Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Angola - É absolutamente determinante que a nova realidade seja verdade

O filósofo Fernando dos Santos Neves manifestou o desejo de que "a nova realidade de Angola com democracia, com João Lourenço na Presidência, seja "uma verdade que se torne numa certeza".

Fernando dos Santos Neves, autor do livro «Quo Vadis Angola?», apresentado na União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), em Lisboa, afirmou que "é absolutamente determinante que esta nova realidade seja verdade".

"Não foi um acaso que a última palavra de João Lourenço, no discurso da tomada de posse como Presidente de Angola, foi democracia, que é uma das necessidades maiores", referiu o autor do livro, que aborda o ecumenismo em Angola no período de 1967 a 2017.

Considerado o pai teórico da Lusofonia, Fernando dos Santos Neves notou que "é preciso começar, o que não significa começar de novo a fazer Angola".

"É preciso começar simplesmente, porque há todo um país para fazer e espero que seja verdade esta nova realidade nos tempos futuros. É o meu desejo, o meu voto e gostaria que fosse uma certeza", reforçou.

"Esta nova realidade em Angola é absolutamente necessária por causa das dificuldades do país", sustentou.

Fernando dos Santos Neves aludiu ao papel de Portugal "para ajudar na construção de Angola, sem entrar em novos colonialismos e sem complexos".

O autor da Declaração de Luanda de 2002 - feita à imagem da Declaração de Bolonha -, declarou que também a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) "deve fazer alguma coisa por Angola".

"A CPLP, que tem sido mais um nado-morto do que outra coisa qualquer, tem de ter um papel mais activo", frisou, salientando que a organização deve também "preocupar-se com tudo aquilo que diz respeito ao desenvolvimento deste espaço lusófono".

O secretário-geral da UCCLA, Vítor Ramalho, que prefaciou a obra "Quo Vadis Angola?", salientou "o profundo conhecimento de Fernando dos Santos Neves da realidade de Angola".

Ramalho realçou "a inevitabilidade da mudança em Angola", referindo-se à saída de José Eduardo dos Santos, depois de mais de três décadas no poder e ao emergir de João Lourenço.

"João Lourenço transmitiu já à opinião pública mundial um conjunto de princípios aceites pela comunidade internacional, entre os quais o combate à corrupção", disse o secretário-geral da UCCLA.

Vítor Ramalho lembrou que o pensador "tomou posições em defesa da liberdade e da independência de Angola e isso conduziu-o a ter de ser exilado, em Paris e em Roma". In “Novo Jornal” – Angola com “Lusa”

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Cabo Verde - Três em cada quatro cabo-verdianos insatisfeitos com funcionamento da democracia

Três em cada quatro cabo-verdianos mostram-se nada ou pouco satisfeitos com o funcionamento da democracia, concluiu uma sondagem divulgada no passado dia 25 de Abril, acrescentando que quase metade considera que a democracia do país tem grandes problemas



Segundo os primeiros resultados do estudo do Afrobarometer/Afrosondagem relativo à Democracia em 2017, mais de três quartos (76%) dos cabo-verdianos mostram-se nada/pouco satisfeitos com o funcionamento da democracia.

Quase metade (44%) considera que o país tem uma democracia "com grandes problemas" e que a maioria (82%) dos políticos nunca/poucas vezes faz o melhor para ouvir aquilo que o povo tem para lhes dizer.

Apesar das críticas ao funcionamento, a maioria dos cabo-verdianos (70%) considera que a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo.

A sondagem notou que a maioria dos cabo-verdianos (70%) afirma que as pessoas são totalmente livres para dizerem o que pensam sobre a política e que seis em cada 10 consideram que a imprensa é livre para investigar e documentar os erros do Governo ou criticar as suas atividades e/ou desempenho.

Dois em cada três cabo-verdianos afirmam que os cidadãos têm liberdade para se filiar em qualquer organização política.

Sobre as formas de governar, a maioria (81%) dos cabo-verdianos aprova o multipartidarismo, contra 16% dos cabo-verdianos que ainda aprovam o monopartidarismo.

Quanto à escolha dos líderes, a maioria dos cabo-verdianos (72%) entendem que deve ser feita através de eleições, enquanto 12% acham que deveria ser por outros meios, que não especificam.

Relativamente ao grau de democracia, uma pequena proporção dos cabo-verdianos (13%) considera que o país tem uma democracia completa, mais de um terço (37%) entendem que há pequenos problemas.

O estudo analisou também as atitudes face ao mercado e à economia, onde a maioria dos cabo-verdianos (58%) consideram que o país está sendo dirigido na direção errada, contra 38% que defendem que o país está na direção certa.

Relativamente à atual condição económica do país, é considerada má por cerca de metade dos cabo-verdianos (47%), numa apreciação idêntica à dos resultados registados em 2014.

Segundo o inquérito, pouco mais de um quinto dos cabo-verdianos qualificam as suas condições de vida como sendo boas e a maioria (72%) acha que vai melhorar nos próximos tempos.

Sobre a segurança, o estudo concluiu que a perceção de insegurança vem diminuindo ao longo dos anos, mas mesmo assim continua num grau elevado em Cabo Verde.

"A diferença entre a perceção da violência e a realidade vivida em termos de segurança é bastante acentuada, sendo que a maioria dos cabo-verdianos não têm sido vítimas de qualquer tipo de violência", constatou a Afrosondagem.

A Afrosondagem está ligada à Afrobarometer, uma rede de pesquisa apartidária em 36 países africanos, e já realizou inquéritos idênticos em 2002, 2005, 2008, 2011 e 2014 sobre as atitudes dos cidadãos em matéria de democracia, governação, economia, sociedade civil, e outros tópicos.

Nesta sondagem, com recolha de dados entre 20 de novembro e 05 de dezembro de 2017, foram entrevistadas cerca de 1.200 pessoas com mais de 18 anos nas ilhas de Santo Antão, São Vicente, Fogo e Santiago, e o estudo tem uma margem de confiança de 95%.

A Afrosondagem vai fazer ainda novas apresentações sobre confiança nas instituições, performance do Governo, avaliação do estado da justiça, corrupção, equidade e igualdade de género e participação política. In “Contacto” - Luxemburgo





terça-feira, 3 de abril de 2018

Brasil: a questão democrática e a soberania

Seminário

Brasil: a questão democrática e a soberania

Adão Villaverde (Professor na Escola Politécnica da PUCRS)

4 de abril de 2018, 19h00

Casa do Alentejo (Lisboa)

Discute-se a conjuntura brasileira atual, comparando as ameaças à democracia com o cenário que levou ao golpe no ano de 1964 e descortinou uma ditadura no país por mais de 25 anos. Na sua exposição, baseada em livro publicado recentemente, o autor aborda vários temas desde o ajuste fiscal e o Estado mínimo, ao neoliberalismo e à ameaça aos direitos sociais, principalmente aos trabalhistas. Em geral, trata-se de contrariar o argumento dos adversários da democracia de que um mundo sem política e sem políticas seria melhor.

Nota biográfica

Adão Roberto Rodrigues Villaverde é Professor na Escola Politécnica da PUCRS, foi Secretário de Estado do Rio Grande do Sul-Brasil, nas áreas de Ciência, Tecnologia e Inovação e Coordenação e Planeamento, na administração do Governador Olívio Dutra.

Foi também Presidente do Fórum Nacional de Ciência e Tecnologia do Brasil e da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul.

Deputado estadual do Partido dos Trabalhadores, é o autor da designada "Lei Villaverde" que estabelece o controle sobre o enriquecimento ilícito do gestor público e da "Lei Kiss" de segurança e prevenção contra incêndios, depois da tragédia que vitimou 242 jovens numa boate na cidade de Santa Maria. Centro de Estudos Sociais – Universidade de Coimbra



sábado, 23 de setembro de 2017

Catalunha – Francisco Franco, o ditador, regressou vitorioso

O processo de independência do povo catalão, promovido através da convocatória ao voto em 1 de outubro e suportado pela lei do referendo e pela lei da transitoriedade, encontrou uma incalculável resistência do governo presidido por Mariano Rajoy, cujas medidas confirmam que a Constituição de Francisco Franco continua em vigor na sua essência.



O ditador governou o país com uma mão de ferro. Dados aproximados indicam que cerca de 150 mil pessoas morreram entre 1936 e 1943, de acordo com documentos desclassificados e vários historiadores, em tempos da guerra civil e violência generalizada, sofrida tanto por republicanos como por outros opositores e membros de organizações políticas e sindicais.

Numa aplicação duma estratégia política, cultural, social, económica e laboral, aplicaram-se multas, apreensão de activos, arresto de contas bancárias, despedimentos, desqualificação laboral e profissional. Anulou-se a liberdade de expressão mediante a censura aos meios de comunicação social, juntamente com a proibição de reunião e a prisão ou a morte como medidas imparáveis. A repressão era a bandeira.

Em coerência com tal legado, Mariano Rajoy ordenou um pacote repressivo que inclui a obrigação para os autarcas investigados por assegurarem o referendo, comparecer perante juízes e procuradores sob pena de sanções. De igual modo, suspende a autonomia financeira da Catalunha e controla as suas contas, exigindo que os bancos controlem estritamente todos os movimentos do governo catalão e condicionem o pagamento de salários a milhares de funcionários públicos, servidores públicos e fornecedores.

Além disso, a Guarda Civil apreendeu milhares de cartazes de propaganda da Generalitat, notificações para as assembleias de voto e registos de eleitores, tudo no quadro de registos em empresas de distribuição, tipografias e comunicação social, bem como fez detenções arbitrárias.

Não é necessário grande esforço para recordar o regime fascista quando as forças de segurança confiscam urnas, votos e propaganda, fecham sítios de informação sobre o referendo e, até mesmo proíbem actos a favor da consulta, são medidas destinadas a atemorizar. Cabe recordar que o Tribunal Superior da Justiça da Catalunha solicitou à TV3, a televisão pública catalã, que limite a sua informação sobre o referendo de autodeterminação.

A Generalitat, por sua vez, insistiu na continuação do processo e interpôs recurso ao Supremo Tribunal espanhol para evitar a perda de sua autonomia financeira. Oriol Junqueras, vice-presidente do sistema autonómico catalão, expõe que o congelamento de contas tem por objetivo acabar com a autonomia da Catalunha, uma decisão que só poderia ser tomada pelo artigo 155 da Constituição, o que exigiria um debate prévio e uma votação de maioria absoluta no Senado. Juntamente com a comunidade catalã, muitos sectores da Espanha apoiam a luta pelos direitos civis na Catalunha, aos quais são adicionados avisos dos líderes internacionais sobre o caminho que este processo pode levar se não se recorrer à prudência.

Num país onde o neoliberalismo ou o capitalismo selvagem se instalou nos seus limites extremos, especialmente a partir do ex-primeiro-ministro Felipe González - caminho ractificado com Rajoy - e onde estima-se que cinquenta e oito mil novos ricos e um milhão e quatrocentos mil novos pobres são o resultado dos últimos quatro anos, seria preciso perguntar o que aconteceria agora.

No caso da votação for impedida através da violência do Estado, é muito provável que a situação interna se agrave e obrigue a um estado de excepção, recolher obrigatório e mais agressão, devido à resposta previsível dos cidadãos catalães. Como se sabe, os resultados da consulta, antes da repressão de Rajoy, poderiam ter negado a independência; agora é possível que um sector maioritário o aprove, dado os atropelos contra a população, a sua liberdade e os seus direitos.

Também é possível que uma percentagem que se opõe à independência não vá votar, e aumentará com aqueles que temem pelas suas vidas e das suas famílias e as sanções da máquina estatal.

Se a situação ficasse incontrolável, também poderia acontecer que, cooptando o PSOE, o Artigo 155 da Constituição Nacional seria activado para suspender a autonomia da Catalunha e remover todos os poderes transferidos pelo Estado, deixando-a indefesa financeiramente e sem poder real. Tudo isso agravaria a escalada repressiva e consequências imprevisíveis.

Independentemente do resultado, todas as pessoas têm o direito de manifestar o seu próprio pensamento, que pode ser aprovado ou não. Um governo inteligente deve ter a capacidade de concordar com a autonomia em vez de provocar a separação real. Certamente, os catalães, na maioria das vezes, nunca queriam chegar a uma situação extrema como a que levou muitos não-independentistas a considerar seriamente essa alternativa, depois de serem atacados por um governo central que até viola o seu direito ao salário. Assim, o único caminho razoável, próprio de estadistas sérios, é entrar num diálogo para avançar com projectos que garantam o bem-estar da Espanha e a justa autonomia da Catalunha.

Quando algumas cidades amanhecem com cartazes que mostram o ditador Franco pedindo para não votar no referendo independentista, parece ser que um regime herdeiro do franquismo renasceu novamente das cinzas. Carlos Santa María – Chile in “RT”

Tradução "Baía da Lusofonia"

As declarações e opiniões expressas neste artigo são da exclusiva responsabilidade do autor


Carlos Santa María – Director e Professor na Universidade Católica de Valparaíso - Chile, Doutor em Filosofia e Educação pela Universidade de Barcelona, especialista em Estudos Latinoamericanos, Educação e Investigação pela Universidade de Nariño - Colômbia, Psicólogo Social na UNAD – Colômbia. Conferencista, palestrante, escritor, 18 livros publicados em geopolítica, pedagogia e desenvolvimento humano, fundador da Associação de Trabalhadores Sociais e da Comissão de Direitos Humanos - Colômbia

domingo, 17 de setembro de 2017

Catalunha – IRAI examinou o processo de autodeterminação da Catalunha

O reconhecimento de um novo estado é uma decisão política. Dada a natureza política de uma decisão como esta, é difícil prever a reacção da comunidade internacional a uma declaração de independência por parte da Catalunha, especialmente se levar em conta o número limitado de casos comparáveis ​​à situação Catalã



No passado dia 14 de Setembro de 2017, quinta-feira, Daniel Turp, presidente do Instituto de Pesquisa para a Autodeterminação dos Povos e Independências Nacionais (IRAI) e professor de direito internacional e constitucional na Universidade de Montreal, apresentou o conteúdo do Relatório sobre o referendo da Catalunha, publicado pelo Grupo Internacional de Peritos, um grupo criado pelo IRAI, cujo mandato foi examinar os aspectos históricos, sociológicos, políticos e legais do processo de autodeterminação iniciado pelo Governo e pelo Parlamento da Catalunha.

"O IRAI é um instituto de pesquisa independente e imparcial cujo objectivo é realizar pesquisas sobre aspectos relacionados à autodeterminação dos povos e independência nacional. Dadas essas circunstâncias, o IRAI considerou apropriado examinar o processo de autodeterminação da Catalunha que está sendo realizado actualmente ", disse Daniel Turp no início do dia. Para realizar esta análise, o presidente do IRAI e o presidente do seu comité científico contaram com o apoio de três especialistas académicos de renome internacional: Nina Caspersen (Universidade de York, Reino Unido), Matt Qvortrup (Universidade de Coventry, Reino Unido) e Yanina Welp (Universidade de Zurique, Suíça). Foi destacado no Relatório do Grupo Internacional de Peritos sobre o processo de autodeterminação da Catalunha, principalmente:

O surgimento de uma questão política fundamental, o direito de decidir, como o direito do povo catalão de decidir livremente e democraticamente a condição política da Catalunha. A grande maioria dos catalães é a favor deste direito, seja eles a favor da independência ou não.

Muitas outras observações, realizadas ao longo das quatro partes do relatório e relaccionadas ao processo de autodeterminação da Catalunha, merecem atenção especial:

Desde a década de 2000, houve um aumento da procura por uma maior autonomia governamental, não só da esfera política, mas também da sociedade civil catalã. Desde a decisão do Tribunal Constitucional espanhol de 2010, o aumento da procura pela independência foi observado tanto no campo político como à escala civil.

A lei do referendo sobre autodeterminação na Catalunha, aprovada pelo Parlamento da Catalunha em 6 de setembro de 2017, respeita, na essência, os padrões internacionais para a organização dos referendos.

O limite da participação - tanto os que votarão "Sim" quanto os que votarão "Não" - será um elemento decisivo, pois não só afectará a legitimidade do resultado, como também influenciará a reacção de Madrid e da comunidade internacional.

O reconhecimento de um novo estado é uma decisão política. Dada a natureza política de uma decisão como esta, é difícil prever a reacção da comunidade internacional a uma declaração de independência por parte da Catalunha, especialmente se levar em conta o número limitado de casos comparáveis ​​à situação Catalã. A reacção de Madrid terá, sem dúvida, um papel decisivo, mas devemos contemplar a possibilidade de a comunidade internacional não permanecer indiferente ao pedido de independência da Catalunha, se isso for expresso de forma pacífica e democrática.

O direito de decidir reside na base do direito à autodeterminação dos povos, inscrito na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Também é apoiada pelas últimas mudanças na legislação europeia, bem como a lei constitucional comparativa e o Prefácio sobre a separação de Quebec do Supremo Tribunal do Canadá, um elemento-chave que protege o direito de decidir sobre os quebequenses e as ligações para o processo democrático.

O relatório do Grupo Internacional de Peritos sobre o processo de autodeterminação da Catalunha está disponível no sítio do IRAI ( https://irai.quebec/publications/ ). IRAI – Canadá      Tradução “Baía da Lusofonia”



Sobre o IRAI
Fundado na primavera de 2016, o Instituto de Pesquisa para a Autodeterminação dos Povos e das Independências Nacionais (IRAI) é uma organização imparcial e sem fins lucrativos. O objetivo do IRAI é realizar pesquisas sobre a autodeterminação dos povos e a independência nacional e divulgar seus resultados ao público de forma acessível e, dessa forma, contribuir para o desenvolvimento do conhecimento científico, educar o público e promover um diálogo cidadão de uma natureza calma, aberta e construtiva. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

UCCLA - “A Democracia e o Desenvolvimento” em análise
















No dia 13 de janeiro - “Dia da Liberdade e Democracia” - assinala-se a data das primeiras eleições livres em Cabo Verde (1991).

Para recordar a data, a Embaixada da República de Cabo Verde e a União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) organizam uma palestra proferida pelo advogado Arnaldo Silva, subordinada ao tema “A Democracia e o Desenvolvimento”, que decorrerá no referido dia, pelas 17h30, no Auditório da UCCLA.

A entrada é livre.

































Morada:
Avenida da Índia, n.º 110 (entre a Cordoaria Nacional e o Museu Nacional dos Coches), em Lisboa
Autocarros e Elétrico (Rua da Junqueira): 15E, 18E, 714, 727, 728, 729 e 751
Comboio: Estação de Belém
Coordenadas GPS: 38°41’46.9″N 9°11’52.4″W

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Brasil - Quero prévias: um movimento para abrir as portas da política

Construir coletivamente a unidade em torno de um programa democrático para as eleições de 2018. Esse é o objetivo que milhares de pessoas reunidas no movimento “Quero prévias” apresentarão publicamente hoje, terça-feira, dia 8 de novembro de 2016.

A ideia é reunir partidos, movimentos, coletivos e as mais diversas organizações da sociedade civil, ao longo de 2017, num grande debate público que não apenas formule um programa, mas que também possa indicar um ou mais nomes com legitimidade social para enfrentar as eleições presidenciais de 2018.

Afinal de contas, de nada adianta um excelente programa sem um candidato que o vocalize, ou um ótimo candidato sem um programa que o sustente.

De acordo com as próprias palavras do “Quero prévias”, “o objetivo é contribuir com a reorganização das forças comprometidas com a democracia e a garantia de direitos, e assegurar a construção de um programa de governo que dispute as eleições presidenciais de 2018 e apoie o surgimento de novas lideranças nos processos eleitorais estaduais e municipais”.

O pressuposto é o de que o programa e o candidato escolhido nessas prévias terão uma sustentação social muito maior do que se a decisão tivesse sido tomada apenas por um conjunto de burocracias partidárias.

Contudo, sua importância vai além disso. Mais do que qualificar a própria escolha dos candidatos e programas, as prévias podem aproximar a sociedade dos partidos políticos, fortalecendo-os. E não é justamente isso o que mais precisamos?

Esse movimento vem sendo estimulado por muitas figuras públicas, como a economista Laura Carvalho, a ativista do Meu Rio, Alessandra Orofino e o cientista político Marcos Nobre, dentre tantos outros.

Há ali uma clara identificação com o que vem ocorrendo na Espanha com o Podemos, por exemplo. Isso fica nítido quando observamos a fuga de rótulos como “esquerda” ou “progressista”.

Como diz Pablo Iglesias, líder do Podemos, “nossa organização não é de esquerda, nem de direita, mas sim de baixo”. Essa é a mesma lógica que move o Occupy Wall Street com sua palavra de ordem “nós somos os 99%”. O “Quero Prévias” provavelmente se sentiria bem com essa formulação.

Ademais, um bom conteúdo define melhor que muitos rótulos. Diga-se de passagem, não é pouca coisa falar em ideias-força como democracia, igualdade e direitos nos dias de hoje no Brasil. Tudo isso já exprime muito bem o lugar de fala desse movimento.

Em tempos de criminalização da política e de engessamento de formas e estruturas, um movimento que pretende abrir as portas dos partidos para a participação social já nasce vitorioso.

Que venham as prévias!

Poderá aceder ao manifesto do movimento aqui. Theo Rodrigues – Brasil in “O Cafezinho”

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Theo Rodrigues é sociólogo, cientista político e coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé no Rio de Janeiro

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Moçambique - “Liberdade de Expressão em Tempos de Violência: Soluções para os Jovens”

A Universidade Politécnica acolheu na passada terça-feira, 25 de Outubro de 2016, uma palestra subordinada ao tema “Liberdade de Expressão em Tempos de Violência: Soluções para os Jovens”, que tinha como objectivo promover a liberdade de expressão, de pensamento e de opinião, para além de contribuir para o fortalecimento do diálogo na solução de questões relacionadas com a violência contra jovens, mulheres, crianças e outros grupos vulneráveis, e fortalecer a democracia através do debate de ideias e do envolvimento dos estudantes no debate sobre a agenda nacional do desenvolvimento.

Na ocasião, Hachimo Chagane, representante da Universidade Politécnica, organizadora da palestra, referiu que vários factores podem explicar a falta ou o medo do exercício da liberdade de expressão por parte do indivíduo, dentre os quais a família e a escola, primeira e segunda instituições de socialização, respectivamente.

“Se eu não tenho espaço para exercer a minha liberdade de expressão na família dificilmente conseguirei fazê-lo na sociedade”, disse Hachimo Chagane, que defende que um indivíduo com a auto-estima mal preparada na família certamente perderá segurança e confiança em si próprio. “Mesmo que tenha algo para dizer terá dificuldades para o fazer. Isso abre espaço para que reine a cultura do silêncio”.

Sobre o papel da escola, o representante da Universidade Politécnica é da opinião de que esta deve voltar a ser o local onde o aluno aprende a exercer os seus direitos. “A escola, hoje, tem professores desmotivados, alunos desinteressados, pais distraídos e a sociedade está indiferente a tudo isso”.

Por seu turno, Cármen Bila, do Parlamento Juvenil, disse ser necessário que os cidadãos conheçam e entendam o significado da liberdade de expressão, pois só assim é que poderão saber accionar os mecanismos ou instâncias competentes, tais como a polícia, a procuradoria e os tribunais, sempre que esta for violada.

Mais adiante, Cármen Bila afirmou que os mecanismos de protecção dos direitos em Moçambique são ineficazes, por isso “optamos pelo conformismo e pelo criticismo. Temos muitas leis mas não são respeitadas ou aplicadas. E os cidadãos têm medo de exercer o seu direito à liberdade de expressão por temer represálias, a censura, etc. Acabamos por optar por mecanismos não apropriados, como é o recurso à imprensa”, acrescentou Cármen Bila.

Já a representante da Associação Wansati Pfuka, Felicidade Chirindza, considerou que, para o exercício pleno da liberdade de expressão, as pessoas devem ter habilidades para escutar e analisar.

“Não basta conhecer os seus direitos e liberdades. As pessoas têm de aceitar e saber que a diferença é boa e necessária. Têm de saber acolher um ao outro e isso não se consegue através da força ou coerção, mas sim com base no diálogo”, concluiu. In “Olá Moçambique” - Moçambique

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Angola – Ainda sobre o “processo” 15+2

Não estou disposto a participar na “carnavalização da justiça” que temos vivido, sobre tudo quando está em jogo o sofrimento de pessoas, em tempo de paz e democracia para as quais tenho contribuído.

Autoria do design: Tribunal de Justiça da Paraíba
Soube que alguns dos alegados elementos de um indicado e carnavalesco “governo de salvação nacional” pelo chamados “revus”, mesmo sem terem tido conhecimento de eventual notificação para deporem perante o Tribunal de Luanda, terão sido publicamente ameaçados com medidas de coacção antecedidas de anúncio público de seus nomes, em supostos termos da Constituição e da Lei. Tudo isso, aparentemente, para justificar o arrastamento do sofrimento a que têm sido sujeitos cidadãos que apenas tentavam exercer, pacificamente, os seus direitos previstos na Constituição e na legislação internacional adoptada pelo Estado angolano, como parte dos seus direitos humanos fundamentais.

É caso para se olhar com pena para estes confrades do Direito, encarregados de ameaçar elementos da sociedade supostamente fracos, quando, como juízes, não conseguem resistir a impulsos estranhos à Lei, à qual unicamente devem obediência, com a mesma a protege-los de interferências externas, como  e deve ser num estado democrático e de direito.

Os meritíssimos juízes não foram capazes de se opor aos “lobos” que prenderam ilegalmente os 15, de forma pública e notória. Aceitaram alegremente o pretexto da alegada indicação de um risível “governo de salvação nacional” cujo humorista, também nosso confrade, o Dr. Albano Pedro, “confessou” e explicou publicamente a razão do seu jocoso exercício; agora atiram-se a outros “cordeirinhos indefesos” e ainda por cima, com golpes de um maquiavelismo tão barato

Mas, sendo este diversionismo judicial apenas “uma gota no oceano” das arbitrariedades da “nossa Justiça”, nos últimos anos, há que olhar-se (dirijo-me a pessoas humanas, passe o aparente pleonasmo) para a situação em que foram colocados tais cidadãos, com a também ela “atípica” prisão domiciliária, que os coloca numa condição de indigência, a si e suas respectivas famílias, afastados que estão das suas fontes de rendimentos. Sugere-se, em concreto, um acto de solidariedade para com esses cidadãos.

Com a “coragem” com que nos têm estado a limitar os direitos, liberdades e garantias é de todo em todo insensato pensar-se que isso é apenas “com eles”.

Nada entre mim e o processo 15+2

Terminei o “post” anterior, apelando para o facto de que continuar a pensar-se que o problema do cerceamento dos nossos direitos, liberdades e garantias em Angola é apenas “com os outros” não é sensato. Nessa altura não sabia que eu próprio entraria em cena, como exemplo dos supostamente fracos, que devem ser abusivamente incomodados por aqueles que não ousam, quando o podem, agir contra o abuso de supostos “donos disso tudo”.

Acabo de saber, pelo jornalista Paulo Sérgio do “jornal o País”, a quem, a seu pedido, concedi uma breve entrevista, que o meu nome apareceu num suposto edital do Jornal de Angola, de que não se precisou o dia, para me apresentar amanhã, no Tribunal de Luanda e depor sobre a minha menção no fantasmagórico “governo de salvação nacional”.

Por enquanto e tendo em conta os parâmetros editoriais desse jornal (O Pais, de cujos donos todos temos uma vaga ideia), limitei-me a invocar razões físicas e formais para não comparecer no mencionado tribunal, amanhã: é que não me encontro em Luanda e, por outro lado, não aceitaria de nenhum modo o facto de ser “notificado” através de um jornal quando não foram esgotados os meios apropriados de fazê-lo. Na verdade, até a altura em que o jornalista me entrevista, telefonicamente, e, ainda agora, não tenho conhecimento de qualquer notificação pela autoridade competente, tanto na minha residência, em Luanda, como no meu escritório, registado na Ordem dos Advogados.

Porém, tenho razões mais substantivas para nunca comparecer ao referido tribunal para o alegado depoimento, a não ser por coação física, evitando, se possível, que seja torturado como aconteceu com pessoas que, sendo mais jovens, eram mais resistentes, fisicamente, do que eu.

Estou convencido que até leigos na matéria do Direito, já constataram que este chamamento abusivo e manipulado é uma forma mais, para se arrastar o sofrimento de pessoas que foram detidas ilegalmente, tiveram uma série de dias em prisão preventiva com ilegalidades sucessivas e encontram-se agora em prisão domiciliária “atípica”, como muitas coisas atípicas que têm acontecido no nosso país, alguns anos para cá.

Não estou disposto a participar na “carnavalização da justiça” que temos vivido, sobre tudo quando está em jogo o sofrimento de pessoas, em tempo de paz e democracia para as quais tenho contribuído.

Nas boas faculdades de Direito não aprendemos a sobrevalorizar a justiça formal em relação à substantiva, assim como não aprovamos silogismos em que possamos concluir, por exemplo que, porque a árvore respira, tal como o homem o faz “então a árvore é homem” ou “ … o homem é arvore”.

Na minha opinião, todos aqueles que se encontram na mesma situação que a minha (excepto, provavelmente, o Dr. Alberto Pedro) deviam recusar-se a participar neste arrastamento de um processo que pouco tem de judicial mas mais de injustamente político. Marcolino Moco – Angola in “marcolinomoco.com”

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Demolições


A tentativa de demolição de uma casa clandestina no passado dia 03 de Janeiro de 2013, em Achada Grande Frente, na cidade da Praia em Cabo Verde, ordenada pela Câmara Municipal da Praia e acompanhada por agentes da Polícia Nacional, levou à detenção do repórter fotográfico e realizador Paulo Cabral, que apercebendo-se de uma movimentação anormal para o local, decidiu fotografar o acontecimento.

A habitação inserida numa zona de casas clandestinas, pertencente ao cidadão cabo-verdiano Mário Lopes, que entretanto se ausentou para a Guiné Equatorial onde trabalha, estava a começar a ser demolida quando o fotógrafo Paulo Cabral, começou a testemunhar a ocorrência, tirando fotografias de um local público, a rua defronte da residência.

Depois de detido, mesmo após a apresentação da sua identificação, em que mostrava que estava devidamente credenciado para o exercício da actividade jornalística, o fotojornalista Paulo Cabral, segundo testemunhas oculares, foi agredido dentro da viatura policial, com um capacete de um dos elementos policiais.

A Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) através da sua presidente Carla Lima repudiou o comportamento das autoridades policiais, considerando que está em causa a democracia em Cabo Verde, por estar a ser recorrente este tipo de situações, em que os jornalistas, são impedidos de exercer a sua profissão. A AJOC apoiou o fotojornalista, através do advogado Odair Teixeira, que após uma detenção de 24 horas na esquadra de Achada Santo António, foi presente a tribunal, onde foi libertado após alguns minutos. A habitação foi demolida no dia seguinte, sexta-feira. Baía da Lusofonia