Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 5 de setembro de 2021

Brasil - Investigadores brasileiros avançam em vacina em formato de spray nasal

Um grupo de investigadores brasileiros que desenvolve uma vacina contra a covid-19 em formato de spray nasal, de baixo custo e capaz de proteger contra diversas variantes, obteve resultados bem-sucedidos nos primeiros testes em animais

"Os testes preliminares com duas doses de protótipos do antígeno permitiram a geração de grandes quantidades de anticorpos neutralizadores em ratos de laboratório", informou a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), órgão público que financia o projeto.

A expectativa dos investigadores é receber ainda este ano autorização para os ensaios clínicos (em humanos) do spray e iniciá-los no início de 2022 para determinar tanto a segurança, quanto a eficácia do produto.

Segundo os responsáveis pela vacina, as principais vantagens do imunizante na forma de spray são a facilidade de aplicação e a rapidez com que pode gerar imunidade local no nariz, orofaringe e pulmões, três partes do corpo fundamentais para evitar a consolidação de uma infeção por SARS-CoV-2.

Além disso, a possível vacina brasileira em spray é de baixo custo, de proteção prolongada mesmo contra as diferentes variantes do novo coronavírus e capaz de bloquear a ação do vírus no nariz, onde começa a infeção.

A futura vacina é objeto de um projeto do qual participam investigadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), maior centro de investigação em saúde da América Latina e vinculado ao Ministério da Saúde brasileiro.

"As vacinas injetáveis são muito boas em induzir a imunidade sistémica, inclusive nos pulmões, mas não são particularmente boas em gerar uma resposta protetora na região nasal e orofaringe", explicou Edecio Cunha Neto, investigador da USP e um dos responsáveis pelo projeto.

"As vacinas atuais são excelentes e foram desenvolvidas em tempo recorde, mas agora precisamos de um imunizante de segunda geração capaz de resolver os problemas que surgem durante a imunização e servir de reforço aos injetáveis", acrescentou Cunha Neto.

Para desenvolver uma vacina capaz de proteger contra as diferentes variantes da covid-19, investigadores estão a trabalhar com um antígeno que tem como componente a proteína S (spike) de diferentes estirpes já identificadas.

Esta proteína é a que conecta o vírus às células humanas e a que mais sofreu mutações e gerou novas estirpes.

O antígeno, segundo os investigadores, também contém partes das proteínas que estimulam a resposta celular, o que permitirá uma ação mais duradoura do que a alcançada pelos anticorpos neutralizadores.

Segundo Cunha Neto, a equipa testa atualmente 25 combinações diferentes de proteínas, que serão encapsuladas em nanopartículas de cerâmica revestidas por um polímero para garantir a adesão do imunizante ao meio nasal.

Segundo os investigadores brasileiros, esta vacina será estável à temperatura ambiente, pelo que não precisará de ser armazenada em frigoríficos especiais, além de segura, de baixo custo e com uma tecnologia que permite ao Brasil dominar todo o processo de fabricação e produzi-la no país.

O Brasil, um dos países mais afetados pela pandemia no mundo, totaliza 583362 mortos e 20877864 casos de covid-19. Agência Lusa

 

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