Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Macau - João Palla Martins apresenta livro de retratos fotográficos de luso-asiáticos da Índia

Uma centena de fotografias de rostos de lusodescendentes da Índia, muitas delas captadas em Macau, estão reunidas no mais recente livro a ser publicado pelo Instituto Internacional de Macau. Depois de ter viajado e fotografado retratos semelhantes no Myanmar, no Sri Lanka e na Malásia, João Palla Martins apresenta agora uma edição dedicada a lusodescendentes indianos

São cerca de cem fotografias tiradas a rostos de luso-descendentes da Índia: o livro de João Palla Martins publicado pelo Instituto Internacional de Macau (IIM) é lançado pelo autor esta quinta-feira, dia 18, pelas 18h30, no auditório do instituto, e com a moderação do seu presidente, Jorge Rangel. O álbum fotográfico “Retratos de Luso-Asiáticos da Índia” inclui textos de Rosa Maria Perez, professora emérita do Departamento de Antropologia do ISCTE, e de Delfim Correia da Silva, director do Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões em Goa.

Para realizar este levantamento fotográfico, para além de ter captado imagens em Lisboa e Macau, o autor também viajou para a Índia, fotografando rostos de luso-descendentes junto de comunidades em Goa. Desde 2017, aliás, que o também arquitecto percorre vários países, fotografando os rostos das comunidades luso-asiáticas com o objectivo de oferecer um olhar sobre estas fisionomias tão peculiares. As fotografias são ainda acompanhadas de ensaios teóricos ou científicos por autores convidados a reflectirem sobre temas como identidade, miscigenação e memória, referiu o evento promocional do IIM.

A obra que será lançada esta quinta-feira faz parte, portanto, de um projecto maior, a colecção de Retratos de Luso-Asiáticos, depois do álbum relativo a Macau ter sido publicado em 2020, o do Myanmar e do Sri Lanka em 2021, e o da Malásia em 2022.

A publicação do IIM conta com patrocínio do Núcleo de Animação Cultural de Goa, Damão e Diu, do Instituto Camões e da Fundação Oriente.

No texto que acompanha a actual edição, João Palla esclarece que os registos fotográficos foram feitos em Goa, Lisboa e Macau entre 2017 e 2022. É ainda feita uma contextualização histórica dos indo-portugueses, das vagas nos anos 60 de imigração de Goa, Damão e Diu em direcção a Portugal e também para Angola, São Tomé e Príncipe. Também é abordada extensamente a presença destes luso-indianos em Macau. “Em Macau, a presença de luso-descendentes provenientes da Índia sucede imediatamente após a fundação desta cidade, 1556-7, onde aqui chegaram não só famílias de Goa, como também de Malaca, integrando contingentes militares e navios mercantes designadamente a grande Nau do Trato”, referiu o autor. “Inúmeras figuras se destacaram como capitães-mores de Macau, da Carreira da Índia, e mais tarde como governadores deste território. É uma população ou comunidade que ali foi permanecendo, com maiores ou menores flutuações ao longo dos tempos, integrando-se na comunidade macaense”.

Daí, esclarece, a obra agora lançada conter uma quantidade substancial de retratos de luso-indianos ou indo-portugueses sediados em Macau. “Podia nomear estas pessoas, falar delas, muitas são minhas amigas, outras são conhecidas”, confessa, havendo ainda outras que não conhecia e que ficou a conhecer graças à circunstância. Sobretudo na parte que diz respeito a Macau, João Palla fala sobre o processo emocional que implicou, já que muitos dos fotografados são colegas e amigos do Liceu de Macau, onde estudou. “Foram anos em que partilhámos os trabalhos de grupo, o teatro da escola, o pátio, o futebol, as brincadeiras. 56 anos mais tarde dei-me conta que tinha crescido neste meio, e do valor da dimensão plural de relacionamento humano”.

Sobre o projecto dos retratos luso-asiáticos no geral, o arquitecto numa entrevista anterior ao nosso jornal referiu que vê o exercício mais como uma homenagem à fisionomia das pessoas e às comunidades em que se inserem. “A ideia surge com o objectivo de ir fazendo alguns álbuns fotográficos por estes sítios por onde os portugueses ainda hoje em dia têm um sentido de comunidade, porque existem muitos outros sítios que também já foram habitados por nós e que já tiveram comunidades portuguesas, porém, onde esse sentido de comunidade deixou de existir”, assinalou. “Acima de tudo, o que me fascina é como é que no século XXI ainda podemos encontrar estas comunidades, pois o que me interessa mais é o aspecto da fisionomia das pessoas: como é que elas são fisicamente. E é nisso que se baseia o livro”, resume. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 29 de abril de 2021

Macau – Lançamento do livro “Retratos de Luso-Asiáticos do Myanmar”

“Retratos de Luso-Asiáticos do Myanmar” é o nome do livro da série que teve início no ano passado com “Retratos de Luso-Asiáticos de Macau”. A versão do Myanmar vai ser lançada na sexta-feira, pelas 18h30, no auditório do Instituto Internacional de Macau (IIM). A obra que engloba uma colecção de fotos com retratos da comunidade luso-descendente no norte do Myanmar tem como autor João Palla Martins, que desenvolveu o projecto editado pelo IIM e patrocinado pelo Instituto Camões


As várias comunidades luso-descendentes espalhadas pelo mundo têm características muito próprias, culturalmente e até fisicamente. Na Ásia não é excepção e existem vários grupos ou comunidades ainda com laços a Portugal, como na Indonésia, Sri Lanka, Tailândia, Índia, Singapura, Austrália, Timor-Leste e até o Myanmar.

Na sexta-feira, por volta das 18h30, no auditório do Instituto Internacional de Macau, vai ser lançado o novo livro do projecto do IIM intitulado “Retratos de Luso-Asiáticos do Myanmar”, com as apresentações realizadas por João Palla Martins, autor do livro, e através da plataforma Zoom, por João Laurentino Neves e James Myint Swe.

“Isto é um projecto que no fundo é uma colecção de retratos de rostos luso-asiáticos por alguns países onde as comunidades portuguesas ainda subsistem e temos mais comunidades, como em Malaca, Timor, Hong Kong e muitos mais”, começa por explicar o autor do livro João Palla Martins, arquitecto radicado em Macau há dez anos. “A ideia surge com o objectivo de ir fazendo alguns álbuns fotográficos por estes sítios por onde os portugueses ainda hoje em dia têm um sentido de comunidade, porque existem muitos outros sítios que também já foram habitados por nós e que já tiveram comunidades portuguesas, porém, onde esse sentido de comunidade deixou de existir”, assinalou. “Acima de tudo, o que me fascina é como que no século XXI ainda podemos encontrar estas comunidades, pois o que me interessa mais é o aspecto da fisionomia das pessoas: como é que elas são fisicamente. E é nisso que se baseia o livro”, resume.

A ideia do livro, conforme frisou o autor, é que este seja um género de prova visual de uma miscigenação antiga, entre portugueses e asiáticos, porque o que normalmente se vê são os livros de história, ou só existe a leitura dos artigos, mas, segundo o autor, nunca se vê a cara das pessoas, a não ser que se viaje até lá pessoalmente.

“Por outro lado, estes livros têm também um carácter científico na medida em que inclui sempre um texto de um autor, um investigador ou um académico, que faça um bocado o ponto de situação daquilo que é a comunidade hoje em dia”, refere, acrescentando que “às vezes isto pode ter também um contexto histórico até chegar aos dias de hoje, portanto, também tem esse carácter quase científico de mostrar não só visualmente, mas através de um texto que normalmente é cientifico ou académico”.

Estas duas componentes a que se refere são as que interessam ao autor, para desenvolver uma colecção que, por um lado, seja uma colecção actualizada dentro do estado da arte daquilo que são as comunidades luso asiáticas existentes ainda hoje em dia. “Na verdade, em grande parte, é necessário um trabalho para dignificá-las, dar-lhes valor, mostrar-lhes as caras, permitindo assim, por sua vez, outro tipo de coisas, ao nível da antropologia física, por exemplo”, explica o autor.

Em relação aos próximos projectos da série, João Palla Martins revela que no final do ano está programado o lançamento do terceiro livro, e que para o próximo ano, se existir financiamento, talvez o quarto da série. “O terceiro livro será acerca da comunidade luso asiática do Sri Lanka, posso confirmar. Porém, em relação ao quatro, embora já tenha bastante trabalho feito, ainda não há certezas absolutas”, concluiu. Joana Chantre – Macau in “Ponto Final”

joanachantre.pontofinal@gmail.com


quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Macau - O património fisionómico que os portugueses deixaram pela lente de João Palla Martins

Séculos depois de os portugueses terem passado pela Ásia, o património fisionómico ainda é visível e o arquitecto João Palla Martins começou a fotografá-lo há três anos. Como resultado, os retratos dos luso-descendentes de Macau foram agora compilados num livro que foi lançado no passado sábado

O arquitecto João Palla Martins está há três anos a fotografar os rostos luso-descendentes herdados pela Ásia ao longo dos séculos. As fotografias dos descendentes dos portugueses que ficaram em Macau são mostradas no livro “Retratos Luso-Asiáticos de Macau”, lançado no passado sábado. Este álbum, com cerca de 70 fotografias, só contém rostos de Macau. João Palla Martins quer, no futuro, lançar outros livros com retratos das suas passagens por outros pontos da Ásia.

Este livro agora lançado resulta da “constatação de que existe um património além do património cultural, gastronómico, linguístico, religioso, etc.; também existe um património que são os rostos – o património fisionómico – de origem portuguesa”.



O arquitecto deu início ao projecto numa viagem que fez ao Myanmar: “Acabei por fazer um registo de imensos rostos e esses rostos são, de facto, rostos híbridos, rostos que mostram mistura de culturas e em que, após 400 anos, ainda se distinguem as feições de uma mistura portuguesa com birmanesa”. Após a viagem, o arquitecto quis continuar a passar por sítios na Ásia com descendentes de portugueses para fotografar os habitantes de cada sítio. O projecto começou em 2017 e João Palla Martins reuniu cerca de 500 retratos no total.

“Constatando que existem estas comunidades de luso-descendentes pela Ásia toda, comecei a fazer algumas viagens neste sentido, chegar lá, fotografar as pessoas e saber como é que elas vivem. Então, fui a Goa, Sri Lanka, fui à Indonésia, aos ditos portugueses de Hong Kong, fui à Tailândia, e claro que Macau também interessa”, explicou. Os luso-descendentes de Macau são os protagonistas do primeiro livro de retratos de João Palla Martins. Este livro inclui um texto trilingue da investigadora Sheyla Zandonai. As fotografias do livro já estiveram em exposição na Universidade de Aveiro e também na Universidade de Macau.

O próximo livro de retratos deverá ser lançado no próximo ano, mas a comunidade de luso-descendentes a ser protagonista ainda não está escolhida: “Estou a ver qual é que estará em melhores condições para sair. Mas ou será o de Malaca, na Malásia, ou o do Myanmar, que foi a minha primeira viagem. Ainda não sei”.

O projecto de João Palla Martins começou há três anos, mas ainda não terminou. “Ainda tenho de tirar fotografias em Timor-Leste, tenho de voltar à Tailândia, tenho de voltar à Índia, tenho de ir a Singapura, tenho de ir à ilha das Flores. Ainda faltam uma série de viagens para se considerar que este projecto está acabado”, referiu. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

andrevinagre.pontofinal@gmail.com