Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

França - O incrível roubo no Museu do Louvre

O momento para roubar o Museu do Louvre foi bem escolhido: a imprensa francesa estava se preparando para a cobertura da prisão do ex-presidente Nicolas Sarkozy, além disso era um calmo domingo de manhã e centenas de pessoas começavam a entrar no conhecido museu francês, o mais visitado de todo mundo.

Ninguém se preocupou quando uma caminhonete com uma escada tipo Magirus, utilizada para transporte de móveis em apartamentos, estacionou do lado de fora do Museu e dela saíram quatro homens, porque pareciam operários, um deles tinha mesmo um colete amarelo usado no transporte de mudanças.

Com a escada subiram ao andar superior, cortaram o vidro da porta e entraram na ala Apollo do museu, onde estavam as joias de antigas rainhas francesas, inclusive uma coroa, que os ladrões danificaram ao deixar cair na rua, no momento da fuga.

Quem tinha programado sua viagem com calma para ver a La Gioconda ou Mona Lisa, naquele domingo, no Museu do Louvre em Paris, não teve sorte! O Louvre fechou meia hora depois de ter aberto, logo após ter ocorrido o roubo, destinado a ficar na história por sua audácia!

Só que não vai dar filme como O Roubo do Século, contando o sofisticado roubo do banco de diamantes em Antuérpia, na Bélgica! Por uma razão bem simples: o roubo no Louvre não teve grandes truques, foi tudo muito simples e mesmo muito rápido, durou apenas 7 minutos, sem que os ladrões estivessem armados.

Nesses poucos 7 minutos saíram pela porta-janela por onde entraram, desceram pela escada Magirus e tentaram colocar fogo na caminhonete base da escada móvel, mas desistiram ao ver que chegavam guardas do Museu. E fugiram de moto.

No caminho deixaram cair a coroa da imperatriz Eugénie, esposa de Napoleão. A polícia também encontrou “duas cortadoras elétricas de vidro, um maçarico, gasolina, luvas, um walkie-talkie, um cobertor e uma coroa” no local do assalto.

Um colete amarelo utilizado pelos autores do roubo para se disfarçarem de operários foi encontrado um pouco mais longe, perdido durante a fuga. Tudo indica que faltava policiamento e guardas do museu no local, em consequência de economias que vinham sendo feitas há anos,

Um jornal belga publicou, na primeira página, uma caricatura na qual Mona Lisa diz - eu vi tudo!

Para a imprensa internacional foi um prato cheio, pois a França acaba de sair de uma crise política e enfrenta uma crise financeira. Fora a importância do Louvre, um dos maiores museus do mundo. Houve referências ao ladrão elegante Arsène Lupin e comparações com o filme Os Diamantes de Antuérpia, contando um roubo importante, no valor de cem milhões de dólares, na Bélgica, em 2003, por um bando Italiano de Turim.

Esse mesmo roubo inspirou um filme mais conhecido com Demi Moore e Michael Caine, Flawless, cujo título é O Roubo do Século.

Numa época de avanço tecnológico, o Museu do Louvre tem atrasos importantes e a sala Apollo, onde estavam as joias roubadas, só dispunha de uma câmera que documentava a presença dos ladrões, mas sem permitir a obtenção de detalhes. A entrada de ladrões na sala Apollo era subestimada por não se imaginar que ladrões pudessem ali subir.

Houve caricaturas na imprensa, inspiradas no roubo do Louvre como a do jornal Ouest-France, do chargista Chaunu. E diversas interpretações falando num ataque à história francesa e num roubo moderno inspirado no valor de metais preciosos. Especialistas destacaram ter havido a busca do valor material e não histórico das joias e no surgimento de uma nova tendência de ataques aos museus, aproveitando-se de suas falhas em termos de segurança. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Brasil - Preservação de bens culturais é importante para a construção da história de uma sociedade

Os bens culturais fazem parte da história de um povo, cultura e sociedade. Sua preservação, de acordo com Lúcio Gomes Machado, serve também para entendê-la para além dos livros escritos


Em novembro, um ostensório foi furtado da Igreja São Francisco de Paula, no centro do Rio de Janeiro. O objeto, uma peça sacra do século 18, é usado para expor a hóstia sobre o altar durante cerimônias religiosas. Esse não foi o único caso registrado de roubo de bens culturais no Brasil, que ocupa o 26° na lista de países com o maior número de bens patrimoniais extraviados.

Estima-se que o crime de roubo de bens culturais possa ser equiparado, financeiramente, ao comércio ilegal de armas e drogas. Em 2023, o Brasil passou a integrar o Comitê Subsidiário da Convenção de 1970 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), órgão responsável por fiscalizar bens culturais.

Bens materiais e imateriais

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), um bem cultural, de acordo com as convenções internacionais, pode ser entendido como um bem que deve ser protegido, em virtude do seu valor e sua representatividade para determinada sociedade.

Para Lúcio Gomes Machado, professor do Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, no senso comum, “bem” é um item herdado com valor pecuniário; porém, qualquer item – seja ele material ou imaterial – que tenha um valor simbólico ou valor cultural pode ser considerado um bem patrimonial. 

“Vamos dizer que você tenha uma bola de futebol que foi utilizada no campo de futebol que serviu para marcar o milésimo gol do Pelé. A bola em si tem um valor. Mas ela, assentando essa simbologia de um marco histórico de futebol, ela passa a ser um bem cultural”, explica o professor. Normalmente, a nomeação “bem cultural” é atribuída, por exemplo, a itens artísticos de grande valor, como obras expostas em museus, edifícios – que tenham um projeto arquitetônico especial ou que representam um momento importante da história – e igrejas, por exemplo.

Já os bens imateriais, como o próprio nome indica, não necessariamente existem fisicamente. São coisas, das mais variadas naturezas, que possuem um valor cultural atrelado. Aqui, estão contempladas práticas religiosas, práticas de uma comunidade, jogos, técnicas de construção e até pessoas. Quando os bens culturais materiais são protegidos por algum órgão governamental, eles estão registrados no “livro do tombo”.

Já os bens imateriais não podem ser tombados, mas são registrados. Entretanto, de acordo com o professor, são itens mais complexos de serem preservados, porque dependem da comunidade em que o bem está inserido.

De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul (Iphae), a expressão tombamento tem origem na estrutura responsável por abrigar o Arquivo Público do Reino. A Península Ibérica, antes de ser tomada pelos cristãos, abrigava os mouros, povo islâmico originado do norte da África. No século 8, foi retomada pela cristandade, e o Castelo dos Mouros, símbolo de poder do povo norte-africano, tornou-se o Castelo de São Jorge, nova residência da realeza. 

Posteriormente, em uma das torres do Castelo, o Arquivo Público do Reino foi instalado e passou a ser chamado de Torre do Tombo. A palavra tombo, em português, significa, de acordo com a Infopédia, “arquivo de um conjunto documental (manuscritos, livros, fotografias, impressões digitais, etc.)”. A partir desse significado, a expressão tombamento foi criada, para abarcar todo patrimônio que será inscrito no Livro do Tombo, e que será preservado e protegido por lei.


Conservação de bens culturais: uma prática histórica

O primeiro país a estabelecer uma proteção institucional do patrimônio foi a França, no início do século 19. Inicialmente, o objetivo do Estado era coletar e preservar os monumentos religiosos e aristocráticos que a Revolução Francesa tinha destruído. A partir disso, um museu com peças recolhidas de toda a França foi montado.

Para Machado, a construção do patrimônio é realizada para estruturar a história de um País e registrar a “versão oficial” desses acontecimentos. No Brasil, o primeiro órgão de preservação do patrimônio, o Iphan, foi criado em 1937, durante a Era Vargas. A ideia de Getúlio Vargas, presidente do Brasil na época, era construir um país com uma história significativa.

A linha inicial do Iphan era proteger os monumentos que correspondiam aos grandes ciclos econômicos e históricos do Brasil – aqueles que faziam referência à cana-de-açúcar e ouro no Nordeste, às Minas Gerais, o ciclo bandeirista em São Paulo e o ciclo de missões no Rio Grande do Sul.

Esse modelo de preservação de monumentos excepcionais, segundo o professor, aconteceu de maneira semelhante em todo o mundo. “Mas, ao longo do século 20, essa prática teve uma diminuição e passou-se a fazer também a preservação das coisas que representavam a vida da população e a economia como um todo”, aponta.

Os bens culturais fazem parte da história de um povo, cultura e sociedade. Sua preservação, de acordo com Machado, serve também para entendê-la para além dos livros escritos.

Extravio de bens culturais

O roubo de bens culturais não é uma prática exclusiva da atualidade. De acordo com o professor, durante os impérios coloniais, era frequente que empreendedores e cientistas organizassem excursões para realizar escavações arqueológicas. O fruto da coleta era dividido entre os dois e uma parte era comercializada, enquanto outra ia para acervos de museu.

Algumas coleções arqueológicas de Berlim, na Alemanha, e a seção de Egito do Museu do Louvre, na França, foram formadas a partir dessas expedições, segundo Machado. Os mármores de Elgin, que hoje em dia estão no Museu Britânico, faziam parte do Parthenon da Acrópole. Atualmente, entretanto, um novo tópico está em discussão: o regresso dessas obras aos seus locais de origem.

No artigo 216 da Constituição Federal de 1988, todo patrimônio arqueológico é parte constituinte do patrimônio cultural brasileiro, então cabe ao poder público proteger e promovê-lo. De acordo com Machado, no Código Penal, há uma duplicidade de punição para itens tombados que são extraviados: pelo furto do item, que possui um valor pecuniário, e pelo fato de ele ser um bem tombado.

No incidente de 8 de janeiro de 2023, por exemplo, indivíduos envolvidos na depredação da Praça dos Três Poderes estão recebendo uma pena por dois capítulos do Código Penal: um pelo dano ao patrimônio público e outro por dano ao patrimônio protegido. “Toda Brasília faz parte de um tombamento único, especialmente os monumentos de fundamento – uma forma usual de tratar as arquiteturas tombadas que fazem parte da Praça dos Três Poderes e a Esplanada do Ministério”, pontua. Beatriz Pecinato – Brasil in “Jornal da Universidade de São Paulo” com supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira




 


terça-feira, 16 de maio de 2023

Angola – Insegurança na base do roubo de peças no Museu do Dundo

Assalto ao Museu do Dundo coloca em xeque vulnerabilidade da segurança. Direcção já vinha gritando socorro. Especialista ajuda a avaliar o valor de uma peça museológica


Uma equipa expedida pelo Ministério da Cultura e Turismo foi ao Dundo (Lunda-Norte) investigar as causas que estiveram na base do assalto ao Museu Regional local, há duas semanas. A comissão ainda não emitiu os resultados da investigação, mas diz-se, por portas travessas, que a segurança desse importante acervo museológico ainda é deficitária, enfatizou, em anonimato, uma fonte ligada à instituição.

Ainda em Agosto do ano passado, a direcção do Museu Regional do Dundo, liderada pelo ora detido Ilunga André, lançou um grito de socorro para as autoridades velarem pela segurança da instituição, nomeadamente clamava pelo recrutamento de, no mínimo, seis vigilantes para garantirem a protecção quer das infra-estruturas, quer do acervo, que engloba mais de 10 mil peças etnográficas e 30 mil de história natural.

A direcção reclamava, igualmente, da insuficiência de técnicos, como especialistas nas áreas de Biologia, Arqueologia, Antropologia, técnicos em restauração e conservação de peças, guias e trabalhadores administrativos.

Uma das peças que estavam para ser roubadas, a máscara Mwana Pwo, foi adquirida em leilão em 2019 pela Fundação Sindika Dokolo, a partir do Reino da Bélgica. Fazia parte de oito recuperadas pela fundação do falecido coleccionador de artes. Trata-se de peças que já tinham sido roubadas no século XIX por investigadores e exploradores de companhias de diamantes. Pihia Rodrigues – Angola in “Novo Jornal”

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Brasil - Roubo de cargas: números preocupam

Com o arrefecimento no número de vítimas da pandemia de coronavírus (covid-19), a economia começou a se recuperar e a previsão é que já no primeiro trimestre de 2022 ocorra uma retomada no setor de serviços e no mercado de trabalho informal, em consequência de aumento no investimento privado, consolidação fiscal, taxa de poupança mais elevada e reformas econômicas já anunciadas. A previsão da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia é que, em 2022, haja um crescimento de 2,5% do Produto Interno Brito (PIB). Já analistas do mercado se mostram menos otimistas e preveem um crescimento de 1,63% para o PIB, conforme nota da Agência Brasil.

Seja como for, é certo que, com o reaquecimento do mercado, haverá a movimentação de cifras milionárias na malha rodoviária, garantindo o abastecimento de mercadorias para todo o território, o que significa também a expansão do número de empregos e, em consequência, a reativação do mercado interno, ainda que a previsão para o comércio exterior não seja muito animadora, pois, segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o superávit na balança comercial poderá chegar a US$ 34,5 bilhões, com queda de 39,7% em comparação com 2021.

Se houver mesmo o reaquecimento do mercado, não há dúvida que o setor de transportes será altamente beneficiado. Em contrapartida, não está afastada a possibilidade de que aumentem também os efeitos colaterais, ou seja, que cresça o número de roubo de caminhões e cargas nas rodovias, especialmente no Estado de São Paulo. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, de janeiro a agosto de 2021 ocorreram 4131 crimes desse tipo, com uma alta de 4,7% em comparação com igual período de 2020.

Do total de casos, 46,2% ocorreram na Capital, 30,8% na região metropolitana da Grande São Paulo e 22,9% no Interior. Mesmo com a alta registrada do Estado de São Paulo, os crimes relacionados com roubos de cargas no País estão em queda, se os números forem comparados com aqueles registrados em 2017, ano considerado o ápice nesse setor. Naquele ano ocorreram 25970 roubos de carga em todo o território nacional, o que representou cerca de R$ 1,5 bilhão de prejuízos. O Estado de São Paulo foi responsável por 10584 dos crimes, ou 40,75%, enquanto o Rio de Janeiro respondeu por 10599, representando 40,81% do total. Desde então, houve um decréscimo nos números.

Segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC), as regiões localizadas nas proximidades de rodovias e numa área distante até 30 quilômetros da Capital paulista são as mais sensíveis aos roubos de carga. Esses são locais que, geralmente, concentram empresas de logística e centros de distribuição, que costumam transportar mercadorias de alto valor agregado, como combustíveis, equipamentos eletrônicos e medicamentos, exatamente aquelas que mais atraem as quadrilhas.

Mais: alguns bandos especializaram-se em roubar produtos perecíveis, como alimentos, cigarros e bebidas, que são repassados e consumidos com rapidez. E esse tipo de delito ocorre exatamente quando a mercadoria está sendo entregue no estabelecimento comprador. Já caminhões que transportam produtos como combustíveis, têxteis, equipamentos eletrônicos, defensivos agrícolas e itens farmacêuticos são alvos do crime organizado quando estão transitando por rodovias. Os marginais, geralmente, mantêm o motorista em cárcere privado até que seus objetivos sejam concluídos. No Estado de São Paulo, os municípios de São Paulo, Guarulhos e Jundiaí são os mais visados pelos marginais, mas Cubatão, Cajamar, Itaquaquecetuba, Osasco, São Bernardo do Campo e Embu das Artes também registram altos índices.

A Secretaria de Segurança Pública já anunciou que vai intensificar o programa de prevenção e redução de furtos, roubos e desvios de carga (Procarga), em vigência desde 1997, aumentando a repressão a esse tipo de delito. Ao mesmo tempo, as empresas de transporte e logística tratam de instalar cada vez mais sistemas de segurança como rastreamento e monitoramento de veículos, que vem dificultando as ações dos criminosos. Mas, por enquanto, essa é uma luta que parece não ter fim. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Relações Institucionais do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br