaca, acima de tudo, a “atitude de interesse” manifestada por Sam Hou Fai. “Mostrou interesse em saber coisas que se falaram, de fazer mais uma pergunta ou outra para ficar a conhecer melhor, portanto, teve uma atitude positiva de uma pessoa interessada em saber, em perceber”, reforça.

Reforço da integração cultural sino-portuguesa

Em nota oficial do gabinete de candidatura, é referido que os representantes presentes na reunião “expressaram a sua concordância e apoio total ao programa político de Sam Hou Fai, e realizaram uma troca de opiniões, tendo em consideração as actividades desta associação”.

O texto assinala que “a Casa de Portugal em Macau enfatizou a vantagem única de Macau em termos da integração cultural sino-portuguesa, afirmando que a associação não só serve a comunidade portuguesa no território, mas também os cidadãos de Macau de todas as camadas”.

A Casa sugeriu, indica o comunicado, “que o Governo deveria fazer uma revisão das políticas de financiamento às associações, optimizar os procedimentos administrativos, aumentar o investimento em projectos de promoção e formação da cultura e língua portuguesa, esperando que se dê maior importância ao cultivo de talentos”.

Para além disso, é importante que se “promova o desenvolvimento da cultura, arte e artesanato portugueses, e que se aperfeiçoem as políticas atinentes ao trabalho e à formação de professores de origem portuguesa em Macau, que se conservem a diversidade cultural e a continuação dos valores jurídicos característicos do direito continental europeu”.

Sam Hou Fai “agradeceu as opiniões e elogiou o trabalho da Casa de Portugal em Macau em promover a cultura, arte e língua portuguesa”. O candidato “acredita que o enriquecimento constante do conceito de ‘uma base’ requer o esforço conjunto de todas as etnias de Macau”.

Apontou ainda que, “em resposta ao desenvolvimento dos tempos, a RAEM precisa de proceder à modernização da legislação, e enfatizou a importância de dar continuação aos princípios jurídicos fundamentais com características do direito continental europeu, afirmando, por outro lado, que de acordo com a Lei Básica, os interesses dos descendentes portugueses em Macau são protegidos, devendo as suas tradições e culturas ser respeitadas”.

A delegação da Casa de Portugal integrou, para além da presidente, também João Costa Antunes, responsável pela mesa da assembleia-geral, Armindo Vaz, presidente do Conselho Fiscal, e as secretárias Diana Soeiro e Andrea Aleixo.

Sam Hou Fai teve, entretanto, outros encontros, sempre acompanhado pelo seu representante, Lei Wun Long, e pelo chefe da sede de candidatura, Ip Sio Kai. Recebeu uma delegação de 11 elementos da Aliança de Povo de Instituição de Macau, que fizeram sugestões sobre diversas áreas, incluindo, Administração Pública, desenvolvimento económico, aperfeiçoamento do sistema de garantia de aposentação e do mecanismo de pensão para idosos, políticas de habitação pública. A Aliança de Povo apresentou ainda vários relatórios de pesquisa, entre os quais o “Estudo sobre o Índice de Bem-Estar da RAEM desde o Retorno”.

O candidato único conversou igualmente com dirigentes da Federação de Médico e Saúde de Macau e da Aliança de Sustento e Economia de Macau e deslocou-se à Associação de Beneficência Tung Sin Tong. Vítor Rebelo – Macau – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Macau - Sete alunos premiados por boas notas a português

Os melhores alunos do ensino de Língua Portuguesa de instituições de Macau foram premiados em mais uma iniciativa da Casa de Portugal. Amélia António considera que este prémio é importante para os estudantes, constituindo um estímulo para o esforço que desenvolvem ao longo do ano


Sete dos melhores alunos de Português de cinco estabelecimentos de ensino de Macau receberam prémios monetários e diplomas, numa iniciativa promovida pela Casa de Portugal, já com mais de 10 anos de realização.

Da escola luso-chinesa Luís Gonzaga Gomes à Universidade de Macau, passando pela Escola Portuguesa e pela Universidade Politécnica, os estudantes foram distinguidos como reconhecimento do esforço ao longo do ano lectivo, tendo alcançado as melhores notas na disciplina de Português, onde se inclui também a Língua Portuguesa não materna.

A cerimónia de entrega de galardões teve lugar na Casa de Vidro, onde a presidente da Casa de Portugal referiu a importância do evento cultural. “Cultivar e criar estímulo nos alunos de Língua Portuguesa é o objectivo desta nossa iniciativa, a qual reconhece o esforço desenvolvido ao longo do ano”, referiu Amélia António em declarações ao Jornal Tribuna de Macau.

A presidente da Casa de Portugal acredita que este prémio é sentido “com um certo orgulho por parte dos alunos distinguidos” e constitui também um estímulo para os restantes, “para que percebam que se se esforçarem, podem ser eles a receber”.

Amélia António gostaria de que este prémio tivesse outro impacto se os montantes fossem maiores. “Como não temos subsídio da Fundação Macau para este fim, não é possível proporcionar prémios mais elevados”, mas mesmo assim, acrescentou, “penso que o objectivo tem sido atingido”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 12 de julho de 2024

Macau - Presidente da Casa de Portugal pede que “todos” garantam estabilidade na Escola Portuguesa de Macau

A presidente da Casa de Portugal apelou a “todos” que garantam a estabilidade dos alunos que frequentam a Escola Portuguesa de Macau, devido ao “muito ruído” à volta da instituição. Foi desta forma que Amélia António reagiu à instabilidade criada por uma vaga de despedimentos de professores e funcionários.

“Tem havido muito ruído. Penso que as coisas estão a ser tratadas serenamente, que é o que é preciso”, afirmou Amélia António, em declarações à Rádio Macau. “Acho que todos devemos contribuir para garantir a estabilidade, à escola, aos alunos”, acrescentou.

A responsável pela associação de matriz portuguesa destacou também que é importante ter a garantia de que a escola pode funcionar normalmente, com as aulas a começarem nas datas previstas, para os alunos se poderem focar no ensino.

A presidente da Casa de Portugal criticou também o aproveitamento que está a ser feito de toda a polémica. “É preciso não deixar que a imagem e o crédito da escola sejam abalados por situações, por vezes, um bocadinho exploradas. Uma coisa são problemas reais, outra são o empolamento e o partido que se tenta tirar para outras guerras que não são as reais e que não são os problemas reais”, afirmou. “Cabe a cada um de nós, empurrar os assuntos para o sítio certo, para que sejam resolvidos com a serenidade que eles merecem”, destacou.

A secção de Macau do Partido Social-Democrata, através do porta-voz, António Sousa de Bessa Almeida, tem associado as demissões na EPM ao que diz ser “um lóbi” ligado ao Partido Socialista e a Coimbra. In “Hoje Macau” - Macau


sexta-feira, 3 de maio de 2024

Macau - Pedida maior preservação da língua portuguesa

Amélia António lamenta que a Língua Portuguesa não seja tão preservada como deveria. A presidente da Casa de Portugal considera que há alguma contradição quando se sabe que “há cada vez mais gente a aprender Português” e depois esse crescimento “não tenha acontecido ao nível de vários sectores em Macau”. Também ao Jornal Tribuna de Macau, Acácio de Brito, director da Escola Portuguesa, diz que o idioma de Camões é “um dos valores culturais e políticos mais relevantes do nosso tempo”


A propósito da celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se assinala no domingo, 5 de Maio, Amélia António falou ao Jornal Tribuna de Macau sobre a importância da língua e as dificuldades que a mesma enfrenta “ao nível das coisas públicas no território”.

Questionada se a Língua Portuguesa tem sido bem preservada, a presidente da Casa de Portugal foi peremptória ao afirmar que “não tanto como deveria ser”, considerando que “continuam a registar-se muitas dificuldades em vários sectores de Macau”.

“Sabemos que nunca houve tanta gente a aprender Português no território como actualmente, mas depois, nas coisas públicas, naquilo que a própria lei nos dá o direito de nos dirigirmos e sermos correspondidos, em muitos casos isso não acontece”. Por isso, “há essa contradição, que não está explicada, como aliás outras que temos em Macau”, nota Amélia António.

A dirigente da associação de matriz lusa reforça a sua opinião mencionando que “nos últimos anos, com o número de pessoas a aprender a nossa língua, muitos falam Português, mas depois, na prática, é como se esse crescimento não tivesse acontecido”. Ou seja, complementa, “é como se fosse o contrário, como se tivesse diminuído o número de pessoas a aprender Português, quando na realidade não é isso”.

Críticas à parte, sustenta que “faz todo o sentido celebrar este dia, porque o Português é uma língua falada em todos os continentes”. Por isso, prossegue, “é muito importante, cada vez mais, a sua valorização”. Os países que falam a língua são, “alguns deles, países grandes, com muita gente, daí que o Português tem de conquistar de facto o seu lugar, nomeadamente nas instituições internacionais”.

Amélia António reforça essa importância asseverando que “tudo o que seja valorizar a língua, mostrar a relevância dela, mostrar a dimensão mundial é fundamental para que cada vez mais seja reconhecida como uma língua de grande valor”.

Por sua vez, no âmbito da celebração do Dia Mundial, o director da Escola Portuguesa de Macau (EPM) salienta que a Língua Portuguesa é “um dos valores culturais e políticos mais relevantes do nosso tempo”. “Sendo uma língua oficial de inúmeros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, envolvendo no seu conjunto cerca de 300 milhões a 400 milhões de pessoas, é um idioma global que se projecta em todos os continentes e é, aliás, a língua mais falada no hemisfério sul”, referiu a este jornal.

Acácio de Brito considera que o Português provoca proximidade. “Essa proximidade no tempo é, julgo eu, juntar pedras, e encontrámo-la no espírito da lusofonia enquanto espaço de partilha linguística e cultural”.

Adianta que “o enfoque nessa dimensão cultural deve ser de algum modo o ‘leitmotiv’ (fio condutor) até para aquilo que nós somos numa escola portuguesa na China, uma escola que naturalmente procura que o ensino do Português, como língua materna, como língua de herança, ou como língua estrangeira, exija aproximações que elas mesmas são diferenciadas”.

Acácio de Brito acentua que “o que nós entendemos nesta celebração também, é que a Escola Portuguesa de Macau deve constituir-se num espaço privilegiado de formação dos jovens e complementarmente deve afirmar-se como âncora de aprofundamento da língua e da cultura portuguesa e chinesa”.

Destacando este processo de aproximação de culturas, que é a relevância da existência de uma escola portuguesa no Oriente, o responsável da EPM conclui que “é por isso que o alinhamento cultural é fundamental”, porque “vai permitir-nos fazer negócio e tantas outras coisas”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 4 de maio de 2023

Macau - Casa de Portugal celebra língua portuguesa com concerto e promoção nas escolas

A Casa de Portugal está a preparar duas actividades para assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se celebra esta sexta-feira. A instituição vai realizar sessões de promoção em algumas escolas do território e um concerto que contará com a banda da própria Casa e cantores residentes na RAEM, disse Amélia António. A presidente da associação falou também ao Jornal Tribuna de Macau sobre as eleições da Casa de Portugal, “ainda sem data marcada”, porque é preciso tempo “para pensar nisso” e tentar arranjar “mais gente para trabalhar”. Sobre os subsídios, que serão os mesmos do ano anterior, Amélia António lamenta as dificuldades que irão surgir para concretizar todos os projectos pensados para 2023

O Dia Mundial da Língua Portuguesa está à porta e a Casa de Portugal, como instituição de matriz portuguesa, organiza dois eventos para assinalar a data. Um deles decorrerá amanhã, 5 de Maio, data oficial das celebrações, com a presença do boneco animado “Eloi” em algumas escolas do território, e o segundo, no dia seguinte, com um concerto na Casa Garden, onde vão actuar a banda da Casa de Portugal e as cantoras Jandira Silva e Betchy Barros.

“Não podíamos deixar de comemorar este Dia Mundial da Língua Portuguesa e fazê-lo de uma forma abrangente, com idas às escolas e com um espectáculo de música com artistas locais de expressão portuguesa”, começou por referir Amélia António, presidente da associação, ao Jornal Tribuna de Macau, na qual se abordaram alguns temas da actualidade da Casa.

Relativamente a este Dia Mundial da Língua Portuguesa, a deslocação e visualização do boneco animado será um dos pontos altos, uma vez que se trata naturalmente de uma figura sempre do agrado dos mais pequenos. Trata-se de um projecto recente da autoria de Sérgio Rolo, que pretende ir ao encontro das directrizes pedagógicas do Governo de Macau, conciliando-as com a divulgação da arte e cultura.

“Aprender com o Eloi e os amigos” é um projecto de marionetas em formato televisivo que se destina a crianças de todas as idades, com o objectivo de ensinar os diferentes idiomas falados em Macau (português, chinês e inglês).



Neste caso será a promoção e divulgação da língua portuguesa, no Dia Mundial, junto de duas escolas. Sérgio Rolo, que tem colaborado em iniciativas organizadas pela Casa de Portugal, vai apresentar alguns episódios da série “Eloi e amigos”, seguindo-se a apresentação física dos bonecos animados aos alunos. Isso acontecerá através do canal de Youtube da Casa de Portugal. Está também programada a apresentação do teledisco “Cavalinho, cavalinho”, poema de Matilde Rosa Araújo, com música de Tomás Ramos de Deus, arranjos musicais de Miguel Andrade e teledisco da autoria de José Nyogeri.

No dia seguinte às celebrações do “dia especial em que se recorda a importância da língua portuguesa”, será então a vez de um concerto na Casa Garden, com as actuações ao vivo de Jandira Silva e Betchy Barros e da banda composta por Tomás Ramos de Deus, Miguel Noronha Andrade, Paulo Pereira, Ivan Pineda, Mário Venditti e Irawan Kusuma, num espectáculo que conta com o apoio da Fundação Oriente, enquanto todo o programa é apoiado pela Fundação Macau.

Recorde-se de que o Dia Mundial da Língua Portuguesa, também conhecido por Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP, é comemorado anualmente a 5 de Maio. A data foi instituída pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa em 20 de Julho de 2009 e mais tarde, em Novembro de 2019, durante a 40ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Para justificar a celebração da data, foram tidos em consideração factores como: o português ser a língua de nove Estados-Membros da UNESCO; ser a língua oficial de três organizações continentais e da Confederação Geral da UNESCO; ser falado por mais de 265 milhões de pessoas nos cinco continentes (3,7% da população mundial) e ser a língua mais falada do hemisfério sul.

Em 2022, o Dia Mundial da Língua Portuguesa foi assinalado em Macau com três eventos: um concurso de redacção “aprender uma nova língua é aprender uma nova maneira de ver o mundo”, “Amar no feminino – as Cartas Portuguesas” e “Viagens – Contos em língua portuguesa”.

Eleições sem data marcada, subsídios ainda não chegaram

A Casa de Portugal vai ter eleições dentro em breve, mas a presidente Amélia António ainda não teve tempo para pensar nisso. “São muitas coisas que temos de fazer e por isso precisamos de tempo para pensar no futuro desta instituição”, salientou a actual número um da associação, que já ocupa o cargo há 16 anos.

Caso não seja encontrado um sucessor, Amélia António partirá para o nono mandato consecutivo. “Para já não há qualquer novidade, nem sei quando serão as eleições, porque ainda não tive disponibilidade para fazer sondagens”, ressalvou.

Amélia António promete debruçar-se sobre o assunto dentro em breve, uma vez que a instituição tem de tentar procurar uma solução para os próximos dois anos. Amélia António não descarta a possibilidade de continuar por mais um biénio, mas pretende chamar mais gente para colaborar, embora reconheça que “é muito complicado arranjar pessoas dispostas a trabalhar”. “Mas vamos tentar chamar mais gente para os corpos gerentes”, acrescentou.

A advogada frisa que “há muita coisa que tem de mudar, tem de se inventar”, numa clara alusão à necessidade premente de se conseguir não só um novo presidente para a Casa de Portugal, como outras pessoas para ajudar a dar continuidade à associação.

Relativamente aos indispensáveis subsídios para que se possam concretizar todos os projectos pensados para este ano de 2023, o organismo associativo já sabe que as verbas, que ainda não chegaram, “nem se sabe quando isso acontecerá”, serão as mesmas dos anos anteriores. “Vai ser preciso fazer milagres para concretizar aquilo que queremos executar”, frisa Amélia António.

A próxima actividade será em meados deste mês de Maio, já inserida no “Junho, Mês de Portugal”, com a realização de um workshop cujos pormenores Amélia António prefere apenas divulgar mais tarde, “quando tudo estiver mais bem definido”.

EPM organiza sessão cultural

A Escola Portuguesa de Macau (EPM) assinala amanhã o Dia Mundial da Língua Portuguesa com uma sessão cultural, na qual estarão presentes, entre outros, o Cônsul Geral de Portugal para Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, e representantes dos países lusófonos. O evento, durante o qual haverá representações de autores das diferentes nacionalidades, está agendado para as 12:00 no átrio interior da EPM, numa organização do Departamento de Línguas Românicas. Manuel Machado, director da EPM, considera “importante que se celebre esta data”, na sequência das iniciativas já levadas a feito em anos anteriores. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 15 de março de 2023

Macau - “Associações como a Casa de Portugal têm de ser tratadas de forma diferente”

O mês de Março já vai a meio, mas as associações continuam à espera dos subsídios pedidos à Fundação Macau. Amélia António diz que “é impossível viver assim”, principalmente para associações, como a Casa de Portugal, “que têm uma actividade permanente”. A presidente da Casa de Portugal volta a contestar os critérios e lamenta que não haja uma diferença entre as entidades que têm uma actividade regular e as que apenas realizam iniciativas esporádicas. De entre os eventos para este ano, quer que haja continuidade do Arraial de São João


“A situação tem de ser vista e analisada de forma diferente. As associações não são todas iguais e aquelas cuja actividade é permanente não podem ser tratadas da mesma maneira”, começou por dizer, ao Jornal Tribuna de Macau, Amélia António, presidente da Casa de Portugal, numa altura em que continua a expectativa em relação à atribuição de subsídios “e quando isso irá acontecer”.

A advogada de profissão considera que “a maioria das associações de Macau não tem uma almofada”, ou seja, não possuem dinheiro disponível e são obrigadas a recorrer ao crédito bancário, “que mesmo assim não é fácil”, porque é necessário “pagar juros e apresentar garantias”.

“Quem é que gere uma associação nestas condições?”, questiona Amélia António, lembrando que algumas actividades da Casa de Portugal são “permanentes”, como é o caso da Escola de Artes e Ofícios, pelo que têm encargos próprios. “Têm de trabalhar sempre, não podem parar”, frisou, observando ainda que também há os projectos a que as associações concorrem, “como é também o nosso caso”.

No ano passado, a Casa de Portugal só recebeu o primeiro subsídio em Agosto “e por este andar a situação poderá repetir-se, o que nos vai criar muitos problemas”, lamentou a responsável pela associação de matriz portuguesa, para quem “no passado isto não acontecia desta forma”, desde logo a retenção de 10% do subsídio antes do final do ano, ficando pendente até que as contas sejam apresentadas à Fundação Macau.

“A falta desse montante significa desde logo que ficamos descalços, uma vez que era necessário para actividades de Dezembro”, explicou Amélia António.

As associações têm de entregar um relatório de auditoria, porém, este só pode ser apresentado “depois das contas estarem fechadas”. Portanto, acentuou, “isso leva bastante tempo e as nossas necessidades permanecem, com o dia-a-dia da escola, as instalações, os pagamentos aos formadores, e outras despesas”.

Organizar actividades novas sem dinheiro “é difícil”

A presidente da Casa de Portugal referiu que a associação “anda a recompor as coisas e a perceber a nova situação, uma vez que são muitas vertentes que mexem umas com as outras”. Sem os indispensáveis subsídios, “torna-se quase impossível trabalhar”, ou pelo menos “saber com o que podemos contar, o que vai acontecer”, insistiu.

Na actividade para 2023, nomeadamente no que diz respeito a algumas coisas novas, tudo vai depender dos fundos. “Queríamos fazer algumas coisas novas, mas não posso estar agora a anunciar, porque não sabemos que dinheiro vamos ter para isso”, ressalvou Amélia António.

A presidente da Casa dá o exemplo do Arraial de São João, no qual a sua associação tem colaborado na organização desde o primeiro ano, juntamente com outras entidades (que praticamente não dispõem de subsídios para o efeito), e que estava a crescer antes da pandemia. “É um evento colectivo, bastante popular e que ultrapassa já fronteiras. Estava a crescer”, salientou.

Agora, quando quase todas as restrições pandémicas foram anuladas, a presidente da Casa de Portugal volta a colocar questões: “Abraça-se de novo o projecto para que haja continuidade ou não? Tem interesse turístico, cultural, ou não? Eu penso que tem e que deveria continuar, porque é um cartaz de Macau”.

Amélia António ainda não teve grande oportunidade de expor ao novo Cônsul-Geral de Portugal, cara a cara, todas as preocupações da sua associação. “Tivemos apenas uma conversa de apresentação, juntamente com outras associações, e por isso não deu para entrar em grandes detalhes, foi apenas um resumo”, esclareceu.

Relativamente ao primeiro contacto com Alexandre Leitão, “o que posso para já dizer é que mostrou interesse e vontade”. “Interesse em conhecer e vontade para fazer o que for possível para tentar resolver os problemas que as associações têm pela frente, que é uma história antiga. O novo Cônsul terá muito trabalho para perceber as realidades”, afirmou.

Por outro lado, para já, Amélia António não quer pensar nas eleições agendadas para este ano e que, tudo indica, deverão reconduzir a actual presidente para mais um mandato, uma vez que não se perfilha até esta altura um sucessor. “Temos primeiro de fazer uma assembleia geral, para aprovação de relatório e contas, que espero seja durante este mês de Março, e só depois então debruçar-me sobre as eleições”, concluiu a número um da Casa de Portugal, que ocupa o cargo desde 2005. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”