Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Países Baixos - Biblioteca Municipal de Utrecht inaugura espaço dedicado à língua portuguesa

A comunidade de língua portuguesa em Utrecht, nos Países Baixos, vai estar em destaque no próximo dia 6 de setembro, com a inauguração, na Biblioteca Municipal de Utrecht, da KeuzeKast Lusofonia: Mundo da Língua Portuguesa, uma estante dedicada à diversidade cultural dos países onde se fala português


O espaço será preenchido com livros, incluindo obras para crianças e livros de culinária, provenientes de diferentes países e culturas do mundo lusófono.

A inauguração será assinalada com um programa que inclui música, intervenções literárias e poéticas, bem como sabores de diferentes culturas de língua portuguesa.

As crianças terão também um programa próprio, com uma sessão de leitura em português e uma mesa dedicada a atividades manuais, aberta igualmente à participação de adultos.

A iniciativa pretende celebrar a diversidade da língua portuguesa e está aberta tanto aos membros da comunidade lusófona como a todos os que tenham curiosidade em conhecer melhor a língua e as culturas que a partilham.

O programa começa às 14h00 (hora local), com uma sessão de leitura em português. A abertura oficial da KeuzeKast Lusofonia está marcada para as 14h30 (hora local).

A partir das 14h45 (hora local), haverá uma mesa de atividades para crianças e adultos, a par de momentos musicais e de intervenções literárias e poéticas. O encerramento está previsto para as 16h00 e inclui convívio e petiscos.

A iniciativa integra o projeto KeuzeKasten, através do qual são criadas estantes especialmente concebidas para e com as comunidades de Utrecht. Estes espaços podem reunir livros, objetos e, em alguns casos, conteúdos áudio, sendo acompanhados por uma programação relacionada com o tema escolhido.Durante alguns meses, cada KeuzeKast fica em destaque, dando a conhecer a diversidade das diferentes comunidades que fazem parte da cidade de Utrecht. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo



Suíça - Zinco usado para a doença de Wilson anima tratamento raro em Genebra

Investigadores da Universidade de Genebra procuram em medicamentos já aprovados novas terapias para doenças raras, uma estratégia mais rápida e barata que o desenvolvimento tradicional de fármacos

Há cinco anos, o laboratório de Vladimir Katanaev, na Universidade de Genebra, fez uma descoberta surpreendente. Eles constataram que sais de zinco amplamente disponíveis, que haviam sido aprovados nos EUA em 1997 para o tratamento de um distúrbio metabólico conhecido como Doença de Wilson, poderiam também tratar uma doença rara e potencialmente fatal causada por uma mutação no gene GNAO1.

O gene GNAO1 codifica a proteína G chamada Gαo, que é um dos principais reguladores de sinalização do cérebro. Ela atua como uma chave molecular, que liga e desliga para impedir que os neurónios fiquem demasiado ativos ou demasiado inativos. Mutações no gene GNAO1, que afetam cerca de 400 pessoas em todo o mundo, causam convulsões, atrasos no desenvolvimento e problemas motores.

As primeiras mutações no gene GNAO1 só foram identificadas em 2013, mas Katanaev, que é professor de fisiologia celular e metabolismo, já vinha estudando a proteína Gαo há quase 20 anos. Desse modo, quando pais de crianças diagnosticadas com doenças relacionadas ao gene GNAO1, que não têm tratamento aprovado, começaram a procurar especialistas, acabaram deparando-se com as pesquisas de Katanaev.

Com um financiamento de aproximadamente 175 mil francos suíços, proveniente de fundações e associações de pacientes, o investigador e a sua equipa conseguiram descobrir como as mutações prejudicam a proteína Gαo e causam a doença. Especificamente, a equipa constatou que as mutações patogénicas deslocam de posição um único aminoácido, chamado de glutamina 205, interferindo na atividade da GTPase, que é o mecanismo de desativação.

Diante dessas novas informações, a equipa de Katanaev cogitou uma forma de restaurar essa proteína disfuncional. Para investigadores académicos, a ideia de desenvolver um novo medicamento parece assustadora, visto que, segundo estimativas, são necessários cerca de 810 milhões a 1,6 mil milhões de francos suíços e uma década ou mais para desenvolver e levar um medicamento ao mercado. O laboratório não dispunha de recursos financeiros para descobrir ou criar uma molécula totalmente nova e conduzir todas as etapas necessárias para fazer com que ela chegasse aos pacientes.

“Seria necessário um investimento alto demais, considerando o número reduzido de pacientes”, afirma Katanaev. Em vez disso, a equipa decidiu verificar se conseguiria encontrar um medicamento já aprovado que pudesse ter novas funcionalidades.

Estabelecer novos usos para medicamentos antigos não é exatamente um conceito novo. Muitos dos remédios mais populares, como os GLP-1 para obesidade ou o Viagra para a disfunção erétil, haviam sido originalmente testados e aprovados para outros fins.

O conceito de reposicionamento começou, contudo, a atrair mais atenção no que diz respeito às doenças raras, um grupo de cerca de 7 mil enfermidades pouco comuns, das quais apenas 6% têm tratamento aprovado. Embora haja aproximadamente 300 milhões de pessoas no mundo com alguma doença rara, cada uma delas afeta apenas um pequeno número de indivíduos.

“Não é possível utilizar o processo convencional de descoberta de medicamentos para doenças raras, pois ele é muito demorado e caro”, afirma Katanaev. “Isso só faz sentido quando o mercado é grande o suficiente”, completa o investigador.

Na procura de outro caminho

Incentivos regulatórios, como aprovações aceleradas de medicamentos e períodos mais longos de exclusividade, têm ajudado a estimular as grandes da indústria farmacêutica a destinar recursos ao desenvolvimento de medicamentos para doenças raras, mas há sinais de que esse tipo de investimento vem diminuindo.

Um estudo da Evaluate, empresa de inteligência de dados, estima que a participação dos medicamentos para doenças raras que estão a ser desenvolvidos cairá de 30% em 2027 para 22% em 2032. Os autores do relatório argumentam que isso reflete o interesse crescente das grandes da indústria farmacêutica em doenças que afetam um número maior de pessoas, como a obesidade, por exemplo.

“Precisamos de outras abordagens”, afirma Katanaev. “O reposicionamento de fármacos é um atalho que pode viabilizar um medicamento num período relativamente curto com um investimento relativamente baixo”, explica.

Os enormes avanços na nossa compreensão da genética estão a facilitar o trabalho de laboratórios académicos, como o de Katanaev, na pesquisa de mutações e no entendimento de como elas causam doenças. A inteligência artificial (IA) também está a ajudar alguns laboratórios a interpretar enormes quantidades de dados moleculares e a criar modelos computacionais para testar medicamentos.

Hoje, muitos laboratórios contam com instalações de triagem de alto rendimento, que vêm sendo amplamente utilizadas pelas grandes do setor farmacêutico, a fim de identificar e desenvolver novas moléculas.

A equipa de Katanaev utilizou o processo para analisar um banco de cerca de 3 mil fármacos aprovados nos EUA. Posteriormente, a equipa testou esses medicamentos, a fim de verificar se apresentavam alguma atividade sobre a proteína Gαo. Foi aí que apareceu o zinco. O teste mostrou que o zinco poderia restaurar parcialmente a função da proteína mutante. A equipa de Katanaev testou a hipótese em modelos de moscas e camundongos e constatou que era segura e eficiente.

Diante desses resultados pré-clínicos promissores e considerando que a terapia com zinco já estava aprovada para a Doença de Wilson, Katanaev e médicos do Hospital Universitário de Colónia, na Alemanha, iniciaram o primeiro teste em humanos com um menino de três anos portador de uma mutação no gene GNAO1. Pouco depois do início do tratamento, o garoto passou a ter menos convulsões e os seus movimentos bruscos e espasmódicos cessaram quase que totalmente. Um ano após o tratamento, o seu quadro clínico continua estável.

Embora não se trate de uma cura propriamente dita, a qualidade de vida do paciente e da sua família melhorou significativamente. A equipe de Colónia está agora a testar o zinco em 13 pacientes com doenças relacionadas ao GNAO1 num ensaio clínico, graças a uma campanha de financiamento coletivo promovida pela associação alemã de pacientes com GNAO1.

O laboratório de Katanaev vem sendo procurado por famílias de pacientes de todo o mundo, interessadas em saber se é possível aplicar a mesma abordagem para identificar uma possível eficácia de medicamentos já existentes no tratamento de outras doenças genéticas raras. No momento, o laboratório, que conta com uma equipa de investigadores de pós-doutorado em Genebra, pesquisa seis enfermidades genéticas.

Impulso crescente

Com os sistemas de saúde sob pressão, um número crescente de iniciativas e grupos de pacientes vem trabalhando para promover o reposicionamento de medicamentos, especialmente na Europa. Especialistas acreditam que 75% dos medicamentos já existentes poderiam ser usados de maneira diferente para o tratamento de outra enfermidade. Ao contrário de alguns fármacos novos, como as terapias génicas, cujos preços variam entre 2 e 3 milhões de dólares por dose, muitos medicamentos utilizados para novos fins já são genéricos sem patente, o que os torna mais acessíveis para os pacientes.

Em 2022, o Horizon Europe, principal programa de financiamento da União Europeia para pesquisa e inovação, com duração de sete anos, investiu, durante cinco anos, um total de 22 milhões de francos suíços na criação da Plataforma Europeia para Reposicionamento de Medicamentos (REMEDi4ALL). A iniciativa visa acelerar o desenvolvimento e o acesso a terapias reposicionadas, reunindo conhecimentos especializados e promovendo a colaboração entre pacientes, investigadores, médicos, órgãos reguladores e outras partes interessadas.

Entretanto, ainda restam enormes desafios. Para um fármaco já existente, mesmo que antigo, a aprovação regulatória e o reembolso estão longe de seguir um caminho simples. Embora medicamentos reposicionados para novos usos possam, muitas vezes, utilizar dados de segurança já existentes, evitando, em alguns casos, ensaios clínicos de Fase I, eles ainda precisam passar por alguns testes clínicos, a fim de comprovar a sua eficácia para a nova doença e determinar a dosagem correta. Como por exemplo os sais de zinco, que estão disponíveis em farmácias como suplemento nutricional em dosagens muito inferiores àquelas necessárias para tratar a Doença de Wilson e enfermidades relacionadas ao GNAO1.

“Ainda não existe um caminho regulatório específico para o reposicionamento de medicamentos que pudesse otimizar e acelerar o processo”, diz Claudia Fuchs, gerente sénior de projetos da EURORDIS – Organização Europeia de Doenças Raras, uma aliança de mais de mil organizações de pacientes com enfermidades pouco comuns.

Alguns estudos estimam que o reposicionamento de um fármaco pode continuar custando cerca de 300 milhões de dólares, levando de seis a oito anos desde o laboratório até ao paciente – ainda assim uma vantagem em comparação com os 10 a 15 anos necessários para lançar um novo medicamento. Katanaev acredita que o fluxo de trabalho do seu laboratório pode reposicionar medicamentos em dois a três anos por cerca de 1 milhão de dólares, incluindo ensaios clínicos.

Aos laboratórios académicos faltam muitas vezes os recursos, o conhecimento regulatório e a experiência em desenvolvimento clínico necessários para levar o processo de reposicionamento de medicamentos adiante em contextos lentos e complexos. Embora pudesse assumir essa tarefa, a indústria farmacêutica não costuma demonstrar interesse em testar e comercializar fármacos antigos.

“Há muitos investimentos sendo direcionados a abordagens inovadoras”, diz Fuchs. “Mas, quando se trata de encontrar novos usos para medicamentos genéricos, as empresas não têm interesse”, acrescenta.

Sem o apoio da indústria, são principalmente as associações de pacientes que precisam arcar com os custos e tomar decisões difíceis sobre como e onde gastar seus recursos extremamente limitados.

O reposicionamento ainda não é uma solução milagrosa. Normalmente, não há garantia de que um medicamento aprovado vá ser adequado para outra doença específica. E, mesmo que seja, não se sabe até que ponto cada paciente será beneficiado.

“Se tivermos sorte, como no caso do zinco, o reposicionamento pode levar à descoberta de um medicamento para uma doença que, de outra forma, não teria tratamento e permaneceria intratável para sempre”, aponta Katanaev. Pois, “atualmente, o desenvolvimento convencional de medicamentos não é economicamente viável”. In “Swissinfo” - Suíça

Portugal – A 12.ª Coimbra Space Summer School 2026 inspira-se na missão Artemis II para impulsionar a inovação e o empreendedorismo espacial

A escola de verão regressa de 2 a 4 de setembro, desafiando estudantes, investigadores e empreendedores a criarem soluções para a exploração lunar. A 12.ª edição marca também a estreia do evento na Pampilhosa da Serra.


O ecossistema de inovação ligado ao setor aerospacial prepara-se para acolher a 12.ª edição da Coimbra Space Summer School (CSSS), que decorre já entre os dias 2 e 4 de setembro de 2026. Este ano, o programa inspira-se diretamente no feito histórico da missão Artemis II — a primeira viagem tripulada a sobrevoar a Lua desde a Apollo 17 em 1972, ocorrida em abril deste ano —, utilizando esse marco como catalisador para desafiar a próxima geração de talentos a moldar o futuro da economia do espaço.

Concebida como uma plataforma intensiva de capacitação, a Coimbra Space Summer School dirige-se a estudantes do Ensino Superior, investigadores, empreendedores e entusiastas que pretendam transformar ativos e tecnologias espaciais em modelos de negócio viáveis. Ao longo de três dias, os participantes serão incentivados a analisar os avanços científicos e humanos que viabilizaram o regresso à órbita lunar e a responder aos complexos desafios que a permanência no espaço ainda coloca.

O programa de trabalho está desenhado para converter ideias em projetos concretos através do trabalho em equipas multidisciplinares. Com o apoio contínuo de mentores e o acompanhamento de especialistas nacionais e internacionais, os grupos vão desenvolver propostas em áreas críticas como a preservação da saúde humana em ambientes de radiação e gravidade extrema, a garantia de comunicações resilientes em espaço profundo, a prospeção responsável de recursos minerais na superfície lunar e a otimização logística de missões tripuladas de longa duração. A experiência culmina numa competição de ideias de negócio, onde as equipas apresentarão as suas propostas perante um júri de especialistas.

A edição de 2026 introduz uma novidade estrutural ao descentralizar as suas atividades. No dia 4 de setembro, o encerramento do evento terá lugar na Pampilhosa da Serra, permitindo aos participantes conhecer de perto o ecossistema e as infraestruturas espaciais do município, um território que tem vindo a consolidar a sua posição como polo regional estratégico e de referência no setor aerospacial.

A Coimbra Space Summer School é uma iniciativa organizada pelo Instituto Pedro Nunes (IPN), no âmbito da incubadora da Agência Espacial Europeia, o ESA BIC Centro. A organização conta com a parceria do Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra (OGAUC), do Mestrado Conjunto Erasmus Mundus em Geociências Planetárias - GeoPlaNet e do Município da Pampilhosa da Serra. Instituto Pedro Nunes - Portugal


China – Universidade do Porto lidera universidades portuguesas no ranking de Xangai 2026

A Universidade mantém-se entre as melhores do mundo no ARWU 2026 e surge à porta do grupo das 200 universidades com maior produção científica


A Universidade do Porto volta a liderar a representação portuguesa no Academic Ranking of World Universities (ARWU), ao surgir, a par da Universidade de Lisboa, no grupo das universidades posicionadas entre os lugares 301 e 400 do mundo na edição de 2026 do mais antigo e um dos mais prestigiados e completos rankings internacionais do ensino superior.

Elaborado pela Shanghai Ranking Consultancy, o conhecido “ranking de Xangai” avaliou este ano mais de 2500 instituições de ensino superior de todo o mundo com base em indicadores (ver metodologia) relacionados com a qualidade da investigação e da produção científica, bem como com o desempenho académico per capita das instituições.

À semelhança das edições anteriores do ranking, a Universidade do Porto regista a sua melhor pontuação – 42,2 pontos – no indicador referente ao número de artigos indexados nos Science Citation Index-Expanded e Social Science Citation Index da Web of Science, em 2025. Uma prestação que coloca a U.Porto à porta do grupo das 200 universidades (202.ª) que mais Ciência produzem a nível mundial.

A instituição portuense regista ainda classificações de relevo nos indicadores relativos ao número de artigos publicados nas revistas Nature e Science nos últimos cinco anos (328.ª a nível mundial); desempenho global da instituição por docente (350.ª) e número de investigadores altamente citados (503.ª).

Mais investimento para “acompanhar o ritmo”

Apesar de manter “uma posição cimeira no contexto nacional e internacional no ARWU 2026”, a universidade mais procurada pelos melhores estudantes em Portugal regista uma descida no ranking deste ano, depois de cinco anos entre as 300 melhores do mundo. Uma realidade que é comum à generalidade das universidades portuguesas e que, para o Reitor da U.Porto, deve ser analisada num “contexto de fortíssima competição internacional”.

“Nos últimos anos, temos assistido a um forte investimento no ensino superior e na investigação por parte de vários países, em particular na Ásia, frequentemente concentrando recursos num grupo restrito de universidades, por forma a potenciar a sua posição nos rankings internacionais. Esses desenvolvimentos estão a alterar o panorama global da ciência e a tornar os principais rankings internacionais cada vez mais exigentes”, nota Pedro Nuno Teixeira.

O Reitor aponta o exemplo de vários países europeus, “como é o caso de Espanha” [que este ano viu oito universidades saírem do ARWU 2026], onde já se observam “dificuldades em acompanhar o ritmo dos sistemas que mais têm investido no ensino superior e na investigação”. Neste contexto, considera que os resultados agora divulgados reforçam a importância de Portugal adotar “políticas de financiamento consistentes e sustentadas”, de modo a que “as nossas universidades possam competir em condições comparáveis”.

Ainda assim, Pedro Nuno Teixeira destaca a capacidade da U.Porto para continuar a afirmar-se entre as melhores instituições do mundo. “A Universidade do Porto tem conseguido resultados muito significativos face ao nível de financiamento público que recebe e continuará empenhada em reforçar a qualidade da sua investigação, da sua formação e da sua capacidade de atração de talento”, sublinha.

Liderança partilhada em Portugal

Na comparação com as outras universidades portuguesas presentes no ARWU 2026, a U.Porto volta então a ser a melhor classificada, a par da Universidade de Lisboa.

Seguem-se: a Universidade de Coimbra, colocada entre as 401 e 500 melhores; a Universidade de Aveiro, no grupo das 501-600 melhores; a Universidade Nova de Lisboa, no grupo das 701-800 melhores; e a Universidade do Minho, no grupo das 801-900 melhores.

A nível global, o ARWU é liderado, pelo 24.º ano consecutivo, pela Universidade de Harvard (EUA). Seguem-se a Universidade de Stanford (EUA), o MIT – Massachusetts Institute of Technology (EUA) e as universidades de Cambridge (Reino Unido) e Berkeley (EUA).

A primeira instituição não anglo-saxónica classificada – em 13.º lugar – é a Universidade de Paris-Saclay (França), parceira da U.Porto na European University Alliance for Global Health (EUGLOH). Universidade do Porto - Portugal


domingo, 30 de agosto de 2026

França - Rede de cursos de português em França foi publicada no Diário da República com 105 professores

A nova rede de cursos de ensino de Português em França para o ano letivo de 2026/2027, foi publicada no Diário da República, tem 105 postos e confirma uma forte concentração de horários na Região Parisiense. O despacho conjunto dos Ministérios da Educação e dos Negócios Estrangeiros aprova oficialmente a lista de postos, que revela a distribuição territorial do ensino da língua portuguesa no país gerida pelo Instituto Camões.


Recorde-se que Portugal coloca em França os professores do ensino básico (Primaire), através do Instituto Camões e no quadro dos acordos bilaterais entre os dois países.

De acordo com a lista publicada, há 79 postos de professores correspondentes ao 1° e 2° ciclo do ensino básico criados em França, mas 5 dos quais são horários incompletos com 20 horas (em Bordeaux, Marseille e em Orléans) ou com 16 horas (em Lyon e em Paris). Os outros 74 postos têm horários completos.

Dos 79 postos de professores correspondentes ao 1° e 2° ciclo do ensino básico, 52 estão região de Paris, seguindo-se 12 na área consular de Lyon, 4 na área consular de Bordeaux, 3 na área consular de Bordeaux e 3 na antiga área consular de Tours. Os restantes postos estão em Clermont-Ferrand, Lille, Orléans, Strasbourg e Toulouse, com um professor por cada uma destas regiões.

Mas, para além dos 79 postos de professores correspondentes ao 1° e 2° ciclo do ensino básico, também há 26 horários no ensino secundário, 11 dos quais de História.

Trata-se essencialmente de professores de Português e de História que lecionam nas Secções internacionais. Três professores de Português e 2 de História para as Secções internacionais de Lyon e de Grenoble), 1 professor de Português e um de História para a Secção Internacional de Nice, 3 professores de Português e 1 de História para a Secção internacional de Strasbourg e 8 professores de Português e 7 de História para as várias Secções internacionais da região de Paris.

De notar que esta rede de ensino de português em território francês é gerida diretamente pela Coordenadora do ensino de português em França, Isabel Sebastião e pelas duas Adjuntas de Coordenação, Ana Lisete Carlos e Patrícia Lagos. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”


Macau - Universidades portuguesa e macaense querem lançar programas conjuntos em nanotecnologia

A Universidade Nova de Lisboa (UNL) e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) querem lançar programas conjuntos em nanotecnologia, disse a cientista Elvira Fortunato

Em abril, o Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (i3N) da UNL inaugurou o Laboratório Conjunto Sino-Português de Optoeletrónica, que ficou sediado em Macau.

Fortunato e o marido, Rodrigo Martins, coordenador do i3N-NOVA, voltaram esta semana à região chinesa, onde chegaram a acordo com a MUST para a formação de estudantes, a partir do laboratório conjunto.

A universidade chinesa quer enviar para a UNL, a partir do próximo ano letivo, 2027/2028, alunos de mestrado e de doutoramento “com supervisão conjunta”, explicou Fortunato.

A cientista sublinhou que o Instituto de Ciência e Engenharia de Materiais da MUST tem, “este ano, pela primeira vez” 87 alunos de licenciatura na área das nanotecnologias.

Um programa que é “único aqui em Macau e não há muitos no mundo”, acrescentou a antiga ministra portuguesa da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2022-2024).

A UNL não tem uma licenciatura similar, mas Rodrigo Martins acredita que será possível uma adaptação, com os alunos de Macau a estudarem um ou dois anos em Lisboa.

O também Presidente da Academia Europeia de Ciências acredita que já em 2027 o i3N-NOVA poderá receber entre 20 e 30 alunos de licenciatura da MUST, entre 10 e 15 de mestrado e entre cinco e dez de doutoramento.

“A ideia é trazermos também professores para aqui, em períodos curtos”, explicou o cientista, para desenvolver projetos de investigação, que possam ainda “apoiar a formação dos alunos de doutoramento”.

Martins defende ainda que abrir as portas a alunos de licenciatura da MUST pode permitir à UNL “fazer uma internacionalização”, uma vez que Macau “vai fazer a ponte, provavelmente, no futuro, com a China”.

O reitor do Instituto de Ciência e Engenharia de Materiais da MUST admitiu à Lusa estar entusiasmado porque os alunos “poderão aceder a excelentes oportunidades educacionais em Portugal”.

O objetivo, explicou Lee Shuit-Tong, é que “a próxima geração de cientistas chineses tenha o benefício desta formação multicultural e científica e tecnológica de ponta” em Lisboa.

No sentido contrário, o reitor espera a também ida para Macau de alunos da UNL, tanto portugueses como de outros países lusófonos, em uma “excelente plataforma para promover tanto a educação como a investigação”.

No futuro, Lee espera que a colaboração leve à criação de cursos em co-tutela, em que os alunos receberiam diploma das duas instituições. “Gostaríamos que fosse de cotutela e penso que os estudantes também”, explicou.

A MUST vai pedir autorização ao Governo de Macau para avançar com programas conjuntos e Lee, membro da Academia Chinesa de Ciências, disse estar otimista sobre a resposta.

“Este é também o desejo tanto do Governo de Macau como também do país. Porque Macau tem uma missão muito específica de ser uma espécie de janela da China para o mundo, particularmente na área da ciência e da tecnologia”, explicou Lee.

Durante a passagem pela China, Elvira Fortunato soube que foi distinguida com o Prémio de Amizade Chinês, um dos mais prestigiados reconhecimentos atribuídos por Pequim a personalidades estrangeiras.

A cerimónia de entrega do prémio a Fortunato terá lugar em Pequim, em 30 de setembro, precisamente um ano depois de ter sido o marido Rodrigo Martins a receber a mesma distinção.

O prémio criado em 1950 já foi entregue a cerca de duas mil pessoas, mas Elvira Fortunato e Rodrigo Martins são o primeiro casal a conquistá-lo.

“É um orgulho muito grande, não só para nós, mas acima de tudo, também para Portugal”, disse Fortunato.

Rodrigo Martins confessou que deverá aprofundar ainda a colaboração com a China, após se jubilar, o que irá acontecer já em setembro, tornando-se coordenador de um outro laboratório sino-europeu.

O Laboratório Conjunto de Materiais Eletrónicos China-União Europeia nasceu em Hefei, capital da província de Anhui, no leste da China, e, no lado europeu, é liderado pela UNL. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”

 

Lágrima











Vamos aprender português, cantando

 

Lágrima

 

Cheia de penas

cheia de penas me deito

e com mais penas

e com mais penas me levanto

no meu peito

já me ficou no meu peito

este jeito

o jeito de te querer tanto

 

Desespero

tenho por meu desespero

dentro de mim

dentro de mim o castigo

eu não te quero

eu digo que não te quero

e de noite

de noite sonho contigo

 

Se considero

que um dia hei de morrer

no desespero

que tenho de te não ver

estendo o meu xaile

estendo o meu xaile no chão

estendo o meu xaile

e deixo-me adormecer

 

Se eu soubesse

se eu soubesse que morrendo

tu me havias

tu me havias de chorrar

por uma lágrima

por uma lágrima tua

que alegria

me deixaria matar

 

Por uma lágrima

por uma lágrima tua

que alegria

me deixaria matar 

 

Dulce Pontes - Portugal

Composição:

(Letra) Amália Rodrigues – Portugal

(Música) Carlos Gonçalves - Portugal

 

sábado, 29 de agosto de 2026

Moçambique - Noémia de Sousa celebrada no centenário do seu nascimento

O legado e a obra da poetisa moçambicana Noémia de Sousa estiveram em destaque numa sessão de conversa realizada, esta quinta-feira, na cidade de Maputo, no âmbito das celebrações do centenário do seu nascimento.

O encontro reuniu artistas, escritores e outras personalidades ligadas às artes e à cultura, que revisitaram a trajectória e a contribuição da autora de Sangue Negro para a literatura moçambicana.

Convidada para o encontro, a actriz Ana Magalhães destacou a importância de preservar e divulgar o legado de Noémia de Sousa, que considera uma mulher de luta e uma referência na formação de jovens através da arte e da poesia.

Para a actriz, uma das melhores formas de Moçambique continuar a homenagear a poetisa é promover iniciativas que mantenham viva a sua obra, levando os seus escritos às novas gerações e divulgando também a sua luta.

Ana Magalhães defendeu igualmente a necessidade de aproximar os jovens da obra da poetisa e incentivá-los à leitura e à escrita, sublinhando que o desenvolvimento de qualquer talento exige dedicação, aprendizagem e estímulo.

“Os jovens devem ler, devem tentar escrever e devem tentar perceber o que os rodeia. Ninguém nasce a saber”, afirmou a actriz.

A artista lembrou ainda que nenhuma profissão ou vocação surge de forma espontânea, sendo necessário tempo, dedicação e apoio para desenvolver capacidades.

Nascida em Catembe, em 1926, Noémia de Sousa destacou-se como poetisa, jornalista e tradutora. A sua obra, marcada por uma forte dimensão social e de afirmação da identidade moçambicana, tornou-a numa das principais referências da literatura nacional.

A autora de Sangue Negro morreu em 2002, deixando uma obra que continua a influenciar novas gerações de escritores e artistas moçambicanos. In O País” - Moçambique


Cabo Verde - Paulo Rosa apresenta “Ocultação” numa viagem entre a cultura cabo-verdiana e a arte contemporânea

Cidade da Praia – O batuque, a tabanca, o funaná, a emigração e outras referências da cultura cabo-verdiana ganham novas formas na exposição “Ocultação”, do artista plástico Paulo Rosa, numa proposta que cruza memória, identidade e arte contemporânea.


Com 17 obras, a exposição encontra-se patente na Câmara Municipal da Praia, até ao final deste mês, e convida o público a descobrir, entre figuras, cores e formas, diferentes leituras da identidade e da cultura cabo-verdiana.

“O próprio título da exposição é ‘Ocultação’, como uma mistura de sibites, qualquer coisa relacionada com forças misteriosas que actuam na mente humana”, explicou Paulo Rosa à Inforpress.

Nascido na cidade da Praia, em 1969, o artista construiu um percurso ligado às artes plásticas e à formação artística, com estudos de arte em Portugal e experiências como professor de pintura e coordenador de workshops e cursos.

Na exposição, recupera elementos da cultura cabo-verdiana e apresenta-os através de uma linguagem contemporânea, com o propósito de aproximar diferentes gerações da criação artística.

“Os temas são bem relacionados com os tradicionais. O batuque, a tabanca, o coração de João, a emigração”, afirmou.

Através da pintura, Paulo Rosa revisita manifestações culturais que, em determinados períodos, enfrentaram resistência e perderam espaço na sociedade cabo-verdiana. Entre elas está a tabanca que, segundo o artista, chegou perto do desaparecimento antes de recuperar a visibilidade.

O batuque também ocupa um lugar na exposição, numa abordagem que procura preservar a ligação às raízes culturais e, ao mesmo tempo, acompanhar novas linguagens artísticas.

“A arte é também a própria época”, defendeu, considerando que o artista deve acompanhar a modernidade sem abandonar os elementos da sua realidade.

Entre as obras apresentadas está “Cotxipó”, inspirada na música e na dança modernas de Cabo Verde.

A relação entre realidade e imaginação constitui outra dimensão de “Ocultação”. As figuras humanas surgem entre diferentes camadas de cor e matéria, sem uma representação totalmente definida, deixando ao visitante espaço para construir a sua própria interpretação.

A aproximação às novas gerações acompanha também o percurso de Paulo Rosa, que durante vários anos se dedicou ao ensino da pintura em diferentes instituições do país.

“Estou feliz por ver novas gerações com trabalhos artísticos modernos”, afirmou o artista, que defende a continuidade da criação e a renovação das formas de expressão.

Com várias exposições realizadas em Cabo Verde e na diáspora, Paulo Rosa recebeu distinções no domínio das artes plásticas, entre as quais o primeiro prémio num concurso nacional de pintura e um Diploma de Mérito Cultural atribuído pelo Ministério da Cultura.

Actualmente, é membro da Comissão de Artes Plásticas da Sociedade Cabo-verdiana de Autores (SOCA) e mantém uma actividade artística independente.

Depois de “Ocultação”, o artista prepara novos projectos. Entre os planos estão possíveis exposições na Assembleia Nacional e num espaço localizado na zona da Trópico, além de convites para apresentar os seus trabalhos em São Vicente e Santa Maria.

Paulo Rosa admite ainda uma deslocação ao Ceará, no Brasil, com o propósito de levar a sua pintura a novos públicos e mostrar a dimensão universal de temas inspirados na realidade cabo-verdiana.

“A fim de poder mostrar aos outros povos a universalidade dos temas que também são pintados em Cabo Verde”, explicou.

Em “Ocultação”, Paulo Rosa parte de elementos reconhecíveis da cultura cabo-verdiana para construir uma linguagem que não se revela por completo ao primeiro olhar.

Entre figuras, cores e formas, cada visitante é convidado a descobrir aquilo que a pintura revela e o que permanece oculto. In “Inforpress” – Cabo Verde


China - Reforma abre novas oportunidades a advogados portugueses em Macau

Os advogados de Macau, incluindo os portugueses, vão poder, a partir de 01 de setembro, exercer em nove cidades do sul da China, segundo uma reforma aprovada pelo parlamento chinês


O Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, o órgão legislativo máximo da China, aprovou na sexta-feira alterações à lei que regula o exercício da advocacia.

As mudanças abrem as portas da região da Grande Baía a advogados das duas regiões semiautónomas de Macau e Hong Kong, que passam a poder prestar serviços jurídicos específicos nas áreas cível e comercial.

A Grande Baía é um projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros.

Para exercer na província vizinha, os advogados de Macau terão de primeiro passar num exame jurídico organizado pelo departamento de administração judicial do Conselho de Estado (o Executivo chinês).

O mesmo departamento irá definir também os requisitos de inscrição para o exame, os procedimentos de candidatura para o exercício da advocacia e o âmbito da prática permitida.

O secretário para a Justiça de Hong Kong, Paul Lam Ting-kwok, disse que a reforma aprovada pelo parlamento acaba por tornar definitivo um programa-piloto lançado em agosto de 2020.

Paul Lam sublinhou que, em junho, o programa já permitia que mais de 650 advogados de Hong Kong e Macau prestassem serviços jurídicos na Grande Baía em matéria civil e comercial.

Alguns atuaram perante tribunais da China continental como representantes em litígios e conduziram casos de arbitragem, acrescentou o dirigente, num comunicado.

Em 2024, o presidente da Associação dos Advogados de Macau, Vong Hin Fai, disse que, dos cerca de 450 inscritos, 40% eram oriundos de países lusófonos e 80% dominavam a língua portuguesa.

Vong Hin Fai falava antes de liderar uma delegação da Ordem de Advogados de Macau numa visita a Portugal, onde se encontrou com a Ordem dos Advogados de Portugal.

No entanto, não houve qualquer anúncio sobre uma eventual reativação de um protocolo entre as duas ordens que facilitava a inscrição e o início do exercício para advogados portugueses em Macau, e que está suspenso desde 2013. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Cabo Verde - Elly Paris lança novo single “A Bh Oia Caga” focado no autoconhecimento e na superação

Cidade da Praia - A cantora cabo-verdiana Elly Paris disponibilizou no sábado, 22, nas plataformas digitais o seu mais recente single, intitulado A Bh Oia Caga, informou em comunicado a produtora da artista.


De acordo com a nota, o tema apresenta uma sonoridade dançante e motivadora, pretendendo incentivar os ouvintes a ignorar críticas externas e imposições que condicionem o seu processo criativo e crescimento pessoal.

“Afirmar a necessidade de autoconhecimento e blindar-se de opiniões externas. Demonstra ainda que conseguimos sempre enquadrar-nos e adaptar-nos em qualquer área em que nos empenhamos”, explicou a artista no comunicado.

Elly Paris destaca ainda que o trabalho pretende transmitir uma mensagem de resiliência, sublinhando que as falhas fazem parte do percurso e que o foco deve residir na capacidade de superação e continuidade dos projectos.

O single nasce da colaboração entre Elly Paris e os compositores Ginguh e Hamilton, contando com a produção musical e beat a cargo de Kelton Beats. In “Inforpress” – Cabo Verde


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Macau - Mostra colectiva celebra 23 anos da Creative

Três dezenas de artistas dão corpo à exposição “Present” que hoje será inaugurada na Galeria da Creative. A mostra colectiva assinala o aniversário do centro para actividades criativas. Lúcia Lemos, antiga directora e também artista, disse ao Jornal Tribuna de Macau que “o espírito do projecto inicial” se tem mantido, atraindo os criadores locais


A Creative está a celebrar 23 anos desde que foi fundada, em 2003, e para assinalar a data inaugura hoje, pelas 18h30, a exposição colectiva dos seus membros, denominada “Present” (“Presente”, na tradução para português), que integra obras diversificadas de 30 artistas residentes de Macau.

A mostra, que estará patente até 25 de Setembro, “acende a paixão artística do centro para as actividades criativas por ocasião do aniversário, celebrando a liberdade criativa sem limites”, diz o manifesto divulgado pela Creative. A exposição “defende cada voz única e convida os membros da Creative a darem asas às suas visões interiores através da arte visual surrealista”.

Explorando o duplo significado de “Present” – “como um presente artístico que transporta as emoções mais profundas do criador e como o momento fugaz congelado na arte eterna”, sublinha a introdução da mostra, na qual os “talentos” da Creative são encorajados a aproveitar a linguagem vanguardista do surrealismo – “utilizando metáforas simbólicas, perspectivas distorcidas e colagens irracionais em vários meios de comunicação – para transcender a realidade”, expressa o curador.

Em última análise, reforça, “estes trabalhos estabelecem uma ponte entre o criador, a obra de arte e o público, oferecendo reflexões profundas sobre o momento presente como um presente para o mundo”.

Os artistas participantes são: Alex Chao Io Chong, Alice Costa (Lili), Angel Chan, Angela Hoi Ka Ian, Christopher Lei, Coco Ut Man, David K.K. Chio, Denis Murrell, Fernando Simões, Ho Kuan Mui, Ho Si Man, Huang Min Yi, Irene Chio, Jenny Chio, José Sales Marques, Julia Lam, Justin Chiang, Justin Ung, Ken C.I. Chau, Liesl Lee, LiLi, Lúcia Lemos, Lynette Clennell, m.chow, Maria João Das, mavin zin, Papa Osmubal, Sofia Ung, Tchusca Songo e Yaya Vai.

Ao longo dos 23 anos, a Creative já organizou cerca de 230 exposições, a nível individual e colectivo, num percurso que contou com a divulgação de mais de seis mil obras. Actualmente, a organização cultural possui mais de 500 membros.

Men Chow, coordenador da Creative e curador da mostra. disse ao Jornal Tribuna de Macau que a galeria “funciona como uma plataforma dinâmica para que os criativos locais possam CRIAR, capacitando-os a transformar pensamentos intangíveis, ideias e observações pessoais em obras tangíveis e visualmente cativantes, através de abordagens criativas distintas e orientadas para o indivíduo”. Nesse sentido, “os profissionais são convidados a experimentar, para além dos limites convencionais, e a darem forma física a conceitos que, de outra forma, poderiam permanecer por expressar”, salienta.

Para esta exposição, a Creative lançou um desafio temático deliberado aos seus membros participantes. Na sua maioria, as peças são totalmente novas, moldadas através de uma perspectiva surrealista.

“Estas obras de arte imaginativas e impregnadas de sonhos assinalam um marco significativo, constituindo um presente comemorativo sincero para o nosso aniversário”, enfatiza Men Chow. Mais importante ainda, diz, “cada peça representa um ponto de viragem criativo para cada artista envolvido: estabelece as bases para o seu conjunto de obras pessoais em desenvolvimento e para futuras colecções”.

Consequentemente, o que o público encontra nesta exposição é uma forma “Presente”, “um instantâneo vivo – o momento presente e vívido da colecção artística em evolução de cada criador, captando o ponto em que a sua prática se encontra neste momento, ao mesmo tempo que sugere as direcções que a sua arte poderá tomar nos anos que se seguem”, conclui.

Lúcia Lemos, antiga directora da instituição, que exerceu o cargo durante duas décadas, disse ao Jornal Tribuna de Macau que a Creative tem mantido o objectivo para o qual foi criada.

“O projecto em que me envolvi, com o apoio do Instituto de Estudos Europeus, era uma ideia antiga que eu ajudei a concretizar”, salienta, mostrando-se satisfeita por ver que “actualmente o espírito do projecto inicial, que era de convidar e atrair pessoas com ligação a Macau para que pudessem expor as suas ideias, continua de pé e a apoiar os artistas locais, a quem sempre se exigiu o mínimo de qualidade”.

A criadora, que considera ser uma “sensação boa” ela própria continuar a expor numa casa onde trabalhou durante vários anos, vai apresentar dois trabalhos nesta exposição “Present”. Um deles, “Geração das Mulheres Silenciosas”, utiliza técnicas mistas e expressão plástica, incluindo pintura e colagem.

“É uma espécie de memória, que pretende partilhar e lembrar às pessoas aquela história das mulheres de família, donas de casa, jovens que não tinham possibilidade de ser independentes economicamente, numa história trágica da geração feminina da minha mãe”, salienta.

A outra obra, uma instalação intitulada “Ninho de Pássaro”, utiliza mais de 200 metros de recibos enrolados que Lúcia Lemos guardou, de despesas pagas em hospitais e clínicas, das muitas sessões de fisioterapia a que teve de se sujeitar durante cerca de dois anos, na sequência de uma queda que lhe provocou uma lesão na mão e no braço. “Esses muitos metros de recibos deram voz à minha angústia desse período e, por isso, criei de forma simbólica um ninho como abrigo”, disse a artista. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Moçambique - Énia Lipanga entre os 54 semifinalistas do Oceanos 2026 e única mulher moçambicana na lista

Énia Lipanga, João Paulo Borges Coelho e Lucílio Manjate estão entre os escritores moçambicanos selecionados para a semifinal do Prémio Oceanos 2026, que reúne 54 livros de prosa e poesia escolhidos entre 3086 obras inscritas. Lipanga é a única mulher moçambicana entre os oito autores de Moçambique que avançaram nesta edição.

A escritora e activista social Énia Lipanga foi selecionada na categoria de prosa com o livro Sob a capulana do destino e outros contos, publicado pela editora Nandyala. A obra integra a lista de 26 semifinalistas de prosa, ao lado de autores brasileiros e portugueses, entre outros nomes da literatura de língua portuguesa.

Na mesma categoria, Moçambique é representado ainda por João Paulo Borges Coelho, com Narração nocturna, publicado pela Editorial Fundza, e Lucílio Manjate, com Última memória entrevista com Sthoe, da Alcance Editores.

Na poesia, os cinco autores moçambicanos semifinalistas são Zacarias Nguenha, com Costurar a linguagem; Ben Jone, com Para espantar horror do tempo; Britos Baptista, com Para o naufrágio do fogo; Pedro Pereira Lopes, com Tratado das coisas sensíveis; e Whaskety Fernando, com Tratado sobre noite.

Com oito autores selecionados, Moçambique integra o grupo de países representados na semifinal do Oceanos 2026, ao lado de Angola, Brasil e Portugal. A seleção reúne 26 títulos de prosa e 28 de poesia, publicados por selos editoriais brasileiros, moçambicanos e portugueses.

A próxima fase será conduzida por dois júris intermediários, um dedicado à prosa e outro à poesia, compostos por integrantes de Angola, Brasil, Moçambique e Portugal. Até 12 de outubro, os júris deverão avaliar os 54 semifinalistas e selecionar cinco livros de cada categoria para a fase final.

Os dez finalistas serão posteriormente avaliados por um novo júri internacional, que escolherá um vencedor na categoria de prosa e outro na categoria de poesia.

A presença de Énia Lipanga entre os semifinalistas coloca Sob a capulana do destino e outros contos no circuito de uma das principais premiações dedicadas à literatura escrita em língua portuguesa, ao mesmo tempo que marca a presença de uma mulher moçambicana entre os autores do país selecionados nesta edição. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Estados Unidos da América - Angola participa nas celebrações do African Landing

O ministro da Cultura, Filipe Silvino de Pina Zau, encabeça uma delegação angolana que participa nas comemorações do African Landing, que decorre de 28 e 29 de Agosto, no estado da Virgínia, Estados Unidos da América.


Segundo uma nota de imprensa a que tivemos acesso, no programa do evento, que terá lugar na cidade de Hampton, consta a inauguração, no Memorial do Desembarque Africano 1619, das esculturas de Isabella, Anthony e William Tucker.

O programa reserva ainda, para a delegação angolana, uma participação numa noite de jazz promovida pela William Tucker 1624 Society, assim como a apreciação de uma exposição organizada pela Embaixada da República de Angola nos Estados Unidos da América.

Segundo a nota, a exposição será dedicada às relações bilaterais entre Angola e os Estados Unidos, com enfoque para os principais resultados da cooperação diplomática, política, económica e cultural entre os dois países.

A comitiva angolana é composta pelo embaixador de Angola nos Estados Unidos da América, Agostinho Vand-Dúnem, membros do Gabinete do Ministério da Cultura e diplomatas nacionais. In “O País” - Angola


Países Baixos - Tribunal condena o ruandês Eugene N. a prisão perpétua por genocídio de 1994

Um tribunal dos Países Baixos condenou o cidadão ruandês Eugene N. a prisão perpétua por ter participado no massacre de três mil pessoas de origem tutsi durante o genocídio de 1994



"As infrações cometidas pelo arguido chocaram profundamente a sociedade. Trata-se de uma violação considerável da ordem jurídica no Ruanda e em todo o mundo", declarou o juiz do tribunal distrital de Haia.

"Justifica-se a pena de prisão perpétua. Portanto, é essa a pena que vamos proferir", afirmou.

Além da participação no massacre, Eugene N., de 66 anos, foi considerado culpado pela pilhagem e destruição de casas durante a vaga de violência ocorrida em abril de 1994 no Ruanda.

Na mesma altura, cerca de três mil pessoas que procuravam refúgio num estádio de futebol em Mbazi, sul do Ruanda, foram massacradas.

O suspeito lançou pessoalmente uma granada num estádio onde se encontravam homens, mulheres e crianças, acusou a procuradora holandesa durante uma audiência do julgamento, em junho.

Eugene N. negou as acusações e declarou aos juízes que ele próprio tinha sido vítima de violência.

"Não cometi nenhum dos atos que me são imputados", afirmou, com a voz distorcida e com o rosto ocultado a pedido da defesa, por razões de segurança.

"Não podia ter participado nestes eventos, nos quais membros da minha família também foram mortos", afirmou Eugene N.

Mais de 800 mil pessoas, sobretudo da minoria tutsi, foram mortas na primavera de 1994 no Ruanda, de acordo com as Nações Unidas.

De acordo com as autoridades holandesas, o suspeito era procurado pelo Ministério Público do Ruanda, que tinha emitido um mandado de detenção internacional em 2014.

Tendo adquirido a nacionalidade holandesa e residindo nos Países Baixos desde 1998, não pode, no entanto, ser extraditado para o Ruanda.

Os investigadores holandeses analisaram o caso desde 2020 e ouviram dezenas de testemunhas, incluindo no Ruanda.

Os tribunais dos países europeus julgaram e condenaram dezenas de pessoas envolvidas no genocídio no Ruanda com base no princípio da jurisdição universal, que permite julgar os crimes mais graves, mesmo que tenham sido cometidos em países estrangeiros. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”