Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 22 de julho de 2026

São Tomé e Príncipe - Roças, do inferno de onde não se saía até ao (quase) reconhecimento mundial

O professor universitário e líder da comunidade de Monte Café, em São Tomé e Príncipe, recua aos tempos de escravidão para lembrar o que se dizia sobre as roças: “um inferno onde se entra e não se sai”.


Filipe Samba, docente de Bio-Ética, nascido e a residir em Monte Café, não resiste a citar os antepassados, como que espreitando alguma garantia de futuro e de reparação: “a ferida da dor não se cura, o sofrimento não se cura com palavras, mas com acções concretas”.

A cultura esclavagista, pela mão de portugueses, que construiu a memória e o património arquitectónico ligado a seis roças (quatro em São Tomé e duas no Príncipe) alimentou negócios de café e de cacau e tradições de angolanos e moçambicanos, entre outros africanos, arrastados para São Tomé e Príncipe, com os cabo-verdianos a chegarem já numa condição de contratados, explica Samba.

Desde domingo e até 29 de Julho reúne-se na Coreia do Sul o Comité do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Em Busan decidir-se-á se as roças são-tomenses são inscritas na lista de Património Mundial da UNESCO. E São Tomé e Príncipe concorre na categoria Sítios Culturais, com “As roças de São Tomé e Príncipe: Sistema colonial agrícola e migração forçada”.

“Para nós é importante esta inscrição com o património da UNESCO porque isso vem reforçar a nossa dedicação, o nosso empenho para a preservação deste memorial histórico. E assim já ficamos nós a acreditar que as gerações futuras poderão ter a perspectiva de rever essa história”, começa por argumentar, em declarações à Lusa, o líder da comunidade de Monte Café.

“Vai criar mais emprego, vai mobilizar, vai haver mais sinergias no âmbito da empregabilidade para a nossa população. Nós estamos quase meio abandonados, mas essa infra-estrutura é que fala por nós, essa infra-estrutura (…) dignifica a nossa imagem e a nossa identidade”, sublinha.

Depois de passagens pela então União Soviética, onde se formou, o regresso a Monte Café, onde cerca de cinco mil pessoas residem, tem sido marcado pelo trabalho comunitário, agora com um horizonte de esperança que vai até ao final deste mês: “É um momento de grande relevância para a nossa comunidade, porque, com esse estímulo, a UNESCO reconhece esta memória, não só do ponto de vista memorial, também do ponto de vista económico”.

Até à data, o Comité do Património Mundial inscreveu 1248 sítios em 170 países na lista do Património Mundial.

Segundo a UNESCO, a classificação como Património Mundial permite reconhecer e proteger sítios de valor universal excepcional, sejam eles naturais, culturais ou mistos, e “compromete os Estados-membros a preservar estes locais emblemáticos”. João Carreira – Agência Lusa in “Jornal Tribuna de Macau”


domingo, 5 de julho de 2026

Portugal - Arqueólogos descobrem novas gravuras com mais de 23 mil anos no Vale do Côa

Arqueólogos da Fundação Côa Parque puseram a descoberto novas gravuras do período Solutrense, com mais de 23.000 anos, no sítio do Fariseu, que abrem uma nova janela de investigação no Vale do Côa, disse um dos investigadores


O período Solutrense corresponde a um estágio cultural do Paleolítico superior, característico da Europa Ocidental, nomeadamente da Península Ibérica, aproximadamente situado entre os 20.000 anos a.C. e os 15.000 a.C..

Em declarações à agência Lusa, o coordenador científico da Fundação Côa Parque, Thierry Aubry, explicou que as novas descobertas foram feitas na chamada “Rocha 9” do Sítio do Fariseu, no Parque Arqueológico do Vale do Côa, onde o trabalho começou em 2020 e onde foi descoberto o maior auroque do mundo picotado no xisto há mais de 23.000 anos e que dão continuidade artística a este painel em xisto do Paleolítico Superior.

“Após descoberta do maior auroque do mundo em 2020, houve uma acumulação de sedimentos devido às cheias no rio [Côa], ao longo dos últimos seis anos, e agora, com novos trabalhos de prospeção arqueológica, foram colocadas a descoberto novas gravuras que representam bois, vitelos, cervas, cavalos, cabras, entre outros, que ainda não estão totalmente identificados, correspondentes à época do Solutrense”, indicou o também arqueólogo.

Nem o calor intenso que se faz sentir no Vale do Côa demoveu os investigadores de fazer estas novas descobertas, nesta rocha que fica a cerca de 50 metros do rio Côa, “um dos locais mais fascinantes deste sítio arqueológico devido ao seu potencial pré-histórico e científico”.

“Decidimos remover todos os sedimentos que se acumularam em torno desta rocha, para manter a integralidade dos motivos gravados. Não se pode correr o risco de se perderem, em caso de outras cheias. E assim apareceram novas gravuras que estavam por baixo da camada de terra, que de imediato despertaram a atenção”, explicou Thierry Aubry.

Os arqueólogos descobriram duas novas gravuras completas e algumas que ainda é preciso estudar, elevando para 40 o número de gravações na chamada “Rocha 9″ do Sítio do Fariseu, a qual tem cerca de 10 metros de comprimento.

O Sítio do Fariseu é um dos núcleos de arte rupestre mais singular e importantes no Vale do Côa, na região de Vila Nova de Foz Côa, no distrito da Guarda, e ficou “mundialmente famoso” pela descoberta, em 2020, de uma enorme gravura paleolítica com cerca de 23.000 anos e 3,5 metros de comprimento, que representa um auroque (boi selvagem).

A chamada “Rocha 09” do Fariseu representa um dos principais núcleos de arte rupestre no Parque Arqueológico do Vale do Côa, classificado como Monumento Nacional, e inscrito na Lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Segundo Thierry Aubry, há neste momento capacidade para se afirmar que há uma homogeneidade estilística, porque havia dúvidas antes da remoção de sedimentos. A nova descoberta mostra uma cena do quotidiano dos grandes bovinos no Vale do Côa, há 23.000 anos, o que o arqueólogo classificou como “muito interessante”.

“Neste momento podemos ver uma associação entre um auroque fêmea e uma jovem cria repetidas várias vezes na mesma rocha. Há também argumentos do ponto de vista técnico, onde, ao que parece, foi utilizado o mesmo tipo de ferramenta para fazer estas novas gravuras”, descreveu o investigador.

Para o arqueólogo, este local é um dos quatro abertos a visitas e, devido às semelhanças e técnicas utilizadas, é mais fácil mostrar ao público todas as cenas da fauna selvagem picotadas neste painel.

“Aqui encontramos utensílios utilizados para fazer as gravações na rocha de xisto, mas não encontramos vestígios de ocupação nesta fase do Solutrense e que está fora da área do acampamento”, explicou.

Para já, no âmbito de uma tese de doutoramento em curso, estão a ser investigadas as camadas geológicas próximas deste local, a 50 metros do rio Côa, o que permitirá desenvolver novas sondagens.

“A grande limitação em termos de prolongamento das sondagens são as cheias que acontecem ciclicamente no rio Côa devido às descargas na barragem do Pocinho, e só com a remoção das duas ensecadeiras do Côa, que ficaram após o abandono da construção da barragem, se pode seguir em frente”, sublinhou Thierry Aubry.

Por seu lado, o presidente da Fundação Côa Parque, João Paulo Sousa, disse que este ano já foram descobertas 60 novas gravuras rupestres, no Parque Arqueológico.

“Passados 30 anos da sua classificação, o Vale do Côa continua a surpreender pelas suas novas descobertas e uma história que continua a ser narrada através da investigação e de parcerias que a Fundação tem vindo a desenvolver. Quanto mais dedicação dermos ao Côa, mais descobertas teremos”, afirmou o responsável.

Quando da criação do Parque Arqueológico do Vale do Côa, em agosto de 1996, foram identificadas 190 rochas com arte rupestre.

Atualmente, e segundo o presidente da Fundação Côa Parque, há 1600 rochas identificadas, repartidas por 104 sítios arqueológicos, num total de mais de 15.650 motivos, sendo predominantes as gravuras paleolíticas, executadas há cerca de 30 mil anos, num ciclo artístico de arte rupestre que nunca foi interrompido.

A Arte do Côa foi classificada como Monumento Nacional em 1997 e, em 1998, como Património Mundial pela UNESCO.

Como uma imensa galeria ao ar livre, o Parque Arqueológico do Vale do Côa ocupa 20 mil hectares de terreno que estão distribuídos pelos concelhos Vila Nova de Foz Côa, Mêda, Pinhel e Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda, a que se junta o concelho de Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança, com manifestações de arte rupestre. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Angola - Aguarda entre Novembro e Dezembro reconhecimento mundial do Semba pela UNESCO

A decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) sobre a candidatura do Semba à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade será conhecida entre o final de Novembro e o início de Dezembro, durante a reunião do Comité Intergovernamental da organização, na República Popular da China. Caso seja aprovada, a manifestação cultural juntar-se-á a bens nacionais já reconhecidos pela organização, como a cidade histórica de Mbanza Kongo e o Sona

O anúncio foi feito pelo ministro da Cultura, Filipe Zau, durante a cerimónia de apresentação pública da candidatura do Semba a Património Cultural Imaterial da Humanidade junto da UNESCO, realizada na Sexta-feira, 19, no Complexo Administrativo Clássicos de Talatona, em Luanda.

Durante a sua intervenção, o titular da pasta da Cultura afirmou que a candidatura do Semba resulta de um trabalho conjunto entre o Executivo e a sociedade civil, com o objectivo de alcançar o reconhecimento internacional daquele que considera ser um dos maiores símbolos da identidade cultural angolana. “O Semba é uma manifestação cultural profundamente enraizada na identidade nacional e cada vez mais apreciada dentro e fora do país”, destacou.

Para uma melhor valorização do estilo, o ministro aproveitou a ocasião para apelar à união dos artistas e desencorajar rivalidades que possam comprometer o crescimento colectivo do género musical. Segundo Filipe Zau, a valorização do Semba depende da capacidade dos seus intérpretes e promotores de trabalharem em conjunto para fortalecer a sua presença a nível nacional e internacional. “O céu fica mais bonito quando vemos várias estrelas a brilhar e não apenas uma ou duas isoladamente”, afirmou. Musseque Segunda – Angola in “O País”


terça-feira, 5 de maio de 2026

Nações Unidas - No Dia Mundial da Língua Portuguesa, a ONU celebra poder e alcance do idioma

Em mensagem, o secretário-geral das Nações Unidas destaca o português como pilar diplomático. A secretária-executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, reforça aposta em democracia e novos rumos, já os criadores de conteúdos exaltam a língua como ponte para descobertas


Neste 05 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa, as Nações Unidas enfatizam o papel estratégico do idioma como uma ferramenta de multilateralismo e entendimento entre nações.

A mensagem do secretário-geral, António Guterres, aponta o multilinguismo como a base para a compreensão mútua em tempos de fragmentação global.

Renovação constante

O líder da ONU ressalta a pluralidade de vozes, de São Paulo a Díli, de Lisboa a Maputo, como a maior força de uma língua que se renova constantemente e carrega, nas palavras do poeta cabo-verdiano Corsino Fortes, a pátria dentro.

Durante a sua última entrevista à ONU News sobre o tema, em 2023, o líder das Nações Unidas destacou a força do idioma na disseminação de uma cultura de paz.

"É a riqueza da diversidade. Eu estou a ouvi-la falar em português do Brasil e é muito diferente no som do português que eu falo, mas é isto que é a nossa riqueza comum. A língua portuguesa está em quatro continentes e é uma ponte de união entre mulheres e homens de todo o mundo e que podem utilizar a língua portuguesa para incrementar o diálogo e a cooperação internacional e para serem todos eles fatores de paz. Porque a paz é o bem mais precioso e, infelizmente, é um bem que estamos longe de dar por adquirido neste momento."

Língua, cultura, histórias e tradições

Este ano, as celebrações destacam o 30.º aniversário da CPLP, em julho. Na presidência do bloco, Timor-Leste reafirma a consolidação democrática e o desenvolvimento de planos para o bem-estar comum.

Em pronunciamento antes do Dia Mundial da Língua Portuguesa, o embaixador de Timor-Leste na ONU, Dionísio Babo Soares, falou do impacto deste 05 de maio.

“O português liga-nos através de uma língua comum, mas também de culturas, histórias e tradições diversas. É uma língua moldada por muitas vozes, em diferentes geografias e gerações. Aqui nas Nações Unidas, os países da língua portuguesa são participantes ativos no multilateralismo, na promoção da paz e segurança, no desenvolvimento sustentável e na defesa e promoção do direito internacional. Neste espaço, a nossa língua continua a ser uma ponte para o diálogo e a cooperação.”

O grande marco da internacionalização do português ocorreu em 2019, quando a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, oficializou a data global. O dia era celebrado pela CPLP desde 2009.

Consolidando a união estratégica entre as nações

Mais do que um código de comunicação, a língua portuguesa é o fio invisível que costura oceanos, aproxima culturas e projeta o futuro, enfatiza a mensagem da secretária executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim.

De Lisboa, a líder do bloco lusófono destaca que a celebração visa, não apenas um legado histórico, mas a vitalidade de um idioma que se reinventa a cada sotaque e consolida a união estratégica entre as nações.

“A língua é a esperança viva e próspera para um futuro melhor, para a promoção da cidadania, para a criação de oportunidades, para o fortalecimento dos laços de colaboração e entre as nossas nações. Neste dia de celebração, é com grande apreço e reconhecimento que saúdo a promoção de iniciativas por todos os Estados-membros da CPLP, pelos grupos junto das organizações internacionais, pelos observadores associados, pelos observadores consultivos, pelas nossas diásporas, pelas nossas sociedades, que são atores e parceiros fundamentais para fortalecermos e difundirmos a língua portuguesa e a diversidade que nos une como uma verdadeira comunidade de países e povos que somos.”

Vivendo o quotidiano de milhões de falantes espalhados por quatro continentes, a ONU News também ouviu jovens que têm na festa do português o festejo de uma herança e de um “espaço de pertença” que ignora fronteiras geográficas.

Português de influenciadores

A influenciadora digital síria, Nabila Yousif, considera a língua portuguesa como algo que vai muito além de uma ferramenta de comunicação por se tornar o portal para uma nova vida. Ela atua a partir do solo brasileiro.

“Quando eu cheguei aqui no Brasil, na verdade, né. Eu não tinha opção. Era obrigatório ou aprender ou aprender. E aí, a partir da primeira semana, comecei eu mesma a estudar sozinha. E aí, decidi fazer um grande investimento. Falei, meu pai colocou para nós uma professora para ensinar a gente eu e as minhas irmãs. Fazia aulas intensivas três vezes por semana, e eu estudava quase 24 horas por dia, assim, sem parar. Estudava o tempo inteiro. Começava a escutar músicas do Luan Santana, sem entender. Eu assistia novelas, Carminha, Salve Jorge. Também não entendia nada, mas eu colocava lá na televisão e fazia assim, tipo, intensivo.”

DNA de uma cultura

Já o jovem angolano Baptista Miranda vê na língua o DNA de uma cultura. Para ele, falar português no Brasil é um exercício constante de descoberta.

“Esse lado do pessoal achar que o africano não. Talvez em África não tenha países que falam português, porque realmente não se propaga muito essa informação. É muito desconhecido. Então, eu fico muito feliz em ser uma das pessoas também que leva essa mensagem para diante, que tem mais de cinco, seis países em África que falam português, e tem culturas diferentes. Então, eu gosto muito disso.”

Ao ser declarado o Dia Mundial da Língua Portuguesa pela Unesco, o idioma de um universo de cerca de 300 milhões de pessoas em quatro continentes foi elevado ao status de património global e reconhecido o seu papel essencial no diálogo entre civilizações. Eleutério Guevane – Moçambique ONU News


Cabo Verde - Ministério da Educação promete continuar a promover o ensino da Língua Portuguesa com qualidade

Assinala-se hoje, 05 de Maio, o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Numa mensagem alusiva à data, o Ministério da Educação afirma o seu compromisso de continuar a promover o ensino da Língua Portuguesa com qualidade e incentivar o seu uso consciente, criativo e inclusivo, ao serviço do desenvolvimento de Cabo Verde


O Ministério da Educação frisa que a Língua Portuguesa é um património comum que une povos, histórias e culturas espalhados por vários continentes.

Segundo a mesma fonte, em Cabo Verde, a Língua Portuguesa ocupa um lugar central na educação, na comunicação institucional e na projecção do país no mundo, convivendo harmoniosamente com a língua materna, o crioulo cabo-verdiano.

“Mais do que um instrumento de comunicação, a Língua Portuguesa é uma ponte para o conhecimento e para as oportunidades globais. É através dela que se reforçam os laços com a comunidade internacional, valorizando-se a identidade cabo-verdiana enquanto nação plural e aberta”, assegura.

A data de 05 de Maio foi oficialmente estabelecida em 2009 pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), uma organização intergovernamental, parceira oficial da UNESCO desde 2000, que reúne os povos que têm a língua portuguesa como um dos fundamentos da sua identidade específica - para celebrar a língua portuguesa e as culturas lusófonas.

Em 2019, a 40.ª sessão da Conferência Geral da UNESCO decidiu proclamar o dia 05 de Maio de cada ano como "Dia Mundial da Língua Portuguesa".

De acordo com a UNESCO, a língua portuguesa é não só uma das línguas mais difundidas no mundo, com mais de 265 milhões de falantes espalhados por todos os continentes, como é também a língua mais falada no hemisfério sul. O português continua a ser, hoje, uma das principais línguas de comunicação internacional, e uma língua com uma forte extensão geográfica, destinada a aumentar. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Timor-Leste - Ensino superior terá pela primeira vez um curso de história

A Unesco apoiou o desenvolvimento da nova disciplina. A reitora da Faculdade que abrigará a cadeira diz que objetivo é honrar o passado e formar futuros educadores, a primeira turma começa no ano letivo de 2027


Timor-Leste está prestes a ter o seu primeiro Departamento Académico de História, marcando um passo significativo para fortalecer a forma como o país ensina, pesquisa e preserva o seu próprio passado.

Em fevereiro, o Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura aprovou a criação do novo departamento sob a égide da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Nacional de Timor-Leste.

Rigor e honestidade

A reitora da Faculdade, madre Esmeralda Piedade, disse que o objetivo é honrar o passado da nação formando futuros educadores e garantir que a história do país de língua portuguesa, no sudeste da Ásia, “seja contada com o rigor e a honestidade que merece”.

Timor-Leste foi colonizado por mais de quatro séculos por Portugal, e depois ocupado pela Indonésia, a nação vizinha. A longa luta pela restauração da independência culminou num referendo organizado pela ONU em 1999, que garantiu o caminho para a autodeterminação dos timorenses, três anos depois.

Desde 2002, a educação em história tem sido reconhecida como essencial, não apenas para a identidade nacional, mas também para a reconciliação, direitos humanos e construção de uma cultura de paz.

No entanto, até agora, nenhuma universidade timorense oferecia um programa académico dedicado a esta disciplina. Professores ensinaram História sem treino especializado e investigadores trabalharam sem instituições de residência.

Dois caminhos académicos

A criação do novo departamento resolve essa lacuna no ensino superior, oferecendo dois caminhos académicos. A primeira opção será Educação em História, preparando futuros professores para escolas em todo o país.

A segunda é Gestão Cultural e do Património, construindo uma experiência nacional na preservação e promoção da cultura timorense.

A pedido de parceiros nacionais, a Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco, ofereceu suporte técnico para moldar o desenvolvimento do novo departamento.

A representante da agência no país, Maki Katsuno, disse que as universidades “são onde as sociedades se reúnem para documentar e preservar sistematicamente o seu passado e imaginar o futuro”.

Primeira turma

Ela afirmou que a Unesco tem orgulho de apoiar a Universidade Nacional de Timor-Leste, a única instituição pública de ensino superior do país, na construção de um Departamento de História que atuará com “um profundo compromisso com o povo de Timor-Leste”.

Espera-se que o Departamento receba a sua primeira turma de estudantes no ano letivo de 2027.

O plano estratégico, que será finalizado até junho de 2026, estabelece a visão do departamento, o currículo, a agenda de pesquisa, o caminho de desenvolvimento do corpo docente e as parcerias institucionais para os seus primeiros cinco anos. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 10 de março de 2026

Angola – Avalia candidaturas do Tchitundo-hulo e Semba a Património Mundial

O ministro da Cultura, Filipe Silvino de Pina Zau, recebeu, recentemente, em Luanda, em audiência, a embaixadora Maria Cândida Pereira Teixeira, delegada permanente de Angola junto da UNESCO, com quem abordou o andamento de processos ligados à valorização e reconhecimento internacional do património cultural angolano.


Durante o encontro, a diplomata informou o governante sobre o estado de tramitação das candidaturas do Tchitundo-Hulo e do Semba à lista do Património Mundial da UNESCO. Segundo a embaixadora Maria Cândida Pereira Teixeira, os processos seguem os trâmites técnicos e administrativos exigidos por aquela organização das Nações Unidas, visando o reconhecimento destas importantes referências do património cultural nacional.

O Tchitundo-Hulo, localizado na província do Namibe, constitui um relevante complexo de arte rupestre, considerado um dos mais importantes testemunhos das primeiras manifestações culturais e artísticas no território angolano. Já o Semba é reconhecido como uma das mais emblemáticas expressões da música e identidade cultural de Angola.

O encontro serviu igualmente para reforçar a cooperação institucional entre o Ministério da Cultura e a missão diplomática de Angola junto da UNESCO, no sentido de promover a salvaguarda e valorização do património cultural do país.  In “O País” - Angola


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Angola - Semba será elevado a património da UNESCO ainda este ano

O Semba, estilo musical e de dança, que já se tornou um cartão-postal da cultura angolana, será inscrito, ainda neste ano, na lista de Património Cultural Imaterial da UNESCO. A garantia foi dada pelo ministro da Cultura, Filipe Zau, que avançou que o processo para este fim já está em fase de conclusão


Ao falar à imprensa durante as festividades do Dia Nacional da Cultura, decorridas nos dias 7 e 8 do corrente mês, na cidade de Ndalatando, província do Cuanza-Norte, Filipe Zau assegurou que o processo do cumprimento dos requisitos exigidos pela UNESCO para a aceitação do Semba a património cultural mundial já está quase pronto e que, antes mesmo do final de 2026, será cumprido o desiderato.

“A esta altura o dossiê está completamente fechado e acreditamos que antes mesmo do término de 2026 o semba deverá ser classificado como património cultural da humanidade”, assegurou o ministro.

Filipe Zau recordou que o processo arrancou em 2023, quando o estilo foi classificado como património cultural nacional, garantindo, que no presente ano, infalivelmente, os angolanos terão a honra de orgulhar-se de um estilo que será um património cultural da humanidade.

Além do semba, o governante adiantou que o dossiê das pinturas rupestres do Tchindu-hulu também está quase concluído e muito provavelmente entre o final deste ano e o princípio do próximo este monumento cultural poderá também ser classificado como património cultural da UNESCO.

Questionado sobre a situação do Corredor do Kwanza, Filipe Zau disse que continuam a ser reunidos os requisitos necessários para a sua classificação; entretanto, sublinha que ainda faltam alguns elementos fundamentais que têm a ver com os dados arqueológicos e que levam algum tempo para serem devidamente reunidos. “O corredor do Kwanza continua na lista indicativa dos inscritos para a classificação.

Não só o Corredor do Kwanza como também o Tchitundu-hulu, do Namibe, e também o Cuito Cuanavale”, disse o ministro. Acrescentou ainda que “o que está mais avançado neste momento é o dossiê das pinturas do Tchitundu-hulu que acreditamos que até final deste mês de Janeiro daremos entrada no processo”, reforçou o governante.

Conservação das línguas nacionais como património cultural O ministro manifestou também preocupação com as questões inerentes à preservação das línguas de Angola enquanto patrimónios culturais da nação.

Filipe Zau avançou que decorre um projecto de lei a ser ainda apreciado pelo Conselho de Ministros que visa estabelecer os trâmites legais sobre a preservação das línguas banto e lhes conferir um estatuto de “línguas nacionais” como tal.

“É uma lei sobre a preservação das línguas africanas de Angola, todas elas, e sobretudo uma forma de lhes dar estatuto posteriormente e não deixar simplesmente que elas se percam”, explicou.

Sublinhou que a intenção é de, acima de tudo, arranjar, do ponto de vista cultural, uma maneira de preservar estas línguas e fazer com que elas estejam cada vez mais presentes no quotidiano dos povos a que elas pertencem sem serem discriminadas. Bernardo Pires – Angola in “O País”


sábado, 27 de dezembro de 2025

Internacional - Relatório aponta para queda histórica da liberdade de expressão no mundo

Dados alarmantes incluem crescimento de 63% da autocensura entre jornalistas e diminuição de 37% na liberdade académica e artística. A Unesco alerta para a impunidade em assassinatos de profissionais da imprensa, havendo tendências positivas que abrangem a ampliação do acesso a redes sociais e fortalecimento do jornalismo de investigação

A liberdade de expressão chegou ao nível mais baixo em décadas, após uma queda de 10% em comparação a 2012. Os dados são da Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco.

O declínio é comparável apenas ao observado na Primeira Guerra Mundial, no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial e ao final da década de 1970, durante a Guerra Fria.


Maior controlo sobre os meios de comunicação

O relatório sobre as tendências globais da liberdade de expressão e do desenvolvimento dos meios de comunicação abrange o período de 2022 a 2025. O estudo alerta para um aumento alarmante da autocensura entre jornalistas, com crescimento de 63%, a uma média de cerca de 5% ao ano.

Esta tendência é um reflexo do crescimento de 48% no controlo de meios de comunicação por governos e grupos poderosos e de uma maior incidência de vigilância digital e leis restritivas, que tornam a reportagem independente cada vez mais difícil.

Também foi observada uma queda de 37% na liberdade académica e artística, mostrando que o problema vai além do jornalismo.

Aumento de ataques contra jornalistas

Os profissionais da comunicação sofrem risco significativo de morte no exercício da profissão. Entre janeiro de 2022 e setembro de 2025, 310 jornalistas foram mortos, sendo 162 deles em zonas de conflito.

Embora tenham ocorrido avanços modestos, com a taxa de impunidade caindo de 95% em 2012 para 85% em 2024, a maioria dos responsáveis por estes assassinatos segue sem punição.

Os ataques a jornalistas incluem violência física, ameaças digitais e perseguição judicial. Muitos são forçados a deixar os seus países. Desde 2018, mais de 900 profissionais do setor na América Latina e no Caribe foram obrigados a exilar-se.

Repórteres do meio ambiente estão entre os mais expostos. Cerca de 70% deles relatam ter sido atacados por causa do seu trabalho. Foram 749 ataques entre 2009 e 2023, com aumento acentuado nos últimos anos.

O assédio online também cresceu globalmente, afetando de forma desproporcional as mulheres. Um novo estudo do Centro Internacional para Jornalistas revelou que 75% das jornalistas e trabalhadoras da mídia sofreram violência online relacionada com o trabalho em 2025, em comparação com 73% em 2020.

Tendências positivas

Apesar do grave retrocesso global na liberdade de expressão, o relatório identifica avanços importantes. Entre 2020 e 2025, mais 1,5 mil milhão de pessoas passaram a ter acesso a redes sociais e plataformas de mensagens, ampliando as possibilidades de participação cívica em todo o mundo.

O jornalismo de investigação colaborativo também ganhou força no período, resultando num aumento de grandes reportagens transfronteiriças. Equipas dedicadas à verificação de factos fortaleceram-se em diversos veículos de imprensa.

Além disso, leis que reconhecem os meios de comunicação comunitários vêm se multiplicando globalmente, ajudando a preservar uma fonte vital de informação local.

A Unesco pede aos países que protejam e invistam no jornalismo para promover sociedades pacíficas. Para a agência, a defesa do jornalismo livre e independente deve ser reconhecida como uma prioridade. ONU News – Nações Unidas


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Macau - Projecto do viaduto entre Zonas A e B procura “equilíbrio”

O projecto do viaduto entre as Zonas A e B vai mesmo avançar, sendo que o Chefe do Executivo indicou que o design está a ser aperfeiçoado. Recorde-se que a UNESCO tinha exigido uma “avaliação de impacto ambiental abrangente” e a submissão de “documentação detalhada” em relação a este projecto. “Proteger o Centro Histórico é uma missão importante”, frisou Sam Hou Fai, garantindo que a ideia é encontrar um “equilíbrio” entre património e transportes


O Chefe do Executivo disse ontem que o Governo “está a aperfeiçoar o design” do projecto do viaduto entre as Zonas A e B, “de acordo com as exigências do Centro de Protecção do Património Mundial”, sendo que o objectivo é encontrar um “equilíbrio” entre património e a necessidade de transportes. Sam Hou Fai falava à margem da recepção comemorativa do 26.º aniversário da RAEM quando garantiu ainda que o Executivo mantém uma “atitude aberta” em relação às opiniões da sociedade.

“Em Abril, já mencionei que os Serviços de Obras Públicas estão a levar a cabo o design sobre o viaduto entre as Zonas A e B, sendo que o Governo irá manter uma atitude aberta para ouvir as opiniões do público, com o objectivo de resolver a longo prazo a procura pela deslocação entre a Zona A e a Península e ao mesmo tempo contemplar a protecção do património cultural”, afirmou Sam Hou Fai em declarações aos jornalistas.

Lembrando que este ano marcou os 20 anos da inscrição do Centro Histórico de Macau no Património Mundial da UNESCO, o líder da RAEM frisou que “proteger o Centro Histórico é uma missão importante”. Sam Hou Fai apontou que a tutela dos Assuntos Sociais e Cultura, liderada pela Secretária O Lam, “está a manter contacto estreito com a Administração Estatal do Património Cultural da China e com o Centro de Protecção do Património Mundial”.

O objectivo, vincou Sam, é “garantir a continuação das vantagens de Macau de fusão cultural entre o Oriente e o Ocidente e desempenhar o papel de Macau enquanto plataforma de integração de culturas do Oriente e do Ocidente na região da Ásia-Pacífico e até em todo o mundo”.

Recorde-se que, apesar do viaduto entre as Zonas A e B dos Novos Aterros seguir o princípio “colina-mar-cidade”, o Comité do Património Mundial da UNESCO considerou que uma parte do projecto poderia violar as restrições de altura na zona do Farol da Guia, tendo instado a RAEM a realizar uma “avaliação de impacto ambiental abrangente” e submeter “documentação detalhada”. Um mês depois, em Agosto deste ano, o Instituto Cultural disse estar a acompanhar o pedido da UNESCO.

Ontem, o Chefe do Executivo notou ainda que a Zona A dos Novos Aterros vai acolher mais de 100 mil habitantes, sendo “necessário” construir um acesso entre essa nova zona e a Península. “A tutela dos transportes e obras públicas está a estudar uma ligação através do Metro Ligeiro”, afirmou.

Nas Linhas de Acção Governativa para 2026, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas voltou a abordar o plano de desenvolvimento do Metro, indicando que está prevista uma extensão a Coloane. Raymond Tam falou ainda nas diversas linhas, incluindo a Linha Sul, que poderá ligar o posto fronteiriço de Macau na Ponte do Delta à estação ES5 da Zona A, passando pelo NAPE, lote A9 em Nam Van, Sai Van e Barra. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 13 de dezembro de 2025

Guiné Equatorial - A UNESCO reconhece o "Nvet Oyeng" e o regista como Património Mundial

A decisão representa uma vitória histórica para o povo Ekang e para os países onde esta tradição ainda está viva, como a Guiné Equatorial, Camarões, Gabão e Congo


Assim como fez anteriormente com o Ntonobé (uma dança cultural bantu específica do povo Fang, usada para o culto divino durante homilias), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) inscreveu oficialmente o Nvet Oyeng na Lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade que Necessita de Salvaguarda Urgente. Esta decisão representa uma vitória histórica para o povo Ekang e para os países onde esta tradição permanece viva, como Camarões, Gabão, Congo e Guiné Equatorial.

O reconhecimento internacional oferece um apoio crucial aos esforços de conservação desta prática ancestral, considerada um dos pilares de identidade mais emblemáticos da comunidade Ekang.

Nvet Oyeng é uma manifestação artística de natureza musical e narrativa que combina canções épicas, histórias mitológicas, danças e a execução de um instrumento de cordas tradicional.

A UNESCO explica que esta arte engloba as histórias, o contador de histórias, o instrumento e o músico, constituindo um sistema cultural completo.

Durante as apresentações, o público participa ativamente com palmas, cantos e tambores, criando uma interação constante entre o artista e a comunidade. Existem duas variações principais: a forma sagrada, reservada para eventos importantes e transmitida por meio de um rigoroso processo de iniciação; e a forma popular, mais acessível, apresentada em celebrações públicas e desempenhos contemporâneos. Ambas as expressões compartilham uma função essencial: garantir a continuidade da memória coletiva do povo Ekang.

A organização internacional também destacou a importância de outros sítios culturais na região, como Guruna, um retiro tradicional e centro de aprendizagem comunitária utilizado pela comunidade Massa, localizado em ambas as margens do rio Logone, entre o Chade e os Camarões. Este reconhecimento reforça o valor do património vivo de África e a necessidade de preservar as suas expressões mais vulneráveis.

Na Guiné Equatorial, a inscrição da arte Nvet Oyeng reviveu a memória de grandes mestres que dedicaram as suas vidas a esta tradição. Entre eles, destaca-se o célebre trovador Eyi Muan Ndong, considerado um ícone cultural e um dos mais profundos conhecedores de Nvet na região. O seu legado, ainda vivo na memória coletiva, é hoje um símbolo de orgulho para o país e um ponto de referência essencial na história artística da África Central.

A decisão da UNESCO agora apela aos Estados envolvidos para que reforcem os seus mecanismos de proteção cultural, a fim de garantir que Nvet Oyeng continue sendo transmitido às novas gerações e mantenha o seu lugar como património vivo da humanidade. Benjamin Eyang – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


sábado, 8 de novembro de 2025

Angola – Cidade de Lubango integra lista da UNESCO

A cidade do Lubango, com o seu artesanato e arte popular, e a brasileira de São Paulo, devido à afirmação no cinema e audiovisual, integram, agora, a Rede de Cidades Criativas da UNESCO (UCCN)


As duas cidades, juntamente com Matosinhos, em Portugal, compõem a presença lusófona numa lista de 58 novas cidades que obtiveram a classificação.

O anúncio foi feito a 31 de Outubro, Dia Mundial das Cidades, pela directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay.

No caso do Lubango, cidade capital da província da Huíla, foi classificada na categoria de Artesanato e Artes Populares.

As cestas e balaios do Lubango são apenas algumas das peças artesanais mais conhecidas produzidas na capital da Huíla. A cidade de São Paulo foi classificada na categoria de Cinema.

De acordo com a UNESCO, estas cidades são reconhecidas pelo seu compromisso, em defender a criatividade como motor do desenvolvimento urbano sustentável e trazem, para a Rede, “a sua comprovada experiência na construção de comunidades resilientes e vibrantes”.

Neste ano, a UNESCO integrou, pela primeira vez o tema Arquitectura na Rede de Cidades Criativas, juntando-se aos sete domínios já existentes, nomeadamente Artesanato e Artes Populares, Artes Digitais, Design, Cinema, Gastronomia, Literatura e Música. In “Jornal de Angola” - Angola


domingo, 19 de outubro de 2025

Guiné Equatorial - UNESCO realiza inventário piloto de danças tradicionais em Malabo

Uma comissão nacional do Fundo de Património de Emergência desta entidade está de visita à Ilha de Bioko para identificar e preservar as expressões culturais da Guiné Equatorial


Uma comissão nacional do Fundo de Emergência para o Património da UNESCO iniciou trabalho de campo esta semana em Malabo para inventariar as expressões culturais de dança tradicional na Ilha de Bioko. A atividade dá continuidade a uma digressão anterior pela Região Continental e faz parte de um projeto para salvaguardar o património cultural do país.

O principal objetivo destas visitas, lideradas por Santiago Bivini Mangue, Secretário-Geral da UNESCO na Guiné Equatorial, é identificar os diferentes grupos de dança tradicionais, entender o seu significado e documentar as suas práticas, com o objetivo de preservar o património material e imaterial da nação.

A comissão é composta por Marina Calvo, formadora da UNESCO, Santiago Bivini e técnicos do Ministério da Informação, Imprensa e Cultura. Eles visitaram grupos de dança nos seus espaços de ensaio e apresentação para aprender diretamente com os artistas e avaliar as suas necessidades. Este trabalho permitirá a formulação de políticas de apoio à dança tradicional que garantam a sua continuidade e disseminação entre as novas gerações.

Durante o dia na cidade de Malabo, os membros da comissão visitaram o Centro Cultural da Guiné Equatorial e assistiram a ensaios de grupos como o Ballet Ceiba, o grupo Ebola Biche, da etnia Bubi — que significa "filhos da nação" — e o grupo Dadjhi Dance, da etnia Anobonesa. Estas atividades fazem parte de um inventário piloto que servirá de modelo para futuras ações de salvaguarda cultural em todo o país.

O projeto também procura promover a cultura local, gerar conhecimento sobre manifestações tradicionais e fortalecer a participação da comunidade na preservação do seu próprio património. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Internacional - Museu Virtual de bens culturais roubados abriu em Barcelona com seis objectos de Portugal

A UNESCO lançou o Museu Virtual de Objectos Culturais Roubados, que inclui seis peças reportadas como desaparecidas por Portugal.


O museu virtual da UNESCO, anunciado em 2022, resulta de uma colaboração com a Interpol e arranca, para já, com 250 objectos iniciais de 56 países. Na galeria de Portugal, há seis objectos roubados, entre os quais, jóias do Tesouro Real e o quadro “Busto de mulher romana”, de 1882, de Henrique Pousão.

Entre as joias portuguesas está um colar de diamantes de 1834 encomendado por D. Maria II (1819-1853) e um cabo de bengala de D. José I (1750-1777), feito a ouro e incrustado com 387 diamantes de vários tamanhos.

O Museu Virtual de Objectos Culturais Roubados da UNESCO (https://museum.unesco.org/), concebido pelo arquitecto Francis Kéré, natural do Burkina Faso e prémio Pritzker em 2022, é “um museu único no mundo”, “sem paredes, mas não sem memória”, disse o director-geral adjunto para a Cultura da UNESCO, Ernesto Ottone, na apresentação do projecto.

Ernesto Ottone sublinhou que os bens culturais roubados “ferem a memória” colectiva, rompem cadeias de transmissão cultural entre gerações e “impedem a ciência de evoluir”, por ocultarem conhecimento.

Este tipo de roubo é dos mercados negros “mais lucrativos”, resulta de crime organizado, financia o terrorismo e prospera especialmente em zonas de guerra, destacou ainda o director-geral adjunto da UNESCO, que sublinhou que o objectivo do museu virtual é recuperar e restituir objetos roubados, mas também sensibilizar para este tipo de crime e para o impacto que tem em diversos níveis, assim como apelar um “papel mais activo nesta luta” por parte de todos, em especial os mais jovens.

O museu virtual quer também ajudar na promoção da educação sobre bens culturais e “facilitar a transmissão inter-geracional” de conhecimento, acrescentou. “Aprender sobre estes objectos desaparecidos é o primeiro passo para a sua recuperação” e “quando um objecto cultural é roubado perdemos uma parte da nossa identidade” são, precisamente, as primeiras duas frases que lê quem entra na plataforma do museu virtual da UNESCO.

Ernesto Ottone apelou aos 60 estados-membros da UNESCO que não registaram oficialmente objectos culturais roubados para o fazerem, uma vez que só entram neste museu virtual peças que já estão na base de dados da INTERPOL.

A ambição da UNESCO é que o número de objectos expostos aumente no imediato, mas a esperança é que as galerias se vão esvaziando, à medida que forem sendo encontrados e restituídos aos países e donos de origem.

Segundo a Interpol, os 250 objectos integrados nas galerias inaugurais deste museu são apenas uma pequena amostra de um tráfico ilícito que envolve pelo menos 57.000 bens. Este tráfico resulta de roubo e contrafacção de obras de arte, mas também de pilhagens em zonas de conflito ou escavações arqueológicas clandestinas, diz a Interpol.

O Museu Virtual de Objectos Culturais Roubados da UNESCO foi apresentado, no primeiro dia da conferência MONDIACULT 2025, em Barcelona, Espanha. A MONDIACULT 2025 é a Conferência Mundial da UNESCO sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável e realiza-se este ano pela terceira vez, depois de edições no México em 1982 e 2022, sob o mote “libertar o poder da cultura para conseguir o desenvolvimento sustentável”.

Estão reunidos em Barcelona 120 ministros de todo o mundo. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 1 de outubro de 2025

São Tomé e Príncipe - UNESCO classifica todo o território como Reserva Mundial da Biosfera

São Tomé e Príncipe passa a ter todo o seu território classificado como Reserva Mundial da Biosfera, segundo decisão anunciada pela UNESCO, que incluiu ainda Angola, Guiné Equatorial e Portugal na lista de novos locais. A decisão, anunciada após o Congresso Mundial de Reservas da Biosfera, que decorreu em Hangzhou, acrescentou 26 locais em 21 países à rede mundial da biosfera da instituição, nomeadamente em quatro países lusófonos.


A UNESCO, com sede em Paris, revela que São Tomé e Príncipe se tornou o primeiro país totalmente coberto por uma Reserva da Biosfera – ao reconhecer a ilha de São Tomé depois de, em 2012, ter sido inscrita a ilha do Príncipe e as ilhotas circundantes – e destaca que Angola e Guiné Equatorial têm pela primeira vez áreas reconhecidas pelos seus ecossistemas e abordagens inovadoras para a vida sustentável.

A Reserva da Biosfera da Ilha de São Tomé cobre quase 1130 quilómetros quadrados de picos vulcânicos, florestas tropicais e paisagens agrícolas férteis. Segundo a UNESCO, as zonas de protecção marinha incluem ilhéus como o das Cabras, o de Santana e o das Rolas, “que abrigam recifes de coral, colónias de aves marinhas e praias de nidificação de tartarugas”.

Além disso, “cerca de 130.000 habitantes estão envolvidos em actividades profundamente ligadas à terra e ao mar”, lê-se no comunicado, que apresenta o ecoturismo como uma actividade que oferece oportunidades de crescimento e destaca o “cacau orgânico de renome mundial de São Tomé”, que está enraizado na comunidade local e “é um símbolo do legado agrícola e do conhecimento transmitido através das gerações”.

Por último, conclui a UNESCO, a Reserva da Biosfera da Ilha de São Tomé “protege um património natural e cultural insubstituível através da participação da comunidade, uso sustentável da terra e conservação”.

Angola viu reconhecida, pela primeira vez, uma reserva da biosfera, a Quiçama, ao longo de 206 quilómetros da selvagem costa atlântica, ao sul de Luanda. Com 33.160 quilómetros quadrados, a reserva da Quiçama “não só conserva a biodiversidade costeira e marinha única, mas também fortalece a resiliência climática e a identidade cultural unindo pessoas e natureza numa visão partilhada de paz e sustentabilidade”, lê-se no comunicado.

Já a Guiné Equatorial, país que integra a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), viu reconhecida a Reserva da Biosfera da Ilha de Bioko, “uma joia vulcânica e exuberante”, sendo a quarta maior ilha de África, com uma área superior a 2000 quilómetros quadrados, que alberga a capital do país, Malabo, e abriga uma das mais notáveis biodiversidades da África Central, realça.

A Reserva da Biosfera da Ilha de Bioko protege, segundo a UNESCO, a riqueza natural que inclui o Parque Nacional do Pico Basilé, a Reserva Científica da Caldeira de Luba e áreas marinhas, “protegendo tanto a terra como o mar” e combinando a vida urbana em Malabo com comunidades rurais. Segundo a UNESCO, esta primeira classificação na Guiné Equatorial “promoverá a conservação, o desenvolvimento sustentável e a pesquisa científica, garantindo que os primatas, florestas e legado cultural de Bioko perdurem por gerações futuras”.

Portugal também está na lista com a incorporação da Reserva da Biosfera da Arrábida, localizada a sul de Lisboa, com aproximadamente 200 quilómetros quadrados.

Na lista deste ano, além das reservas nos quatro países lusófonos, a UNESCO destaca a classificação do arquipélago Raja Ampat, na Indonésia, como o ecossistema marinho com maior biodiversidade da Terra.

O programa O Homem e a Biosfera da UNESCO está a passar por uma expansão sem precedentes desde 2018, com 142 novas reservas da biosfera representando mais de um milhão de quilómetros quadrados (Km2) adicionais de áreas naturais protegidas. Hoje, as 785 reservas em 142 países cobrem 8 milhões de km2 – a área da Austrália – e beneficiam directamente cerca de 300 milhões de pessoas que nelas vivem, segundo a organização.

Na abertura do congresso, Audrey Azoulay, directora-geral da UNESCO, disse esperar que, até 2030, cada Estado-membro tenha pelo menos uma reserva, como prevê o plano de acção para a próxima década que apresentou no encontro.

O plano inclui ainda duas medidas “para ir mais longe na protecção”, nomeadamente, a conservação e restauro de pelo menos 30% dos ecossistemas degradados até 2035 e a redução da pressão humana sobre a biodiversidade. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”