Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 3 de março de 2019

Lusofonia - Deputados lusófonos preocupados com ensino do português na Guiné Equatorial e Timor-Leste

O ensino do português na Guiné Equatorial e em Timor-Leste constitui uma preocupação para a Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP), segundo o deputado cabo-verdiano Rui Soares.

A preocupação foi expressa pelos presidentes dos grupos nacionais da AP-CPLP, no final de uma reunião de dois dias realizada em Luanda, que contou com a participação dos Estados-membros da comunidade, à exceção da Guiné-Bissau, devido ao período eleitoral, Moçambique e Brasil, por questões de agenda.

Na reunião, em que ficou decidido que a capital angolana vai receber entre 08 e 10 de junho próximo a 9.ª Assembleia Parlamentar da CPLP, foi pedido ao Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), cuja sede se situa na cidade da Praia, em Cabo Verde, para dar “uma atenção especial” aos dois países.

Na reunião dirigida pelo presidente do grupo nacional da AP-CPLP da Assembleia Nacional de Cabo Verde, Rui Soares, a senadora da Assembleia Nacional da Guiné Equatorial, Pilar Djombe Djangani, assumiu que a questão da língua portuguesa “é uma preocupação”, informando que o processo do ensino do português está em curso.

“Estamos a trabalhar, só que as coisas não avançam com a mesma rapidez que gostaríamos”, disse a senadora, salientando que “é bem-vindo todo o apoio dos países de língua portuguesa para ajudar a ultrapassar essa situação”.

Nesse sentido, o deputado Marco António Costa, presidente do grupo da CPLP da Assembleia da República portuguesa, sugeriu que a presidência de Cabo Verde auxilie a Guiné Equatorial através de um plano estruturado, com um relatório de situação sobre o que está feito e o que poderá ser feito nos próximos anos pelos Estados-membros para a implementação efetiva do português como língua oficial no país.

“A partir do momento que admitimos a Guiné Equatorial como membro pleno desta comunidade, temos o dever moral de auxiliar a Guiné Equatorial a integrar-se plenamente”, defendeu Marco António Costa.

Em declarações à agência Lusa, o deputado português disse que há necessidade de um reforço, do ponto de vista organizacional da CPLP e no âmbito da Assembleia Parlamentar, para uma maior aproximação dos agentes da sociedade civil e políticos dos diferentes Estados.

Segundo Marco António Costa, na reunião que hoje terminou foi também analisada “com atenção” a questão da mobilidade, no âmbito de um programa aprovado recentemente pela Assembleia Parlamentar da CPLP, “que precisa de ser acompanhado”.

“Para Portugal e, de forma geral, para todos os Estados, esta proximidade institucional entre os parlamentos permite desbloquear impasses e, acima de tudo, encontrar soluções no plano legislativo para uma maior coesão da comunidade de países de língua portuguesa”, disse.

Nesse sentido, salientou que a visita de Estado a Angola do Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que começará a 06 de março, um dia após a chegada a Luanda, é uma “demonstração importantíssima do compromisso do Estado português com os países da CPLP”.

Outro ponto a ser sugerido para abordagem na 9.º Assembleia Parlamentar de junho, em que se deverá aprovar uma resolução sobre o ensino e difusão do português, tem a ver com a inclusão de deputados da AP-CPLP nos processos eleitorais da comunidade já decorridos e os previstos para este biênio.

Sobre esta questão, Marco António Costa sugeriu que, além do modelo da observação eleitoral, se inclua também a participação e acompanhamento dos processos eleitorais na lógica do aperfeiçoamento dos processos organizativos das eleições, ou seja, uma formação técnica.

A anteceder a 9.ª Assembleia Parlamentar da CPLP estão previstas reuniões preparatórias do encontro, como a da Comissão de Economia, Ambiente e Cooperação, a 18 e 19 de março, em São Tomé e Príncipe.

A 15 e 16 de abril, em Maputo, decorrerá a da Comissão de Política, Estratégia, Legislação, Cidadania e Circulação, com Lisboa a acolher a da Comissão de Língua, Educação, Ciência e Cultura, a 29 e 30 de abril do mesmo mês.

Pelo meio, a 22 e 23 de abril, na Guiné Equatorial, decorrerá a reunião da Rede de Mulheres Parlamentares da CPLP. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Guiné Equatorial – Instituto Camões e a Universidade Nacional vão criar Centro de Língua Portuguesa

Portugal cumpre, assim, o seu compromisso de apoiar a Guiné Equatorial na promoção do uso sistemático do português

O Instituto Camões – Instituto da Cooperação e da Língua I.P., representado pelo encarregado de Negócios de Portugal em Malabo, Manuel Grainha do Vale, e a Universidade Nacional da Guiné Equatorial (UNGE), representada pelo seu reitor, Filiberto Ntutumu Nguema Nchama, assinaram em Malabo, um protocolo que marca o início da cooperação em matéria de promoção da Língua Portuguesa por parte de entidades portuguesas naquele país da CPLP.

O protocolo consigna a criação de um Leitorado de Português e de um Centro de Língua Portuguesa / Camões, I.P., na UNGE, tendo já sido selecionada a docente que irá assegurar o desenvolvimento de um major e de um minor em Estudos Portugueses, bem como de projetos no domínio da formação de docentes de Português como língua estrangeira. In “Revista Port. Com” - Portugal

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Guiné-Bissau – Cooperação com a Guiné Equatorial

Bissau – As autoridades de Bissau e da Guiné-Equatorial assinaram recentemente sete acordos de cooperação no âmbito da visita de 2 dias que o presidente guineense, José Mário Vaz efectuou àquele país da CPLP.

O anúncio foi feito pelo chefe de Estado guineense a sua chegada ao aeroporto de Bissau.

"Celebrámos sete acordos importantes para o futuro da relação entre os dois países", afirmou José Mário Vaz, em declarações aos jornalistas no aeroporto internacional Osvaldo Vieira, sem precisar os sectores.

Na declaração, sem direito a perguntas, o Presidente guineense disse ter saído da Guiné Equatorial encorajado, porque ambos os países têm "inimigos comuns", nomeadamente a pobreza, a má nutrição e o subdesenvolvimento.

"No encontro que tivemos, os dois chefes de Estados decidiram trabalhar juntos para combater esse inimigo comum", afirmou.

Na declaração aos jornalistas, o Presidente guineense não falou sobre a suspensão, decidida pelo Ministério Público, do recenseamento eleitoral em curso no país, que o Governo já considerou ilegal.

O chefe de Estado guineense viajou acompanhado do ministro dos Negócios Estrangeiros, João Ribeiro Có, e do ministro da Defesa, Eduardo Costa Sanhá, e membros da Presidência guineense.

As relações diplomáticas entre os dois países são recentes e foram reforçadas com a entrada da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), durante a cimeira de Díli, em 2014.

O primeiro embaixador da Guiné Equatorial para a Guiné-Bissau, Tito Mba Ada, baseado em Lisboa, entregou em novembro as cartas credenciais ao Presidente guineense. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Macau – Chefe do executivo afirma que há espaço para a cooperação com a Guiné Equatorial

O chefe do executivo de Macau, Chui Sai On, afirmou ontem que há "espaço para a cooperação" daquele território com a Guiné Equatorial, nomeadamente no setor do turismo e no intercâmbio cultural e humano



Chui Sai On reuniu-se com o primeiro-ministro da Guiné Equatorial, Francisco Pascual Obama Asue, no âmbito da conferência internacional de infraestruturas, que arrancou em Macau com a participação de mais de 60 países.

"Desde o estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e a Guiné Equatorial, em 1970, a ligação entre os dois países desenvolve-se a bom ritmo e a cooperação e intercâmbio nas áreas económica e comercial, infraestruturas, cultura e educação, e saúde, têm sido a reforçadas", frisou o chefe do executivo.

Para Chui Sai On, a língua portuguesa que ambos partilham é um mote para a cooperação bilateral no âmbito da iniciativa «Uma Faixa, Uma Rota», a qual tem "impulsionado o lançamento de projetos de cooperação de grandes infraestruturas entre a China e África".

Por sua vez, o primeiro-ministro da Guiné Equatorial destacou os 50 anos de relações diplomáticas entre a China e a Guiné Equatorial, apresentando os dois países "como irmãos".

O apoio da China, ao longo dos anos, e a sua participação no desenvolvimento e construção da Guiné Equatorial, que se alarga a outros países africanos, contribuiu para "uma nova fisionomia" daquele território, declarou.

Francisco Obama referiu ainda o plano de desenvolvimento nacional "Horizonte 2020", cujo principal objetivo é, "de forma empenhada, construir infraestruturas para alcançar o desenvolvimento e a globalização".

Neste sentido, considera que a construção de «Uma Faixa, Uma Rota», proposta pelo Governo chinês, "tem um impacto positivo na Guiné Equatorial, no sentido de acelerar a construção de infraestruturas" e assim contribuir para o desenvolvimento económico e social daquele país.

Anunciada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a iniciativa "Faixa económica da rota da seda e a Rota da seda marítima do século XXI", mais conhecida como "Uma Faixa, Uma Rota", está avaliada em 900 mil milhões de dólares, e visa reativar as antigas vias comerciais entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e Sudeste Asiático. “Agência Lusa”

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Guiné Equatorial - Missão junto da CPLP: “Portugal é uma prioridade”



A Guiné Equatorial foi o último país a integrar a CPLP. Descobertos por um navegador português, consideram que esta integração foi um “regresso a casa”. Saiba mais sobre este país e o que pode representar para a lusofonia e para o mundo com Tito Mba Ada, embaixador da Guiné Equatorial em Portugal.

A Guiné Equatorial é um país de cerca de um milhão de habitantes. Conte-nos um pouco mais sobre o país e as suas principais atividades económicas.

A Guiné Equatorial é um pequeno país em extensão, mas com grandes ambições. Está geograficamente situada na África Central, por baixo do Equador. Temos fronteiras terrestres com os Camarões e Gabão e fronteiras marítimas com a Nigéria e São Tomé e Príncipe. É um país suis generis porque nele convivem pacificamente vários grupos étnicos. A Guiné Equatorial é um epicentro pois, para além dos seus grupos nativos, recebe cidadãos de vários países africanos e europeus. É, portanto, um país muito pacífico. A Guiné Equatorial conta, atualmente, com ligações aéreas das principais companhias mundiais, estando ligada a todo o mundo. Embora tenha sido considerada, até aos anos 90, como um dos países mais pobres do continente africano, a Guiné Equatorial, graças à descoberta dos seus recursos naturais e às decisões acertadas dos dirigentes, ocupa hoje um lugar privilegiado no contexto do mundo. É um país que deixou de ser apenas recetor de cooperação externa e passou a ser ele mesmo um grande contribuidor de cooperação mundial. No dia 4 de dezembro, o governo da Guiné Equatorial entregou um importante prémio Unesco, posto à disposição da comunidade internacional, que premeia a investigação em ciências naturais. Este ano foi especial, já que o vencedor foi um investigador português da Universidade do Minho, Rui Luís Gonçalves dos Reis. Além disso, a Guiné Equatorial está a fazer um grande contributo para a investigação em áreas como a malária e ébola. Não somos um país com muitos recursos, mas partilhamos os poucos que temos com a comunidade internacional. Fruto desse esforço na cooperação, a Guiné Equatorial vai ocupar, a partir de 1 de janeiro de 2018, o seu assento como membro não permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Economicamente é o terceiro maior produtor de petróleo de África e é o sexto país africano a tornar-se membro da OPEP. Além do petróleo e do gás, também tem boa madeira, um mar imenso e uma terra fértil. Esta é a Guiné Equatorial.

Em 2014 tornaram-se membros de pleno direito da CPLP. Que portas abriram essa conquista?

A Guiné Equatorial tornou-se oficialmente membro da CPLP na cimeira de Díli. Digo oficialmente porque a Guiné Equatorial foi descoberta por um cidadão português, Fernando Pó. Já nascemos lusófonos. Temos uma relação antiga com o mundo lusófono, uma relação bilateral direta com Portugal, portanto a entrada oficial na CPLP é simplesmente para nós um regresso a casa. Somos lusófonos e esse é um direito que ninguém pode mudar. A integração na comunidade também foi reforçada pelas excelentes relações de amizade e de cooperação que a Guiné Equatorial mantém com cada um dos estados-membros da CPLP. Com São Tomé e Príncipe temos históricas relações de amizade; com o Brasil temos assinado acordos de cooperação em vários domínios; Angola é um país irmão, tal como a Guiné-Bissau e Cabo Verde, com quem mantemos uma cooperação magnífica. O país que estava mais longe era Timor, mas a Guiné Equatorial conseguiu mobilizar várias visitas de estado entre os dois países para que possa haver uma cooperação mútua. Estes são sinais de que a Guiné Equatorial nasceu lusófona, é lusófona e continuará a ser um país membro de pleno direito da CPLP. É claro que por razões óbvias da colonização passamos a pertencer, na área política, a Espanha. Recebemos de Espanha muita cultura. O importante é celebrar esse triângulo com muitas potencialidades culturais, económicas e políticas, cujo epicentro é a Guiné Equatorial. Em África, somo o único país com três línguas oficiais: espanhol, francês e português, além de outras línguas nacionais. Um cidadão da Guiné Equatorial fala no mínimo quatro idiomas. É uma grande potencialidade.

A cooperação com Portugal já se fazia em áreas como a educação e a promoção da língua portuguesa. Que iniciativas foram desenvolvidas em prol destes dois temas?

Com Portugal precisamos de reforçar ainda mais a cooperação ao nível do ensino. A formação do capital humano é um dos principais objetivos do meu governo e cremos que Portugal tem boas condições para ajudar a Guiné Equatorial. É sabido que ninguém pode falar uma língua não materna em dois dias. A Guiné Equatorial integrou-se voluntariamente na CPLP e tomou a decisão de assumir a língua portuguesa como terceira língua oficial. Esta decisão está-se a implementar com determinação. O governo já está a cumprir a parte que lhe corresponde: já a declarou como idioma oficial; está a introduzir a língua nas escolas; os programas informativos da televisão e da rádio estão a ser transmitidos em português; a Universidade Nacional da Guiné Equatorial tem aulas em português; os políticos, começando pelo Presidente da República, estão a fazer os seus discursos em português. O país está a desenvolver esforços consideráveis para ser um difusor da língua portuguesa nessa parte do mundo, mas para isso precisamos da cooperação dos estados-membros. Estamos a tentar criar bolsas de estudo para os jovens, que são a garantia da integração, para que possam vir a Portugal estudar e falar com os seus homólogos o mesmo idioma. O setor agroalimentar, das pescas e da pequena indústria seriam setores a desenvolver, também com a cooperação portuguesa.

Os empresários portugueses já estão alertados para o investimento na Guiné Equatorial?

A Guiné Equatorial tem um programa de desenvolvimento que foi desenhado quando o país desenvolveu os recursos petrolíferos. O governo, tendo em conta as experiências do petróleo em diferentes países, convocou uma cimeira nacional e convidou parceiros bilaterais para ajudar a Guiné Equatorial a refletir sobre como gerir os recursos. Esta cimeira resultou num programa de desenvolvimento a realizar em etapas: a primeira etapa, que já terminou, prendia-se com a criação de infraestruturas. Não tínhamos estradas, não tínhamos um aeroporto condigno. Hoje temos cinco. Ainda há muito a fazer, mas estamos contentes com as infraestruturas criadas. A segunda fase destina-se a evitar a dependência do setor petrolífero. Queremos a diversificação da economia e, para isso, temos que criar novas fontes de crescimento. As prioridades são os setores marítimo e agroalimentar, nos quais Portugal também pode retirar vantagens. Portugal tem muita experiência nessas áreas e queremos que colabore e faça negócios na Guiné Equatorial. Acreditamos que os empresários portugueses já podem avançar para aproveitar as oportunidades que oferece este país.

Em termos da entrada no país, que exigências são feitas para se entrar legalmente na Guiné Equatorial?

Em diplomacia, impera a reciprocidade. A Guiné Equatorial já tem instalada uma missão diplomática em Portugal que está a oferecer serviços de todo o tipo aos cidadãos portugueses e aos cidadãos da Guiné Equatorial que residam em Portugal. Para obter o visto é simples, basta ter o passaporte válido, o boletim de vacinação internacional atualizado, o certificado de registo criminal e um seguro de viagem. Gostaríamos que Portugal também prestasse este mesmo apoio aos equato-guineenses. Infelizmente, a missão diplomática portuguesa na Guiné Equatorial ainda não pode conceder vistos, o que dificulta o programa de cooperação entre os dois países, o processo de integração e a livre circulação de pessoas.

Podemos dizer que a Guiné Equatorial é um país seguro?

Sim. A questão da segurança é uma prioridade para o meu governo. Um país que não tem paz é um país que não tem desenvolvimento. Fruto dessa estabilidade, a Guiné Equatorial, nos últimos anos, converteu-se no epicentro de grandes eventos internacionais. Organizámos a Cimeira da União, os Jogos Africanos, a cimeira com a União Europeia, a cimeira com os Países Árabes, a Cimeira ACP (Países de África, Caraíbas e Pacífico). Se não houvesse garantia de paz e estabilidade, esse tipo de eventos não se realizaria na Guiné Equatorial.

O turismo é uma atividade que já se destaca na economia da Guiné Equatorial? Já existem infraestruturas para corresponder à procura?

Estamos a trabalhar para que o turismo seja seletivo e estratégico. Temos uma biodiversidade incrível que já se encontra a ser estudada por universidades americanas. É um turismo de investigação. Não queremos um turismo massivo, mas sim com qualidade. Temos uma nova cidade que se chama Djibloho, no meio da natureza, com condições incríveis. Lá, o governo construiu uma nova universidade que vai receber estudantes de todo o mundo. Imaginem uma construção moderna de Lisboa, mas no meio no mato. Estamos a criar condições para abrir, paulatinamente, a Guiné Equatorial ao mundo.

Em que medida é que o processo de adesão da Guiné Equatorial a membro de pleno direito da CPLP foi delicado?

O processo foi delicado porque muitas pessoas não entendiam o regresso da Guiné Equatorial ao mundo lusófono e não sabiam a ligação natural que a une a Portugal. Mais tarde perceberam que a CPLP ganha mais com a integração da Guiné Equatorial: ganha espaço marítimo, ganha mercado internacional, ganha capacidade linguística. A CPLP fica numa posição privilegiada através da Guiné Equatorial. Algumas questões delicadas, como a questão da língua, foram julgadas sem conhecimento de causa. Outra questão delicada prendeu-se com a pena de morte. A Guiné Equatorial é um país com muito respeito pelos direitos humanos. Acabámos de realizar, pela primeira vez, três eleições ao mesmo tempo: senado, parlamento e autarquias. O relatório por parte da comissão de observação diz tudo: transparência. A Guiné Equatorial tem um programa chamado Ensaio Democrático. A democracia não é propriedade de nenhum estado e nenhum tem uma democracia perfeita. Estamos a copiar as boas práticas de uns e a evitar as más práticas de outros, sempre garantindo a paz. Graças a esse programa, todos os políticos da Guiné Equatorial pensam no desenvolvimento do país. A democracia está a avançar com pés firmes. Depois de muito tempo sob herança colonial, a Guiné Equatorial fez um referendo para instituir novas instituições democráticas no país. Antes não tínhamos Senado e agora temos duas Câmaras, não tínhamos Tribunal de Contas e agora temos para ajudar a controlar o Governo e a lutar contra a corrupção. Temos um Defensor do Povo, para acompanhar o cumprimento dos direitos de todos os cidadãos. Antes, o chefe de Estado podia desempenhar essa função eternamente. Agora, há limitação do mandato. Temos muitas mulheres a ocupar cargos importantes, sem descriminação de salário nem de acesso às oportunidades. Somos um Estado católico, que tem respeito pela morte. Não nos interessa a pena de morte, uma herança colonial. Antes de pertencer à CPLP, a Guiné Equatorial já estava a lutar contra a pena de morte com a outorgação de amnistia e concedendo indultos aos condenados. Tínhamos leis coloniais que previam a pena de morte, mas fazer parte da CPLP foi a melhor oportunidade para encontrar uma solução legal para fazer face a esse problema. E, por isso, foi adotada a Moratória, já que legalmente não era possível abolir a pena de morte. A abolição implica alterar a Constituição. Em 2012 fizemos um referendo, que é a expressão máxima para mudar a lei fundamental, e não é possível voltar a tocar, em tão pouco espaço de tempo, na Constituição. Por isso adotámos a Moratória, que na prática é o mesmo que a abolição. Já não se pratica a pena de morte na Guiné Equatorial. No entanto, o desafio continua, porque a ausência de acervo jurídico obriga-nos a trabalhar para que a pena de morte tenha leis alternativas nos diferentes códigos do país. Pedimos, assim, a Portugal apoio técnico nesta matéria, para que a Guiné Equatorial possa terminar a obra da melhor forma.

Para terminar, e visto que estamos no final de 2017, gostaria de deixar uma mensagem aos nossos leitores?

Neste mês de natal gostaria de agradecer a todos os empresários que estão a explorar o mercado da Guiné Equatorial e, sobretudo, gostaria de deixar uma palavra de encorajamento, para que continuem a viajar para Guiné Equatorial. Gostaria também de dizer aos meus compatriotas para que aproveitam as oportunidades que têm ao estar em Portugal. Quero agradecer também aos portugueses, ao presidente Marcelo Rebelo de Sousa e ao Governo de Portugal por me abrir as portas. Portugal é uma prioridade para Guiné Equatorial e sentimo-nos aqui como em casa. In “Revista Business Portugal” - Portugal

quarta-feira, 29 de março de 2017

Angola – Cooperação com a Guiné Equatorial

Os governos de Angola e da Guiné Equatorial pretendem reforçar a cooperação bilateral nos domínios da formação de quadros, transportes, agricultura e pescas, foi anunciado, durante a visita de Estado do Presidente equato-guineense, Teodoro Obiang, a Luanda.

O secretário de Estado dos Assuntos Exteriores e Cooperação da Guiné Equatorial, Domingo Mituy, explicou que a visita realizada Luanda é uma demonstração da vontade de “reforçar a cooperação inexistente” por parte dos dois chefes de Estado.

O governante acrescentou que, entre outras coisas, a Guiné Equatorial “pode oferecer” a Angola as universidades do país, para formação de quadros. Por sua vez, Angola deve participar no processo de formação de professores para leccionar o português naquele país, desde 2015 membro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Durante a visita, de poucas horas, Obiang foi recebido no palácio presidencial pelo chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, tendo ambos reunido em privado, ao mesmo tempo que delegações ministeriais dos dois países acertavam, em conversações oficiais, novos mecanismos de cooperação.

Em declarações aos jornalistas, a secretária de Estado da Cooperação de Angola, Ângela Bragança, explicou que foi aprovada a criação de uma comissão técnica que vai avaliar o cumprimento dos oito acordos de cooperação e dois protocolos assinados entre os dois países, em áreas como a defesa, interior, petróleo e ensino superior, entre outros.

A cooperação, disse ainda, vai ser reforçada com um novo acordo técnico aprovado entre Angola e a Guiné Equatorial.

O estabelecimento de ligações aéreas entre as duas capitais, Luanda e Malabo, está igualmente em cima da mesa.

Angola está a formar 200 oficiais das forças de segurança da Guiné Equatorial e as duas petrolíferas estatais estão a estudar um reforço da cooperação, nomeadamente na área do gás. In “Rede Angola” - Angola

quinta-feira, 16 de março de 2017

Portugal – AICEP publica documento sobre o estabelecimento de empresas na Guiné Equatorial

A Aicep – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal tem um novo documento disponível, trata-se do “Guiné Equatorial – Estabelecimento de Empresas” (Março 2017), que disponibiliza informação sobre o quadro legal de diversas áreas relevantes para o investimento estrangeiro, procurando facilitar a tomada de decisão por parte dos potenciais investidores portugueses.

Todo o enquadramento legal da Guiné Equatorial é adaptado às directivas da Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC), da qual é Estado-membro.

Em termos de condições legais de acesso ao mercado, a Guiné Equatorial possui um regime de investimento estrangeiro que sujeita os projectos a certas formalidades (autorização ministerial), existindo alguns sectores de actividade vedados ao capital externo.

Medidas de simplificação

Relativamente ao ambiente de negócios e de acordo com o Relatório Doing Business in Equatorial Guinea 2017, a abertura de uma empresa de responsabilidade limitada implica a realização de vários procedimentos, contudo, o Governo da Guiné Equatorial tem vindo a adoptar medidas que visam melhorar/simplificar o processo de constituição/registo de sociedades como, por exemplo, a Lei n.º 2/2015, de 28 de maio, que cria uma one-stop-shop (cuja implementação está para breve) e um decreto em 17 de Agosto de 2016, que elimina as autorizações governamentais exigidas para a constituição de sociedades.

No que concerne à presença portuguesa esta é ainda residual, sendo que incide, predominantemente, no sector de construção e obras públicas.

Pode consultar o documento aqui. Carlos Caldeira – Portugal in “Agricultura e Mar Actual”

sábado, 14 de janeiro de 2017

Guiné Equatorial – A taxa de inflação anual situou-se em 1,4% no ano de 2016

No ano de 2016, a taxa média anual da inflação foi de 1,4%, ligeiramente inferior ao ano de 2015 em que se registara 1,7%.

Contribuíram para este resultado, a quebra dos preços médios dos produtos alimentares, -4,1% e vestuário e calçado, -8,4%, enquanto outros grupos de produtos tiveram aumentos de preços, restauração e hotelaria, 12,6%, bebidas alcoólicas, 4,0%, habitação 19,9% e mobiliário, equipamento doméstico, 8,2%.

Malabo, a capital da Guiné Equatorial, teve uma inflação média anual de 0,6%, as cidades de Bata, 1,5%, Evinayong, 2,0%, Mongomo, 2,2% e Ebibeyin, 2,3%, tiveram uma inflação superior à média nacional.

Relativamente ao 4º trimestre de 2016, a taxa de inflação foi de 1,6%, aumentando 0,4% face ao trimestre anterior. Poderá aceder a mais informação aqui. Baía da Lusofonia

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

CPLP - Comércio Internacional de Mercadorias em Números 2008 - 2015


O blogue “Baía da Lusofonia” apresenta hoje um trabalho realizado pelo Senhor Engenheiro Walter Anatole Marques sobre o Comércio Internacional dos países membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Com o conjunto de quadros estatísticos reunidos neste trabalho pretende-se evidenciar a dinâmica das trocas entre os Estados-membros efectuados entre 2008 e 2015


Comércio Internacional de mercadorias no âmbito da CPLP
em números
2008 a 2015

Walter Anatole Marques[1]


1 – Nota introdutória
A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), foi criada em 17 de Julho de 1996, como fórum multilateral privilegiado para o aprofundamento da amizade mútua e da cooperação entre os seus membros, com os seguintes objectivos gerais:
Concertação político-diplomática entre os seus Estados-membros, nomeadamente para o reforço da sua presença no cenário internacional;
Cooperação em todos os domínios, inclusive os da educação, saúde, ciência e tecnologia, defesa, agricultura, administração pública, comunicações, justiça, segurança pública, cultura, desporto e comunicação social;
Materialização de projectos de promoção e difusão da língua portuguesa.
Foram países fundadores Angola, o Brasil, Cabo Verde, a Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.
Em 2002, após a independência, Timor-Leste foi também integrado na Comunidade e em 2014 foi a vez da adesão da Guiné-Equatorial, observador associado que foi desde 2006 [2].



[1] Assessor Principal da Função Pública (AP).
[2] Na X Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, realizada em Dili, Timor-Leste, em 23 de Julho de 2014, foi aprovada a adesão da Guiné Equatorial como Estado-membro da CPLP, “reiterando o empenho da Comunidade em continuar a apoiar as autoridades do país no pleno cumprimento das disposições estatutárias da CPLP, no que respeita à adoção e utilização efetiva da Língua Portuguesa, à adoção da moratória da pena de morte, até à sua abolição, e demais acervo da CPLP no respetivo ordenamento interno da Guiné Equatorial.”


No I Fórum Empresarial da CPLP, que teve lugar em Lisboa em Junho de 2002, foi decidida a criação de um Conselho Empresarial através do qual, entre outros objectivos, se propunha suscitar o desenvolvimento de parcerias estratégicas e proceder ao levantamento sistematizado dos obstáculos ao desenvolvimento do comércio internacional de bens e serviços.
O comércio internacional da CPLP, um dos vectores basilares da Comunidade, deve tornar-se, cada vez mais, numa importante alavanca do desenvolvimento do espaço lusófono, com o objectivo último de melhorar as condições de vida das suas populações.
Com o conjunto de quadros estatísticos reunidos neste trabalho pretende-se evidenciar, por um lado, a dinâmica das trocas comerciais intracomunitárias, efectuadas entre 2008 e 2015, que constituem um vector da maior importância para o aprofundamento dos laços que unem os Estados-membros da CPLP, e cujo volume é em alguns casos ainda pouco expressivo.
Por outro lado, pretende-se avaliar, ao nível de cada Estado-membro, a evolução do volume das trocas globais realizadas, por produtos e por mercados, que traduz o grau de desenvolvimento da sua vertente económica.

São aqui utilizados dados estatísticos de base de fonte “International Trade Centre” (ITC), por sua vez baseados em dados “Comtrade” da ONU, parte dos quais fruto de “mirror statístics” elaboradas pelo ITC com base em dados dos parceiros comerciais, e pontualmente pelo autor deste trabalho, quando não se encontram disponíveis dados fornecidos pelos próprios países, o que terá naturalmente introduzido discrepâncias face aos dados oficiais.

2 – Intersecção da CPLP com organizações regionais e blocos económicos
Disseminada por quatro continentes, a CPLP estende-se por mais de 10 milhões de quilómetros quadrados, com uma população que se aproximava dos 250 milhões de habitantes em 2010.
A dispersão geográfica dos países-membros e a sua inserção em diversas organizações regionais e blocos económicos pode ainda potenciar o incremento das trocas comerciais do conjunto dos países-membros da CPLP com outros países dessas organizações.
É o caso de:
֍ Portugal, na UE-União Europeia, espaço importante para as importações e das exportações de grande parte dos membros da CPLP;

֍  Brasil, no MERCOSUL - Mercado Comum do Sul;

֍  Angola e Moçambique, na SADC - Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral;


֍  Cabo Verde e Guiné-Bissau, na CEDEAO - Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental;

֍  Angola, a Guiné-Equatorial e S. Tomé e Príncipe, na CEEAC - Comunidade Económica dos Estados da África Central.

E após a adesão de Timor-Leste ao ASEAN - Associação de Nações do Sudeste Asiático, que se espera seja concretizada em 2017, o alargamento para o espaço asiático.
3 – PIB nominal ‘per capita’ dos Estados-membros da CPLP
Na figura seguinte pode observar-se a evolução do PIB nominal ‘per capita’ nos nove Estados-membros da CPLP entre 2008 e 2015, de acordo com o Banco Mundial.
Este indicador de desenvolvimento de um país deve ser usado com cautela, já que pode variar de um ano para outro com base em flutuações das taxas de câmbio da moeda do país (Figura 7).


4 – Balança Comercial de mercadorias da CPLP
      e seus Estados-membros face ao mundo - 2008 a 2015
Ao longo dos últimos oito anos três dos actuais nove membros da CPLP, Angola, Brasil e Guiné-Equatorial (este com adesão apenas em Julho de 2014), apresentam saldos positivos na sua balança comercial de mercadorias (excepção para o Brasil em 2014). Os maiores saldos couberam a Angola, tendo os restantes países registado défices nas suas balanças comerciais, à excepção da Guiné-Bissau em 2011, sendo os mais volumosos os de Portugal (Figura 8).

5 – Importações e exportações da CPLP
As importações e exportações no interior da Comunidade, pouco expressivas e mesmo nulas ou quase nulas nalguns casos, podem e devem ser ampliadas futuramente, para o aprofundamento da cooperação entre os seus membros.





6 – Importações e Exportações de cada Estado-membro
Nas páginas seguintes reúne-se informação estatística para o período de 2008 a 2015, por Estado-membro, envolvendo as trocas comerciais com os parceiros da CPLP, o peso da CPLP nas importações e exportações globais do país, a sua Balança Comercial face ao mundo, as importações e exportações globais por grupos de produtos e principais produtos definidos a dois dígitos do Sistema Harmonizado (SH) em 2015, bem como os seus principais mercados de origem e de destino e a sua evolução temporal. 




Angola - Comércio Internacional de Mercadorias em Números 2008 - 2015



































O saldo da Balança Comercial de Angola com o mundo foi positivo ao longo dos últimos oito anos, com um elevado grau de cobertura das importações pelas exportações (215,3% em 2015).

Em 2015 registou-se uma forte quebra nas importações (-30,8%) e também nas exportações (35,4%), na sequência da acentuada descida do preço do petróleo no mercado internacional, o principal produto de exportação de Angola, que representou cerca de 97% do total neste ano.





























As principais importações em 2015 incidiram nos grupos de produtos “Máquinas, aparelhos e partes” (24,4% do total), “Agro-alimentares” (16,4%), “Minérios e metais” (13,7%), “Aeronaves, embarcações e partes” (10,9%), “Produtos acabados diversos” (10,5%) e “Químicos” (8,9%).

Nas importações, os mercados de origem dominantes foram a China (22,8%), Portugal (14,3%), a Coreia do Sul (11,4%) e os EUA (7,1%).

Nas exportações destacam-se a China (45,5%), a Índia (9,0%) e os EUA (8,3%), tendo Portugal ocupado a 7ª posição no ranking com 3,6% do total.

Seguem-se quadros e gráficos com informação mais pormenorizada por grupos de produtos, principais produtos transaccionados e mercados envolvidos.









Um trabalho de Walter Anatole Marques -  walter@anatolemarques.com