Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Macau - Instituto Internacional de Macau lança livro sobre crime de consumo de drogas

O livro Crime de Consumo de Drogas em Macau, do advogado David Sá Machado, que se tem dedicado ao estudo do Direito e da realidade jurídica de Macau, vai ser apresentado no dia 30 de Janeiro, pelas 18:30, no auditório do Instituto Internacional de Macau (IIM).

O livro insere-se na linha de investigação que o autor tem vindo a desenvolver, procurando conciliar rigor académico com utilidade prática para advogados, magistrados, estudantes e todos os interessados na realidade jurídica de Macau, refere a nota de imprensa.

A obra bilingue “oferece um olhar crítico e didáctico sobre os crimes de consumo simples e qualificado, incluindo considerações sobre o tráfico e a produção de drogas, passando por um enquadramento dogmático, legal e jurisprudencial destas normas e ainda uma abordagem nos planos processual e da política criminal”.

Além disso, é feita “uma pequena abordagem” sobre a realidade do consumo em Macau, dentro e fora do contexto legal. O consumo de drogas é um tema que se enquadra numa área clássica do Direito Penal, “cujo relevo e desafios que levantam na prática judiciária é cada vez maior, no presente”, acrescenta o comunicado.

A sessão conta com as apresentações do autor, de Vasco Fong e Helena Ng, colaboradores envolvidos desta edição, Augusto Nogueira, presidente da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), e com a moderação de António Monteiro, secretário-geral do IIM.

O lançamento conta com o apoio da ARTM, sendo que a colaboração “sublinha a importância de unir investigação académica e intervenção comunitária, promovendo uma abordagem integrada ao fenómeno da toxicodependência e às suas implicações jurídicas e sociais”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Macau - Visita guiada revela histórias dos bairros por ocasião dos 20 Anos do Património Mundial

No âmbito das comemorações do vigésimo aniversário da inscrição do Centro Histórico de Macau na Lista do Património Mundial, o Instituto Internacional de Macau (IIM) promove a 6 de Dezembro uma visita comunitária guiada que convida os participantes a descobrir as raízes multiculturais da cidade. A iniciativa, que conta com o apoio da Fundação Macau e a parceria da Associação dos Embaixadores do Património de Macau (MHAA), tem como objectivo principal dar a conhecer ao público, em particular aos mais jovens, as vivências e histórias dos bairros que moldaram a identidade cultural do território


O percurso, intitulado “Bairros Macaenses: Raízes de uma Cidade Multicultural”, terá início no icónico Largo do Lilau, prosseguindo pela Rua Central, Largo de Santo Agostinho e Rua da Felicidade, antes de terminar no centro de actividades Dimensões M, onde está previsto um convívio com direito a bebidas para todos os participantes. Ao longo do trajecto, os Embaixadores do Património da MHAA fornecerão explicações detalhadas sobre a importância histórica e cultural de cada local, revelando as marcas deixadas pelas diversas comunidades que habitaram estes espaços ao longo dos séculos.

A visita decorrerá em duas sessões, uma às 14h30 e outra às 16h30, com um limite de 25 participantes por sessão, totalizando 50 vagas disponíveis. As inscrições encontram-se já abertas através das redes sociais do IIM e da MHAA, requerendo registo online mediante o preenchimento de um formulário digital acessível através do cartaz promocional do evento.

Para além da componente educativa e cultural, o IIM distribuirá durante a visita publicações da sua autoria relacionadas com a temática dos bairros históricos de Macau, procurando simultaneamente promover o hábito da leitura entre os participantes. Esta iniciativa representa um dos vários projectos que o IIM pretende desenvolver no futuro, com o objectivo de despertar o interesse do público jovem pelo conhecimento da identidade cultural de Macau e pela preservação do património histórico da cidade. In “Ponto Final” – Macau


terça-feira, 18 de novembro de 2025

Macau - Banda desenhada conta a história da Batalha de 1622

O Instituto Internacional de Macau e a Mandarina Books vão lançar um livro de banda desenhada intitulado “Vitória, vitória – episódio da nossa história”, o qual conta a história da Batalha de Macau de 1622. A concepção coube a António Monteiro, as ilustrações a Rodrigo de Matos e o texto a Catarina Mesquita


Chama-se “Vitória, vitória – episódio da nossa história” e é o novo livro de banda desenhada bilingue, que vai ser lançado pelo Instituto Internacional de Macau (IIM), em co-edição com a Mandarina Books. “Esta nova obra oferece uma visão refrescante e notavelmente divertida sobre a Batalha de Macau de 1622, um episódio decisivo na história do território”, refere a organização em comunicado.

Mais do que uma simples recriação histórica, “este livro foi concebido como uma sátira inteligente e afectuosa”, abordando os eventos do cerco holandês de forma “humorística e irreverente”, e estabelecendo “uma ligação espirituosa” com as celebrações actuais do Dia de São João Baptista, padroeiro de Macau, cuja festa comemora precisamente essa vitória histórica, pode ler-se. “O resultado é uma obra que ri da História e das suas tradições, sem nunca deixar de as celebrar”.

A equipa criativa – composta por António Monteiro na concepção, Rodrigo de Matos nas ilustrações e Catarina Mesquita no texto – “garante que o processo de criação foi tão divertido quanto o produto final”, acrescenta a nota. Nesse sentido, “o livro promete capturar a atenção de leitores de todas as idades, transformando um capítulo complexo do passado numa aventura gráfica cheia de humor e acção”.

A publicação, que tem o apoio financeiro do Fundo de Desenvolvimento da Cultura, estará disponível em português e chinês. O lançamento da obra está agendado para 4 de Dezembro, a partir das 18h00, durante a feira de livros no pavilhão polidesportivo do Tap Seac, situado no Jardim Vasco da Gama. A apresentação contará com a presença de Rodrigo de Matos, cartoonista da obra, Miguel de Senna Fernandes, em representação da Associação dos Macaenses, e António Monteiro, secretário-geral do IIM.

O IIM sublinha que esta obra “oferece uma forma inovadora e descontraída de olhar para a identidade local, provando que a História pode ser tão dinâmica e envolvente como a própria cidade de Macau”. O livro tem um custo de 180 patacas e estará disponível nas livrarias de Macau e nas plataformas digitais do IIM e da Mandarina. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Macau - Instituto Internacional de Macau inaugura exposição fotográfica “À Descoberta de Macau e Hengqin”

A exposição fotográfica “À Descoberta de Macau e Hengqin” reúne trabalhos que propõem uma exploração da zona de Hengqin, Macau e arredores, fruto de uma iniciativa do Instituto Internacional de Macau (IIM). A inauguração está marcada para 27 de Novembro, às 18h30, na sala de actividades do Jardim Cidade das Flores na Taipa.


O evento representa o culminar de um concurso fotográfico que registou uma participação significativa, com mais de 200 trabalhos submetidos até ao dia 6 de Outubro. A mostra permanecerá aberta ao público até o dia 9 de Dezembro, oferecendo uma oportunidade para o público explorar visualmente as riquezas patrimoniais e tradições que definem a cultura da região, incluindo as atracções da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin.

O júri, composto por António Monteiro, do IIM, Yuen Wai Man e Cheong Chi Keong, da Associação de Fotografia Digital de Macau, Cheong Hio I, da Associação dos Embaixadores do Património de Macau, e José Sales Marques, da Associação Fotográfica Halftone, seleccionou os vencedores em duas categorias distintas.

Na categoria de Residentes de Macau, os premiados foram Lei Heong Ieong, Kou Wai In e Chan Chi Pan. Na categoria geral destacaram-se Alka Li, Wyatt Lin e Ng Pak Lun. A exposição incluirá ainda cinco obras com menção honrosa e um prémio especial atribuído por um sócio da Associação de Fotografia Digital de Macau.

A iniciativa conta com o patrocínio da Fundação Macau e é co-organizada por várias entidades, incluindo a Associação de Fotografia Digital de Macau, a Associação dos Embaixadores do Património de Macau, a Associação Fotográfica Halftone e a Macau Cable TV, com colaboração adicional da Associação dos Jovens Macaenses, Language Exchange and Culture Promotion (LECPA) e Clube Leo Macau Central. In “Ponto Final” - Macau


quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Macau - Serão Macaense e lançamento de livro no Instituto Internacional de Macau

No dia 30 de Dezembro terá lugar no Instituto Internacional de Macau (IIM) um serão macaense, a partir das 18h30, com o lançamento de dois livros recentemente publicados, “Patuá para todos – Um guia de auto-estudo” e “Memórias de Macau: Homenagens em Lisboa a três notáveis figuras da nossa literatura”. Ambas as publicações são apoiadas pelo Fundo de Desenvolvimento Cultural, com o objectivo de promover a cultura e a literatura macaense.



O primeiro livro, “Patuá para todos – Um guia de auto-estudo”, é da autoria de Elisabela Larrea e Carolina Nogueira. Este guia de auto-estudo sobre o patuá, didático e ilustrado, destina-se a principiantes interessados em aprender a língua. O livro oferece explicações em chinês, em português e em inglês, tornando-o acessível a um público mais vasto. O livro fornece ainda aplicações práticas e exercícios, juntamente com informações sobre a cultura macaense, ajudando os alunos e leitores a apreciar o contexto do patuá de Macau.

A segunda publicação, “Memórias de Macau: Homenagens em Lisboa a três notáveis figuras da nossa literatura”, apresenta um conjunto de homenagens organizadas pelo IIM, em Outubro. Nestas sessões foram homenageados António Aresta, investigador e escritor dedicado à cultura de Macau e à cultura chinesa, Henrique de Senna Fernandes, advogado e gestor cultural, e J. J. Monteiro, reconhecido como o mais importante poeta popular português de Macau, cuja obra póstuma “Vulgaridades” é apresentada nesta edição. Este volume inclui ainda testemunhos e gravações de Celina Veiga de Oliveira, José Rocha Diniz e Jorge Rangel, que prefaciou a obra.

O evento de lançamento, aberto ao público, contará com a apresentação das autoras Elisabela Larrea e Carolina Nogueira e será moderado por António Monteiro, secretário-geral do IIM. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Macau - Instituto Internacional promove sessão de apresentação do patuá

Elisabela Larrea esteve na passada sexta-feira, dia 15, nas instalações do Instituto Internacional de Macau (IIM) para dar a conhecer a história da cultura macaense e do patuá, numa iniciativa acolhida pelos membros da comunidade chinesa presentes. Houve ainda lugar para a leitura de cantilenas, ‘lenga-lenga’ e canções antigas pelas macaenses Ângela Ramos e Mariana Pereira


Dirigida principalmente ao público chinês, o Instituto Internacional de Macau (IIM) realizou no dia 15 de Dezembro, nas suas instalações, uma sessão dedicada à divulgação do patuá e à compreensão da cultura macaense. A iniciativa apoiada pela Fundação Macau contou com a colaboração da Associação de Estudos da Cultura Macaense (MACRA). A responsável pela apresentação, a macaense Elisabela Larrea, focou-se na história da cultura macaense, abordando ainda a origem do patuá.

Na sessão, houve ainda lugar para a leitura de excertos em patuá, pelas macaenses Ângela Ramos e Mariana Pereira, de uma edição publicada pelo IIM intitulada “Cantar de Macau”, com cantilenas, ‘lenga-lenga’ e canções originais que, de acordo com os organizadores, fazem parte do “legado macaense que hoje poucos se lembram”. Grande parte destes textos foram retirados da obra “Ta-ssi-yang kuo”, de João Feliciano Marques Pereira, escrita entre 1899 e 1900.

Os jovens presentes da sessão ficaram curiosos depois de alguns terem tido a primeira oportunidade no contacto com crioulo de origem portuguesa de Macau, referiu a organização. Recordando que o patuá é promovido sob forma de teatro através das iniciativas do grupo dos Dóci Papiaçám di Macau e também pela Associação dos Jovens

Macaenses (AJM) junto das escolas luso-chinesas, o IIM expressou em nota enviada à nossa redacção a sua convicção de que a divulgação do patuá sob forma de diferentes sessões destinadas às comunidades da cidade “pode intensificar e atrair o interesse desta língua em risco de vias de extinção”.

Durante a sessão, António Monteiro, secretário-geral do IIM, promoveu ainda a recente colaboração com Elisabela Larrea, na sua obra que será publicada até ao fim deste ano: “Unchinho di Língu Maquista” – Cartões de estudo do Patuá” é um álbum com uma selecção dos cartões de estudo ou “flashcards” em patuá. Este trabalho tem sido desenvolvido por Larrea nos últimos anos e com as palavras mais emblemáticas do crioulo traduzidas em três línguas, juntamente com uma ligação de acesso às redes sociais, que inclui material áudio para a pronúncia das palavras em patuá. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”  


quarta-feira, 21 de junho de 2023

Macau - Instituto Internacional de Macau assinala o 24 de Junho com palestra que pretende ser mais inclusiva da comunidade chinesa e gerações mais jovens

Foi a 24 de Junho de 1622 que forças militares e civis conseguiram impedir que os holandeses ocupassem Macau, data que é celebrada no território anualmente como o Dia da Cidade. O Instituto Internacional de Macau (IIM) assinala a data com uma palestra que junta Agnes Lam, André Ritchie, mas também Sit Kai Sin, director do Museu Marítimo de Macau, e Matias Lao Hon Pong, presidente da Associação dos Embaixadores do Património de Macau, numa mesa-redonda onde se pretende ajudar a comunidade chinesa e gerações mais novas a compreender melhor o acontecimento histórico


Este sábado, 24 de Junho, Dia da Cidade de Macau, o Instituto Internacional de Macau (IIM) está a organizar uma palestra em torno do “significado do dia”, e do acontecimento histórico de 1622, em que Macau conseguiu repelir as invasões holandesas. A partir das 14h30, o auditório do IIM vai contar com a presença de Agnes Lam, directora do Centro de Estudos da Universidade de Macau, Sit Kai Sin, director do Museu Marítimo de Macau, Matias Lao Hon Pong, presidente da Associação dos Embaixadores do Património de Macau e ainda de André Ritchie, director de Halftone – Macao Photographic Association.  Este partilhou com o Ponto Final a sua visão sobre a importância da ocasião: “Para um cidadão de Macau, nós não podemos ignorar esse acontecimento histórico, porque teria repercussões completamente diferentes no nosso presente”.

Já António Monteiro, moderador da palestra, e Presidente da Comissão Organizadora da Associação dos Jovens Macaenses, esclareceu que “a intenção é de não deixar que a data do 24 de Junho seja esquecida”, já que esta “sempre foi valorizada como parte da identidade histórica e cultural de Macau”. Enquadrando o contexto histórico da data, António Monteiro mencionou que “para além de ter sido um acontecimento histórico que envolveu portugueses e chineses”, actualmente “a investigação vai mais longe, e diz que os escravos estiveram envolvidos na batalha contra os holandeses, ajudando a expulsá-los na altura”. Destacando que este dia é também o Dia de São João Baptista, que se “tornou o santo padroeiro de Macau”, o responsável indicou que o dia da Cidade foi celebrado anualmente até 1999, e “em 2007, com a vontade de muitas associações principalmente de matriz portuguesa, foi retomado o arraial de São João na Calçada de São Lázaro, e também na escola portuguesa”.

Apesar de acolher portugueses e macaenses, a palestra é dirigida principalmente à comunidade chinesa, e também à geração mais nova, que pode obter mais conhecimentos sobre a importância deste acontecimento. “Há a toponímia de Macau, com monumentos como o da Vitória, e é importante as pessoas compreenderem o contexto histórico”, vincou o organizador.

Na palestra, serão projectados logo no início “dois vídeos para explicar melhor o significado do dia 24 de Junho”. Alguns palestrantes também terão uma apresentação de powerpoints, “mas de uma forma mais relaxada, e não tão académica, porque no fundo a ideia é de interagir com o público presente para eles poderem trocar impressões”, assegurou António Monteiro, acrescentando que “um dos vídeos é da autoria de José Bastos da Silva”, e o outro, do instituto, “contém testemunhos do presidente do IIM, o Dr. Jorge Rangel, e de três pessoas ligadas a diáspora macaense”.

Será, portanto, em português e cantonense que se dará a conhecer a componente histórica do acontecimento que deu vitória a Macau, numa batalha em 1622, mas também haverá perspectivas inconvencionais.

O futuro que poderia não ter acontecido

A ideia de André Ritchie é justamente de ir “por uma via um pouco diferente”. Pegando na frase do historiador militar americano Robert Cowley, que diz que “nós somos o produto de um futuro que poderia não ter existido”, André Ritchie indaga sobre esses cenários hipotéticos. “O que seria de Macau se os holandeses tivessem conquistado Macau? Será que haveria RAEM, será que haveria Lei Básica?”, questiona.

Garantido que a intenção é de “abordar o tema de uma forma relaxada”, e sem conotações políticas, a sua intervenção pretende também dar uma perspectiva diferente a um acontecimento que “independentemente do interesse que se possa ter pela história ou presença portuguesa”,  na sua opinião “este acontecimento não pode ser ignorado porque  se os holandeses tivessem conseguido conquistar Macau tal como conseguiram conquistar Malaca, o Macau de hoje seria uma coisa completamente diferente,  e só pensar nisso é engraçado”, refere.

Quando questionado sobre o peso do colonialismo e uma possível carga pesada que a data possa ter para quem não está ligado à comunidade portuguesa, o director da associação Halftone relembra que é preciso ver “o enquadramento geopolítico daqueles tempos”. O facto de o dia 24 de Junho ser mais associado aos portugueses, e ser menos conhecido da comunidade chinesa, é a seu ver algo que acontece não por falta de vontade da comunidade portuguesa de incluir a população chinesa, mas mais por coincidência com a festividade dos arraiais. “Nós portugueses tivemos sempre uma narrativa de este ser um dia da cidade. A forma como nós contamos a história, é a de que a população se juntou e defendemos a cidade independentemente das cores e etnias”, numa perspectiva “de uma forma algo romântica”, brinca. “O certo é que este dia, por ser depois associado ao São João, um santo popular, e aos arraiais,” fez com que a data passasse “a ser uma coisa muito portuguesa, e a população chinesa talvez por causa disso tenha tido alguma dificuldade em fazer parte”, confessa.

É justamente para criar novos espaços de diálogo e interactividade entre chineses, portugueses e macaenses que o IIM tem organizado palestras e eventos como este, referiu também António Monteiro, que recordou que este ano, “em forma de colaboração”, há um encontro de motas promovido pela Associação para a Promoção e Desenvolvimento do Circuito da Guia de Macau, e uma missa de acção de graças na igreja de São Domingos. “Tivemos o cuidado de, caso o arraial na zona de São Lázaro não acontecesse, de dar a opção a quem quisesse de fazer algo relacionado com a data”, e foi nesse sentido que o arraial de São João Baptista este ano se associou aos restaurantes Mariazinha e Tromba Rija, “que fizeram um menu especial de comida portuguesa nos seus restaurantes em torno da festa”, esclareceu ainda o responsável.

Para António Monteiro, “é importante não deixar de organizar o arraial” e garantir a iniciativa, mesmo que não seja em São Lázaro: “o importante aqui é que todos se juntam numa festa, e é sempre mais dignificante, juntar a comunidade portuguesa, chinesa e a macaense numa festa, até porque essa festa não é uma festa só portuguesa, é uma festa que faz parte de Macau. Faz todo o sentido continuar”. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 16 de junho de 2022

Jorge Rangel dá palestra na Sociedade Histórica da Independência de Portugal

O presidente do Instituto Internacional de Macau falará dos 400 anos da Batalha de Macau e o significado da derrota holandesa, um acontecimento determinante para a permanência de Portugal no Extremo Oriente. No mesmo dia, é entregue o Prémio Aboim Sande Lemos – Identidade Portuguesa ao historiador Rui Ramos. Entretanto, a SHIP esteve presente em Olivença, cidade cuja demarcação é, ainda hoje, objecto de litígio entre Portugal e Espanha, para as celebrações do Dia de Portugal, de Camões e também das Comunidades Portuguesas


O presidente do Instituto Internacional de Macau (IIM) e ex-presidente da Direcção Central e do Conselho Supremo da Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), Jorge Rangel, vai dar uma conferência, no próximo dia 23 de Junho, quinta-feira, pelas 17h (hora em Lisboa) na sede da SHIP, no Palácio da Independência, Largo de São Domingos, na capital portuguesa, sobre os 400 anos da Batalha de Macau contra os holandeses, um acontecimento determinante para a permanência de Portugal no Extremo Oriente.

O macaense vai relatar o que se passou em Junho de 1622, conforme as versões do historiador militar Carlos Gomes Bessa e do historiador macaense Luís Gonzaga Gomes. “Farei um relato sucinto deste acontecimento histórico, acompanhado da projecção de algumas imagens da Fortaleza do Monte e do Monumento da Vitória e de algumas gravuras e mapas antigos da cidade de Macau, referindo também os antecedentes, as várias investidas holandesas e tentativas de tomarem a cidade, as consequências e o significado da sua derrota e a proclamação do dia 24 de Junho, Dia de S. João Baptista, como Dia da Cidade de Macau”, explicou ao Ponto Final.

Jorge Rangel aproveitará ainda a oportunidade para citar “os incontornáveis Charles Boxer e Pe. Manuel Teixeira”, bem como algumas fontes históricas, dedicando especial atenção ao trabalho de Carlos Gomes Bessa e do escritor e historiador macaense Luís Gonzaga Gomes. “Também conheci muito bem o Coronel Carlos Gomes Bessa, cujo centenário será por nós assinalado brevemente. Nessa altura (provavelmente em Setembro), recordarei, numa outra comunicação, os seus trabalhos dedicados a Macau, alguns dos quais publicados pela SHIP e um pelo IIM. Quando presidi à direcção central da SHIP, sucedendo ao General Manuel Freire Themudo Barata, era presidente do Conselho Supremo o Coronel Carlos Bessa, a quem me ligaram relações de grande consideração, colaboração e amizade”, referiu.

Para além da palestra dada por Jorge Rangel, no mesmo dia haverá lugar à entrega do Prémio Aboim Sande Lemos – Identidade Portuguesa ao historiador Rui Ramos, colaborador do “Observador”, seguida de intervenção do contemplado. “Oferecerei, na ocasião, ao historiador Rui Ramos um exemplar do livro ‘Páginas da História de Macau’, de Luís Gonzaga Gomes, edição do IIM, de Setembro de 2010. A primeira edição é do jornal Notícias de Macau, de 1966. Cerca de 30 páginas deste livro são dedicadas à Batalha de Macau de Junho de 1622”, revelou o presidente do IIM ao nosso jornal

O Prémio Aboim Sande Lemos – Identidade Portuguesa foi criado pelo Coronel Aboim Sande Lemos, primeiro presidente do Conselho Supremo da SHIP, que contribuiu para o estabelecimento de um fundo de apoio ao prémio.

A entrada é livre e a sessão decorrerá igualmente online com transmissão em directo no canal Youtube da SHIP em https://bit.ly/3NDcytJ e ainda na sua página oficial no Facebook na ligação: 

https://www.facebook.com/sociedadehistorica

“O IIM anunciou recentemente, em conferência de imprensa realizada na sua sede, em Macau, um programa comemorativo do 4.º centenário da Batalha de Macau, mobilizando, para o efeito, diversas instituições da sociedade civil de Macau. Em Lisboa, além desta sessão na SHIP, haverá uma outra, no Centro Científico e Cultural de Macau, no dia 24, em que serão oradores o professor Rui Loureiro e a investigadora macaense Mariana Leitão Pereira, doutoranda em Cambridge e colaboradora do IIM, que mantém um sítio em funcionamento sobre este tema”, disse ainda o mesmo responsável.

A Sociedade Histórica da Independência de Portugal é uma associação sem fins lucrativos de direito privado, com o estatuto de pessoa colectiva de utilidade pública, que visa a defesa da identidade e da independência de Portugal, actuando essencialmente através das áreas da defesa e promoção da educação e da cultura patriótica portuguesa. Trata-se da mais antiga e condecorada instituição cultural em Portugal, e é presidida, actualmente, pelo advogado José Ribeiro e Castro, político e figura destacada do CDS-PP, também coordenador do Movimento 2014 – 800 anos da Língua Portuguesa.

10 de junho comemorado em Olivença

A título de exemplo do que são as actividades da SHIP, no passado dia 10 de Junho, para celebrar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a instituição visitou Olivença, localidade cuja demarcação é, ainda hoje, objecto de litígio entre Portugal e Espanha. Em 1297, o Tratado de Alcanizes definiu Olivença como parte de Portugal.  Em 1801, o território foi anexado a Espanha através do tratado de Badajoz assinado por Portugal, e sob coacção, na sequência da Guerra das Laranjas. Portugal denunciou este Tratado em 1808, e em 1817 Espanha reconhece a soberania portuguesa, subscrevendo o Congresso de Viena de 1815 e comprometendo-se a devolver a administração de Olivença a Portugal o mais prontamente possível. No entanto, até hoje, tal não aconteceu.

Para além da presença do presidente da SHIP, o dia comemorativo começou às 12h (hora em Espanha), no Parque dos Pintassilgos, com um acto institucional que foi apresentado por Eduardo Naharro-Macías Machado, professor da Aula de Língua e Cultura Portuguesa da Universidade Popular de Olivença, e no qual participaram ainda o presidente do município de Olivença, Manuel J. González; o secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), Vítor Ramalho; e o presidente da ATLA – Associação Transfronteiriça do Lago Alqueva, José Manuel Grilo. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”



sábado, 11 de dezembro de 2021

Macau - Manuel Basílio e os Sítios com Histórias

O livro Sítios Com Histórias, em dois volumes, da autoria do professor Manuel Basílio e recentemente publicado pelo Instituto Internacional de Macau, arrisca-se, na minha opinião, a ser considerado o Livro do Ano no âmbito dos estudos dedicados à História de Macau. Do autor, e sob a chancela do mesmo editor, já conhecíamos outras obras, De Patane a Lilau. Pátios, Becos e Travessas de Macau e também Estórias, Tradições e Costumes em Torno de Pátios, Becos e Travessas de Macau, ambos de 2018; em 2019 surgiu, Da Avenida ao Tap Siac. Pátios, Becos e Travessas de Macau. É, pois, um trabalho estimulante e bem escrito, inovador em muitos aspectos e com um grande lastro de erudição. As fotografias actuais e antigas, assim como as obras de arte, de Fausto Sampaio, Chinnery, Smirnoff, entre outros, são auxiliares preciosos para contextualizar e para evidenciar as mudanças urbanísticas, por vezes boas, mas a maior parte das vezes sofríveis ou ruinosas e que tem descaracterizado a cidade ao longo do tempo. Macau perdeu a sua alma e sobre isso já Manuel da Silva Mendes escreveu páginas de elevada doutrina estética, que ainda hoje nos fazem meditar.

Mas, o pormenor decisivo e absolutamente diferenciador está no facto de Manuel Basílio dominar a língua chinesa, falada e escrita. Desde Luís Gonzaga Gomes que não tínhamos portugueses realmente bilingues a estudar e a escrever a história de Macau. O padre Manuel Teixeira, emérito historiador, tinha um domínio precário da língua chinesa e fazia questão de agradecer publicamente, nos seus livros, a disponibilidade de tradução e de interpretação de Alfredo Augusto de Almeida, que é uma figura que não merece ser esquecida. E Manuel Basílio recupera a memória dos trabalhos desse português honrado: “Vale a pena aqui recordar que, em princípios dos anos setenta do século XX, no lado do baluarte sudeste, havia um pequeno museu arqueológico. Originalmente, esse museu estava instalado nas ruínas de S. Paulo, por detrás da fachada, que Alfredo Augusto de Almeida, com todo o carinho e dedicação, estava a organizar. Lamentavelmente, depois dos incidentes conhecidos por 12.3, em 1966, por motivos não conhecidos, o Leal Senado mandou retirar todas as peças que estavam ali expostas. Como havia peças muito pesadas, os carregadores resolveram parti-las em pedaços com o camartelo, a fim de facilitar o transporte. Apesar de muito angustiado, o paciente e incansável Alfredo de Almeida conseguiu reunir, mais tarde, grande parte das peças, umas partidas e outras ainda intactas, e foi levando as peças mais significativas à Fortaleza do Monte, a fim de ali reorganizar o museu. Juntou as peças partidas e embutiu-as na parede e as intactas ficaram ali expostas”. Manuel Basílio faz a pergunta incómoda e ainda sem resposta: “Passados tantos anos, é caso para perguntar, onde param aquelas peças arqueológicas e, sobretudo, as de maior valor histórico, que foram retiradas da Fortaleza do Monte?”.

Manuel Basílio constrói uma história dialógica que parte de um sítio, normalmente uma rua, convocando outros saberes auxiliares e chamando-nos a atenção para a justaposição de narrativas que se verificam na toponímia e que, num futuro próximo, poderão contribuir para o inexorável apagamento de algumas parcelas da dimensão portuguesa da história de Macau. Por exemplo a Rua do Almirante Sérgio, na tradução chinesa quer dizer “Nova Rua à Beira do Rio” ou a rua dedicada ao governador Isidoro Guimarães é simplesmente a “Rua Nova à Beira Mar”. Mas com os novos aterros, esses arruamentos deixaram de estar marginais ao rio ou ao mar, criando ainda mais confusão. Assim, a vida, a obra e o legado político e administrativo desses governadores portugueses é, para a opinião pública, iletrada e continental, completamente inexistente. A versão chinesa de alguns topónimos portugueses também se revela problemática: “A Rua do Gamboa é designada, em chinês, pelo estranho nome ‘Yé Mó Kai’. Se alguém perguntar a um chinês ou a um residente daquela rua, qual o significado de ‘Yé Mó’, a resposta é, de imediato, ‘não sei’”. Eis outra situação deveras curiosa: “Tal como o nome ‘Rua das Mariazinhas’, pelo qual a Rua de S. Domingos era conhecida durante décadas até princípios do século XXI, esta rua, cujo topónimo em chinês é ‘Pán Cheong T’óng Kái’, era outrora, também conhecida por ‘Tai Pou Lám’, que significa ‘andar a passos largos’”. Nada disto será uma novidade, mas convém não esquecer. Manuel Basílio guia-nos por estas e por outras perplexidades linguísticas que também são parte integrante dos mistérios desta velha urbe, que fervilha de vida e de sítios com histórias. Poderemos perder todo este património por causa de um conflito de interpretações, de versões ou de traduções?

Emergem desta narrativa personalidades com um recorte de vida muito interessante como sejam Vong Lôk [empresário e filantropo], António José da Costa [capitalista], Francisco Xavier Pereira [advogado e presidente do Leal Senado], Tong Lai Chun [grande comerciante], Vicente Pitter [médico e empresário], O Lon [médico e dirigente do partido comunista chinês], Cam Pau Sai [chefe de uma esquadrilha de piratas], ou Miguel Ayres da Silva [abastado comerciante], todos eles com uma grande influência na vida do Território. O Ouvidor Miguel de Arriaga, uma figura muito controversa, também ele não ficou esquecido.

A origem do nome de Macau [Amagao, Amacao, Amaquão, Machoao, Machao, Amacon, etc.] mereceu a Manuel Basílio alguma investigação minuciosa: “Dado que os portugueses não estavam habituados a ouvir sons de tais dialectos e, presentemente, nem se sabe qual o dialecto usado pelos chineses com quem os antigos portugueses lidaram, nos primeiros contactos, por isso, cada um registava ou transliterava os nomes chineses como bem entendia ou interpretava, resultando, deste modo, uma significativa variação no registo dos referidos nomes para designar o porto de Macau”. Mas continua a ser um trabalho aberto e em curso.

Todas estas gloriosas miudezas são deveras importantes porque como dizia Garcia de Resende no “Cancioneiro Geral”, “a natural condição dos Portugueses é nunca escreverem cousas que façam, sendo dignas de grande memória, muitos e mui grandes feitos de guerra, paz e virtudes, de ciência, manhas e gentileza são esquecidos”. Pelos vistos, não temos emenda.

Para quem gosta de Macau e aprecia a sua história, encontra aqui um elogio da razão pedagógica e cultural que acolhe uma atitude intelectual disposta a abrir outros caminhos de problematização. Esperamos, pois, pelo terceiro volume. António Aresta – Portugal in “Jornal Tribuna de Macau”

António Aresta – Natural de Vila Boa do Bispo, Marco de Canaveses. Licenciado e Mestre em Filosofia, é professor desde 1980 no ensino secundário, ex-docente em Macau e Moçambique, investigador, colabora regularmente na imprensa, tendo sido coautor de uma série televisiva da RTP


 

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Macau – Lançamento do livro “Retratos de Luso-Asiáticos do Myanmar”

“Retratos de Luso-Asiáticos do Myanmar” é o nome do livro da série que teve início no ano passado com “Retratos de Luso-Asiáticos de Macau”. A versão do Myanmar vai ser lançada na sexta-feira, pelas 18h30, no auditório do Instituto Internacional de Macau (IIM). A obra que engloba uma colecção de fotos com retratos da comunidade luso-descendente no norte do Myanmar tem como autor João Palla Martins, que desenvolveu o projecto editado pelo IIM e patrocinado pelo Instituto Camões


As várias comunidades luso-descendentes espalhadas pelo mundo têm características muito próprias, culturalmente e até fisicamente. Na Ásia não é excepção e existem vários grupos ou comunidades ainda com laços a Portugal, como na Indonésia, Sri Lanka, Tailândia, Índia, Singapura, Austrália, Timor-Leste e até o Myanmar.

Na sexta-feira, por volta das 18h30, no auditório do Instituto Internacional de Macau, vai ser lançado o novo livro do projecto do IIM intitulado “Retratos de Luso-Asiáticos do Myanmar”, com as apresentações realizadas por João Palla Martins, autor do livro, e através da plataforma Zoom, por João Laurentino Neves e James Myint Swe.

“Isto é um projecto que no fundo é uma colecção de retratos de rostos luso-asiáticos por alguns países onde as comunidades portuguesas ainda subsistem e temos mais comunidades, como em Malaca, Timor, Hong Kong e muitos mais”, começa por explicar o autor do livro João Palla Martins, arquitecto radicado em Macau há dez anos. “A ideia surge com o objectivo de ir fazendo alguns álbuns fotográficos por estes sítios por onde os portugueses ainda hoje em dia têm um sentido de comunidade, porque existem muitos outros sítios que também já foram habitados por nós e que já tiveram comunidades portuguesas, porém, onde esse sentido de comunidade deixou de existir”, assinalou. “Acima de tudo, o que me fascina é como que no século XXI ainda podemos encontrar estas comunidades, pois o que me interessa mais é o aspecto da fisionomia das pessoas: como é que elas são fisicamente. E é nisso que se baseia o livro”, resume.

A ideia do livro, conforme frisou o autor, é que este seja um género de prova visual de uma miscigenação antiga, entre portugueses e asiáticos, porque o que normalmente se vê são os livros de história, ou só existe a leitura dos artigos, mas, segundo o autor, nunca se vê a cara das pessoas, a não ser que se viaje até lá pessoalmente.

“Por outro lado, estes livros têm também um carácter científico na medida em que inclui sempre um texto de um autor, um investigador ou um académico, que faça um bocado o ponto de situação daquilo que é a comunidade hoje em dia”, refere, acrescentando que “às vezes isto pode ter também um contexto histórico até chegar aos dias de hoje, portanto, também tem esse carácter quase científico de mostrar não só visualmente, mas através de um texto que normalmente é cientifico ou académico”.

Estas duas componentes a que se refere são as que interessam ao autor, para desenvolver uma colecção que, por um lado, seja uma colecção actualizada dentro do estado da arte daquilo que são as comunidades luso asiáticas existentes ainda hoje em dia. “Na verdade, em grande parte, é necessário um trabalho para dignificá-las, dar-lhes valor, mostrar-lhes as caras, permitindo assim, por sua vez, outro tipo de coisas, ao nível da antropologia física, por exemplo”, explica o autor.

Em relação aos próximos projectos da série, João Palla Martins revela que no final do ano está programado o lançamento do terceiro livro, e que para o próximo ano, se existir financiamento, talvez o quarto da série. “O terceiro livro será acerca da comunidade luso asiática do Sri Lanka, posso confirmar. Porém, em relação ao quatro, embora já tenha bastante trabalho feito, ainda não há certezas absolutas”, concluiu. Joana Chantre – Macau in “Ponto Final”

joanachantre.pontofinal@gmail.com


sábado, 6 de março de 2021

Macau – No Instituto Internacional de Macau estão abertas as inscrições para concurso de fotografia


As inscrições estão abertas para mais uma edição do concurso de fotografia do Instituto Internacional de Macau (IIM) focado no território: “A Macau que eu mais amo”. Além do retrato de aspectos de Macau como monumentos históricos e edifícios classificados, os participantes podem submeter imagens relativas a manifestações de natureza cultural ligadas ao património imaterial, hábitos, costumes e crenças, eventos turísticos ou ainda festividades populares tradicionais e religiosas das culturas chinesa, portuguesa e macaense.

A página do Instituto Internacional de Macau, indica que o concurso é lançado “no intuito de reforçar o sentimento de pertença, e promover um conceito de identidade radicado nos valores culturais e históricos de Macau”. “Destina-se a estimular o conhecimento da população, especialmente entre os jovens, das riquezas do Património Cultural, construído ou não, de Macau, e das tradições que enformam Macau”, descreve a entidade.

O concurso é dividido numa categoria para estudantes, voltada para jovens locais do ensino primário, secundário e universitário em Macau ou com estudos no exterior, e uma categoria geral destinada a titulares do BIR permanente ou não permanente. Em cada categoria há 1º, 2º e 3º prémios, cinco menções honrosas e um prémio especial a um trabalho apresentado por sócios da Associação de Fotografia Digital de Macau. O primeiro classificado recebe um troféu e 5000 patacas.

Os trabalhos devem ser do período entre Setembro de 2020 e Agosto deste ano, e há um limite máximo de cinco fotografias por pessoa. Os interessados têm até 27 de Agosto para os entregar. In “Hoje Macau” - Macau


 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Macau - Instituto Internacional de Macau apresenta o segundo episódio do documentário “Macaenses – Uma Odisseia”

O Instituto Internacional de Macau apresenta amanhã o segundo episódio do documentário “Macaenses – Uma Odisseia”. Com o contexto da covid-19, as plataformas digitais foram o meio escolhido para a divulgação



A partir de amanhã, o segundo episódio do documentário “Macaenses – Uma Odisseia” fica disponível nas páginas do Instituto Internacional de Macau (IIM) das plataformas do Facebook e Youtube. No youtube, o vídeo com legendas em português já aparece com contagem decrescente para as 12h30. A opção por uma transmissão online deveu-se à pandemia da covid-19. “O IIM espera, por este meio, atrair mais visualizações do público, não só de Macau como de outras partes do mundo”, diz em comunicado.

A descrição do vídeo indica que até à Segunda Guerra Mundial, muitos macaenses saíram do território por falta de trabalho e pela ausência de condições para crescer profissionalmente. “Contudo, já tinham começado a surgir sinais dos tempos conturbados que se seguiriam: alguns já estavam a deixar Hong Kong devido à pressão comunista nos Portos do Tratado. E depois, com a invasão japonesa em Hong Kong, muitos macaenses mudaram-se para Macau como refugiados”, pode ler-se.

Da migração macaense são destacados momentos como a abertura dos Portos do Tratado ao comércio externo, o estabelecimento da colónia britânica de Hong Kong, a migração que se seguiu à Segunda Guerra Mundial e as revoltas comunistas, o período pós-70, bem como a entrega à China de Hong Kong e Macau.

Memórias fragmentadas

O documentário foi feito com depoimentos de macaenses que vivem no América do Norte, recolhidos pelo jornalista e investigador Joaquim Magalhães de Castro, que percorreu várias cidades para registar a “história oral da vivência desses emigrantes e familiares”.

Indo de encontro a esse trabalho, o IIM começou a preparar uma série de vídeos sobre a diáspora macaense naquela região. O objectivo da iniciativa, segundo o organismo, é “preservar as memórias das comunidades macaenses espalhadas no mundo, dar a conhecer às novas gerações as mudanças sociais que provocaram o grande fluxo migratório de pessoas de Macau, as razões da sua ‘deslocação’ e lembrar-lhes que as suas raízes ainda se encontram em Macau”.

O projecto vai ter quatro segmentos de cerca de 30 minutos cada. Os dois primeiros já estão concluídos e o terceiro encontra-se em vias de finalização. O documentário está a ser produzido com base no guião da investigadora Mariana Leitão Pereira, com montagem de António Pinto Marques. A primeira parte esteve focada em quem viveu os tempos que se seguiram à invasão do norte da China pelos japoneses, a retirada das famílias macaenses de Xangai, a subsequente Guerra do Pacífico e a ocupação de Hong Kong. Salomé Fernandes – Macau in “Hoje Macau”

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Macau - Grupo musical da Orquestra Multicultural Amigu di Macau do Canadá actua na celebração dos vinte anos da RAEM

O Instituto Internacional de Macau (IIM), em parceria com a Universidade de Macau (UM) e da Macau Link, está a promover um concerto para celebrar os 20 anos de transferência de soberania de Macau para a China, e tendo como pano de fundo o Encontro das Comunidades Macaenses deste ano. O concerto terá lugar no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM).

“Uma Noite Inesquecível” é o nome do espectáculo protagonizado pelo grupo musical da Orquestra Multicultural Amigu di Macau, criado em 2002 e que tem vindo a promover a cultura macaense em Toronto, cidade do Canadá. Este grupo é constituído por 16 elementos, com um reportório musical no uso de variados instrumentos musicais chineses, e com interpretação de música não só chinesa, mas também portuguesa e macaense.

Além do espectáculo no CCM, estão previstas duas actuações da Orquestra Multicultural Amigu di Macau, uma delas a 25 de Novembro, na UM, e outra na cidade de Nanhai, na China, dia 28. Os bilhetes já estão à venda na sede do IIM. In “Hoje Macau” – Macau

O Amigu di Macau Club (Toronto) é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 2002 e oficialmente registrada no Canadá. O conjunto de música chinesa do nosso clube, formado há vários anos, mantém um repertório de música folclórica tradicional macaense e música clássica chinesa. Sentimos fortemente que é uma das vias importantes para alcançar a comunidade e o público estrangeiro, preservando e promovendo a identidade cultural única de Macau dentro de um contexto multicultural no Canadá e, juntamente com outras etnias, a construção de um Canadá culturalmente diversificado e unido.

A singularidade da cultura de Macau veio da China, com maior influência dos europeus, pois foi um assentamento português por quase 450 anos. Numerosos poetas e artistas chineses e europeus passaram por Macau durante esses anos e contribuíram para uma vasta influência multicultural das artes e da cultura de Macau, como literatura, pinturas, fotografia, música e dança. Através de atividades e eventos, o Amigu di Macau Club está comprometido em promover uma conscientização e valorização contínuas desse legado cultural, garantindo sua preservação como um patrimônio cultural e um valor vivo, para o enriquecimento e o gozo de pessoas na comunidade e em geral. Mais importante, o Amigu di Macau Club garante que esses traços culturais sejam promovidos e divulgados através do envolvimento da comunidade e em diferentes níveis da comunidade canadense. Amigu di Macau Club - Canadá

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Macau - A invasão holandesa de 1622 recordada no IIM

Foi a 24 de Junho de 1622 que os holandeses bateram em retirada de Macau, depois de uma tentativa frustrada de invasão. “Foi nesse dia que as forças de Macau infligiram uma derrota bastante contundente à força expedicionária invasora”, recorda Miguel de Senna Fernandes. Este episódio histórico vai estar em análise no Instituto Internacional de Macau (IIM), num serão que conta com a presença do presidente da Associação dos Macaenses e de Wong Un Na



A 22 de Junho de 1622, as forças holandesas tentaram invadir Macau, dois dias depois bateram em retirada. O episódio fez com que o dia 24 de Junho fosse celebrado como o Dia da Cidade até 1999. No próximo dia 27 de Abril, o Instituto Internacional de Macau (IIM) vai organizar um serão sobre o acontecimento que, segundo Miguel de Senna Fernandes, “continua a marcar Macau”. Além do presidente da Associação dos Macaenses (ADM), a mesa redonda vai ainda contar com Wong Un Na, licenciada em Engenharia Civil pela Universidade de Macau, com mestrado em Estudos Portugueses e doutoramento em História pela Universidade de São José, e habitual colaboradora do instituto.

Neste “serão macaense”, como é descrito pela organização, vai-se falar também do Dia de São João Baptista, que se celebra precisamente nesse dia. “Dia 24 de Junho é dia de São João e foi nesse dia que as forças de Macau infligiram uma derrota bastante contundente à força expedicionária invasora”, começa por explicar Miguel de Senna Fernandes ao Ponto Final.

O presidente da ADM contextualiza o evento histórico: “Os portugueses, na última metade do séc. XVI tiveram praticamente o monopólio do comércio da seda”, mas “nessa altura assistimos a uma rápida expansão holandesa pelos mares, os holandeses andaram atrás dos portos portugueses. No fundo, não era mais do que uma demonstração de força a ver se substituíam os portugueses”. Macau era um dos pontos que estava na mira dos holandeses, para que pudessem ficar com um ponto estratégico no comércio da seda. “Portugal, em meados do séc. XVII, já notava o declínio do poderio dos mares e, rapidamente, Portugal foi ultrapassado”, conta Miguel de Senna Fernandes. “Macau não estava fortificada, era uma presa fácil para qualquer força expedicionária” e, assim, “os holandeses viram o alvo certo na altura certa para atacar”.

Os holandeses avançaram e a resposta das forças portuguesas fez com que a 24 de Junho os holandeses abandonassem Macau. “Quatro navios foram afundados, muito holandês morreu”, recorda Miguel de Senna Fernandes.

Até 1999, este dia serviu para celebrar o Dia da Cidade. Apesar de o dia da RAEM se comemorar agora a 20 de Dezembro, “esse dia continua a marcar Macau”. “São coisas que ficam, coisas que a história exige que nós mantenhamos”, refere Senna Fernandes.

A sessão será conduzida em língua chinesa e tem como objectivo “estimular o conhecimento dos jovens sobre a história de Macau e de acontecimentos importantes que moldaram Macau”, diz o comunicado da organização. Depois serão projectados dois vídeos, um deles produzido pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) e outro pela Casa de Portugal. Ainda no âmbito desta iniciativa, nos dias 4 e 5 de Maio será realizada uma visita guiada aos locais mais simbólicos de Macau relacionados com o tema do serão do dia 27 de Abril. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”