Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Macau - Arraial de Santo António promete muita animação

A festa popular de Santo António vai decorrer este fim-de-semana nas instalações da Escola Portuguesa. O evento, organizado pela Casa de Portugal, promete muita animação, com música tradicional portuguesa, comes e bebes e actividades para crianças e adultos


A Escola Portuguesa de Macau (EPM) volta a ser palco de um evento integrado na programação de actividades do “Junho, Mês de Portugal”. Depois da recepção do Dia de Portugal, as instalações do estabelecimento de ensino recebem, de um modo mais informal, momentos de convívio no Arraial de Santo António.

O primeiro dia do evento, que comemora o santo católico português do século XIII, começará cerca das 18h30 de amanhã, prolongando-se até à noite. No domingo, a festa terá início às 14h30 e decorrerá apenas até ao final da tarde.

A música será um dos principais componentes do arraial, com os visitantes a terem a oportunidade de ouvir canções típicas portuguesas e dar um pé de dança. Para além disso, os habituais comes e bebes, com grande diversidade de petiscos, em especial as sempre muito apreciadas bifanas, assim como serão instalados stands de artesanato e actividades para adultos e crianças.

Aos momentos de convívio, “que fazem muita falta para o bem-estar da comunidade”, como não se tem cansado de dizer a presidente da Casa de Portugal, Amélia António, a iniciativa, tem um formato semelhante ao do ano passado, mas agora incluindo um torneio de futebol direccionado para os jovens.

Em termos de actuações musicais, amanhã, a base pertence à banda residente da Casa de Portugal, que inclui Tomás Ramos de Deus, Paulo Pereira, Miguel Andrade, Luís Bento, João Rato, David Rato e Vicente Rato.

No dia 14, o evento continua com a actuação do Coro Portugalitos, actividades para crianças, jogos tradicionais e momentos musicais dedicados à cultura portuguesa. Com entrada livre, o arraial “reforça os laços da comunidade portuguesa em Macau e celebra as tradições de Santo António junto das novas gerações”, segundo um comunicado da organização, a Casa de Portugal, que conta com o apoio da Fundação Oriente.

O evento, que se realiza no território pelo quinto ano consecutivo, tem lugar uma semana antes de outra festividade do género, o Arraial de São João, promovido pela Associação dos Macaenses, que desta feita vai ter por palco a área exterior ao Hotel Rocks e ao restaurante Vic’s/Macalhau, nos dias 20 e 21. Estas festas homenageiam o santo padroeiro da cidade de Macau.

Enquanto isto, o “Junho, Mês de Portugal” apresenta amanhã o seminário “Raízes e Rumo: Fortalecer o Presente, Construir o Futuro”, numa iniciativa do Conselho das Comunidades Portuguesas do Círculo da China, tendo palco o Instituto Internacional (IIM).

A conferência visa promover um debate qualificado sobre o futuro da comunidade portuguesa em Macau, envolvendo instituições da comunidade e, em particular, “dando voz a jovens talentos que representam a necessária renovação geracional”, salienta o comunicado do Conselho das Comunidades.

O programa inclui intervenções institucionais, uma mesa com representantes de instituições da comunidade, um debate com um painel de jovens quadros locais, a apresentação do protótipo do Portal de Informação para a Diáspora e a assinatura de protocolos de cooperação.

O seminário, integrado nas comemorações do Dia de Portugal, decorrerá durante três horas (das 14h30 às 17h30). Além da colaboração do IIM, o evento com o apoio da Casa de Portugal, Associação dos Macaenses, Conselho das Comunidades Macaenses, Associação dos Jovens Macaenses, e Associação dos Estudos da Cultura Macaense. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 6 de junho de 2026

Macau - Poesia de Camilo Pessanha acompanhada à viola

Uma exposição colectiva sobre Camilo Pessanha vai contar com a declamação de poemas e acompanhamento musical. O evento reunirá diferentes olhares e interpretações da obra e do universo poético de Pessanha, valorizando a diversidade de suportes e linguagens artísticas. Durante o fim-de-semana, há outros eventos integrados na programação do “Junho, Mês de Portugal”, incluindo no Club Lusitano de Hong Kong


Poesia de Camilo Pessanha declamada ao som de viola é um dos destaques dos eventos agendados para o fim-de-semana, no âmbito da programação do “Junho, Mês de Portugal”. A exposição, promovida pela Casa de Portugal, será inaugurada no domingo, pelas 17h00, na galeria temporária da Casa Garden.

O evento, que tem apoio do Movimento Associativo, do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Fundação Oriente (FO), serve para assinalar o centenário da morte do poeta em Macau, reunindo “diferentes olhares e interpretações da obra e do universo poético de Camilo Pessanha (07/09/1867 – 01/03/1926), valorizando a diversidade de suportes e linguagens artísticas”, segundo refere a sinopse da exposição.

O primeiro dia da mostra intitulada “Camilo Pessanha”, sob curadoria de Elisa Vilaça, será enriquecida pela poesia declamada por Paulo Campos dos Reis, acompanhado à viola por Nuno Cintrão. A exposição ficará patente até ao dia 30 de Junho.

Também a Casa Garden será anfitriã da Exposição “Insider, uma visão por dentro”, da autoria de Eduardo Leal. Trata-se de uma mostra individual do fotógrafo documental português radicado em Macau, que explora a condição humana através de uma metodologia de imersão profunda.

Noutras actividades incluídas no “Mês de Portugal”, os Jardins do Consulado-Geral recebem mais uma iniciativa do projecto “Diniz Caixapiz”, da Sílaba – Associação de Educação Literária. O evento celebra a língua portuguesa em Macau através de uma proposta pedagógica e criativa que une a curadoria literária ao jornalismo júnior.

Através da Dinis Magazine, o projecto “dá voz e palco ao talento dos jovens residentes, promovendo a literacia e o sentimento de pertença cultural”, diz a Sílaba em comunicado, adiantando que esta décima edição celebra o “percurso do projecto” e reafirma o “compromisso de envolver famílias e educadores” na valorização da língua e da expressão artística.

O lançamento, que inclui o anúncio dos vencedores do concurso internacional “O Poster é Teu”, constitui um “momento alto de partilha comunitária e de celebração da vitalidade da cultura portuguesa em Macau, unindo tradição e futuro através do olhar das crianças”, salienta a Sílaba.

Também o Teatro D. Pedro V será palco do Recital de Música Lírica, contando, entre outros artistas, com a soprano portuguesa Sílvia Sequeira, e o Club Lusitano em Hong Kong promove a “Celebração do Dia Nacional de Portugal”, que terá a presença do Cônsul-geral de Portugal para as RAE, Alexandre Leitão.

O evento, destinado a membros e convidados, inclui um pequeno espectáculo, denominado “Um sabor de fado”, com canções interpretados pelo Club Permitted User e pela cantora Anandi Bhattacharya. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 5 de maio de 2026

Macau - Exposição de poemas ilustrados abre Festival da Língua Portuguesa

Uma exposição de poemas de vários escritores portugueses, seleccionados por Pedro D’Alte e ilustrados pelo artista Joaquim Franco, assinala o arranque da primeira edição do Festival de Língua Portuguesa, promovido pela Casa de Portugal. A mostra na Casa Garden serve também para celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa. O festival, que se prolongará até 18 de Junho, inclui ainda momentos de leitura, histórias contadas nas escolas, workshops de escrita criativa, espectáculo de marionetes, um concerto e uma peça de teatro. Para Elisa Vilaça, “é necessário haver algo que nos lembre a importância da língua portuguesa e da sua preservação, sendo a poesia um elemento de referência”


Pela primeira vez, a Casa de Portugal promove o Festival de Língua Portuguesa, organizando uma série de actividades que têm hoje início, precisamente no Dia Mundial da Língua Portuguesa, com a inauguração de uma exposição na Casa Garden, pelas 18h30. A mostra combina 16 poemas de vários escritores portugueses e outros países de expressão portuguesa, como Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Mia Couto, José Luís Peixoto e José Craveirinha, que abrangem desde o século XVI até à actualidade, seleccionados pelo académico Pedro D’Alte, com a ilustração de igual número de pinturas de acrílico em tela produzidas pelo artista Joaquim Franco.

“As ilustrações vão ser expostas em paralelo com os poemas, cujos textos acompanham a interpretação do artista”, disse ao Jornal Tribuna de Macau a curadora da exposição Elisa Vilaça.

O objectivo nesta exibição, em conjunto com o restante programa do festival, é dar “maior ênfase à língua portuguesa, que é bem importante hoje, mais do que nunca”, sublinhou a directora artística da Casa de Portugal.

Ao abordar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, Elisa Vilaça considera que a preservação da língua é fundamental. “Para tudo, não só como uma profunda raiz daquilo que foi feito em Macau, ao longo de 450 anos, mas principalmente agora, com todo esse sistema de globalização, que nós temos a consciência de que a língua portuguesa é falada em imensos países”, sublinha.

Lembrando que o Português é a quinta língua mais falada em todo o mundo, admite que “por vezes nós esquecemo-nos disso, da importância que temos a nível de linguística e do que tem sido feito pelos escritores”. Nesse sentido, defende, “é necessário haver algo que nos lembre a importância da língua portuguesa e da sua preservação, sendo a poesia um elemento de referência”.

Por tudo isso, diz, “há uma mensagem que tem de ser passada sobre a preservação da nossa língua e no cruzamento com as diferentes culturas que nós encontramos em Macau”.

Para a curadora da exposição, “a única coisa que é muito importante fazer neste momento é tentar cativar cada vez mais a população jovem, que, quem sabe, poderá permanecer por aqui, ou procurar os seus empregos, o seu futuro, noutras paragens”. Para além da comunidade portuguesa e de representantes de outros países lusófonos estabelecidos em Macau, “a comunidade chinesa, desenvolvendo e interessando-se pela língua, ela própria também terá, no futuro, um meio e uma ferramenta importante na inter-relação com os diferentes países, inclusivamente Portugal”.

Mesmo considerando que “a história é uma coisa que se vai esquecendo”, considera que a língua é “um elo importantíssimo” e faz parte dessa história. “Por isso, afirma que “devemos fazer uma sensibilização cada vez maior em termos da divulgação da cultura e da língua, não só entre a comunidade portuguesa, mas principalmente na comunidade chinesa que é a maior em Macau”.

Histórias com marionetas contadas nas escolas

Assim sendo, o Festival da Língua Portuguesa, que começa esta tarde com a inauguração da exposição, que se manterá até ao dia 24 deste mês, “surge nesse sentido de sensibilizar para a importância da preservação, contando inclusivamente histórias aos alunos e às crianças de algumas escolas, como forma de os motivar a familiarizarem-se com a língua portuguesa”, menciona.

Os estabelecimentos abrangidos pelas conversas, intituladas “Contar Histórias”, da responsabilidade da própria Elisa Vilaça, são o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, a Escola Sir Robert Ho Tung e a Escola Luís Gonzaga Gomes, onde haverá espectáculos de marionetas a partir de 13 de Maio e prolongando-se até Junho.

Trata-se de uma mistura das marionetas com o texto em si, numa “história mimada”, porque tem “a minha participação, não só como manipulador, mas como próprio autor”, refere, acrescentando que, “contrariamente ao que acontece quando faço espectáculos de marionetas em Macau, em que não tenho palavra, apenas música, neste caso, como é dedicado à língua portuguesa, o português vai ter maior predominância, utilizando no fundo a marioneta como um elemento de comunicação entre as crianças”.

Nos restantes pontos do programa do Festival, destaque para “Pausa para Ler”, que terá por palco a Casa Garden, no dia 8 de Maio, das 18h30 às 20h00, e para dois workshops de “Escrita Criativa”. O primeiro no dia 15, entre as 19h00 e as 21h00, para maiores de 18 anos, e o segundo, a 16, entre as 15h00 e as 17h00, para maiores de 15 anos, orientados por Paula Pinto. Ambos serão realizados na sede da Casa de Portugal.

Enquanto isto, está agendado um concerto para o dia 16, a partir das 19h00, na Casa Garden, com Tomás Ramos de Deus, Miguel Andrade, Paulo Pereira, Irawan Kusuma, Luís Bento e outros músicos convidados.

O festival, que conta com o apoio da Fundação Macau e da Fundação Oriente, encerrará a 18 de Junho com a peça “O Pior Professor do Mundo” protagonizada pelo Teatro João de Brito, no Auditório da Escola Portuguesa de Macau, pelas 19h00, estando reservada uma sessão para os alunos e outra aberta ao público.

Conversas em Português no Café do IPOR

Por forma a celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa e os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o Instituto Português do Oriente (IPOR) vai organizar hoje e amanhã, entre as 18h30 e as 20h30, um evento especial em formato de conversas rápidas. As “Conversas em Português à Volta do Mundo” decorrerão no Café Oriente no IPOR e destinam-se a estudantes ou “curiosos” que não têm o Português como língua materna. Segundo o IPOR, os participantes poderão, em várias mesas, conversar durante 5 a 7 minutos com falantes nativos de Português. Quem passar por todas as mesas terá direito a um prémio. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 30 de julho de 2025

Macau - Apoios atribuídos pela Fundação Macau quadruplicaram no primeiro semestre

A Fundação Macau concedeu quase 1,6 mil milhões de patacas de apoio financeiro entre Janeiro e Junho deste ano, um aumento significativo de quatro vezes mais em relação ao período homólogo do ano passado. Além dos subsídios dados a associações tradicionais, destacam-se os apoios para a Universidade de Macau relativos à aquisição de um terreno para o novo campus em Hengqin, envolvendo uma verba superior a mil milhões de patacas


Nos primeiros seis meses deste ano, a Fundação Macau deu aprovação a mais de mil pedidos de apoio financeiro, cujo montante de financiamento atingiu 1,59 mil milhões de patacas. O valor total representa uma subida acentuada de 306% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram canalizados 391 milhões de patacas.

O valor atribuído no primeiro trimestre deste ano foi de 1,26 mil milhões de patacas, equivalendo a um aumento anual de 556%, enquanto o do segundo trimestre foi de 325 milhões de patacas (+64%), segundo consta na lista de apoio financeiro actualizada pela entidade na Plataforma de divulgação pública das informações dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos.

Analisando os dados, a diferença no valor total concedido pela Fundação Macau no primeiro semestre do ano deveu-se principalmente a dois projectos aprovados a pedido da Universidade de Macau (UM). A instituição de ensino superior foi beneficiária de uma verba de 373,4 milhões de patacas em Janeiro, de 659,8 milhões de patacas em Fevereiro, e também de 139,2 milhões de patacas em Junho, o que totalizou em mais de 1,17 mil milhões de patacas.

A Fundação Macau indicou que foram apoios financeiros para a UM relativamente à aquisição de um terreno para fins educativos na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Os três pagamentos correspondem à “primeira prestação” e “última prestação” do subsídio, avançou o organismo.

A Fundação Macau financiou em Janeiro com 50 milhões de patacas a Fundação Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, no âmbito do projecto do satélite “Macau Science Satellite-2”.

Nesse sentido, ao contrário do habitual, as associações tradicionais de Macau deixaram de ser as maiores entre as entidades beneficiárias. Das associações tradicionais, a União Geral das Associações dos Moradores de Macau continua, como habitualmente, a ser a entidade que recebeu mais subsídios, tendo angariado 36 milhões de patacas, com os montantes de 16,6 milhões e de 19,3 milhões de patacas nos dois trimestres, respectivamente.

Segue-se a Federação das Associações dos Operários de Macau, com um total de 28,7 milhões de patacas de subsídio recebido até Junho. A Associação Geral das Mulheres foi atribuída com 27,6 milhões de patacas, enquanto a Aliança de Povo de Instituição de Macau, associação ligada à comunidade de Fujian, recebeu 14 milhões de patacas.

Os apoios financeiros foram principalmente para as despesas de funcionamento das associações, bem como subsídios para organização de actividades comunitárias.

As entidades de matriz portuguesa estão também entre as beneficiadas. A Fundação Escola Portuguesa de Macau foi concedida com um montante de apoio financeiro de 9,8 milhões de patacas na primeira metade do ano, em termos de subsídios para actividades e despesas para o ano lectivo. Registou-se assim um acréscimo de 20% no valor de apoio financeiro obtido por este organismo em relação ao mesmo período do ano transacto.

Por sua vez, a Casa de Portugal em Macau recebeu um financiamento de 7,5 milhões de patacas, cuja maioria serviu para despesas de funcionamento da associação, além de apoio financeiro para actividades.

A Fundação Macau concedeu à Associação Promotora da Instrução dos Macaenses um apoio financeiro de 765 mil patacas. Já a Associação dos Macaenses recebeu 2,1 milhões de patacas, enquanto a Associação dos Jovens Macaenses angariou 121 mil patacas de subsídio para actividades. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


domingo, 29 de junho de 2025

França - Hora do conto em português: Literanto cria pontes na comunidade em Paris

O projeto Literanto realizou a última “Hora do conto e atelier criativo em língua portuguesa” do ano letivo na Bibliothèque Gulbenkian, em Paris, reunindo um pequeno grupo de crianças e pais, que expressaram agrado pela iniciativa


“É uma iniciativa muito rica porque permite às minhas filhas poderem ter o contacto com a língua portuguesa, ouvirem o vocabulário em português e depois, no final das histórias, da hora do conto, há sempre um atelier que é muito atrativo e interativo”, disse à Lusa Rute Nunes, mãe de Eliana e Eva, de 10 e oito anos, respetivamente.

Natural do Algarve, mas atualmente a viver a uma hora de Paris, Rute Nunes é uma das mães que participa no projeto desde os seus primórdios, já que as suas filhas “adoram vir e ficam radiantes” por interagir em língua portuguesa no espaço da Casa de Portugal – André de Gouveia, no campus da Cité internationale universitaire de Paris, rodeadas de livros em português.

“Estou muito feliz e espero que esta iniciativa continue futuramente”, afirmou, referindo que a coordenadora do projeto é “muito pedagógica”.

O projeto, criado em 2022 por Sara Novais Nogueira, “pretende promover a língua portuguesa, sobretudo para os mais jovens e as suas famílias”, como afirmou à Lusa, revelando que o grupo de crianças é “bastante assíduo”, participativo e com gosto pela literatura portuguesa.

“É importante, sobretudo nestas camadas [mais jovens], nestes novos casais, que muitas vezes são casais de pais [em que] um é francês e o outro é português (…), e às vezes é difícil em casa também manterem a língua portuguesa. Eu acho que isso é uma herança tão rica, manterem a língua portuguesa e ao mesmo tempo também a francesa”, disse Sara Novais Nogueira.

A atividade que durou cerca de duas horas reuniu cinco crianças, dos quatro aos 10 anos, para ouvirem Sara contar de forma cativante os livros “Se esta história fosse sobre animais”, de Carlos Nuno Granja, “Versos para meninos que comem sempre a sopa toda”, de Manuela Ribeiro, mas também para explicar o mito da sopa da pedra, ao mesmo tempo que incentivava as crianças a dizer palavras em português.

No fim, as crianças participaram no atelier criativo para fazer sardinhas a pintar caixas de ovos, numa alusão aos santos populares, e foram surpreendidas pela coordenadora com pinturas faciais, levando inclusive a que uma das crianças pedisse para pintar a própria coordenadora, numa demonstração de cumplicidade e de criatividade.

“Acho que na ludicidade está tudo, portanto, as crianças, através da brincadeira, através das artes, podem partilhar a língua portuguesa entre eles, ouvirem, lerem e falarem”, disse a coordenadora, que se mostrou agradecida à equipa da Gulbenkian, à Casa de Portugal, à Associação Internacional de Lusodescendentes (AILD), onde exerce o cargo de diretora do Conselho Cultural, e às famílias e às crianças.

Durante este ano letivo, o Literanto trouxe a Paris o escritor Carlos Nuno Granja, Adélia Carvalho e Pedro Seromenho, “grandes da literatura infantojuvenil” na escrita e na ilustração, que inspiraram uma das crianças a ilustrar e o pai de origem francesa de outra a desenhar uma das sessões a que assistiu.

A partir de setembro, e ainda sem apoio financeiro do Estado e de instituições, Sara Novais Nogueira está já a alinhavar a vinda da artista plástica portuguesa Mafalda Rocha, com o projeto dos 50 rostos da democracia, porém ainda com dificuldade em arranjar forma de trazer as obras de Portugal até à capital francesa.

As atividades do Literanto podem ser acompanhadas pela página de Facebook de Sara Nogueira, e dos sítios da AILD, da Bibliothèque Gulbenkian e da Citescope.

A educadora de infância é ainda coordenadora do projeto do mapeamento de autores lusófonos a residir fora de Portugal da AILD, uma iniciativa que começou em França, mas que pretende abrir a outros países e que terá uma feira em Portugal entre este e o próximo ano.

“Não temos tido muitas inscrições ao contrário do que eu pensaria”, revelou Sara Novais Nogueira, justificando que “é importante” este mapeamento para convidar os artistas e dar mais destaque aos seus trabalhos.

A AILD, criada em 2019 e com sede em Lisboa, tem como objetivo promover ações e estratégias de proximidade nas comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e da língua e cultura portuguesas, como o concurso literário “As minhas férias em…”, que conta com a participação com cada vez “mais qualidade” e criatividade, segundo Sara Novais Nogueira. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sábado, 7 de junho de 2025

Macau - Campus de Verão da Casa de Portugal contará com cerca de 200 crianças

O Campus de Verão da Casa de Portugal vai voltar a realizar-se este ano, entre Julho e Agosto. Amélia António disse ao Jornal Tribuna de Macau que as inscrições “ainda não estão finalizadas”, mas que a iniciativa deverá contar com cerca de 200 participantes. O local para a realização das actividades continua a ser o “drama” da Casa, vincou


A Casa de Portugal vai voltar a organizar o Campus de Verão, nas duas últimas semanas de Julho, e nas três primeiras semanas de Agosto. Amélia António explicou ao Jornal Tribuna de Macau que as inscrições ainda não estão finalizadas, uma vez que houve pessoas que manifestaram “vontade de se inscrever, mas não tinham as contas em dia ou faltavam documentos”, havendo ainda casos pendentes.

Sem adiantar números finais, a presidente da Casa de Portugal disse que os alunos inscritos na edição deste ano “devem aproximar-se dos 200”. As crianças, com idades compreendidas entre os quatro e os 10 anos, não serão, na sua maioria, de língua materna portuguesa, “uma situação que já vem de há vários anos”.

O Campus vai proporcionar aos participantes actividades “bastante variadas”, segundo a dirigente associativa, que incluem “actividades lúdicas, coisas de ar livre e jogos, para não ser uma actividade aborrecida”.

“Estão de férias, mas apesar de terem que ter um carácter didáctico, [as actividades] também têm de ter um carácter lúdico, para ser agradável”, assinalou. Por norma, os alunos “constroem e fazem coisas que gostam muito de mostrar aos pais” e “têm muito orgulho nos trabalhos que fazem”, afirmou a presidente da Casa de Portugal. Fazem “um bocadinho de tudo de maneira a puxar pelo gosto e pela autoconfiança dos miúdos”.

Por outro lado, Amélia António admitiu que a Casa de Portugal enfrentou algumas dificuldades, sobretudo em relação ao local para as actividades. “O espaço é sempre o nosso drama anual. Agora temos vindo a trabalhar com a Escola Portuguesa de Macau, que nos tem ajudado ao máximo, mas este ano a Escola está em obras”, o que obrigou a Casa de Portugal a coordenar a iniciativa com os trabalhos.

“Chegou a haver anos em que tínhamos tudo preparado para anunciar, só faltava o local. É um problema sistemático que a Casa de Portugal tem que é o local para realizar as actividades, nomeadamente quando são actividades que envolvem crianças”, desabafou Amélia António.

“Mesmo durante o ano, nós temos imensos pedidos dos pais para continuar a fazer determinado tipo de actividades que os pais apreciam e que os miúdos gostam e que eles pensam que é muito importante para o desenvolvimento linguístico deles”, prosseguiu. Contudo, a Casa de Portugal não realiza mais iniciativas “porque não temos onde fazer”, sublinhou Amélia António, admitindo “dificuldades enormes” para responder aos pedidos que lhes são feitos.

O Campus de Verão já se realiza há cerca de 15 anos e a iniciativa vinha crescendo, até que nos anos de pandemia tudo mudou. Em 2018, segundo dados indicados por Amélia António anteriormente a este jornal, houve 400 vagas e um ano depois foram 800. Normalmente, eram oito ou nove semanas de actividades, mas por causa da covid-19 a Casa de Portugal viu-se obrigada, em 2020, a realizar o Campus durante apenas quatro semanas, com 300 inscrições. Na edição deste ano, serão cinco semanas.

Dois workshops pedagógicos para crianças

Amanhã, decorrerão dois workshops para crianças, sendo a ideia promover o gosto pela leitura. As actividades vão realizar-se na sede da Casa de Portugal e serão conduzidas por Bárbara Maria e Carmo, educadora de infância. Entre as 10h00 e as 12h00, a sessão destina-se a crianças com cinco e seis anos, sendo que as actividades são desenvolvidas a partir do livro “Até onde nos leva uma linha?”. Já na segunda sessão, agendada para o período da tarde (15h00 às 17h30), o workshop é direcionado para crianças de três e quatro anos. A actividade para pais e filhos tem como protagonista o livro “Não é uma caixa!”. O programa “Crianças Felizes” conta ainda com apresentações no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 8 de maio de 2025

Macau - Exposição “Poesia no Jardim” celebra a língua portuguesa

É inaugurada amanhã a exposição “Poesia no Jardim”, uma iniciativa no âmbito do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se celebrou na passada segunda-feira. A exposição, organizada pelo IPOR, com apoio da Casa de Portugal e do Fórum de Macau, estará patente até ao fim de Maio no parque de Seac Pai Van. A exposição será constituída por 11 painéis próprios para ambiente externo. Cada um dos dez quadros individuais representará um poema de um dos nove países de língua oficial portuguesa, existindo um no qual estará representado um poeta da RAEM.



O texto do poema figurará na sua língua original e na sua versão traduzida para chinês, em caracteres tradicionais e simplificados. Será também incluída uma breve biografia do escritor nas duas línguas e figurará igualmente um código QR com um ficheiro áudio onde se poderá ouvir uma declamação do poema e outros dois códigos QR com a versão áudio em chinês, um em mandarim e outro em cantonês.

Terminado o período de exibição no jardim, os painéis serão convertidos numa exposição itinerante que será exibida em instituições de ensino superior e não superior da RAEM e da República Popular da China, bem como em países da Lusofonia que estejam interessadas em acolhê-la. “Com este projecto pretende-se transformar um jardim de Macau numa galeria de literatura ao ar livre, acessível a toda a população dando a conhecer, assim, a obra poética de autores dos nove países e da região onde o português é uma das línguas oficiais”, indica o comunicado divulgado pelo IPOR. “Poesia no Jardim” procura “levar a poesia em língua portuguesa ao encontro da população da RAEM e dos seus visitantes”.

A exposição tem como objectivos principais “divulgar autores contemporâneos dos países de língua portuguesa e a sua obra, dinamizar o espaço público de Macau de uma forma criativa, apelar interesse pela leitura, pelo livro e pela língua portuguesa, valorizar o pluricentrismo da língua portuguesa e as suas variantes, e também prestar o devido reconhecimento aos tradutores da língua chinesa e da língua portuguesa”, diz a organização. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 10 de abril de 2025

Macau - Projecto “Fado à janela” deverá ter continuidade

O fado voltou a ser divulgado na rua, ou melhor, à varanda, numa iniciativa da Casa de Portugal. Pelo segundo ano consecutivo, “Fado à janela” surpreendeu os turistas que passavam pela Rua Pedro Nolasco da Silva. Na varanda do edifício sede da associação, músicos da Casa de Portugal cantaram canções de vários autores, com destaque para Amália Rodrigues, Carlos do Carmo ou Ana Moura. O projecto poderá ter continuidade no futuro, uma vez que se trata “de uma marca portuguesa e as pessoas gostam de ouvir este tipo de música com singularidade”, disse ao jornal Tribuna de Macau Tomás Ramos de Deus, um dos elementos do grupo



Mostrar em Macau aquilo que se faz em bairros carismáticos e turísticos de Lisboa antiga, como Alfama, Mouraria, Castelo ou Madragoa, foi o objectivo da segunda edição de “Fado à janela”, evento musical promovido pela Casa de Portugal e colocado em prática pela banda residente da instituição.

Durante quatro dias, o calor do fado, cantado ao ar livre, na varanda do edifício sede da associação, sobrepôs-se à instabilidade do tempo, com algum frio, registada no final de Março, e proporcionou uma plateia surpresa de algumas dezenas de turistas. Os visitantes que passavam à hora do almoço junto ao prédio de arquitectura colonial, situado na Rua Pedro Nolasco da Silva, pararam durante os 20 minutos de duração de cada sessão musical para ouvir as vozes de Tomás Ramos de Deus ou Vânia Vieira, dando ao local um ambiente diferente do habitual.

Muitos dos turistas que vinham da Fortaleza do Monte encheram a colina da rua lateral ao edifício do Consulado de Portugal, para, surpreendidos pelas inesperadas batidas musicais, ouvir canções de artistas portugueses que se notabilizaram na divulgação do fado, uns pertencentes ao passado, como Amália Rodrigues ou Carlos do Carmo, e outros da era moderna, como Ana Moura.

“Lisboa Menina e Moça”, “Namorico da Rita”, “Casa Portuguesa” ou “Desfado” foram algumas das canções que se puderam escutar através das vozes dos dois fadistas, acompanhados na guitarra portuguesa de Miguel Andrade e na guitarra fado de Paulo Pereira.

O projecto “Fado à Janela”, ideia da coordenadora-geral da Casa de Portugal, Diana Soeiro, teve sucesso em 2024, também em Março, e por isso repetiu-se este ano, tendo contado igualmente com “uma boa assistência do público”, entre turistas e residentes do território, como referiu Tomás Ramos de Deus ao Jornal Tribuna de Macau.

O elemento do grupo, que também toca, acredita que a iniciativa terá continuidade. “Há ideias para melhorar este tipo de eventos no futuro, como por exemplo tentar realizá-los também noutros sítios da cidade, com mais horários de exibição, mais artistas convidados e decorações diferentes”, sublinhou.

A iniciativa, que conta com o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura, voltou a utilizar o galo de Barcelos como símbolo, colocado também no cartaz de promoção da iniciativa, este ano vestido com xaile minhoto, tipicamente português.

Segundo Tomás Ramos de Deus, a iniciativa recria alguns bairros de Lisboa onde se pode ouvir cantar o fado. “Foi essa a ideia que quisemos implementar, motivados pelos espectáculos de fado na rua que se podem apreciar em Lisboa”, refere o músico, para quem “em Macau também se pode fazer este tipo de eventos, uma vez aqui há muitos prédios com varandas bonitas e edifícios emblemáticos, como é o caso do nosso, na Casa de Portugal, muito visitado por turistas que entram frequentemente e tiram fotografias à fachada”.

O fado foi escolhido para este projecto ao ar livre, “porque se trata de uma marca portuguesa e as pessoas gostam de ouvir este tipo de música com singularidade”, observa o cantor e guitarrista.

“Poderíamos estar ali a tocar música pop, internacional, ou jazz, que é um estilo que nós também tocamos e que certamente as pessoas igualmente iam ouvir, mas não tinha essa singularidade que tem o fado”, aponta. “Pertencendo nós à Casa de Portugal em Macau, a nossa missão é divulgar a cultura lusa, portanto, nada melhor do que promover o fado”, vinca. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 27 de março de 2025

Macau - Amélia António exorta MNE a “explicar” posição de Portugal em relação à China

A presidente da Casa de Portugal em Macau (CPM) defendeu, numa antecipação à visita de amanhã do ministro dos Negócios Estrangeiros português ao território, a importância de Paulo Rangel esclarecer a comunidade portuguesa sobre o posicionamento do Governo relativamente à China.



“Estamos aqui, sofremos as consequências dessas relações [entre Portugal e China], boas ou más. Tivemos relações muito próximas durante muito tempo, o que se alterou com a covid. Ainda não vi as coisas voltarem a ser como eram, e penso que era importante o senhor ministro explicar qual é a posição”, declarou à Lusa Maria Amélia António, referindo que Portugal não tem de “alinhar fielmente com tudo o que se diz na Europa e, sobretudo, nos EUA”, salientou.

Antes da pandemia, lembrou, existia “comunicação permanente” e “muito intercâmbio” entre as autoridades portuguesas e chinesas. Hoje é perceptível um “endurecimento relativamente aos portugueses” em matéria de imigração em Macau, declarou Maria Amélia António, sublinhando, porém, não poder afirmar categoricamente se a posição está relacionada com “esse afastamento” entre a China e o Ocidente.

As autoridades de Macau não aceitam desde o ano passado novos pedidos de residência no território para portugueses, para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999. A alternativa para um nacional português garantir o Bilhete de Identidade de Residente (BIR) passa por uma candidatura aos programas recentes de captação de quadros qualificados. Outra hipótese é a emissão de um ‘blue card’, autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação.

Estas limitações têm afectado a CPM na contratação de profissionais para integrarem a Escola de Arte e Ofícios. Mencionando a relação estratégica entre a China e o universo de língua portuguesa e o interesse de Pequim na língua portuguesa, a líder associativa lamentou a postura “um pouco contraditória”.

“Não podemos fazer omeletas sem ovos, nós que estamos aqui e que trabalhamos com a cultura portuguesa e com a língua portuguesa, temos muita dificuldade em ter pessoas que substituam aquelas que foram saindo. Saíram muitos portugueses de Macau, e trabalhar nestas áreas com essa falta [de pessoas com essas qualificações] é muito complicado”, rematou.

Também o presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) considerou os novos obstáculos à residência de portugueses “uma questão importante”, embora admita que a história não é garante de “estatuto especial”. “Como português, pessoa em Macau, claro que gostaria que os meus patrícios fossem bem tratados e, naturalmente, que a residência em Macau seja sempre facilitada”, ressalvou Miguel de Senna Fernandes.

O presidente da APIM notou que a dificuldade de contratação teve impacto na Escola Portuguesa (EPM), sob a tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal. Espera-se, referiu, que o Estado português “continue sempre a prestar uma atenção especial” à EPM.

Senna Fernandes, também vice-presidente da Fundação da EPM salientou, porém, uma “atitude distante” das autoridades portuguesas “em relação às coisas de Macau”. A viagem de Rangel à RAEM, acredita, vai trazer poucas mudanças. “É um pró-forma, porque, sem querer ser pessimista, não estou a ver que faça muita diferença. Mas, claro, que é sempre bom que o ministro dos Negócios Estrangeiros visite Macau. (…) Nunca fez diferença. Aliás, nunca nenhum político ou ministro em Macau tem feito alguma diferença”, referiu. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 13 de março de 2025

Macau - Aprovação de subsídios viabiliza planos das associações de matriz portuguesa

Na opinião dos dirigentes das associações de matriz portuguesa, os subsídios atribuídos pela Fundação Macau são considerados satisfatórios e permitirão que, de uma forma geral, todas as actividades programadas para este ano sejam realizadas. Apesar dos montantes terem ficado um pouco aquém do que foi solicitado, “vão possibilitar que praticamente tudo se consiga fazer”, disse ao Jornal Tribuna de Macau Amélia António. “Foi até um pouco melhor do que no ano passado”, salientou, por seu lado, António Monteiro, enquanto Miguel de Senna Fernandes frisa que o orçamento para o Arraial de São João “é magro”, mas o evento “será organizado”. Jorge Fão manifesta-se igualmente satisfeito com a aprovação dos apoios, “fundamentalmente para pagar aos funcionários”. Enquanto isto, há organismos que dispensam para já os subsídios, ou desistiram de os pedir



Todas as associações de matriz lusa contactadas pelo Jornal Tribuna de Macau consideram que a atribuição dos subsídios por parte da Fundação Macau (FM) correspondeu de uma forma geral às expectativas criadas. Muito embora os montantes solicitados não abranjam o total das propostas apresentadas – situação que tem acontecido anualmente, mas já esperada pelos dirigentes associativos -, consideram que os valores concedidos vão permitir que os eventos programados se possam realizar.

“Com mais ou menos dinheiro, o importante é que todas as actividades por nós pensadas vão ser efectuadas”, começou por referir ao Jornal Tribuna de Macau Amélia António, para quem “a concessão de todos os subsídios pretendidos é um sinal do reconhecimento do trabalho e da qualidade daquilo que temos vindo a fazer”.

A presidente da Casa de Portugal diz que a Fundação tem agora “uma espécie de critério uniforme para determinadas actividades, em especial as exposições, havendo um montante mais ou menos igual para tudo isso”.

A responsável da Casa afirma que, a partir de agora, os eventos para os quais a associação aguardava a concretização dos subsídios vão começar a ser organizados, mediante os apoios que existem. “Nós, por princípio, levamos a efeito tudo aquilo que agendamos, desde que tenhamos subsídios atribuídos”, refere, acrescentando que “a forma de os fazer é que pode variar, por causa dos montantes que dispomos, havendo a necessidade de proceder, nalguns casos, a certas adaptações”.

Também António Monteiro, presidente da Associação dos Jovens Macaenses (AJM), ficou satisfeito com os subsídios concedidos para todos os programas agendados, considerando que “foram até um pouco melhores do que aconteceu no ano passado”.

Por sua vez, Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses (ADM), fala em satisfação geral pela aprovação, sem, no entanto, “estar assim tão satisfeito pelos montantes atribuídos”. Apesar de tudo, diz, “os apoios cobrem as principais actividades”, uma das quais é o Arraial de São João. Sobre esta festa popular, o líder da ADM considera que “o orçamento é magro e uma sombra do que seria o fundamental”, mas mesmo assim a organização estará assegurada “nos mesmos moldes do ano passado, na Torre de Macau”.

Jorge Fão, presidente da assembleia-geral da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), confirmou a aprovação dos apoios monetários solicitados à Fundação para a maioria das actividades. “Com a excepção de alguns projectos, de pequena importância, os restantes tiveram subsídios autorizados, em especial para aquilo que é necessário para as despesas correntes de funcionamento, pagamento aos funcionários e realização dos eventos anuais, como os passeios que habitualmente organizamos”, aponta.

No que respeita a outras necessidades, Jorge Fão lamenta que a FM já tenha anteriormente respondido negativamente a um pedido de apoio financeiro para a realização de obras de beneficiação na sede do organismo. “Isto é bastante urgente e eu vou insistir com um pedido adicional, eventualmente até dirigido ao próprio Chefe do Executivo”, sublinha.

Tendo conhecimento de que a Fundação “não tem rubricas para atribuir subsídios para este tipo de despesas”, Jorge Fão vai solicitar ao Governo para que este indique qual a entidade mais adequada para isso.

A instalação onde se situava a clínica, há alguns anos encerrada por falta de apoios financeiros, deverá servir para organizar palestras.

“O nosso pedido de subsídio para as obras tem a sua razão de ser, ainda por cima porque nós cedemos uma boa parte do espaço como acesso para que os residentes daquele edifício pudessem utilizar o nosso elevador”, expressa, acrescentando que “as pessoas que vivem naquele edifício, que andam de cadeira de rodas, já podem, a partir de agora, descer e ir até à rua através de um dos elevadores” da APOMAC.

Vinda de músico Paulo Soares é projecto ainda incerto

Ao contrário da APOMAC, que tem um menor fluxo de actividades, a Casa de Portugal desenvolve, há vários anos, projectos diversificados. Para 2025, e agora que os subsídios foram todos aprovados, a associação vai procurar tornar realidade tudo o que preconizou, dando especial enfoque às exposições, para as quais convida com regularidade pessoas do exterior, assim como outros eventos, como a festa de Santo António.

“Temos verba para pôr de pé mais uma vez essa tradição popular, tudo apontando para que o local escolhido volte a ser a Escola Portuguesa, em Junho”, salienta Amélia António.

Por outro lado, e além de colaborações no Arraial de São João e no Festival da Lusofonia, assim como no “Junho, mês de Portugal” – para o qual já começaram a ser discutidos alguns dos pontos do programa – a Casa de Portugal pretende trazer ao território Paulo Soares, considerado um dos mais versáteis guitarristas de sempre no panorama da guitarra portuguesa.

A vinda do músico está (ou estava) inicialmente prevista para Abril, “mas ainda não temos resposta a um pedido de subsídio da Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, uma vez que este tipo de apoios, por parte de Macau, pertence ao Fundo de Desenvolvimento da Cultura, para onde dirigimos o pedido, entretanto negado”, esclarece Amélia António.

O objectivo desta iniciativa é assinalar os 100 anos do nascimento do guitarrista Carlos Paredes, falecido em 2004. “Já estamos muito em cima da data em que queríamos realizar o espectáculo, por isso provavelmente vai ter de ser mais tarde, o que implica mais dificuldades, como a disponibilidade do artista, que virá acompanhado de um outro elemento, e do espaço onde terá lugar”, frisa a dirigente.

Exibição de “caretos” no desfile internacional

Enquanto aguarda pela concretização deste projecto, a Casa de Portugal está presentemente empenhada nos preparativos para o Desfile Internacional de Macau que irá decorrer no dia 23 de Março.

A associação vai ter uma representação de cerca de 20 a 30 elementos e o tema é os “caretos”, constituídos por personagens mascaradas do Carnaval de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal, com destaque para Podence. Este género de bonecos misteriosos será acompanhado por tambores e música ao vivo.

Amélia António faz questão de dizer que todos os “caretos”, um dos quais gigante, foram produzidos localmente pela Escola de Artes e Ofícios. “As figuras são naturalmente adaptadas à cultura de Macau, mas sem deixar de relevar a tradição portuguesa”, afirma, enaltecendo o trabalho “incansável” das pessoas que fazem este tipo de produções e outras actividades, “muitas vezes com grande dificuldade de espaço para desenvolverem as suas obras”.

A dirigente lamenta não ter ainda conseguido outro local, mais central, para a realização dos trabalhos da Escola. “A situação já não era famosa, mas agora está infernal”, admite. “Aquelas instalações na Areia Preta estão fora-de-mão e as pessoas têm dificuldade, no acesso e na falta de estacionamento, em deixar os seus filhos para os eventos que nós organizamos”, lamentou.

Enquanto isto, há duas associações ligadas à cultura macaense que prescindem de subsídios da FM. São elas a Confraria da Gastronomia Macaense e a Associação de Estudos da Cultura Macaense (MACRA).

Carlos Anok, presidente da Confraria, disse ao JTM que desistiu de solicitar apoios à Fundação Macau. “Não somos contemplados, porque só temos pessoas a trabalhar de forma voluntária, daí que, segundo os regulamentos, não podem ser pagos”. Por isso, “desistimos de pedir subsídios”, remata.

Sobre a MACRA, a sua principal responsável, Elisabela Larrea, justifica com o facto de a associação ser relativamente nova. “Gostaríamos de aprender primeiro a fazer as coisas passo a passo”, explica. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Macau - Casa de Portugal otimista quanto à língua portuguesa na Região apesar de “mau sinal”

A presidente da Casa de Portugal em Macau permanece otimista quanto ao papel da língua portuguesa, mas descreveu a ausência de tradução, hoje, do primeiro discurso do novo líder da região como "um mau sinal"



Durante uma cerimónia a celebrar o 25.º aniversário da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), o novo chefe do Executivo, Sam Hou Fai, discursou em cantonês, não tendo sido disponibilizada qualquer tradução para português.

Sam, que tomou posse esta manhã, é o primeiro dirigente que domina a língua portuguesa a liderar a RAEM, criada na sequência da transição de administração de Portugal para a China.

“Fiquei desiludida e não fui a única. É de facto um mau sinal de início, não haver tradução, no primeiro discurso do chefe do Executivo”, disse à Lusa Maria Amélia António.

Apesar de ser “profundamente lamentável”, a presidente da Casa de Portugal em Macau disse esperar “que tenha sido um acidente pontual” e que “não se repita”.

Questionado pela Lusa, o Gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau não fez qualquer comentário.

Horas antes, na tomada de posse do novo Governo local, Xi sublinhou que Macau, como “o único local do mundo que tem como línguas oficiais o português e o chinês”, tem de aproveitar “a sua singularidade” para servir de “plataforma entre a China” e os países lusófonos.

“Isto não tem discussão. Está ali dito, preto no branco e claro. E, portanto, como língua oficial [a língua portuguesa] tem de ser tratada de outra forma daquela que tem sido tratada até agora”, defendeu Maria Amélia António, antes do discurso de San Hou Fai.

A também advogada considerou que o papel da comunidade portuguesa vai depender “imenso daquilo que for capaz de fazer, da qualidade do trabalho que desenvolver”.

Cerca de 155 mil pessoas têm nacionalidade portuguesa em Macau e Hong Kong, disse à Lusa na terça-feira o cônsul-geral de Portugal nas duas regiões semiautónomas chinesas, Alexandre Leitão.

De acordo com os últimos censos realizados no território de 2021, há mais de 2200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau.

A comunidade portuguesa “tem um papel fundamental na manutenção de todas as características de Macau”, nomeadamente como uma ligação aos países lusófonos, sublinhou Maria Amélia António.

O território tem “desempenhado um papel muito importante ao longo da história” da China, como “uma janela para o exterior”, “aproveitando a sua vantagem única de ser a mistura de diferentes culturas”, disse Xi Jinping.

Mas o chefe de Estado sublinhou que Macau precisa de “uma atitude mais tolerante, mais aberta, de estabelecer mais laços de cooperação com o exterior”, para “projetar a imagem” da região no exterior e ter “o seu lugar no palco internacional”.

O líder chinês defendeu a necessidade de “renovar as leis que têm a ver com o comércio” de forma a “atrair mais recursos e investidores internacionais”. In “Plataforma” - Macau


terça-feira, 5 de novembro de 2024

Macau - Associações satisfeitas com Festival da Lusofonia mas pedem horários mais flexíveis

Alargar os espectáculos musicais até pelo menos às 23h00, em todos os dias do Festival da Lusofonia, é o pedido feito pelas associações no balanço do evento. “Não faz muito sentido que desliguem o som quando alguém está a cantar”, disse Amélia António. “A lei do ruído não é justificação para não estender o tempo das actuações”, sublinha Graziela Lopes. Apesar disso, “a festa é uma alegria, uma confraternização, e Macau deveria valorizar esta forma de estar como uma bandeira e uma identificação sua”, observou a presidente da Casa de Portugal. O coordenador António Machado fala em cerca de 40 mil visitantes e afirma que os objectivos do festival foram totalmente cumpridos



Caiu o pano de mais uma festa lusófona nas Casas da Taipa, que este ano contou, pela primeira vez, com a duração de dois fins-de-semana. O ambiente foi o mesmo de sempre, com muita confraternização e alegria ao longo dos seis dias do evento, apesar de as associações terem reconhecido que a afluência foi um pouco menor do que em edições anteriores. “Talvez porque houve o feriado na segunda-feira e muitas pessoas terão saído de Macau”, disse ao Jornal Tribuna de Macau Graziela Lopes, responsável pela Associação dos Guineenses, Naturais e Amigos da Guiné-Bissau.
Quanto ao ambiente que se vive anualmente, “significa que nós também estamos a abraçar a vontade da organização de nos dar mais espaço”. “Por isso, é fundamental que isto continue para que o Festival da Lusofonia continue a fazer sentido”, disse, acrescentando que “é muito gratificante ver que há sempre tanta gente de fora a deslocar-se ao festival”.
Por seu turno, Amélia António considera ser também muito importante para os quem vêm de fora, para além dos que estão em Macau. “Eu sempre tenho realçado que o Festival da Lusofonia cria um clima de festa, alegria, entendimento, entreajuda, confraternização entre gente de diferentes credos religiosos e atitudes políticas que sabem conviver umas com as outras”, afirmou.
A responsável da Casa de Portugal considera isso um exemplo, “uma autêntica bandeira e identificação da RAEM”, numa altura em que o mundo “está cada vez mais dividido, mais sectarista”. Por isso, acrescenta, “Macau deveria valorizar mais esta forma de viver, realçar as suas características”.
Graziela Lopes está a favor da continuidade de dois fins-de-semana, ainda que seja bastante cansativo para as associações. Daí que defenda que devesse haver “mais estudantes chineses e dos países lusófonos nos respectivos stands, pagos para esse efeito, para que pudesse haver uma mais eficaz comunicação aos visitantes sobre a cultura dos respectivos países”.
Quanto a esse aspecto, Amélia António disse que deveria ser melhorado. “Face às dificuldades de arranjar voluntários para ajudar as associações, os estudantes que frequentam as várias universidades em Macau deveriam poder receber alguma compensação financeira, porque uma grande parte deles tem algumas dificuldades económicas e assim teriam uma pequena compensação pela ajuda que prestavam”, apontou.
A dirigente reforça que “é preciso mobilizá-los para que apareçam na festa, até para funcionar como uma formação, conviverem com as pessoas”. “Seria tirar proveito para mostrar a diferença de Macau e aí estes aspectos não são devidamente aproveitados”, sublinha.
As regras “deviam ser revistas de modo a permitir prestar apenas serviços pontuais, o que seria justo para eles e para as associações”, revela, considerando que os dois fins-de-semana “é uma boa ideia, mas era preciso um pouco mais de apoio para se enfrentarem estas situações, porque as associações têm sempre muitas limitações”.
De resto, os horários, principalmente dos espectáculos. “Terminar às 22h00 continua a não fazer sentido, havendo apenas a excepção ao sábado à noite”, sustenta. “Penso que não haveria problema com a questão do ruído e terminar pelo menos às 23h00 todos os dias, porque as casas das pessoas estão um pouco longe da área do festival. Às vezes terminar um espectáculo às 22h00 condiciona muito e ontem foi feriado, portanto, o tempo deveria ser alargado”, defendeu Amélia António. E depois, “há situações, com queixas das pessoas, em que o som é desligado um minuto antes da hora estabelecida, quando um show ainda está a decorrer”.
Graziela Lopes também não compreende a razão de não se poder fazer uma excepção à lei do ruído. “A justificação da lei do ruído não pode ser justificação para o que tem vindo a acontecer, uma vez que pode haver excepção à lei, como em todas as leis”.
Interrogado sobre a questão dos horários, o coordenador do Festival da Lusofonia é peremptório: “Não há qualquer hipótese de irmos contra a lei do ruído”. António Machado prefere focar-se nos aspectos que norteiam a festa.
“Foi positivo, com os objectivos a serem totalmente cumpridos, apesar de reconhecer que, no total, estava à espera de mais gente”, disse a este jornal. Mesmo assim, nota, “julgo que perto de 40.000 pessoas tenham visitado o evento nos seis dias, o que é bastante bom”. Machado reconhece que o tempo não ajudou muito no primeiro fim-de-semana, mas no segundo “já chamou mais gente”.
Quanto ao futuro, “estão reunidas as condições para continuarmos a ter dois fins-de-semana consecutivos, até porque isso possibilita que haja visitantes diferentes em cada um dos períodos”. “Estou satisfeito com o balanço do festival deste ano”, rematou. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Macau - Atribuição de Bilhete de Identidade de Residente abordada no encontro entre Casa de Portugal e Sam Hou Fai

Foi em Língua Portuguesa que Sam Hou Fai orientou a conversa que manteve com uma delegação da Casa de Portugal. De entre os temas abordados, destaque para a questão das restrições na atribuição do BIR a nacionais portugueses que venham trabalhar para Macau. Amélia António disse ao candidato a Chefe do Executivo que os novos procedimentos “criam muitas dificuldades”. De resto, na reunião de cerca de uma hora, o ex-presidente do TUI ficou a conhecer, de uma forma generalizada, as acções organizadas pela associação de matriz portuguesa. “O encontro foi extremamente positivo”, revelou a dirigente ao Jornal Tribuna de Macau


A Casa de Portugal foi mais uma associação portuguesa a ser ouvida pelo candidato a Chefe do Executivo da RAEM, no seu périplo de auscultação e diálogo com vários sectores da sociedade local, neste caso ouvindo organismos com relevância na comunidade lusa do território.

O encontro de Sam Hou Fai com uma delegação da Casa de Portugal, liderada pela sua presidente Amélia António, durou cerca de uma hora e, de entre os temas abordados, a questão das restrições na atribuição do BIR a portugueses que vêm para Macau trabalhar “mereceu a atenção por parte do candidato”, segundo referiu a responsável pela Casa de Portugal ao Jornal Tribuna de Macau.

Amélia António lembrou as dificuldades encontradas a partir do momento em que as novas orientações foram difundidas. “Levantei essa questão, salientando que a alteração tinha complicado muito a vida das pessoas, concretamente para aquelas que pretendíamos aqui trazer para a realização das nossas actividades”, referiu.

A também advogada disse a Sam Hou Fai que “saiu muita gente qualificada e que essas saídas são difíceis de substituir, uma vez que, nas condições actuais, é muito difícil as pessoas aceitarem vir”. O candidato “ouviu com atenção a nossa opinião e tomou notas”, sublinha a dirigente.

A conversa – que foi mantida em Português, por iniciativa de Sam Hou Fai, uma vez que tem algum domínio da língua de Camões, na sequência dos anos em que estudou em Coimbra – abrangeu outros temas. O candidato quis perceber quais as áreas de intervenção da Casa de Portugal, que fontes a sustentam, como sobrevive.

“Falámos das nossas actividades, das oficinas, entre outras acções, ainda que de uma forma mais generalizada, tendo sido um pouco um encontro para levantar ideias”, diz Amélia António, acrescentando ter falado das dificuldades em termos de instalações.

“Dissemos-lhe que nos encontrávamos a desenvolver as oficinas num prédio industrial e das rendas estarem sempre a subir, o que implica pedir mais apoios”. A presidente da Casa explicou a Sam Hou Fai que “esse apoio, que podia ser mais bem canalizado, acaba, numa grande parte, por ser gasto nas instalações”, observando que a possibilidade dessas instalações serem colocadas em locais da administração “daria outra estabilidade”.

Por outro lado, foi mencionada a ligação que existe com os portugueses. “Falou do sistema jurídico, da cultura, porque 500 anos de língua e cultura portuguesas não é uma coisa que seja para destruir, pelo contrário, é um valor também para a RAEM, portanto, são coisas para preservar e que o candidato fez questão de reforçar”, expressou a dirigente, para quem, “ao nível das intenções, o encontro foi extremamente positivo”. Para o futuro, “veremos”, mas “há que reconhecer que ele não tem uma varinha mágica para resolver todos os problemas e terá certamente, enquanto Chefe, condicionamentos”, sustenta Amélia António.

No balanço da conversa e falando da receptividade do candidato a sexto mandato de Chefe do Executivo, Amélia António destaca, acima de tudo, a “atitude de interesse” manifestada por Sam Hou Fai. “Mostrou interesse em saber coisas que se falaram, de fazer mais uma pergunta ou outra para ficar a conhecer melhor, portanto, teve uma atitude positiva de uma pessoa interessada em saber, em perceber”, reforça.

Reforço da integração cultural sino-portuguesa

Em nota oficial do gabinete de candidatura, é referido que os representantes presentes na reunião “expressaram a sua concordância e apoio total ao programa político de Sam Hou Fai, e realizaram uma troca de opiniões, tendo em consideração as actividades desta associação”.

O texto assinala que “a Casa de Portugal em Macau enfatizou a vantagem única de Macau em termos da integração cultural sino-portuguesa, afirmando que a associação não só serve a comunidade portuguesa no território, mas também os cidadãos de Macau de todas as camadas”.

A Casa sugeriu, indica o comunicado, “que o Governo deveria fazer uma revisão das políticas de financiamento às associações, optimizar os procedimentos administrativos, aumentar o investimento em projectos de promoção e formação da cultura e língua portuguesa, esperando que se dê maior importância ao cultivo de talentos”.

Para além disso, é importante que se “promova o desenvolvimento da cultura, arte e artesanato portugueses, e que se aperfeiçoem as políticas atinentes ao trabalho e à formação de professores de origem portuguesa em Macau, que se conservem a diversidade cultural e a continuação dos valores jurídicos característicos do direito continental europeu”.

Sam Hou Fai “agradeceu as opiniões e elogiou o trabalho da Casa de Portugal em Macau em promover a cultura, arte e língua portuguesa”. O candidato “acredita que o enriquecimento constante do conceito de ‘uma base’ requer o esforço conjunto de todas as etnias de Macau”.

Apontou ainda que, “em resposta ao desenvolvimento dos tempos, a RAEM precisa de proceder à modernização da legislação, e enfatizou a importância de dar continuação aos princípios jurídicos fundamentais com características do direito continental europeu, afirmando, por outro lado, que de acordo com a Lei Básica, os interesses dos descendentes portugueses em Macau são protegidos, devendo as suas tradições e culturas ser respeitadas”.

A delegação da Casa de Portugal integrou, para além da presidente, também João Costa Antunes, responsável pela mesa da assembleia-geral, Armindo Vaz, presidente do Conselho Fiscal, e as secretárias Diana Soeiro e Andrea Aleixo.

Sam Hou Fai teve, entretanto, outros encontros, sempre acompanhado pelo seu representante, Lei Wun Long, e pelo chefe da sede de candidatura, Ip Sio Kai. Recebeu uma delegação de 11 elementos da Aliança de Povo de Instituição de Macau, que fizeram sugestões sobre diversas áreas, incluindo, Administração Pública, desenvolvimento económico, aperfeiçoamento do sistema de garantia de aposentação e do mecanismo de pensão para idosos, políticas de habitação pública. A Aliança de Povo apresentou ainda vários relatórios de pesquisa, entre os quais o “Estudo sobre o Índice de Bem-Estar da RAEM desde o Retorno”.

O candidato único conversou igualmente com dirigentes da Federação de Médico e Saúde de Macau e da Aliança de Sustento e Economia de Macau e deslocou-se à Associação de Beneficência Tung Sin Tong. Vítor Rebelo – Macau – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”