Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 8 de março de 2022

Península Ibérica - TGV Porto-Vigo vai custar mais de mil milhões

A fase 1 da ligação ferroviária de alta velocidade entre o Porto e Vigo poderá vir a custar mais 350 milhões de euros que o previsto inicialmente, segundo um documento apresentado por um diretor da Infraestruturas de Portugal (IP)


De acordo com a apresentação “A ferrovia no contexto ibérico”, feita no dia 21 de fevereiro por José Carlos Clemente, diretor de Empreendimentos da IP, em Sines (distrito de Setúbal), a estimativa da empresa pública aponta agora para cerca de 1250 milhões de euros, quando a apresentação inicial do Programa Nacional de Investimentos (PNI) 2030, divulgada em outubro de 2020, apontava para 900 milhões de euros.

Em causa está a ligação entre Braga (Tadim) e Valença, no distrito de Viana do Castelo, fase 1 da linha Porto – Vigo, cuja conclusão está prevista, segundo o documento da IP, para 2029/2030.

Fonte oficial da IP esclareceu à Lusa que se trata de estimativas baseadas nos projetos que estão a ser desenhados pela empresa e que não devem ser tomados como finais.

Aos 1250 milhões de euros juntam-se 60 milhões da quadruplicação da Linha do Minho entre Contumil (Porto) e Ermesinde (Valongo), pode ainda ler-se no documento.

Quanto às outras fases, a segunda, prevista para depois de 2030, compreende a ligação do Aeroporto Francisco Sá Carneiro (Maia) para o Minho e a Galiza, e está estimada em 350 milhões de euros pela IP.

Já o troço entre o aeroporto e a estação de Porto – Campanhã está integrado no projeto da nova linha Porto – Lisboa, segundo a apresentação de José Carlos Clemente, e está estimada em 450 milhões de euros.

Quanto à continuidade da ligação em Espanha, a nova linha entre a fronteira e Vigo permite “viabilizar serviços de continuidade Porto – Vigo – Corunha” e “reduzir tempos de percurso até 27 minutos”.

Em estudo, segundo o documento do diretor da IP, está também a ligação entre a linha de alta velocidade e a atual Linha do Minho em Valença, mas a IP adverte que “possui remota viabilidade ambiental”.

Ainda assim, o documento refere que esta conexão “permitiria contornar eventual desfasamento da nova linha fronteira – Vigo” e “ponderar eventual serviço a Valença através da estação atual”.

O documento realça que os “investimentos em Portugal e Espanha são mutuamente dependentes”. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”



sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Portugal - Sintra, Porto e Alcobaça incluídos em relatório mundial de monumentos em perigo do ICOMOS


A paisagem cultural de Sintra, o centro histórico do Porto e o Mosteiro de Alcobaça foram incluídos no mais recente Relatório Mundial sobre Monumentos e Sítios em Perigo, publicado em 2020, pelo conselho internacional dedicado ao património.

A construção de um hotel de cinco estrelas na zona da Gandarinha, em Sintra, a instalação de outro hotel em espaços pertencentes ao Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça e projetos na área da restauração da estação de São Bento, no Porto, são casos citados, que sustentam os alertas de risco, baseados sobretudo na falta de observação das diretrizes da Convenção do Património Mundial.

Os dados sobre Portugal constam do “Relatório do Património Mundial em Risco 2016-2019”, do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS, na sigla em inglês), que aborda a situação em 23 países.

O documento é publicado regularmente há vinte anos, com o objetivo de chamar a atenção para os monumentos e paisagens culturais em perigo por causas naturais e humanas.

Neste mais recente relatório, com base em informação das representações dos comités científicos nacionais do ICOMOS, de especialistas individuais e do programa europeu Europa Nostra, são descritos casos de monumentos em perigo em países como Albânia, Alemanha, Austrália, Áustria, Bulgária, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Índia, Kosovo, México, Nepal, Países Baixos, Peru, República Checa, Romênia, Turquia.

No caso de Portugal, o relatório conclui que as ameaças ao Património Mundial se devem à “falta de aplicação de legislação nacional e de recomendações internacionais”, e à “falta de observação das diretrizes da Convenção do Património Mundial”.

São citados os casos da construção de um hotel de cinco estrelas na zona da Gandarinha, em Sintra, o hotel de luxo em instalação no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, projetos de conversão em curso na área da restauração na estação de São Bento, na zona histórica do Porto, “antes de serem submetidos às autoridades competentes, e outros submetidos e aprovados pelas autoridades locais sem terem em conta as recomendações internacionais”.

“As entidades responsáveis – gerentes, autarquias, administração regional e central – deveriam respeitar mais as recomendações para assegurar a proteção do patrimônio”, aponta o documento do ICOMOS, acrescentando que a análise apresentada “não é exaustiva, e é baseada em dados dos projetos arquitetónicos e observações no local”.

A organização adverte, por isso, para a “necessidade de uma avaliação mais detalhada do estado de conservação dos monumentos e sítios”.

“Se, a curto prazo, não forem tomadas medidas de emergência, o mesmo tipo de intervenções arbitrárias irá continuar, com um esperado aumento de efeitos negativos”, alerta.

Os três bens patrimoniais em causa estão inscritos na Lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

O relatório chama ainda a atenção, no período entre 2016 e 2019, para situações noutros países, como a alteração de fachadas históricas em edifícios nos Países Baixos, as ameaças aos conjuntos de arte gótica em Bombaim, na Índia, e a alteração de interiores de catedrais e abandono de antigas sinagogas em Berlim, na Alemanha.

No documento, publicado em 2020, o presidente do ICOMOS, Toshiyuki Kono, faz já um alerta sobre o potencial destrutivo do vírus da covid-19: “Estamos todos a lidar com um desastre sem precedentes. Os impactos desta pandemia podem durar muito tempo, porque afetam todas as atividades. Para identificar como a pandemia pode afetar o patrimônio cultural e a sua conservação, pusemos em marcha um inquérito em larga escala”, anuncia, que mobiliza a organização e as suas secções.

O ICOMOS, organização não governamental fundada em 1965, com sede em Paris, França, funciona como órgão consultivo para o Património Cultural Mundial na UNESCO, desde 1972.

Tem como missão internacional, a conservação do património cultural – monumentos, conjuntos e sítios – nas suas dimensões tangíveis e intangíveis.

O ICOMOS (International Council of Monuments and Sites) é responsável pela “Carta de Veneza” (Carta Internacional para a Conservação e Restauro de Monumentos), criada em 1964, e várias outras recomendações neste domínio do patrimônio cultural, promovendo a sua divulgação, a adoção e a aplicação de convenções e textos normativos.

O conselho de administração do ICOMOS – Portugal, secção portuguesa, é presidido pela arquiteta Soraya Genin. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


 

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Moçambique - China financia a reconstrução do porto de pesca da Beira

A China financia com cerca de cento e vinte milhões de dólares norte-americanos, a reconstrução do porto de pesca da Beira, em Sofala.

O projecto, com a duração de um ano, irá permitir a ampliação da capacidade de manuseamento do pescado, passando das actuais trinta mil toneladas para setenta mil.

Falando esta segunda-feira, no lançamento da primeira pedra, o Ministro do Mar, Águas Interiores e Pescas, Agostinho Mondlane, disse que o porto de pesca da Beira passará a receber, simultaneamente, dezasseis embarcações, o dobro da capacidade actual.

Segundo Mondlane, com a reabilitação do porto de pesca da Beira, duplica igualmente a capacidade de armazenagem e de processamento do pescado, em termos de infra-estruturas e equipamento de apoio ao maneio de cargas no local.

Por seu turno, o conselheiro económico e comercial da Embaixada da China em Moçambique, Wing Lee Pay, garantiu que o seu país vai continuar a financiar projectos de impacto social, no quadro da cooperação bilateral. In “Rádio Moçambique” - Moçambique

sexta-feira, 13 de maio de 2016

UCCLA - Importantes eventos na cidade do Porto

















A UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa) promove no dia 31 de maio, pelas 15 horas, o encontro sobre “Perspetivas Económicas dos Países da CPLP”, um contributo para que se responda com otimismo às preocupações resultantes da crise.

Falamos a 5.ª língua do mundo, temos uma conceção tolerante e universalista e todos os nossos países têm por fronteira o mar, condições relevantes para a competitividade neste mundo global. São estas preocupações para que se encontrem as respostas para a crise que justificam o encontro.

O encontro - que decorrerá na Sala 2 do Coliseu do Porto (Rua de Passos Manuel, n.º 137) é aberto ao público - versará sobre a “Diversificação e Financiamento das Economias” a cargo de João Ferreira do Amaral e de Carlos Costa Pina, e sobre a “Economia e Geopolítica do Petróleo” a cargo de Nuno Ribeiro da Silva, Agostinho de Miranda e António Costa e Silva.

O histórico ex-Presidente da República de Cabo Verde, Pedro Pires, encerrará o encontro com “Uma perspetiva de África”.

No mesmo dia, pelas 9h30, decorrerá na Sala D. Maria da Câmara Municipal do Porto, a XXXII Assembleia Geral da UCCLA e, pelas 12h30, terá lugar a inauguração da exposição "Casa dos Estudantes do Império, 1944-1965. Farol da Liberdade", no átrio dos Paços do Concelho.

Esta exposição pretende dar a conhecer um pouco melhor da história e da realidade vivida pelos estudantes universitários das ex-colónias portuguesas que frequentaram a Casa dos Estudantes do Império. É uma mostra documental, com fotografias, publicações periódicas, livros, documentos oficiais, etc, cedidos ou disponibilizados pelos associados e por algumas instituições. A exposição já esteve patente nas cidades de Lisboa (Portugal), Maputo (Moçambique), Praia (Cabo Verde) e Mindelo (Cabo Verde).

Estarão presentes várias individualidades que presidem a cidades e empresas associadas da UCCLA, a saber:

Cidades:

Angola - Belas, Benguela, Cazenga e Luanda;
Cabo Verde - Praia;
Guiné-Bissau - Bafatá, Bolama e Cacheu;
Macau;
Moçambique - Maputo e Nampula;
Portugal - Almada, Angra do Heroísmo, Cascais, Covilhã, Guimarães, Lisboa e Odivelas;
São Tomé e Príncipe - Água Grande e Governo Regional do Príncipe;
Timor-Leste - Administração Estatal de Díli;

Empresas:

Águas de Portugal; Banco BIC; Banco BNI; Banco BPC; Banco BPI; Bardaji, Honrado & Pinhel - Sociedade de Advogados; BDO; CGD; Cofaco; CRBA & Associados; Diorama; EMEL; EMEP; Grupo Entreposto; Fundação Inatel; LUSA; Montepio Associação Mutualista; Parques do EDT; Sonangol; TAAG; TAP e Visabeira Global.

Programa

9h30 - Assembleia Geral da UCCLA - Paços do Concelho, Sala D. Maria (sessão privada)

12h30 - Inauguração da exposição "Casa dos Estudantes do Império, 1944-1965. Farol da Liberdade" - Átrio dos Paços do Concelho

15h00 - Encontro “Perspetivas Económicas dos Países da CPLP”

15h00-16h15 - “Diversificação e Financiamento das Economias”

Oradores:

João Ferreira do Amaral (Professor Catedrático no ISEG);
Carlos Costa Pina (Administrador de empresas);
Moderador: Luís Todo Bom (Professor universitário e gestor)

16h30- 17h45 - “Economia e Geopolítica do Petróleo”

Oradores:

Nuno Ribeiro da Silva (Professor Catedrático convidado do ISEG e PCA da Endesa);
Agostinho de Miranda (Advogado especialista em assuntos petrolíferos);
António Costa e Silva (PCE da Partex);
Moderador: Vítor Ramalho (Secretário-geral da UCCLA)

18h00-18h30 - “Uma perspetiva de África”
Orador: Ex-Presidente da República de Cabo Verde, Pedro Pires

quinta-feira, 7 de abril de 2016

UCCLA - Assembleia Geral na cidade do Porto


A Câmara Municipal do Porto, presidida por Rui Moreira, vai acolher a reunião da XXXII Assembleia Geral da UCCLA, no próximo dia 31 de maio, a partir das 9h30, nos Paços do Concelho.

A titularidade da presidência da Assembleia Geral da UCCLA pertence à cidade de Luanda, competindo ao General Higino Carneiro - presidente da Comissão Administrativa de Luanda e Governador Provincial de Luanda - abrir os trabalhos. A mesa da Assembleia Geral da UCCLA é, também, composta pelos representantes de Santo António do Príncipe, em São Tomé e Príncipe, e São Vicente, em Cabo Verde.
Estarão presentes várias individualidades que presidem a cidades e empresas associadas da UCCLA, entre as quais:
- Cidades: Assomada e Praia (Cabo Verde), Bafatá, Bolama e Cacheu (Guiné-Bissau), Belas, Benguela e Luanda (Angola), Covilhã, Lisboa e Sintra (Portugal), Ilha de Moçambique, Maputo e Nampula (Moçambique), Macau, Rio de Janeiro e Salvador (Brasil) e Santo António do Príncipe (São Tomé e Príncipe);
- Empresas: Africonsult, Bardaji, Honrado & Pinhel, BDO, Banco BNI, Banco BPI, CEAL, CRBA - Sociedade de Advogados, Entreposto, CGD, Lusa, Montepio, Sabseg, SRS Advogados, TAAG e Visabeira Global.
Na tarde do dia 31 de maio, a UCCLA vai promover um encontro que tem como objetivo responder às principais preocupações do mundo de expressão oficial portuguesa, a saber: O fim do ciclo do petróleo, África e a diversificação da economia e a Banca do futuro.
Para os painéis em causa foram convidadas personalidades de referência nestes domínios.
Será, também, realizada no dia 31 de maio, a inauguração da exposição "Casa dos Estudantes do Império, 1944-1965. Farol da Liberdade", nos Paços do Concelho do Porto.
Esta exposição pretende dar a conhecer um pouco melhor da história e da realidade vivida pelos estudantes universitários das ex-colónias portuguesas que frequentaram a Casa dos Estudantes do Império. É uma mostra documental, com fotografias, publicações periódicas, livros, documentos oficiais, etc, cedidos ou disponibilizados pelos associados e por algumas instituições.
De referir que esta exposição já esteve patente nas cidades de Lisboa (Portugal), Maputo (Moçambique), Praia (Cabo Verde), seguindo, no próximo dia 25 de abril, para a cidade do Mindelo (Cabo Verde) e, posteriormente, para Luanda (Angola). UCCLA

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Brasil - Movimentação portuária nacional ultrapassa um bilhão de toneladas em 2015

O setor portuário nacional (portos organizados + terminais de uso privado) movimentou no ano passado 1,007 bilhão de toneladas. O número representou um crescimento de 4% em relação a 2014. Essa informação é do Anuário Estatístico Aquaviário 2015 da ANTAQ, produzido pela Gerência de Estatística e Avaliação de Desempenho e divulgado na passada quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016.

A movimentação de carga nos portos organizados em 2015 cresceu 0,7% em relação a 2014. Já a movimentação nos terminais de uso privado (TUPs) cresceu 5,9%. “De 2010 a 2015, o crescimento da movimentação portuária alcançou 20%”, detalha o gerente de Estatística e Avaliação de Desempenho da ANTAQ, Fernando Serra.

Serra ressalta que, nos últimos cinco anos, os TUPs aumentaram sua participação na movimentação de contêiner. Em 2010, os terminais de uso privado respondiam por 15%. Em 2015, esse número alcançou 26%.

Analisando por região, o Anuário trouxe que o Sudeste respondeu por 52% da movimentação portuária nacional. O Nordeste movimentou aproximadamente 25% do total de cargas.

Santos

O Porto de Santos liderou mais uma vez a movimentação de cargas no país. Em segundo, aparece Itaguaí (RJ). Em terceiro, Paranaguá (PR). Na quarta e quinta posições, estão Rio Grande (RS) e Itaqui (MA), respectivamente.

De acordo com o Anuário, o perfil de carga dos portos organizados é o seguinte: 59% granéis sólidos, 21% contêineres, 15% granéis líquidos e 5% carga geral solta. Os cinco primeiros portos organizados responderam por 70% do total de cargas movimentadas nessas instalações”, apontou Serra. Santos ficou com 29%; Itaguaí (RJ), 16%; Paranaguá, 12%; Rio Grande (RS), 7%; e Itaqui (MA), 6%.

Em relação aos TUPs, a liderança ficou com Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (MA). Em segundo, apareceu o Terminal de Tubarão (ES). Em terceiro, Terminal Almirante Barroso, que fica em São Sebastião (SP).

Saiba mais

Em 2015, os portos organizados brasileiros movimentaram 351 milhões de toneladas. Já os TUPs responderam por 656 milhões de toneladas. Em 2014, os portos movimentaram 349 milhões de toneladas. Os TUPs movimentaram 620 milhões de toneladas.

O perfil da carga movimentada nos TUPs ficou assim: 65% granéis sólidos; 26% granéis líquidos; 5% contêineres; e 4% carga geral solta.

Bons números

O Anuário Estatístico Aquaviário trouxe números positivos em 2015. Um deles foi amovimentação portuária de minério, que cresceu 5,2%. Foram movimentados 400 milhões de toneladas. O crescimento médio anual brasileiro em relação à movimentação de contêineres nas instalações portuárias entre 2010 e 2015 foi de 6,4%. Já o crescimento médio anual mundial da movimentação de contêineres em portos entre 2008 e 2014 foi de 4,8%.

Por tipo de carga, houve também aumento na movimentação. Em relação ao granel sólido, crescimento de 7,24% em comparação com 2014; carga geral solta, aumento de 5,71%. Granel líquido e contêineres registraram pequenas quedas.

Em 2015, houve 58.804 atracações. Esse número representou uma queda de 7,7% em relação a 2014. “Essa queda é positiva, pois houve menos atracações visto que os navios estão maiores; os portos têm maiores profundidades e há um melhor aproveitamento nas atracações. Ou seja, há um ganho de produtividade”, disse o gerente de Estatística e Avaliação de Desempenho da ANTAQ.

Vias interiores

O crescimento do transporte em vias interiores entre 2010 e 2015 foi de 13,4%. O dado está no Anuário Estatístico Aquaviário 2015 da ANTAQ. Em 2015, foram transportados 85,5 milhões de toneladas. Em 2014, esse número era de 83,2 milhões de toneladas.

Em relação à bacia hidrográfica, os números ficaram assim distribuídos: Amazônica (aumento de 1%), Tocantins-Araguaia (aumento de 8,5%), Atlântico Sul (queda de 6%); Paraná (aumento de 26,8%); e Paraguai (queda de 37,4%).

Nas vias anteriores, a cabotagem respondeu por 27% das cargas transportadas. O longo curso ficou com 40%. Já a navegação interior respondeu por 33%. Na cabotagem e no longo curso em vias interiores, a principal carga transportada foi o minério. Na navegação interior, destaque para sementes e graõs.

As principais mercadorias transportadas nas vias interiores em 2015 foram minérios (27,7 milhões de toneladas); sementes e grãos (10,9 milhões de toneladas); e combustíveis minerais (10,6 milhões de toneladas).

Longo curso e cabotagem

A movimentação da navegação de longo curso em instalações brasileiras (portos + TUPs) registrou crescimento de 5,4%, com 752,5 milhões de toneladas. “Há uma participação expressiva dos minérios. Dos 752,5 milhões de toneladas exportadas, 373,8 milhões representam minérios (49,7% do total)”, destacou Serra.

Já a movimentação da navegação de cabotagem registrou crescimento de 0,03%, com 211,8 milhões de toneladas. “Há uma relevância do óleo (bruto) de petróleo para a cabotagem, com 65,5% de toda a movimentação”, aponta o gerente de Estatística e Avaliação de Desempenho da ANTAQ.

Diretores

O diretor-geral da ANTAQ, Mário Povia, que fez a apresentação do Anuário, destacou a agilidade da Agência na divulgação dos dados estatísticos do setor aquaviário:

“Nós estamos felizes por estar hoje, 18 de fevereiro, consolidando os dados de dezembro de 2015. A nossa ideia é ir diminuindo cada vez mais esse tempo, mas essa é já uma estatística bastante contemporânea, consolidada e atual, uma informação que tem um caráter econômico e de logística, mas também que dá uma noção de como está o setor portuário, a gestão das companhias docas, a política pública portuária, os terminais privados e, ainda, do desempenho nas áreas das navegações marítima e interior.”

O diretor Fernando Fonseca também mencionou os esforços para aprimoramento das estatísticas produzidas pela Agência:

“A ANTAQ vem aperfeiçoando ano a ano esse trabalho em prol do setor como um todo. Nesse sentido, a sua divulgação é essencial para que, ouvindo os diversos agentes do setor aquaviário, possamos, se for o caso, corrigir alguns rumos.”

O diretor Adalberto Tokasrki citou a contribuição das estatísticas para formulação das políticas públicas do setor aquaviário: “A ANTAQ tem uma excelência na estatística do setor aquaviário. São poucos os países que chegam em fevereiro com esse conjunto de dados consolidados para divulgação ao mercado. Essas estatísticas são fundamentais na medida em que servem como ferramenta para o nosso trabalho e para formulação, pelos governos, das políticas públicas do setor”. In “Antaq” - Brasil

Portugal - Portos nacionais com recorde de 88,9 milhões de toneladas em 2015

O movimento de mercadorias nos principais portos do Continente cresceu 7,5% no ano passado, tendo atingido os 88,9 milhões de toneladas. Um recorde absoluto, divulgou a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT). Sines garantiu praticamente metade do total nacional.

O melhor resultado de sempre na movimentação de cargas nos portos nacionais foi conseguido sobretudo à custa dos recordes de Sines, Leixões e Aveiro e apesar das perdas homólogas registadas em Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz e Viana do Castelo.

Sines foi o porto que mais cresceu em 2015 face a 2014. O porto alentejano movimentou 43,97 milhões de toneladas, mais 17% em termos homólogos e o equivalente a 49,5% do total nacional. Leixões avançou 3,7% até aos 18,8 milhões de toneladas. E o mesmo fez Aveiro, que assim atingiu os 4,7 milhões de toneladas.

A impedirem um recorde mais robusto, Lisboa cedeu 2,3% para os 11,6 milhões de toneladas, Setúbal recuou 7% para 7,5 milhões de toneladas, a Figueira da Foz perdeu 7,8% para 1,99 milhões de toneladas, e Viana do Castelo caiu 6% para a casa das 430 mil toneladas.

Granéis líquidos alimentam recorde

O comportamento dos granéis líquidos (essencialmente petróleo bruto e produtos refinados) é o que mais ajuda a explicar o resultado positivo alcançado pelos portos nacionais. No ano passado, a movimentação daquele tipo de cargas cresceu 13,1% e atingiu os 32,7 milhões de toneladas.

Mas não foram só os granéis líquidos. Os granéis sólidos (nomeadamente, carvão e outros minérios) também deram uma ajuda, com um avanço de 4,1% para os 19,1 milhões de toneladas. E a carga geral ainda deu uma ajuda, com uma subida de 4,7% para 37,1 milhões de toneladas. Aqui destaca-se a carga ro-ro, ainda que a carga contentorizada igualmente tenha avançado 5,8%.

Na apresentação dos resultados de 2015, a AMT destaca ainda, em jeito de alerta, a fraca performance dos portos no último mês do ano, quando as cargas movimentadas cresceram em termos homólogos apenas 0,3%. In “Transportes & Negócios” - Portugal

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Argélia – Consórcio chinês cria hub de transbordo na Argélia

Dentro de sete anos, se tudo correr como previsto, a Argélia disporá de um porto de transhipment de contentores com uma capacidade projectada para atingir os 6,5 milhões de TEU em quatro anos.

O novo porto será construído por um consórcio chinês e operado pela Shanghai Ports Group. As autoridades argelinas estimam que assim será mais fácil captar tráfegos e contentores com origem/destino no Extremo Oriente, que ali façam transhipment, que utilizem as redes viária e ferroviária argelinas para chegar ao interior do continente africano.

A primeira fase do novo porto deverá estar operacional dentro de sete anos. Serão precisos depois mais quatro anos atingir os programados 23 postos de atracação e a capacidade de movimentar 6,5 milhões de TEU e 26 milhões de toneladas de mercadorias/ano.

O acordo para o desenvolvimento do novo projecto foi ontem mesmo assinado na Argélia pelo ministro dos Transportes argelino e por representantes da China Harbour Engineering Company e da China State Construction Engineering Corporation.

O projecto deverá arrancar formalmente em Março próximo, assim esteja constituída a nova sociedade que ficará responsável pelo seu desenvolvimento. In “Transporte & Negócios” - Portugal

sábado, 9 de janeiro de 2016

Argélia – Investimento de três mil milhões num novo porto

A Argélia anunciou que vai investir 3,3 mil milhões dólares (3 069 milhões de euros) na construção de um porto em El Hamdania, perto da cidade de Cherchell.

Citado pela agência de notícias “ANSAmed”, o primeiro-ministro argelino, Abdelmalek Sellal, afirmou tratar-se “do maior projecto de infra-estruturas desde a independência” do país da França, há 54 anos.

O projecto, que terá, segundo a comunicação social da Argélia, concurso aberto em breve, terá duas fases de desenvolvimento e será uma parceria público-privada aberta à participação estrangeira. O porto terá 23 cais e capacidade para movimentar 25,7 milhões de toneladas de carga.

Devendo ocupar uma área de mais de 2 000 hectares a menos de 100 km da capital Argel, o novo porto localizar-se-á numa baía naturalmente protegida com fundos de -20 metros.

Actualmente, a Argélia tem uma capacidade de movimentação de carga de apenas 10,5 milhões de toneladas, dividida entre os portos de Argel e Ténès. In “Transportes & Negócios” - Portugal

sábado, 17 de outubro de 2015

São Tomé e Príncipe – Renasce o sonho do porto em Fernão Dias

A empresa chinesa, China Harbour Engineering Company Ltd, por sinal a mesma empresa que construiu o porto em águas profundas no vizinho Camarões mais concretamente em Kibri, assinou um memorandum de entendimento com o Governo são-tomense com vista a construção do Porto em Águas profundas na zona de Fernão Dias.

Um empreendimento que segundo o memorandum está avaliado em 800 milhões de dólares. A primeira fase do projecto deverá estar concluída em 2018. A conclusão do porto foi indicada para 2019. A empresa da República Popular da China vai investir 120 milhões de dólares na realização da obra.

O futuro porto para transbordo de mercadorias, será segundo o comunicado distribuído em língua inglesa, «uma infra-estrutura de classe mundial e será desenvolvido para atender as necessidades logísticas do golfo da Guiné».

Segundo o memorandum de entendimento assinado no dia 7 de Outubro de 2015, a empresa “China Harbour Engineering Company Ltd” assume a responsabilidade de toda a engenharia do projecto, assim como o design e a construção real de todas as fases do projecto. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Holanda – Roterdão ajusta-se aos novos tempos

O crescimento dos navios requer portos com águas cada vez mais profundas e instalações mais modernas

O CMA CGM Sambhar foi o último navio operado no ECT CIty Terminal. O mais antigo terminal de contentores do porto de Roterdão encerrou no início do mês.

A decisão de encerramento do terminal, que funcionava desde 1967, prende-se com as limitações para receber os mega-navios do presente. A ECT está a mudar as suas operações do Eemhaven para os dois terminais no Massvlakte: Delta e Euromax.

“O encerramento do ECT City Terminal representa o fim de uma era. Como pioneira na movimentação de contentores, a ECT fez a sua história aqui. Foi aqui que a movimentação de contentores em Roterdão começou e amadureceu”, afirmou o CEO a ECT, Leo Rujis.

“O crescimento dos navios requer portos com águas cada vez mais profundas e instalações mais modernas. No ECT Delta Terminal e no Euromax Terminal Rotterdam, situados directamente no Mar do Norte, conseguimos responder às necessidades da procura e continuar a investir”, acrescentou Leo Rujis.

Os 65 hectares do ECT City Terminal serão agora, de acordo com a autoridade portuária, usados para instalar empresas locais e novas actividades. In “Transportes & Negócios” - Portugal

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Estados Unidos da América - Porto de Long Beach investe para receber meganavios

Estratégia é baseada em planejamento logístico, expansão do sistema viário e adoção de novas tecnologias


Os grandes portos mundiais têm um desafio pela frente: estar preparados para atender os novos meganavios conteineiros, cujos últimos modelos podem carregar até 21 mil TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) e vão chegar ao mercado nos próximos anos. Os complexos marítimos terão de operar essas embarcações com eficiência e sem impactos para a comunidade ao redor. Para cumprir essa missão, o Porto de Long Beach, o segundo maior dos Estados Unidos, estabeleceu uma estratégia baseada em planejamento logístico, a expansão de seu sistema viário e a adoção de novas tecnologias.

Esses planos foram conhecidos e debatidos com empresários e autoridades do Porto de Santos, que estão em visita ao complexo marítimo norte-americano, na manhã de terça-feira(29). A viagem conclui a programação da edição deste ano do Santos Export - Fórum Internacional para a Expansão do Porto de Santos. A parte inicial do seminário, composta por seus painéis de debates, ocorreu entre os dias 10 e 11 de agosto, em Santos.

Long Beach percebeu que precisava se preparar para os meganavios há cerca de cinco anos, quando os armadores anunciaram que essas embarcações iriam operar nas linhas entre o Extremo Oriente e a costa oeste dos Estados Unidos, onde está localizado. “O mercado está em evolução e os portos têm de encarar esse desafio. Não se trata de fazer um juízo de valor, se isso é bom ou mal, mas é o que está ocorrendo. Somos um grande porto, o segundo maior dos Estados Unidos, e temos de atender esses navios”, afirmou o executivo-sênior da Cadeia de Suprimentos do Porto de Long Beach, Michael Christensen, que apresentou os projetos de infraestrutura do complexo marítimo para a comitiva santista ontem, na sede da autoridade portuária.

Christensen destacou que, para receber esses cargueiros, Long Beach teve de preparar sua infraestrutura, como o aprofundamento dos canais de acesso para 55 pés (16,5 metros), e otimizar sua programação logística. Entre as ações implantadas, uma das principais foi a adoção de mudanças no cotidiano de suas operações.

“Esses navios descarregam contêineres muito rápidos, em uma velocidade maior do que a prevista para os terminais portuários quando foram projetados. Então percebemos que teremos muita carga que terá de sair rápido do porto e temos de fazer isso sem impactos na região. Tivemos de repensar nossa logística”, afirmou o executivo-sênior.

Esses estudos começaram nos últimos anos e foram realizados em parceria com o Porto de Los Angeles - vizinho ao de Long Beach e seu principal concorrente - , terminais, operadores logísticos e armadores. Algumas medidas já foram definidas e começaram a ser aplicadas no mês passado, quando tradicionalmente o movimento de cargas na costa oeste dos Estados Unidos aumenta, permanecendo assim até novembro. Entre elas, está a distribuição dos horários de entrega das cargas de importação. Antes, a maior parte era retirada dos terminais durante o dia. Agora, essas atividades também são feitas à noite.

A divisão ocorreu sem a necessidade de alterar tarifas ou aplicar taxas especiais para tornar o horário noturno mais competitivo, como aconteceu em outros portos que utilizaram essa estratégia. “Não foi preciso adotar essas medidas. Foi um grande acordo do mercado. Todos entenderam a importância de melhor distribuir essas atividades”, disse Christensen.

Distribuição de cargas

Imagem: Carlos Nogueira

Outra mudança envolveu a melhor distribuição das cargas no pátio, de modo a agilizar sua entrega aos caminhões. A estratégia do Porto de Long Beach também engloba investimentos dos terminais em novas tecnologias.

É o caso do Long Beach Container Terminal, instalação de contêineres do complexo marítimo que está em fase final de testes e deve começar a operar em abril do próximo ano. A unidade, que foi visitada pelo grupo do Santos Export no início da manhã de ontem, iniciará suas atividades podendo movimentar 1 milhão de TEU por ano, quantidade que chegará a 3,3 milhões de TEU por ano quando for totalmente implantada (o que deve ocorrer apenas em 2020).

Segundo seus técnicos, essa eficiência será possível graças ao sistema operacional semi-automatizado que foi implantado. Nele, os contêineres são transportados entre o pátio e o costado por veículos controlados por computador. Os trabalhadores acabaram deslocados para a recepção das cargas, o planejamento das operações e as atividades de bordo.

Para Michael Christensen, o investimento em tecnologia é uma ferramenta “essencial” na nova realidade vivida pelo setor portuário. “Os meganavios demandam portos cada vez mais eficientes e o investimento em tecnologia garante isso”, afirmou.

Os planos de Long Beach ainda incluíram a melhoria dos acessos aos terminais. Pontes estão sendo construídas de modo a melhorar o tráfego rodoviário e a malha ferroviária que atende os terminais foi ampliada.

A ferrovia, aliás, tem papel de destaque no desenvolvimento do porto, especialmente após a construção do Alameda Corridor, uma via ferroviária subterrânea de mais de 30 quilômetros de extensão, que atravessa a área urbana de Los Angeles, ligando a zona portuária aos pátios ferroviários. Ela entrou em operação no início do século e, hoje, movimenta 42 composições ferroviárias (cada uma com uma extensão variando de três a quatro quilômetros) por dia.

O empreendimento foi apresentado ontem aos empresários e autoridades do Porto de Santos, pela diretora de Assuntos Governamentais e Comunitários da Autoridade de Transporte do Alameda Corridor, Connie Rivera.

A utilização do Alameda Corridor e a otimização do transporte ferroviário foram “importantes” para melhorar a eficiência do complexo marítimo, comentou o executivo-sênior da Cadeia de Suprimentos do Porto de Long Beach, Michael Christensen. “Sem a ferrovia, não conseguiremos avançar como queremos”, disse.

Para o dirigente portuário, a evolução vivida pelo complexo marítimo é um processo “natural”, consequência do desenvolvimento do mercado. “Hoje, o setor portuário está mudando. Mesmo os portos que não vão receber os meganavios, como Santos, têm de se ajustar a novas realidades pois devem passar a receber navios maiores. E para isso terão de ser mais eficientes. É uma nova era para os portos e temos de estar preparados”, destacou.

Agenda

Imagem: Carlos Nogueira

Além das reuniões na sede da autoridade portuária e da visita ao novo Long Beach Container Terminal, o grupo do Santos Export ainda foi recebido por técnicos da consultoria Aecom, em seus escritórios na cidade. A empresa, uma das principais nesse mercado, se destaca por seus projetos de infraestrutura, tanto para a iniciativa privada (ela participou da construção do LBTC).

Long Beach foi o segundo porto visitado pela comitiva santista nesta viagem. Na segunda-feira, eles conheceram as instalações de Los Angeles e se reuniram com autoridades desse complexo marítimo.

Hoje, o grupo segue para Oakland, também no estado da Califórnia, na costa oeste do país. Amanhã, estão previstos encontros com representantes da autoridade portuária e encontros com empresários e consultores da região. Leopoldo Figueiredo – Brasil in “A Tribuna”

domingo, 3 de novembro de 2013

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Investigadores da FCUP desenvolvem sistema 'See-Through' entre veículos para reduzir acidentes
 
Projeto coordenado por Michel Ferreira, docente do Departamento de Ciência de Computadores
 
Comunicação entre veículos, sempre existiu. Desde sua invenção, os automóveis foram equipados com luzes de travagem, piscas e buzinas. Apesar de todos os avanços tecnológicos da comunicação sem fio, a comunicação entre veículos ainda tem como base uma tecnologia antiga de sinais de luzes ou buzinadelas. Ninguém gosta de ficar preso no trânsito atrás de um veículo de grande porte e lento, como também, é difícil efetuar uma ultrapassagem com segurança e clara visibilidade.
 
Atualmente, já é possível, e para provar isso, Michel Ferreira, docente do Departamento de Ciência de Computadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e a sua equipa de investigação do Instituto de Telecomunicações tem vindo a desenvolver uma tecnologia que permite ao condutor "ver" através de outros veículos, com fortes implicações para a comunicação entre veículos ou entre os veículos e a "estrada" e, consequentemente, uma maior segurança rodoviária e informações sobre condições de tráfego.
 
O sistema See-Through "Ver-Através do sistema", é algo semelhante a um espelho "retrovisor", mas que permite ver a estrada à frente de um camião ou autocarro que seguisse à nossa frente, ou seja, o veículo que pretende ultrapassar envia um sinal para o veículo à frente, pedindo acesso à sua câmara de pára-brisas.
 
Segundo Michel Ferreira, "Imagine que estou atrás de um grande camião que não me permite ver através dele, tornando difícil e desconfortável a avaliação, por exemplo, de uma ultrapassagem, mas esse camião tem uma câmara de pára-brisas orientada para a frente. Eu consigo, através do sistema de comunicação entre veículos que desenvolvemos, ir buscar a imagem dessa câmara no pára-brisas do camião e transmitir essa visão ao condutor que vem atrás".
 
O docente da FCUP, afirma que o sistema See-Through mostra que "é possível fazer esta transmissão vídeo entre veículos com um atraso quase insignificante (200 milissegundos), que não afeta em termos de segurança a manobra de ultrapassagem".
 
Esta novidade na investigação, foi apresentada em outubro de 2013 por Michelle Silvéria, um dos elementos da equipa de Michel Ferreira, numa principais conferências científicas em termos de realidade aumentada, o International Symposium on Mixed and Augmented Reality (ISMAR), que se realizou na Austrália.
 
O artigo "Augmented Reality Driving Supported by Vehicular Ad Hoc Networking" e a demonstração teve um forte impacto, tendo sido publicado nas revistas New Scientist e Smithsonian Magazine, que segundo o Michel Ferreira, levou a mais de 10 mil visualizações por dia do vídeo da demonstração que se encontra no YouTube.
 
O projeto permite uma "Realidade aumentada em ambiente de condução automóvel suportada por comunicação sem-fios veículo-a-veículo". Este trabalho é um dos resultados da investigação produzida no âmbito do projeto DRIVE-IN, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e o maior projeto de investigação do Programa Carnegie Mellon Portugal.
 
Fazem parte da equipa coordenada por Michel Ferreira, Pedro Emanuel Rodrigues Gomes, estudante de doutoramento em Informática e os investigadores Fausto Vieira e Michelle Silvéria. Faculdade Ciências U. Porto - Portugal

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Grande


Prof. Doutor Nuno Grande

“Mas, ontem, dia 10, dormi triste. Ao princípio da noite, tinha lido uma notícia que me abalou. Na página da necrologia do Jornal de Angola estava estampada a notícia da morte, na cidade do Porto, do meu querido professor do Curso Médico-Cirúrgico dos Estudos Gerais Universitários de Angola, o Professor Doutor Nuno Grande.

O Professor Nuno Grande foi um grande referencial para os estudantes de medicina do período colonial. Não só pela sua competência como docente, mas também pela sua valia como médico. Era ainda um grande humanista. Tenho do Professor Doutor Nuno Grande a melhor memória.

Recordo-me bem do dia em que o conheci. Foi o Gigi Mendonça que me levou ao Teatro Anatómico, para eu tomar contacto com o Curso que decidira seguir, logo que acabasse o Liceu. Depois, o Professor Doutor Nuno Grande deu-me aulas de Anatomia Descritiva. O seu Assistente era o Doutor Cadete Leite, de quem também fiquei amigo. Professores de prestígio no meio académico da época. O Doutor Eira Rebelo. O Doutor Sodré Borges. O velho Professor João de Oliveira e Silva (o Bló), e outros.

Fiquei amigo do Professor Doutor Nuno Grande. Partilhávamos a mesmo visão negativa contra o regime colonial e fascista da época. Com o Professor Nuno Grande, no seu gabinete, no Pavilhão de Anatomia, conversei algumas vezes sobre o regime de Salazar, e do fim inelutável que teria. Um regime fora do tempo que era necessário extinguir. Recebi palavras de solidariedade. Manifestou carinho por mim, quando já me encontrava preso, na cadeia de São Paulo, antes de partir para o Tarrafal.

O Professor Nuno Grande era não só um homem de saber, era também um homem de causas. Sempre ao lado das boas causas – até ao fim da sua vida.

Quando regressei do Tarrafal, passados os anos de afastamento, o Professor Nuno Grande recebeu-me novamente no seu gabinete, e pediu-me que retomasse o meu percurso académico. Disse-me que a Faculdade de Medicina me recebia de braços abertos – que eu passara a ser uma referência para aquela geração. Pensei, repensei… Mas eu já não era o mesmo Justino… Achei que o espaço dos hospitais passaria a ser muito restrito para mim. Eu precisava de mais espaço para fazer intervenção social. Não voltei. Mudei de rumo. Mudei de ciência.

O Professor Nuno Grande foi brilhante como estudante e como professor. Fez tudo com média de 19 valores. Mas era simples e de fácil relacionamento. Veio para Angola como Médico militar e notabilizou-se no Curso Médico-Cirúrgico em Luanda. Chegou a ser Vice-Reitor da Universidade de Luanda – sucedâneo dos Estudos Gerais Universitários de Angola. Quando regressou a Portugal, ao seu querido Porto, fundou o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

O Professor Nuno Grande também se engajou na política, como um dever de cidadania. Foi mandatário da candidatura da Dr.ª Maria de Lourdes Pintassilgo à Presidência da República Portuguesa em 1985. Foi fundador e presidente da Associação de Desenvolvimento Regional e Intervenção Cívica. Teve um grande empenho no movimento pela despenalização do aborto. Ao nível da acção partidária, esteve muito ligado ao Bloco de Esquerda, mobilizando apoios às suas candidaturas.

Recuando agora aos velhos tempos dos Estudos Gerais Universitários de Angola e à Universidade de Luanda, apetece-me dizer que perdi um professor que soube ser solidário e mestre na intervenção social. É verdade, era mesmo Muito Grande o meu Professor Nuno Grande.” Pinto de Andrade - Angola