Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Internacional - Universidade de Coimbra coordena projeto europeu para acelerar a eliminação de gases fluorados poluentes

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) lidera um novo projeto europeu que pretende apoiar a eliminação progressiva dos gases fluorados, considerados entre os poluentes mais agressivos para o clima.

Denominado "GWPathFinder", o projeto é coordenado por Luís Pedro Viegas, investigador do Centro de Química de Coimbra do Departamento de Química da FCTUC, e conta com um financiamento de 2,9 milhões de euros do programa europeu Horizon Europe.

Os gases fluorados são amplamente utilizados em sistemas de refrigeração, ar condicionado e bombas de calor. Apesar da sua relevância para estes setores, apresentam um elevado potencial de aquecimento global, tornando-se um dos principais desafios ambientais associados à transição energética e à descarbonização.

Para responder a este desafio, o consórcio internacional liderado pela FCTUC irá desenvolver uma plataforma digital inovadora, interativa e de acesso livre, destinada a apoiar decisores políticos, indústria e comunidade científica na avaliação e seleção de alternativas mais sustentáveis.

A ferramenta funcionará como uma verdadeira “bússola” ecológica global, recorrendo a modelos científicos avançados para prever o impacto ambiental de novos gases fluorados e simular diferentes cenários de descarbonização em tempo real. O objetivo é disponibilizar informação robusta, comparável e baseada em evidência científica, permitindo acelerar a adoção de soluções de menor impacto climático.

“Este projeto pretende fornecer os dados e as metodologias necessárias para apoiar decisões informadas, contribuindo para uma transição sustentável dos setores que dependem de tecnologias de refrigeração e climatização”, refere Luís Pedro Viegas.

O "GWPathFinder" está alinhado com os objetivos da Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal, acordo internacional que estabelece a redução gradual da utilização de hidrofluorocarbonetos (HFC), um dos principais grupos de gases fluorados responsáveis pelo aquecimento global.

Mais informações sobre o projeto podem ser consultadas aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 2 de junho de 2026

Moçambique - Bruno Mourinho lança livro sobre comunicação, negócios e relações interculturais

O empreendedor e activista moçambicano Bruno Mourinho lançou recentemente o livro How to Communicate, Work and Negotiate with Mozambicans, uma obra dedicada à gestão intercultural e ao ambiente de negócios em Moçambique.

Segundo o autor, o livro resulta da combinação das suas experiências académicas e profissionais nas áreas de Diplomacia, Relações Internacionais e cooperação com equipas multiculturais em diferentes países. A publicação surge com o objectivo de orientar cidadãos estrangeiros, investidores, profissionais e organizações interessadas em trabalhar, viver ou estabelecer negócios em território moçambicano.

Juntei valências, vivências e experiências da minha formação em Diplomacia, da minha especialização em Relações e Assuntos Internacionais, da minha estada fora do país e do meu trabalho em projectos internacionais com pessoas de outros países e culturas, e decidi montar um guia de gestão intercultural e doing business em Moçambique”, explicou Bruno Mourinho.

Com 175 páginas distribuídas em oito capítulos, a obra apresenta uma abordagem prática sobre o contexto social, cultural e profissional moçambicano, explorando de que forma factores históricos, culturais e educacionais influenciam as relações interpessoais, negociações e dinâmicas de trabalho no país.

O autor considera que este é o primeiro livro do género em Moçambique e possivelmente na região, destacando que a publicação foi concebida para ajudar estrangeiros e parceiros internacionais a compreender melhor a realidade moçambicana, promovendo uma actuação mais consciente, assertiva e eficiente.

O livro já se encontra disponível na plataforma Amazon, nas versões digital (Kindle) e física, enquanto o lançamento oficial e o período de pré-venda deverão ser anunciados brevemente. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


segunda-feira, 18 de maio de 2026

Portugal - Investigação da Universidade de Coimbra revela presença generalizada de microplásticos nos rios Mondego e Vouga

Uma equipa internacional liderada pelo Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Coimbra (MARE-UCoimbra) identificou a presença generalizada de microplásticos nos rios Mondego e Vouga, dois dos principais sistemas fluviais da região Centro de Portugal.


O estudo, publicado na revista científica Journal of Hazardous Materials: Plastics, analisou microplásticos em suspensão na coluna de água destes dois rios, tendo sido detetados em todos os locais de amostragem. Os resultados confirmam que a poluição por plásticos está amplamente disseminada, mesmo em ecossistemas de água doce no interior do território.

O estudo, que resulta numa colaboração entre a Universidade de Coimbra (UC) e o Indian Institute of Science Education and Research Kolkata, identificou variações nos níveis de contaminação associadas a diferentes pressões antrópicas, incluindo atividades urbanas, turismo, agricultura e infraestruturas.

A maioria das partículas detetadas apresentava dimensões inferiores a um milímetro, sendo as fibras o tipo mais comum. Entre os polímeros mais frequentes destacam-se o polietileno e o polipropileno, amplamente utilizados em embalagens e plásticos de uso único.

Para além da quantificação da contaminação, a investigação incluiu uma avaliação do risco ecológico com base em índices internacionais de poluição e perigo. Apesar de concentrações globais moderadas, várias zonas dos rios Mondego e Vouga apresentaram níveis de risco entre baixo e potencialmente elevado, sobretudo devido à presença de partículas pequenas, mais facilmente transportadas e ingeridas por organismos aquáticos.

Segundo Seena Sahadevan, líder do estudo e investigadora do MARE e do Departamento de Ciências da Vida da UC, “este trabalho fornece informação de base importante sobre a contaminação por microplásticos em sistemas de água doce em Portugal e evidencia a necessidade de monitorização contínua e de estratégias de mitigação”.

Este estudo constitui uma das primeiras avaliações integradas de risco ecológico associadas a microplásticos em suspensão nos rios Mondego e Vouga, contribuindo com dados relevantes para a conservação de ecossistemas aquáticos e a gestão ambiental em Portugal.

A investigação contou ainda com a participação de Sarra Ben Tanfous, na qualidade de primeira autora, bem como dos investigadores Abhishek Mandal, Juliana Barros e Gopala Krishna Darbha. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 12 de março de 2026

Espanha - A revolução das energias renováveis manterá as contas de energia baixas, mesmo com a alta dos preços do gás

Nos últimos seis anos, a Espanha investiu fortemente em energia eólica e solar, o que resultou em alguns dos preços de energia mais baratos da Europa


A guerra com o Irão mergulhou o mundo numa crise energética repentina. O fecho do Estreito de Ormuz e a redução das exportações de energia do Oriente Médio geraram temores de contas mais altas para famílias já sobrecarregadas.

Mas um país europeu está bem posicionado para resistir a estes choques graças ao seu investimento em energia renovável.

Desde 2019, a Espanha duplicou a sua capacidade eólica e solar, adicionando mais de 40 GW – mais do que qualquer outro país da UE, excepto a Alemanha, cujo mercado de energia tem o dobro do tamanho do da Espanha.

Como resultado, o preço da eletricidade na Espanha é muito menos influenciado pelo custo sempre flutuante do gás, que aumentou 55% no dia seguinte ao início da guerra com o Irão e continuou a subir.

“O crescimento da energia eólica e solar na Espanha reduziu em 75% a influência das caras centrais a combustíveis fósseis no preço da eletricidade desde 2019. Essa redução nas horas em que o preço da eletricidade estava atrelado ao custo do gás foi mais rápida do que noutros países dependentes de gás, como Itália e Alemanha”, segundo um relatório do think tank de energia Ember, publicado em outubro do ano passado.

Especialistas concordam que a dependência da importação de combustíveis fósseis deixa os países perigosamente vulneráveis.

“A turbulência que testemunhamos hoje no Médio Oriente torna evidente que estamos diante de um sistema energético global amplamente atrelado aos combustíveis fósseis – onde o fornecimento está concentrado em poucas regiões e cada conflito corre o risco de gerar ondas de choque na economia global”, afirma o Secretário-Geral da ONU, António Guterres.

As contas de energia na Espanha estão entre as mais baixas da Europa.

Segundo o relatório da Ember, entre 2020 e 2024, a Espanha "reduziu a sua fatura de importação do setor elétrico mais do que qualquer outro país da UE". Isso foi possível graças à instalação de novos parques solares e eólicos, que "evitaram a importação de 26 mil milhões de metros cúbicos de gás, o que representou um custo de € 13,5 mil milhões".

Em agosto de 2025, a Espanha não utilizou nenhuma fonte de energia a carvão. Uma realidade bem diferente de apenas 10 anos antes, quando o carvão representava um quarto da energia consumida no país.

A transição para energias renováveis ​​representou um grande ganho para as contas de energia das famílias. Em 2019, antes da revolução eólica e solar na Espanha, o país tinha alguns dos preços de eletricidade mais altos da Europa. Agora, possui alguns dos preços mais baixos.

“A Espanha começou [2026] com alguns dos preços de energia mais baratos da Europa, uma tendência que continuou na primeira semana de março”, afirma Chris Rosslowe, um dos autores do relatório da Ember.

O que ainda falta na Espanha, assim como em grande parte da Europa, é mais capacidade de armazenamento de energia – o seu parque de baterias de 120 MW é apenas o 13.º maior da Europa.

As energias renováveis ​​são custos fixos e pontuais

Com os governos sob pressão constante para reduzir dívidas e impostos, a produção de energia precisa custar o mínimo possível.

Ao contrário das turbinas eólicas e dos painéis solares, que os países compram e instalam uma única vez, o petróleo e o gás precisam ser adquiridos continuamente, com preços sujeitos a choques imprevisíveis, como guerras.

Alguns questionam se a guerra de Trump contra o Irão poderia, inadvertidamente, impulsionar a Europa em direção à tecnologia de energia limpa fabricada na China. O especialista em financiamento de energia, Gerard Reid, aponta para o facto das energias renováveis ​​terem custos de longo prazo mais baixos do que os combustíveis fósseis.

"Prefiro depender da China para a importação de painéis solares e baterias do que do petróleo e gás do Golfo, e vou explicar porquê: porque se eu comprar esse painel solar, essa bateria, essa turbina eólica, esse transformador, compro-os apenas uma vez a cada 25 anos. Não preciso comprá-los todos os dias."

Um novo relatório publicado em 11 de março pelo Comité de Alterações Climáticas do Reino Unido reforça esse ponto: o custo total para atingir emissões líquidas zero até 2050 provavelmente não será maior do que o custo de um único choque no preço dos combustíveis fósseis - como o desencadeado pela invasão da Ucrânia pela Rússia.

Ao simular uma crise semelhante que ocorreria em 2040, o estudo constatou que, se o Reino Unido estivesse no caminho para atingir emissões líquidas zero, as contas de energia das famílias aumentariam apenas 4%, em comparação com 59% sem medidas climáticas.

Será que a guerra com o Irão poderia desencadear uma mudança em direção à energia limpa?

Caroline Baxter, diretora do Laboratório de Riscos Convergentes do Conselho de Riscos Estratégicos em Washington, afirma que "não ficaria surpreendida" se houvesse alguma mudança em direção à energia limpa por causa do conflito, mesmo que apenas porque a energia renovável oferece mais estabilidade do que os combustíveis fósseis.

“Acredito que existe uma oportunidade, certa ou errada, para os países se voltarem para dentro e tentarem fortalecer-se de uma maneira que elimine a sua dependência de outras nações como fonte de recursos”, afirma Baxter, que foi subsecretário adjunto de defesa dos EUA para educação e treinamento das forças armadas de 2021 a 2024, durante o governo Biden.

Baxter afirma que, se ela estiver certa e se "todos fizerem isso nos seus quintais", isso limitará as alterações climáticas futuras "sem as espinhosas negociações diplomáticas, os apertos de mão e as maquinações a portas fechadas" das conferências climáticas internacionais.

A cúpula climática COP30 da ONU do ano passado terminou sem um compromisso com a eliminação gradual dos combustíveis fósseis.

A guerra levará à instalação de mais painéis solares e bombas de calor nos próximos meses, afirma a analista de energia Ana Maria Jaller-Makarewicz, do IEEFA Europa.

É aqui que as pessoas comuns podem fazer a sua parte, não só para reduzir as suas próprias contas de energia, mas também para diminuir a dependência do seu país em relação aos combustíveis fósseis. Como afirma Marin Gillot, da Strategic Perspectives: "Cada bomba de calor, veículo elétrico, turbina eólica ou painel solar instalado significa menos moléculas de gás importado." Euronews com “Associated Press”


quarta-feira, 4 de março de 2026

Internacional - As alterações climáticas são uma má notícia para as baterias de veículos elétricos

Temperaturas mais elevadas aceleram a degradação das baterias em veículos elétricos, representando um fator decisivo para quem está a considerar a transição


As alterações climáticas criaram um dilema para a transição para veículos elétricos (VE), mas os avanços na tecnologia de baterias podem superar o aumento das temperaturas.

Nos últimos anos, as preocupações ambientais têm motivado muitas pessoas a optarem por veículos elétricos. De acordo com dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), as vendas de carros totalmente elétricos ultrapassaram as de veículos movidos exclusivamente a gasolina na União Europeia pela primeira vez em dezembro de 2025.

Apesar da UE ter suavizado a sua proibição de emissões de automóveis para 2035, o bloco também registou mais carros híbridos elétricos no ano passado, sinalizando uma mudança substancial. No final de 2025, os registos de carros a gasolina caíram 18,7%, com declínios em todos os principais mercados.

No entanto, um dos principais fatores decisivos que impedem as pessoas de optarem por um veículo elétrico é a sua capacidade de lidar com condições climáticas extremas.

O aquecimento global está a prejudicar as vendas de veículos elétricos?

2025 foi o terceiro ano mais quente em todo o mundo e na Europa, com temperaturas médias globais atingindo 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Segundo o serviço de monitorização meteorológico Copernicus, o pico foi atribuído ao acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera e ao aumento da temperatura da superfície do mar – ambos fatores amplificados pela atividade humana.

Um estudo de 2025 da revista What Car? revelou que os veículos elétricos podem perder até 44% da sua autonomia declarada quando expostos a temperaturas entre 32 e 44°C.

A Polestar, fabricante de carros elétricos de alto desempenho, afirma que a temperatura tem um "grande impacto" na degradação da bateria, pois afeta as reações químicas no seu interior.

“Assim como as baixas temperaturas desaceleram tudo, as altas temperaturas podem criar reações mais rápidas, o que pode levar a reações indesejadas que fazem com que a sua bateria se degrade mais rapidamente”, acrescenta a empresa.

No entanto, um estudo da Universidade de Michigan descobriu que as recentes melhorias na tecnologia de baterias de veículos elétricos já podem estar a superar a degradação causada pelas alterações climáticas.

Investigadores analisaram a durabilidade de baterias antigas de veículos elétricos, fabricadas entre 2010 e 2018, em comparação com baterias novas, fabricadas entre 2019 e 2023.

Num cenário em que o planeta aquecesse em média 2°C, os veículos elétricos com baterias fabricadas entre 2010 e 2018 teriam a sua vida útil reduzida em até 30%.

Mas, para baterias novas, os investigadores descobriram que a queda média na vida útil é de apenas três por cento, com uma queda máxima de 10 por cento.

'Mais confiança' em veículos elétricos, mas apenas nalguns países

“Graças aos avanços tecnológicos, os consumidores devem ter mais confiança nas baterias dos seus veículos elétricos, mesmo num futuro mais quente”, afirma Haochi Wu, autor principal do estudo, publicado na revista Nature.

O autor principal, Michael Craig, destaca que o estudo tem uma ressalva importante: a equipa utilizou apenas dois veículos elétricos representativos no seu trabalho. Esses veículos foram o Tesla Model 3 e o Volkswagen ID.3.

“Em regiões como a Europa e os EUA, acreditamos ter um bom domínio da tecnologia de baterias disponível nessas regiões”, diz Craig.

“Mas quando analisamos cidades na Índia ou na África subsaariana, por exemplo, elas podem ter frotas de veículos muito diferentes – e quase certamente têm. Portanto, os nossos resultados podem ser otimistas para essas regiões.”

Muitas dessas regiões sentirão os efeitos mais severos das alterações climáticas, o que, segundo os investigadores, demonstra como as desigualdades são agravadas pelo aquecimento global. Euronews


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Albânia - Mais de 40 grupos ambientalistas pedem a suspensão das atividades de resort de luxo em ilha

Dezenas de organizações ambientais estão a pressionar o governo albanês a interromper o megaprojeto em Sazan


Todas as atenções se voltaram para a Albânia depois que mais de 40 grupos ambientalistas de toda a Europa pediram a suspensão do megaprojeto do genro de Donald Trump.

No ano passado, Jared Kushner e sua esposa Ivanka Trump causaram polémica ao revelarem planos para transformar a ilha desabitada de Sazan num destino turístico para a elite. Os planos da Affinity Global Development para arrasar a área natural e construir um resort de luxo receberam sinal verde do primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, em janeiro do ano passado.

Estima-se que o projeto custe cerca de 1,4 mil milhões de euros e foi viabilizado graças à infame Lei 21/2024 , que permite a construção de hotéis cinco estrelas em qualquer lugar do país, inclusive em áreas naturais protegidas.

Sazan, que outrora abrigou uma base militar, é uma das últimas ilhas intocadas do Mediterrâneo, rodeada pelo Parque Nacional Marinho de Karaburun-Sazan e um refúgio crucial para algumas das espécies marinhas mais ameaçadas do mundo.

'Profunda preocupação' com o desenvolvimento de Sazan

Numa carta endereçada a Rama e ao Ministro do Meio Ambiente, Sofjan Jaupaj, um grupo de organizações ambientais de 28 países diferentes instou o governo a suspender qualquer decisão que possa levar o projeto adiante. A carta surge apenas uma semana depois de Ivanka Trump ter sido vista jantando com Rama acompanhada por uma equipa de arquitetos.

Organizações como a Proteção e Preservação do Meio Ambiente Natural na Albânia (PPNEA) e o Centro Mediterrâneo de Monitorização Ambiental (MedCEM) alertam que o projeto proposto envolveria intervenções numa área de 45 hectares em Sazan, levantando "sérias preocupações" sobre o seu impacto ambiental.

Sazan está rodeada pelo Parque Nacional Marinho e as suas águas são designadas como Área Protegida de Importância Mediterrânica (SPAMI). O mar em redor de Sazan oferece habitats valiosos e essenciais para espécies ameaçadas de extinção, como a foca-monge-do-mediterrânico, enquanto os prados subaquáticos de Posidonia nas proximidades são fundamentais para a biodiversidade e o clima.

'Uma séria ameaça a habitats delicados'

“A construção de um resort de luxo, com intervenções de infraestrutura em grande escala, como tráfego marítimo, estradas e sistemas de esgoto, representa uma séria ameaça a esses habitats delicados”, diz a carta.

“Essas intervenções trazem ruído, iluminação artificial, poluição e maior presença humana – tudo isso pode afastar a vida selvagem de áreas críticas, incluindo cavernas costeiras essenciais para a sobrevivência da foca-monge.”

A carta argumenta ainda que o projeto e sua aprovação representam uma “contradição direta” aos compromissos assumidos pela Albânia no processo de adesão à União Europeia. Isso ocorre poucos dias depois de a Albânia ter se juntado ao recém-criado “Conselho da Paz” de Trump, que, segundo ele, criará um futuro mais seguro para o mundo.

A Euronews Green entrou em contato com o Ministério do Turismo e Meio Ambiente da Albânia para obter um posicionamento. Euronews.green


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Portugal - Cientistas encontram no mar alternativa a biocidas tóxicos

Péptidos produzidos por cianobactérias marinhas podem apresentar um desempenho superior ao dos biocidas comerciais amplamente utilizados na indústria naval


Um consórcio de investigadores liderado pelo CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, em colaboração com a Universidade de Lisboa e a Universidade do Porto, desenvolveu uma nova abordagem anti-incrustante (antifouling) baseada em péptidos naturais produzidos por cianobactérias marinhas. A prova de conceito descrita no estudo Engineered coatings containing cyclic peptides from cyanobacteria delay the development of a stable macrofouling community Engineered coatings containing cyclic peptides from cyanobacteria delay the development of a stable macrofouling community, demonstra que estes péptidos são capazes de substituir biocidas tóxicos que dominam o mercado de tintas anti-incrustantes usadas na indústria marítima.

Joana Almeida, investigadora do grupo de Interfaces Oceânicas Bioinspiradas do CIIMAR e líder deste estudo, explica que “a principal inovação deste trabalho está no uso de péptidos naturais produzidos por cianobactérias, que interferem seletivamente nos processos iniciais de colonização biológica, sem prejuízo para organismos não-alvo nem para a biodiversidade marinha”.

O resultado é um produto capaz de “controlar eficazmente a bioincrustação marinha sem recorrer à libertação contínua de biocidas tóxicos, abrindo caminho a uma nova geração de revestimentos anti-incrustantes ambientalmente responsáveis.”

Os desafios da bioincrustação marinha

A bioincrustação marinha, conhecida como biofouling, é um fenómeno natural que ocorre quando superfícies submersas, como cascos de navios, infraestruturas portuárias ou equipamentos de aquacultura, são colonizadas por bactérias, algas e invertebrados.

Este processo representa um dos maiores desafios operacionais e económicos para as indústrias marinhas, nomeadamente a indústria naval, aumentando os custos de manutenção dos navios, o consumo de combustível e de emissões.

Na atualidade, a resposta dominante a este problema é o uso de tintas que libertam continuamente biocidas tóxicos (cobre e outros compostos metálicos) impedindo a incrustação. Apesar da sua eficácia, estas soluções têm um elevado custo ambiental provocando poluição marinha, perda de biodiversidade e degradação dos ecossistemas. A sua ação é tão intensa que alguns biocidas, como o tributilestanho (TBT), já foram banidos pela União Europeia que tem exigido, através do Regulamento dos Produtos Biocidas (UE 528/2012), o desenvolvimento de alternativas ambientalmente seguras.

Joana Almeida explica que “a transição para soluções anti-incrustantes não tóxicas é inevitável face ao enquadramento regulatório europeu.” O estudo agora publicado na conceituada revista científica Trends in Biotechnology, do grupo Cell, apresenta uma solução inovadora de base natural que resolve todos os desafios acima: “essa transição é não só possível, como tecnologicamente viável”, acrescenta a investigadora do CIIMAR.

Uma alternativa eficaz e não tóxica

Durante as experiências realizadas os revestimentos funcionalizados com péptidos bioativos produzidos por uma estirpe de cianobactéria integrada na coleção LEGE-CC do CIIMAR, mostraram ser particularmente eficazes a interferir na formação de biofilmes e a inibir a fixação das larvas de mexilhão em laboratório e, portanto, atrasando as fases iniciais de colonização biológica em condições reais de ambiente marinho, um aspeto crucial no controlo da bioincrustação.

Ao interferirem nos processos de adesão e organização sequencial das comunidades incrustantes iniciais, nomeadamente através da modulação de sinais químicos naturais que orientam a adesão de bactérias e outros microorganismos, estes compostos reduzem o alojamento subsequente de macroalgas e invertebrados, sem recorrer a qualquer toxicidade química. Trata-se de uma estratégia baseada na modulação ecológica da bioincrustação inspirada em mecanismos de comunicação química existentes no oceano.

Segundo Joana Almeida, este “controlo das fases iniciais da bioincrustação é determinante para evitar o desenvolvimento das espécies mais problemáticas. Os nossos resultados mostram que é possível alcançar esse controlo usando a nosso favor os mecanismos naturais de colonização sequencial sem libertar compostos nocivos para o ambiente”.

Igualmente importante de referir é o facto de o estudo em questão demonstrar que estes péptidos produzidos por cianobactérias marinhas apresentam um desempenho comparável, e em alguns aspetos superior, ao de um biocida comercial amplamente utilizado na indústria (Econea®).

“Ao reduzir a libertação de poluentes no oceano, esta tecnologia tem o potencial de gerar benefícios ambientais claros, mas também ganhos económicos diretos para setores como o transporte marítimo, a aquacultura e as infraestruturas costeiras.” reforça a investigadora do CIIMAR.

Os impactos positivos estendem-se a setores como a pesca, a aquacultura e o turismo, contribuindo para oceanos mais saudáveis e para uma economia azul mais sustentável.

Do laboratório à indústria

No que toca ao potencial deste estudo, Joana Almeida explica que o trabalho realizado” vai além da investigação fundamental. Demonstrámos a incorporação funcional dos compostos em revestimentos e validámos protótipos em condições marinhas reais, aproximando a tecnologia de uma aplicação industrial.”

Este avanço representa, assim, uma progressão clara do nível de maturidade tecnológica, aproximando uma solução natural de uma aplicação industrial futura.

A tecnologia encontra-se já numa fase pré-industrial promissora. Os próximos passos passam por demonstrar a eficácia a longo prazo em diferentes ambientes marinhos, bem como otimizar os processos de produção e incorporação dos compostos a uma escala industrial competitiva.

Os resultados deste estudo abrem também novas perspetivas para a investigação e desenvolvimento de tecnologias anti-incrustantes inspiradas na natureza, com benefícios claros para o ambiente, a indústria e a sociedade, alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, as exigências europeias e posicionando-se como um passo decisivo rumo a oceanos mais limpos, resilientes e produtivos. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Vietname - O negócio sujo da reciclagem que está a fazer ricos

Agachado entre montanhas de plástico descartado, Lanh retira os rótulos das garrafas de Coca-Cola, Evian e chás vietnamitas locais para que possam ser derretidos e transformados em pequenos grânulos para reutilização. Mais lixo chega diariamente, acumulando-se como nevões multicoloridos ao longo das estradas e rios de Xa Cau, uma das centenas de aldeias de reciclagem “artesanais” que rodeiam Hanói, a capital do Vietname, onde o lixo é separado, triturado e derretido


As aldeias apresentam um paradoxo: permitem a reutilização de parte das 1,8 milhões de toneladas de resíduos plásticos que o Vietname produz anualmente e possibilitam aos trabalhadores a obtenção de salários tão necessários. Mas, a reciclagem é feita com pouca regulamentação, polui o ambiente e ameaça a saúde dos envolvidos, disseram à AFP trabalhadores e especialistas.

“Este trabalho é extremamente sujo. A poluição ambiental é realmente grave”, disse Lanh, de 64 anos, pedindo para ser identificada apenas pelo primeiro nome por receio de perder o emprego.

É um dilema enfrentado por muitas economias em rápido crescimento, onde a utilização e eliminação do plástico ultrapassou a capacidade do governo de recolher, separar e reciclar. Mesmo nos países ricos, as taxas de reciclagem são frequentemente muito baixas porque a reutilização de produtos plásticos pode ser cara e as taxas de triagem são baixas.

No entanto, os métodos rudimentares utilizados nas aldeias artesanais do Vietname produzem emissões perigosas e expõem os trabalhadores a produtos químicos tóxicos, alertam os especialistas.

“O controlo da poluição do ar é zero nestas instalações”, disse Hoang Thanh Vinh, analista do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, com foco na reciclagem de resíduos. O esgoto não tratado é frequentemente despejado directamente nos cursos de água, acrescentou.

A verdadeira dimensão do problema é difícil de avaliar, existindo poucos estudos abrangentes.

Na aldeia de Minh Khai, segundo Vinh, uma análise de sedimentos detectou “uma contaminação muito elevada por chumbo e a presença de dioxinas”, bem como furano – todos associados ao cancro. Em 2008, verificou-se que a esperança de vida dos residentes das aldeias era uma década inferior à média nacional, segundo o Ministério do Ambiente.

As autoridades locais e o ministério não responderam aos pedidos de comentários da AFP.

Lanha acredita que o lixo tóxico em Xa Cau causou cancro no sangue do marido, mas ainda passa os dias a separar o lixo para pagar as suas despesas médicas. “Esta aldeia está cheia de casos de cancro, pessoas apenas à espera da morte”, disse ela.

Não existem dados sobre as taxas de cancro nas aldeias, mas a AFP falou com mais de meia dúzia de trabalhadores em Xa Cau e Minh Khai que relataram casos de colegas ou familiares com cancro.

O coordenador da Aliança Lixo Zero do Vietname, Xuan Quach, disse que a exposição contínua ao “ambiente tóxico” torna inevitável que os residentes enfrentem “riscos para a saúde que são, obviamente, maiores”.

Um residente de 60 anos, conhecido por Dat, separa o plástico em Xa Cau há uma década e disse que o trabalho “afecta definitivamente a saúde”. “Não faltam casos de cancro nesta aldeia”, aponta.

Mas também não faltam trabalhadores, ávidos da tábua de salvação económica que a reciclagem proporciona.

Em Xa Cau, o plástico acumula-se em redor de casas de vários andares, algumas com fachadas ornamentadas que indicam os anos em que foram construídas.

“Enriquecemos graças a este negócio”, disse Nguyen Thi Tuyen, de 58 anos, que vive numa casa de dois andares. “Agora todas as casas são de tijolo. No passado éramos apenas uma aldeia agrícola”.

A maior parte do lixo que os residentes reciclam é de produção local, dizem investigadores e residentes.

Embora o Vietname recicle apenas cerca de um terço do seu próprio lixo plástico, importa milhares de toneladas anualmente da Europa, EUA e Ásia. As importações dispararam depois de a China ter deixado de aceitar lixo plástico em 2018, embora o Vietname tenha recentemente endurecido as regulamentações e anunciado planos para eliminar gradualmente também as importações.

Para já, estatísticas comerciais dos EUA e da União Europeia mostram que as remessas para o Vietname provenientes destas duas economias atingiram mais de 200 mil toneladas em 2024.

Em Minh Khai, o proprietário de uma fábrica de grânulos de plástico disse que a oferta interna “não é suficiente”. “Preciso de importar do estrangeiro”, explicou Dinh, de 23 anos, no meio do zumbido das máquinas pesadas.

A maior parte do lixo doméstico não está separado, pelo que não pode ser facilmente reutilizado.

Houve esforços para melhorar o sector, incluindo a proibição da queima de resíduos não recicláveis ​​e a construção de instalações modernas. Mas, a queima continua e o lixo inutilizável é frequentemente descartado em terrenos baldios, referiu Vinh, defendendo que o governo deveria ajudar as empresas de reciclagem a mudarem-se para parques industriais com melhores medidas de protecção ambiental, formalizando um sector que processa um quarto da reciclagem do país.

“O método actual de reciclagem nas aldeias de reciclagem… não é nada bom para o ambiente”. In “Jornal Tribuna de Macau” com “AFP”


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Brasil - A Amazónia está a entrar num estado "hipertropical" nunca visto em milhões de anos

Um novo estudo publicado na revista Nature sobre a floresta amazónica descobriu que a região está a transformar-se num estado "hipertropical", à medida que as secas se tornam mais longas, mais quentes e mais frequentes.


Segundo a equipa internacional de investigadores responsável pelo estudo, estas condições "não têm paralelo atualmente". As árvores estão sendo expostas a níveis de estresse sem precedentes, e a capacidade da Amazónia de absorver dióxido de carbono também está sendo reduzida.

As alterações contemporâneas e iminentes são tão drásticas, com base em dados coletados na Amazónia ao longo de mais de três décadas, que os investigadores criaram um termo: "hipertropical". Estamos a falar de condições que não existiam na Terra há milhões de anos.

Os Investigadores analisaram como as árvores e o solo em que estão enraizadas reagem a períodos de altas temperaturas e seca. À medida que esses períodos se intensificam, eles oferecem uma breve visão do que poderá ser o novo normal nos próximos 100 anos.

"Quando ocorrem estas secas intensas, esse é o clima que associamos a uma floresta hipertropical, porque está além dos limites do que consideramos floresta tropical atualmente", afirma o geógrafo Jeff Chambers, da Universidade da Califórnia, Berkeley.

Modelos criados a partir dos dados coletados por Chambers e pelos seus colegas mostram que estas secas extremas provavelmente serão ainda mais comuns até 2100 e ocorrerão durante todo o ano – inclusive durante a estação chuvosa (por volta de dezembro a maio ).

Prevê-se que as árvores morram em taxas mais elevadas devido à redução da humidade do solo, o que pode desencadear dois problemas relacionados: falha hidráulica , em que bolhas de ar bloqueiam o transporte de água dentro das árvores, e privação de carbono , em que o fechamento dos poros das folhas, numa tentativa de economizar água, afeta a fotossíntese.

Medições de campo mostram que isso já está a acontecer agora, nos extremos do clima atual da Amazónia. Se o clima tornar-se hipertropical, esses extremos ocorrerão com muito mais frequência, podendo aumentar a taxa de mortalidade das árvores em 55%.

"Demonstramos que as árvores de crescimento rápido e baixa densidade da madeira eram mais vulneráveis, morrendo em maior número do que as árvores de alta densidade da madeira", afirma Chambers.

"Isso implica que as florestas secundárias podem ser mais vulneráveis ​​à mortalidade induzida pela seca, porque possuem uma fração maior desses tipos de árvores."

Parte do estudo focou em dois locais específicos da Amazónia afetados pelas secas de 2015 e 2023, que foram impulsionadas por eventos El Niño excepcionalmente quentes. O limiar crítico de água foi o mesmo nos dois locais e nos dois anos – sugerindo uma possível mudança generalizada.

A maioria das florestas hipertropicais surgirá na região amazónica, preveem os investigadores, embora também seja provável que apareçam na África e na Ásia. Essas florestas podem deixar de ser sumidouros de carbono e tornarem-se emissoras de carbono, à medida que as árvores morrem.

Estas projeções são baseadas em dados abrangentes e servem como mais um lembrete preocupante da importância das florestas para o equilíbrio da atmosfera – e do que acontece se elas forem perdidas.

"Tudo depende do que fizermos", diz Chambers. "Cabe a nós decidir até que ponto vamos realmente criar esse clima hipertropical."

"Se continuarmos emitindo gases de efeito estufa à vontade, sem nenhum controlo, criaremos esse clima hipertropical mais cedo." David Nield – Reino Unido in “Science Alert”


domingo, 30 de novembro de 2025

Luxemburgo – Continua a crescer o transporte coletivo de carros elétricos em carril, denominado Tram

O Governo aprovou a extensão do elétrico até ao Centro Hospitalar do Luxemburgo. O trajeto de 2,2 km inclui quatro estações e um túnel. O objetivo é descongestionar o tráfego na Route d'Arlon


A novidade foi divulgada na sexta-feira à noite através de um comunicado de imprensa que descreve as decisões tomadas nesse dia pelo Conselho de Governo. O Conselho "aprovou o projeto de lei relativo à construção do prolongamento da linha de elétrico entre a Place de l'Étoile e o nó do CHL, que visa autorizar e financiar o prolongamento da linha de elétrico ao longo da Route d'Arlon", lê-se, juntamente com a reforma da "carta verde" desmaterializada.

Como se sabe, os eléctricos luxemburgueses pretendem expandir-se em várias frentes. A sul, evidentemente, a extensão graças ao elétrico rápido que irá até Esch-sur-Alzette e Belval. A norte, a segunda linha, que atravessará o bairro de Kirchberg. Em seguida, para oeste, temos os dois projectos de extensão: o que atravessa o futuro bairro de Nei Hollerich e esta linha que ligará ao Centro Hospitalar do Luxemburgo (CHL) a partir da Place de l'Étoile.


Parte da linha será subterrânea

Tal como anunciado anteriormente pela Ministra da Mobilidade Yuriko Backes (DP) e pela Luxtram, o trajeto seguirá a Route d'Arlon, uma ligação estratégica entre a capital e Strassen, e terá 2,2 km de comprimento.

Foi igualmente explicado que incluiria quatro novas estações e que seria escavado um túnel de 550 metros na segunda metade do seu trajeto, entre o futuro "Wunnquartier Stade" (no local do estádio Josy Barthel e o Centre Hospitalier de Luxembourg, onde um novo edifício principal deverá estar operacional em 2028). O objetivo é reduzir o impacto no tráfego e no planeamento urbano.

A Place de l'Étoile será igualmente remodelada, com espaços verdes, zonas pedonais e uma ciclovia separada do tráfego automóvel.

O objetivo é descongestionar o tráfego na Route d'Arlon, facilitar o acesso ao hospital e oferecer uma alternativa sustentável ao automóvel.  O custo estimado é de 171 milhões de euros, segundo um comunicado divulgado pela ministra Yuriko Backes nas redes sociais neste sábado, 29 de novembro. “114 milhões de euros serão cobertos pelo Estado e 57 milhões de euros pela cidade de Luxemburgo”, explicou.

Deveremos saber mais em breve com o projeto de lei. A data de início das obras ainda não foi anunciada, evidentemente, mas teremos de esperar, pelo menos, até 2032 para que esta nova e importante extensão esteja concluída. Julien Carette – Luxemburgo in “Contacto”







quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Grécia - Anuncia plano para combater a seca e garantir o abastecimento de água

As alterações climáticas e a seca "ameaçam" Atenas com escassez de água pela primeira vez em 30 anos. O plano de emergência visa evitar essa situação


A Grécia acaba de lançar projetos no valor de 2,5 mil milhões de euros para implementar o seu plano de gestão hídrica e enfrentar a crescente ameaça de escassez de água.

O Ministro do Meio Ambiente e Energia, Stavros Papastavrou, anunciou o investimento juntamente com o Primeiro-Ministro Kyriakos Mitsotakis no evento de comemoração do centenário da Companhia de Abastecimento de Água e Esgoto de Atenas (EYDAP). Eles enfatizaram que a água continuará sendo um bem público e manterá o seu status como uma das de mais alta qualidade na Europa.

O ponto central do plano é um projeto para desviar parcialmente o fluxo dos rios Krikeliotis e Karpenisiotis para o reservatório de Evinos, que abastece a capital grega. O objetivo é garantir o abastecimento de água da Ática pelas próximas três décadas.

Papastavrou alertou que as alterações climáticas estão s agravar a escassez de água num momento em que a disponibilidade hídrica na Grécia está próxima de mínimos históricos. As novas medidas visam garantir água potável para mais da metade da população do país e promover maior coordenação na gestão dos recursos hídricos em âmbito nacional.

O principal projeto de desvio do rio

A peça central do plano é o desvio parcial dos rios Krikeliotis e Karpenisiotis para o reservatório de Evinos. A conclusão do projeto está prevista para o primeiro semestre de 2029 – um século depois da conclusão da Barragem de Maratona.

Entretanto, a EYDAP está a implementar medidas a curto prazo para reforçar imediatamente o abastecimento de água da Ática. Estas incluem a exploração de novos poços em Mavrosouvala, Ymittos e nos Montes Cifisos da Beócia, que, em conjunto, poderão fornecer cerca de 150 milhões de metros cúbicos de água anualmente, assim que estiverem operacionais.

Papastavrou afirmou que dois importantes projetos de médio prazo também estão em andamento, caso sejam necessários. O primeiro envolve um aqueduto para ligar o Sistema Externo de Abastecimento de Água às instalações de dessalinização. O segundo é uma nova central de dessalinização em terra com capacidade de até 87,5 milhões de metros cúbicos por ano.

O governo também planeia expandir a abrangência geográfica da EYDAP e da EYATH para incluir a irrigação nas suas áreas de atuação, ao mesmo tempo em que procura simplificar o cenário fragmentado da gestão de recursos hídricos na Grécia, consolidando 750 fornecedores.

Mitsotakis: Crise hídrica dos anos 1990 'não se deve repetir'

Em discurso no evento do centenário da EYDAP, no Museu de História Natural Goulandris, o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis alertou para o perigo muito real da escassez de água que a região da Ática enfrenta.

"A Ática enfrenta um problema muito sério em termos de abastecimento de água se medidas drásticas não forem tomadas. Esperança não é estratégia e temos de estar preparados para o pior cenário."

Ele acrescentou que o desvio parcial dos rios Krikeliotis e Karpenisiotis poderia transferir mais de 200 milhões de metros cúbicos de água por fluxo natural, sem estações de bombeamento.

"Este projeto garantirá que, pelos próximos trinta anos, a Ática não enfrentará problemas de abastecimento de água", enfatizou o primeiro-ministro grego, lembrando "a crise de abastecimento de água da década de 1990, que jamais se deve repetir". Euronews.green


quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Islândia – Pela primeira vez foram encontrados mosquitos, após temperaturas recordes

Depois que a espécie foi identificada perto da capital da Islândia, a Antártida continua a ser o único refúgio livre de mosquitos do mundo


Pela primeira vez na história, mosquitos foram detectados em solo islandês.

Até este mês, a Islândia era um dos únicos lugares do planeta que não tinha população de mosquitos, graças ao seu clima inóspito e à ausência de água parada. O único outro paraíso livre de mosquitos agora é a Antártida.

Agora, as alterações climáticas estão a aquecer o país quatro vezes mais rápido que o resto do hemisfério norte, resultando no derretimento de glaciares sem precedentes e ondas de calor frequentes.

Em maio deste ano, a Islândia registou o seu dia mais quente, com temperaturas a chegar a impressionantes 26,6°C, enquanto regiões do país registaram temperaturas mais de 10°C acima da média durante a primavera.

Teme-se que este aquecimento rápido permita que o infame inseto sobreviva no país e se estabeleça nos pântanos e lagoas da Islândia.

Mosquitos

Acredita-se que o entusiasta de insetos Bjorn Hjatason tenha encontrado três mosquitos no vale glacial de Kjós, perto de Reykjavik, enquanto usava cordas embebidas em vinho, normalmente usadas para observar mariposas.

Na quinta-feira, 16 de outubro, ele compartilhou a sua descoberta numa página local do Facebook, descrevendo o primeiro inseto que capturou como uma “mosca estranha”.

“Percebi imediatamente que aquilo era algo que eu nunca tinha visto antes”, escreveu ele.

Hjatason enviou os três mosquitos para o Instituto de Ciências Naturais da Islândia, onde o entomologista Matthías Alfreðsson os identificou como duas fêmeas e um macho Culiseta annulata.

Estes tipos de mosquitos são mais resistentes ao frio do que outros e podem ser encontrados em climas rigorosos, como a Sibéria.

Alfreðsson afirma que as espécies geralmente procuram abrigo em áreas internas, como celeiros, para resistir às condições rigorosas do inverno.

As alterações climáticas estão a atrair mosquitos?

O entomologista não tem a certeza se as alterações climáticas pode ser a única culpada pela chegada dos mosquitos, mas alerta: “O aumento das temperaturas provavelmente aumentará o potencial de outras espécies de mosquitos se estabelecerem na Islândia, caso cheguem”.

Também é possível que os insetos tenham chegado de outros países por meio de navios ou contentores.

Há vários anos, um mosquito de uma espécie diferente foi descoberto num avião no Aeroporto Internacional de Keflavík. No entanto, o inseto nunca havia sido avistado na natureza até este mês.

Agora, será necessária uma monitorização mais aprofundada para confirmar se a espécie de mosquito tornou-se “verdadeiramente estabelecida” na Islândia. Euronews.green


quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Ilha do Príncipe avança na transição energética com bicicletas eléctricas

A entrega das 14 bicicletas elétricas, três postos de carregamento solar e uma Ciclo Oficina equipada decorreu no dia 17, na cidade de Santo António, uma iniciativa que marca um passo importante na transição energética e no combate às alterações climáticas. O projeto faz parte da iniciativa AfroSmartSpot, implementada pela Efrican e financiada pela Cooperação portuguesa, através do Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente e Energia de Portugal


A Região Autónoma do Príncipe inaugurou um projeto piloto de mobilidade sustentável que contou com a presença do presidente do Governo Regional, Filipe Nascimento, do secretário regional Júlio Pereira Mendes, da Embaixada de Portugal representada por Paula Pereira, e da equipa da Efrican. Representantes de cooperativas, associações, operadores turísticos, empresas privadas e a comunidade local também marcaram presença.

Mudança de paradigma

As bicicletas foram distribuídas por entidades públicas e privadas, incluindo operadores turísticos, moto-taxistas e o setor do comércio e serviços. O objetivo é reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, substituindo veículos a combustão por bicicletas elétricas em deslocações de curta distância.

“Este é um passo muito importante para a sustentabilidade e para uma mudança de paradigma”, afirmou Ivo Pizarro, responsável da Efrican. A Cooperação Portuguesa destacou a importância do projeto para o desenvolvimento sustentável e a consciência ambiental da população.

Formação mecânica de bicicletas elétricas

O projeto incluiu ainda formação em mecânica de bicicletas elétricas, capacitando um grupo de participantes para garantir manutenção e assistência técnica. Foram criadas ciclo-oficinas e postos de serviço básicos, reforçando a sustentabilidade a longo prazo. Além disso, três estações de carregamento solar foram instaladas na cidade de Santo António, assegurando energia limpa para o funcionamento das bicicletas.

O Governo Regional do Príncipe destaca que esta é apenas a primeira fase de um caminho de transformação do setor dos transportes e um exemplo inspirador de desenvolvimento sustentável para todo o país.

“Deixo, em nome do Governo Regional, a vontade de continuarmos com novos e inovadores projetos”, declarou Filipe Nascimento. Adelise Coelho – Cabo Verde in “A Nação”