Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Macau - Três estátuas das Ruínas de São Paulo restauradas “com êxito”

O Instituto Cultural anunciou a reabertura do Museu de Arte, da Cripta e da exposição de realidade virtual, depois de ter sido concluída “com êxito” a segunda fase dos trabalhos de restauro das estátuas da fachada das Ruínas de São Paulo. O arranque e a conclusão da terceira e última fase estão agendados para este ano


O Centro de Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau concluiu “com êxito” a segunda fase dos trabalhos de restauro e manutenção, que envolveu três estátuas, incluindo duas de bronze e uma de Jesus Cristo, no segundo e quarto nível das Ruínas de São Paulo, respectivamente. A nota de imprensa do Instituto Cultural refere que o Museu de Arte Sacra, a Cripta e a exposição de realidade virtual localizados atrás da fachada já reabriram ao público.

Recorde-se que, no último ano, o Centro de Preservação iniciou os trabalhos de restauro e manutenção das sete estátuas de bronze na fachada das Ruínas, sob as operações de uma equipa composta por especialistas em conservação de metais, internacionais e do Museu do Palácio, entre outros profissionais de instituições de ensino superior.

A primeira fase, relativa à estátua da Virgem Maria e outras duas de bronze do segundo nível, foi concluída no ano passado. O IC prevê que a terceira fase, respeitante aos trabalhos de restauro da estátua da Pomba no nível superior, seja concluída ainda este ano.

No mês passado, King Hong Ip, professora de investigação da Universidade de Macau, vincou que a intervenção na estátua da pomba necessita de uma avaliação sobre a segurança pública efectuada por engenheiros estruturais, por se encontrar num estado “relativamente mau” e num local alto. Referiu também que esta fase “exige uma investigação profunda por parte de peritos em metais metálicos sobre a compatibilidade entre os materiais originais e os de restauro, no sentido de evitar danos secundários”.

A propósito do simpósio, a presidente do IC, Leong Wai Man, sublinhou então que “ao salvaguardar este património emblemático, testemunha secular do diálogo entre o Oriente e o Ocidente, o Centro pretende promover a partilha de técnicas de restauro entre a tradição e a modernidade, conferindo um novo significado contemporâneo à transmissão das civilizações”.

Em relação ao restauro das Ruínas, o IC explica que “no plano, foram devidamente considerados factores como a época dos tufões, a segurança no local de trabalho, os períodos de pico turístico e os principais eventos”.

Anteriormente, o organismo clarificou que o longo período de exposição ao sol e à chuva e o envelhecimento natural tornaram necessários a manutenção e restauro adequados das estátuas de bronze e das suas bases de pedra. Nesse sentido, assegurou que iria proceder às obras seguindo de forma rigorosa os requisitos internacionais de preservação e restauro do património cultural e monumentos e tendo por base os princípios de autenticidade, integridade, intervenção mínima e reversibilidade. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 18 de julho de 2022

Camboja - Tenta recuperar os seus tesouros saqueados


De dançarinos celestiais a estátuas de Budas, o Camboja está a tentar recuperar milhares de esculturas saqueadas de seus icónicos templos de Angkor e outros monumentos, e vendidas a coleccionadores internacionais e até museus de prestígio.

Autoridades cambojanas teriam recuperado mais de 600 obras desde 1996, mas ainda têm um longo caminho a percorrer para recuperar todas as peças perdidas.

Em Maio, escreveram ao governo britânico, ao Museu Britânico e ao Museu Victoria and Albert (V&A) sobre cerca de 150 obras khmer que podem ter sido roubadas.

“Actualmente, estamos cientes de milhares de estátuas em museus e colecções particulares fora do Camboja”, disse Brad Gordon, advogado da Edenbridge Asia que assessora o governo cambojano nos seus esforços de recuperação.

“Estamos a rastrear propriedades culturais cambojanas saqueadas em vários países, como Reino Unido, EUA, França, Alemanha e outros lugares. Também estamos a pesquisar bens culturais cambojanos em mais de 100 museus, do Metropolitan Museum ao British Museum e à National Gallery of Australia”, disse à EFE.

“Algumas instituições estão a ser extremamente gentis e cooperativas, como a Galeria Nacional da Austrália, enquanto outras são tímidas”.

A maioria das peças roubadas pertence ao antigo Império Khmer, uma civilização hindu-budista que dominou grandes áreas do Sudeste Asiático entre os séculos IX e XV e construiu os impressionantes templos de Angkor, declarados Património da Humanidade pela UNESCO.

A pilhagem cambojana ocorreu principalmente na tumultuosa era da década de 1960, durante a década de 1990 e até a década de 2000, incluindo a guerra civil relacionada ao conflito no Vietname, o regime genocida do Khmer Vermelho e a década seguinte sob ocupação vietnamita.

As rotas daqueles que roubaram as esculturas passavam principalmente pela Tailândia e instruíram os moradores locais a roubar as obras dos templos Khmer, pagando cerca de 12 dólares norte-americanos por noite, escreveram Simon Mackenzie e Tess Davis no artigo académico “Temple looting in Cambodia: Anatomy of The Statue Trafficking Network”.

Numa carta endereçada à secretária de cultura britânica Nadine Dorries em 12 de Maio, o governo cambojano frisou que “lançou uma campanha mundial para a devolução das suas antiguidades roubadas, muitas das quais foram removidas de antigos templos do Camboja durante as décadas de guerra civil, guerra e genocídio em nosso país”.

A carta, assinada pela ministra da Cultura e Belas Artes Phoeurng Sackona, afirma que algumas obras cambojanas saqueadas “durante um período de caos” acabaram nos museus britânico e V&A-Victoria e Albert Museum. Também lembra a Dorries que o contrabando de obras culturais é proibido pela Convenção de Haia de 1954 e pela Convenção de 1970 sobre os Meios de Proibir e Prevenir a Importação, Exportação e Transferência Ilícitas de Propriedade de Bens Culturais, e pede sua ajuda para recuperar as obras.

Ainda na carta, a ministra realçou que “muitas” peças passaram pelas mãos do negociante de antiguidades britânico Douglas A. Latchford, que morreu em 2020 aos 88 anos. Em 2019, ele foi acusado em Nova Iorque de “fraude electrónica, contrabando, conspiração e acusações relacionadas ao tráfico de antiguidades cambojanas roubadas e saqueadas”, segundo o departamento de justiça dos EUA, que acrescentou que estava foragido e residia na Tailândia.

No ano passado, foi finalizado um acordo para a filha de Latchford, Nawapan Kriangsak, devolver cerca de 125 obras ao Camboja avaliadas em cerca de 50 milhões de dólares, segundo a Artnet News. Em Janeiro, o criador do Netscape, James H. Clark, entregou 28 antiguidades ao Camboja, além de outras para a Índia, Mianmar e Tailândia, que comprou do coleccionador britânico por cerca de 35 milhões entre 2003 e 2008.

Nas cartas aos museus, as autoridades cambojanas pedem ao Museu Britânico que verifiquem as autorizações e licenças de 100 peças que poderiam ter sido saqueadas e pedem ao V&A que faça o mesmo com outras 50 obras.

A esse respeito, Gordon diz que o Camboja não emitiu licenças de exportação de património no passado, excepto em presentes feitos pelo seu rei.

“Se existir fora do Camboja, é altamente provável que uma propriedade cultural cambojana seja roubada”, comentou o advogado. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”